Jornal lince outubro 2013

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JORNAL LINCE - Jornal laboratório do curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva

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  • jornaljornal

    LINCEJornal laboratrio do Curso de Jornalismo do Centro universitrio newton PaivaN 56 | Outubro de 2013

    UMA LIO DE VIDAUMA LIO DE VIDAENTRE RISOS E TRISTEZAS| PGINAS 12 14

    UMA LIO DE VIDAGUIN BISSAU

    PRAA 7

    AQUI, MACHUCADO E FORTE,

    BATE O CORAO DA CIDADE

    | PGINA 08 E 9

    MIGRANTES

    RODOVIRIA A PORTA

    DA ESPERANA DE QUEM CHEGA

    | PGINAS 10 E 11

    ENTREVISTA

    MARCELO BARRETO: NO ADIANTA

    SER UMA WIKIPDIA AMBULANTE

    | PGINAS 20 E 21

  • 2 Jornal laboratrio do Curso de Jornalismo do Centro universitrio newton paiva - Outubro de 2013

    Joo Paulo Freitas

    (4 perodo)

    Lutam por liberdade, mas escondem sua

    histria. Gritam por Justia, desde que ela

    no os prejudique. Este o novo mtodo esco-

    lhido por alguns de nossos bravos defensores

    da liberdade. Tudo isso devido ao projeto de

    lei que pretende alterar o artigo 20 do Cdigo

    Civil de 2012, incluindo um pargrafo que, no

    caso de pessoas pblicas, permite a publica-

    o de imagens e textos com finalidade bio-

    grfica sem a autorizao do biografado ou de

    seus familiares.

    Pessoas de quem, antes, eu sentia orgu-

    lho de chamar compatriotas, hoje nem

    mesmo sei quem so. Sim, me refiro princi-

    palmente aos grandes nomes da MPB: Cae-

    tano Veloso e Chico Buarque. Dois seres mai-

    sculos que defenderam o pas entregando-se

    de corpo e alma luta contra o regime imposto

    por governos totalitrios. Porm, simples-

    mente no querem permitir que suas biogra-

    fias sejam publicadas. Se no me engano, no

    foi aquele mesmo senhor que vivia debaixo

    dos caracis dos seus cabelos, quem disse um

    dia que era proibido proibir? E no foi ele

    quem gritou Eu digo no ao no?

    Com certeza eles no esto medindo a

    dimenso do mal que esto fazendo s suas

    prprias histrias. Sim, suas vidas. O pre-

    sente, principalmente. No esto enxergando

    que dessa forma vo de encontro a tudo o que

    um dia abominaram. Ou seja, a maldita cen-

    sura. Suas letras cheias de grandes metfo-

    ras, que batiam fortemente no rosto dos gene-

    rais, iro cair por terra por simplesmente

    omitirem algo que no os prejudicaria enri-

    queceria. Ou ser que nossos mocinhos se

    esconderam debaixo de uma mscara por

    anos e, depois de tudo, descobriremos que

    no so to bonzinhos assim? Prefiro no

    acreditar que seja isso.

    Para no ser injusto com os fatos, outros

    membros da MPB se apresentam a favor da lei.

    So alguns deles: Frejat, Ivan Lins, Leo Jaime e

    Fernanda Abreu. Fernanda Abreu? Que diabos

    teria de to relevante na histria de um Rio 40

    graus? S Deus sabe. Est me cheirando

    modinha nova no ar. Duelo de egos.

    No permitir publicar biografias muti-

    lar a histria de um pas. At porque, para

    serem expostas, ser preciso contar com pes-

    soas extremamente importantes e relevantes

    na mudana de algo. Seja no esporte, cultura,

    poltica, ou at mesmo em qualquer outra

    instncia da vida do pas. Se no gostou do

    que foi escrito sobre voc, ento xingue, grite,

    processe, mas no impea. Prove que men-

    tira. Mas, se for verdade, arque com as conse-

    quncias, pois suas vidas foram feitas de cara

    limpa. s vezes, pintadas.

    Quando digo Passado s Avessas, seria

    aquilo que o povo brasileiro conheceu doloro-

    samente como censura, sendo hoje feita pelos

    lderes que lutaram contra ela. Bela ironia,

    no acham?! Me diga, Chico, vai querer beber

    desta bebida amarga que tanto pediu a Deus

    para afastar o clice de ti? Me diga ento, Cae-

    tano, por que no? Por que no?

    Cor res pon dn Cia

    NP4 - Rua Ca tumbi, 546

    Bairro Cai ara - Belo Horizonte - MG

    CEP 31230-600

    Contato: (31) 3516.2734

    sugestoeslince@hotmail.com

    Este um jOr nal-la bO ra t riO da

    dis ci plina la bo ra t rio de jorna lismo ii.

    O jor nal no se res pon sa bi liza pela

    emis so de con cei tos emi ti dos em ar ti-

    gos as si na dos e per mite a re pro du o

    to tal ou par cial das ma t rias, desde

    que ci ta das a fonte e o au tor.

    SugEStES dE pautaS?participE dO jOrnal lincE.

    uma publicao feita pelos alunos do curso de jornalismo do centro universitrio newton.

    E-Mail: sugestoeslince@hotmail.com

    presidente do Grupo spliCeAntnio Roberto Beldi

    reitorJoo Paulo Beldi

    ViCe-reitoraJuliana Salvador Ferreira de Mello

    Coordenadora dos Cursos de CoMuniCaoJuliana Lopes Dias

    Coordenador da Central de produo JornalistiCa - CpJPro fes sor Eus t quio Trin dade Netto (DRT/MG 02146)

    Conselho editorialProfessor Menoti Andreotti

    pro Jeto Gr fiCo e direo de arteHel Costa (Registro Profissional 127/MG)

    MonitoresJoo Paulo Freitas, Joo Vitor Cirilo e Caque Rocha

    reportaGensAlu nos do Curso de Jornalismo do Centro Universitrio New ton

    diaGraMao Laura SenraMrcio JnioEstagirios do Curso de Jornalismo

    ExpedienteOpiniOjornal

    LINCEJornal laboratrio

    do Curso de Jornalismo

    do Centro universitrio

    newtonS AVESSAS

    ar

    qu

    ivo p

    es

    so

    al

    PASSAdo

  • Jornal laboratrio do Curso de Jornalismo do Centro universitrio newton paiva - Outubro de 2013 3

    raPhael GouVa

    2 perodo

    Mineiro de fala mansa e gestos mais

    calmos ainda, foi em 2007 que, aos 18

    anos, Marco Antnio Pereira deixou Cor-

    disburgo e veio para Belo Horizonte, onde

    trabalha hoje como diretor de videoclipes

    e publicidade. Chegando a Belo Hori-

    zonte, foi logo a um dos cinemas mais tra-

    dicionais da cidade e assistiu um projeto

    que se exibia aos sbados, e que se cha-

    mava Imagem Pensamento.

    Lembro como se fosse hoje: a sala

    escura, as pessoas, o clima frio por causa do

    ar condicionado e o vdeo... Aquilo tudo

    confundia muito minha cabea. Mas, dos

    pensamentos confusos que eu tinha, eu s

    conseguia destacar um: Eu preciso fazer

    um filme! Eu nasci p ra fazer isso!.

    nis tuDo

    Marco Antnio no perdeu tempo.

    Logo aps o seu primeiro fim de semana

    em Belo Horizonte, j iniciava as aulas no

    curso de Jornalismo na Newton. Afinal,

    era a profisso que ele sonhava seguir

    desde criana, ainda cursando o ensino

    mdio. No decorrer do curso, Marco Ant-

    nio teve uma viso ainda mais complexa

    do Jornalismo, que lhe serviria muito mais

    do que ele imaginava a princpio.

    Em busca de realizar o sonho de ir

    para o cinema, correu cada vez mais atrs

    de seus objetivos. Encontrou em Lo San-

    tos um mestre que o ensinou muito sobre

    o assunto e o ajudou com o emprstimo de

    equipamentos que ele precisaria para

    desenvolver seu projeto. Com essa ajuda,

    Marco procurou um curso especfico den-

    tro da rea e se formou na Escola Livre de

    Cinema, no final de 2008. Depois de for-

    mado, dirigiu seu primeiro filme, que na

    verdade era uma espcie de document-

    rio, chamado A arte de nis tudo. Esse

    documentrio chegou a ser exibido em

    Braslia e na Alemanha.

    ns e o horiZonte

    Mesmo durante o curso de Jorna-

    lismo, que levou de maneira muito pecu-

    liar, Marco Antnio sempre teve a cabea

    voltada para o cinema. No era, certa-

    mente, um aluno exemplar, mas era dife-

    renciado, como bem definia uma de suas

    professoras, Juniele Rablo. Jos Maria

    Souza Neto, o Z Neto, outro aluno de

    jornalismo que tambm incursionava pelo

    cinema, era um apoio constante.

    Aps concluir o curso de Jornalismo,

    Marco Antnio dirigiu um longa-metragem

    chamado Sobre Ns e o Horizonte, um

    filme em que fala sobre a importncia das

    pequenas coisas. Sem financiamento, con-

    tando apenas com a ajuda dos amigos e com

    muita criatividade para reverter a falta de

    grana, ele conseguiu transformar Sobre

    Ns e o Horizonte em uma experincia

    nica. Por isso, a exibio do filme se trans-

    formou em um momento mgico.

    Um fato marcante nessa minha

    relao com cinema foi exibir o Sobre

    Ns e o Horizonte na sala Humberto

    Mauro, no Palcio das Artes. Foi uma ses-

    so muito marcante. A sala estava lotada,

    as pessoas se emocionando...

    Eu fiquei refletindo que foi um mila-

    gre ter conseguido terminar o filme e lanar

    o longa, no mesmo cinema em, que h cinco

    anos, eu estava deslumbrado em ver a

    telona pela primeira vez, conta Marco

    Antnio, sempre destacando que essa foi, de

    fato, uma experincia fascinante.

    Acho que ningum ali na sala

    conseguiria entender o que se passava

    no meu interior.

    Atualmente, aos 26 anos, Marco est

    terminando as gravaes de uma websrie,

    que conta com a participao de vrios ato-

    res consagrados no cenrio belo-horizon-

    tino. Entre eles, Guilherme Colina, Fer-

    nando Verssimo e Mrcia Moreira.

    E o jornalismo? Atualmente, ele traba-

    lha como jornalista na comunicao interna

    em uma multinacional brasileira, e diz que

    at pretende continuar na rea, mas que

    ningum se engane: o jornalismo ser ape-

    nas uma ferramenta a mais para desenvol-

    ver seus novos trabalhos no cinema.

    pERFiL

    UMA CMERA NA Mo E...

    UMA IdEIA NA CABEA,Nasce um cineasta em ponto de bala! O sonho de seguir carreira no cinema destaca os projetos e as dificuldades de um jornalista mineiro das veredas do grande serto

    fotos arquivo pessoal