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  • CONTROLE ORAMENTRIOMETODOLOGIA E TCNICA

    w. J. HUITT YARDLEY PODOLSKI"Todos os adtninistredoree planejam. No poeeivelconceber qualquer tipo de organizao cujos lderesno dediquem alguma ateno aos seus objetivos,assim como aos meios mais eficientes para atingi-los.Um grupo de pessoas operendo sem qualquer planoconstitui, meramente, u'a massa incoerente e semdireo, jamais uma organizao." - ROBERT N.ANTHONY

    As reaes de um grupo de pessoas em relao ao con-trle oramentrio podem ser agrupadas em trs classesbsicas:

    atitude negativa ao contrle;indiferena;

    apoio definitivo a qualquer extenso dsse instrumen-to administrativo.

    o exame dessa classificao demonstra que a terceiraclasse ou se serve corretamente das vantagens do contr-le oramentrio ou tem contato direto com operaes su-bordinadas a contrle oramentrio bem organizado e efi-dente. Verifica-se, outrossim, que as duas primeiras ouno tm conhecimento ou esto mal informadas sbre ofuncionamento do contrle. Trata-se, na maioria, de pes-soas que nunca tiveram contato direto com operaes di-rigidas atravs de um sistema eficiente de contrle ora-mentrio, nem tampouco tiveram oportunidade de exami-nar o assunto de forma definitiva e real, vendo e anali-

    w. ]. HUITT YARDLEY PODOLSKI - Consultor em Administrao, So Paulo.

  • 1.12 CONTRLE ORAMENTARIO R.A.E./12

    sando os resultados de um sistema de contrle que fun-cionasse eficientemente.Constatou-se, tambm, em alguns casos, que muitas pes-soas pertencentes primeira classe tiveram experinciasnegativas em organizaes onde o sistema de contrle fa-lhara. Entretanto, muito raro que as condies econ-micas sejam to ms que um sistema eficiente de contr-le falhe completamente, mesmo porque a existncia detais condies exclui a possibilidade de funcionamento daemprsa. Analisaremos as possveis razes de falhas dossistemas de contrle oramentrio quando tratarmos desua metodologia.Durante os ltimos anos aumentou muito o intersse s-bre o assunto. Grande nmero de indstrias experimen-tou tal desenvolvimento no volume de suas operaes quese tornou impossvel dirigi-las sem um programa bem de-finido e minuciosamente elaborado, tanto no campo fabrilcomo no econmico-financeiro. Nas indstrias pertencen-tes a grupos numerosos de acionistas, que procuram ele-ger para suas diretorias pessoas habilitadas, treinadas etecnicamente capacitadas, o planejamento das operaesa curto e a longo prazo considerado imprescindvel.

    Existem, porm, muitas emprsas de propriedade de fa-mlias ou de um nico dono, o qual, em muitos casos, foitambm seu fundador. Neste grupo de emprsas, que cha-maramos oligrquicas, maior a resistncia sistemati-zao do planejamento das operaes em geral e das fi-nanceiras em particular.ste artigo tem por objetivo expor a filosofia em que sefundamenta a idia de contrle oramentrio, discutir ametodologia de um sistema de contrle e demonstrar comoum programa dessa natureza realizado e integrado numaoperao comercial.

    o QUE CONTRLE ORAMENTRIOContrle oramentrio um sistema de planejamento eco-nmico-financeiro das operaes de uma emprsa, e defiscalizao da execuo do programa preestabelecido.

  • R.A.E./12 CONTRLE ORAMENTRIO 113

    Nos tempos atuais no h lugar para organismos que nosaibam planejar o progresso. Em face da viva e agressivaconcorrncia e das freqentes e violentas variaes nas es-truturas econmicas do mundo, qualquer organizao quedeseje progredir, ou, pelo menos, sobreviver, tem de pla-nejar suas atividades e cuidar para que prossigam no sen-tido previsto pelo plano. Acima de tudo a emprsa pre-cisa diligenciar para que os resultados de seus esforossejam efetivos, o que se demonstra pela obteno do lucroprojetado.

    Uma emprsa industrial mantm sua existncia por suaeficincia na converso dos diversos elementos para pro-duzir melhor e mais barato o produto final; bsicamente,porm, qualquer emprsa se inicia e se mantm em ope-rao graas ao seu poder aquisitivo. Dste modo, paraadquirir as necessrias mquinas, dependncias, mos-de--obra, materiais etc. , uma emprsa industrial tem de pos-suir, inicialmente, poder aquisitivo altura necessria, sejaem forma de dinheiro, seja em forma de crdito. O di-nheiro e o crdito representam valres que devem sersubmetidos a uma srie de transformaes para assegurara existncia da emprsa. Desde a formao da emprsae durante tdas as fases de sua operao ocorre um fluxode transformao de valres, como mostra a Figura 1.

    sse fluxo concepo econmica que pode ser represen-tada esquemticamente, de modo semelhante represen-tao das concepes eletrnicas ou mecnicas. Da mes-ma forma pela qual o engenheiro industrial esquematizae generaliza as diversas fases tcnicas de sua operao fa-bril, ao economista cumpre esquematizar as funes eco-nmicas inerentes vida de uma emprsa. Em nosso casoestamos interessados no fluxo de transformao de valres.

    Simples nosso esquema e fcil sua compreenso. Seno,vejamos. A emprsa comea pela aquisio do capital, oque si ser feito atravs da venda de aes ou cotas. Estasso adquiridas pelo pblico em geral ou por um grupo li-mitado de pessoas que hajam por bem constituir a socie-dade . D-se incio, assim, ao fluxo da transformao de

  • 114 CONTROLE ORAMENTARIO R.A.E./12

    valres. Emitem-se, preliminarmente, certificados ou ttu-los provisrios de aes, cotas e debntures, cambiveis enegociveis por dinheiro ou crdito. Esta , alis, a pri-meira converso de valres, a primeira das etapas prin-cipais do fluxo econmico: o financiamento.

    De posse do dinheiro ou do crdito, a ernprsa passa aadquirir prdios, mquinas, materiais etc., e a contratardiversos servios, como fra, telefone, direo, mo-de-obra etc.. Essa operao, claro est, altera, de imediato,a situao financeira da ernprsa e o seu grau de solvn-cia, porquanto faz com que o capital lquido se transfor-me, parcialmente, em ativo fixo e inventrio. a segun-da converso de valres, a converso pela compra, queconstitui a segunda das etapas principais do fluxo eco-nmico.

    Utilizando mquinas, materiais e servios, a emprsa in-dustrial enceta a fabricao de seus produtos. Parte dovalor do ativo fixo incorporado nos produtos pela de-preciao. Os materiais transformam-se em produto atra-vs do esfro da equipe de fbrica. Nesse ponto os va-lres que representam o uso do ativo fixo, dos materiaise de parte dos servios esto sendo convertidos em valordo produto a ser colocado no mercado. D-se, ento, pelaoperao fabril, a terceira das etapas principais do fluxoeconmico: a transformao da matria-prima em produto.

    A quarta e ltima etapa dsse esquema geral de fluxos eco-nmicos de uma emprsa industrial a converso pelasvendas, ou mercadizao. "Vendas" um dos serviosmais importantes para a vida do negcio. Tem por objeti-vo suscitar e manter no pblico o desejo de possuir oproduto fabricado pela emprsa, mesmo em casos onde opreo do prcduto exceda seu valor utilitrio real. sseservio requer pessoal e equipamento; o valor do uso doequipamento e dos esforos do pessoal de vendas adicio-na-se ao custo do produto. Adiciona-se, tambm, a ssecusto o valor dos servios da administrao da emprsa .Por outro lado, o uso do capital que se permite converterem produto no pode ser gratuito, Assim, ao custo do

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  • 116 CONTRLE ORAMENTARIO R.A.E./12

    produto adiciona-se agora o valor do custo de uso do ca-pital necessrio para sua fabricao. sse custo pelaemprsa considerado lucro. Na verdade, porm, o lucro o custo do uso do capital empregado pela emprsa emsuas operaes. O valor dsse custo muito flexvel, va-riando de acrdo com as condies do mercado e as regrasgerais do comrcio. Dste modo, a converso pelas ven-das a ltima etapa principal, onde o valor de todos oselementos convertidos em produto transformado, denvo, em dinheiro ou em crdito, e se fecha o ciclo dastransformaes.Compreende-se que muitas funes das diversas etapassupracitadas no se desenvolvem simultneamente, e queo grau de deslocamento das fases pode ter qualquer mag-nitude, dependendo do rgo sintonizante, que a admi-nistrao ou a gerncia. possvel, tambm, que uma em-prsa possa ter vrios fluxos econmicos independentes,cada um fora de fase com os outros. Todos, porm, devemobedecer a uma ordem de seqncia funcional, comean-do e terminando da mesma maneira, mesmo que em nvele tempo diferentes. As variaes nas intensidades dos flu-xos, as diferenas em nvel ou fase e os demais aspectosde cada fluxo devem ser cuidadosamente estudados eatentamente observados durante seu percurso. Aqui, comoem qualquer ramo da cincia ou da tecnologia, para seobterem bons resultados dos fenmenos usados e operados necessrio compreender bem as bases da existncia ds-ses fenmenos, suas origens e as razes de seu comporta-mento, sem o que no se poder tirar proveito dles. Odirigente de uma emprsa, portanto, no pode ignorar ofuncionamento e a interdependncia de todos os fatres.presentes, internos e externos, que atuem por dentro epor fora de cada um dos fluxos econmicos e que possaminfluir em suas diversas etapas.A direo de qualquer atividade - especialmente daque-las cujos elementos, complexos e interdependentes, este-jam, na maioria, sujeitos a influncias externas - h desempre ser considerada sob os prismas estudo, planeja-mento e contrle , sses trs pontos so essenciais e cons-

  • R.A.E./12 CONTRLE ORAMENTARIO 117

    tituem o nico esquema bsico para a formao de qual-quer sistema de contrle oramentrio. Ao redor dles osistema pode assumir qualquer forma, de acrdo com asnecessidades especficas da emprsa e caratersticas ssuas operaes.

    claro que as grandes emprsas so sempre beneficiadaspelos sistemas completos. As operaes das pequenas em-prsas no justificam tais despesas, nem exigem sistemasrgida e pormenorizadamente elaborados. Contudo, tantono caso das grandes quanto no das pequenas emprsas oestudo das situaes e o conseqente planejamento dasatividades, de conformidade com as perspecti