FOTOCLUBISMO FOTOGRAFIA E ARTE NO B (1940-1960) Ferreira dos... · padrões de composição, menos

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    VII Simpsio Nacional de Histria Cultural

    HISTRIA CULTURAL: ESCRITAS, CIRCULAO,

    LEITURAS E RECEPES

    Universidade de So Paulo USP

    So Paulo SP

    10 e 14 de Novembro de 2014

    FOTOCLUBISMO, FOTOGRAFIA E ARTE NO BRASIL (1940-1960)

    Monique Ferreira dos Santos*

    Nosso trabalho tem como objetivo principal desvendar, conhecer e refletir sobre

    os intercmbios sociais, estticos, de ideias e de obras fotogrficas no fotoclubismo

    nacional das dcadas de 1940-1960. Para isso utilizamos as revistas e boletins de duas

    importantes instituies: o Foto Cine Clube Bandeirantes (FCCB) e a Sociedade

    Fluminense de Fotografia (SFF).

    No perodo que estudamos o fotoclubismo nacional j est consolidado, no pas

    contamos com fotoclubes espalhados por todo territrio, centenas deles funcionam e

    promovem sua arte fotogrfica na Europa e no mundo, mesmo que nessas dcadas j

    observemos um aumento das criticas ao modelo e arte amadora. O mesmo foi se

    adaptando, recebendo os avanos fotogrficos das vanguardas modernas e a disseminao

    do fotojornalismo e miscigenando-as ao seu movimento. Tanto que no Brasil foi dentro

    do ambiente fotoclubistas que importantes desenvolvimentos das tendncias da fotografia

    moderna comearam, ganharam fora e aumento em suas fileiras de promotores. O FCCB

    considerado e foi um dos grandes promotores das tendncias modernas no pas, sendo

    um dos principais Fotoclubes e porta-vozes do movimento nacional no Brasil e no

    Mundo.

    * Mestranda PPGH/UFF. Orientadora: Ana Maria Mauad E-mail: monique.fersant@yahoo.com.br

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    Nas duas revistas estudadas Boletim do FCCB e a FotoRevista da SFF

    encontramos e refletimos sobre como funcionava a circulao de ideias, tendncias e

    homens nesse meio. As revistas so uma destacada fonte para os estudos sobre

    fotoclubismo j que essas instituies no deixaram muitas outras falas que chegaram at

    os dias de hoje. Suas circulaes eram nacionais, comearam no final da dcada de 1940

    e no caso do Boletim continuaram at a dcada de 1970. Ambas tiveram grande

    importncia e tiragem, mas a do FCCB foi mais destacada no perodo e pela historiografia

    posterior como mais abrangente e forte em disseminao, tiragem e intercmbios

    internacionais.

    Para este trabalhos nos deteremos em uma parte do projeto maior de Dissertao,

    de mesmo ttulo. Aqui nossa inteno destacar como operavam nas revistas,

    representantes desse campo, os intercmbios de ideias, teorias, desenvolvimentos,

    tendncias e manifestaes ligadas criao fotogrfica. Para isso utilizaremos textos

    transcritos das revistas, dados retirados delas, fotografias que ilustraram suas pginas a

    fim de esclarecer essa questo.

    Para isso importante iniciar o trabalho destacando alguns dos conceitos

    fundamentais para entender e investigar sobre as ideias, textos e meio desses amadores

    em meados do sculo XX. O primeiro o de cultura amadora que utilizamos prximo

    a conceituao dada por Adriana Pereira em sua tese, muito prxima da ideia que

    utilizamos para analisar o meio em que ocorriam os intercmbios analisados no trabalho.

    Plataforma relativamente autnoma (para fins de identificao e

    anlise) de atributos, envolvendo os integrantes e suas qualificaes

    sociais e culturais, suas prticas, seus objetivos, competncias

    (econmica, material, tcnica e outras), seus produtos, usos e funes,

    referenciais (critrios, normas, valores e seus veculos), suas formas de

    associao e interao.1

    Outros conceitos importantes so os das principais tendncias estticas a figurar

    nessas dcadas das revistas so eles: o pictrico clssico/pictorialismo, que retiramos do

    livro de Maria Teresa Bandeira de Mello, Arte e fotografia:

    Pictorialismo: um movimento internacional, coerente, autnomo e sem

    precedentes na histria da fotografia. Com a inteno de promover o

    reconhecimento da fotografia enquanto obra de arte, assumem o seu

    1 PEREIRA, Adriana Maria Pinheiro Martins. A cultura amadora na virada do sculo XIX: a fotografia

    de Alberto de Sampaio. 2010. 259 fls. Tese. PPGHS-USP, So Paulo.

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    carter de tcnica, mas adotando uma atitude interpretativa e torica na

    produo da expresso artstica.

    [...] ele [o fotografo pictorialista] descobre que ultrapassa a tcnica, no

    sentido estrito, e faz da fotografia o resultado da interveno contnua

    do sujeito.2

    Os outros dois foram retirados do livro de Helouise Costa e Renato Rodrigues,

    Fotografia Moderna no Brasil (2004): documental/fotojornalismo

    Os fotoclubistas, influenciados por uma linguagem que ganhava fora

    na imprensa, assimilaram [do fotojornalismo] seus traos mais

    genricos sem transformar, contudo, o estatuto artstico da sua prtica

    fotogrfica.

    [...]

    Retomada do figurativismo, oportunidade da cena registrada e novos

    padres de composio, menos afeitos rigidez geomtrica, ou seja,

    [...] lana mo de uma viso direta, sem verniz, na qual a fotografia

    definida no prprio ato fotogrfico.3

    E de moderno na fotografia

    Tratava-se, simultaneamente, de pr abaixo o esteticismo pictorialista

    e dotar a fotografia de um projeto inteligente, atuante e contempornea

    s aspiraes revolucionrias da arte moderna.

    [...]

    O modernismo na fotografia, em termos gerais, traduziu-se pela

    pesquisa de autonomia formal e, consequentemente, pela negao da

    importncia decisiva do referente.4

    J que elas so uma das principais questes encontradas nas revistas e objeto de

    uma analise mais detida no fim deste trabalho.

    A CRIAO FOTOGRFICA E SUAS QUESTES

    Dentro das revistas estudadas nos deparamos com diversas questes recorrentes

    e desencadeadoras de outras questes e reflexes sobre a criao fotogrfica para esses

    2 MELLO, Maria Tereza Bandeira de. Arte e fotografia: o movimento pictorialista no Brasil. Rio de

    Janeiro: Funarte, 1998. P. 32 e 38.

    3 COSTA, Helouise; RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. So Paulo: Cosac Naify,

    2004. p. 65-66

    4 COSTA, Helouise; RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. So Paulo: Cosac Naify,

    2004. p 28-30

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    homens. Algumas delas so importantes para compreendermos as concepes e

    desenvolvimentos das ideias relacionadas s tendncias estticas, grande preocupao

    desses homens e objetivo final deste trabalho.

    Algumas noes povoaram as pginas dessas revistas nessas trs dcadas, como

    assunto principal de textos e sries e tambm como questo secundria de outros. Uma

    primeira questo importante a relacionada as ideias sobre Composio para esse

    amadores.

    Dentro das revistas essa uma das primeiras questes que encontramos. Ela

    figura dezena de vezes e com definies prxima, na maioria das vezes, mas nfases

    diferenciadas. Uma das principais noes que encontramos nesses desde o inicio do

    fotoclubismo a necessidade dos amadores conhecerem profundamente a prtica e

    tcnica fotogrfica, mas principalmente entender as regras das suas artes prximas

    gravura e desenho compreende-las dentro da fotografia no apenas no ato fotogrfico

    mais antes dele no momento que olhar para uma cena. Um conselho recorrente era o de

    estudar a obra dos grandes mestres clssicos da fotografia e das artes em geral como

    estudo das regras da composio que para muitos dos envolvidos era o que garantia o

    carter de obra e no de apenas documento a uma fotografia. Em 1950 encontramos uma

    srie de textos de Aldo Lima que esclarece uma das concepes mais unanimes no campo

    sobre o que significa composio para eles, o que uma boa composio e alguns de seus

    elementos.

    Como a palavra o dis (Candido de Figueiredo define o ato de

    COMPOR como: "Formar de varias cousas. Arranjar. Ajustar.

    Harmonizar". Define ainda COMPOSIO como "proporo entre as

    partes que constituem um todo".) Composio , simplesmente, a

    "maneira pela qual o artista rene elementos de forma a constituir um

    todo integral, fazendo um novo objeto de muitos, no necessriamente

    relacionados, de acordo com o espao de trabalho". (Nathaniel Dirk).

    Estudando, em mincias, sta definio podemos obter uma vaga noo

    das primeiras aproximaes do problema.

    [...]

    Concluiremos assim que o conceito de Composio nada mais que a

    ba impresso causada, a primeira vista, pelo simples jogo de linhas,

    massas, tons e acentos de um quadro, antes que seu contedo nos afete.

    [...] a ba composio apresenta, em ltima anlise: uma fora de

    atrao que gera o movimento da vista; uma regio de dominncia a que

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    todo o conjunto subordinado e, finalmente, todos os seus elementos

    acham-se em equilbrio.5

    Como podemos observar nos textos a composio est relacionada s noes de

    equilbrio e harmonia na fotografia artstica amadora. Destacado como premissa

    fundamentais para a arte fotogrfica ligado a herana das belas artes que entram em

    choque com a ascenso das vanguardas fotogrficas do incio do s