Jornal de outubro 2013

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Versão digital da edição de outubro 2013 do JORNAL DO CASTELO

Text of Jornal de outubro 2013

  • OUTUBRO 2013 - ANO XIII- N 162

    Balo do Castelo arborizado aindadeixa saudade nos moradores da regio

    05 DE OUTUBRO - 2013 - ANO XIII - N 162

    NUTRIO Alimentao do diabtico

    Pg. 05

    As duras leis aqui no bairro Pg. 02

    CIDADANIA

    Oriovaldo Passadore, responsvel pelo projeto de 1972, com o quadro presenteado por Lauro Pricles Gonalves No detalhe, foto do balo com auditrio e chafarz Pg.03

    Clovis Cordeiro

    Outubro Rosa tem interveno na Torre do Castelo

    A cantora Sandy a madrinha da campanha Outubro Rosa Pg.03

    Parquia Cristo Rei comemora 40 anos de fundao

    Cnego Magalhes, que completar 50 anos de sacerdcio em dezembro, celebra missa especial com padre Ricardo Pg. 08

    Maria Emilia Bordeira

    Horrio de vero comea

    em 20 de outubro

    Horrio tem incio na Primavera Pg.04

    COLUNA SOCIALO registro dos eventos da cidade

    Pg. 07

    Clovis Cordeiro

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  • OUTUBRO 2013 - ANO XIII- N 162 PG. 2 Redao: jornaldocastelo@globo.com www.jornaldecampinas.com.br

    Departamento Comercial: Fone: (19) 3241-7727jornaldocastelo@globo.com

    Impresso: Lauda Editora, Consultorias e Comunicaes Ltda.Rua Baronesa do Japi, 53-Centro-Jundia-SP-CEP: 13.207-684Tiragem: 7.000

    As duras leis, aqui no bairro

    Luiz Carlos F. Magalhes, jornalista, psicopedagogo

    e proco da igreja Cristo Rei

    COMPORTAMENTOMisso pessoal

    Cada pessoa tem uma misso a realizar neste mundo. No temos muitos bilhes de gnios no meio de ns, para que cada um possa oferecer o muito ou o pouco que tem para a construo da sociedade e a evoluo do mundo. Cresce mos, evoluimos, partici-pando, interferindo na natureza. Temos que nos sentir felizes com o que podemos receber dos outros na busca do Ser. Mais fel-izes ainda pela oportunidade que se nos oferece para fazer o bem.

    Tudo o que fizermos de bom seremos recompensados aqui mesmo. O universo paga a cada pessoa sua prpria moeda. Se sorrirmos, teremos como recompensa o sorriso; se amarmos o mundo e procurarmos o bem que nele existe, seremos rodeados por bons amigos e a natureza encher-nos- as mos com os tesouros da terra. E o nosso interior vai se enriquecendo.

    Cada um de ns s passar uma vez por este mundo. Por isso mesmo, qualquer boa obra, qualquer ato de bondade ou servio que prestemos devem ser feitos agora, pois, no tornaremos a passar por aqui. A vida s tem sentido por aquilo que podemos fazer pelos outros. Estamos aqui para um determinado fim. Estamos aqui para ajudar e prestar servios. O egosta s perde. Jesus disse: E at aquilo que tem lhe ser tirado porque no partilha, no divide, no reparte.

    Conservemos a fora do esprito para nos servir de escudo contra qualquer revs inesperado. Muitos temores so fruto da fadiga e da solido. Nunca nos deixemos contaminar ou vencer

    pelo mundo perverso e mrbido que nos rodeia e continuamente veiculado pelos Meios de Comunicao Social e por muitos governantes.

    Quando agimos temos que buscar, com nossa ao e exemplo, melhorar essa onda de incompetentes, imaturos, maliciosos, violentos, gananciosos e esbanjadores do patrimnio e dos bens comunitrios, e dos direitos sagrados dos seus sditos. preciso manter sempre a paz da conscincia, mesmo na luta contra os desvarios sociais e no meio da confuso ruidosa da vida. Apesar de toda decadncia moral, tica e perversa que desfaz muitos sonhos, o mundo ainda continua a ter muito de belo, lindo, maravilhoso.

    Dura Lex, sed Lex e, como dizia meu velho professor, no cabelo, s gumex! a forma mais contundente de se expressar o rigor da lei, s vezes de modo frio, insensvel, at impiedoso. Sem agrados ou perdes.

    Exemplo? Avalie, leitor, o que acontece numa clnica de fisioterapia no Castelo: seu es-tacionamento tem somente trs vagas - quase sempre ocupadas -, aonde chegam, durante todo o dia, dezenas e dezenas de car-ros e vans, transportando pessoas com necessidades especiais, ou-tras usando aparelhos ortopdi-cos, cadeirantes etc. Ento, como estacionar fora do leito da ave-nida, movimentadssima, para o desembarque daquelas pessoas to carentes? Na calada, claro, e sempre com muita dificuldade. Mas a lei implacvel: se parar ali, logo vem o amarelinho, abre solenemente seu bloco de intransigncias... e multa mes-mo! Sim, ele est coberto com as razes da legalidade, mas por que tanto rigor com aquela gente sofredora? E para completar, o vizinho da esquerda resolveu

    por, na extremidade do seu es-pao, blocos de concreto, que para ningum ousar invadir a rea, o que dificulta ainda mais a vida dos que precisam manobrar o veculo, pegar um paciente. a Dura Lex!

    E a situao incrvel que acontece no Jardim Chapado: em frente minha casa ergue-se um belo exemplar de tronco gigantesco, cujos galhos, como grandes braos, avanam para a fiao eltrica e da tv a cabo, empanam a luz das luminrias dos postes, ameaam a segurana dos pedestres, at com seus fru-tos (abacates) caindo sobre ino-centes cabeas. J solicitamos, oficialmente, as devidas podas, e estamos aguardando providn-cias... agora, com o anncio de perspectivas mais animadoras. Mas, num dia destes, um cami-nho de servios de urbanizao na cidade parou por perto, e sua equipe de trabalho iniciou o corte de galhos de outras rvores da rua, nem to grandes assim. Ale-gramo-nos: enfim, tinha chegado a hora da nossa rvore. Mas, que decepo:

    Gustavo Mazzolamazzola@sigmanet.com.br

    Por: Vera Longuini

    Maria Helena, Maria Lucia, Maria Beraldo, Maria do Rosrio, Maria Clara. A vida concedeu a essas Marias pelo menos duas coisas em comum: o prenome e a boa vontade de, annima e volun-tariamente, ajudar pessoas das quais, na maioria, elas tambm nem sequer sabem os nomes. Ou-tras foram batizadas como Vanda, Tereza, Regina, Marisa, Vandir, Marcia e Anita. Mas a identidade o que menos importa neste vasto mundo de solidariedade annima, j que todas acabam sendo chama-das por dona Maria.

    Ignoradas pela mdia e descon-hecidas das pessoas beneficiadas pelos relevantes servios sociais que prestam comunidade, elas nunca so homenageadas. Nunca recebem flores. Alis, raramente ganham um muito obrigado pelos esforos e dedicao a outros tan-tos annimos que vivem na linha da pobreza e dependem da ajuda dessas voluntrias e das entidades nas quais elas atuam para receber o po que o diabo pode ter ajudado a amassar, mas que, certamente, foi feito com o trigo que o homem plantou e que Deus abenoou.

    Dentre tantas Marias volun-trias annimas que passaram pela minha vida, escolhi uma para tentar replicar o aprendizado que podemos ter com essas pes-soas annimas que saem por ai espalhan do o bem: a Maria Hel-ena, que eu conheci literal e figu-rativamente por dentro, j que foi ela quem me gerou e me criou em

    Voluntrias annimas contribuempara o resgate da cidadania

    todos os sentidos que essa palavra permite.

    Minha me foi uma dessas Marias desconhecidas que dedi-cou grande parte da sua vida em benefcio de quem tinha muito menos e, tambm, muito mais do que ela. Alm de assistir os pobres coitados que no ti nham o que comer ou vestir, ela ainda encon-trava tempo para oferecer carinho e o seu ombro amigo para quem a procurasse.

    Apoiou-se em vrias institui-es de caridade de Campinas para oferecer mo de obra gratuita para ajudar a sociedade e tentar minimizar a dor provocada pelo que consideramos de injustia. Foi pelas suas mos que tomei gosto pelo voluntarismo, por volta dos sete anos de idade, quando j era levada a ajudar na distribuio da sopa no MAE (Movimento Assis-tencial Esprita) Maria Rosa que funcionava no bairro Grameiro, hoje Alto do Taquaral.

    De uma forma inslita aprendi que tudo nesta vida tem serventia e que nada pode ser desprezado ou descartado. Afinal, gosto e neces-sidade no se discutem. Na dcada de 1970, alm do trabalho na enti-dade, ela levava para casa rolos de flanela para confeccionar pijamas e casaquinhos para as crianas das famlias que acabam de ser trans-feridas do antigo Grameiro para a regio dos Amarais, a fim de per-mitir a urbanizao do bairro onde est a Lagoa do Taquaral.

    Um dia, finalizando o tra-balho, decidiu emendar os dife-rentes reta lhos de flanela para

    recort-los e costur-los na forma de um pequeno palet. Mas a combinao do patwork no a agradou. Nem pobre merece usar uma roupa to ridcula, pensou, descartando a pea recm confec-cionada.

    Qual no foi a sua surpresa numa fria manh de um sbado, ao chegar aos Amarais com a caravana de voluntrios da Sopa do Grameiro para a distribuio semanal de po e leite: no meio da multido, uma me trazia no colo uma criana seminua, cuja nica vestimenta era o ridculo casaquinho feito com as sobras da flanela que ela, por en-gano, colocou na caixa de roupas prontas e no na sacola de retalhos destinados ao lixo.

    No era s no MAE Maria Ro-sa, na Casa Bom Pastor, na Casa de Jesus e em tantas outras enti-dades de Campinas e de Caconde, cidade onde nasceu, que ela desfi-lou de forma invisvel. Com suas amigas, Marias ou no, visitava favelas tanto dos Amarais como as dos bairros ao longo da ave-nida John Boyd Dunlop, levando mantimentos e um garrafa de caf quentinho para abrir as portas dos barracos e incentivar o dedo de prosa que ela precisava ter com os moradores para poder conhecer as necessidades mais urgentes: madeira para consertar o telhado, um velho fogo para substituir o improvisado apanhado de tijolos com carvo onde eram cozidos os mseros alimentos, alm de ro u-pas, calados e cobertores.

    Nem se importava em bloquear o sof e poltronas de sua sala de visitas com as doaes recebidas, etiquetando-as com os nomes das pessoas que seriam beneficiadas. E, quando precisava de dinheiro, sabia como ningum