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CAPÍTULO 1 A FELICIDADE EXTRAVAGANTE DE UM SONHADOR (Onde o escritor morre num livro inacabado e o leitor embarca numa busca póstuma para encontrá-lo)

O encantador - Lila Azam Zanganeh

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  • CA PTULO 1

    A FELICIDADE EXTRAVAGANTE DE UM SONHADOR

    (Onde o escritor morre num livro inacabado

    e o leitor embarca numa busca pstuma para

    encontr-lo)

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    Pois a lua ao cintilar sempreme faz sonhar...

    abokov faleceu no dia 2 de julho de 1977. Eu tinha dez meses de idade. Mais ou me-nos seiscentos e cinquenta quilmetros nos separavam. Em suma, tivemos um co-

    meo infeliz. Ele iria permanecer para sempre ins-ciente da minha insignificante existncia.

    Meros quatro meses antes de meu nasci-mento, Nabokov sentiu a morte mais prxima. Ti-nha acabado de completar setenta e sete anos. No dia 24 de abril de 1976, para ser mais precisa, eis o que escreveu em seu dirio: uma da manh levantei de um sono breve, com uma angstia hor-rorosa, do tipo agora. Gritei discretamente, que-rendo acordar Vra no quarto ao lado, sem sucesso (porque me senti melhor).

    Ele foi sempre um insone, mas os anos agora pesavam e as plulas mais potentes j no sedavam seus fantasmas domsticos. Nabokov

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    permanecia acordado a maior parte da noite, atormentado pela sua imaginao revolvendo-se no escuro. medida que a medicao tornava-se mais forte, VN chegou a ter alucinaes inslitas e teve que descartar os ardilosos comprimidos, e de uma vez. Mas o pior de tudo, a cada noite, era a trepi dao sombria do tique-taque das horas sua frente.

    No vero anterior, no fim de uma manh de julho de 1975, pela primeira vez, enquanto ca-ava borboletas numa encosta alpina, Nabokov ti-nha cado, deslizado cinquenta metros e perdido sua rede de borboletas para o galho de um abeto mais prximo. Esgueirando-se com cuidado na direo da rvore, deslizou de novo e no conse-guiu se levantar. A situao provocou tal como situaes absurdas muitas vezes causavam em Na-bokov um ataque descontrolado de riso, to intenso que as pessoas no telefrico, passando aci-ma, supuseram que ele estivesse deitado por gos-to, divertindo-se sob o sol da tardinha. Foi apenas quando o condutor do telefrico prestou ateno a Nabokov outra vez que ele suspeitou de algo er-rado e pediu que o socorro, com uma maca, fosse at l, duas horas e meia depois da queda. Embo-ra Nabokov no tivesse se machucado seriamen-te, sua rede iria para sempre permanecer agarrada quele galho, tal qual a lira de Ovdio, como ele mais tarde escreveu. Uma fratura invisvel tinha se aberto furtivamente. VN, que havia lutado contra

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    a priso do tempo desde o ponto mais remoto que a memria lhe permitisse, estava agora sentindo o massacre do prprio tempo. Um choque terrvel, ele comentou.

    Naquele outono, um tumor de prstata exigiu uma anestesia geral, o que, para o escritor de conscincia exarcebada, no era menos do que um experimento no ridculo da finitude a hu-milhao de se entorpecer os sentidos como num minsculo ensaio da morte. Alm disso, a insnia tinha se tornado crnica e ele permanecia bastante agitado. Incapaz de suportar o limbo da convales-cena, e a despeito das insistentes recomendaes dos mdicos, tambm retomou seu romance em andamento, O original de Laura: morrer diverti-do, escrevendo nas pequenas fichas de papel-carto 3x5 que ele vinha usando havia dcadas. Cerca de um ano antes, Nabokov havia sentido o primei-ro pequeno latejo: Inspirao. Insnia radiante. O sabor e as neves das adoradas encostas alpinas. Um romance sem um eu, sem um ele, mas com o narrador, a viso deslizante, implcita do comeo ao fim.

    Em abril de 1976, no hotel Montreux Pa-lace, Vra e Vladimir brindaram festivamente os setenta e sete anos de VN, e Nabokov rascunhava em mdia cinco ou seis fichas a cada tarde. En-tretanto, da em diante ele enfrentaria inmeros reveses. Mais tarde, no mesmo ano, bateu com a cabea numa queda e, a partir de ento, passou a

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    andar visivelmente com mais dificuldade, sofren-do de terrveis dores nas costas e febres ocasionais. Uma infeco misteriosa parecia assalt-lo, levan-do-o vrias vezes a diversas clnicas e hospitais su-os. Ali, para matar as horas, lia a maior parte do tempo um novo manual, intitulado As borboletas da Amrica do Norte, e uma traduo incrivelmen-te literal do Inferno, de Dante. Mas a maioria das vezes, estritamente no estilo VN, lia para si o ro-mance que estava na sua cabea ntido como um vitral: o inacabado O original de Laura. Pratica-mente toda manh, num estado de quase transe, lia e aperfeioava Laura. Tal como todos os seus outros romances antes de estarem realmente escri-tos, ele concebia tambm este ltimo de cabea; como um rolo de filme prestes a ser revelado em suas fichas imaculadas. Sozinho em seu quarto de hospital, tal como registrou mais tarde, chegou in-clusive a recitar o texto para uma pequena plateia ideal num jardim murado. Minha plateia consistia de paves, pombos, meus pais falecidos h tempo, dois ciprestes, vrias jovens enfermeiras agachadas ao redor e um mdico de famlia to velho a ponto de se tornar invisvel.

    No final de julho Nabokov reconquistava mais espao na vida. Mas sabia que, em quase vinte anos, esse era o nico vero que passaria sem caar borboletas. Ao fim de setembro, de volta sute do hotel, estava tremendamente debilitado. Confes-sou esposa que no gostava de hospitais, apenas

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    porque voc no est l. No me importaria estar num hospital se eu pudesse lev-la, embrulh-la no bolso da camisa e lev-la comigo. Porm, mesmo com Vra ao seu lado, aps tantos meses de doen-a, um langor alarmante tomou conta de si. Com O original de Laura praticamente composto de ca-bea, VN permanecia, para sua prpria frustrao, exausto demais para escrev-lo. E, quando um re-prter bisbilhoteiro lhe perguntou a respeito de sua dieta, Nabokov ironizou: Minha dieta literria bem mais extravagante, no passo de duas horas de meditao, entre as duas e as quatro da manh, quando o efeito do primeiro soporfero evapora e o do segundo ainda no comeou, alm de uma nesga de escrita tarde, tudo praticamente de que meu novo romance precisa. Mais adiante, em feve-reiro de 1977, ele anunciou que, quando os ventos mudassem, faria uma visita ao seu adorado Oeste americano. Na primavera de 1977, ainda estava avi-damente sonhando com uma viagem a Is rael, onde imaginava que finalmente iria explorar as borbo-letas do Oriente Mdio (uma dcada antes, havia dito: Tambm pretendo coletar borboletas no Peru e no Ir antes de me tornar uma pupa.) Mas seu passo, to vigoroso dois veres atrs, era agora o de um ancio, e ele estava completamente vencido pela onerosa tarefa literria que se imps: editar as tradues imperfeitas de seus romances anteriores e dar forma terrena a Laura. Os amigos ficavam perplexos diante de um VN abatido. Vra mante-

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    ve, frente a todos, como sempre, uma impresso de grande compostura.

    A seguir, o nimo de Nabokov parecia se fortalecer, mas em maro de 1977 seu dirio re-gistra sombriamente outra recada: Tudo recome-a outra vez. Dois meses depois, de volta mesa de trabalho, ele ainda se debatia com Laura, ainda fazia uma brincadeira ocasional com visitantes es-colhidos. Porm, no dia 18 de maro, com a letra convertendo-se num rabisco, ele anotou: Delrio leve, temperatura de 37,5o. Ser possvel que tudo comece de novo? Era praticamente impossvel con-centrar-se, e numa noite fatdica VN, o lexicoma-naco, perdeu nas palavras cruzadas em russo para a sua irm Elena pela primeira vez. Em questo de semanas, foi acometido por febres altas e transferi-do para um hospital em Lausanne. L, Vra disse com severidade a um mdico confuso, que anun-ciava confiante a recuperao de Nabokov, que, na opinio dela, seu marido de fato estava morrendo.

    Naqueles ltimos dias, Dmitri lembra-se de seu pai, sussurrando-lhe o quanto ele estava or-gulhoso do filho, prestes a partir para sua estreia na pera de Munique. Dmitri pensa nessas horas passadas em Munique como as mais bem-aventu-radas de anos a fio, simplesmente porque meu pai ainda existia. No entanto, ao regressar, ele notou uma sombra de resignao no olhar do pai. s vezes, Dmitri depois escreveu, pressentia-se o quo magoado ele estava diante da ideia de ser, de

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    repente, cortado de uma vida cujos detalhes lhe davam tanto prazer, e de um fervor criativo em plena atividade.

    Vra disse, de passagem, que no sentia a morte como o fim de tudo, e VN concordou, tal como ele prprio havia suspeitado durante a vida inteira, numa regio secreta dos seus romances. Dmitri, por sua vez, ficou perplexo ao ver lgrimas nos olhos do pai ao beijar a testa de VN numa das ltimas noites que passaram juntos. Quando discretamente Dmitri quis saber o porqu, seu pai respondeu que certa borboleta j estava em pleno voo, e algo no seu olhar dizia que ele no acredi-tava que veria mais essa borboleta.

    A Lysandra Cormion, descoberta por VN numa

    exitosa caada de vero

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    Dias depois, seu flego debilitou-se at se tornar asmtico. Era uma tarde banhada em luz. Sua esposa e seu filho sentaram-se ao seu lado, to-mando-lhe conta, sentindo que ele estava ciente da sua presena at o fim. Faltando dez minutos para as sete da noite, no sbado, 2 de julho de 1977, Nabokov gemeu trs vezes, baixando a cada vez o tom, em ressonncia operstica. E, ento, ele se foi. Quando Dmitri naquela noite levou sua me de volta a Montreux, em seu carro de corrida azul--escuro, Vra sugeriu serenamente: Vamos alugar um avio e bater com ele.

    Nabokov foi cremado num dia claro de ve-ro. Na tarde do dia seguinte, apenas Vra e Dmi-tri estavam ao lado do tmulo, enquanto as cinzas eram depositadas numa urna, perto do Chteau du Chatelard, no cemitrio de Clarens, onde tambm jaz uma tia-av, Praskovia-Alexandria Nabokov, nascida Tolsti. Em uma clara homenagem pstu-ma ao apreo de VN pelos engenhosos planos do destino, uma Tolsti e um Nabokov encontram-se no mesmo cemitrio suo.

    Nabokov no havia completado O original de Laura e, tal como fizera Virglio, havia pedido que qualquer trao dos originais inacabados fos-se destrudo. Entretanto, maneira dos hesitantes executores da vontade de Virglio, Vra no con-seguiu se convencer a queimar as palavras de VN. Dmitri, por sua vez, revendo o quarto do pai no hotel Montreux Palace logo aps sua morte, reve-

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    laria apenas isto: H outra caixa, muito especial, contendo uma parte substancial do incrivelmente original Original de Laura, que teria sido o roman-ce mais brilhante de meu pai, a destilao mais concentrada de sua criatividade. Por mais de trin-ta anos, at 2008, quando Dmitri tomou para si a tarefa de public-lo, os fragmentos de Laura per-maneceriam num cofre suo, tendo seus poucos leitores clandestinos jurado total segredo.

    Pois a lua ao cintilar sempre me faz sonhar...

    Trinta e trs anos se passaram desde a morte de Nabokov boa parte dos quais levei: devorando as histrias de VN uma atrs da outra; me em-penhando em uma misso furtiva de investigao literria; estudando por conta prpria um russo de terceira categoria; fazendo vrias outras coisas que, aqui e ali, eu logo irei urdir em minha histria.

    Por agora, numa plida manh de final de vero, olho na direo do lago Genebra, das co-linas acima de Montreux. Vim Sua para ver Dmitri e para visitar o cemitrio de Clarens, onde as cinzas de Vladimir e de Vra foram mistura-das. Quando sua me faleceu, Dmitri depois me contou, os coveiros levaram horas at encontrar a urna contendo as cinzas de seu pai: Eles pareciam

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    sados de Shakespeare. Por volta do fim da tarde, a urna foi finalmente aberta. Dois punhados de p. Uma modesta coda a um casamento de cin-quenta e dois anos, para alm da linha de chegada do prprio tempo.

    No sei se jamais notaram antes que uma das principais caractersticas da vida a discrio. Aden-tro o cemitrio num clima de pnico controlado. De alguma maneira, diante desse retiro murado, imaginava Clarens como o Pre-Lachaise em Paris, onde Oscar Wilde, Marcel Proust, Jim Morrison e centenas de outros ganharam tmulos numerados. Mapas detalhando o vasto zigue-zague esto dis-ponveis na entrada, vigilantes irritadios patru-lham dia e noite, e inscries foram esculpidas por visitantes devotos, em rvores impressionantes.

    Em Clarens, no h nada. Se uma pelcula de carne no nos envolve, ns morremos. O homem existe apenas na medida em que se separa dos seus arredores. Um mar de lpides se espalha diante de mim. Sou saudada pelo silencioso suspiro matinal de rvores altas, a lividez isolada de uma igreja va-zia, a grande torre de um castelo que parece rascu-nhada no pano de fundo. Tal qual Alice perdida num labirinto espantoso, pensando que viajei at ali em vo, que devo embarcar num trem em al-gumas horas, e que jamais encontrarei VN, come-o a rezar um pouco, rpida e indecisa. distn-cia, um par de asas rufla. O crnio o capacete do viajante espacial. Permanea ali dentro, ou morra.

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    O cu desvela um azul-turquesa. Distingo a cur-va de uma colina. Os tmulos, banhados de sol, brilham silenciosamente no frescor dessa manh no comeo de setembro. Dou a volta e observo a extenso iridescente do lago Genebra, as encostas delicadamente entrecortadas vigiando-se mutua-mente no extremo do horizonte. De repente, vol-tando tarefa que me propus, dirijo-me igreja e casinha de ferramentas do cemitrio. Oi, oi? Tem algum a? A morte desinvestimento, a mor-te comunho. Irritada, corro at o crematrio do lado direito, dou a volta, certa de achar ao menos um rosto benevolente, um par humano de olhos. Ningum. O cemitrio est praticamente vazio.

    Continuo andando, dominada por essa onda de placas de mrmore, sentindo-me to perto e, no entanto, to absolutamente sem rumo. Pode ser maravilhoso fundir-se paisagem, porm faz--lo seria o fim do delicado ego. E ali, de repente, minha direita, noto uma lpide cinza-azulada, singela como qualquer outra. (Quais so as proba-bilidades matemticas, imagino por um instante, de se deparar com este tmulo, discreto, sem qual-quer anncio, entre tantos milhares?)

    Em um retngulo limpo, acabei de ver:

    V L A D I M I R N A B O K O V C R I V A I N 1 8 9 9 - 1 9 7 7

    E logo abaixo:

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    V R A N A B O K O V1 9 0 2 - 1 9 9 1

    Eu me inclino por um momento e passo a mo no mrmore salpicado. Penso na sua pr-pria mo pondo no papel O dom, naquele aparta-mento em Berlim na dcada de 1930; penso nas mariposas beija-flor que ele adorava apanhar com misturas de acar mascavo e rum, em inebriantes noites de agosto na Amrica: a alegria que ele tinha ao observar suas asas estriadas entre um dedo e o polegar. H um ar de delicadeza neste cemitrio, um estranho e convidativo tom de calma. Se uma pelcula de carne no nos envolve... Lentamente, ob-sessivamente, como uma melodia a pulsar na mes-cla de um sonho, as palavras de VN passam a girar e girar em minha cabea.

    Pois a lua ao cintilarsempre me faz

    Na verdade, alguns dias antes eu havia tido um sonho. Ele estava ali. To perto que eu prati-camente podia toc-lo. Olhava-me fixamente no rosto. Suas feies provinham das inmeras foto-grafias que vi ao longo dos anos... Ele est ereto, de p, com um brilho jocoso nos olhos. Parece subir, passo a passo, o prado numa encosta coberta de

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    flores gigantes. Segura nas mos uma rede de bor-boletas incrivelmente grande. A imagem est em preto e branco. E, muito embora ele no diga uma palavra, sua expresso exulta curiosidade e ternu-ra o que imediatamente d sonhadora uma sensao de felicidade extravagante.

    tardinha, na casa de Dmitri, depois de comer vrias fatias de torta de pera (Madeleine, a cozinheira, parece sada de uma porta dos fundos de Ardis Hall, em Ada), ao fim de uma longa con-versa, temendo que ele achasse ridculo, ou irritante, compartilho essa imagem com o filho de Nabokov. Cheguei at a na ponta dos ps, esperando que ele descartasse o sonho como sendo a fantasia de uma leitora monomanaca; como um sonho infelizmente estpido. Para minha surpresa, Dmitri fica tocado, at mesmo satisfeito: o seu pai, ainda presente, pe-rambulando no sonho de algum... Por um breve instante, seus olhos azul-gelo parecem se encher de lgrimas. Fico admirada, tal como havia ficado quando ele abriu pela primeira vez a porta de sua casa em Montreux, com a semelhana fsica entre pai e filho. Vejo que, na medida em que ele prprio se aproxima da idade ltima de seu pai, ainda lhe impossvel crer que esse pai no esteja mais ali. Quando um novo item brota em minha conscin-cia, Dmitri escreveu, meu primeiro impulso men-tal o desejo de lev-lo a papai, para sua aprovao, como uma pedra, na infncia, esculpida pelo mar numa praia da Riviera; e s um segundo depois me

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    dou conta de que meu pai no est mais a. Teria ele gostado dessas minhas ofertas? Conexes fortuitas, pistas encobertas pelos dedos astutos do destino: uma praa romana chamada Margana na sequn-cia de um anagrama acidental, um monte suo em forma de presa, chamado Dent-Favre, como o ve-lho dentista suo dos Nabokov em Massachusetts, ou aquele velho caminho verde, alardeando o d-bio letreiro Dente Transportes. E me ocorre que tambm eu observava as coisas, de vez em quando, pelas lentes do olhar nabokoviano. Aquele gato pre-to e esquivo na Laguna do Patriarca, em Moscou. Os traseiros salientes das Demoiselles dAvignon, de Picasso, involuntariamente combinando com os de quatro espectadoras boquiabertas. Meu prprio re-flexo distorcido em um par de culos de sol infantis com aros vermelhos.

    Minha imagem de VN