PREVENÇÃO DA DOENÇA RENAL: CONHECENDO ?· PREVENÇÃO DA DOENÇA RENAL: CONHECENDO O PERFIL CLÍNICO…

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    29-Sep-2018

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  • PREVENO DA DOENA RENAL: CONHECENDO O PERFIL

    CLNICO EPIDEMIOLGICO DOS USURIOS DO ESF JARDIM

    PRIMAVERA NO MUNICPIO DE CRUZ ALTA SILVA, Priscila Morgan da

    1; MARISCO, Nara da Silva

    2

    Palavras chaves: Preveno. Doena Renal. Estratgia Sade da Famlia.

    Introduo

    A Doena Renal Crnica constitui hoje em um importante problema de sade

    pblica. No Brasil, a prevalncia de pacientes mantidos em programa crnico de dilise mais

    que dobrou nos ltimos oito anos. Esta doena consiste em leso renal e perda progressiva e

    irreversvel da funo dos rins. Em sua fase mais avanada, os rins no conseguem mais

    manter a normalidade do meio interno do paciente (ROMO JUNIOR, 2004). O autor,

    comenta que a deteco precoce da doena renal e condutas teraputicas apropriadas para o

    retardamento de sua progresso pode reduzir o sofrimento dos pacientes e os custos

    financeiros associados doena. Para contribuir na sade da populao, foram criadas

    polticas de sade com novas estratgias as famlias, compreendendo-a como elemento chave

    no cuidado com a sade de seus membros e na melhoria da qualidade de vida.

    Nesse contexto, se insere a Estratgia de Sade da Famlia, com atuao na otimizao da

    preveno da doena renal tendo como pressuposto a natureza mltipla dos fatores de risco

    que envolve a doena, requerendo, uma abordagem integral e interdisciplinar, competncias

    atribuveis aos profissionais de ateno primria de sade. No incomum que os indivduos

    que compem o chamado grupo de risco para a doena (diabticos, hipertensos, idosos,

    familiares de pacientes em terapia renal substitutiva, os portadores de doena

    cardiovasculares) sejam inicialmente atendidos pela equipe de ESF e, para evitar o

    encaminhamento tardio para ateno nefrolgica, importante que estes profissionais

    possuam conhecimento sobre a doena, suas principais complicaes e comorbidades e

    estejam familiarizados com as principais medidas que interrompem ou diminuem a perda da

    funo renal (BASTOS e BASTOS, 2007).

    A atuao do enfermeiro na preveno e progresso da doena renal se d a partir

    das necessidades reais da clientela. preciso detectar os grupos de risco, bem como os

    indivduos com a doena instalada, nos quais a avaliao da funo renal imprescindvel.

    Quanto as atividades do enfermeiro na estratgia deve ir alm de conhecer o estadiamento da 1 Acadmica do Curso de Enfermagem - pri.morgan@hotmail.com 2 Docente do Curso de Enfermagem Mestre em Enfermagem naramarisco@gmail.com

  • doena, deve intervir junto aos usurios. O enfermeiro possui importante papel de cuidador e

    educador, alm do compromisso tico e profissional, que o torna um dos grandes responsveis

    por sistematizar e incentivar o autocuidado, desenvolver atividades educativas de promoo

    de sade, reduzir a incidncia da doena, bem como buscar a melhoria da qualidade de vida

    (TRAVAGIM; KUSUMOTA, 2009).

    Assim, este estudo tem por enfoque a preveno da doena renal, buscando

    contribuir com os estudos na rea de Nefrologia por meio do delineamento do perfil

    epidemiolgico dos usurios de uma Estratgia de Sade da Famlia.

    Metodologia

    Este estudo foi realizado na Estratgia Sade da Famlia Jardim Primavera do

    Municpio de Cruz Alta -RS, no perodo de janeiro a outubro de 2011. Pesquisa

    epidemiolgica, com abordagem qualiquantitativa, exploratria descritiva. A populao foi

    formada pelos usurios atendidos pela estratgia em questo e a amostra foi composta por 50

    usurios atendidos que aceitaram a participar do estudo. Os dados coletados dos pronturios

    foram dados de aspectos clnicos e scio-econmicos. Para coleta de dados relativos a

    preveno da doena renal, foi utilizado um instrumento validado do tipo entrevista,

    utilizando a Ficha Unificada de Atendimento Previna-se preconizada por Kirsztjn (2007).

    Para anlise dos dados foi utilizado a estatistica descritiva, representada pelas mdias das

    frequncias encontradas.

    Resultados e Discusso

    Os dados mostraram uma maior frequncia de mulheres em 60%, maioria branca

    em 54%, do lar em 44%, a maioria, 80%, possui renda mensal de at um salriio mnimo,

    evidenciando uma miserabilidade latente dos usurios da ESF. Embora a situao econmica

    do paciente que possa vir a desenvolver DRC no seja um fator que contribua para o

    surgimento da doena, indivduos com grau de escolaridade maior e culturalmente mais

    elevados possuem maior conscincia de buscar tratamento. Observou-se que 12% dos

    usurios so diabticos e 30% so hipertensos. Para Barros et al, (1999) diabetes mellitus

    uma das causas mais comuns para o surgimento da insuficincia renal crnica. Romo Jnior

    (2004) coloca que portadores de hipertenso arterial, tm maior probabilidade de

    desenvolverem insuficincia renal crnica. Como a Hipertenso tem maior incidncia em

    homens, pode-se relacionar este dado doena de base que causou a insuficincia renal. Os

    resultados mostraram que 16% dos usurios so fumantes. O tabagismo, juntamente com a

    hipertenso e as doenas caerdiovasculares constituem fatores de risco para o

    desenvolvimento e progressio da Doena Renal Crnica. O fumo possui efeitos

  • vasoconstritores trombolticos e age direto no endotlio vascular, ocasionando a falncia

    renal.Em relao aos familiares com diabetes, constatou-se que 36% dos usurios referiram

    possuir familiar com diabetes e 32% com familiares com hipertenso arterial. O fator gentico

    influencia sobremaneira na incidncia da diabetes mellitus, normalmente h uma clara

    incidncia do fator familiar ao surgimento da diabetes. (FRANCO, 1998). Em relao

    familiares com Doena Renal, 2% dos entrevistados responderam afirmativamente, e

    familiares com doenas cardiovasculares o percentual chegou a 6%. A predisposio gentica

    da Doena Renal crnica j foi demonstrada pelo fato de que h uma maior prevalncia entre

    familiares de primeiro e segundo grau do que em indivduos de uma comunidade .Tambm

    constatou-se que 84% dos sujeitos so sedentrios, sendo que o sedentarismo, por si s, no

    leva diretamente o individuo a desenvolver DRC. Constatou-se que a maioria dos sujeitos no

    sabem se possuem alguma doena, com 60% dos resultados e os demais disseram que

    possuem, com 40% dos dados. Dentre as doenas mencionadas tivemos: Acidente Vascular

    Enceflico, Cistite, Depresso, Infarto do Miocrdio, Incontinncia urinaria e Transtorno

    Bipolar. Em relao s mdias de presso arterial dos usurios do ESF, a mdia foi de

    135,2x64,7 sendo considerada no estgio normal-limtrofe, segundo as Diretrizes Brasileiras

    de Hipertenso Arterial (2007); o ndice de Massa corporal ficou em 24, 87 e a Circunferncia

    Abdominal em 69, 53 centmetros. Em relao a presena de doena renal, os dados

    mostraram que todos os investigados, ou seja 100% referiram no apresentar doena renal, no

    entanto a incidncia e a prevalncia da doena renal em estdio terminal tem aumentado

    progressivamente, a cada ano, em propores epidmicas, no Brasil e em todo o mundo. O

    custo elevado para manter pacientes em tratamento renal substitutivo (TRS) tem sido motivo

    de grande preocupao por parte de rgos governamentais, que em nosso meio subsidiam

    95% desse tratamento. A despeito de inmeros esforos para se coletar dados a respeito de

    pacientes com IRCT no Brasil, ainda no temos um sistema nacional de registro que fornea

    anualmente dados confiveis do ponto de vista epidemiolgico (SESSO, 2011).

    Consideraes Finais

    Com este estudo foi possvel determinar o perfil clnico e epidemiolgico

    relacionados Doena Renal Crnica nos usurios adscritos no ESF Jardim Primavera do

    Municpio de Cruz Alta-RS. Em relao, ao grau de risco para Doena Renal Crnica, pode-se

    observar que no pblico pesquisado no houve nenhum diagnstico de Doena Renal Crnica,

    mas h percentuais significativos pertencentes ao grupo de risco para desenvolver a doena.

    Desta Forma, apesar de parte dos usurios entrevistados apresentarem fatores de risco ainda

    no ocorreu o surgimento da doena, destacando a carter crnico da mesma, enfatizando a

  • necessidade de estratgia em questo implantar um programa de preveno doena. Desta

    forma, fundamental a criao e a manuteno a longo prazo de um sistema de informaes

    com registro, anlise e divulgao de dados epidemiolgicos de pacientes com insuficincia

    renal crnica em fase no terminal e em tratamento renal substitutivo no pas, para que seja

    possvel melhor planejamento da assistncia e melhor efetividade do tratamento.

    Referncias

    BARROS, Elvino.; MANFRO, Roberto.; THOM, Fernando.; GONALVES, Luiz Felipe. Nefrologia:

    Rotinas, diagnsticos e tratamento. Porto Alegre: Artes Mdicas, 1994, 1999.

    BASTOS, Rita Maria Rodrigues.;BASTOS, Marcus Gomes. Insero do Programa de Sade da Famlia na

    Preveno da Doena Renal Crnica. J. Bras Nefrol. Volume XXIX - n 1 - Supl. 1 - Maro de 2007.

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    uma cliente com insuficincia renal crnica: a histria oral como estratgia de pesquisa. Revista Eletrnica

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    2011.

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    KIRSZTAJN, Gianna Mastroianni.; BASTOS, Marcus Gomes. Proposta de Padronizao de um Programa de

    Rastreamento da Doena Renal Crnica. J Bras Nefrol Volume XXIX - n 1 - Supl. 1 - Maro de 2007.

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    SESSO, Ricardo. Epidemiologia da Doena Renal Crnica no Brasil e sua Preveno. Secretaria de Estado

    da Sade - Coordenadoria de Controle de Doenas - Centro de Vigilncia Epidemiolgica. Disponvel em:

    ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/cronicas/irc_prevprof.pdf. Acesso em novembro de 2011.

    TRAVAGIM, Darlene Suellen Antero.; KUSUMOTA,Luciana. Atuao Enfermeiro na Preveno e Progresso

    da Doena Renal Crnica. do Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2009 jul/set; 17(3):388-93.

    http://www.fen.ufg.br/ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/cronicas/irc_prevprof.pdf

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