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PLANEJAMENTO FINANCEIROE DETERMINAAO DO LUCRO

ADOLPH E. GRUNEWALD

"A lucratividade no uma condio existente, quepossa ser medida apenas com relao a um perioo detempo limitado; algo varivel como a temperatura docorpo humano. A determinao do lucro lquido peri-dico, feita. por um contador, pode ser comparada coara tomada de temperatura e a contagem de pulso por wnaenfermeira. A sade e o vigor atual da empresa soassim registrados, permitindo uma avaliao razovel dasfuturas possibilidades." - BION B. How ARDe MELLENUPTON

o perodo futuro das operaes de qualquer emprsa temduas implicaes bastante importantes para a administra-o de cpula. Em primeiro lugar, o resultado das opera-es ser um fluxo de entradas e desembolsos de dinheiro,que prticamente determinar, ao fim do perodo, um saldolquido de caixa diferente do registrado no incio. Em se-gundo lugar, ser computado um lucro ou prejuzo quemuito influir na existncia da emprsa a longo prazo.

A questo da lucratividade fundamental; constitui testebsico da "sade" da emprsa, sbre ser um indicador dahabilidade da administrao em desempenhar seu papelde tomada de decises e de planejamento. (1) Ademais, mediante a realizao de um lucro razovel, resultante da

ADoLPH E. GRUNEWALD- Professor de Finanas da "Michigan State Uni-versity" e Consultor-Tcnico da Faculdade de Cincias Econmicas da Univer-sidade do Rio Grande do Sul.

Nota da Redao: :Il:ste artigo foi escrito para a Revista de Administrao deEmprsas e traduzido do ingls por Milton Huppert Monte Carrnellc ,

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venda de bens ou servios socialmente desejveis, que aemprsa pode justificar sua existncia, porquanto somentedessa forma estaro disponveis o capital necessrio s ex-panses a longo prazo, os fundos para pagamento de altossalrios e os numerrios para pesquisas de desenvolvimen-to de melhores produtos.

Embora certos lucros possam ser obtidos, ocasionalmente,devido a circunstncias aleatrias, a rentabilidade de certonmero de anos , de ordinrio, resultante de bom plane-jamento, coordenao e contrle, por parte. da administra-o, das operaes da emprsa. A expresso "planejamen-to de lucro", no entanto, demasiado genrica. O mtodotem sido descrito, por diversos autores, sob muitos e varia-dos ttulos; mas, seu princpio sempre o mesmo: o reco-nhecimento do fato de determinados custos tenderem a va-riar em funo dos volumes de produo e vendas, ao pas-so que outros permanecem relativamente fixos, durantelongos e contnuos perodos, at que sejam modificadospor atos da administrao. (2) Antes, porm, de iniciara discusso do planejamento do lucro, atentemos para oprocesso de previso do lucro, importante para tal plane-jamento.

PREVISO DO LUCRO

Para estimar os lucros de um determinado perodo futurofaz-se mister o uso da anlise de correlao. (3) O em-prgo dessa tcnica requer a determinao de algum ndiceeconmico externo emprsa, varivel conforme o nvelde lucros. Precisa-se, pois, descobrir uma relao funcio-nal entre os lucros da firma e um ou mais ndices exter-nos, como, por exemplo, a taxa de nascimento ou a taxade constituio de famlias. Em outras palavras, o impor-tante que os sucessos da emprsa sejam relacionados, oucom a conjuntura econmica do pas (se fr adotado um

(1) Milton H. Spencer e Lewis Siegelman, Managerial Economics, RichardD, Irwin,' Inc., Homewood, Illinois, 1959, pg. 87.(2) David R. Anderson e Leo A. Schmidt, Practical Comrollership, RichardD. Irwin, Inc. (ed, rev.), Homewood, Illinois, 1961, pg. 468.(3) Spencer e Siegelman, op, cit., pg. 117.

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ndice nacional), ou, ento, com os acontecimentos de umsetor particular (caso seja selecionado um ndice especial),

Completo ser o trabalho se fr possvel encontrar algumarelao lgica e prxima entre as receitas da emprsa euma ou mais variveis externas. Por exemplo, uma com-panhia produtora de alimentos infantis e um fabricante demateriais de construo que pretendam fazer previso dosseus lucros para o ano prximo poderiam eleger, respecti-vamente, como ndices suficientemente fidedignos, a pri-meira o ndice de nascimentos e o segundo o ndice de cons-tituio de novas famlias. Compulsando dados anterio-res, tanto sbre suas receitas quanto sbre sses ndices,poderiam, no s verificar se as receitas anuais do passadoteriam acompanhado os ndices respectivos, mas tambm,o que mais importante, fazer a previso dos seus lucrospara o prximo ano.

GRFICO 1; RELAO MDIA ENTRE VARIVEIS

CR$

RECEITA

VARIVEL INDEPENDENTE

Uma forma relativamente simples de apresentar essa rela-o consiste em assinalar, num grfico, a varivel depen-dente (receitas) sbre a ordenada e a varivel indepen-dente (ndice de nascimentos ou de constituio de novasfamlias) sbre a abscissa; mediante sse dado pode sercalculada a curva de regresso, que indica a relao mdiaentre a varivel independente e as receitas, como mostrao Grfico 1.

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o rigor da previso do lucro depender, grandemente, dograu de fidedignidade existente entre as variveis depen-dente e independente. Se as receitas forem bastante re-lacionadas com o ndice selecionado, a previso de receitasser fidedigna; mas, se existir apenas remota associaocom o ndice, essa previso no ser de muita fidedignidadede ano para ano.

Se uma relao lgica como essa no puder ser encontra-da, a tarefa de estimar receitas torna-se mais difcil peloemprgo dsse mtodo. Nesse caso, as variveis indepen-dentes propriamente ditas devem ser estimadas antes quese faa a previso de receitas, porquanto a preciso destadepender, grandemente, da exatido da estimativa da-quelas e do grau de inter-relao dos dois fatres.

A margem de rro pode ser reduzida mediante o emprgode ndices freqentemente estimados por agncias gover-namentais e particulares, tais como os referentes ao pro-duto nacional bruto, produo industrial e renda dis-ponvel. Mesmo assim, para determinar as variveis comque as receitas da emprsa esto mais diretamente relacio-nadas, indispensvel a anlise acurada da problemticaeconmica, bem como o uso criterioso de juzos de valor.

Essa tcnica de previso do lucro especialmente til noplanejamento a longo prazo e no auxlio tomada de de-cises para expanso de fbricas e aquisio de maquina-ria. (4) Tambm tem sido muito til na rea do planeja-mento financeiro, por fornecer diretrizes para determina-o dos nveis de financiamento e liquidao de dbitos eproporcionar orientao segura poltica de distribuiode dividendos.

PLANEJAMENTO DO LUCRO

Alm da mera previso do lucro mediante projeo dasoperaes passadas no futuro e conseqente estabelecimen-

(4) Robert W. Johnson, FinanciaI Management, Allyn and Bacon, Inc., 2.0ed., Homewcod, Illinois, 1961, pg. 110.

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to de relao com algum ndice, perfeitamente possvelo planejamento real do lucro para o perodo seguinte, de-vido ao fato de muitos itens de custos poderem ser sepa-rados segundo o seu carter de custos variveis ou no va-riveis . A diviso dos custos em variveis (para linhasde produtos) e no-variveis (para produtos individuais)torna possvel a determinao do efeito das variaes emvolume sbre os lucros com a vantagem de indicar ele-mentos diretamente ligados ao planejamento das futurasoperaes, tais como o nvel de produo, o grau de esfrode vendas a ser empreendido e a poltica de compras aser adotada. (5)

A. Seleo de Produtos. A determinao do produto aser fabncado com o pessoal e maquinaria disponveis, quan-do a demanda suficientemente alta para mant-los fun-cionando a plena capacidade, constitui simples, mas im-portante aplicao do mtodo de planejamento do lucro.Observe-se o caso da indstria txtil. Conforme as con-dies de capacidade de vendas, a seleo do tecido a serproduzido pode ser feita atravs do clculo de quanto seganhar, com cada tipo de tecido, em cruzeiros-lucro sbreos custos variveis, por hora de operao da fbrica. Nocaso de substituio de um tipo de tecido por outro delevar-se em conta o custo dessa mudana, condicionado eventual necessidade da aquisio de algum equipamentoespecial, bem como pela probabilidade de haver diferencialde lucro entre os dois tecidos em fabricao e, ainda, pelosefeitos que a alterao provoque nas relaes da emprsacom os seus consumidores.

No exemplo acima o processo de fabricao singular. Oclculo se torna mais complexo quando mais de um pro-cesso utilizado. Mesmo neste caso, contudo, se os pro-cessos, embora plrimas, forem contnuos e uniformes, omesmo mtodo poder ser aplicado.

(5) T. G. Rose e Donald E. Farr, Higher Management ControI, McGraw-Hill Book Co., Nova Iorque, 1957, pg. 33.

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A alta administrao, por outro lado, deve certificar-se deque a produo planejada seja proporcional capacidadede todos os departamentos. Quando, no entanto, se quisermodificar a produo visando a reduzir o nmero de m-quinas-horas, dever-se- ter em mente que essa reduos ser efetivamente econmica se no determinar o dis-trbio do plano organizacional existente e se no entrar emconflito com as polticas de mo-de-obra da emprsa. Oideal conduzir o planejamento das operaes de forma aequilibr-las com a capacidade de produo de todos os de-partamentos . Se tal fr conseguido, a emulao existenteentre os departamentos tender a manter alta produtivi-dade por operrio-hora e contrabalanar os custos vari-veis com os escales padronizados.

B. Determinao do Nvel de Operaes. Quando a altaadministrao estiver em face de uma operao complexaque envolva extensa variedade de produtos. sujeitos a pro-cessos diferentes, muito mais difcil ser, como j disse-mos, sua tarefa de planejamento do lucro. O mtodo aquiexposto tem maior aplicabilidade quando a produo totalpossa ser vendida e o problema seja o de determinar o