Manual de Patologia Bucal

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  • Manual de

    Patologia Bucal

    Fbio Rama Pires

    Teresa Cristina Ribeiro Bartholomeu dos Santos

    Rio de Janeiro 2013

  • Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Faculdade de Odontologia

    Disciplina de Patologia Bucal

    Manual de

    Patologia Bucal

    Fbio Rama Pires

    Professor Adjunto - Patologia Bucal

    Faculdade de Odontologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Teresa Cristina Ribeiro Bartholomeu dos Santos

    Professora Assistente - Patologia Bucal

    Faculdade de Odontologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Rio de Janeiro 2013

  • CATALOGAO NA FONTE UERJ/REDE SIRIUS/CBB

    P667 Pires, Fbio Rama. Manual de patologia bucal / Fbio Rama Pires, Teresa

    Cristina Ribeiro Bartholomeu dos Santos. Rio de Janeiro: UERJ/FAPERJ, 2012.

    32 f. 1. Patologia bucal. 2. Dentes - Doenas. 3. Boca

    Infeces. 4. Boca Cncer. I. Santos, Teresa Cristina Ribeiro Bartholomeu dos. II. Ttulo.

    CDU 616.31

  • Dedicatria

    Este Manual de Patologia Bucal foi idealizado com foco nos alunos

    do curso de Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e

    em todos os demais alunos de Odontologia, que dedicam sua formao

    sade bucal e que buscam sempre a excelncia em suas atividades.

    Esperamos que este Manual possa servir de guia facilitador na

    compreenso e entendimento dos mecanismos de patognese das

    principais doenas da cavidade oral e dos maxilares, permitindo seu

    diagnstico correto e, consequentemente, o estabelecimento da

    teraputica apropriada.

    Dedicamos este Manual a todos os alunos do Curso de Graduao

    em Odontologia da FO/UERJ e a todos os demais alunos de graduao

    em Odontologia e fazemos votos de que esta iniciativa facilite e estimule

    seus passos na vida acadmica.

    Boa Sorte

    Fbio Rama Pires

    Teresa Cristina Ribeiro Bartholomeu dos Santos

  • Agradecimentos

    Agradecemos a Direo da Faculdade de Odontologia da

    Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na pessoa da sua diretora,

    profa. Maria Isabel de Castro de Souza, e do seu vice-diretor, prof.

    Ricardo Guimares Fischer, pelo apoio no funcionamento do Laboratrio

    de Patologia Bucal e demais atividades vinculadas disciplina de

    Patologia Bucal.

    Agradecemos a Fundao Carlos Chagas Filho de Amparo a

    Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, na pessoa do seu presidente prof.

    Ruy Garcia Marques, pelo apoio financeiro para confeco deste Manual

    e pelo apoio s demais atividades cientficas desenvolvidas no

    Laboratrio de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da

    Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

  • Sumrio

    Objetivo 6

    Introduo 7

    1 Histologia da cavidade oral 8

    2 Odontognese 9

    3 Inflamao 10

    4 Doenas perirradiculares inflamatrias 11

    5 Variaes da normalidade e alteraes do desenvolvimento 13

    6 Infeces 14

    7 Hiperplasias reacionais 15

    8 Neoplasias benignas 18

    9 Desordens potencialmente cancerizveis e Cncer oral 21

    10 Doenas dermatomucosas 24

    11 Cistos e Tumores odontognicos 25

    12 Doenas sseas no odontognicas 28

    13 Doenas das glndulas salivares 29

    Consideraes finais 31

    Referncias bibliogrficas 32

  • 6

    Objetivo

    O objetivo deste Manual permitir aos alunos do curso de

    Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro a

    complementao do contedo fornecido durante as atividades prticas

    de microscopia da Disciplina de Patologia Bucal, facilitando a integrao

    com as informaes oriundas do contedo ministrado nas aulas tericas.

    Sua montagem busca, de forma resumida e aplicada, oferecer um

    breve guia terico sobre as principais doenas diagnosticadas na prtica

    da Patologia Bucal, exemplificando cada uma delas com imagens

    microscpicas digitalizadas contendo suas caractersticas histolgicas

    mais importantes. A diviso em captulos busca seguir as classificaes

    tradicionais das doenas da cavidade oral e dos maxilares, baseando-se

    na literatura mais atualizada sobre o tema e habitualmente utilizada nos

    cursos de graduao em Odontologia.

  • 7

    Introduo

    O ensino da Patologia Bucal tem se mostrado um desafio no Curso

    de Graduao em Odontologia ao longo dos anos. Quase sempre

    ministrada em um momento de transio entre as disciplinas bsicas e

    clnicas, tem a difcil tarefa de integrar realidades, por vezes distantes,

    no currculo de formao de nossos alunos. A dificuldade de motivao e

    interpretao para observao histolgica das doenas requer a criao

    de mecanismos alternativos que facilitem a compreenso deste tpico

    to importante da grade curricular.

    A criao deste Manual de Patologia Bucal, direcionado quelas

    doenas habitualmente estudadas nas aulas prticas da disciplina de

    Patologia Bucal, vem de encontro a esta necessidade. Sem a inteno de

    tornar-se bibliografia de referncia para o assunto, deve ser utilizado

    como material complementar aos diversos livros texto e atlas utilizados

    nas aulas prticas de Patologia Bucal, facilitando a interpretao das

    caractersticas histolgicas das doenas.

    Para facilitar a compreenso dos achados microscpicos das

    doenas, os trs captulos inicias ilustram a histologia normal da mucosa

    oral, a odontognese e os aspectos morfolgicos das clulas

    inflamatrias.

  • 8

    1 Histologia da cavidade oral

    A cavidade oral revestida por epitlio pavimentoso estratificado no queratinizado na maioria dos stios anatmicos, mas que mostra queratinizao nas reas de mucosa aderida e especializada (gengiva, palato duro e dorso lingual). O tecido conjuntivo subjacente pode

    estar associado a presena de tecido muscular estriado esqueltico, tecido adiposo, vasos sanguneos e nervos. Glndulas salivares menores so frequentemente observadas no tecido conjuntivo, exceto na gengiva e no tero anterior do palato duro (Figuras 1A-1F).

    Figura 1. A-F. Histologia normal da mucosa oral. A-B. Epitlio de revestimento da gengiva e do dorso lingual (HE, 10x). C. Tecido adiposo (HE, 10x). D. Tecido muscular estriado esqueltico (HE, 10x). E. Vasos sanguneos e nervos (HE, 40x). F. Glndulas salivares menores (HE, 10x).

  • 9

    2 Odontognese

    A odontognese um processo complexo caracterizado por fenmenos proliferativos, indutores e morfolgicos nicos. Diversas doenas da boca originam-se ou tem a participao de remanescentes embrionrios derivados deste processo, e seu conhecimento

    fundamental para a compreenso, em especial, das alteraes de desenvolvimento e regressivas dos dentes, das doenas pulpares e perirradiculares e dos cistos e tumores odontognicos. As figuras 2A a 2F ilustram algumas etapas da odontognese.

    Figura 2. A-E. Dente em formao. A. Epitlio oral, lmina dentria, germe dentrio e osso alveolar (HE, 4x). B. Detalhe da lmina dentria (HE, 10x). C. Estgios iniciais de deposio da dentina e do esmalte na cspide (HE, 10x). D. Esboo do contorno da raiz, da papila dental e do saco dentrio (HE, 10x). E. Detalhes do esmalte e da dentina em formao (acima) e da papila dental (abaixo) (HE, 40x). F. Restos epiteliais de Malassez no ligamento periodontal (observar cemento e dentina a esquerda) (HE, 40x).

  • 10

    3 Inflamao

    Diversas clulas circulantes e teciduais participam dos fenmenos que modulam os processos inflamatrios agudos e crnicos. A participao destas clulas essencial na patognese de vrias doenas da cavidade oral,

    assim como no entendimento dos critrios utilizados para seu diagnstico. As figuras 3A a 3F ilustram os principais achados morfolgicos destas clulas.

    Figura 3. A. Vaso sanguneo congesto e clulas inflamatrias (HE, 100x). B. Neutrfilos polimorfonucleares (HE, 100x). C. Macrfagos (HE, 100x). D. Linfcitos e macrfagos (HE, 100x). E. Eosinfilos (observar grnulos citoplasmticos) (HE, 100x). F. Plasmcitos (observar a presena de um corpsculo de Russell) (HE, 100x).

  • 11

    4 Doenas perirradiculares inflamatrias

    Granuloma periapical (Granuloma perirradicular) Os granulomas periapicais so leses intrasseas que se originam a partir da necrose pulpar e extenso do quadro inflamatrio aos tecidos periapicais. Raramente produzem alteraes clnicas visveis e radiograficamente, manifestam-se como reas radiolcidas uniloculares de contornos definidos ou no no peripice ou na face lateral da raiz (quando associados a canais colaterais) de um dente sem vitalidade pulpar. Caracterizam-se por um intenso infiltrado

    inflamatrio composto predominantemente por plasmcitos, linfcitos e macrfagos (Figuras 4-7) em meio a um tecido conjuntivo fibroso denso que pode conter reas de hemorragia e congesto vascular. Fendas de cristais de colesterol podem ser observadas (Figura 5) e alguns granulomas podem apresentar reas com proliferao de restos epiteliais odontognicos (restos epiteliais de Malassez), sendo chamados de granulomas epiteliados.

    Figura 4. Granuloma periapical. Tecido conjuntivo permeado por infiltrado inflamatrio denso (HE, 10x).

    Figura 5. Granuloma periapical. rea mostrando macrfagos espumosos e fendas de cristais de colesterol (HE, 10x).

    Figura 6. Granuloma periapical. Detalhe dos macrfagos espumosos (HE, 40x).

    Figura 7. Granuloma periapical. Infiltrado inflamatrio predominantemente plasmocitrio (HE, 40x).

  • 12

    Cisto periapical (Cisto perirradicular, Cisto radicular) Os cistos periapicais surgem a partir dos granulomas periapicais quando h a proliferao dos restos epiteliais de Malassez pelo estmulo inflamatrio, levando a formao de uma cavidade revestida internamente por epitlio odontognico. Clinicamente, quando so leses iniciais no produzem alterao, entretanto sua evoluo sem tratamento pode levar a abaulamento e eventualmente deslocamento dos dentes da regio. Ao exame radiogrfico observamos usualmente uma rea radiolcida unilocular de contornos bem definidos associada regio periapical, mas que, semelhana dos granulomas periapicais, pode situar-se lateralmente raiz. Histologicamente observa-se uma cavidade que pode conter clulas

    inflamatrias, hemcias e restos celulares em seu interior e que revestida internamente por um epitlio pavimentoso estratificado no queratinizado de espessura varivel, que pode apresentar graus variveis de exocitose (Figuras 8-10). Este epitlio circundado externamente por uma cpsula de tecido conjuntivo fibroso, permeada por um infiltrado inflamatrio composto predominantemente por plasmcitos, macrfagos e linfcitos. Na cpsula podemos observar ainda reas de hemorragia, depsitos de hemossiderina e reao de corpo estranho a cristais de colesterol provenientes da degradao das membranas celulares (Figura 11).

    Figura 8. Cisto periapical. Cavidade revestida por epitlio pavimentoso estratificado no queratinizado e cpsula de tecido conjuntivo inflamado (HE, 10x).

    Figura 9. Cisto periapical. Epitlio cstico do tipo pavimentoso estratificado no queratinizado atrfico e inflamao e hemorragia na cpsula (HE, 10x).

    Figura 10. Cisto periapical. Detalhe do epitlio cstico e da cpsula de tecido conjuntivo mostrando infiltrado inflamatrio e congesto vascular (HE, 40x).

    Figura 11. Cisto periapical. Fendas de cristais de colesterol e reao de corpo estranho presentes na cpsula de tecido conjuntivo (HE, 40x).

  • 13

    5 Variaes da Normalidade e Alteraes do Desenvolvimento Grnulos de Fordyce (Glndulas sebceas ectpicas) Grnulos de Fordyce so glndulas sebceas ectpicas que podem estar presentes na mucosa bucal. So pequenas ppulas amareladas mltiplas, localizadas preferencialmente nas mucosas labial e jugal. So semelhantes s

    glndulas sebceas da pele, sem associao com folculos pilosos (Figura 12). Possuem ductos e os cinos so compostos por clulas com ncleo arredondado central e citoplasma claro contendo finas granulaes (Figura 13).

    Figura 12. Grnulos de Fordyce. Presena de lbulos de glndulas sebceas no tecido conjuntivo superficial e parte da poro ductal (HE, 10x).

    Figura 13. Grnulos de Fordyce. Glndulas sebceas mostrando clulas grandes com citoplasma granular e ncleo central (HE, 40x).

    Leucoedema e Pigmentao melnica (Melanose fisiolgica) O leucoedema caracterizado por manchas esbranquiadas de limites imprecisos, localizadas preferencialmente na mucosa jugal. Observa-se um epitlio pavimentoso estratificado acanttico e paraqueratinizado, apresentando clulas com citoplasma claro e vacuolizado e ncleo central,

    localizadas nas camadas suprabasais (Figura 14). visto mais frequentemente em indivduos melanodermas e a observao concomitante de pigmentao melnica ao longo da camada basal e no tecido conjuntivo adjacente (incontinncia pigmentar) comum (Figura 15).

    Figura 14. Leucoedema. Epitlio mostrando acantose e paraqueratose e clulas com citoplasma vacuolizado nas camadas suprabasais (HE, 20x).

    Figura 15. Pigmentao melnica. Epitlio pavimentoso estratificado mostrando a presena de melanina ao longo da camada basal (HE, 40x).

  • 14

    6 Infeces Paracoccidioidomicose (Blastomicose sul-americana) A paracoccidioidomicose uma infeco fngica profunda causada pelo Paracoccidioidis braziliensis e endmica de algumas regies do Brasil e de outros pases da Amrica do Sul. O foco primrio de infeco o pulmo e as leses na cavidade oral e em outros rgos so geralmente secundrias a disseminao a partir do foco pulmonar. Na boca a infeco manifesta-se na forma de lceras dolorosas com bordas mal delimitadas e com superfcie granular com pontilhado hemorrgico (aspecto "moriforme"), podendo acometer qualquer stio anatmico, mas sendo mais frequentes na gengiva, nos lbios e

    no palato de homens adultos. Histologicamente caracteriza-se pela presena de reas de ulcerao e pela proliferao do epitlio remanescente na direo do tecido conjuntivo em um padro chamado de hiperplasia pseudoepiteliomatosa (Figura 16). Pode ser observada ainda a presena de abscessos intraepiteliais. O tecido conjuntivo subjacente apresenta reao inflamatria granulomatosa (Figura 17), com a presena de granulomas (Figura 18) e de numerosas clulas gigantes multinucleadas contendo os fungos fagocitados em seu interior (Figura 19).

    Figura 16. Paracoccidioidomicose. Proliferao do epitlio pavimentoso estratificado na direo do tecido conjuntivo subjacente (HE, 4x).

    Figura 17. Paracoccidioidomicose. Inflamao granulomatosa com presena de clulas gigantes multinucleadas no tecido conjuntivo (HE, 10x).

    Figura 18. Paracoccidioidomicose. Granuloma mostrando clulas gigantes multinucleadas (HE, 40x).

    Figura 19. Paracoccidioidomicose. Clula gigante multinucleada com fungos no interior (HE, 100x).

  • 15

    7 Hiperplasias Reacionais Hiperplasia fibrosa (Fibroma traumtico, fibroma de irritao) As hiperplasias fibrosas so as leses hiperplsicas reacionais orais mais comuns em adultos e surgem em resposta a trauma tecidual local. Manifestam-se clinicamente como leses nodulares ssseis ou pediculadas, recobertas por mucosa normal, localizadas principalmente na mucosa jugal, mucosa labial e na borda lateral da lngua. Histologicamente so revestidas por epitlio pavimentoso estratificado por vezes acanttico e/ou paraquerattico e apresentam

    tecido conjuntivo denso rico em fibras colgenas dispostas em orientaes variadas e fibroblastos com morfologia fusiforme e estrelada (Figuras 20-22). Nas hiperplasias fibrosas inflamatrias, pode-se observar ainda um infiltrado inflamatrio predominantemente crnico, de intensidade varivel,...

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