Racionalidade e objetividade científicas

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Coleção Rumos da Epistemologia 12 Osvaldo Pessoa Jr., Luiz Henrique Dutra (orgs.)

Text of Racionalidade e objetividade científicas

  • RUMOS DA EPISTEMOLOGIA, VOL. 12

    Racionalidade e Objetividade Cientficas

  • Universidade Federal de Santa Catarina Reitora: Roselane Neckel Departamento de Filosofia Chefe: Gustavo Caponi Programa de Ps-Graduao em Filosofia Coordenador: Alessandro Pinzani NEL Ncleo de Epistemologia e Lgica Coordenador: Cezar A. Mortari GECL Grupo de Estudos sobre Conhecimento e Linguagem Coordenador: Luiz Henrique de A. Dutra

  • RUMOS DA EPISTEMOLOGIA, VOL. 12

    Osvaldo Pessoa Jr. Luiz Henrique de Arajo Dutra

    (orgs.)

    RACIONALIDADE E OBJETIVIDADE CIENTFICAS

    NEL Ncleo de Epistemologia e Lgica Universidade Federal de Santa Catarina

    Florianpolis 2013

  • 2013, NEL Ncleo de Epistemologia e Lgica, UFSC ISBN: 978-85-87253-20-0 (papel) 978-85-87253-21-7 (e-book) Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Filosofia e Cincias Humanas Bloco D, 2 andar, sala 209 Florianpolis, SC, 88010-970 (48) 3721-8612 nel@cfh.ufsc.br www.cfh.ufsc.br/~nel

    Catalogao na fonte pela Biblioteca Universitria da

    Universidade Federal de Santa Catarina

    Reservados todos os direitos de reproduo total ou parcial por NEL Ncleo de Epistemologia e Lgica, UFSC.

    Impresso no Brasil

    Reservados todos os direitos de reproduo total ou parcial por NEL Ncleo de Epistemologia e Lgica, UFSC.

    Impresso no Brasil

    R121 Racionalidade e objetividade cientficas / Osvaldo

    Pessoa Jr., Luiz Henrique de Arajo Dutra

    (orgs.) . Florianpolis : UFSC/NEL, 2013. 258 p. : il. (Rumos da epistemologia, v. 12)

    Inclui bibliografia.

    1. Cincia - Filosofia. 2. Racionalismo. I. Pessoa

    Junior, Osvaldo. II. Dutra, Luiz Henrique de Arajo.

    CDU: 001:1

  • APRESENTAO

    Qual o estatuto da racionalidade e da objetividade na cincia? Essas questes foram os temas de discusso de dois minicursos realizados no Encontro Nacio-nal da ANPOF (Associao Nacional de Ps-Graduao em Filosofia), sob a responsabilidade do Grupo de Trabalho em Filosofia da Cincia, no qual se incluem todos os docentes que assinaram os artigos do presente livro.

    No XIII Encontro, realizado em Gramado, RS, de 7 a 10 de outubro de 2008, quatro aulas foram ministradas sobre a racionalidade na cincia, sendo coordenadas por Slvio Seno Chibeni, com aulas apresentadas por Alberto Cu-pani, Luiz Henrique Dutra, Caetano Plastino e Alberto Oliva. Os textos corres-pondentes a essas aulas esto no presente volume, juntamente com contribui-es de Oswaldo Melo Souza Filho e Sofia Stein para o tema da racionalidade na cincia.

    No XIV Encontro, realizado em guas de Lindoia, SP, de 5 a 8 de outubro de 2010, o tema coberto foi a objetividade cientfica, com aulas de Alberto Cu-pani (coordenador), Osvaldo Pessoa Jr., Jorge Molina e Samuel Simon. A con-tribuio de Cupani foi publicada na revista Scientiae Studia 9 (2011), e portan-to no foi includa no presente volume. Alm dos textos dos outros trs autores mencionados, publicamos tambm o artigo a trs mos de Priscila Silva Araujo, Andr Mendona e Antonio Videira, e o estudo de Ricardo Jardim Andrade, todos versando sobre a objetividade nas cincias naturais ou nas cincias huma-nas.

    *

    O livro se inicia com a aula introdutria de Alberto Cupani sobre debates re-centes a respeito da racionalidade na cincia, enfocando em especial a discusso sobre a autonomia da cincia, envolvendo John Ziman e Helen Longino, entre outros. O professor cordobs, radicado em Florianpolis h muitos anos, ar-gumenta que as crticas filosficas e sociolgicas concepo tradicional da ra-cionalidade cientfica se fundamentam em mal-entendidos ou exageros referen-tes s dificuldades tericas que de fato existem, tais como a subdeterminao de teorias cientficas pelos dados empricos e a construo social dos fatos cientfi-cos. Por outro lado, Cupani tambm explora como a tecnocincia se coloca como ameaa racionalidade da cincia.

    Seu colega de departamento Luiz Henrique de Arajo Dutra tambm parte de uma caracterizao da concepo tradicional da racionalidade cientfica, se-gundo a qual a cincia um empreendimento essencialmente racional em todas as suas atividades. No entanto, prope uma concepo alternativa da racionali-

  • dade cientfica, baseada nas noes de sistema hierrquico, racionalidade restri-ta, cognio distribuda e mente estendida, inspirando-se em autores como Herbert Simon, Edwin Hutchins, Andy Clark e John Dewey. O filsofo ribei-ropretano argumenta que os contextos de investigao cientfica podem ser racionais, mas que tal racionalidade depende da forma como se constitui o con-texto cientfico.

    Por seu turno, Caetano Ernesto Plastino explora a racionalidade das esco-lhas entre hipteses ou teorias cientficas rivais, no caso em que elas sejam igualmente adequadas experincia e ao corpo aceito de crenas. Autores de tendncia realista defendem que devemos inferir aquela que fornea a melhor explicao para a classe de fatos envolvidos. O filsofo araraquarense busca caracterizar este procedimento de inferir a melhor explicao, avaliando sua eficcia nos contextos dos debates cientficos e filosficos, e discutindo as con-cepes de autores como Peter Lipton, Hartry Field, Bas van Fraassen, Paul Churchland, Paul Horwich e Paul Thagard.

    Alberto Oliva discute qual profissional se mostra mais apto a reconstruir a racionalidade cientfica, se o cientista ou o filsofo da cincia. Para responder esta questo, o autor carioca considera as concepes de filsofos, como G.W.F. Hegel e Giambattista Vico, de socilogos, como mile Durkheim, Max Weber e o Programa Forte da sociologia da cincia, e tambm de cientistas, como Isaac Newton. Conclui que os cientistas carecem, at certo ponto, do en-tendimento do que fazem, mas isso no significa que a anlise feita por filsofos e socilogos seja exitosa.

    Oswaldo Melo Souza Filho apresenta uma proposta de racionalidade cient-fica baseada no estudo do pensamento de Leibniz feitos por Marcelo Dascal. O racionalismo de Leibniz combina duas racionalidades: a dura, que segue o modelo dedutivo da lgica e da matemtica, e a branda (blandior), que en-frenta situaes contextualizadas nas quais so empregados procedimentos ra-zoveis e no demonstrativos de deliberao, negociao e persuaso. O en-contro dessas duas razes da dialtica leibniziana fornece um modo alternativo para entender e explicar a racionalidade cientfica.

    No ltimo artigo dedicado ao tema da racionalidade cientfica, Sofia Ins Albornoz Stein analisa o realismo inocente de Susan Haack, refletindo sobre a relao entre sua noo de verdade e a identificao de gerais (generals), mais especificamente espcies naturais. Para tanto, a filsofa gacha confronta as posies de Hilary Putnam e de Willard Quine com o realismo de Haack, elaborando argumentos que possibilitem a compreenso da perspectiva filosfi-ca da pensadora inglesa. Explora tambm um exemplo de classificao na Bio-logia, como exemplo de aplicao do realismo inocente.

    *

  • A segunda parte do livro, que discute sobre a objetividade cientfica, inicia-se com o artigo de Osvaldo Pessoa Jr., que salienta dois sentidos do termo objeti-vidade: o de veracidade (no sentido de verdade por correspondncia) e o de intersubjetividade. O filsofo da cincia paulistano investiga o segundo sentido, definindo o que chama de OBJETIVIDADE2 como invarincia ante mudana nas histrias possveis da cincia. Com isso, conclui que muitos fatos, leis, perguntas e instrumentos podem ser considerados objetivos, mas em geral no as teorias cientficas (nos casos de subdeterminao da teoria pelos dados experimentais). Define os conceitos de realismo especular, realismo no especular, construti-vismo objetivista e duas formas de relativismo.

    Jorge Molina apresenta um estudo da objetividade da Matemtica, discutin-do a questo por trs vias. A via semntica envolve as tentativas de fundamentar a certeza e a exatido da matemtica sobre a base da natureza dos enunciados matemticos. A via epistemolgica consiste nas abordagens que fundamentam a certeza da Matemtica a partir de uma anlise das provas matemticas. E a via ontolgica discute os traos distintivos do conhecimento matemtico a partir de um exame da natureza das entidades matemticas.

    Samuel Simon discute a noo de objetividade na Teoria da Relatividade, enfocando trs sentidos diferentes do termo: como intersubjetividade, como neutralidade e no sentido epistemolgico, estabelecendo uma identificao en-tre objetividade epistemolgica e realismo cientfico. Em seu estudo, o filsofo da cincia radicado em Braslia examina diferentes formulaes do princpio de relatividade ao longo da histria, mostrando como este conceito fundamenta, na teoria de Einstein, uma noo de objetividade fsica.

    As concepes de objetividade sustentadas por Paul Feyerabend e Richard Rorty so o tema do artigo de Antnio Augusto (Guto) Videira, em coautoria com Priscila Silva Araujo e Andr L. de O. Mendona. Os pensamentos de Feyerabend e Rorty so comumente associados ao relativismo, posio conside-rada anticientfica por boa parte da filosofia da cincia, na medida em que no reconhece a cincia como um conhecimento objetivo. Ambos, porm, defen-dem uma concepo de real e de objetividade, oferecendo uma defesa da cin-cia sem recorrer ao argumento da superioridade epistmica desta. Percebem que a defesa da cincia uma questo poltica e, como tal, deve ser tratada e discutida, mas nem por isso deixam de reconhecer a cincia como um conhe-cimento objetivo.

    O ltimo captulo do volume, de autoria de Ricardo Jardim Andrade, discu-te a questo da objetividade nas cincias humanas, segundo as concepes da hermenutica de Wilhelm Dilthey e do estruturalismo de Claude Lvi-Strauss. Num primeiro momento, as concepes desses autores divergem. Explica-se