Hiroshima mon amour Hiroshima mon amour e a recepção e a ... ?· No dia 6 de agosto de 1945, uma nuvem…

  • Published on
    07-Dec-2018

  • View
    220

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

i

Alessandra Souza Melett Brum

Hiroshima mon amour Hiroshima mon amour Hiroshima mon amour Hiroshima mon amour e a recepo e a recepo e a recepo e a recepo da da da da crtica no Brasilcrtica no Brasilcrtica no Brasilcrtica no Brasil

CAMPINAS 2009

iii

Alessandra Souza Melett Brum

Hiroshima mon amour e a recepo Hiroshima mon amour e a recepo Hiroshima mon amour e a recepo Hiroshima mon amour e a recepo da da da da crtica no Brasilcrtica no Brasilcrtica no Brasilcrtica no Brasil

Tese apresentada ao Programa de Ps-graduao em Multimeios do Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, para obteno do ttulo de doutor em Multimeios. Orientador: Prof. Dr. Antonio Fernando da Conceio Passos

CAMPINAS 2009

iv

FICHA CATALOGRFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE ARTES DA UNICAMP

Ttulo em ingls: Hiroshima Mon Amour and the critical reception in Brazil. Palavras-chaves em ingls (Keywords): Alain Resnais; Marguerite Duras; Critical Brazilian cinema; Modern Cinema; Hiroshima Mon Amour. Banca Examinadora: Prof. Dr. Antonio Fernando da Conceio Passos. Prof. Dra. Luciana S Leito Corra de Arajo. Prof. Dr. Ferno Vitor Pessoa de Almeida Ramos. Prof. Dr. Francisco Elinaldo Teixeira. Prof. Dr. Maurcio Oliveira Santos. Prof. Dr. Marcius Cesar Soares Freire. Prof. Dr. Nuno Cesar Pereira de Abreu. Prof. Dr. Carlos Roberto de Souza. Data da defesa: 13-08-2009 Programa de Ps-graduao: Multimeios

Brum, Alessandra Souza Melett B834h Hiroshima Mon Amour e a recepo da crtica no Brasil. Alessandra Souza Melett Brum. Campinas, SP: [s.n.], 2009. Orientador: Prof. Dr. Antonio Fernando da Conceio Passos. Tese (doutorado) Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes.

1. Resnais, Alain 2. Duras, Marguerite 3. Crtica cinematogrfica brasileira 4. Cinema moderno 5. Hiroshima Mon Amour. I. Passos, Fernando. II. Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Artes. III. Ttulo.

(em/ia)

v

vii

Agradecimentos

Ao Fernando Passos, orientador e amigo, pela rica convivncia ao longo de todos

esses anos, que sempre de forma afirmativa me conduziu ao entendimento do

quanto importante e instigante a singularidade da obra artstica.

Agradeo Capes e FAPESP que possibilitaram a dedicao exclusiva tese e

FAPESP pelo apoio nos ltimos anos dessa pesquisa, bem como por tornar

possveis as visitas em arquivos histricos e cinematecas no Brasil e na Frana.

Aos Profs. Elinaldo Teixeira e Milton Almeida pelos comentrios pertinentes

durante a qualificao desse trabalho. Aos profs. do Depto. de Cinema, em

especial, Ferno Ramos. Aos funcionrios do Instituto de Artes, sobretudo do

Programa de Ps-graduao em Multimeios e do Depto. de Cinema, Joyce, Vivi,

Jayme, Josu, Solange, pela pacincia e ateno.

Luciana Arajo e Carlos Roberto de Souza pelas leituras sempre atentas e

sugestes imprescindveis, alm de terem despertado em mim a historiadora

adormecida.

Aos amigos que fiz na Cinemateca Brasileira e aos funcionrios do setor da

documentao que facilitaram em muito o trabalho de pesquisa. Anna Naldi da

Biblioteca Nacional. Ao Centro de Cincias Letras e Artes, detentora de um acervo

precioso espera de apoio na preservao.

Mrcia Valadares, Atades Braga, Jos Incio de Melo e Souza, Glnio Pvoas

e as inmeras contribuies que recebi na tentativa de recuperar textos e localizar

pessoas pelo Brasil. Nessa busca encontrei Jos Haroldo Pereira, a quem

agradeo por me conceder uma entrevista e ceder um rico material

cuidadosamente guardado desde de 1960.

Ao Prof. Michel Marie que me recebeu na Frana com carinho e presteza. A

equipe do espao recherche da BIFI e a Suzane Rodes do Centre National de

Cinmatographie.

Aos amigos Adilson Nascimento, Al Poeta, Alfredo Suppia, Beso, Carolina Natal,

Clia Harumi, Fabrcio Felice, Fernanda Lazzarini, Gui Galembeck, J Martinez,

viii

Karla Holanda, Luciana Barone, Lucy Seki, Milton Jesus, Monique Deheinzelin,

Rafael Carvalho, Remier Lion, Rodrigo Braga, Val Barros pelas ricas conversas,

indicaes e apoio na longa trajetria.

Cleusa Marche, prof. de francs, que carinhosamente me auxiliou. Janana

Damasceno pelo desprendimento ao disponibilizar filmes e materiais sobre Alain

Resnais fruto de sua pesquisa.

Aos meus pais, Antnio e Maria, e aos pais do Srgio, Jesus Rubens e Ida Maria,

e a toda a famlia que sempre me apoiou incondicionalmente.

Ao Srgio, meu leitor mais exigente, hoje e sempre, ao meu lado, por todo o

tempo.

ix

Resumo

O primeiro longa-metragem de Alain Resnais Hiroshima Mon Amour foi

lanado em circuito comercial no Brasil em 1960, ano seguinte a sua estreia na

Frana. O filme causou grande impacto entre a crtica especializada motivando

inmeros artigos em jornais e revistas. em torno do amplo e rico material

produzido pela crtica brasileira, motivada pelas inovaes estticas introduzidas

pelo cineasta francs que essa pesquisa se desenvolve. A recepo crtica a

Hiroshima Mon Amour ir refletir as transformaes pela qual o cinema passava

na poca, adquirindo importncia nos debates em torno do fazer e do pensar

cinematogrfico.

Palavras-chave: Alain Resnais; Marguerite Duras; Crtica cinematogrfica

brasileira; Cinema moderno; Hiroshima mon amour.

xi

Abstract

The first Alain Resnais feature film, Hiroshima Mon Amour was issued in

commercial circuit in Brazil in 1960, the year following their debut in France. The

film has caused great impact on the specialized criticism motivating many articles

in newspapers and magazines. This research embrace the abundant material

produced by the Brazilian critic, which was motivated by aesthetic innovations

introduced by French filmmaker. The criticizing reception to Hiroshima Mon Amour

will reflect the changes that went through the cinema at the time, gaining

importance in debates around the making and cinematographic thought.

Key-words: Alain Resnais; Marguerite Duras; Critical Brazilian cinema; Modern

cinema; Hiroshima Mon Amour.

xiii

Sumrio Introduo___________________________________________________ 01

O nouveau: roman, cinma_______________________________________ 05

Hiroshima mon amour__________________________________________ 15

Sinopse_______________________________________________ 21

O filme________________________________________________ 21

Trajetria______________________________________________ 27

Hiroshima mon amour no Brasil____________________________________ 35

Hiroshima mon amour e o meio cinematogrfico________________________ 43

Os crticos brasileiros diante de Hiroshima mon amour___________________ 55

Maurcio Gomes Leite______________________________________ 60

Paulo Emlio Salles Gomes___________________________________ 62

Jos Lino Grnewald_______________________________________ 79

Jos Sanz_______________________________________________ 90

Cludio Mello e Souza______________________________________ 100

Ely Azeredo______________________________________________ 105

Pedro Lima______________________________________________ 110

David Neves_____________________________________________ 112

Alex Viany_____________________________________________ 115

Antonio Moniz Vianna_____________________________________ 119

Frei Toms Cardonnel_____________________________________ 124

Glauber Rocha__________________________________________ 126

Jos Haroldo Pereira______________________________________ 130

Paulo Leite Soares_______________________________________ 149

Vincius de Moraes_______________________________________ 154

Paulo Hecker Filho_______________________________________ 155

Walter da Silveira________________________________________ 159

xiv

Revista de Cultura Cinematogrfica___________________________ 167

Nascimento de um clssico______________________________________ 177

A recepo da crtica brasileira___________________________________ 189

Licena Potica_______________________________________________ 207

Consideraes finais___________________________________________ 213

Filmografia__________________________________________________ 221

Referncias bibliogrficas________________________________________ 229

1

Introduo Introduo Introduo Introduo

Dentre os inmeros acontecimentos que marcaram o cenrio

cinematogrfico mundial no fim da dcada de 1950, a exibio de Hiroshima Mon

Amour (1959, 90min) do cineasta francs Alain Resnais se destacou em

importncia. Com roteiro e dilogos escritos por Marguerite Duras, Resnais

promove o encontro entre o cinema e a literatura. A maneira inovadora com a qual

Resnais fomenta esse encontro e emprega os elementos da linguagem

cinematogrfica para contar uma histria aparentemente banal, chamou ateno

da crtica especializada em diversas partes do mundo, motivando inmeros artigos

tanto favorveis quanto contrrios forma empregada pelo cineasta.

No Brasil no foi diferente, a crtica especializada produziu um rico e

amplo material sobre o filme. O grande nmero de artigos publicados em jornais e

revistas, antes, durante e depois de sua estreia em circuito comercial confirma o

interesse nessa obra singular do cinema moderno. Dada a importncia dessas

2

anlises, tomamos como linha condutora para esse trabalho a recepo da crtica

cinematogrfica brasileira a Hiroshima Mon Amour.

De sua exibio at os dias atuais, Hiroshima Mon Amour tornou-se

objeto de estudo multidisciplinar, abarcando as mais diversas reas do

conhecimento. A literatura sobre o assunto possui uma ampla variedade de ttulos

e abordagens, o que imediatamente nos impe a necessidade de um recorte bem

definido. Dessa forma, essa pesquisa prioriza os artigos publicados em jornais e

em revistas especializadas da poca do lanamento de Hiroshima mon amour em

circuito comercial no Brasil.

O primeiro longa-metragem de Alain Resnais foi lanado no Brasil em

1960, perodo em que havia uma intensa atividade em torno da crtica de cinema

exercida em quase todos os jornais e revistas, onde era possvel encontrar uma

coluna exclusivamente dedicada ao assunto. Uma poca em que o exerccio da

crtica era to importante quanto o filme.

No temos com essa pesquisa o objetivo de cobrir toda a produo do

perodo, mesmo porque reunir esse material no tarefa das mais simples, num

pas de territrio extenso e com um enorme atraso no que diz respeito

preservao de documentos. O trabalho com fontes primrias no Brasil

permanece sendo um grande desafio, dadas as condies de acesso e sobretudo

porque parte do material no se encontra indexado. Por isso, procuramos dispor

aqui parte de uma produo que expresse a compreenso que o filme de Resnais

alcanou no Brasil e ao mesmo tempo seja representativa da produo da crtica

cinematogrfica brasileira.

A primeira parte deste trabalho traz informaes relativas ao perodo de

produo e de recepo do filme na Frana. Como o filme foi lanado no Brasil um

ano depois que na Frana, a crtica brasileira pde ter acesso produo crtica

daquele pas, que em muito subsidiou suas anlises.

Com intuito de facilitar o trabalho de escrita e com o objetivo de deixar

fluir o texto, Hiroshima Mon Amour foi abreviado para HMA, mantendo-se por

extenso apenas nos ttulos e citaes dos textos crticos, que receberam, quando

3

necessrio, atualizao e correo ortogrfica. Em relao s citaes, os trechos

de artigos e livros foram mantidos no corpo do trabalho conforme o original, e

nesse caso, as citaes em lngua estrangeira receberam sua respectiva traduo

para o portugus em nota.

Na dcada de 1960, o corpo crtico em atividade no Brasil era

constitudo por duas geraes, uma que j atuava h alguns anos na rea, com

idade em torno dos 40 anos e, uma nova gerao na casa dos 20 anos, formada

e incentivada por essa gerao anterior e que despontava com vigor e novos

ideais. Dada a diferena entre as geraes e sobretudo com o objetivo de

destacar o percurso de trabalho de cada um dos crticos na anlise de HMA -

muitos deles escreveram mais de um artigo sobre o filme -, decidimos que cada

autor receberia um tratamento individualizado em seu conjunto de anlises sobre

o filme.

No trabalho crtico de anlise documental, as evidncias so

conseguidas atravs da quantidade, da qualidade e tambm da comparao de

elementos sobre o tema. Os documentos no falam por si, necessrio que se

procure compreend-los, o que no significa determinar uma causa integral e

nica para eles. De qualquer forma, o importante a registrar que independente

dos caminhos seguidos, se deve sempre ter em perspectiva que no se pode

simplesmente afastar de si as caractersticas subjetivas de quem os analisa. Por

isso, esse trabalho resultado da maneira como me posicionei diante dos

documentos, na tentativa de compreender as anlises e o trabalho dos crticos

brasileiros acerca de HMA.

A nossa experincia completa e transforma a obra de arte. E foi tambm

com essa perspectiva que olhamos para as anlises dos crticos sobre HMA.

Existe um envolvimento intrnseco da pessoa que analisa uma expresso artstica,

o que gera uma anlise muitas vezes distanciada da obra, mas, que ao mesmo

tempo revela uma profundidade e uma verdade subjetiva. Acreditamos que o

trabalho do crtico ao analisar a obra artstica produzida por Alain Resnais, alm

de ser um exerccio intelectual na tentativa de compreender o filme, alm de

4

refletir o pensamento crtico do perodo, transforma essa obra artstica, pois como

indagou Marc Bloch, todo exerccio intelectual habilmente conduzido no ser,

sua maneira, uma obra de arte?1

1 BLOCH, Marc. Apologia da Histria ou o ofcio do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001, nota de p de pgina 6, p.44.

5

O nouveau: roman, cinmaO nouveau: roman, cinmaO nouveau: roman, cinmaO nouveau: roman, cinma

No dia 6 de agosto de 1945, uma nuvem em forma de cogumelo se

formou na cidade de Hiroshima no Japo. Em poucos minutos a cidade se reduziu

a p e a um grande necrotrio a cu aberto. Os Estados Unidos lanaram sobre

Hiroshima a primeira bomba atmica. Dois dias depois, uma outra bomba atinge a

cidade de Nagazaki. O Japo se rende incondicionalmente ao horror dos efeitos

da bomba atmica. Fim da Segunda Guerra Mundial.

O trmino da Segunda Guerra trouxe tona os horrores de que os

homens so capazes. B...

Recommended

View more >