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A Música nas Escolas Pitagóricas como Elemento Doutrinário A música tem uma importância imensa no comportamento do ser humano e da sociedade razão pela qual de forma alguma ela deve ser excluída dos estudos místicos. Por tudo isto e mais é que a Escola Pitagórica e algumas Ordens, entre elas a VOH e outras Ordens legítimas reservam alguns anos de estudo à música em todos os seus aspectos. Por certo foi a Escola de Crotona, fundada por Pitágoras, que mais deu ênfase ao estudo da música, ocupando o seu estudo uma fração muito importante dos ensinamentos doutrinários. Mas normalmente pouco tem sido escrito sobre os aspectos "ocultos" da música em livros místicos e esotéricos, e isso nos levou a preparar alguns temas que estão sendo apresentados neste estudo.

A Música Nas Escolas Pitagóricas Como Elemento Doutrinário - Apostila

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  • A Msica nas Escolas Pitagricas como Elemento Doutrinrio

    A msica tem uma importncia imensa no comportamento do ser humano e da sociedade razo pela qual de forma alguma ela deve ser excluda dos estudos msticos. Por tudo isto e mais que a Escola Pitagrica e algumas Ordens, entre elas a VOH e outras Ordens legtimas reservam alguns anos de estudo msica em todos os seus aspectos.

    Por certo foi a Escola de Crotona, fundada por Pitgoras, que mais deu nfase ao estudo da msica, ocupando o seu estudo uma frao muito importante dos ensinamentos doutrinrios. Mas normalmente pouco tem sido escrito sobre os aspectos "ocultos" da msica em livros msticos e esotricos, e isso nos levou a preparar alguns temas que esto sendo apresentados neste estudo.

  • ndice

    01 O Poder dos Sons Pag. 03

    02 Os Mantras Pag. 06

    03 A Mstica dos Sons Pag. 00

    04 O Universo Som Pag. 00

    05 O Silncio Pag. 06

    06 Os Sons Audveis Pag. 06

    07 A Msica em Antigas Civilizaes Pag. 06

    08 Os Doze Tons Csmicos Pag. 06

    09 A Msica na Sociedade Humana Pag. 06

    10 A Fora Inerente Msica Pag. 06

    11 A Ao Biolgica da Msica Pag. 06

    12 Experincias com Msica Atual Pag. 06

    13 A Msica e o Desenvolvimento dos Seres Pag. 06

    14 A Msica Intencional Pag. 06

    15 Msicas de Poder Pag. 06

    16 Transformaes pela Msica Pag. 06

    17 O Lado Positivo da Msica Pag. 06

    18 A Msica Ritualstica Pag. 06

    19 O Som Csmico Pag. 06

    20 O Verbo e o Som Pag. 06

    21 A Msica e os Elementos da Natureza Pag. 06

    22 Os Sons e a gua na Cosmologia do Egito Antigo Pag. 06

    23 Os Mistrios dos Sons e da Msica Pag. 06

    24 A Magia dos Sons Pag. 06

    25 O Som e as Religies Atuais Pag. 06

    26 O Som da Nova Era Pag. 06

    27 Efeitos Biolgicos dos Sons Pag. 06

    28 Efeitos Psicolgicos dos Sons Pag. 06

    29 A Msica e o Transe Pag. 06

    30 A Msica de Fora Pag. 06

    31 A Msica de Cura Pag. 06

    32 A Msica da Natureza Pag. 06

    33 A Msica e a Descontinuidade Pag. 06

    34 A Msica Atual e a Grande Loja Branca Pag. 06

    35 Referncias Bibliogrficas Pag. 06

  • 1. O Poder dos Sons

    "No princpio era o Verbo..."

    Para que se possa compreender perfeitamente a razo de ser dos Hinos, Mantras, e Vocalizaes (entoaes de vogais) mister que se tenha em mente que os sons so vibraes e como tais so capazes de desenvolver aes fsicas. Um som no apenas um fenmeno acstico, portanto ele algo capaz de influenciar no apenas o rgo da audio, mas tambm produzir outras manifestaes fsicas. A fsica conhece perfeitamente o efeito da ressonncia que pode se fazer presente em tudo, pois a estrutura da natureza essencialmente vibratria.

    Para que possamos sentir o que foi dito antes vamos tentar examinar uma pequena faixa de ondas, aquela em que se situam os fenmenos acsticos. Ningum pe em duvidas as citaes seguintes, por serem elas suficientemente reintegradas nos anais das cincias Clssicas, mesmo que algumas delas paream referncias absurdas.

    Um som ritmado, como o marchar cadenciado de soldados, pode fazer desmoronar pontes, por isto quando tropas atravessam-nas geralmente o fazem em marcha desordenada, pois o marchar ritmado pode determinar uma sobrecarga vibratria por ressonncia suficientemente forte para acarretar um rompimento fsico da estrutura slida. Isto foi o que certa vez ocorreu numa ponte em Amienes, na Frana. Por essa razo que desde ento um peloto geralmente evita atravessar uma ponte marchando.

    Os sons produzidos por avies a jato acarretam problemas de diferentes naturezas. Sabe-se que a grande maioria dos ovos incubados prximos das rotas de avies a jato no gera devido s vibraes produzidas pelo rudo das turbinas. Esse mesmo rudo capaz de rebentar vidros e outros objetos frgeis. As naves areas quando ultrapassam a barreira do som originam ondas de choque que rebentam vidros e causam uma infinidade de outros inconvenientes. O grande tenor Caruso era capaz de rebentar uma taa de cristal unicamente pela emisso vocal de certas notas musicais. Na Frana um edifcio onde funciona um Instituto de Pesquisas Fsicas de Ultra-sons, embora ningum escutasse som algum, mesmo assim durante certas experincias fsicas ali realizadas comeou a apresentar rachaduras. Depois ficou comprovado que o problema tinha como causa as vibraes sonoras, mesmo em nvel de ultra-sons.

    Algumas construes histricas, entre elas o Coliseu de Roma, esto ameaadas de desmoronamento em decorrncia de vibraes de trnsito, especialmente as sonoras.

    Os sons, alm de um certo limite de decibis, causam leses no aparelho auditivo de gravidade varivel, podendo chegar a um limite mximo de produzir surdez. Quaisquer barulhos podem ser prejudiciais aos ouvidos assim como determinar outras alteraes orgnicas. Mesmo o buzinar de um veculo determina quebra acentuada na postura das aves, por isto hoje se evitam os avirios s margenes das rodovias.

    Por outro lado, as aves quando submetidas a uma msica adequada apresentam uma postura mais prolongada. Tambm as vacas conforme a msica e outros sons podem produzir maior quantidade de leite e isto de uma maneira to evidente que certos produtores americanos e europeus esto utilizando musica ambiental nos estbulos.

    Certas bactrias capazes de resistir ao calor ou ao frio intenso morrem rapidamente ao serem submetidas a certos nveis sonoros, por isto atualmente a esterilizao de materiais muito sensveis ao calor est sendo feito por meio de ultra-sons.

    A medicina emprega sobejamente os sons como meio curativo. Comumente ela utiliza aparelhos de ultra-sons que geram sons de baixa freqncia, praticamente inaudveis para o homem, mas que determina uma srie imensa de aes sobre o organismo. Vrias molstias so suscetveis de tratamento com tais aparelhos.

    Alm da ao fsica propriamente dita, os sons tm uma enorme capacidade de produzir efeitos mentais das mais diferentes naturezas. Assim que h sons que irritam as pessoas, como por exemplo, o chiado de um grilo, uma goteira numa lata, o ranger de uma serra sobre um metal, giz em quadro negro, e uma infinidade de outros rudos. Por outro lado h sons que acalmam e agradam, haja vista a msica lenta e meldica. Mas, mesmo em se tratando de msica h aquelas que estimulam certas condies psquicas, como as msicas que despertam os sentimentos patriticos, a coragem e a combatividade. H msicas, como as sacras, que levam a alma a um estado mstico profundo, como h

  • as que estimulam o repouso, enquanto outras podem despertar tristezas e melancolias. No restam dvidas de que os sons tm poder de despertar estados psquicos especiais. Portanto, vemos com estes exemplos, entre milhares de outros, que uma vibrao sonora pode determinar condies as mais diversas sobre o campo onde ela se manifesta, e que os seres vivos so altamente sensveis aos sons.

    Vimos tambm que os sons podem acarretar alteraes no organismo vivo, portanto de interesse saber quais so as alteraes possveis, em que nveis e em que intensidade elas ocorrem. Certamente ningum est em condio de afirmar isto com preciso, pois se trata de um campo altamente inexplorado pela cincia atual, mas, se desconhecido para a cincia oficial, tambm o ser para outras cincias? Ser que no existem cincias que tenham conhecimentos do assunto em profundidade? Talvez sim, ento no se deve negar que o homem por vias diferentes daquelas preconizadas pela cincia oficial pode haver descoberto uma srie de coisas ainda no oficialmente aceitas. Isto tem acontecido a amide. Por exemplo, at bem pouco tempo a cincia oficial dizia no existir a "aura" dos seres vivos citada pelos sensitivos, at que isso foi evidenciado por meios tcnicos. O campo bioplasmtico, portanto, acabou sendo fotografado e a cincia teve que aceitar isso, mesmo que ela haja contradito isso no passado e denominado de fantasiosas aquelas pessoas que afirmavam ver um halo em torno do corpo das pessoas.

    As descobertas podem ocorrer por via dedutiva e tambm por via indutiva. Assim os conhecimentos existentes na terra podem perfeitamente ter surgido por quaisquer dessas vias. Ningum sabe quantas vezes a terra j foi palco para civilizaes que atualmente esto sepultadas na nvoa dos tempos e que cultivaram ramos das cincias especializados exatamente em usos incomuns dos sons.

    Seja como for que o leitor encare essas informaes, uma coisa, porm certo, o som determina modificaes apreciveis nos seres vivos, pois quando determinados sons so emitidos, certas clulas do organismo vibram e isto no nada de espetacular, uma lei normal de acstica que se cumpre.

    No mundo h muitas coisas curiosas a respeito do poder dos sons. Por exemplo, no Templo de Shivapur da ndia, dizem existir uma pedra em frente porta de entrada e que tem a peculiaridade de ao ser tocada com um dedo por onze pessoas pronunciando as palavras "QMAR ALI DEVIXE" a pedra se torna sem peso e flutua, embora ela pese 41 Kg. Ao ser pronunciada aquela frase com uma certa tonalidade a pedra erguida sem qualquer esforo por parte das pessoas at uma altura de dois metros e em seguida ela cai aps um segundo.

    Infelizmente o homem tem utilizado muito pouco do poder dos sons, especialmente na rea da sade. Em algumas civilizaes desaparecidas o poder dos sons foi a base de um sistema completo de cura, mas todos aqueles conhecimentos ficaram perdidos, ou melhor, foram destrudos em muitas ocasies, especialmente no incndio da Biblioteca de Alexandria.

    Atualmente s um pouco resta da cincia hermtica dos sons, apenas um mnimo voltou a ser redescoberta, especialmente pelos pitagricos. Muitas pessoas podem duvidar de que os sons podem se constituir uma das principais artes de curar, mas queiram ou no queiram eles curam. Quando um mdico utiliza um aparelho de ultra-sons para o tratamento de uma inflamao, para deter a formao de um abscesso, ou para a cura de um artritismo, ele simplesmente est emitindo e dirigindo uma onda sonora diretamente para o nvel da leso que pretende curar. Assim, se obtm efeitos especiais tais como o facilitar a circulao local pela dilatao dos vasos sangneos e algumas outras alteraes que os sons so capazes de provocar e assim forar o reequilbrio na regio afetada.

    Se uma emisso sonora produzida por um aparelho pode curar uma enfermidade, perguntamos ento a razo pela qual se deve duvidar de que os sons produzidos por instrumentos musicais, ou mesmo pelas cordas vocais, no possam fazer o mesmo.

    O uso dos sons uma arte perdida, houve povos na Antigidade que curavam somente com os sons. No somente as funes somticas, como tambm a funo psquica era restabelecida pelas ondas sonoras adequadamente dirigidas.

    Para cada funo orgnica existem sons capazes de provocar alteraes. Assim sendo, h sons que estimulam as funes renais, hepticas (Hoje a cincia vem redescobrindo as possibilidades de cura oferecidas pelos sons assim que redescobriu que os clculos renais podem ser fragmentados com ultra-sons). Por outro lado h sons que provocam leses e congruentemente, doenas. H sons adequados para tudo no organismo, infelizmente isto foi esquecido em parte e hoje at mesmo chega-se a duvidar da eficcia do poder dos sons, embora eles realmente funcionem a maior parte dos resultados decorrente do efeito de ressonncia.

    No tratamento das doenas, sem sombra de dvidas, o poder dos sons muitas vezes mais eficiente do que o prprio poder das drogas qumicas. Os medicamentos qumicos muito freqentemente agem destruindo, enquanto os sons quando bem orientados podem com certa facilidade restabelecer a harmonia do organismo sem provocar-lhe danos e assim dispensa a ao txica de muitos remdios atuais. Se os sons so pouco utilizados no tratamento das pessoas isto decorre do conhecimento haver

  • sido perdido h muitos sculos. Tudo o que restou foram uns poucos conhecimentos sob a guarda das Fraternidades Secretas. Restaram apenas fragmentos da arte completa, e ningum tem certeza de que aquilo que algumas doutrinas ensinam atualmente sobre isso seja realmente algo benfico, pois o poder invisvel da "conjura" que tudo corrompe certamente no deixou passar em branco algo to valioso como o uso dos sons. Por certo a "conjura" tambm provocou alteraes nesse conhecimento sempre tendo em mente os fins malficos a que sempre se props.

    O pouco uso que hoje se d arte dos sons deve-se tambm ao fato do ser humano ser comodista demais por natureza, sendo assim ele acha mais fcil deglutir um comprimido, ou tomar uma injeo, do que passar algum tempo sob o efeito de ondas sonoras. O homem atual quer se curar num minuto, por isto ele no aceita coisas como os "mantras e as vocalizaes como forma de tratamento. A vida moderna, infelizmente, exige velocidades, e a cura pelos sons muitas vezes um tanto mais lenta do que aquela levada a efeito por sistemas msticos, mesmo que esta seja uma forma muito mais perfeita e harmnica. A emisso de sons durante vrios minutos, vrias vezes por dia, para o homem moderno mais cansativo do que a deglutiro de uma plula ou a ingesto de uma colherada de xarope, por isto ele muitas vezes d preferncia a esse tipo de tratamento".

    Muitos julgam que a sade depende de medicamentos qumicos, quando na realidade ela depende do EQUILBRIO DA ENERGIA VITAL. O grande poder de curar que certas pessoas so dotadas reside no saber conservar a sua energia sutil mantendo-a suficientemente intacta para us-la, entre outras coisas, no tratamento da sade.

    Os medicamentos qumicos levam o organismo a um estado de aparente cura, pois um sistema violentador, lesivo para o organismo, muitas vezes curando uma coisa na medida exata em que gera uma outra ainda pior, num processo de "cura substituta", apenas. H a substituio de uma manifestao mrbida por outra, s vezes menos incmoda, mas suficiente para tornar o paciente dependente perptuo da medicao qumica.

    Quais os medicamentos ingeridos por Buda, por Jesus e por tantos outros avatares? - Por ventura Jesus ficou doente algum dia? - No, pois Ele era e a prpria sade. Qual o segredo de muitos Ioguins que vivem um nmero de anos muito alm da mdia considerada normal? - Qual a fonte de juventude de alguns msticos, de muitos Rosa-cruzes, por exemplo? - Qual o segredo de alguns Patriarcas Bblicos que viveram sculos?...

  • 2. Os Mantras

    " No posso negar uma coisa s porque no a compreendo. Nem tampouco posso negar uma Ordem no universo s porque acho que deva acontecer"

    Valter Rosa Borges

    No mundo Ocidental s recentemente se fala em "mantra", porm desde pocas remotas os orientais j utilizavam palavras e frases, na maioria das vezes sem sentido literal algum, com a finalidade de obterem certos resultados psquicos e somticos, constituindo-se assim os mantras.

    No Ocidente, somente os iniciados "de algumas Doutrinas, como os Rosacruzes, utilizavam equivalente de mantra que so as vocalizaes (emisso de sons de vogais)".

    Recentemente foi retirado o vu de mistrios que envolviam muitos conhecimentos de algumas doutrinas e com isto vrios livros de ocultismo, de exerccios de mediao, de orientao para "relax", etc. foram publicados e muitos deles inundaram o ocidente com uma srie de mantas.

    O termo mantra de origem snscrita, e de uma forma lata os mantras podem ser considerados versos de algumas obras vdicas usados para encantamentos e feitios, contudo num sentido mais profundo, significa muito mais do que isso. Em essncia, no se trata propriamente de palavras de poder, e sim de combinaes de sons capazes de funcionarem como suporte mgico para a mente.

    A origem dos mantras muito remota e a maior parte deles em uso atualmente foi retirada de alguns livros que os brahmanes mantiveram cuidadosamente guardados, pois cada mantra capaz de produzir um determinado efeito fsico ou psquico imediato.

    De uma certa forma os Mantras sempre foram usados na magia oriental, como se pode ver pelos MAMNTRA-TANTRA-ZASTRA, obras que se referem magia em geral, e aos encantamentos "em particular".

    Dizem os mantra-vid (conhecimentos dos Mantras) que os mantras so mais invocaes mgicas do que oraes religiosas propriamente.

    Um mantra tambm tem sentido no esotrico, tais como: linguagem sagrada, sentena, hino vdico, salmo, conjuro, verso ou frmula mstica de encantamentos. No nos interessa nesta palestra fixar com preciso o significado do termo, mas apenas analisar se eles funcionam e, se afirmativo, quais os princpios cientificamente comprovados a que esto ligados.

    Nosso intento nesta palestra explicar alguns detalhes importantes a respeito das razes dos mantras, das suas bases, desmistificando alguns aspetos e, de uma forma sucinta, advertir sobre as suas finalidades, sem esquecer-se de citar tambm as possibilidades negativas que eles podem oferecer e ainda sobre possveis perigos que eles podem acarretar quando praticados de forma indiscriminada.

    Como vimos antes, mantras, em essncia, so vocalizaes, so determinadas emisses sonoras com um certo ritmo, tom, e intensidade. Geralmente constitudo por palavras em significado aparente, mas cuja finalidade proporcionar certos efeitos msticos e psquicos. Por extenso podemos incluir nesse conceito algumas frases, palavras, ou at mesmo os sons das vogais.

    Qual , portanto, o "modus operandi" dos mantras? - Um som precisamente pronunciado pode despertar vibraes ressonantes nos mundos do hiper fsico e com isso despertar reaes, ativar comandos, e isso por certo se fazer sentir no mundo fsico. J vimos que uma vibrao de uma determinada nota sonora ativa a vibrao de todas as notas ressonantes no "Teclado Csmico de Vibraes".

    Como citamos antes, uma vibrao suscetvel de originar uma outra vibrao em diferentes elementos. Quando uma nota musical tocada num piano, mesmo que s uma corda seja golpeada, ainda assim outras cordas vibram tambm. No so todas as outras cordas que vibram conjuntamente, apenas algumas. Isto o que se chama ressonncia e h leis fsicas, que regem essa manifestao, sobre a qual h suficientes estudos efetuados pela cincia. Mas, no so somente outras cordas que entram em vibrao, outros objetos tambm podem fazer isso como, por exemplos, cristais, vidros, at mesmo coisas grandes e pesadas podem vibrar quando uma nota musical produzida.

  • Na verdade os sons podem ressoar at mesmo alm do mundo fsico, desde que no Universo tudo integrado; no Cosmos todas as coisas se interligam. Por isto, um mantra adequado capaz de provocar ressonncia em muitos nveis csmicos. A ressonncia de um som necessariamente no se faz sentir apenas sobre a natureza fsica das coisas, mas tambm em nveis mais sutis da natureza humana. Assim que sentimentos e emoes podem, de alguma forma, ser afetados pelos sons.

    Para ns Ocidentais isto parece algo absurdo, uma tolice, to somente uma perda de tempo, pura e simplesmente uma prtica incua, porm vejamos esse assunto com um tanto mais de profundidade, procurando estabelecer comparaes com certos fenmenos acsticos conhecidos pela cincia atual.

    O que uma vogal? O que uma palavra ou uma frase seno um som ou um conjunto de sons...? - Quando um som emitido ele tem como fonte alguma coisa que vibra, quer seja uma corda vocal da laringe; quer seja uma corda, uma palheta, ou uma membrana de um instrumento musical, sem esquecer que at mesmo o atrito de duas superfcies pode emitir sons. Uma coisa, porm certa, quando um som emitido sempre deve haver algo vibrando para produzi-lo, pois se trata de uma manifestao essencialmente vibratria regida, portanto, pelas leis comuns da mecnica ondulatria, por esta razo um mantra mais do que simplesmente uma orao religiosa. Em essncia uma forma de invocao mgica poderosa.

    Eis o primeiro ponto que temos que fixar em mente: Para que possa ocorrer um efeito de um som ele deve ter vibraes precisas, pois, assim como uma nota musical de um piano no faz vibrar todas as cordas, um determinado som pode no ser ressonante com aquilo sobre o que se pretende atuar. Assim, um mantra deve ser entoado com preciso para que um determinado fim possa ser atingido.

    O canto tambm, quando devidamente composto, tem uma finalidade esotrica precisa, bem assim como a vocalizao de determinadas slabas. Quando usadas com preciso, as vocalizaes podem determinar a liberao de vrias foras sobre quem canta e sobre quem escuta. Cada som tem uma freqncia vibratria prpria e que ao ser entoada, cantada, ou mesmo pronunciada, pelo j citado efeito da ressonncia, algum rgo do corpo comea a sofrer alteraes, passando a funcionar mais ou menos ativamente. As glndulas de secrees internas que regulam muitas funes importantes do organismo respondem ao vibratria dos sons, eis o porqu das vacas produzirem mais leite quando escutam determinadas msicas, e das galinhas botarem mais ovos em cada perodo de postura, com foi citado em outra palestra desta srie. No restam dvidas de que os sons causam efeitos tanto na rea somtica quanto na psquica do indivduo e disto no se poder dizer que os mantras sejam algo sem sentido vlido.

    No organismo a atuao dos mantras no se faz apenas sobe as glndulas de secrees internas, tambm se faz sobre o prprio crebro de uma forma bem definida. No tema O PODER DOS SONS ns vimos como as condies emocionais podem ser afetadas pelos sons.

    J podemos compreender que os mantras atuando sobre as glndulas podem ser utilizadas para melhorar a sade da pessoa, e mesmo para curar certas afeces, contudo no bom esquecer que toda moeda tem duas faces, eles tambm podem prejudicar, por isto vital que o discpulo seja assistido por um competente "guru" ou, mais precisamente, por um mantra-vidy (conhecedor dos mantras).

    Afirmamos que lcito utilizar os sons para as necessidades pessoais, mas no de modo indiscriminado. No se deve utilizar tudo aquilo que se vai encontrando pelo mundo fora, h necessidade de "se separar o joio do trigo". A sensatez requer que seja investigada tambm a origem de um mantra antes que a pessoa passe a utiliz-lo. Do manancial de mantras que existem por a citados em inmeros livros e ensinados por pessoas no devidamente qualificados, perguntamos, ento, se todos so capazes de desenvolver uma ao efetiva, sutil, e benfica. Por acaso no pode alguns deles haver sido manipulados e adulterados pela "conjura"? Por acaso eles seriam imunes ingerncia de certas foras que sempre procuraram influir em todas as atividades humanas? - Evidentemente no, por isto se torna difcil se saber exatamente o que um determinado mantra capaz de provocar numa pessoa.

    Conhecemos casos de pessoas que aps o uso de certos mantras, mesmo visando um fim aparentemente vlido, sofreram distrbios orgnicos srios, ocorreram sintomas que desapareceram apenas com a suspenso dos exerccios. Por isto no se deve tentar essa prtica, quando oferecida sem que haja alguma garantia dada por uma fonte idnea. Assim, podemos dizer que h mantras cuja finalidade exatamente causar prejuzo aos seres humanos. As mos dos "magos negros" sempre se estenderam at onde puderam e, por certo, no pouparam os mantras.

    Tambm, podem existir mantras criados por algum incompetente e que na realidade no provocam efeito algum restando, apenas, a perda de tempo precioso que poderia ser usado para outras finalidades.

  • Sobre os mantras, diz a Doutrina Secreta: " o mais eficaz e poderoso agente mgico e a primeira das chaves para se abrir a porta da comunicao entre os mortais e os imortais".

    Por meio de um mantra a mente pode entrar em "alfa", o crebro pode passar a vibrar numa freqncia adequada para que ocorra uma precisa expanso da conscincia e assim outros planos e universos relativos possam ser abandonados.

    Tal como acontece com os smbolos e rituais, assim tambm determinados sons quando devidamente entoados podem servir de linguagem entre o mundo material e o de outros planos de existncia.

    Independentemente desta ao direta, o mantra serve tambm para fortalecer a vontade da pessoa, condicionando a mente para a consecuo de algo que se visa obter, como aquela inerente aos smbolos e aos rituais.

  • 3.A Mstica dos Sons

    "Quem quiser ir s estrelas no busque companhia."

    Friedrich Hebbel

    Os sons sempre foram tomados em considerao pelos msticos de todos os tempos, por se tratarem de manifestaes vibratrias que envolvem princpios altamente efetivos para determinadas prticas. Nas lnguas antigas as palavras, alm de um sentido comum, tinham tambm um sentido esotrico, isto , eles tinham um sentido oculto. Uma palavra no era uma aglomerao casual de sons.

    Diz a cincia que nos primeiros agrupamentos da raa humana os homens primitivos pronunciavam sons que atriburam a determinados objetos, nascendo assim uma forma de linguagem falada. Com o passar dos sculos e com a evoluo biolgica, os seres humanos tornaram-se muito mais inteligentes e ento desenvolveram uma forma de linguagem mais complexa,

    no mais um simples aglomerado de sons, formando-se ento as palavras. Numa segunda etapa descobriram que as palavras podiam envolver poderes. Tomemos um exemplo para ilustrar o que est sendo afirmado. Por exemplo, para dar nome "guerra" os antigos usaram um aglomerado qualquer de sons. Posteriormente, nas civilizaes mais evoludas, a palavra "guerra" passou a ser uma outra que j no era apenas um simples grupo de sons quaisquer, mas sons especiais que ao serem devidamente emitidos produziam vibraes capazes de irritar as pessoas e incit-las luta. Por outro lado, para a palavra "amor" havia um outro grupo de sons capaz de induzir vibraes de dedicao de dedicao e carinho, originando um estado psicolgico adequado ao amor. Assim, grande nmero de palavras tinha tambm um sentido esotrico alm do dar nome s coisas.

    Agora vale fazer alguns comentrios a respeito do alfabeto hebraico. Aquele alfabeto admitido como sagrado, segundo o mito foi doado a Abrao por Deus. Nele h sons que ao se unirem formando palavras podem provocar estados fsicos e psquicos especiais. Existiram muitas outras lnguas que tambm tinham essa propriedade - o "Alfabeto Sagrado, o Vait, o Malachin e vrios outros - mas j totalmente cados no esquecimento. O nico que perdurou em uso at o presente foi exatamente o hebraico, contudo, atravs dos anos, ele j sofreu algumas transformaes que, em parte, alteraram o seu significado esotrico".

    A perda do sentido esotrico das letras vem fazendo com que atualmente as palavras de todas as lnguas estejam voltando a ser como no incio, apenas um aglomerado de sons para dar nome s coisas. Apenas resta o conhecimento esotrico sobre aqueles alfabetos guardados pelas Sociedades Iniciticas.

    A histria de vrios povos, incluindo a dos hebreus, atribui que cada linguagem era sagrada porque lhes foi ensinada por Deus. Para os que admitem que a terra j sofreu a interferncia de seres vindos de outros sistemas, ento, para eles h a possibilidade de que tais seres hajam deixado uma forma de linguagem que os terrqueos consideraram desde ento como sendo uma linguagem sagrada.

    O prprio Deus dos Hebreus tinha uma palavra sagrada composta pelas letras Iod He Vau He e que nunca deveria ser pronunciada, a no ser pelo Sumo Sacerdote, no Templo uma vez por ano.

    Esotericamente as letras, e com elas as palavras, tm poderes, porm no somente o "som" da letra que traz o poder, tambm a maneira como ela pronunciada, considerando-se a sua durao, intensidade, timbre e altura.

    Por encerrar poder resulta a recomendao evanglica de "no usar o nome de Deus..." Posteriormente foi acrescido das palavras "em vo".

    A energia vibratria gerada pelas palavras no tem a mesma intensidade, ela varia de acordo com as letras, timbre, altura, etc. H palavras de maior, assim como palavras de menor poder. Da havia palavras de excepcionais poderes, e uma dela em especial que era denominada de "A Palavra Sagrada". Trata-se de uma palavra capaz de realizar coisas magnficas, tanto ou quanto fenomenais. Trata-se de uma palavra dotada de uma imensa capacidade de creao. Dentro de certos limites, ela totipotente. Mas, por ser de uso extremamente restrita tornou-se acabou por se tornar desconhecida, e por isto hoje denominada de A PALAVRA PERDIDA. Trata-se de uma palavra que j era conhecida no tempo da Atlntida e de outros ciclos de civilizaes. Quase todas as chamadas doutrinas secretas procuraram redescobrir a Palavra Perdida, e muitas delas dizem hav-la conseguida. possvel que isto seja verdade, mas afirmamos que, mesmo na hiptese dela haver sido redescoberta os sons precisos inerentes s suas letras no o foram.

    Um outro ponto que vale salientar o poder da viso. Muito poder est ligado viso, em especial aos olhos. Em poca recente muito foi comentado sobre o assassinato de um grupo de pessoas em Los

  • Angeles por seguidos de Charles Manson. Este, durante o perodo que esteve preso teve acesso a uma obra esotrica, uma obra ocultista que versava sobre o poder da viso. Na cela ele comeou a treinar e a desenvolver o poder da viso. Quando saiu do presdio ingressou num movimento Hippie e fundou uma comunidade com vrios jovens que foram induzidos a cometer os assassinatos de 18 pessoas, inclusive a atriz Sharon Tate. Aqueles jovens foram induzidos, no somente pelo uso de drogas, como a imprensa quis fazer acreditar, mas especialmente pelo poder terrvel que Manson desencadeou neles. Eles estavam plenamente dominados e fascinados num nvel muito alm da hipnose pelo poder dos olhos de Manson.

    Na realidade difcil se dizer quem teve maior parcela de culpa no referido massacre; se foram os jovens dominados psiquicamente pelo poder esotrico visual de Charles Manson, se o prprio Charles, ou se algum que haja trado, ou mesmo negligenciado, os juramentos secretos, descuidando-se de um livro que sob forma alguma deveria cair em mos profanas e, muito menos, criminosas. No que muitos profanos no sejam dignos de terem conhecimentos de tal natureza, mas porque se faz preciso certo nvel de preparao para que uma pessoa possa tentar certos processos mgicos. Antes ela deve se submeter a uma certa disciplina ter conhecimento sobre aquilo que ir usar, especialmente sobre os perigos intrnsecos das coisas secretas.

    Para alguns, todo e qualquer conhecimento pode ser dado sem necessidade de "provas", exatamente para as pessoas equilibradas, mas para outros necessrio alguma espcie de teste que possa provar que eles esto altura daquele tipo de conhecimento.

    Algumas Sociedades Secretas e algumas Religies conservaram alguma coisa daquele conhecimento sublime referente aos sons. Algumas, sob a forma de vocalizaes musicadas - hinos sacros - como, por exemplo, na Igreja Catlica onde podemos encontrar o Canto Gregoriano e o Cantocho; outras, sob a forma de Mantras ou de entoao de vogais, que despertam nas pessoas condies msticas especiais.

    NO PRNCIPIO ERA O VERBO

    A prpria creao se originou da "palavra". Isto significa que a prpria creao foi a conseqncia de uma emisso vibratria do Princpio Incriado. No correto pensar que Deus construiu o mundo com as mos ou com o emprego de quaisquer instrumentos. No, simplesmente Ele fez vibrar a Sua Essncia: o princpio bsico passivo, e tudo comeou a existir, pois tudo vibrao e som vibrao. (Vide o tema ATRIBUTOS DA DIVINDADE).

    Outro ponto que merece ser mencionado diz respeito ao nome individual. O nome tem grande significao oculta para a pessoa, pois qualquer nome tem a capacidade de interferir energicamente e se assim por que ento no est sujeito a advirem influncias relacionadas? - Certamente, o nome algo que merece muita ateno por ter um sentido esotrico decisivo.

    O nome que uma pessoa recebia no batismo, no passado, era um nome esotrico e conseqentemente tinha uma funo alm daquela de denominar a criana. Ento era um nome estudado de acordo com o carter da criana. Pelo nome muita coisa pode ser feita, por isto os egpcios do perodo faranico tinham dois nomes, um secreto que ningum sabia a no ser ele prprio, o pai, e a me; e um outro pelo qual era conhecido.

    Evidentemente, neste sentido h um manancial enorme de supersties, mas supersties geralmente resultam das interpretaes deformadas ou limitadas de algum princpio real ou de uma lei verdadeira, ou de algum fenmeno mal estudado ou mal compreendido. Assim todo o "tabu" relativo aos nomes se baseia em algo real.

    Na China antiga havia um nome habitual e um secreto. Na ndia, a cerimnia de denominao, o Nakarama, que ocorre no l0 ou 12 dia de vida, a criana recebe dois nomes. O verdadeiro nome secreto, assim a sua identidade esotrica permanece oculta e no podendo ser usada pela magia negra, segundo eles.

    At mesmo as cidades antigas como Atenas e Roma, por exemplo, possuam nomes secretos, o de Roma, por exemplo, era Fora. O poder da palavra tambm est refletido no mito de inmeros povos. Embora se trate de mito, mesmo assim, merece certa ateno porque muitos mitos se baseiam em fatos admitidos.

    Nos Contos rabes "As Mil e Uma Noites", Ali Bab abria a gruta dos ladres com as palavras; "Abre-te Ssamo". No estamos afirmando que aquele conto retrate algo que realmente haja acontecido, mas sim fazendo ver que aquela estria, em muitos pontos, se baseia em conhecimentos conhecidos em outras pocas. Evidentemente com o poder dos sons possvel se abrir algo, ou melhor, produzir efeitos materiais somente com os sons das palavras. Em breve surgiro computadores com capacidade de abrir, ou fechar coisas apenas por comando da voz.

  • Os cultores da Cabala tm muito cuidado com os nomes prprios e dizem mesmo que uma pequena modificao no nome de uma pessoa pode modificar-lhe completamente a vida.

    A prpria Igreja Catlica at bem pouco tempo no via com "bons olhos" o uso no batismo de nomes formados aleatoriamente, dando preferncia queles j consagrados pelo uso. Para alguns sacerdotes isto se devia apenas a uma merecida preferncia pelo nome tradicional para se homenagear um determinado "santo", mas na realidade a razo outra. Trata-se de um conhecimento, que por vir de muito distante no tempo j ficou completamente esquecido por muitos ministros de religies. Isto data da poca em que os cristos ainda no haviam esquecido e abandonado o lado esotrico do Cristianismo.

    No so apenas os humanos que so sensveis aos sons e que apresentam modificaes de comportamento diante da msica. Evidentemente certos animais tambm so sensveis, no apenas os animais domsticos, mas tambm os selvagenes. Consideremos como exemplo as serpentes. Quem no tem conhecimento a respeito dos "encantadores de serpentes" to comuns no oriente! As serpentes[1] ficam como que hipnotizadas pelos sons produzidos por uma flauta, e nisto muitas vezes no est ligado a qualquer tipo de trapaa.

    Muitos Livros Sagrados trazem citaes sobre o efeito dons sons. Na Bblia est descrito o episdio em que Josu fez ruir as muralhas de Jeric com o toque de trombetas.

    Notas:

    [1] - H pesquisadores que chegam a dizer que as serpentes so surdas e que o efeito resultante da movimentao da flauta.

  • 4. O Universo Som

    msica cabe transmitir verdades eternas e influir no carter do homem visando torn-lo melhor."

    David Tane

    Temos mostrado que todas as coisas existentes no universo esto interligadas em um dos nveis de uma seqncia denominada "Seqncia Stupla". Nisto consiste o principal elo da unificao das diversas formas de existncia.

    A filosofia dualstica tem feito um grande mal ao ser humano no tocante ao seu desenvolvimento espiritual, pois o individualiza e sem dvida alguma a individualizao plena determina a predominncia egica que tantos males gera. O pensamento dualstico condiciona o egosmo, pois faz com que a pessoa deixe de se sentir parte integrante de todas as outras.

    A pessoa analisa-se assim: Eu sou eu, pois sou separado desde que tenho vontade prpria, tenho sensaes prprias, tenho um corpo que no est ligado a qualquer outro, e assim por diante. Mas isto nada mais que uma decorrncia das limitaes perceptivas. Como exemplo podemos citar que no se pode avaliar uma

    floresta por uma s rvore. O mesmo pode ser dito com relao aos seres em geral e o homem em particular. No exemplo da floresta a unidade de cada arvore existe, mas ela no de forma absoluta. Se a rvore tivesse discernimento humano ela julgar-se-a independente, no aceitaria ser parte de um algo maior, a floresta. Naturalmente uma rvore no est totalmente integrada a um sistema maior que a floresta e sim parcialmente, mas isto no faz com que cada uma possa ser considerada como algo independente. Assim tambm o ser pode humano poder ser visto como entidade isolada, mas apenas at um certo nvel, alm do qual trata-se de um todo uno.

    J afirmamos em temas iniciais que tudo quanto h resulta da vibrao de um "meio bsico" que chamamos de MA e cuja manifestao no mundo inerente se expressa como Fohat.

    Na verdade a vibrao uma condio que se faz presente em quase tudo o que existe no universo imanente constituindo todas as coisas que h. A vibrao no somente constitui quanto integra as mais diversas formas de existncia. Trata-se de algo nico por isto que existe o efeito de ressonncia. Qualquer alterao na vibrao de uma estrutura se faz presente em toda criao desde que o universo uno. Naturalmente nisto tem que ser considerado o grau de intensidade da ressonncia, mas podemos dizer que embora a ressonncia v atenuando-se na medida em que o evento vai se afastando na escala vibratria mesmo assim a ressonncia nunca atinge o nvel zero.

    Agora queremos chamar a ateno para o seguinte: Sempre que existe uma vibrao ela no pode ser considerada como principio isolado, outros princpios se fazem presentes, especialmente movimento e ritmo. A fim de que isto possa ser devidamente compreendido devemos ter em mente que existe uma certa diferena entre vibrao e movimento. Basicamente vibrao geralmente est condicionada a um certo ritmo, mas devemos salientar que o movimento pode ou no ser rtmico[1]. Por isso o Hermetismo faz distines e considera separadamente o movimento e vibrao.

    Dentro do mundo imanente toda vibrao pode ser considerada como sendo movimento, mas a recproca no e verdadeira, nem todo movimento pode ser considerado vibrao.

    Agora vamos definir o que vem a ser um som. Podemos dizer que som a percepo sensorial do movimento, da vibrao. Sem dvida alguma onde h movimento h som e como no universo imanente nada est parado, portanto som est sempre presente em tudo. Se ele no percebido uma decorrncia da falta da acuidade sensorial resultante da carncia de um aparelho ou rgo capaz de detect-lo alm ou aqum de determinados limites.

    A criao teve inicio com a vibrao, com o movimento, conseqentemente com um som. Esse som mencionado por inmeras organizaes. Os orientais o associam ao OM. Tudo OM, a variao da freqncia vibratria o que diferencia uma coisa da outra, assim sendo podemos dizer que qualquer modificao do som equivale a alguma alterao nas coisas.

    Tudo quanto h, em menor ou em maior grau, depende da vibrao, portanto depende do som. Na realidade no do som, pois som um efeito do movimento - vibrao. Sendo assim melhor se dizer que som depende da vibrao.

  • A vibrao Csmica a origem e a base de toda a matria e energia existente no universo e o OM a forma mais primordial, mais pura e menos diferenciada do som csmico, fruto do primeiro movimento universal. Como analogia, podemos dizer que o som OM assemelha-se ao arco ris que um desdobramento cromtico emergente de um raio branco, uma apresentao em diversas cores. O raio aparentemente incolor, mas encerra todas as cores emergentes. O mesmo se pode dizer do som OM, ele um s que se diferencia num incomensurvel nmero de manifestaes sonoras.

    O som primordial desdobra-se em tons e de diferentes freqncias e assim sendo se pode dizer que o som csmico est presente em diferentes combinaes por todo o universo. Est presente em todas as substncias e formas, em distintas combinaes vibratrias e ao mesmo tempo constitui as prprias substncias e formas. Segundo a combinao dos tons csmicos presentes em determinada rea de espao surge a natureza da substncia naquele determinado espao.

    O universo pode ser comparado com uma caixa de ressonncia. Pode-se dizer que o universo um imenso oceano de rudos, de sons, e sem dvida alguma todos os seres esto ressoando mutuamente. A ressonncia de um som mais intensa naquilo que estiver mais prximo da origem desse som. As leis fsicas inerentes msica mostram isto claramente. Um som qualquer tem respostas ressonantes caractersticas em determinadas coisas; as estruturas ressoam em menor ou em maior intensidade segundo certos princpios, de forma harmoniosa ou no. Isto importante, pois como decorrncia resultam estados negativos ou positivos.

    Notas:

    [1] - Mesmo um movimento aleatrio, se for considerado a nvel infinito, tambm tem que ser ritmo. Considerasse-o aleatrio porque dentro de um perodo determinado ele no apresenta padro algum de repetio, mas prolongando-se ao infinito o ritmo se far presente. Isto um dado bem sutil, mas que a pessoa pode chegar a entender perfeitamente se tomar em considerao o sentido de infinitude. No infinito a mais remota probabilidade tem que se repetir e sendo assim aquilo que chamamos de aleatrio, ou mesmo de caos no pode existir.

  • O Silncio

    " Music and Rhytne find their way into the secret places of the soul".[4]

    Plato

    Tudo est em vibrao e ao mesmo tempo tudo constitudo por vibraes, esse Principio Hermtico a base da existncia de tudo quanto h no Mundo Imanente. Por isto os chamados Livros Sagrados usam a expresso "O Verbo" quando citam a estruturao do universo, ou seja, a Fora Criadora. O Verbo indica vibrao e um efeito bsico de toda vibrao que, ao ser detectado, pode ser considerada um som, contudo nem todos os sons so audveis mediante um rgo sensorial.

    Se toda creao vibrao e se vibrao som, conseqentemente podemos dizer que dentro da criao, no Universo Imanente, no pode existir silncio. Na verdade quando se fala de silncio neste mundo trata-se apenas de uma condio relativa, uma

    vibrao condicionada aos limiares de percepes. Por exemplo, uma vibrao de 31.000 ciclos por segundo silncio para o ser humano, mas no para um cachorro. Esse ndice vibratrio no detectado pelo ouvido humano, mas sim pelo de alguns animais, como o co, por exemplo. Mergulhado num meio pleno de vibrao de 31.000 c/s um homem diria estar no silncio, contudo um cachorro no "diria" o mesmo, pois este ndice de vibrao perfeitamente perceptvel para ele. Sendo assim, silencio uma condio relativa ao limiar de percepo e no uma condio prpria do Universo Imanente; um efeito e no uma causa.

    Quando se fala de silncio est-se falando de algo relativo, alis, no poderia ser diferente desde que tudo nesse mundo imanente relativo, por isto ele pode ser chamado de "mundo relativo".

    O ser humano, assim como todas as coisas, basicamente so um tremendo bulcio de vibraes. Sem vibrao nenhuma estrutura poderia existir.

    O ser humano constantemente est em vibrao e interagindo mediante ressonncia com tudo quanto h. Ao nvel de estrutura no vibrar seria no existir como algo. Esta a razo pela qual as pessoas tm tremenda repulsa ao silncio; quando muito dizem que querem o silncio, mas isto indica apenas um afastamento de limiares sonoros intensos, pois quando o limiar de percepo auditiva pessoal atingido - silncio pessoal - elas simplesmente tornam-se inquietas e logo procuram algo para atender a necessidade de rudos. Assim podemos dizer que a pessoa tem necessidade de perceber vibraes e uma das maneiras a percepo auditiva, ou seja, os sons.

    As pessoas tm dificuldades em enfrentar o silncio porque a prpria estrutura fsica depende de vibraes assim como a grande maioria dos seus processos psquicos s manifestam-se mediante vibrao.

    O organismo algo pleno de vibrao, nele tudo est vibrando, os tomos, as molculas, as clulas, os rgos e o organismo como um todo pode apresenta-se como uma resultante vibratria que a somatria de todas essas freqncias.

    J dissemos que o silncio total no existe no universo imanente por ser ele constitudo de vibraes. A fim de existir o silncio total seria preciso no existir qualquer vibrao em torno da pessoa ou nela prpria. Isto equivaleria parada total de tudo, a parada total dos tomos, molculas clulas; a cessao de todo Movimento, e assim por diante o que por certo seria um desmoronamento pleno, um retorno no existncia fsica. Seria a derrocada do prprio Universo Imanente, um retrocesso pleno da creao, a volta ao MA [1]. A Creao [2] se fez quando MA vibrou pela ao de RA, assim sendo, o no vibrar o retorno condio primordial MA. Penetrar no silncio absoluto seria o mesmo que sair do Mundo Imanente, seria o cessar toda vibrao e isso simplesmente envolveria a dissoluo do prprio indivduo. O existir no mundo significa vibrar e interagir com as mais diversas categorias de vibraes, portanto, de sons.

    O silencio total equivale a perda da vibrao e sem vibrao coisa alguma pode existir desde que qualquer coisa existente no universo constitudo de vibraes e sempre em ressonncia com todas as demais.

    Em decorrncia dessa dependncia da vibrao que desde pocas imemoriais fala-se de sons. Dizem que o mundo foi criado pela palavra, ou seja, pelo som. Assim que os livros sagrados usam o termo verbo com sinnimo de palavra, ou seja, sinnimo de som.

  • Os egpcios chamavam s energias vibratrias universais de "O Verbo" dos seus deuses; por sua vez os pitagricos as chamavam de "Msica das Esferas", e os antigos chineses "Energias Celestes da Perfeita Harmonia". Os antigos consideravam a Vibrao Csmica a origem e a base de toda a matria e energia existente no universo. Consideravam os tons como variaes do OUM (OM).

    Neste Ciclo de Civilizao, desde a poca dos Vedas sabe-se que todas as coisas existentes no Universo derivam-se de um som Csmico que, em sua forma mais pura e menos diferenciada, conhecido como OM. Todavia, assim como a luz branca pura se diferencia nas cores do arco-ris, tambm a Vibrao Fundamental diferencia-se em imenso nmero de vibraes constituindo as variaes de freqncias do OM os Tons Csmicos que esto presentes em diferentes combinaes por todo o universo. Esto presentes em todas as substncias e formas em distintas combinaes vibratrias e constituem as prprias substncias e formas. Segundo a combinao dos Tons Csmicos presentes em determinada rea assim a natureza da substncia naquele determinado espao.

    Quando daquilo que chamam de criao dos espritos, ou seja, da individuao da conscincia, houve um movimento. Sair de um estado para outro indica movimento, assim o separar movimento. Portanto no pode haver separao sem que haja movimento, e movimento vibrao, som. Disto decorre que a individuao de cada esprito corresponde a um tom, que o Tom Primordial [3] de cada um. Este tom ressoar por toda a trajetria do ser e isto tem que ser levado em considerao porque de suma importncia na escolha do nome que a pessoa recebe ao nascer. Um nome desarmnico, que no seja ressonante com o Tom Primordial, evidentemente ser uma causa de desarmonia existencial muito sria. Parte dos sucessos e dos fracassos das pessoas resulta do nome que tm. A cultura materialista dominante no Ocidente faz com que a escolha do nome de um filho seja feita por vrias razes, at mesmo por composio silbica do nome dos pais, ou por homenagem ao pai, ao av e assim por diante. Isto na maioria das vezes assinar um pedido de dificuldades para o filho. O nome que deve ser dado a um filho recebido intuitivamente, o resultado da ressonncia da vibrao daquele esprito que percebido por algum intimamente ligado a ele.

    Os Tons Csmicos, por integrarem diretamente o OM, so considerados a manifestao das foras mais poderosas do universo por comporem a fonte da prpria Criao, da a imensa importncia atribuda at mesmo aos sons audveis desde que so reflexos Tons Csmicos nos quais reside uma enorme fora criativa, preservativa e destrutiva.

    Notas:

    [1] - Em dezenas de temas, principalmente os iniciais definimos e nos referimos com detalhes ao que estamos chamando de MA.

    [2] - Creao = gerar; criao = cultivar.

    [3] - O nome pode ser em qualquer lngua o que conta a vibrao, como diz a Cabala. Basta que a resultante vibratria do som do nome seja ressonante com o Tom Primordial.

    [4] - A Msica e o Ritmo encontram seu caminho dentro dos mais profundos lugares secretos da alma.

  • 6. Os Sons Audveis

    " Msica cabe transmitir verdades eternas e fluir no carter do homem visando torn-lo melhor".

    David Tame

    Se tudo no Universo Imanente basicamente vibrao e se existe a lei da ressonncia vibratria naturalmente todas as coisas existentes esto integradas entre si. A ressonncia j seria suficiente para autenticar esta condio integrativa.

    Vimos na palestra anterior que aquilo que chamamos silencio algo relativo e sendo assim impossvel existir o silencio pleno dentro da creao. Se tal acontecesse haveria a derrocada do Universo Imanente com retorno de tudo condio de origem.

    Os seres so formas de existncia que requerem como condio sine qua non o Princpio da Vibrao em muitos sentidos e por muitas razes. Isto conduz a pessoa a buscar as mais diversas atividades, especialmente sensaes tteis, visuais e acsticas.

    Evidentemente o estar imerso em vibraes um requisito imprescindvel ao ser humano, isolar-se disto mergulhar no terrvel tdio. A medicina sabe que o silncio visual e sonoro[1] leva loucura. Isto acontece porque seria uma rotura parcial da unidade existencial, um bloqueio integrao.

    Quanto mais distante da Unidade, quanto maior a descontinuidade, tanto maior os ndices de vibrao, e maior o nmero de tons e assim sendo, na medida em que a pessoa vem espiritualmente se desenvolvendo mais ela tende a se afastar dos grandes ndices de rudos e se aproximar dos Tons Primordiais. Passo a passo o desenvolvimento espiritual conduz a pessoa buscar o silncio relativo at que um dia ela possa chegar ao Silencio Absoluto.

    O ser um tanto cativo do plano existencial em que se encontra por isto que existindo num mundo fragmentrio, fruto de incomensurvel variedade de vibraes, ele inexoravelmente sente-se dominado pelos sons, contudo na medida em que vem desenvolvendo-se espiritualmente simultaneamente modifica, mesmo no intencionalmente, sua preferncia quanto natureza dos sons expressos como preferncia musical.

    Os Mestres sempre tm demonstrado grande reverncia pelos sons, pois sabem que podem liberar energias sagradas por meio de sons audveis. Por isso usam sons, quer sejam simples vocalizaes, quer msicas e cnticos sagrados. Embora seja importante o conhecimento preciso de certas qualidades dos sons em geral, e da msica em particular, afim de que determinados objetivos sejam atingidos, ainda assim, muitas vezes no se faz necessariamente preciso conhecimentos especficos, pois o prprio sentimento serve como diretriz.

    Na verdade onde quer que exista um som h manifestao de algum efeito, quer de fcil percepo quer no, em decorrncia da ressonncia vibratria. Muitas vezes pode at mesmo haver liberao de alguma coisa fenomenal a partir das pujantes energias ressonantes da vibrao fundamental. Onde quer que se produza um som audvel algo acontece em determinado nvel. A natureza de um som audvel sempre determina algum efeito visvel ou oculto, pois na verdade os sons tiram energia do Alto para operar mudanas no mundo de baixo.

    O homem ocidental tem muita dificuldade em entender o porqu de certas prticas orientais que envolvem sons. O ocidental busca mais nos sons a melodia, a musicalidade, ou seja, o seu lado esttico dos sons, enquanto os orientais, mesmo no desprezando este aspecto, tm em alta considerao o som em si e por isso que existem na maioria dos pases tantos instrumentos sonoros exticos como cmbalos, sinetas, gongos, etc., no s nos templos como nas ruas e nas casas. Em muitas cidades vem-se at mesmo nas ruas as conhecidas rodas de orao, ou "moinhos de orao". O ocidental comumente v como meras curiosidades, excentricidades, ou mesmo supersties, a prtica do uso de pequenos sinos, tubos sonoros, cmbalos, que so pendurados diante das portas, e mais ainda o uso das chamadas "rodas de orao" to comuns do Tibete, por exemplo.

    Em muitos pases na medida em que a pessoa caminha diante dos templos, ou at mesmo nas ruas, encontra rodas que acionadas produzem sons, as rodas de orao, e fazem empenho em gir-las seguidamente. Queremos dizer que no se pode considerar mera tolice uma prtica presente em muitos pases onde pessoas eruditas, pensadores, filsofos inteligentes esse tipo de prtica.

  • Podemos dizer que instrumentos sonoros ritualsticos como os mencionados, ou outros equivalentes, estiveram sempre presentes em todas as culturas, quer cmbalos, sinetas e gongos no Oriente, grandes trombetas nos rinces do Himalaia, tambores na frica, flautas nos Andes. Assim podemos dizer que existe sons invocativos em todas as culturas do passado. Embora as culturas crists digam que tudo isso seja um amontoado de supersties temos que levar em conta que a prpria Religio Catlica no diferente, pois todas as igrejas tm sinos que na verdade no se tratam de algo usado apenas para chamar os fieis orao. Se assim fosse porque toca-los durante os atos litrgicos, ou quando morre algum catlico? Durante a missa no apenas tocam sinos, mas tambm sinetas durante a elevao e em outros momentos, alm dos sinos. Durante a missa soam sinetas em diversos momentos e tudo isso se trata de herana de outras doutrinas que influram no ritual catlico. Na realidade no seio do catolicismo desde a Idade Mdia afirma-se que sons de sinos afastam demnios.

    Os sons quando modulados segundo determinadas regras constituem exatamente aquilo que chamam de msica. Em priscas eras mesmo os sons audveis musicais eram considerados reflexos terrenos de uma atividade vibratria superior, de algo que se verifica alm do mundo fsico, portanto mais fundamental e mais prxima do mago das coisas do que qualquer som.

    A msica deve ser considerada como arte e como fora, so duas faces distintas mesmo que interligadas. Toda vibrao tem uma fora porque produz efeitos sobre outras coisas em decorrncia da ressonncia. Baseado nesta condio na Bblia fala que Josu destruiu as muralhas da cidade e Jeric por meio de sons de trombetas de chifre de carneiro[2]. Para muitos se

    trata de simples mito, contudo j foram descobertas as runas do muro de Jeric pelos arquelogos e o que curioso constatou-se haver sido destruda naturalmente e sim que houve algo inusitado que atuou num s momento desmanchando os muros, que caram todos instantaneamente de dentro para fora.

    Queremos dizer que as muralhas de Jeric ruram pelo poder dos sons, mas, como afirma a arqueologia elas desmoronaram realmente por algum motivo e se esse motivo atribudo ao som das cornetas, mesmo que no hajam sido assim, ainda assim tal meno reflete a grande importncia que na poca era dado aos sons, pois se assim no fosse por certo o redator da estria haveria escolhido uma outra razo mais plausvel para justificar a causa da destruio daquela muralha. Assim pode-se evidenciar que os redatores do livro num passado distante atribuam poderes aos sons, caso contrrio eles haveriam citado alguma outra razo mais plausvel como justificativa para o desmoronamento das citadas muralhas.

    Se tudo o que foi afirmado antes for de natureza mtica ainda assim deve-se ser levado em conta que sempre um mito qualquer tem como base um tanto de verdade e sendo assim aceitvel que os Hebreus sabiam que os sons podiam ser construtivos ou destrutivos. Nos Livros Sagrados em geral e a Bblia em particular v-se o quanto de importncia era dado musica.

    No existe mistrio algum em tudo isto que foi afirmado, trata-se apenas de conseqncias do efeito de ressonncia vibratria. Num tema 092 falamos do poder dos sons, citamos de que na Frana num instituto de pesquisa acstica surgiram rachaduras na estrutura do edifcio causadas como conseqncia de ultra-sons oriundos de algumas experincias realizadas nos laboratrios.

    Notas:

    [1] - Estamos falando de imagenes visuais e de sons audveis desde que o silencio pleno, como temos dito no pode existir do Universo Imanente.

    [2] - Aconselhamos que os leitores vissem essa estria detalhada na Bblia.

  • 7 - A Msica em Antigas Civilizaes

    " Msica encerra em tons, elementos de ordem celestial que governa o universo inteiro".

    Filosofia Chinesa

    Muitas pessoas so cticas quanto ao tremendo poder dos sons, algumas at mesmo chegam a dizer que o som no produz efeitos srios sobre o organismo a no ser romper tmpanos quando muito intensos, ou promover algum tipo de surdez quando excedem muito o limite de 90 decibis, mas no assim, mesmo sons inaudveis podem causar danos tremendos.

    Os sons atravessam o corpo, penetram nos rgos e fazem ressoar tudo quando nele existe. Atualmente o som vem substituindo o Raios-X na medicina. Os aparelhos de ultra-sons gravam em filmes alteraes anatmica de qualquer rgo. A ultra-sonografia uma especialidade que vem crescendo de forma impressionante e podemos dizer que em breve ela substituir por completo a radiologia. No somente no campo mdico, mas tambm na indstria em geral cada dia mais tm sido empregados ultra-sons para exames dos mais diversos tipos de material.

    Vemos, portanto que o Princpio da Vibrao no se trata apenas uma divagao filosfica, mas sim de uma revelao de algo decisivo na estruturao de todas as coisas. Os princpios Hermticos, portanto, no tratam de divagaes, de singelezas, de meras proposies metafsicas. Mesmo que algum no aceite a natureza divina de Thoth ainda assim no pode ser negado sua imensa genialidade por haver h milhares de anos passados falado de certos princpios que na atualidade cada vez mais vm se afirmando como verdades inconteste.

    Os antigos acreditavam, sem dvidas, que o som capaz de efetivar faanhas espetaculares, por isto eles se preocupavam com os efeitos mais comuns dos sons em geral, e da msica em particular, sobre a alma humana e sobre a sociedade, por isto dizia-se que se a msica de uma civilizao estivesse nas mos dos maus, ou dos ignorantes, ela possivelmente levaria a civilizao runa inevitvel. Sob o controle dos iluminados, todavia, era um instrumento no apenas de beleza, mas tambm de poder, algo capaz de conduzir toda uma nao uma idade urea de prosperidade e de fraternidade.

    Poderamos falar da msica em outros ciclos de civilizao, como, por exemplo, da importncia e natureza da msica na Atlntida, mas isto seria fugir um tanto do objetivo do nosso trabalho. Apenas queremos dizer que se tratava de algo muito mais direcionado para a polaridade fora do que para a esttica.

    Nesta palestra vamos nos ater mais msica relativa chamada Raa Ariana. Nesta, sem dvida alguma, o maior coeficiente de registros histricos sobre a msica em geral pertencem histria da China e da ndia onde essa arte e cincia eram levadas muito a srio.

    Temos conhecimento de muitos aspectos da msica inicitica e da msica de poder praticada no Antigo Egito, que a herdou da Atlntida, mas preferimos no entrar em detalhes por tratar-se de algo to fantstico que muitos poderiam considerar insanidade admiti-los e muitos aspectos ainda so reservados aos Iniciados de algumas Ordens, entre estas a V.O.H. e Ordem Pitagrica.

    Por outro lado, falar da msica da ndia e da China mais aceitvel porque existe um grande manancial de registros oficiais, o que no acontece com referncia msica egpcia. Na China os conhecimentos sobre a msica e os sons em geral eram de domnio publico, enquanto que no Egito eram matria reservada aos iniciados das Escolas de Mistrios. Podemos dizer que, como fonte de poder os egpcios foram muito alm dos chineses, contudo eles no deixaram muitos registros por tratar-se de matria muito sigilosa como tudo o mais que dissesse respeito aplicao prtica das vibraes. As Escolas de Mistrio controlavam muitos ramos do conhecimento, em especial mantinham excessivo rigor em se tratando de algo relacionado s vibraes em geral e especialmente quando relacionadas aos cristais, por haverem estes sido considerados causa da destruio da Atlntida. Por esta razo a cincia dos sons constitua-se um dos mais secretos conhecimentos das Escolas Iniciticas do Egito. Com a destruio da Biblioteca de Alexandria os registros acessveis foram destrudos, somente restando o acervo guardado pelas mais elevadas Ordens Iniciticas ao qual Pitgoras teve acesso.

  • Grande parte da cincia antiga dos sons e da msica foi levada por Pitgoras do Oriente Mdio para a Europa e esse conhecimento veio constituir uma das principais bases dos ensinamentos da Escola Pitagrica. Sabe-se que a partir do Segundo Grau da Escola Pitagrica a msica era um dos principais temas estudados. Basicamente os estudos pitagricos resumem a cincia dos nmeros, geometria e a msica. So vastos e elevados os e ensinamentos pitagricos sobre a msica, basta que lembremos algo bem conhecido "experts" da cincia musical, o chamado "Mistrio da Coma de Pitgoras". Trata-se de um dos maiores mistrios da cincia do som o estanho fenmeno conhecido como a Coma de Pitgoras, que, desde tempos imemoriais, tem sido um smbolo do estado degradado de imperfeio. [1]

    Na China a msica era levada muito a srio, basta que mencionemos alguns exemplos que contam da historia da msica nos captulos relacionados China. Confcio dizia haver na msica uma significao oculta que fazia dela uma das coisas mais importantes da vida, e que possua tremenda energia em potencial para o bem ou para o mal.

    Vale mencionar o que diz David Tame: "Os vrios povos do passado concordavam de forma impressionante em seus pontos de vista sobre a msica. Nenhum deles a concebia tal como hoje se concebe, tratar-se apenas de uma forma intangvel de arte de escassa importncia prtica".

    O que diz Tame comprova-se historicamente em quase todas as civilizaes avanadas da antigidade quer trate-se da Mesopotmia quer de outras culturas distantes uma das outras como a da ndia e Grcia onde se afirmava ser a msica uma fora tangvel capaz de ser aplicada com o fim de criar a mudana, para melhor ou para pior no carter do indivduo e o que mais importante, na sociedade como um todo.

    Segundo a filosofia dos antigos chineses, a msica era a base de tudo. Diziam que todas as civilizaes aperfeioam-se e moldam-se de acordo com o tipo de msica que nelas se executavam. A histria da China fala do imperador o Shi Shum que passava revista em seu reino no verificando livros de contabilidade dos dirigentes regionais, nem observando o modo de vida da populao, nem recebendo relatrios dos sditos, nem entrevistando funcionrios, mas sim escutando as msicas que eram tocadas nas diversas regies do seu imenso reino.

    Consta como fato histrico que Confcio protestou junto ao governador Ke Huan, contra as apresentaes musicais de um grupo de msicos estrangeiros alegando que a msica apresentada por eles, ou seja, a msica aliengena, por no obedecer a certas normas, possivelmente iria exercer influncia sobre os msicos nativos do reino em prejuzo do equilbrio do povo. Dizia Confcio que se a msica do reino fosse alterada a prpria sociedade se alteraria, e no para melhor.

    Mas pela histria v-se que no foi apenas Confcio quem falava do poder espetacular dos sons sobre a sociedade em geral e sobre o homem em particular e que se preocupava com os efeitos mais comuns dos sons e da msica sobre a alma humana e sobre a sociedade como um todo. Entre vrios filsofos citemos Plato e Aristteles, que discutem sobre os efeitos morais da msica em algumas de suas principais obras.

    Conclumos esta palestra com as palavras escritas na obra New Era Community, Agni Yoga Society em transcrio de Nicholas Roerich: " Alm dos efeitos mais diretos da msica sobre o homem - os efeitos psicolgicos de suas melodias e ritmos audveis - h que levar em conta tambm o seu segundo poder, mais extenso e mais potente. Um poder mstico, uma fora inaudvel e invisvel, apenas compreensvel em termos de filosofia antiga e de sua base distintamente no-materialista".

    Notas:

    [1] - Dados Bibliogrficos: The Secrety Power of Music - The transformation os Self and Society Through Msical Energy O Poder Oculto da Msica - pg. 271 - David Ame - Ed. Cultrix - So Paulo.

  • 8. - Os Doze Tons Csmicos

    "No princpio era Brahma, como quem estava o Verbo. E o Verbo era Brahma".

    Vedas

    "No princpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus. E o Verbo em Deus".

    Evangelho Segundo So Joo

    As mencionadas palavras de Confcio correspondem aos preceitos da Sabedoria Antiga relativos aos sons que afirmava que todas as civilizaes aperfeioam-se e moldam-se de acordo com o tipo de msicas que nelas so executadas. Diz que se a msica de uma civilizao melanclica, romntica, o prprio povo romntico; se vigorosa e marcial, ento os vizinhos dessa nao devem se acautelar.

    A Sabedoria Antiga assegura que uma civilizao permanece estvel e inalterada enquanto a sua msica tambm permanecer inalterada. Mudar o estilo da msica ouvida pelo povo acarreta inevitavelmente uma mudana do prprio estilo de vida desse povo. Esse conceito fazia com que os sbios afirmassem que se a msica de uma civilizao estivesse nas mos dos maus ou dos ignorantes, s poderia lev-la inevitvel runa Por outro lado, nas mos dos iluminados a msica era um instrumento de beleza e de poder, capaz de conduzir toda uma nao uma idade urea de paz e prosperidade. Este era um dos pontos de intransigncia demonstrada por Confcio.

    Por pensar como muitos filsofos antigos justifica-se o porqu da intransigncia de Confcio a respeito da vigilncia que se deve ter sobre a msica.

    Os grandes msticos do passado sabiam que todas as coisas criadas tinham como base variaes do Som Csmico chamados pelos hindus de OM. Segundo eles esse som libera energia sob forma de vibrao que diretamente, ou por ressonncia, gera e modificada tudo quanto h. Esse conceito antes admitido somente pelos msticos e Iniciados atualmente vem sendo aceito pela prpria cincia que j comea a afirmar que toda matria energia (E=MC2), que as coisas existentes so composta de um algo fundamental, e que as freqncias desse algo determina a natureza especfica de cada tomo. Assim plenamente aceitvel a concepo de que a msica libera no mundo material uma energia fundamental, superfsica (supra-fsica), que vem de fora do mundo da experincia cotidiana.

    Desta forma no h razo para se estranhar o lado meldico de algumas religies e Ordens Iniciticas. Sabe-se que a voz do sacerdote, da sacerdotisa ou vestal age no tempo e espao e atravs do qual se manifestam determinadas foras que podem ter poder energizante do Criador.

    A msica ritualstica pode servir de canal entre Deus e o homem, uma chave para a liberao das energias do Supremo no mundo material.

    "Os demnios entoam em conjunto louvores a Deus. Eles perdem a maldade e a ira". Mistrio da Primeira Hora - Nuctemeron - Apolnio de Tiana.

    Entre outras referncias podemos considerar o homem em seu aspecto negativo atravs dos sons modificando suas qualidades inferiores.

    A histria tem mostrado que uma inovao no estilo musical de um povo tem sido invariavelmente seguida de uma inovao poltica e moral, por isto que os filsofos antigos, especialmente os chineses, davam muito ateno msica do seu pas, desde que tinham certeza de que para que todos os cidados se mantivessem livres dos perigos do uso indevido da msica e do seu poder, e para que todos aproveitassem o seu efeito benfico, ela tinha que ser devidamente orientada. Toda msica deveria transmitir verdades eternas e especialmente influir no carter do homem visando torn-lo melhor.

    Os mestres da antigidade estavam certos de que toda msica vulgar e sensual exercia uma influncia imoral sobre o ouvinte, da o porqu de toda msica devia ser devidamente cuidada para que ela fosse dirigida ao lado espiritual e no para o lado da degradao. Qualquer msica deveria ser direcionada de tal forma que o seu efeito se fizesse sentir no sentido do bem. Por isto justifica-se Confcio haver condenado diversos estilos de msica que supunha moralmente perigosos. Dizia: "A

  • msica de Cheng lasciva e corruptora, a msica de Sung mole e efeminante, a msica de Wei repetitiva e tediosa, a msica de Chi dura e predispe arrogncia. "Tambm so palavras de Confcio: "A msica do homem de esprito nobre, suave e delicado, conserva um estado dalma uniforme, anima e comove. Um homem assim no abriga o sofrimento nem o luto no corao; os movimentos violentos e temerrios lhes so estranhos". "Se algum desejar saber se um reino bem ou mal governado, se a sua moral boa ou m, examine-se a qualidade da sua msica, que ter a resposta".

    A ctara chinesa de 4 cordas tem uma razo espiritual de ser. As quatro cordas relacionam-se com as quatro estaes e tambm a concepo dos quatro aspectos do homem: Mente abstrata, mente concreta, emoes, e corpo fsico. Estas quatro qualidades mais tarde foram representadas pelos alquimistas como os quatro elementos: Fogo, Ar, gua e Terra.

    A msica por ser uma manifestao vibratria est diretamente relacionada com os Princpios Hermticos em todos os seus aspectos. Na escala tonal, mantendo-se de lado 2 semitons, existem 7 tons maiores e 5 tons menores perfazendo um total de 12 tons que somados aos semitons perfazem o nmero 14. Pela msica se pode penetrar intimamente nos mistrios desses trs nmeros.

    Os 12 tons esto associados s 12 casas do zodaco, que na realidade refletem as vibraes dos 12 focos de irradiao csmica[1] sobre os quais j falamos em palestras anteriores. Por isto dizem que a astrologia comeou como o estudo do Tom Csmico. Concebia-se a astrologia como originalmente baseada nesses 12 tons e nas influncias que as suas freqncias vibratrias exerciam sobre a terra.

    O tempo tem muito a ver com os 12 tons csmico, no sem razo que o tempo tem base 12 o dia tem doze horas, o ano tem doze meses.[2]

    Os chineses, e outros povos da antigidade, misticamente dividiam o ano em perodos de 12 meses e o dia em dois perodos de 12 horas. Tais divises no eram arbitrrias, resultavam de um sbio reconhecimento, por parte do homem, de fatos objetivos de natureza csmica, pois sabiam que os 12 tons musicais eram manifestaes da ordem celestial no mundo terreno. Cada um dos perodos correspondia um determinado tom, ou seja, cada hora corresponderia a um tom e da mesma forma a cada ms do ano. Neste contexto reconheciam na msica certa correspondncia com a data - ms - e com o horrio do dia, por isso numa determinada hora a msica adequada normalmente era diferente daquela indicada para uma outra

    hora, e o mesmo com relao aos meses. Desta forma procurava-se a harmonia vibratria entre a msica ao nvel da terra com a vibrao correspondente ao nvel csmico. Em outras palavras, eles concebiam os sons audveis como sendo manifestaes a nvel fsico das vibraes primordiais imediatas ao OM.

    Assim como os Tons Csmicos mantinham a harmonia e a ordem nos cus, da mesma forma a msica mantinha a ordem e a harmonia na terra, bastando para isto que a sua composio e execuo fosse estruturada como um reflexo adequado da ordem, da harmonia, e da melodia dos Tons Csmicos.

    Notas:

    [1] - Este assunto tratado de forma mais abrangente em outros temas. (392 - 393 - 396 - 445 - 505).

    [2] - O calendrio usado no ocidente at o reinado de augusto tinha 10 meses, depois foram acrescentados mais dois meses, fazendo assim coincidir com outros calendrios mais antigos.

  • 9. - A Msica na Sociedade Humana

    "O grau de desenvolvimento espiritual de um povo se conhece pela sua msica".

    " msica caberia transmitir verdades eternas e influir no carter do homem visando torn-lo melhor".

    Pelo que j temos estudado sobre o Princpio Hermtico da Vibrao com relao msica vemos que esta tem uma fora capaz de exercer influncias no apenas a nvel mental, mas tambm, e com grande intensidade, sobre o mundo material. Sendo assim pode-se considerar a msica como algo fsico e no abstrato nem insubstancial como pode parecer primeira vista desde que as suas vibraes podem ser mensurveis e que assegura essa afirmao, at mesmo porque chega ao ponto de fazer oscilar ou mesmo rebentar objetos distncia.

    Os sons e a msica provocam todos os tipos de ressonncias vibratrias em objetos distncia, pelo que podemos admitir ter ela uma fora capaz de agir sobre o mundo sua volta quer seja no aspecto fsico, quer no espiritual. Tem uma fora que age sobre o mundo sua volta; uma fora que exibe, ao mesmo tempo, um aspecto fsico - audvel - e um aspecto mstico - inaudvel -.

    Pelas razes expostas os sbios da antigidade preocupavam-se com os efeitos mais comuns da msica na sociedade em geral e sobre o comportamento humano em particular. Muitos deixavam em segundo plano o aspecto esttico valorizando mais os efeitos psicolgicos das melodias e ritmos audveis ao que atribuam um poder mais intenso e mais potente, uma fora inaudvel e invisvel, apenas compreensvel em termos de filosofia no materialista.

    Por tudo isto e mais que a Escola Pitagrica e as Ordens legtimas que a sucedem reservam alguns anos de estudo msica em todos os seus aspectos.

    Na eternidade o OM, que se manifesta como Tons Csmicos e que se desdobram no Mundo Imanente em notas que organizadas em variadas formas constituem a msica. A sabedoria antiga liga os Tons e as Notas Musicais ao OM constituindo o AUM.[1]

    Este a primeira vibrao, aquela que se faz sentir quando o aspecto RA atua sobre o aspecto MA.

    Como toda vibrao som essa primeira vibrao considerada o Som Primordial ou OM. Conforme a vibrao que todas as coisas existem e por isto podemos dizer que todas as coisas so constitudas de sons, sendo, portanto, justificvel o porqu da msica influir no s sobre as formas biolgicas de vida como tambm sobre a matria inanimada. Como resultado todas as coisas podem ser destrudas, modificadas, criadas ou recriadas pelo poder do som.

    Estes aspectos mostram a equivalncia do som com as Trindades clssicas, em especial com a Bramnica: O lado criador, o conservador e o destruidor. Na creao o OM desdobrou-se em trs Tons: o Tom criativo, o Tom conservador e o Tom que correspondem aos trs aspectos de Brahman (Brahm - Vishnu - Shiva).

    Todo o universo imanente est constantemente sendo regido por esses princpios, conforme ns estudamos em outras palestras. Isto nos leva a considerar que a msica alm de um papel esttico ela exerce um papel sociolgico importantssimo.

    Por ser a msica no apenas um agrupamento de sons organizados tem que ser levado em conta o seu efeito sobre o esprito e o carter do homem. Uma das decorrncias disto que mudanas musicais numa sociedade, ou nao, podem acarretar benefcios ou no; das inovaes musicais pode resultar degradao pelo poder destrutivo, ou aprimoramento da sociedade pelo poder construtivo. Assim que na msica est implcita a capacidade de transformar - aperfeioar ou degradar - a civilizao.

    Virtualmente todas as civilizaes da antigidade adotavam esse ponto de vista, as mais sbias tinham conscincia muito maior das armadilhas dos extremos da msica, a super-rigidez e a super-inovao, e procurando manter um equilbrio entre ambos. A super-rigidez seria mortal para o Estado enquanto que a completa inflexibilidade levaria a msica a estragar-se.

    O som csmico est em tudo e em todos e por isso pode ser considerada a manifestao da expresso csmica. Ela capaz de dirigir e influenciar a natureza emocional do homem, afetar diretamente a sade do corpo fsico, mas talvez sua mais significativa ao seja de natureza moral. Os

  • chineses estavam certos de que toda msica vulgar e sensual condicionava de forma sutil esse mesmo tipo de influncia sobre o ouvinte.

    A perda da afinao com a ordem celeste reduz inevitavelmente qualquer civilizao a um estado de imperfeio e impermanncia. Os princpios celestes so eternos e tudo o que estiver em harmonia com eles perdura. Disto resulta que numa nao, no somente o povo, mas, especialmente os dirigentes devem estar afinados com os princpios csmicos, entre estes a msica, do contrrio ter existncia efmera. O declnio das naes sempre ocorre quando de alguma forma rompida a harmonia com os princpios da Ordem Divina.

    Na China a decadncia da msica se fez sentir durante a dinastia Ching exatamente quando aquela civilizao tambm se deteriorou, exatamente como os sbios haviam predito e a prpria sabedoria antiga foi sendo aos poucos esquecida. Sempre que ''o povo perde certo tipo de sabedoria o declnio comea a rondar-lhe.

    O que estamos falando dito por outras culturas e por outros sistemas. As culturas que tm por base a Cabala afirmam que a Creao no algo aleatrio, ela obedece a um esquema celestial, representado esquematicamente pela "rvore da Vida", onde as notas musicais, incluindo os dois intervalos, esto nela representadas pelos sephirot e por sua vez, os Trs Tons Primordiais esto pelos Trs Vus.

    Notas:

    [1] - Veja o desenho que representa o Mantra OM na palestra "O Universo Som" que faz parte desta srie de palestras sobre Msica.

  • 10. - A Fora Inerente Msica

    "Os Sbios no dizem o que sabem; Os Tolos no sabem o que dizem".

    Provrbio Oriental

    A msica baseia-se em nmeros e propores e isto foi bem estudado no passado pela Escola Pitagrica e atualmente a Ordem Pitagrica continua dedicando especial ateno a esse estudo, pois se trata de uma dos mais importantes meios de integrao entre os seres.

    Existem doze notas na escala cromtica moderna, sete das quais so maiores e cinco menores e cada uma tem uma ao especfica sobre o meio em geral e sobre os seres vivos, entre estes o homem, em particular.

    Um dos fatores mais importantes que existe sobre a vida na terra est ligado ao Princpio da Vibrao, contudo o homem ocidental no tem dado a devida importncia ressonncia existente entre tudo quanto h. Na cultura ocidental manifestaes vibratrias, ou seja, as manifestaes do Principio do Ritmo na natureza no tm sido levadas a srio. Isto acontece com relao aos diversos biorritmos, aos Tatwas e em especial aos rudos e a msica que exercem um papel decisivo tanto no organismo humano quanto do seu comportamento individual e em sociedade.

    A cincia oficial somente tem considerado a ao dos rudos em geral, e da msica em particular, sobre o meio ambiente e sobre os seres vivos levando em conta apenas o nvel de intensidade medido em decibis, deixando de lado outros elementos de imensa importncia como a prpria constituio da msica no que diz respeito melodia, a durao, a harmonia, aos acordes, e as propriedades das notas isoladas e coisas assim.

    O efeito produzido por uma nota isolada diferente daquele produzido por uma nota compondo um acorde desde que este pode ser ou no dissonante. H uma grande diferena no que tange a ao sobre o organismo de uma nota isolada e em um acorde ou em uma melodia complexa. Uma mesma nota exerce ao diferente conforme ela se apresente compondo um acorde, conforme a intensidade, a durao, e a continuidade do som, etc., por isso pode-se entender que existe grande diferena de ao numa mesma nota quando emitida por diferentes instrumentos. Por exemplo, o d natural produzido por um instrumento de percusso tem a capacidade de determinar efeitos totalmente diferentes de quando ela emitida por um piano ou outros instrumentos de cordas, ou de palheta, de bocal, etc. Mesmo num instrumento de cordas ela apresenta diferenas quanto ao, por exemplo, diferente de um instrumento com trastes (violo) de um sem trates (violino). Tambm num mesmo instrumento uma determinada nota emitida por um mesmo tipo de instrumento tem caractersticas inerentes especficas resultantes da ressonncia do material de que feito e de outras caractersticas. Mesmo uma nota emitida por um mesmo instrumento pode ter caractersticas diferentes de conformidade com o executante, so efeitos especiais como trinados, etc.

    O efeito provocado pela msica tem qualidades considerveis quer seja um som produzido por instrumentos que emitem as notas isoladas ou continuas. Geralmente os instrumentos composto por tubos emitem notas isoladas - rgo de tubos, flauta de Pan, flautas andinas - o no permitem muitos efeitos especiais.

    As "orquestras" nas civilizaes antigas geralmente eram constitudas de instrumentos que produziam apenas uma nota, a melodia resultava do conjunto de msicos, pois cada instrumento destinava-se a produzir um determinado efeito. Na China os instrumentos eram construdos com 12 tubos cada um deles correspondendo aos 12 tons.

    Tudo o que foi afirmado nesta palestra tem real importncia em decorrncia da das ressonncias resultantes, pois as coisas em geral e o organismo em particular reage de forma diferente a uma mesma nota. diferente o efeito provocado por uma flauta de tubos separados do efeito de uma flauta com orifcios.

    Em decorrncia da ressonncia os sons esto ligados aos prprios elementos da natureza. Quando um som produzido num ambiente vemos que determinados objetos ressoam de forma mais audvel que outros, isto porque h como que uma especificidade de relao entre o som e aquilo que ressoa. H sons que tm maior ressonncia nos lquidos gua -, outros nas coisas slidas - terra -, outros nas coisas gasosas - ar -, outras nas coisas gneas - fogo - e outros nos elementos etreos - akash -. Uma decorrncia imediata disto que cada instrumento est mais ligado a um dos elementos da natureza. Assim que h instrumentos ligados ao elemento fogo, outros ao elemento gua, outros ao elemento terra e assim por diante. Na verdade isto se reveste de grande significao quando se est trabalhando em determinadas atividades, e fundamentalmente naquilo que envolve a interao com os

  • seres da natureza, os elementais. Isto est presente em quase todos os cultos religiosos ritualsticos, mesmo que os adeptos ignorem o porqu de determinadas melodias trazerem Luz, Foras e outras condies.

    A ligao existente entre o instrumento e os elementos mais ampla do que se pode pensar, pode dizer respeito no somente ao instrumento, mas a prpria melodia, pois nela esto presentes no apenas uma nota, mas tambm um acorde, uma harmonia, uma melodia e todos os demais elementos constitutivos dos sons. Assim sendo as msicas podem ser classificadas conforme o elemento predominante nela. Isto no diz respeito somente ao instrumento, mas especialmente composio como um todo.

    Na msica tem que ser levado em conta o ritmo, a melodia, a harmonia e o timbre, pois tudo isto exerce influncias acentuadas sobre o organismo. Existem acordes que erguem o tnus espiritual, que elevam as emoes, os sentimentos, e o estado de humor; outros que agem exatamente de maneira inversa. Por exemplo, os tons menores diminuem, entristecem enquanto os maiores excitam. No estamos falando no sentido de negatividade ou de positividade, mas sim em

    caractersticas que podem ser usadas num ou noutro sentido. Por exemplo, se uma pessoa est excessivamente excitada, eufrica, ela beneficia-se com msicas em tom menor, o contrrio se ela estiver deprimida. Uma pessoa em estado de depresso no deve escutar muitas msicas em tom menor, pois com certeza sentir-se- mais deprimida ainda. A escolha deve ser feita conforme a necessidade do momento.

    Tudo o que dissemos reveste-se de grande importncia nos estudos pitagricos. Muitos povos tm dedicado ateno msica no apenas levando em conta o seu sentido meldico, esttico, como normalmente feito no ocidente, mas visando o lado poder.

    Por tudo isto que dissemos nesta palestra as msicas podem se classificar como msica esttica e msica de poder. De um modo geral, em decorrncia da ressonncia que todas as msicas provocam, ou mesmo todo som, tanto msicas quanto sons tm um determinado nvel de poder, mas existem msicas que tm grande coeficiente de poder.

    Vale salientar que as composies podem ser compostas premeditadamente por pessoas ou por organizaes que conhecem o poder oculto da msica e o que ela capaz de provocar, ou ser composta por inspirao, mas sendo esta de fonte negativa ou positiva.

    H Ordens que so detentoras do conhecimento oculto da musica e que por isto sabem devem ser compostas msicas para determinados fins.

    Os orientais preparam mantras com diversas finalidades, o mesmo acontecendo em todos os cultos, quer sejam o canto gregoriano no seio do Catolicismo quer as vocalizaes da Rosacruz, os mantras indianos e tibetanos, os cnticos nativos de diversas culturas indgenas, os pontos dos cultos africanos, as chamadas dos adeptos da ayuasca, etc.

    Deve-se ter em conta que a existncia de muitas organizaes de fundo negativo e que tambm sabem como usar a msica para atingir seus propsitos nefandos, por isso o buscador das coisas divinas deve ter conhecimento do que representa a msica na conduta humana.

  • 11 A Ao Biolgica da Msica

    "S percebemos o valor da gua depois que a fonte seca".

    Provrbio popular

    Relativamente pouca ateno tem sido dispensada ao da msica sobre os seres vivos em geral e o humano em particular. Mesmo que a experincia popular venha mostrando que existem muitos conhecimentos existem com relao aos sons, mas que por no serem reconhecidos pela cincia so etiquetados como simples crendices, e entre eles nesta palestra queremos citar um conhecimento milenar que somente agora a cincia vem estudando e at mesmo usando em certas experincias. Sabe-se que os animais tornam-se inquietos diante de determinados eventos que nem ao menos so detectados pelos mais sofisticados aparelhos. Sabe-se que inmeros animais percebem terremotos dias antes dos sismgrafos registrarem quaisquer indcios significativos. Isto mostra que o organismo de

    determinados animais, de alguma forma, registra previamente aqueles eventos. A cincia est chegando concluso que isto se deve a vibraes subsnicas oriundas das camadas profundas do solo.

    Estudos atualizados vm demonstrando que a msica afeta o corpo fsico do homem a tal ponto que difcil encontrar uma nica funo orgnica que no sofra a influncia dos tons musicais. A biologia vem descobrindo, que as terminaes dos nervos auditivos no se restringem somente ao ouvido interno, que existe percepo auditiva subliminar atravs de toda rede nervosa, isto justifica o porqu da prpria cincia afirmar que no existe surdez total.

    Experincias relativamente recentes vm demonstrando que a ao da msica influi na digesto, nas secrees internas, na circulao sangnea, na nutrio e na respirao e que at mesmo os neurnios do prprio crebro so diretamente sensveis aos princpios harmnicos. Desta forma podemos dizer que todo o corpo afetado de acordo com a natureza da msica cujas vibraes incidem sobre eles.

    A msica afeta o corpo de duas maneiras distintas: diretamente pelo efeito de ressonncia sobre as clulas e os rgos, e indiretamente sobre as emoes, que, por seu turno, influenciam numerosos processos corporais. Estamos nos referindo msica orquestrada, mas considerando-se a msica cantada tem que ser levado em conta a influncia condicionada pelas mensagenes implcita nas palavras.

    difcil encontrar uma nica frao do corpo que no sofra a influncia dos tons musicais. "Os doutores Earl Flosdorf e Leslie A. Cambers descobriram, numa srie de experincias, que sons agudos projetados num meio lquido coagulam protenas. Uma recente mania de adolescentes consiste em levar ovos frescos a concertos de rock e coloc-los beira do palco. No meio do concerto, os ovos podem ser comidos cozidos pela ao da msica. Surpreendentemente, poucos afeioados do rock perguntam a si prprio o que a mesma msica poderia causar-lhes aos corpos".[1]

    Recentemente um neurologista russo, Dr. Tartchanoff descobriu que a msica exerce poderosa influncia sobre a atividade muscular que aumenta ou diminui de acordo com o carter das melodias. Evidenciou que quando triste ou o seu ritmo lento, e em tom menor, a msica diminui a capacidade de trabalho muscular a ponto de interromp-lo em determinadas circunstncias. As pesquisas do Dr. Tartchanoff ratificam outros que tem demonstrado que a msica pode modificar o metabolismo, afetar a energia muscular, elevar ou diminuir a presso sangnea e influir na digesto. Disto advm que vem crescendo um sistema teraputico - musicoterapia - que usa a msica em vez de medicamentos qumicos para cura de diversos males. Dizem os musicoterapeutas que a msica pode substituir de uma maneira bem mais suave e agradvel o uso de muitas drogas capazes de produzir alteraes em nosso corpo.[2]

    Um ritmo acelerado libera substncias qumicas na corrente sangnea que excitam o organismo cujo efeito pode se prolongar por tempo razoavelmente longo. Assim sendo a pessoa torna-se sujeita a desenvolver uma forma de dependncia. Quando um jovem costuma ouvir msica de rock vrias horas por dia ela em breve desenvolve liter