8 UA .Celso, do Boca de Rua, estiveram l e contam tim-tim-por-tim-tim como foi cada passo da viagem

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    8 UA IMPRESSO Ano XI, nmero 42, janeiro, fevereiro e maro 2012 - Preo: R$ 1 , 00 No compre de crianas e adolescentes

    1 Este jornal vendido por: . 1

  • .- 2 BOCA DE RUA janeiro, fevereiro e maro 2012

    PRESIDENTA DALMA ENCONTRA POVO DA RUA Por Carlos Henrique Rosa da

    Silva e Celso Silva Ferreira

    No dia 22 de dezembro aconteceu o chamado Natal dos Catadores, no Sindicato dos Ban-crios, em So Paulo. Nesta data representantes do Movimento Nacional da Populao em Sim-ao de Rua e Movimento Nacio-nal dos Catadores de Materiais Reciclveis - alm de cerca de mil pessoas em situao rua - se reuniram com a Presidenta Dil-ma Rousseff. Carlos Henrique e Celso, do Boca de Rua, estiveram l e contam tim-tim-por-tim-tim como foi cada passo da viagem.

    Da2l de dezembro, 4~ Aqui o Carlos Henrique

    Rosa da Silva, reprter do Jornal Boca de Rua. Hoje dia 21 e estamos no nibus que vai nos levar at So Paulo onde vamos encontrar a presidenta do Brasil, Duma Roussef. Eu vou contar tudo o que vai acontecer durante a viagem. Tenho aqui comigo o irmo Celso, tambm do Boca, que ficou encarregado das fo-tos. Tambm est conosco o Anderson, que do Movimento Nacional dos Moradores de Rua, em Porto Alegre, alm do Mauro, do Kimba, do Peninha e muitos outros irmos. Logo no comeo da viagem houve algum tumulto mas agora tudo est calmo. A nossa primeirta parada em Sombrio (SC) para fazer lanche.

    Descemos para o lanche, cada um fez o que Unha que fazer Fomos bem atendidos Prxima parada foi parajantar em Camboiii Conver-samos um pouco, nos animamos e logo depois do jantar olhamos um filme, O Jardim doMal.Amanhde manh vamos falar com a DUma, presidenta do nosso Brasil.

    Dia 22 de dezembro, Sindicato dosBanci SI' Bom dia a todos os leitores

    do Boca, chegamos a So Paulo. Estamos aqui na rua, em frente ao Sindicato dos Bancrios, espe-rando a hora da conferncia. Tem uma fila grande e bastante segu-ranas. Catadores de Guarulhos, de Sombrio, de muitos lugares. Muita, muita gente. Nosso obje-tivo tirar algumas dvidas sobre nossa condio de morador de rua.

    Conseguimos entrar. Est cheio. Vrios representantes de todo o Brasil. Vai ter um grupo de 15 pessoas que vai ficar diretamen-te com ela l na frente. Aqui no vai falar senador, nem vereador, nem ningum. Aqui quem vai falar so os representantes dos moradores de rua, dos catadores, do, pessoal que faz a organizao dos direitos do cidado. Estamos aqui esperando o momento, curtindo uma msica. Botaram uma banda para tocar para ns. Tem muitos jornalistas.

    chegado o momento. Aqui dentro do sindicato j comearam a chamar algumas pessoas que vo participar da mesa A gente no con-segue escutar os nomes direito, mas so representantes dasinsfitUie. Pelo que d para ver so umas 15 pessoas. o pessoal comemora a cada chamada de nome. Agora chamaram o secretrio de Direitos Humanos. Aministra que irm do Chico Buarque tambm est por aqui. Maria do Rosrio, Marta Suplicy, o Suplicy. . . to tudo a.

    Agora vai entrar a DUma para falar conosco. Desculpa a emoo. Vou passar um pouquinho mais pra frente. Quero escutar tudo, quero ficar atualizado em tudo, no quero perder

    nada. E no vamos deixar escapar nem um momento, nem uma respos-ta, nem uma pergunta de ningum. So os profissionais do Boca de Rua trabalhando. O pessoal comea atirar umas fotos. Vamos subir em cima de uma cadeira pra poder tirar fotos tambm. Eu e o meu companheiro Celso estamos aqui para mostrar tudo o que vai acontecer.

    No tem muita segurana na volta. Est tudo bem tranquilo. T todo mundo preparado. Agora vai ter um desfile de roupas de mate-rial reciclado. As "cangaceiras" esto deslumbrantes e o pessoal

    comemora. Entram os estilistas que fizeram as roupas. Estamos gostando. A coisa est ficando melhor. O Boca que est em So Paulo, gravando. A Dilma no se mostra nervosa, est bem tranquila. Colocaram um broche nela, na rou-pa presidencial. Ela tira umas fotos com as meninas. E d um beijo em cada uma delas. Est bonito.

    Outra apresentao. Os catadores vo apresentar algo do Natal. Tocam um hino... bblias... velas. Esto desenrolando tambm a bandeira do Brasil. Agora comeam a cantar a msica Mulher Brasileira, em ho-

    menagem a DUma. O pessoal levanta uns cartazes. O rapaz que faz a apre-sentao l a Bblia: ". . .H tempo de plantar, h tempo de colher... h tempo de colher e h tempo de nascer. . .".". . .0 amor vem de Deus, o amor tudo suporta. . .". E tambm fala mais algumas coisas da Bblia e palavras sobre a ecologia, sobre a justia para proteger o pessoal dama. Termina a apresentao.

    Fomos entrevistados por uma re-prter aqui e tambm entrevistamos a reporter. Seu nome Carla Maria e elatrabalhanojornal O So Paulo.

    Recebemos um recado que a fa-vela do Moinhos est pegando fogo. Ela fica perto do centro e dizem que no est dando para controlar o fogo. O pessoal todo faz uma orao para proteger as pessoas e para que se consiga apagar este fogo. Agora en-tregam uns prmios para os ministros que ajudam os catadores: Ministra TeresaCampeilo, eministra Maria do Rosrio, alm de outras autoridades que ajudam os moradores de rua. tipo de um trofu e tem tambm uma espcie de selo para os amigos dos catadores.

    Agora a representante do Movi-mento dos Moradores de Rua, Ma-

  • VIOLENCIA NAS RUAS: UM MORTO A CADA DOIS DIAS

    Em dezembro, um morador de nome Israel da Silva Machado foi espancado at a morte em So Leopoldo e trs morreram violen-tamente em Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Conforme o jornal O Tre-cheiro de So Paulo, aconteceram 142 assassinatos nas ruas do Brasil -em 2011. Isso quer dizer um morto a cada dois dias. E quem punido pela morte de um morador sem-teto neste pas?

    O cas de Israel foi super mal contado. Tinha mais de uma ver-so para o crime e uma delas era absurda, pois os assassinos diziam que o Israel agrediu primeiro. Israel era um s e tinha 35 anos. S se fosse louco para encarar trs guris novos e fortes.

    Pouco antes tinha acontecido um caso quase igual com um dos integrantes do Boca de Rua, s que o cara teve mais sorte. Ele estava cuidando de carro na rua Baronesa do Gravata quando passaram trs pit-boys de academia. "T me encarando?", eles disseram, e logo cercaram o morador de rua que fez que ia encarar, mas saiu correndo.

    Quando estava fugindo ainda

    deu um soco em um dos pit-boys e depois escorregou e eles caram em cima dele. S pararam porque tinha testemunha presente no local. Ento alegaram que ele estava roubando. Mas esta verso no tem lgica. a mesma coisa com o Israel. Quem que vai roubar trs caras se estiver sozinho?

    Outro caso parecido que tam-bm aconteceu mais ou menos na mesma poca: o povo estava l pela Joo Pessoa, de noite, quando che-

    gou um cara que no era morador de Rua e comeou a tomar cachaa junto. A maioria dormia e l pelas tantas ele comeou a discutir com um que estava acordado. O cara puxou um faco e o morador de rua, pra se defender, puxou um ferro. Enquanto isso, os que estavam dormindo acordaram e o pessoal de um restaurante prximo chamou a polcia. O cara disse que reagiu a uma tentativa de roubo e os briga-dianos acreditaram nele.

    a atividade de reciclagem de material. (. . .) da a necessidade de construir cooperativas e associaes. Garantir que os catadores tenham a proteo de uma organizao (...).

    ( ... ) Quero dizer que para que a gente tenha de fato no catador a possi-bilidade da reciclagem complete - de uma reciclagem at industrial - fun-damental que vocs se capacitem. E por isso ns estaremos empenhados nessa capacitao atravs do programa Brasil sem Misria. E isso no um favor do Estado Brasileiro. E uma obrigao do Estado Brasileiro dar tratamento justo quelas populaes que, ao longo dos anos o Brasil constituiu uma dvida social, uma dvida para com as suas famlias. ( ... )

    ( ... ) Tambm consideramos muito importante aumentar o cadastramento. Porque cadastrar os catadores uma forma de permitir que o Governo Fe-deral exija polticas pblicas quando se tratar do dinheiro do Governo Federal repassado aos municpios. Que ns exi-jamos a contratatao de catadores para o uso daquela verba, daquele dinheiro, daquela quantia. Alm disso que o ca-tadore apopulao de rua tenha direito a todos os benefcios que qualquer brasileiro, qualquer brasileira, tem.

    Isso vai desde a sade, da rede SUS, da educao, da formao profissional at a questo do Bolsa Famlia, do recebimento do beneficio da prestao continuada (BPC) para aqueles que j atingiram idade de aposentadoria ou tem alguma deficincia-

    ( . . .)Eu me comprometo aqui a fazei uma discusso muito sria a respeito desta questo da incinerao do lixo. Eu sei a presso at 2014 as prefeituras tero, mas por isso que este momento exige que a gente discuta isso colocando catadores na mesa para defenderem suas posies e para que a gente ache um caminho de proteo.

    ( ... ) Sobre esse nvel de violncia nas cidades que vocs esto aqui de-nunciando, acho importante criar com os senhores governadores - porque ns no controlamos a polcia dos estados - um dilogo para impedir isso. (...) O que est ocorrendo, muitas vezes, uma limpeza humana. ( ... )Este Centro de Referncia especfico que foi cons-trudo em Minas Gerais importante porque tambm trabalha a dimenso dessa violncia. E fato que os CREAS! POP no trabalham a dimenso desta violncia porque no tem meios para isso. Agora, fundamental que os CREAS/POP exijam a interlocuo

    especial com as delegacies. Isso ns po-demos fazer. Essa interlocuo significa justamente ou denunciar ( ...)uma das formas de combater deixar a violn-cia bem clara. No deixar que ela se esconda e portanto que ela se espalhe.

    ( ... )Euacredito que uma discusso sria sobre resduos slidos passa por coopertiva de catadores, recicladores e tambm pela discusso das prefeituras sobre as metas para 2ol4.A gente vai t