Anu£Œrio do Instituto de Geoci£¾ncias - UFRJ 2018-11-07¢  inunda£§£µes e enxurradas. Esses processos

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    Proposta Metodológica para o Mapeamento da Vulnerabilidade a Inundações Methodological Proposal for Flood Vulnerability Mapping

    Paola de Assis de Souza Ramos1; Guilherme Garcia Oliveira2; Mariana Madruga de Brito3 & Luiz Carlos Pinto da Silva Filho4

    1Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto, Av. Bento Gonçalves, 9500, Agronomia, 91501-970, Campus do Vale, Porto Alegre, RS, Brasil

    2Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Departamento Interdisciplinar, Campus Litoral Norte, Rodovia RS-030, 11.700, Emboaba, 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil

    3University of Bonn, Department of Geography, Meckenheimer Allee, 166, 53115, Bonn, Alemanha 4Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia,

    Av. Osvaldo Aranha, 9, Centro Histórico, 90035-190, Porto Alegre, RS, Brasil E-mail: paola_s_ramos@hotmail.com; g.g.oliveira10@gmail.com; mmdb@outlook.com; lcarlos66@gmail.com

    Recebido em: 03/09/2018 Aprovado em: 16/10/2018 DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2018_3_281_291

    Resumo

    Esta pesquisa apresenta uma metodologia para mapear a vulnerabilidade à inundação em diferentes fases do ge- renciamento de desastres no município de Igrejinha, RS. Ao total, foram utilizados 10 indicadores distribuídos em 3 di- mensões de vulnerabilidade, os quais foram espacializados com o uso do método de mapeamento dasimétrico. Por meio do método Processo Analítico Hierárquico (AHP), solicitou-se a 21 especialistas que atribuíssem pesos de importância para cada um dos indicadores durante duas fases do gerenciamento de desastres: resposta e recuperação. Por fim, foram elaborados mapas comparativos, por meio de ferramentas de geoprocessamento disponíveis em Sistemas de Informação Geográfica. Destaca-se como resultado as diferenças apresentadas entre fases resposta e recuperação, nas dimensões e no mapa final de vulnerabilidade a inundações Palavras-chave: Método AHP; Indicadores de Vulnerabilidade; Setores Censitários

    Abstract

    This study presents a methodology to map the vulnerability to floods in different phases of the disaster manage- ment process at the municipality of Igrejinha, RS. A total of 10 indicators, distributed in 3 dimensions of vulnerability were used. They were spatialized through the use of the dasymetric method. By using the Analytic Hierarchy Process (AHP) method, 21 experts assigned weights of importance to each one of the indicators during two phases of disaster management: response and recovery. Finally, comparative maps were produced, using available geographic information system tools. As a result, it was possible to highlight the differences found between the phases of response and recovery, not only on each of the dimensions but also on the final flood vulnerability map. Keywords: AHP method; Vulnerability Indicators; Census Area

    A n u á r i o d o I n s t i t u t o d e G e o c i ê n c i a s - U F R J ISSN 0101-9759 e-ISSN 1982-3908 - Vol. 41 - 3 / 2018 p. 281-291

  • 282 A n u á r i o d o I n s t i t u t o d e G e o c i ê n c i a s - U F R J ISSN 0101-9759 e-ISSN 1982-3908 - Vol. 41 - 3 / 2018 p. 281-291

    Proposta Metodológica para o Mapeamento da Vulnerabilidade a Inundações Paola de Assis de Souza Ramos; Guilherme Garcia Oliveira; Mariana Madruga de Brito & Luiz Carlos Pinto da Silva Filho

    1 Introdução

    O aumento demográfico e expansão das cida- des de maneira desordenada, modificam profunda- mente o espaço geográfico. Estas alterações impul- sionam o crescimento urbano em áreas inadequadas para moradia, como planícies de inundação (CEPE- D-RS/UFRGS, 2016a). As inundações são fenôme- nos naturais e correspondem ao transbordamento gradual de cursos d’água, geralmente após um perí- odo de chuvas prologadas (Brasil, 2016).

    A expansão dos centros urbanos em planícies de inundação, sem o devido planejamento, aumenta a vulnerabilidade da população e, consequentemen- te, os impactos causados por esses processos. A vul- nerabilidade se refere às características e situações de um indivíduo ou grupo, que influenciam na capa- cidade de antecipar, lidar, resistir e recuperar-se dos impactos de eventos adversos (Wisner et al., 2003).

    A gestão de riscos e o gerenciamento de desas- tres engloba um conjunto de ações que visam apri- morar a capacidade de enfrentamento de uma comu- nidade e reduzir os impactos causados por eventos adversos. A gestão de riscos é composta pelas eta- pas de prevenção, mitigação e preparação, enquanto que o gerenciamento de desastres é composto pelas etapas de resposta e recuperação (UNISDR, 2009; Copola, 2015).

    O mapeamento da vulnerabilidade faz par- te do conjunto de medidas não estruturais. São importantes, pois permitem localizar e avaliar as características da população exposta a um determinado processo perigoso. Assim, tais mapas podem subsidiar a adoção de medidas para reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência da socieda- de (Edwards et al., 2007).

    Os mapas de vulnerabilidade podem ser cria- dos por meio de ferramentas de geoprocessamento em SIG. Essas ferramentas auxiliam na tomada de decisão e no planejamento estratégico para a gestão de riscos e o gerenciamento de desastres (CEPED- -RS/UFRGS, 2016a).

    Existem diversos métodos para estimar a vulnerabilidade, que variam de acordo com a esca- la e o tipo de perigo que a população está expos-

    ta. Em grande parte dos estudos, o setor censitário é utilizado como unidade territorial (Alves, 2006; Goerl et. al., 2012; Silva, 2014). No entanto, quando se refere às inundações, essa metodologia apresenta limitações, visto que este procedimento mascara a densidade populacional real, pois mesmo as áreas não residenciais são incluídas no cálculo (Silveira et al., 2013). Dessa maneira, o método dasimétrico pode ser utilizado para descrever de maneira mais realista os indicadores vulnerabilidade. Esse método permite diminuir o efeito de suavização observado nos métodos tradicionais, em especial nas áreas onde os polígonos censitários são maiores.

    Neste sentido, o objetivo desta pesquisa é apresentar uma metodologia para mapear a vulnera- bilidade à inundação nas fases de resposta e recupe- ração, a partir da utilização do método dasimétrico em ambiente SIG. O município de Igrejinha/RS fo utilizado para ilustrar a metodologia proposta, visto que é altamente suscetível a inundações, com um to- tal de 15 eventos registrados entre 1982 e 2016 (Ra- mos et al., 2016).

    2 Área de Estudo

    O município de Igrejinha situa-se no nordes- te do RS, na bacia hidrográfica do rio dos Sinos. A população do município é de 31.660 habitantes (IBGE, 2010), a qual se concentra na sub-bacia do rio Paranhana (Figura 1). A região apresenta uma grande amplitude altimétrica, sendo que a zona ur- bana está localizada em áreas baixas, (20 a 100 m), enquanto que no meio rural a altitude chega a 770 m (Bressani, 2014).

    Segundo a classificação de Köppen, o município possui um clima subtropical úmido, com verão quen- te (Cfa). O número de dias de chuva por ano varia de 130 a 150, com precipitação acumulada anual de 1.650 mm (Rossato, 2011; Brubacher et al., 2012). O perí- odo entre os meses de junho e outubro é o mais chu- voso, em função do avanço de sistemas frontais, que resultam em precipitações mais longas e volumosas. De novembro a março, a precipitação é influenciada por sistemas convectivos, sendo mais intensas e loca- lizadas. As ocorrências de inundação se concentram nos meses de julho e agosto (Ramos et al., 2016).

  • A n u á r i o d o I n s t i t u t o d e G e o c i ê n c i a s - U F R J ISSN 0101-9759 e-ISSN 1982-3908 - Vol. 41 - 3 / 2018 p. 281-291 283

    Proposta Metodológica para o Mapeamento da Vulnerabilidade a Inundações Paola de Assis de Souza Ramos; Guilherme Garcia Oliveira; Mariana Madruga de Brito & Luiz Carlos Pinto da Silva Filho

    As características geográficas do município de Igrejinha estão intimamente ligadas à ocorrência de inundações e enxurradas. Esses processos estão as- sociados à forma do relevo, uso, cobertura e tipo de solo, hidrografia e regime de precipitação (Oliveira et al., 2013). Segundo Ramos et al. (2016), ocorre- ram 35 eventos hidrológicos entre 1982 e 2015, dos quais 20 são inundações do rio Paranhana, e 29 são enxurradas dos afluentes. Devido ao seu histórico de desastres, Igrejinha está entre os municípios priori- tários para mapeamento das áreas de risco, conforme consta no Plano Nacional de Gestão de Risco e Res- posta a Desastres Naturais (MP, 2012). E importante destacar que o município participa da campanha ci- dades Resilientes da ONU.

    3 Material e Métodos

    A metodologia foi desenvolvida com base nos trabalhos de Alves (2006), Goerl et al. (2012), Sil- va (2014), Schumann & Moura (2015) e CEPED/ UFRGS (2016b). A Figura 2 mostra as etapas para o desenvolvimento desta pesquisa.

    A unidade territorial utilizada se refere aos setores censitários do IBGE, porém com distribui- ção heterogênea da população no seu interior, com uso da técnica dasimétrica binária. Segundo Eicher e Brewer (2001), esse método permite refinar as in- formações espaciais por meio de dados auxiliares, desagregando informações contidas em uma área,

    em unidades menores e homogêneas. Neste estudo, o refinamento foi obtido pelo mapeamento das áreas edificadas em

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