Hamlet - Shakespeare

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Classico de William Shakespere

Text of Hamlet - Shakespeare

  • ECLESIASTES

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    Nlson Jahr Garcia.

    A TRAGDIA DE HAMLET,PRNCIPE DA DINAMARCA

    William Shakespeare

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  • A TRAGDIA DE HAMLET,PRNCIPE DA DINAMARCA

    William Shakespeare

    Apresentao

    SHAKESPEARE: A ARTE DA PERSUASO.

    H mais coisas no cu e na terra, Horcio, doque sonha a tua filosofia ( There are morethings in heaven and earth, Horatio, that aredreamt of than in your philosophy)

    Muito j se discutiu e se escreveu sobre persuaso.J.A.C. Brown, psiclogo, escreveu Tcnicas dePersuaso. William Sargant, psiquiatra, produziu aobra Battle for the Mind. sobre converso religiosa elavagem cerebral. Serguei Tchakhotine escreveu Leviol des foules par la propagande politique.Os estudiosos da Escola de Frankfurt produziramvrias obras que envolviam o assunto, principalmenteMax Horkheimer, Theodor Adorno e Jrgen

  • Habermas. Infelizmente nenhuma dessas obrastrouxe uma explicao satisfatria sobre o processoda comunicao persuasiva. que s vezes as respostas no se encontram emcientistas, pesquisadores e doutores, mas comliteratos, poetas, dramaturgos; aqueles queobservam, sentem e escrevem. Interessante,percebem as coisas da vida sem utilizar metodologiascientficas e que tais. Aprende-se Psicologia comMachado de Assis, melhor que em Freud; Sociologia,com Gilberto Freire, se conhece melhor do que emDurkheim.William Shakespeare produziu uma teoria sobre apersuaso que cientista nenhum desvendou, basta lercom ateno devida.Iago, com argumentos e artimanhas, convenceuOtelo de que sua esposa, Desdmona, era infiel. LadyMacbeth persuadiu Lorde Macbeth a matar o rei paratomar-lhe o trono. Prspero, dominou espritos paraque o ajudassem em sua vingana. Cssio convenceuBruto a matar Jlio Csar. O fantasma do rei daDinamarca convenceu Hamlet, o filho, a vingar suamorte. Romeu seduziu Julieta e foi seduzido por ela,a ponto de se suicidarem ambos. Petrucchio domou amegera Catarina, transformando-a em mulher dcil esubmissa. Em todas essas obras, e em outras queno mencionei, h uma idia recorrente: acomunicao persuasiva, para ser eficiente,pressupe um fator: as fraquezas humanas. Aspessoas so mais facilmente persuadidas quando seapela para o egosmo, ambies, invejas, cimes,paixes, dores, arrependimentos.Esse foi um dos legados que William Shakespeare

  • nos deixou, h quatrocentos anos. Entender o serhumano em suas fraquezas, suas foras, suasfelicidades, seus gozos e angstias. Mas no se trataapenas de entender o outro, a ns mesmos tambm.Somos todos guerreiros, s vezes, polticos, nosentido grego, constantemente. Tambm somosincapazes. Romeu no conseguiu ser bem sucedidocom Julieta, no lhe deram tempo nem oportunidade.Macbeth no pode obter as vantagens do trono,sanguinariamente conquistado.Quanto ao ser humano, Shakespeare nos ensina algoimportante, seno fundamental: o homem no bomou mau, apenas homem. Um famoso humoristacontestava a histria do Chapeuzinho Vermelho.Perguntava: por que lobo mau, acaso existe lobocongregado mariano ou coroinha de igreja? Lobo lobo, nem mau nem bom, s lobo. Pois , o homem homem, nem bom nem mau, apenas homem.Shakespeare percebeu, o que os chineses j sabiamh sculos e Marx viria a descobrir mais tarde: ohomem uma unidade de contradies, maldade ebondade as carrega no peito, ao mesmo tempo e emtodas as horas.Frei Loureno (Romeu e Julieta) em um brevemonlogo disse o seguinte: A terra a me e atumba da natura; ministra a morte e, assim, aprestaa cura. Filhos de vria espcie, no seu seio a mamarencontramos, sem receio; uns por por vriasvirtudes, excelentes; cada um com a sua, todosdiferentes. Oh! admirvel a potente graa que hnas ervas, na flora, na pedra crassa, pois at mesmoo que h de vil na terra algo de bom, influncia dela,encerra; nem nada bom existe, que, torcido do uso

  • normal, no se revele infiel prpria natureza enascimento. At mesmo a alta virtude, nummomento mal aplicada, em vcio se transforma, eeste, por vezes, ao dever d a norma. Na corolainfantil desta florzinha veneno mora que d morteasinha, Cheirado, ao corpo todo d alegria; mas prao corao no mesmo dia, quando dado a beber. Doisreis potentes nas plantas e nos homens oponentesacampamento tm: a atroz cobia e a graabenfazeja. Se insubmissa se mostra a pior, entovem logo o verme da morte e ri essa plantinhainerme.O arrependimento de constante frequncia na obrado dramaturgo, os personagens perpetram as piorescrueldades imaginveis, mas acabam sofrendo doresde conscincia. Macbeth mandou matar o rei paraobter a coroa, mas passou a sofrer amargurasinternas. Hamlet estava decidido a vingar o paiassassinado, mas era angustiado pela dvida: ser ouno ser, eis a questo.Os chefes das famlias rivais, Capuleto e Montecchio,aps a morte dos filhos, concluem: CAPULETO: D-me tua mo irmo Montecchio; o dote de minhafilha. Mais pedir no posso. MONTECCHIO: Mas euposso dar mais, pois hei de a esttua dela fazer domais puro ouro. Enquanto for Verona conhecida,nenhuma imagem ter tanto preo como a da fiel emui veraz Julieta. CAPULETO: Romeu fama tambmdar cidade; vtimas so de nossa inimizade.Prspero (A Tempestade) depois de dominar espritospara que o auxiliassem em sua vingana, terminaconcluindo: Restou-me o temor escuro; por isso, oauxlio procuro, de vossa prece que assalta at

  • mesmo a Graa mais alta, apagando facilmente asfaltas de toda gente. Como quereis ser perdoados detodos vossos pecados, permiti que sem violncia mesolte vossa indulgncia.Voltemos teoria da persuaso. A credibilidade dequem assegura a veracidade da afirmao importante.. Como duvidar da palavra de umafeiticeira. Macbeth ouviu, no de uma, mas de trsfeiticeiras: Primeira bruxa: Viva, viva Macbeth! Nste saudamos, thane de Glamis. Segunda bruxa: Viva,viva Macbeth! Ns te saudamos, thane de Cawdor.Terceira bruxa: Viva Macbeth, que h de ser rei maistarde! . Realmente Macbeth se tornou thane deGlamis, depois de Cawdor e afinal rei. Tornou-sethane por merecimento, mas foi induzido pelaambio, que Lady Macbeth soube explorar, a pontode convenc-lo a matar o rei para tomar-lhe o trono.A fora de um bom argumento, preferencialmentemesclado com sentimento, decisivo para apersuaso. Julieta, na cena em que est na sacada(antigamente se dizia balco), pronunciou uma dasfrases mais clebres da literatura universal: Meuinimigo apenas o teu nome. Continuaria sendo oque s, se acaso Montecchio tu no fosses. Que Montecchio? No ser mo, nem p, nem brao ourosto, nem parte alguma que pertena ao corpo. Soutro nome. Que h num simples nome? O quechamamos rosa, sob uma outra designao teriaigual perfume. Assim Romeu, se no tivesse o nomede Romeu, conservara a to preciosa perfeio quedele sem esse ttulo. Romeu risca teu nome e, emtroca dele, que no parte alguma de ti mesmo, ficacomigo inteiro.

  • A argumentao, acompanhada de um fato adredepreparado, por menor que seja, tem um incrvelpoder persuasivo, principalmente quando se explorauma fraqueza como o cime. Iago furtou aDesdmona, um leno que lhe havia dado Otelo e odeixou s mos de Cssio. Da o seguinte dilogo:IAGO - Sede cauto; ainda no vimos nada; bempossvel que seja honesta. Ora dizei-me apenas oseguinte: no vistes porventura nas mos de vossaesposa, algumas vezes, um leno com bordados demorangos? OTELO - Dei-lhe um assim; foi meuprimeiro mimo. IAGO - Ignorava esse fato; pormtenho certeza plena de ter hoje visto Cssio passarna barba um leno desses, que foi de vossa esposa.OTELO - Se era o mesmo... IAGO - O mesmo, ououtro qualquer dos lenos dela, prova muito forte,ao lado de outras.Incrvel, o patriotismo, o amor cidade onde se vivepodem gerar susceptibilidade persuaso, Vejam emJlio Csar; Bruto orientado pelo patriotismo, e umpouco de ambio, aceita a influncia de Cssio; ediz: Preciso que ele morra. Eu, por meu lado,razo pessoal no tenho para odi-lo, afora a do bempblico. Matou Jlio Csar. Fator importante deconvencimento a cobrana por um favor prestado.Prspero (A Tempestade) libertou Ariel do domnio dabruxa Sicorax e, em troca, exigiu apoio para seudesejo de vingana. O dilogo assim: PRSPERO:Qu! Zangado? Que podes desejar? ARIEL: Lembra-te que te prestei servios importantes nunca menti,nem descuidei de nada, nem me mostrei queixoso ourabugento. Prometeste abater-me um ano inteiro.PRSPERO: Pareces esquecido do tormento de que te

  • libertei.O cansao e o desgaste fsico, geralmente, sofatores que aumentam a sugestionabildade emmuitas pessoas. Nas foras armadas a leitura daordem do dia realizada depois que os soldadosforam submetidos a pesados exerccios e longasmarchas. Nas academias de artes marciais, osprincpios morais e filosficos so discutidos ao finaldo treinamento, quando os alunos j se encontramexauridos. Petrucchio (A megera domada) forouCatarina, imediatamente aps o casamento, a viajarsob um inverno rigoroso, ocasio em que ela caiu docavalo sobre a lama. J em casa, ralhando com oempregado, alegou que a comida estava ruimjogando-a fora. Com isso deixou Catarina faminta porlogo tempo, levando-a quase ao desespero. No adeixava dormir noite, fazendo muito barulho egritando com os empregados. No a deixava fazernenhuma afirmao sem contest-la. Ao cabo dealgum tempo a megera hostil transformou-se emmulher gentil, delicada e obediente.Recurso persuasivo muito utilizado, o apelo indignao e