Liturgia Calvino

  • View
    222

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Liturgia Calvino

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    1/23

    A DIVINA LITURGIA

    ORDEM PARA O CULTO PBLICO

    OU

    AFORMA DAS ORAES E HINOS DAIGREJA

    COM

    OM

    ODO DEM

    INISTRAO DO

    SACRAMENTO DAEUCARISTIA

    TAMBM CHAMADO DE

    ASANTACEIA DE NOSSO SENHORJESUS CRISTO

    SEGUNDO O USO DAIGREJA DE GENEBRA

    SOCIEDADE PELALITURGIAREFORMADA2011

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    2/23

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    3/23

    NDICE

    INTRODUO 5

    1.ESBOO DALITURGIA DAIGREJA DE GENEBRA 8

    2.AFORMA DAS ORAES E HINOS DAIGREJA 9

    Rito de Entrada 9

    Liturgia da Palavra 11

    Liturgia do Aposento Alto 16

    Ritos Finais 22

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    4/23

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    5/23

    5

    INTRODUO

    A Liturgia de Genebra, segundo praticada pelo Reformador Joo Calvino, historicamente considerada o ponto de partida de toda a prtica litrgica refor-mada e, de certa forma, influenciou toda a prtica litrgica protestante.

    A Histria nos informa que houve dois momentos distintos na prtica li-trgica de Calvino. A princpio, sua primeira estadia em Genebra (1536-1538), du-rante a qual limitou-se a continuar praticando a Liturgia adotada por seu colega,anfitrio e antecessor, Guilherme Farel, a qual trazia alguma influncia da chamada

    Reforma Radical. Notava-se por isso, na primeira Liturgia reformada de Genebra,um menor aproveitamento de textos e elementos litrgicos da tradio crist hist-rica, posto que ainda associados, tanto no imaginrio popular quanto no de boaparte dos prprios Reformadores, com a liturgia romanista qual passavam a abju-rar.

    Aps uma srie de tenses e desentendimentos com o Conselho da Cida-de de Genebra, Calvino e Farel acabaram expulsos da cidade. Farel recebeu umconvite para dirigir a Igreja em Neuchtel; Calvino foi convidado a pastorear uma

    igreja de refugiados estrangeiros em Estrasburgo.Durante seu exlio em nesta cidade (1538-1541), Calvino foi profundamen-

    te influenciado pela teologia e principalmente pela prtica litrgica de seu maisexperiente e principal Reformador, Martin Bucer (o qual tambm exerceu, posteri-ormente, profunda influncia na elaborao dos Trinta e Nove Artigos de Religio edos primeiros Livros de Orao Comum anglicanos).

    A prtica de Bucer, mais afeita e tolerante ao uso de formas e textos datradio crist histrica na Liturgia, veio a moldar a prpria abordagem de Calvino;

    tanto que, quando este publicou sua prpria Liturgia, a intitulouA Forma das Ora-es e Hinos da Igreja, com o Modo de Ministrao dos Sacramentos e a Forma paraa Celebrao do Matrimnio, segundo o Uso da Igreja Primitiva . A abordagem deCalvino e Bucer, portanto, no se constitua num simples expurgo, ou em uma re-inveno da roda a partir do zero, mas numa inteno de regresso s formas prati-cadas pela Igreja primitiva. Foi com essa abordagem que Calvino regressou a Gene-bra em 1541, aps grande insistncia por parte do Conselho da Cidade, o qual, acos-sado por dificuldades internas e externas, reconsiderara as expulses de Calvino e

    Farel.

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    6/23

    ADIVINA LITURGIA, segundo o uso da Igreja de Genebra

    6

    Muitos autores j fizeram notar que a Liturgia de Calvino pouco respon-siva quanto a suas partes faladas: o Ministro sozinho l a Liturgia; o Ministro sozi-nho l e expe as Escrituras; o Ministro sozinho l ou faz extemporaneamente todas

    as oraes, s quais o povo simplesmente responde amm.

    J se disse, no sem propriedade, que no Culto de Calvino a liturgia dopovo cantar. Com efeito, as nicas partes faladas por todo o povo so o CredoApostlico e a Orao do Senhor. Todas as demais participaes da congregaoso cantadas na forma de Salmos e outros textos bblicos musicados, alm de al-guns poucos hinos tradicionais, como respostas entoadas a cada ato do Culto diri-gido pelo Ministro.

    Esta caracterstica do Culto de Genebra j foi empregada como justificati-va para rejeitar qualquer forma de desenvolvimento de responsos falados pela con-gregao na Liturgia das igrejas reformadas. E mesmo os responsos cantados foramobjeto de expurgo em alguns desenvolvimentos posteriores da Reforma, sobretudoos mais estritos quanto salmodia (que chegaram ao extremo de excluir at mesmoo canto de outros textos bblicos no Culto).

    Na verdade, os responsos do povo no foram eliminados da Missa medie-val. Eles no existiam nela. Todos os responsos na Liturgia romana da poca eramfeitos entre o sacerdote e o coro, ou entre aquele e um aclito, assim como so, athoje, na Liturgia das igrejas ortodoxas orientais. A funo do povo nessas Liturgiasera contemplar em silncio a realizao dos santos mistrios, no participar dela. OCulto, na Liturgia medieval, era sacrifcio oferecido a Deus pelo sacerdote em bene-fcio do povo, em uma relao de analogia e continuidade com a prtica do AntigoTestamento.

    Assim, a ausncia de responsos do povo na verdade no foi uma subtra-o; os reformados concentraram na figura do Ministro simultaneamente os papisdo sacerdote e de boa parte dos textos do coro ou do aclito, transformando todoesse contedo litrgico em prosa corrida, a qual era lida exclusivamente pelo Minis-tro. Um desenvolvimento diferente, portanto, do que ocorreu com os luteranos eanglicanos, os quais entregaram o papel do coro ou aclito ao povo.

    Outra caracterstica da Liturgia genebrina que se perpetuou em formasque dela descenderam uma certa medida de prolixidade, tanto nas oraes quan-to na Exortao pr-eucarstica. importante notar, no entanto, o contexto dosprimeiros liturgistas reformados e sua inteno na elaborao de seus textos.

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    7/23

    Introduo

    7

    A Reforma Protestante era fenmeno recente, e o povo no se encontrava,em sua maior parte, catequizado nos princpios e doutrinas desse cristianismo re-cm-reformado. De modo que eles no apenas transferiram os textos do sacerdote e

    do coro para o Ministro, mas ainda os reescreveram, ampliando-os em vista daagenda teolgica da Reforma.

    Ora, as Escolas Dominicais nos moldes contemporneos, como instru-mentos de educao crist continuada, no surgiram seno no final do sculo XIX,e a catequese era considerada um fardo destinado s crianas. Restava aos Refor-madores valerem-se da Liturgia dominical, a qual todos eram obrigados a compare-cer, como instrumento de doutrinao do povo, por meio da reiterada leitura dosmesmos textos, das mesmas doutrinas, domingo aps domingo.

    certo que Calvino, mesmo ao fim da sua vida, no julgava sua Liturgia ea prtica litrgica de Genebra como obras prontas, acabadas e irretocveis. Elemesmo deixou muitos comentrios e crticas, principalmente em suas cartas, paraque seus sucessores pudessem encaminhar as devidas correes, a seu tempo. As-sim, nem mesmo hoje, quando republicamos e estudamos sua Liturgia, deveramosns adotar servilmente a Forma como aqui a vemos, como se a tentar regressar situao de Genebra no sculo XVI. Antes, nosso papel examinar o esprito destaLiturgia, luz do contexto de sua poca e de sua inteno principal, a qual era ins-

    truir o povo na s doutrina crist, de modo a assim informar e reformar nossa pr-pria prtica litrgica, em nosso tempo e lugar.

    E nesse desejo que a Sociedade pela Liturgia Reformada agora publica aLiturgia da Igreja de Genebra, segundo legada pelo Reformador Joo Calvino, comalgumas poucas adaptaes em suas rubricas de modo a permitir sua execuo, mascujo texto permanece fiel aos originais recebidos.

    A Deus toda a glria, agora e para sempre, em Nome de Nosso Senhor Je-sus Cristo. Amm.

    Franca, 3 de abril de 2011, IV Domingo na Quaresma.

    Eduardo H. Chagas

    Editor

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    8/23

    8

    1.ESBOO DALITURGIA DAIGREJA DE GENEBRA

    RITO DE ENTRADA

    VOTOCONFISSO DE PECADOSSENTENAS BBLICASABSOLUTRIASABSOLVIOODECLOGO (CANTADO)SALMO (CANTADO)

    LITURGIA DA PALAVRA

    ORAO PORILUMINAOLEITURAS BBLICASOSERMOOFERTRIOORAO DE INTERCESSOAORAO DO SENHOROCREDOAPOSTLICO (CANTADO)

    LITURGIA DO APOSENTO ALTO

    AS PALAVRAS DAINSTITUIOEXORTAOORAO DE CONSAGRAOCOMUNHO DO PO E DO CLICE

    SALMO (CANTADO)ORAO DEAO DE GRAASNUNCDIMITTIS(CANTADO)

    RITOS FINAIS

    BNOAARANICAENVIO

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    9/23

    9

    2.AFORMA DAS ORAES E HINOS DAIGREJA

    RITODEENTRADA

    Nos dias de semana, o Ministro empregar nas Oraes Pblicas as palavras que julgar maisapropriadas, adaptando suas preces conforme a ocasio e o assunto do qual for tratar em suapregao. No Culto Matutino no Dia do Senhor, costumeiro empregar-se a Forma que segue.

    VOTO

    O nosso socorro est em o Nome do Senhor, Criador do cu e da terra.Amm.

    CONFISSO DE PECADOS

    Irmos, que cada um de vs apresente a si mesmo perante o Senhor, fazendoconfisso de seus pecados e transgresses, seguindo em seu corao as mi-nhas palavras:

    De joelhos.

    Senhor Deus, Pai Eterno e Todo-Poderoso; ns reconhecemos e confessamosperante tua santa majestade que somos miserveis pecadores; concebidos enascidos em culpa e corrupo, tendentes a fazer o mal e incapazes de qual-quer bem; que, por causa de nossa depravao, transgredimos sem cessar osteus santos mandamentos.

    Ns, portanto, atramos para ns mesmos, por tua justa sentena, condena-o e morte. Porm, Senhor, com corao quebrantado e contrito nos arre-pendemos e deploramos nossas transgresses; ns condenamos a ns mes-mos e nossos maus caminhos, com verdadeira penitncia implorando quetua graa venha trazer alvio a nossa aflio.

    Compraz-te, portanto, em ter compaixo de ns, mui gracioso Deus e Paide todas as misericrdias, por amor de teu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor.

  • 7/27/2019 Liturgia Calvino

    10/23

    ADIVINA LITURGIA, segundo o uso da Igreja de Genebra

    10

    E, rem