Caio Fábio - Nephilim

  • View
    4.207

  • Download
    3

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Um grupo considerável de pessoas neste fim de milênio já não pensa em"tempo" do mesmo modo que a maioria dos seres humanos ainda concebeesta dimensão. Hoje, com os novos experimentos da física quântica, umarevolução está para acontecer. Haverá grande aproximação entre ciência ereligião, entre tecnologia e biologia, entre máquina e realidade orgânica.Muitas das hoje chamadas energias sutis - bem conhecidas por profetas emísticos como mundo espiritual - estarão ao alcance da ciência e datecnologia.Máquinas serão construídas a partir de células, criando um mundo decomunicação instantânea de informações. Serão aparatos magnéticos, enão elétricos. Nada do que hoje chamamos de avançado poderá, ainda, serassim considerado depois que isto acontecer.

Text of Caio Fábio - Nephilim

CAIO FBIO

NEPHILIMRazo Cultural 2000

Caio FbioCaio Fbio D'Arajo Filho amazonense, nascido em Manaus. Cresceu prximo s grandes florestas e aprendeu a am-las e respeit-las. Mudouse para o Rio de Janeiro com a famlia na adolescncia e, depois da extraordinria converso crist que seu pai experimentou, voltou ao Amazonas na companhia dos pais e irmos. Aos 18 anos, depois de um perodo de grandes aflies existenciais, veio a ter um encontro com a f de seus pais, o que mudou radicalmente sua vida. De hippie sem causa, passou a ser conhecido como o pregador da juventude. Casou-se aos 20 anos e logo foi pai. Foi ordenado ministro presbiteriano no ano seguinte, quando escreveu seu primeiro livro. Sua ascenso foi sbita. Logo estava nas televises e jornais do norte do pas em razo das multides que se reuniam para ouvi-lo em teatros, estdios, ginsios, praas e grandes templos. Aps dois anos de pregaes, Caio Fbio j era reconhecido como o melhor orador sacro do norte do pas. Pouco tempo depois, tornou-se conhecido em rodo o Brasil e veio a ser considerado a voz mais lcida, provocativa, criativa e desestabilizadora do chamado meio evanglico, chegando, apesar disso, a ser visto como unanimidade entre os protestantes. Caio Fbio diz que sua carreira foi terrivelmente atingida a partir do conflito pblico ao qual deu face contra algumas prticas religiosas com as quais no concordava. Daquele momento em diante, deixou de ser uma figura do mundo religioso e passou a ser visto como um homem pblico cujas aes transcendiam os interesses da Igreja. Amante de causas sociais, Caio Fbio fundou vrias organizaes com a finalidade de diminuir o drama dos menos favorecidos. Sua maior obra, a Fbrica de Esperana, chegou a atender mensalmente, por vrios anos consecutivos, a mais de vinte mil jovens e adolescentes e foi considerada a maior obra social no-governamental da Amrica Latina. Alm disso, pelas campanhas e movimentos que se iniciavam no Rio de Janeiro e depois se espalhavam por todo o pas, foi um dos mais marcantes lderes de movimentos civis na dcada de 1990 em todo o Brasil. Empreendeu muito, tambm, na rea de comunicao, tendo fundado a Vinde TV, a Revista Vinde e dirigido vrios outros empreendimentos na rea. Em 1998 separou-se da esposa e viu sua imagem ruir dentro da

comunidade crist qual ele tanto servira. Sobre esse episdio, diz trazer as maiores dores. Naquele mesmo ano se viu envolvido num escndalo poltico da maior repercusso e cujas aflies o perturbam at este dia. Caio Fbio, entretanto, no um espectador da vida. Mesmo nas mais adversas circunstncias, escreveu o livro que hoje est em suas mos, acerca do qual ele diz que no hesitaria em trocar os 106 livros que publicou durante os 25 anos de seu ministrio pela mensagem que este nico carrega. por suas prprias palavras que se pode perceber a importncia desta obra. Caio Fbio ganhou ttulos honorrios de doutor e mestre em teologia e foi considerado por uma revista crist inglesa e por uma pesquisa especializada internacional um dos cem lderes cristos mais criativos e respeitados do mundo no sculo XX. Hellena, minha netinha.

Nota do AutorEsta uma obra de fico. Toda e qualquer semelhana com a realidade mera coincidncia. Por esta razo, nela no tenho outra inteno seno provocar a imaginao de meus leitores, na busca de tentar pensar, sem nervosismo religioso ou doutrinrio, uma das mais intrigantes histrias da humanidade, com suas implicaes na prpria formao do psiquismo humano e seus mitos. Aqui, portanto, no fao doutrina e nem ofereo argumentos de natureza teolgica, mas apenas exero o privilgio de ter recebido a beno da imaginao.

Introduo A Mquina Quntica. . . e ps a eternidade no corao do homem. Salomo, no livro de Eclesiastes

Um grupo considervel de pessoas neste fim de milnio j no pensa em "tempo" do mesmo modo que a maioria dos seres humanos ainda concebe esta dimenso. Hoje, com os novos experimentos da fsica quntica, uma revoluo est para acontecer. Haver grande aproximao entre cincia e religio, entre tecnologia e biologia, entre mquina e realidade orgnica. Muitas das hoje chamadas energias sutis - bem conhecidas por profetas e msticos como mundo espiritual - estaro ao alcance da cincia e da tecnologia. Mquinas sero construdas a partir de clulas, criando um mundo de comunicao instantnea de informaes. Sero aparatos magnticos, e no eltricos. Nada do que hoje chamamos de avanado poder, ainda, ser assim considerado depois que isto acontecer. Em meio a todo esse progresso, se chegar a uma concluso: a grande mquina quntica no est por ser criada, mas j existe h milhares de anos. Tambm se descobrir que esta mquina viva jamais foi usada em plenitude na Terra - exceto uma nica vez, h cerca de dois mil anos -, pois logo aps ter sido criada livre apareceu nela um desejo que, consumado, lhe atrofiou os sensores e inibiu seus recursos de percepo. Desse modo, ela perdeu a conexo com s milhares de formas de energias sutis e dimenses existentes no universo. A pior de todas as perdas, todavia, aconteceu na rea de voice recognition, pois nesta mquina quntica surgiu uma quase total impossibilidade para o reconhecimento da voz de seu Criador. A despeito disso, seu potencial no foi aniquilado, e, em tempo, ainda se saber sobre as grandes maravilhas que a habitam. A extraordinria tecnologia quntica presente neste planeta possui corpo, alma e esprito. O corpo experimenta o tempo; o esprito transcende ao tempo - pois tem natureza atemporal. E a alma faz o elo entre as vrias formas de energia da dimenso fsica e psicofsica, e as profundidades das formas de existncia que no podem ser medidas ou mesmo assumidas como reais no mundo das coisas palpveis, pois so espirituais. A vida humana o grande complexo eterno-temporal a ser descoberto nas dcadas por vir. E quando essa conscincia se instalar, ento se saber que a eternidade habita o corao dos homens e que o tempo nada mais que uma momentnea impresso de uma das muitas formas de existir e conhecer a existncia que os humanos possuem, mas que foi em ns atrofiada por algo que na linguagem teolgica se chama de a queda. Sobretudo, se saber que, assim como profetas visitam o que ser, tambm podem visitar o que j foi, pois, no esprito, o que , ; porque passado,

presente e futuro nada mais so que expresses daquilo que , e habita o interior dos seres humanos.

Maria Flor de CristoDar-vos-ei corao novo e porei dentro em vs esprito novo; tirarei o corao de pedra e vos darei corao de carne. Profeta Ezequiel Despediu-se da esposa e dos filhos enquanto era empurrado para dentro daquele lugar intermedirio, onde a vida e a morte alternavam cumplicidades. No corao, acreditava que no escaparia. Quando os procedimentos tiveram incio, mergulhou em escurido abissal e, numa frao de tempo que no sabia definir, abraou a si mesmo e entregou seu esprito. Era o dia 28 de abril de 1998. Quando despertou, soube que o transplante havia sido um sucesso. Dentro dele, entretanto, havia a sensao de que aquela realidade para a qual voltara j no era a mesma que tinha deixado. De volta ao seu pas, Abellardo encontrava os amigos e contava como estava se sentindo: - s vezes, eu penso que o transplante foi de alma - dizia. Sentia que havia uma outra energia pulsando nele de modo latente. Era como se estivesse possudo por um mundo de sentimentos e intuies que no conseguia associar a nada que fizesse sentido no seu mundo; e como se o corao que agora nele habitava tivesse sua prpria agenda emocional e no abrisse mo de praticar seus prprios ricos interiores. Impondo alegria, quando ele estava triste; tristeza, quando ele estava alegre; ou antipatia, quando ele sabia e sentia que estava sendo bem-tratado. E mais: ele no agentava inebriar-se com cheiros que antes ignorava, balanar-se gostosamente ao ritmo de msicas que antes no apreciava, reconhecer beleza interior em homens nos quais antes s via msculos, desejar comer comidas estranhas que jamais fizeram parte de seu cardpio, e, sobretudo, viajar para regies remotas pelas quais jamais se interessara antes. Alm disso, Abellardo Ramez II sentia que sua viso da vida mudara, dando-lhe a impresso de que este mundo estava sendo habitado, ao mesmo tempo, pelo passado, presente e futuro.

Queria uma resposta. Por isso, leu. Leu muito. Num nico livro encontrou centenas de narrativas idnticas ao que sentia e tambm muitos outros relatrios cientficos que davam conta do mesmo fenmeno: atribuam ao corao no apenas o papel de bomba de sangue, mas o de detentor de memrias emocionais mais profundas, em estado bruto, no-elaboradas e filtradas pelas censuras exercidas pelo crebro. Inconformado com sua situao viajou outra vez terra de Merlin, onde sofrera o transplante. L, com a ajuda do Doutor Isaak Harbour - um dos mdicos que o operara -, descobriu quem era a pessoa que lhe doara o corao. Ao aproximar-se da rua onde a doadora vivera, comeou a sentir impulsos estranhos lhe visitando a alma. Olhou para um parque e sentiu paixo, como se naquele lugar, um dia, tivesse namorado. Viu um cachorrinho andando pela calada e teve desejo de parar para traz-lo ao colo, pois o animal lhe correu ao encontro fazendo-lhe com o rabinho saudaes de intimidade. Contemplou um jardim florido e chorou, como se nele tivesse um dia meditado. Parou, enfim, quase sem precisar confirmar o endereo, diante da porta de uma casa que seu corao chamou de lar. Ento bateu palmas, mas era como se no precisasse. Quando um homem de pele escura e cabea embranquecida abriu a porta, subiu-lhe ao corao um desejo enorme de saltar-lhe nos braos e cham-lo de pai. - Desculpe. Meu nome Abellardo Ramez II. Vim at aqui porque recebi o corao de sua filha. O homem convidou-o a entrar e pediu licena para tambm chamar sua esposa. Uma senhora entrou na sala e olhou para ele. - O que , . Isto tudo e tudo - disse ela. - O que isto? Que coisa interessante! - No sei. Mas nossa filha sempre dizia isto. - Desde a operao que essa frase no me sai da cabea. Os pais de Verni