OFICINA DE ALFABETIZAÇÃO – ALFABETIZAÇÃO: AFINAL... O

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  • OFICINA DE ALFABETIZAO

    ALFABETIZAO: AFINAL... O QUE QUE EST ACONTECENDO?

    OFICINA: O que a fala tem com a escrita?

    MINISTRANTE: Profa. Dr. Gabriela C. M. de Freitas

    Aquisio da escrita

    A escrita um objeto simblico, um substituto que representa algo. Ela

    no constitui uma transcrio fontica da fala, mas estabelece uma relao

    essencialmente fonmica, isto , a escrita procura representar aquilo que

    funcionalmente significativo, estabelecendo um sistema de regras prprias

    (Kato, 1986; Ferreiro e Teberosky, 1991).

    RELAO FALA/ESCRITA essencialmente fonmica

    Exemplos: [profesor] professor (7 sons; 9 letras)

    [taksi] txi (5 sons; 4 letras)

    Para aprender a ler e escrever, o indivduo necessita entender a relao

    estabelecida entre fala e escrita e conhecer o sistema de regras da escrita.

    Esse aprendizado uma atividade sistemtica e estruturada que se desenvolve

    gradualmente, um momento particular de um processo mais geral de

    aquisio da linguagem. Segundo Abaurre (1991)

    em contato com a representao escrita da lngua que fala, osujeito reconstri a histria da sua relao com a linguagem. Acontemplao da forma escrita da lngua faz com que ele passea refletir sobre a prpria linguagem, chegando, muitas vezes, amanipul-la conscientemente... (Abaurre, 1991, p.39).

  • Como afirma a autora, a aquisio da escrita exige que o indivduo reflita

    sobre a fala, estabelea relaes entre os sons e sua representao na forma

    grfica, entrando em jogo a conscincia fonolgica. Neste sentido, Morais

    (1996, p. 176) aponta que a chave da linguagem escrita encontra-se na relao

    desta com a linguagem falada. Ou seja, necessrio, inicialmente, descobrir a

    relao existente entre fala e escrita para que se consiga dominar o cdigo

    escrito.

    Conforme Vygotsky (1996), a linguagem escrita exige um trabalho

    consciente, no qual a criana deve desvincular-se do concreto. Um importante

    obstculo para a maioria das crianas compreender o princpio alfabtico:

    palavras escritas contm combinaes de unidades visuais (letras ou

    combinaes de letras) que so sistematicamente relacionadas s unidades

    sonoras das palavras (fonemas).

    Princpio alfabtico relao fonemas (sons) / grafemas (letras)

    A manipulao da linguagem escrita necessita de um certo grau de

    reflexo consciente a respeito das caractersticas gerais da escrita, dos

    grafemas e dos fonemas. Para a identificao do princpio alfabtico a criana

    deve reconhecer a relao som-letra e ser capaz de analisar, refletir, sintetizar

    as unidades que compem as palavras faladas (Tunmer, Pratt, Herriman,

    1984).

    as crianas de um modo geral recorrem oralidade para fazervrias hipteses sobre a escrita, mas usam tambm a escrita,dinamicamente, para construir uma anlise da prpria fala(Abaurre, 1988, p. 140)

    Observa-se, ento, que a aquisio da escrita est intimamente ligada

    conscincia fonolgica, uma vez que para dominar o cdigo escrito

    necessria a reflexo sobre os sons da fala e sua representao na escrita.

    formulao de hipteses sobre a escrita

    ALFABETIZAO reflexo sobre a relao entre a fala e a escrita

    uso da conscincia fonolgica

  • Conscincia fonolgica

    A conscincia metalingstica a capacidade do ser humano de

    pensar sobre a linguagem de forma consciente, expressando seu pensamento

    atravs da prpria linguagem. Dentre os componentes da conscincia

    metalingstica encontra-se a conscincia fonolgica, ou seja, a conscincia

    com relao aos sons que ouvimos e falamos.

    A conscincia fonolgica possibilita a reflexo sobre os sons da fala, o

    julgamento e a manipulao da estrutura sonora das palavras. Atravs de tal

    conscincia identificamos palavras que rimam, comeam ou terminam com os

    mesmos sons e somos capazes de manipular a estrutura sonora para a

    formao de novas palavras.

    A conscincia fonolgica envolve o reconhecimento peloindivduo de que as palavras so formadas por diferentes sons quepodem ser manipulados, abrangendo no s a capacidade de reflexo(constatar e comparar), mas tambm a de operao com fonemas,slabas, rimas e aliteraes (contar, segmentar, unir, adicionar, suprimir,substituir e transpor). (Moojen et al., 2003, p. 11).

    EXEMPLIFICANDO:

    gua mole em pedra dura

    Tanto bate at que ___________

    Luzia __ustrava o __ustre __istrado

    o __ustre __istrado __uzia na __luz

    - Lngua do p:

    A professora contou a histria dos trs porquinhos.

    __________________________________________________

  • Nveis de conscincia fonolgica

    A conscincia e a manipulao dos sons das palavras supem a

    aquisio de diferentes nveis de conscincia fonolgica. Tais nveis esto

    relacionados s diferentes maneiras atravs das quais as palavras e slabas

    podem ser divididas em unidades sonoras menores.

    a) CONSCINCIA DE RIMAS E ALITERAES permite a

    identificao de palavras que compartilham um mesmo grupo de sons, no incio

    ou no final das palavras.

    A rima faz parte da vida das crianas desde cedo, pois est presente em

    msicas, brincadeiras e histrias infantis. Essa caracterstica faz dela um nvel

    de conhecimento elementar (Rueda, 1995) que parece ser parte natural e

    espontnea do desenvolvimento lingstico (Goswami e Bryant, 1990).

    EXEMPLIFICANDO:

    Identificao de rima

    - Que palavra rima com drago? (rato / sabo / caf )

    - O que Claudionor pe embaixo do cobertor?

    Um urso de pelcia.

    Uma carta de amor.

    Um pijama estampado.

    Identificao de aliterao

    - Que palavra comea como trator? (prato / fada / trigo)

    - Troca o trigo, traz o troco.

    __oca o __inco, __az o __oco.

  • b) CONSCINCIA DE SLABAS permite o reconhecimento das slabas

    das palavras. O primeiro e talvez o mais bvio caminho da segmentao

    sonora.

    EXEMPLIFICANDO:

    Segmentao de slaba

    Quais so os pedaos (as slabas) da palavra sorvete?

    Identificao de slaba

    Qual a palavra que comea como sopa? (moa sof fita).

    c) CONSCINCIA DE FONEMAS (CONSCINCIA FONMICA)

    permite a identificao de que as palavras so compostas por fonemas, ou

    seja, pelas menores unidades de som que podem mudar o significado de uma

    palavra.

    EXEMPLIFICANDO:

    Identificao de fonemas

    - Que palavra comea com /s/?

    Segmentao de fonemas

    - Quais so os sons da palavra uva?

    RETOMANDO:

    CONSCINCIA conscincia de slabas conscincia

    de fonemas conscincia de rimas e aliteraes FONOLGICA

  • Conscincia fonolgica e alfabetizao

    Existem muitas pesquisas que investigam a relao entre conscincia

    fonolgica e alfabetizao, buscando desvendar como se d essa relao: a

    conscincia fonolgica causa ou conseqncia da aquisio da escrita?

    Estudos recentes tm demonstrado que conscincia fonolgica e

    alfabetizao se desenvolvem atravs de uma influncia recproca. Ou seja, as

    crianas antes de estarem alfabetizadas apresentam nveis de conscincia

    fonolgica que contribuem para a alfabetizao, enquanto a alfabetizao

    contribui para o aprimoramento desses nveis de conscincia fonolgica.

    CONSCINCIA FONOLGICA ALFABETIZAO

    No Brasil, estudos evidenciam que o desenvolvimento e o

    aprimoramento das habilidades em conscincia fonolgica contribuem para a

    alfabetizao. Crianas que apresentam um bom desempenho em conscincia

    fonolgica normalmente apresentaro um bom desempenho em leitura e

    escrita. Dessa forma, parece que a conscincia fonolgica pode ser uma

    ferramenta de auxlio para a alfabetizao.

    CITANDO ALGUNS ESTUDOS REALIZADOS NO BRASIL:

    Cielo (1996) realizao de treinamento em conscincia

    fonolgica e verificao de existncia de uma relao positiva

    entre o grau de conscincia fonolgica e o desempenho na fase

    inicial da leitura.

    Cardoso-Martins (1995) - estudo longitudinal sobre a relao

    entre diferentes nveis de conscincia fonolgica e a aquisio da

    escrita e da leitura. Os resultados mostraram que a conscincia

  • em relao aos fonemas de grande importncia para o xito nas

    atividades de leitura e escrita.

    Morais (1997) aplicao de um teste de conscincia fonolgica

    e comparao do desempenho de um grupo de leitores

    proficientes com o de um grupo de leitores no-proficientes.

    Constatao de que o grupo de leitores no-proficientes obteve

    piores resultados nos testes, levando concluso de que o nvel

    de conscincia fonolgica est relacionado ao desempenho na

    leitura.

    Menezes (1999) observao da conscincia fonolgica na

    relao entre a fala e a escrita de crianas com problemas de

    fala. A conscincia fonolgica pode ser encarada como um

    facilitador para a alfabetizao dessas crianas.

    Capovilla e Capovilla (2000) desenvolvimento de um

    procedimento para desenvolver conscincia fonolgica e ensinar

    correspondncias grafo-fonmicas em crianas de pr-escola a 2a

    srie. Procedimentos para desenvolver conscincia fonolgica e

    ensino sistemtico das correspondncias grafemas-fonemas

    podem prevenir e remediar atrasos em leitura e escrita.

    Costa (2002) - investigao da relao entre o desempenho em

    conscincia fonolgica de crianas no Jardim B e, futuramente, o

    desempenho dessas crianas em atividades de escrita na 1a

    srie. Crianas com altos nveis de conscincia fonolgica no

    Jardim B apresentaram melhor desempenho na escrita um ano

    depois.

    Freitas (2003) - observao, a partir de um acompanhamento

    longitudinal, do aprimoramento das habilidades metafonolgicas

    entre