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REVISTA RG&SA1

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  • Revista Gesto&

    Sustentabilidade Ambiental

    Revista Gesto&

    Sustentabilidade AmbientalISSN 2238-8753

  • Revista Gesto & Sustentabilidade Ambiental............ ISSN 2238-8753

    Sumrio v. 1, n. 1 (2012)

    SUMRIO

    Editorial.................................................................................................................p. 1-5

    Artigos:

    Decomposio de compostos orgnicos volteis oriundos de postos de gasolina por plasma de descarga corona..................................................................................................................p. 6-18

    O Sistema de Informao Geogrfica para o planejamento e a gesto sustentvel do turismo.................................................................................................................p. 19-32

    Produo de biodiesel a partir do leo de fritura usado e o empoderamento da comunidade.........................................................................................................p. 33-40

    Estudos de Caso:

    A utilizao de recifes artificiais marinhos como ferramenta de recuperao da fauna marinha..............................................................................................................p. 41-73

    Avaliao do uso do rejeito gerado pelo beneficiamento da Rocha Fosfatada na Agricultura........................................................................................................p. 74-122

    Introduo de Relatrios de Sustentabilidade como forma de melhoria no controle das Organizaes.................................................................................................p. 123-155

    Reduo dos remanescentes de Adansonia Digitata (Imbondeiro, Embondeiro ou Baob) no permetro de Luanda.....................................................................p. 156-182

    Reduo de emisso de CO2 nas atividades areas da Empresa Area ABSA S.A., com nfase na reduo de consumo de combustveis fsseis......................p. 183-197

    reas de Preservao Permanente em encostas: Delimitao atravs de Dados SRTM............................................................................................................ p. 198-254

    Projeto de preservao do Cervo-do-pantanal no Banhado dos Pachecos, Municpio de Viamo - RS..............................................................................................p. 255-269

    Entrevista:

    Entrevista com o Diretor do Campus Unisul Virtual......................................p. 270-271

    Notcias:

    Reconhecimento do Curso Superior de Tecnologia em Gesto Ambiental.............................................................................................................p. 272

    Projeto Pedaggico do Curso Superior de Tecnologia em Gesto Ambiental

    da Unisul, atualizado e em nova etapa de transformao..................................p. 273

    Registro do Curso no CREA/SC e as atribuies profissionais..........................p. 274

  • R. gest. sust. ambient., Florianpolis, v. 1, n.1, p. 1-5, abr./set. 2012.1

    A implantao e o desenvolvimento do Curso de Gesto Ambiental da Unisul,curso na modalidade EaD, do Campus Unisul Virtual, fez surgir algumaslacunas e demandas novas que comearam a estimular novos objetivos aserem alcanados, aes que foram pauta de diversas reunies daCongregao do Curso.

    Com a determinao presente, e focado no novo modelo em desenvolvimentona Unisul, voltado para a Educao Permanente, sempre construindo o novo,com os alicerces no trip ensino-pesquisa e extenso, emerge o projeto decriao, implantao e manuteno de Revista Eletrnica do Curso e da rea.

    Para se chegar a esta edio da primeira Revista Cientfica Eletrnica nombito do Campus Unisul Virtual, houve um planejamento prvio envolvendodiversos segmentos do Campus a partir do Ncleo Docente Estruturante e daCongregao de Curso, passando pela aprovao e orientao da Direo daUnisul Virtual, avalizada pela Pr - Reitoria de Ensino, Pesquisa e Extenso daUnisul e culminando com o apoio fundamental da equipe da BibliotecaUniversitria, responsvel pelo Portal de Peridicos da Universidade.

    Com esta base estrutural, concisos e coerentes na construo deste novoespao de aprendizagem, de debates e de apresentao de estudos, projetos eaes, apresentamos comunidade Acadmica, sociedade cientfica, e sociedade em geral a primeira edio da Revista Gesto & SustentabilidadeAmbiental.

    Este projeto nasce, com o firme propsito de estabelecer um vnculo real entrea Academia e a Sociedade, pela apresentao e produo de contedosacadmico-cientficos, demonstrando a aplicao e a evoluo dosdelineamentos tericos entre outras descobertas que merecem e devem serpublicadas e divulgadas para a sociedade.

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    Desta forma o uso de arquivos e ferramentas digitais torna o processo deproduo e socializao de contedos, mais amplo, proporcionando maiorvisibilidade s aes desenvolvidas na Academia, tanto dentro como fora dela.

    O SEER- Sistema Eletrnico de Editorao de Revistas, j em uso na Unisul,proporciona aos cursos e em especial ao Curso de Gesto Ambiental, adivulgao e publicao de suas Atividades, Estudos, Artigos Cientficos,Projetos de Pesquisa e Extenso, para todo o universo de interessados nosassuntos vinculados gesto ambiental.

    Com este projeto procura-se incrementar a produo acadmica, dentro darea de Gesto e Sustentabilidade Ambiental, abrindo espaos para apublicao no Portal de Peridicos da Unisul, criando oportunidades para o seuCorpo Docente e Discente, em estmulo produo de novos contedos,anlises e pesquisas cientficas. Desta forma promove a Universidade, osCursos, os Professores, os Pesquisadores e Acadmicos da Universidade.

    Esta publicao tem como objetivos:

    Oportunizar a publicao cientfica e pedaggica dos Estudos epesquisas desenvolvidas no ambiente acadmico;

    Incentivar a publicao peridica cientfica da Unisul, e em especial doCampus Unisul Virtual, disseminando a produo acadmica e cientficada Unisul;

    Divulgar o potencial do Curso de Gesto Ambiental e demais Cursos daUnisul para a sociedade por meio da produo acadmica e cientfica narea em foco;

    Contribuir no processo de ensino-aprendizagem, na pesquisa e extensorelativas rea de gesto e sustentabilidade ambiental;

    Fomentar a prospeco de parcerias institucionais, para projetos deensino, pesquisa e extenso.

    As publicaes deste peridico tero como rea de concentrao: a gesto e asustentabilidade ambiental sob todos os pontos de vista, quer seja, dentro dos

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    aspectos conceituais das engenharias, da tecnologia em gesto ambiental, daadministrao, assim como das cincias humanas e sociais aplicadas.

    O pblico alvo num primeiro momento ser composto por acadmicos eprofessores do Curso de Gesto Ambiental da Unisul, Campus Virtual e dosdemais Cursos e acadmicos da Unisul com concentrao e aes nesta rea.Num segundo momento, profissionais do setor, professores e pesquisadoresda Unisul e de outras Instituies com produo cientfica na rea de interesse.E em momento contnuo, a Comunidade Acadmica e a ComunidadeCientfica, estabelecendo um novo Frum de publicao e discusso decontedos relativos Gesto e a Sustentabilidade Ambiental.

    Desta forma convido a todos a se cadastrarem como usurios ou como autoresparticipando ativamente na construo do conhecimento, neste espaoacadmico-cientfico que se prope a debater temas relacionados gesto e asustentabilidade ambiental.

    Nesta primeira Edio da Revista Gesto & Sustentabilidade Ambiental, naSeo de Artigos, apresentamos trs Artigos Cientficos e na Seo deEstudos de Caso, apresentamos sete Estudos de Caso, todos desenvolvidospor Professores e Acadmicos da Universidade do Sul de Santa Catarina.

    O primeiro Artigo trata da Decomposio de Compostos Orgnicos Volteisoriundos de Postos de Gasolina, por Plasma de Descarga Corona,constituindo-se em estudo vinculado rea de Poluio Ambiental eTratamento de Efluentes.

    O segundo artigo trata do uso do Sistema de Informao Geogrfica para oPlanejamento e a Gesto Sustentvel do Turismo, constituindo-se em estudovinculado rea de Sensoriamento Remoto e SIG.

    O terceiro artigo trata da converso de leos de fritura em biocombustveis emprojeto comunitrio para abastecimento de barcos de pesca, constituindo-seem estudo vinculado ao reaproveitamento de resduos e a gerao de energiasalternativas.

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    Na seo de Estudos de Caso, apresentamos sete estudos, sendo que oprimeiro Estudo de Caso trata da utilizao dos Recifes Artificiais Marinhos,como ferramenta para a recuperao da Fauna e Flora Marinha, revelando-seuma boa opo para a recuperao das mesmas. Constituiu-se em estudovinculado rea de Conservao e Recuperao Ambiental.

    O segundo Estudo de Caso, trata da Avaliao do uso do rejeito gerado pelobeneficiamento da rocha fosfatada na agricultura, constituindo-se numanecessidade de ordem ambiental e como suplemento nutricional em sistemasprodutivos, constituindo-se de estudo vinculado rea de Conservao eRecuperao Ambiental e Gesto de Resduos.O terceiro Estudo de Caso trata da Introduo de Relatrios desustentabilidade como forma de melhoria no controle das organizaes,contribuindo para a identificao dos indicadores ambientais nas organizaes,constituindo-se de estudo vinculado rea temtica de Avaliao Ambiental.O quarto Estudo de Caso trata da Avaliao da Reduo dos remanescentesde Adansonia digitada (Imbondeiro, Embondeiro ou Baob) no permetro deLuanda, em Angola, constituindo-se em estudo vinculado rea deConservao e Preservao Ambiental.O quinto Estudo de Caso trata da Reduo de emisso de CO2 nas atividadesareas da empresa area ABSA S.A., com nfase na reduo de consumo decombustveis fsseis. Constituindo-se de estudo vinculado Reduo deemisses atmosfricas e reduo no consumo de recursos naturais.O sexto Estudo de Caso trata da delimitao de reas de PreservaoPermanente em encostas: Delimitao atravs de dados SRTM, constituindo-se em um estudo de viabilidade da aplicao do Modelo Digital de Elevao MDE, constituindo-se de estudo vinculado rea de Sensoriamento Remoto /SIG e a Conservao Ambiental.O stimo Estudo de Caso trata do Projeto de Preservao do Cervo do Pantanal no Banhado dos Pachecos, no Municpio de Viamo RS,constituindo-se de estudo vinculado rea de Conservao e PreservaoAmbiental.

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    Na seo Entrevista apresentamos uma breve entrevista com o Diretor doCampus Unisul Virtual, professor Moacir Heerdt, e na Seo Notcias,apresentamos notcias importantes relacionadas ao Curso de GestoAmbiental da Unisul Virtual.Desejamos a todos uma excelente interao com nossa Revista, boas leiturase votos de intensa colaborao na confeco, avaliao e envio de trabalhospara publicao.

    Jairo Afonso Henkes, M.Sc.Coordenador de Gesto Ambiental

    Editor da Revista Gesto & Sustentabilidade Ambientale-mail: [email protected]

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    DECOMPOSIO DE COMPOSTOS ORGNICOS VOLTEIS ORIUNDOSDE POSTOS DE GASOLINA, POR PLASMA DE DESCARGA CORONA

    Marlia de Medeiros MachadoAnelise Leal Vieira Cubas

    RESUMO

    A formao de hidrocarbonetos volteis tem se tornado um fator causador de impactoambiental, no tocante s indstrias petroqumicas. Nessas indstrias, as principaisemisses de compostos orgnicos volteis (COVs), como benzeno e tolueno, emconjunto com a presso de vapor prxima ou acima da atmosfrica, estorelacionadas com a carga, descarga e armazenamento dos combustveis. Os impactosprovenientes da emisso de compostos orgnicos volteis para atmosfera acarretamem conseqncias sade humana, expondo a populao aos hidrocarbonetos, aomeio bitico e ao meio fsico. Nesse sentido, o presente estudo prope um mtodo detratamento desses compostos atravs da utilizao de tecnologia de plasma descargacorona. A metodologia do trabalho baseou-se na coleta de amostras de gasolina empostos de combustveis na regio da Grande Florianpolis e sua eficincia foi testadaanalisando-se os gases provenientes da pirlise da gasolina realizada pelo plasma,atravs de um identificador de gases por infravermelho e pelo mtodo dacromatografia gasosa. Os resultados mostram que o tempo de permanncia ideal daamostra no plasma foi o de 8 minutos.Palavras-chave: Plasma. Compostos orgnicos volteis. Descarga corona.

    Engenheira Ambiental - UNISUL - Universidade do Sul de Santa CatarinaEmail: [email protected]

    ** Engenheira Qumica Fundao Universidade Regional de Blumenau - FURBProfa Dra. em qumica - Universidade Federal de Santa CatarinaUniversidade do Sul de Santa CatarinaEngenharia Ambiental - Email: [email protected]

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    1. Introduo

    A formao de hidrocarbonetos volteis torna-se um fator relevante deimpacto ambiental, no que diz respeito s indstrias petroqumicas, estandopresentes em todas as etapas do processo, desde a produo do combustvelat a sua distribuio. Nessas indstrias, as principais emisses dessescompostos orgnicos volteis (COVs), como benzeno e tolueno, em conjuntocom a presso de vapor prxima ou acima da atmosfrica, esto relacionadascom a carga, descarga e armazenamento dos combustveis. Os COVs podemcausar impactos em todas as esferas, tanto na fsica (devido as emisses deCOVs com a formao de oznio), na bitica (devido as emisses de COVscom danos a flora e fauna) e na antrpica (devido as emisses de COVs exporas pessoas a hidrocarbonetos).(JUNQUEIRA, 2005).

    O impacto no meio ambiente devido eliminao de um material txico, muitas vezes, sentido de imediato, o que no acontece quando se trata dedoenas que so, na maioria das vezes, retardadas pela causa natural. Essefato torna o problema ainda mais crtico, visto que os compostos orgnicosvolteis esto entre os poluentes mais comuns do ar atmosfrico, sendooriginados de reaes qumicas que ocorrem na atmosfera formando o oznioe outros oxidantes, os quais trazem riscos sade humana e ao meioambiente.

    Os COVs esto presentes em todos os segmentos que envolvemprocessamento e distribuio de combustveis fsseis. Na regio da GrandeFlorianpolis encontram-se em torno de 300 postos de gasolina que, por suavez, emitem, portanto, uma quantidade preocupante de COVs. Estando cientedesse quadro, e levando-se em considerao que esses postos tm sua fontede emisso de COVs nos tanques de armazenamento de combustveis, para opresente trabalho foi projetado um sistema piloto de plasma frio paradecomposio desses compostos provenientes da gasolina.

    O presente estudo objetiva analisar as emisses de COVs de amostrasde gasolina comum e desenvolver tecnologia apropriada para o tratamento deCOVs com a utilizao do plasma de descarga corona. Para isso, depois da

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    identificao dos gases oriundos da gasolina foi desenvolvido um reator deplasma por descarga corona, a fim de se reduzir a emisso de poluentesdesses e, portanto, eliminar sua toxicidade. Essa eliminao possvel devida alta energia resultante da descarga corona, oferecendo, assim, uma boaeficincia de destruio.

    Os processos que utilizam a descarga corona, tambm so conhecidoscomo plasma corona ou plasma frio. Esse processo denominado como umgs ionizado parcialmente, no qual a energia mdia dos eltrons consideravelmente mais elevada do que o dos ons e molculas de gs. Aenergia produzida para gerar o plasma frio muito pequena sendo proporcionalao aumento temperatura que fica prxima a 25C. A figura abaixo mostra oscomponentes principais do reator de plasma. A descarga formada atravs daaplicao de um campo eltrico intenso, o que provoca a formao de auto-propagao eletrnica dentro do volume de gs (GROTHAUS, 1996).

    Figura 1: Reator de plasma anular com eletrodos cilndricos (1- eletrodo parafuso de ao, 2-tela fina de alumnio- eletrodo, 3- corpo do reator- tubo de quartzo, 4- entrada de gs, 5- sada

    de gs, 6 fonte de alimentao.

    A descarga corona criada atravs da aplicao de uma srie de pulsosde alta tenso aplicada a um fino fio metlico coaxial localizado dentro de umtubo metlico. Uma descarga tpica de plasma frio do modo incandescente oude serpentina.

    Uma vez gerado o gs ionizado, os eltrons colidem com as molculasde gs, criando quimicamente espcies ativas conhecidas como radicais. Osradicais uma vez produzidos podem reagir com molculas poluentes no fluxode gs, quebrando-as em compostos menos perigosos ou mais facilmente

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    manipulados. No presente trabalho utilizou-se um reator de plasma anular comeletrodos cilndricos, de descarga de barreira (KOUTSOSPYROS, 2004).

    A metodologia desse estudo seguiu as seguintes etapas: identificaodos compostos orgnicos volteis (COVs) provenientes da gasolina. Seguidado desenvolvimento do reator de plasma corona para a eliminao dessesgases, o que os fez reduzir a seu estado fundamental, tornando-se possveleliminar a toxicidade dos mesmos e, por fim, a identificao dos gases inertes,atravs de infravermelho e cromatografia gasosa.

    O grande interesse na determinao de COVs muitas vezes, seconcentra nos compostos de benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos, tambmconhecidos por BTEX, devido seus altos ndices de toxidade (OLIVEIRA,2007). Os hidrocarbonetos monoaromticos, BTEX, so compostos lquidosvolteis, incolor, com cheiro caracterstico, altamente inflamvel, apresentampontos de ebulio relativamente baixos, que vo de 80 138, evaporando-se rapidamente. So compostos pouco solveis em gua, porm, miscveiscom a maioria dos solventes orgnicos (VIEIRA, 2004).

    A contaminao por esse composto est relacionada aos produtosderivados do petrleo, como por exemplo, a gasolina que apresenta em suacomposio cerca de 10 a 59% de compostos aromticos, sendo que esteshidrocarbonetos monoaromticos so os constituintes mais solveis e maismveis da frao da gasolina (SONG, 2002).

    Os BTEX so compostos txicos, onde a exposio a esses compostos,dependendo da concentrao e do tempo de exposio, pode causar sriosriscos sade que vo desde fadiga, irritao no nariz, olhos e garganta,fraqueza, confuso mental, convulses at o coma e morte. O benzeno, considerado o mais txico dos demais por ser potencialmente carcinognico(MELLO, 2007). No entanto, o tolueno encontrado em concentraesmaiores, comparado com os demais constituintes do BTEX (PICELI, 2005).

    Entretanto, apesar dos efeitos causados pela contaminao do BTEX naatmosfera, ainda no existe no Brasil regulamentaes para controle daemisso desses poluentes na atmosfera, existe apenas, estabelecidos pelalegislao, nveis aceitveis de BTEX em gua para consumo humano e solo(LABORSOLOS, 2005).

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    2. Objetivos

    2.1. Objetivo geral

    O presente estudo tem como objetivo principal analisar as emisses deCOVs de amostras de gasolina comum e desenvolver tecnologia apropriadapara o tratamento de COVs com a utilizao do plasma de descarga corona.

    2.2. Objetivos especficos

    Avaliar as emisses de COVs de amostras de gasolina. Projetar, construir e avaliar um reator para a eliminao de gases txicos

    por plasma descarga corona; Efetuar a decomposio de COVs por plasma corona; Identificar os compostos presentes nos gases resultantes do processo

    de plasma por infravermelho e cromatografia gasosa.

    3. Metodologia

    Para atingir os objetivos supracitados acima, o trabalho seguiu o seguinteprocedimento:

    No primeiro momento foi construdo um reator piloto. O corpo do reator constitudo de um tubo cilndrico de quartzo. Na figura 2 pode-se entendermelhor o funcionamento do reator de plasma. Um dos eletrodos consiste deuma chapa fina de alumnio que envolve o tubo de quartzo, enquanto o outroeletrodo constitudo por um fio ou parafuso de ao localizadoconcentricamente no interior do cilindro de quartzo. O gs contaminado arrastado por ar comprimido para o interior do reator aps serem volatilizadosno interior de um frasco lavador de gases. A volatilizao pode ou no, ser

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    controlada atravs de um aquecedor eltrico com temperatura controladacolocado sob o frasco lavador. O gs contaminado estando no interior do reator submetido exposio do plasma. A dimenso total do reator 30 cm decomprimento com 2,5 cm de dimetro.

    Figura 2: Configurao do reator experimental de plasma.

    Posteriormente, com os gases provenientes dos postos de gasolina,coletados e identificados atravs do espectrmetro de massa, efetuou-se adecomposio dos COVs (compostos orgnicos volteis) por plasma.

    3.1. Decomposio qumica de COVs por plasma

    Uma amostra de gasolina foi depositada em um frasco vaporizador. Umfluxo de ar comprimido arrastou os COVs vaporizados para o interior do reatorcilndrico de quartzo. O fluxo foi ajustado com um fluxmetro, com vazo do gsde 1L/min. O ar comprimido alm de gs de arraste tambm foi empregadocomo gs plasmagnico devido formao de oznio, sendo o oznio um forteoxidante.

    O tempo de permanncia da mistura BTEX e ar comprimido no interior doreator de descarga corona foi realizada nos intervalos de 8, 10 e 12 min.Durante cada perodo tanto a entrada como a sada do reator foram mantidas

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    fechadas. A tenso aplicada para a descarga foi de 220 Volts, com potncia de17 KV.

    Paralelamente a essa etapa, os gases contendo os produtos da reaoforam medidos atravs de identificador de gases por infravermelho. Os gasesmedidos e identificados foram; CO2,, O2, CxHy, NO, NO2, SO2 e NOx.

    3.2. Equipamentos Utilizados

    Reator de plasma descarga corona Fonte de alta tenso NEONEMA de 17 KV Regulador de tenso VARIVOLT Identificador de gases por infravermelho Cromatgrafo gasoso SHIMADZU CG- 14B Amostra de gasolina

    4. Resultados e Discusso

    A figura 1 mostra o reator cilndrico utilizado no experimento, defabricao simples, e fcil operao. O reator utiliza descargas eltricas do tipocorona para provocar a fragmentao das molculas poluentes.

    O plasma frio ou corona produzido atravs de uma descarga em um gsquando um potencial eltrico adequado aplicado entre dois eletrodosmetlicos. Nas regies de alto campo eltrico, ocorre a ionizao do gsproduzindo vento corona (ocasionado pela coliso de eltrons com as espciesgasosas durante sua passagem pelo espao entre os eletrodos) e espciesativas (ons e molculas excitadas) (GASPERI, 2008).

    A tabela abaixo reporta os resultados para cada elemento analisado, ouseja, para o CO2,, O2, CxHy, NO, NO2, SO2 e NOx. Os resultados obtidosexpressam quais elementos tiveram seu valor de sada reduzido ou elevado.

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    Sendo que o processo do plasma frio reduz alguns do elementos devida adescarga eltrica que sofrem esses gases que acontece em razo da trocaionica.

    Para o tratamento da decomposio do BTEX por plasma frio foram feitostestes com as sadas das ampolas fechadas. As anlises foram feitas todas emduplicata.

    A introduo de amostras lquidas no reator de plasma frio foi realizadaatravs da vaporizao e arraste destas com ar comprimido. O branco doBTEX foi realizado passando o BTEX aps evaporao com temperaturacontrolada no reator com descarga desligada (antes da decomposio).Durante o tempo de contato com o plasma, tanto a entrada como a sada doreator, eram mantidas fechadas. Aps o tempo determinado de 10 minutos,elas eram abertas simultaneamente e os produtos da fragmentao do BTEXeram analisados atravs de um identificador de gases por infravermelho que foidisposto na sada do reator. Alm disso, os produtos foram, tambm,coletados e dispostos em amostradores, os quais foram, posteriormente,levados para anlise por cromatografia gasosa.

    O procedimento pode ser melhor compreendido atravs da ilustrao dafigura 1.

    Tabela 1 - Valores da concentrao dos gases (ppm) para cada elemento.Elementos Concentrao dos Gases (ppm)

    Branco Teste 1 Teste 2CXHY 4460 3750 3662SO2 1,0 0,0 0,0

    Como pode-se observar, a tabela acima revela que houve reduo nosvalores de praticamente todos os componentes. Os componentes da amostradetectados pelo identificador de gases por infravermelho no foram analisados,porm, acredita- se que a tecnologia tem a propriedade de desintegrar essescompostos em compostos mais leves.

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    De acordo com as Figuras 3, 4 e 5 obtidas das amostras de BTEX paradiferentes tempos, sendo que a amostra A refere-se ao branco do BTEX eamostra B a decomposio do BTEX de acordo com cada tempo especificado.A sobreposio dos cromatogramas em relao ao branco do BTEX, permiteuma melhor visualizao da reduo dos picos.

    Figura 3: Cromatograma anlise do BTEXA- Branco do BTEX ; B- BTEX 8 min

    .

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    Figura 4: Cromatograma anlise do BTEX.A- Branco do BTEX; B- BTEX 10 min.

    Figura 5: Cromatograma anlise do BTEX.A- Branco do BTEX; B- BTEX 12 min.

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    De acordo com os resultados obtidos, pode-se observar que o melhortempo foi de 8 min do gs contaminante em contato com o plasma corona,ocorrendo melhor eficincia na decomposio dos compostos de BTEX.Porm, a menor eficincia na decomposio do BTEX para os tempos de 10 e12 min, pode ser devido a interaes intermoleculares para uma determinadaquantidade de espcies reativas de plasma, pois durante o tempo de contatocom o plasma a entrada e sada de gs eram mantidas fechadas. O tempo decorrida da anlise foi de 20 min, no aparecendo outros de picos comoprodutos formados da decomposio do BTEX, pois ocorre a formao deprodutos mais simples, no sendo detectados no cromatgrafo gasoso. Emprincipio, o interesse neste estudo foi apenas observar a eliminao dos gasescontaminados.

    Diversas bibliografias sugerem que a eficincia de destruio para oscomponentes do BTEX, segue a seguinte ordem (KOUTSOSPYROS, 2004):

    E benzene

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    Isto nos fornece um indicativo de que a decomposio dos compostospor plasma ocorre, primeiro, nas substituies qumicas do anel aromtico,onde as ligaes qumicas so mais fracas, por isso, nos compostos maissubstitudos, a eficincia de destruio maior.

    Para compostos quimicamente semelhantes (hidrocarbonetosaromticos), a eficincia de destruio inversamente relacionada com aenergia de ionizao e est diretamente relacionada com o grau desubstituio, sugerindo, que os locais de substituio qumica podem teratividade maior do plasma.

    A eficincia de destruio em misturas de COV (por ex., BTEX) reduzida quando comparada com eficincia de contaminantes individuais. Esta possivelmente uma conseqncia de interaes intermolecular para umadeterminada quantidade de espcies reativas de plasma (KOUTSOSPYROS,2004).

    Inicialmente, para estudo deste trabalho, concentrou-se somente naocorrncia da reduo BTEX em contato com plasma frio, no identificou- se osprodutos formados, contudo, estas anlises sero realizadas em estudosfuturos.

    Apesar da limitao desse estudo, comprova- se a eficcia do plasmafrio em decompor gases contaminados, porm, so necessrios estudosfuturos mais detalhados.

    5. Concluso

    O plasma frio apresentou bons resultados para decomposio doscompostos analisados, porm, necessria, em estudos futuros, uma anlisemais detalhada sobre o processo. Para fins deste estudo, o objetivo destetrabalho foi alcanado, visto que em princpio, buscava-se observar aocorrncia da decomposio do BTEX. A utilizao de reatores a plasmagerados por descarga corona para eliminao de gases poluentes se mostrouvivel, alm disso, a manuteno desses reatores mnima, e conforme osmateriais escolhidos para a confeco do mesmo simples.

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    De acordo com os resultados obtidos neste trabalho, pde-se concluirque os processos de tratamento de resduos por plasma completo, definitivoe limpo, pois no gera outros resduos.

    6. Referncias Bibliogrficas

    1. JUNQUEIRA, T. L.; ALBUQUERQUE, E.L., TOMAZ,E. Estudo sobrecompostos orgnicos volteis em Campinas- SP. 2005. In: VICongresso Brasileiro de Engenharia Qumica em IniciaoCientfica, p. 1-6. 2005.

    2. GROTHAUS, M. G.; FANICK, E. Harmful Compounds Yield toNonthermal Plasma Reactor. Disponvel em: Acessado em:09 fev 2009.

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    O SISTEMA DE INFORMAO GEOGRFICA PARA O PLANEJAMENTO EA GESTO SUSTENTVEL DO TURISMO

    Nilzo Ivo Ladwig1RESUMOTorna-se imprescindvel estimular o desenvolvimento harmonioso e coordenado do turismo,porque, se no houver equilbrio com o meio ambiente, a atividade turstica comprometer suaprpria sobrevivncia. Por outro lado, observa-se que, a pesquisa na rea do turismo carece dedesenvolvimento e da utilizao de novos instrumentos e ferramentas que possam viabilizarum planejamento mais requintado, ou seja, com um nmero maior de informaes territoriais.Com esta preocupao que surge o objetivo superior deste artigo, que discutisse aaplicabilidade de nova ferramenta Sistema de Informao Geogrfica (SIG), dentro de umanova abordagem de planejamento e gesto sustentada do turismo. A tendncia mundial narea de SIGs a de um aumento considervel na quantidade e diversidade dos dados einformaes trabalhadas. No planejamento, cresce a necessidade de estruturar, gerenciar eespacializar as informaes territoriais, que tornam-se cada vez mais complexas. Um sistemade informaes geogrficas deve ser capaz de armazenar, manipular e visualizar essasinformaes. Sendo uma tecnologia em franco desenvolvimento, fica difcil chegar a umadefinio conceitual de SIG que satisfaa os envolvidos no seu desenvolvimento, uso emarketing. A grande vantagem da aplicao do SIG no planejamento turstico a possibilidadede um gerenciamento da informao referenciada geograficamente, organizada em camadas(layers), conectadas a tabelas de atributos alfanumricos e dotados de capacidade de inter-relao espacial. O potencial da aplicao do SIG nesses campos reside na quantidade deinformao geogrfica que pode ser colocada ao alcance do usurio a uma distncia remota,mediante a utilizao de redes de comunicao entre computadores. O Sistema de InformaoGeogrfica (SIG) ferramenta que poder se mostrar eficiente porque permite diagnosticar eanalisar informaes territoriais relevantes para o planejamento turstico e SIG poder ser uminstrumento importante para a tomada de deciso.

    1 Professor da UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina), Professor do Curso deEngenharia de Agrimensura e Programa de Ps Graduao em Cincias Ambientais - UNESC(Universidade do Extremo Sul Catarinense). E-mail: [email protected]

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    1. INTRODUO

    As atividades tursticas podem ser entendidas, em especial, como umaexperincia geogrfica na qual a paisagem se constitui num elementoessencial, causando impresses e emoes estticas. A qualidade dapaisagem gera investimentos e divisas, com influncias socioeconmicas eambientais no territrio.

    Portanto, a relao de investimento em preservao e conservao dapaisagem e a contrapartida com a atividade do turismo so diretas. Assim, aforma de garantir a integridade fsica dos atrativos tursticos o seuconhecimento por parte dos tcnicos e populao local.

    Assegurar a preservao e a conservao do patrimnio natural ehistrico-cultural, elementos formadores da paisagem, no uma tarefa fcil.Porque, desde muito tempo, a concepo terica mais usual sobre a atividadeturstica a economicista. Atualmente, h registros da incorporao da varivelecolgica nas discusses.

    Dentro desta abordagem terica, pode-se precisar que o turismo e omeio ambiente necessitam encontrar um ponto de equilbrio, a fim de que aatratividade dos recursos no seja causa da sua degradao. Assim, torna-seimprescindvel estimular o desenvolvimento harmonioso e coordenado doturismo, porque, se no houver equilbrio com o meio ambiente, a atividadeturstica comprometer sua prpria sobrevivncia.

    Por outro lado, observa-se que, para satisfazer a abordagem tericacitada, a pesquisa na rea do turismo carece do desenvolvimento e dautilizao de novos instrumentos e ferramentas que possam viabilizar umplanejamento mais requintado, ou seja, com um nmero maior de informaesterritoriais.

    Com esta preocupao que surgiu o objetivo superior do artigo quediscutisse a aplicabilidade de nova ferramenta dentro de uma nova abordagemde planejamento e gesto sustentada do turismo. A ferramenta utilizada nadiscusso foi: o Sistema de Informao Geogrfica (SIG).

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    A continuidade da discusso est garantida devido complexidadecom que a atividade do turismo se consolida, criando novas territorialidades,desafiando os pesquisadores na elaborao de novos planos de gesto.

    2. CONTEXTUALIZAO SOBRE SISTEMAS DE INFORMAESGEOGRFICAS (SIGS)

    A tecnologia dos sistemas de informao geogrfica cresce de formamuito rpida. Nos ltimos anos tornou-se evidente a propagao e o usodestes sistemas.

    A tendncia mundial na rea de SIGs a de um aumento considervelna quantidade e diversidade dos dados e informaes trabalhadas. Noplanejamento, cresce a necessidade de estruturar, gerenciar e espacializar asinformaes territoriais que se tornam cada vez mais complexas.

    2.1 Evoluo histrica dos Sistemas de Informao Geogrfica (SIGs)

    interessante observar que o emprego do conceito de computao,para o processamento de dados geogrficos, reporta-se ao sculo XIX, quandoHerman Hollerith, funcionrio do Bureau of Census Americano, criou eempregou cartes perfurados e uma mquina tabuladora para auxiliar asatividades relativas ao censo de 1890. Processou em trs anos o que se havialevado oito, em 1880, para ser processado por vias convencionais.

    Tremblay & Bunt (1983) comentam que o Bureau of Census inovoumais uma vez quando, em 1951, instalou o UNIVAC I, um computadorautomtico universal, o qual era o mais avanado de sua gerao, tornando-seo primeiro a entrar em linha de produo. Entretanto, a comunidade cientficaressentia-se com a falta de ferramentas matemticas adequadas paradescrever quantitativamente a variao espacial. Os primeirosdesenvolvimentos apropriados em matemtica, segundo Burrough & Mcdonnell(1998), para administrar problemas espaciais, comearam por volta de 1930,

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    paralelos ao desenvolvimento de mtodos estatsticos e anlise de sriestemporais.

    O progresso prtico efetivo, segundo Burrough & Mcdonnell, foicompletamente bloqueado pela ausncia de ferramentas computacionaisadequadas. Somente aps 1960, com a disponibilidade do computador digital,floresceram tanto os mtodos conceituais de anlise espacial, como as reaispossibilidades de mapeamento temtico quantitativo de anlises espaciais.

    A histria relata diversas iniciativas efetivas, no sentido de empregar atecnologia computacional no processamento de dados espaciais. Entretanto, oprimeiro SIG que se tem registro surgiu em 1964 no Canad (CanadaGeographic Information System), por iniciativa do Dr. Roger Tomlinson, queembora tenha construdo os mdulos bsicos de software, impulsionado odesenvolvimento de hardware e elaborado uma complexa base de dados, spublicou os seus trabalhos uma dcada depois. Na verdade, somente no finalda dcada de 70 que a indstria dos SIG's comeou a amadurecer,favorecendo, inclusive, no incio dos anos 80, o surgimento da versocomercial dos primeiros sistemas, que passaram a ter aceitao mundial.

    Foi nos anos 80 que o USGS (United States Geological Survey)disponibilizou ao pblico bases de dados digitais, tais como os modelos digitaisde elevao ou DEM's (Digital Elevation Models).

    Entre o final da dcada 80 e o incio da dcada de 90, houve umcrescimento acentuado das aplicaes de SIG's, o que se deve, em parte aoadvento e disseminao do microcomputador pessoal (Personal Computers),alm da introduo de tecnologia de baixo custo e alta capacidade dedesempenho, tais como as estaes de trabalho (Workstations). Odesenvolvimento tecnolgico, entre 1985 e 1995, foi to acentuado e rpido,podendo-se mesmo afirmar, que os computadores que impulsionaram asaplicaes, ou seja, exatamente o oposto do que ocorreu no incio do processona dcada de 60, quando havia aplicaes, mas no existiam recursos fsicos,nem mesmo para digitalizao, impresso ou plotagem automatizados (SILVA,1999).

    Silva (1999), lembra muito bem, que com o surgimento dos sistemas deinformao, associou-se "informao" o conceito de valor adicional (addedvalue), que obtido ao se reunir, de forma ordenada, conjuntos de dados que

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    previamente no estavam relacionados, cuja combinao pode ser usada a fimde se realizar tarefas adicionais. Hoje, mais do que nunca na histria dahumanidade, vlida a expresso, "Informao Poder", e aqueles que tmacesso informao, no apenas chegam frente dos concorrentes, comoseus concorrentes que no tm acesso informao, nem ficam sabendo queficaram para trs.

    2.2 O desenvolvimento da tecnologia de Sistemas de InformaesGeogrficas (SIGs) no Brasil

    Numa breve discusso sobre a utilizao de SIGs, no Brasil, pode-sedestacar que, por volta de 1980, surgiu a primeira gerao de SIGs (Sistemasde Informao Geogrfica), ou GIS (Geographic Information System) como soconhecidos no exterior, isto programas especficos para geoprocessamento,ou seja, trabalho com dados geogrficos em um ambiente espacial que impedistoro pelo sistema de coordenadas terrestres. Um sistema de informaesgeogrficas deve ser capaz de armazenar, manipular e visualizar essasinformaes. A primeira utilizao destes programas foi a produo demapeamento bsico, dada a carncia de informaes sobre todos os tipos dedados, tanto ambientais como urbanos e rurais.

    Foi ainda na primeira gerao de SIG, que grandes projetos foramdesenvolvidos, como por exemplo, o projeto SOS Mata Atlntica, que realizouum dos maiores estudos mundiais com esta tecnologia. Foram produzidas maisde 200 cartas, contendo o levantamento de todos os remanescentes da florestatropical original, a partir da interpretao e processamento de imagens desatlite.

    A segunda gerao de programas SIG caracterizou-se pela utilizaode um banco de dados geogrfico. Assim, o que no se podia fazer na primeiragerao, que era armazenar dados referentes a informaes encontradas nocampo, nesta data foi realizado.

    Hoje em dia, estamos desenvolvendo a terceira gerao de SIGs, queconsiste basicamente em Bibliotecas Geogrficas Digitais, isto , um banco dedados que pode ser compartilhado por vrias instituies. A utilizao dosSIGs cresceu tanto que se tornou imprescindvel a sua utilizao em qualquer

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    projeto nas mais diversas reas, desde seu nicho principal, que so asdisciplinas de geoprocessamento, fotogrametria, sensoriamento remoto ecartografia pura, at outras cincias que necessitam de informao espacial.

    As geotecnologias, so ferramentas cada vez mais utilizadas, nosomente por grandes instituies e prefeituras, mas tambm por empresas quebuscam o seu apoio para auxiliar nas tomadas de decises que vo desde alocalizao estratgica para a sua implantao, at a criao de um banco dedados que aponta o perfil e a localizao de seus clientes em potencial.

    2.3 Definies de Sistemas de Informaes Geogrficas (SIGs) no Brasil

    Sendo uma tecnologia em franco processo de desenvolvimento, ficadifcil chegar a uma definio conceitual de SIG que satisfaa os envolvidos noseu desenvolvimento, uso e marketing. H, inclusive, os que chegam aconsiderar o SIG como uma cincia, e no como uma ferramenta(GOODCHILD, 1997).

    Tem-se observado que muitas definies de SIG so claramenteconcebidas pelos interessados em ganhar mercado para seus produtos.Adicionalmente, o SIG tem uma gama muito grande de aplicaes, havendo,inclusive, sistemas que, com frequncia, usam as mesmas ferramentas de SIG,aplicadas em situaes muito diferentes. Cada um destes grupos de usuriostambm apia sua prpria definio de SIG.

    Diante deste cenrio, foram selecionadas algumas definies de SIGpertinentes, conforme segue:

    1) SIG qualquer conjunto de procedimentos manuais ou baseadosem computador, destinados a armazenar e manipular dados referenciadosgeograficamente". (ARONOFF, 1989);

    2) SIG um sistema de informaes baseado em computador, quepermite a captura, modelagem, manipulao, recuperao, anlise eapresentao de dados georeferenciados". (WORBOYS, 1995);

    3) SIGs constituem "um conjunto de ferramentas para coleta,armazenamento, recuperao, transformao e exibio de dados espaciais domundo real para um conjunto particular de propsitos. (BURROUGH, 1998).

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    Dentre as definies de SIG apresentadas por pesquisadoresbrasileiros pode-se destacar: Silva & Souza (1987), Rodrigues & Quintanilha(1991), Teixeira & Christofoletti (1992) e Camara (1993). Veja, a seguir, algunsconceitos definidos por eles.

    Sistema Geogrfico de Informao (SGI), constitui o tipo de estruturamais importante em termos de viabilizao do geoprocessamento. Este ltimosendo um conjunto de procedimentos computacionais, que operando sobrebases de dados geocodificados, ou mais evoluidamente, sobre bancos dedados geogrficos, executa a anlise, reformulaes e snteses sobre os dadosambientais disponveis. (SILVA & SOUZA, 1987).

    "Sistemas de Informaes Geogrficas so modelos do mundo realteis a certo propsito; subsidiam o processo de observao (atividades dedefinio, mensurao e classificao), a atuao (atividades de operao,manuteno, gerenciamento, construo, etc.) e a anlise do mundo real".(RODRIGUES & QUINTANILHA, 1991).

    SIG's so constitudos por uma srie de programas e processos deanlise, cuja caracterstica principal focalizar o relacionamento dedeterminado fenmeno da realidade com sua localizao espacial; utilizamuma base de dados computadorizada que contm informao espacial, sobre aqual atuam uma srie de operadores espaciais; baseia-se numa tecnologia dearmazenamento, anlise e tratamento de dados espaciais, no-espaciais etemporais e na gerao de informaes correlatas. (TEIXEIRA &CHRISTOFOLETTI, 1992).

    SIG's so sistemas cujas principais caractersticas so: integrar, numanica base de dados, informaes espaciais provenientes de dadoscartogrficos, dados de censo e de cadastro urbano e rural, imagens desatlite, redes e modelos numricos de terreno; combinar as vriasinformaes, atravs de algoritmos de manipulao, para gerar mapeamentosderivados; consultar, recuperar, visualizar e plotar o contedo da base dedados geocodificados. (CMARA, 1993).

    A utilizao da tecnologia de SIG relativamente nova. Nos ltimosanos, o SIG se tornou, especialmente, a regra para muitos usurios no uso degesto territorial e ambiental. Os SIGs podem trabalhar dados extremamente

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    complexos e grandes, process-los em segundos e fornecer informaosofisticada relacionada informao espacial. (ROBIDOUX et al, 2003)2.

    Na aquisio de um SIG se deve observar as seguintes questes:garantir o poder de trabalhar e processar uma quantidade extremamentegrande de dados e ser compatvel com a maioria dos outros sistemascomputacionais. Devemos sempre destacar que um SIG concebido paratrabalhar com dados referenciados por coordenadas geogrficas ou espaciais.

    Em outras palavras, um SIG um sistema de bases de dados comcapacidades especficas para lidar com dados espacialmente referenciados,bem como um conjunto de operaes para trabalhar com a informaoespacial. De certo modo, um SIG pode ser pensado como um mapa de ordemsuperior.

    2.4 Os Sistemas de Informaes Geogrficas (SIGs) aplicados noplanejamento e na gesto do espao turstico

    O turismo um fenmeno espacial, mesmo que com freqncia sejaanalisado sob o aspecto estritamente econmico. Deve-se destacar que aprtica do turismo influi progressivamente em todos os setores de organizaoda sociedade. (LANFANT, 1975).

    Portanto, estudar a classificao e espacializar o fenmeno turstico,nos seus diversos segmentos e espaos resultantes, de grande importnciapara o conhecimento da sua dimenso geogrfica.

    As diversas manifestaes tursticas no tm sempre espacializaescoincidentes, o que aumenta a complexidade de seu carter territorial. Todavia,os diversos tipos de turismo em um mesmo espao determinam umaorganizao espacial, um modelo de assentamento complexo, formal efuncional que pode dar lugar a uma estrutura desarticulada e com fortesdesequilbrios e conflitos.

    Perceber e administrar esta organizao espacial um desafio. OsSIGs devem auxiliar de maneira prtica, pois a sua utilizao no campo doturismo deve basear-se no domnio interativo da informao espacial.

    2 Acessado 23/10/2004.

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    Caracterizando-se como um instrumental til para o planejamento e gesto doterritrio onde ser implantada a atividade turstica, assim como para apromoo e explorao de um destino.

    A utilidade desta ferramenta no planejamento deriva tanto do processode produo e gesto da informao como de sua explorao. Necessita deuma cartografia temtica diversificada, fcil de consultar e atualizar, queresponda a uma variada gama de fins operativos de como pode ser oplanejamento de um espao turstico, permitindo trabalhar com uma enormequantidade de dados, o que facilita o domnio da informao e sua capacidadede divulgao.

    Devemos repetir que a grande vantagem da aplicao do SIG noplanejamento turstico a possibilidade de um gerenciamento da informaoreferenciada geograficamente, organizada em camadas (layers), conectadas atabelas de atributos alfanumricos e dotados de capacidade de inter-relaoespacial. Esta interao grfica e alfanumrica ir produzir uma novainformao.

    Essa informao permitir criar e analisar uma nova realidadegeogrfica, cujo uso extremamente interessante tanto para a vertente doplanejamento como para a divulgao e promoo do produto turstico. A viade aplicao do SIG, no campo do turismo, vista como promissora, pois o usodesta ferramenta pode criar e adequar novas circunstncias no trabalhoprofissional.

    2.5 Aplicao do SIG na promoo, comercializao e informao turstica

    O potencial da aplicao do SIG nesses campos reside na quantidadede informao geogrfica que pode ser colocada ao alcance do usurio a umadistncia remota, mediante a utilizao de redes de comunicao entrecomputadores, conhecida como web, que permite utilizar o SIG de qualquerparte do mundo. (RAMN MORTE,1997).

    Deste modo, uma grande quantidade de informao sobre um destinoou regio turstica pode ser oferecida desde um computador ligado internet,de forma atrativa, cmoda, barata e de ampla difuso, se comparada ediotradicional de panfletos e folderes de promoo.

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    O benefcio ainda maior, quando um SIG oferecido em um portal derede, como o caso de uma pgina da web, onde o usurio pode selecionarum destino ou rea, e obter uma informao relativa a aspectos ambientais,paisagens, atrativos tursticos, equipamentos3, instalaes, infra-estruturaturstica e a operacionalidade, que se resume na possibilidade de realizarreservas.

    Percebe-se o evidente potencial do SIG que, no conjunto, permite maisque um simples planejamento das viagens tursticas e de lazer, visto que asimagens, os modelos digitais do terreno e cenrios virtuais de recreaoconectados dados sobre produtos tursticos permitem adiantar a viagem.Alm disso, h a possibilidade da integrao de som, animao e imagem nasferramentas do processo de elaborao e explorao do SIG, facilitando aedio de uma cartografia muito mais sugestiva que a impressa em papel.Pode-se, ainda, utilizar, na elaborao da integrao desses artifcios visuais,fotografias areas e imagens de satlites que permitem criar roteirosimaginrios sobre o mundo grfico.

    A possibilidade de dispor de uma informao considervel e importantea qualquer hora, para decidir o destino de uma viagem de frias, mais umaresposta ao agenciamento da demanda, pois os usurios esto cada vez maisbem informados, manifestando um crescente interesse pelo planejamento ativode seu tempo de cio. Por isso, as novas tecnologias a servio da divulgao eexplorao da informao geogrfica propiciam novas frmulas decomercializao, ajustando-se aos perfis da demanda, aspecto que exige umesforo profissional dentro do setor turstico.

    Pode-se afirmar que os recursos de multimdia e hipermdia,relacionados com o SIG, podem ser o incentivo para a difuso e promoo dedestinos tursticos, porque a informao turstica de cunho geogrfico pode seroferecida de forma mais atrativa e levar a qualquer lugar.

    3 BOULLN, R. C. (2002, 49-61p.). Os servios vendidos aos turistas so elaborados por umsubsistema que denominamos empreendimento turstico, integrado por dois elementos: oequipamento e as instalaes. A infraestrutura turstica neste caso compreende adisponibilidade de bens e servios com que o destino conta para sustentar suas estruturassociais e de produo turstica (hospedagem, alimentao, entretenimento, outros servios).

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    2.6 Aplicao do SIG no planejamento e na gesto do territrio

    A aplicao da cartografia digital e dos SIGs em temas deordenamento e planejamento territorial uma das linhas mais usuais e onde seobserva um grande nmero de estudos realizados. As grandes bases de dadosreferenciados constituem-se no instrumento mais apropriado para as tarefas deanlise territorial, planejamento de uso do solo, gesto de recursos, prevenode riscos, localizao de equipamentos, entre outros aspectos de contedoespacial. (VERA, et al 1997).

    Percebe-se que a possibilidade de realizar aplicaes especficas noplanejamento de destinos e reas tursticas grande. Pois os SIGs podematender a necessidade de elaborar planos integrados para os processos deordenamento e reordenamento do turismo no territrio. Por exemplo, nomtodo de planejamento fsico do turismo h a possibilidade de incorporarvariveis como: a planialtimetria, a geologia, a hidrografia, a vegetao, ascondies climticas etc., com as variveis e componentes humanos,destacando-se: o plano diretor, o sistema cadastral e as infraestruturas urbanasvigentes.

    Com esta operacionalidade dos SIGs, possvel dispor de um sistemade cartas digitais de informaes geogrficas, relativas a cada um dos nveisde trabalho indicados. Com a possibilidade de estabelecer relaes entre elas,mediante a superposio grfica e topolgica, alm dos seus vnculos comuma extensa srie de tabelas de dados alfanumricos associados.

    Deste modo, possvel obter a informao requerida em formatocartogrfico ou como informe estatstico, com a vantagem de considerar aproduo de uma nova informao grfica e alfanumrica, a partir dos nveisbsicos dos dados de que dispe o sistema. Por exemplo, a relao dainformao da carta do litoral do estado de Santa Catarina com a localizaodos pontos de coleta de gua para obteno das condies de balneabilidade,cruzada com a da carta da dinmica das correntes marinhas, ir mostrar odeslocamento dos poluentes.

    Ramm Morte (1997) argumenta que os SIGs tm sido largamenteutilizados na ordenao do territrio e gesto do espao turstico, destacando-se as seguintes funes desempenhadas:

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    a) Integrao da atividade turstica nas tarefas de planejamento;b) Elaborao de sistemas de informao para o planejamento espacial e

    suportes lgicos para a tomada de decises;c) Anlise da paisagem e atividades de expanso turstica rural/urbana;d) Preveno de riscos naturais em espaos tursticos;e) Controle da atividade turstica em espaos naturais protegidos;f) Impacto ambiental da atividade turstica;g) Estudos de qualidade ambiental nos espaos tursticos;h) Gesto da qualidade das infra-estruturas e servios;i) Inventrios sobre recursos e produtos tursticos de uma regio;j) Capacidade de uso do territrio com fins tursticos;k) Promoo turstica em espaos de interesse pblico;l) Anlise multicritrio, elaborao de modelos, simulao e estudos de

    explorao (localizao de hotis, futuras reas de urbanizao etc.).Nesta linha de aplicao dos SIGs e da cartografia digital tem-se

    elaborado trabalhos para o planejamento ambiental de espaos protegidos,definio de roteiros de cicloturismo, atividades de ecoturismo, dentre outros,que possuem um papel especial na atividade turstica. Tem-se observadointeresse especial em utilizar os SIGs, na elaborao de sistemas deinformao, para gesto da qualidade em destinos tursticos, pois congregaabundantes informaes geogrficas, procedentes de diversos mtodos eformatos, desde a cartografia analgica, assim como documentos e dadosestatsticos oficiais, e ainda com informaes obtidas partir do tratamento deimagens de satlite e fotografias areas.

    Deve-se destacar que o conhecimento prtico em SIG uma valiosaferramenta de aplicao. Mas muito cuidado deve ser tomado quando dapreparao tcnica que deve satisfazer exigncias cartogrficas para se tornaruma ferramenta que permita trabalhar a informao geogrfica em destinos ereas tursticas, de maneira eficiente para o planejamento e a gesto territorial.

    3 CONSIDERAES ACERCA DA DISCUSSO

    O turismo uma atividade complexa, em que se articulam uma srie devariveis que tm interpretao espacial, isto , variveis econmicas, sociais,

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    culturais e ambientais. Deve-se destacar que as relaes que existem entre asdistintas variveis citadas denominam-se territorializao do turismo.

    O Sistema De Informao Geogrfica (SIG) ferramenta que poderse mostrar eficiente porque permite diagnosticar e analisar informaesterritoriais relevantes para o planejamento turstico.

    Por meio disso pode-se observar que se a rea de interesse apresentauma grande complexidade territorial, onde cada comunidade possui as suaspeculiaridades geogrficas, que em termos de produto turstico de grandevalia o SIG poder ser o instrumento para a tomada de deciso.

    Os elementos territoriais, que devem ser levantados e consideradostais como: geomorfologia, hidrografia, uso do solo, propriedades geotcnicas,elementos ecolgicos, atrativos naturais e histrico-culturais. Dentre outrasquestes abordadas, mostram que, quando se argumenta a favor de aes deplanejamento turstico, as territorialidades devem ser consideradas nos seusaspectos fsico, social, econmico, ecolgico e poltico, como uma exigncia nabusca do desenvolvimento do turismo sustentado.

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    PRODUO DE BIODIESEL A PARTIR DO LEO DE FRITURA USADO E OEMPODERAMENTO DA COMUNIDADE.

    Elisa Helena Siegel Moecke *Steffan Macali Werner *

    Yuri Andrei Gelsleichter *Aline Ferreira Ali de Avila *Thayse Correa da Silveira *

    ResumoO aproveitamento de leos e gorduras saturadas, provenientes de frituras, em produtos como sabo, rao ebiodiesel evita o lanamento destes no esgoto domstico ou na forma bruta no solo e em cursos dgua. Aproduo de biodiesel a partir do leo de fritura foi uma alternativa encontrada para a Associao Pro-Crep(Projeto Criar, Reciclar, Educar e Preservar), do bairro da Pinheira em Palhoa/SC, incrementar a renda deseus associados e preservar o meio ambiente. Atravs dos trabalhos desenvolvidos pela Unisul (Universidadedo Sul de Santa Catarina) com apoio do CNPq e da UniSol/Santander foi possvel implantar uma unidade deprocessamento de biodiesel. Inicialmente foi efetuado um diagnstico da situao atual, usado o mapacomunitrio para o entendimento espacial e localizao dos fornecedores de leo, calendrio sazonal de pescapara a compreenso do tipo de embarcao usada pelos pescadores e o impacto do leo diesel na composiodos custos da pesca. O processo produtivo como tambm os equipamentos foram desenvolvidos com aparticipao dos associados da Pro-Crep, alunos e professores da Unisul. O projeto foi desenvolvido dentro deuma perspectiva de desenvolvimento sustentvel, buscando conciliar a dimenso econmica, social eambiental. A partir dos trabalhos de educao ambiental, realizados nas escolas de ensino fundamental emdio, nas associaes de bairro e nos grupos de terceira idade, criaram-se condies para manter oabastecimento da usina com leo de fritura. As parcerias estabelecidas com os restaurantes tambmcontriburam significativamente com o projeto. O biodiesel produzido usado para abastecer o trator que realizaa coleta de resduos slidos e do leo e para abastecer os barcos de pesca artesanal da Pinheira.

    Palavras Chave: biodiesel, leo de fritura, empoderamento.________________________________________________________________* Farmacutica e Bioqumica, Doutora em Qumica pela UFSC, Professora do curso de Engenharia Ambientale Sanitria e de Engenharia de Produo. E mail: [email protected]** Acadmico do curso de Engenharia de Produo. E mail: [email protected]*** Acadmico do curso de Engenharia Ambiental e Sanitria. E mail: [email protected]**** Acadmica do curso de Engenharia Ambiental e Sanitria. E mail: [email protected]***** Acadmica do curso de Engenharia Ambiental e Sanitria. E mail: [email protected]

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    1. Introduo

    A pesca artesanal uma das atividades mais antigas, sendo a principal fonte derecurso para muitas famlias de diversas comunidades. Para o Estado de Santa Catarina, apesca artesanal tem significativa importncia econmica, uma vez que a costa litornea temextenso de 531 km, correspondendo a 7% do litoral brasileiro. O Estado abrange 34municpios, com populao de 1.917.719 pessoas. Em Santa Catarina a pesca realizadaem toda a extenso da costa litornea, em diferentes ambientes aquticos: mar aberto,baas, lagoas e esturios.

    Estes ambientes, por possurem caractersticas prprias que os distinguem entre si,determinam a forma de explorao dos seus recursos pesqueiros e, em funo dela, ascondies sociais e econmicas da populao que os exploram.

    De acordo com Severo (2008), o principal componente do custo na pesca artesanalda Praia da Pinheira o combustvel utilizado pelas embarcaes, no caso o leo diesel,consumido em mdia 3.240 L/ano, por embarcao.

    A Praia da Pinheira localiza-se no distrito de Enseada de Brito, o qual pertence Palhoa, que um dos municpios mais extensos do litoral catarinense, com 323 km, edensidade demogrfica de 371 hab/km. Mas, dessa rea total de Palhoa, 235 km so derea de preservao permanente (ou seja, 73% do territrio) devido presena de duasunidades de conservao: o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e o Parque EcolgicoMunicipal dos Manguezais.

    A regio, alm da atividade pesqueira, se caracteriza pela presena do turismodevido s belezas naturais. Para receber os turistas existem diversos espaosgastronmicos, os quais consomem leo vegetal para preparar um dos principais pratos daregio o peixe frito. Atravs de um levantamento feito com os donos de estabelecimentosda regio, estima-se que por ms sejam descartados cerca de 6000 litros de leo saturado,o qual muitas vezes pode no ter a destinao adequada, podendo ocasionar poluio naregio.

    O aproveitamento destes leos e gorduras saturadas, provenientes de frituras, emprodutos como sabo, massa de vidraceiro, rao e biodiesel ou para outros fins, evitaria olanamento destes no esgoto domstico ou na forma bruta no solo e em cursos dgua.Uma das grandes dificuldades para utilizar o leo de frituras como matria prima a falta deorganizao na coleta e de conscientizao da comunidade na disposio deste rejeito paraposterior coleta.

    O leo e gorduras provenientes de frituras apresentam uma elevada oxidao comformao de perxidos e o uso em rao animal pode trazer problemas s pessoas queingerem animais alimentados com essa rao. E o efeito acumulativo da ingesto contnua eprolongada de compostos de maior toxicidade, como monmeros cclicos e hidrocarbonetospoli-aromticos formados durante a fritura por imerso, deveria ser mais bem investigadoem razo de suas reconhecidas propriedades carcinognicas (Costa Neto et al., 2002).

    Reduzir a poluio ambiental hoje um objetivo mundial. Todo dia tomamosconhecimento de estudos e notcias indicando os males do efeito estufa. A ComunidadeEuropeia, os Estados Unidos e outros pases vm estimulando a substituio do petrleopor combustveis de fontes renovveis, incluindo principalmente o biodiesel. Devido a suaexpressiva capacidade de reduo na emisso de poluentes, quando comparado ao leodiesel. Pode atingir a reduo de at 98% a emisso de enxofre, 30% de aromticos e 50%de material particulado, e reduo de no mnimo 78% de gases causadores do efeito estufae da chuva cida. Apresenta ainda vantagens, como de ser produzido localmente, criandoempregos e resolvendo os problemas de descarte de resduos pontuais, que apresentamvrios inconvenientes ambientais (FERRARI,2005; FELIZARDO, 2003; KNOTHE, 2005).

    Quimicamente, o biodiesel uma mistura de steres metlicos ou etlicos. Uma sriede mtodos atualmente disponveis tem sido adotados para a produo de biodiesel. H

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    quatro maneiras principais de produo: utilizao direta e mistura de leos crus, micro-emulsificao, craqueamento trmico (pirlise) e transesterificao. O mtodo detransesterificao o processo mais utilizado e bem estabelecido para melhorar apropriedade de leos combustveis (LEUNG, WU, LEUNG, 2010; SIVAKUMAR, P.;ANBARASU, K; RENGANATHAN, 2011). A Transesterificao o deslocamento do lcool apartir de um ster por outro lcool. Reao de transesterificao geral se d a partir de trsreaes consecutivas e reversveis. amplamente utilizado para reduzir a viscosidade detriglicridos derivados de matrias primas renovveis, na presena de um catalisador paraacelerar a reao de transesterificao e aumentar o rendimento. O excesso de lcool utilizado para a completa a reao. A transesterificao um termo usado para descreveruma classe de reaes orgnicas onde um ster transformado em outro, atravs da trocados grupos alcxidos. necessrio o uso de agentes transesterificantes, os lcoois de baixopeso molecular, como o metanol, etanol, propanol, butanol e lcool amlico. Metanol omais utilizado devido s suas vantagens fsicas e qumicas (polaridade, lcool de cadeiamais curta, reage rapidamente com o triacilglicerdeo e dissolve facilmente o catalisadorbsico). Alm disso, permite a separao simultnea da glicerina (RINALDI et al., 2007;SANTOS et al., 2007).

    O presente trabalho, dentro de uma perspectiva de desenvolvimento sustentvel,busca proporcionar um fim adequado ao leo de fritura a partir da produo de biodieselpara ser usado nas embarcaes de pesca artesanal, aliando a necessidade dospescadores artesanais e dos associados e a disponibilidade do leo de fritura na regio.

    2. Material e MtodosInicialmente foi realizada uma parceria com a Associao Pr-Crep (Criar, reciclar,

    educar e preservar) para desenvolver o projeto na comunidade da Pinheira em Palhoa/SC.Foi realizado um diagnstico da situao atual e, ainda, usado o mapa comunitrio para oentendimento espacial da comunidade e localizao dos pontos fornecedores de leo;calendrio sazonal de pesca para a compreenso do tipo de embarcao usada pelospescadores e o impacto do leo diesel na composio dos custos.

    Durante o desenvolvimento do projeto foram proferidas palestras nas escolas e paraa comunidade, buscando a conscientizao pela preservao do meio ambiente. Estaetapa foi realizada pelos associados, alunos e professores da Universidade do Sul de SantaCatarina - Unisul.

    O projeto da unidade de processamento de biodiesel foi elaborado segundo ametodologia de Projeto de Desenvolvimento de Produto, proposta por Hozenfeld e Forcellini(2006).

    O biodiesel foi obtido a partir da reao de transesterificao do leo de fritura emetanol usando como catalisador o hidrxido de potssio, o processo foi previamenteotimizado em nvel de laboratrio atravs da metodologia de anlise de superfcie. Osprojetos dos reatores foram desenvolvidos com os alunos da Engenharia de Produo e daEngenharia Ambiental e Sanitria, sendo fabricados numa empresa metalrgica da regio.

    A unidade de processamento de biodiesel foi implantada ao lado do galpo detriagem da associao Pro-Crep. Todas as etapas para a implantao foram realizadascom a participao ativa dos associados.

    O processo de transesterificao desenvolvido para a unidade envolve basicamentequatro etapas: o pr tratamento do leo de fritura (peneiramento e decantao) pararetirada das impurezas e da gua; a reao de transesterificao (usando metanol e KOH),separao da glicerina e a purificao do biodiesel formado (lavagem e secagem).

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    3. Resultados e Discusso

    Os trabalhos de educao ambiental foram realizadas em 9 escolas de ensinofundamental e duas escolas com o ensino mdio da regio da Baixada do Maciamb ondese localiza a Pinheira. Foram feitas reunies com a comunidade para discutir questesambientais da regio e, ainda, de motivao, buscando valorizar as potencialidades dasmesmas. As fotos da figura 1 se referem s atividades de educao ambiental, realizadasnas escolas e na comunidade.

    Figura 1 - Cartilha de educao ambiental.Fonte: Elaborao dos autores, 2012.

    Para a educao ambiental foi desenvolvido material didtico (cartilha) que foidistribudo nas escolas, mostrando a importncia da separao dos resduos para o meioambiente e a divulgao do projeto biodiesel (figura 1). Alm disso, foi elaborado um kitcontendo leo de fritura bruto, leo de fritura limpo, biodiesel e glicerina, biodiesel purificadoe a glicerina (figura 2).

    Figura 2 Kits com frascos contendoleo de fritura bruto, leo de frituralimpo, biodiesel e glicerina, biodieselpurificado e a glicerina.Fonte: Elaborao dos autores, 2012.O uso do kit foi importante para o trabalho de divulgao do projeto, despertou o

    interesse pelo trabalho. Possibilitou a visualizao do leo de fritura recebido na unidade deprocessamento e as transformaes ocorridas durante a reao de transesterificao e depurificao final do biodiesel.

    O projeto teve intensa participao da comunidade, resultando no aumentosignificativo de leo de fritura enviado unidade de processamento. Das residncias, aunidade passou a receber aproximadamente 1.500 L/ms, enquanto que dosestabelecimentos gastronmico de 3.000 a 4.000 L/ms no perodo de vero, na baixatemporada o fornecimento diminui para 50%.

    O leo de fritura ao chegar unidade de processamento passa por um sistema defiltrao e decantao para a retirada das impurezas. Do total do leo que chega a unidadede processamento, aproximadamente 3% corresponde a impurezas e 20 a 30% de sal e

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    gua, quando proveniente dos estabelecimentos gastronmicos. O leo das residncias noapresenta sal e gua em quantidades significativas (< 2%). Aps a separao dasimpurezas, sal e gua o leo submetido anlise da acidez. Quando a acidez do leo formaior de 3,0 %, este encaminhado para a produo de sabo. E com teores de acidezmenores que 3,0 mg KOH/g o leo segue para a produo de biodiesel. Na tabela 1 soapresentados os resultados referentes aos parmetros fsico qumicos do leo de friturafiltrado e os valores do leo de soja refinado estabelecido pela resoluo n 482 da Anvisade 23 de setembro de 1999. Para a fritura dos alimentos, normalmente o leo mais usado o de soja.Tabela 7 Valores dos parmetros fsico-qumicos do leo de fritura filtrado e os valores doleo de soja refinado estabelecido pela Anvisa (1999).

    ResultadosParmetros Fsico-Qumicosleo de fritura

    filtradoleo de soja refinado*

    Acidez (%) 2,34 mx. 0,06Umidade e volteis (%) 0,21 mx. 0,06

    Densidade a 25C (g/cm) 0,9309 0,919 a 0,925ndice de Refrao a 25 C 1,489 1,470 a 1,476

    Rancidez No constatado ausnciandice de Saponificao 186,02 189 - 198

    *leo de soja refinadonovo que submetido ao processo de frituras padres de qualidade conformeestabelecido pela Resoluo n 482 da Anvisa (1999).Fonte: Elaborao dos autores, 2012.

    Podemos observar que o leo de fritura filtrado usado para produo de biodieselapresenta valores de acidez maiores que do leo de soja novo. A acidez teve um valor de2,34% em cido oleico, havendo um aumento em relao ao leo novo (0,06%), resultadoda degradao do leo por processos de hidrlise, oxidao e aquecimento, fatores quefavorecem o surgimento de cidos graxos livres e consequente aumento da acidez devidoao processo de frituras. Esse valor aceitvel para que a reao de transesterificao comcatlise alcalina ocorra sem que haja um baixo rendimento (abaixo de 85%), no sendonecessria uma etapa de secagem do leo antes da reao de transesterificao(SHARMA; SINGH; UPADHYAY, 2008; DERMIRBAS, 2009).

    O valor da densidade do leo de fritura foi um pouco acima (0,9276 g/cm) do valorlimite que de 0,925 g/cm para comercializao do leo de soja refinado de acordo com aAgncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA, 1999). Com o processo de aquecimentodo leo, normalmente atinge temperaturas de 180 a 200C, pode ocorre quebra dasduplas ligaes entre carbonos devido a termo-oxidao (Bannwart, 2009). O ndice derefrao foi de 1,489 em relao ao valor de 1,476 para o leo de soja refinado, valormximo estabelecido pela Anvisa (1999), mostra que houve pequenas modificaes nocumprimento da cadeia hidrocarbonada e no grau de insaturao dos cidos graxosconstituintes dos triglicerdeos.

    O biodiesel produzido na unidade de processamento, usando leo de fritura, foianalisado de acordo com alguns parmetros de qualidade estabelecidos pela Resoluo 14da ANP (2012). Na tabela 2 so comparados os valores obtidos nas anlises com algunsparmetros de qualidade especificados pela Resoluo da ANP (2012).

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    Tabela 2 - Resultados das anlises do biodiesel.Parmetros BU* BP**ndice de acidez (mg KOH/g) 0.45 0,5Massa especfica (kg/m3) 894,2 850 900Viscosidade Cinemtica (mm2/s) 5,82 3,0 6,0Teor de umidade (mg/kg) 647,4 ***Teor de steres (%) 93,4 96,5 min.Sdio + Potssio (mg/kg) 1,7 5 mx.* Biodiesel produzido na unidade de processamento** Especificao do Biodiesel de acordo com a Resoluo n.14 daANP de 18 de maio de 2012*** Ser admitido o limite de 380 mg/kg 60 dias at 18/07/2012. Apartir de 1 de janeiro de 2013 at 31 de dezembro de 2013 seradmitido o limite mximo de 350 mg/kg e a partir de 1 de janeiro de2014, o limite mximo ser de 200 mg/kg.

    Fonte: Elaborao dos autores, 2012.

    O ndice de acidez de 0,452 mg KOH/g, a massa especfica de 894,2 (kg/m3), aviscosidade cinemtica de 5,82 (mm2/s) e o teor de sdio e potssio satisfazem asexigncias da resoluo 14 da ANP (2012).

    O teor de steres 93,5 % est abaixo do limite mnimo exigido pela resoluo n. 14,esta perda pode estar associada a formao de sabo ou a presena de mono ediglicerdeos. A melhoria no sistema de purificao do biodiesel poder aumentar o teor desteres. O teor de umidade (647,4 mg/kg) outro parmetro que so satisfaz as exignciasda ANP que admite o limite de 380 mg/kg (este limite est previsto at 18/07/2012, a partirde 1 de janeiro de 2013 at 31 de dezembro de 2013 ser admitido o limite mximo de 350mg/kg e a partir de 1 de janeiro de 2014, o limite mximo ser de 200 mg/kg).

    A unidade de processamento tem capacidade de produzir 4.800 litros de biodiesel porms. O biodiesel produzido se destina embarcaes de pesca artesanal da Pinheira epara o trator da Associao Cro-Crep . Atualmente duas embarcaes de pequeno porteesto usando o biodiesel, h oito meses, com uma mistura de 20% e 40% de biodiesel (B20e B40) (figura 3). O desempenho dos motores est sendo monitorado por um mecnico.Alm do uso pelas embarcaes, o biodiesel est sendo usado pelo trator que realiza acoleta do leo de fritura e dos resduos slidos reciclveis na regio. Desde agosto de 2011,o trator usa uma mistura de 70% de biodiesel (B70) (figura 4).

    Figura 3 - Foto da embarcao movida com biodiesel (B20). Figura 4 - Foto do trator movido com biodiesel(B70).

    Fonte: Elaborao dos autores, 2012. Fonte: Elaborao dos autores, 2012.

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    O uso do biodiesel pelos pescadores, ao mesmo tempo, que traz uma diminuio doscustos despendidos com o diesel, diminui a emisso de poluentes gerados pela queima doscombustveis fsseis. pelos motores das embarcaes. E permite tambm o uso no tratorque faz a coleta seletiva, possibilitando uma maior renda para os associados. Alm disso, oleo de fritura permanece na regio, evitando o transporte para outros locais mais distantese desta forma os ganhos econmicos ficam na comunidade.

    4. Resultados e Discusso

    A educao ambiental e as reunies realizadas sensibilizaram as comunidades daBaixada do Maciamb, quanto separao e disponibilizao do leo usado em frituraspara a produo do biodiesel. As caractersticas fsico-qumicas do leo de fritura soadequadas para a obteno de biodiesel atravs da reao de transesterificao commetanol e usando KOH como catalisador. O processo produtivo do biodiesel instalado naunidade de processamento tecnicamente vivel, conforme foi verificado a partir dosresultados obtidos pelos parmetros fsico-qumicos. O uso do biodiesel (B20) pelos barcosde pesca durante oito meses e pelo trator (B70) durante nove meses no mostroualteraes nos motores.

    5. Agradecimentos

    Agradecemos o apoio financeiro recebido pelo CNPq e pelo Banco Santander.Agradecemos tambm a assistncia recebida pela UniSol. E a Unisul pelas bolsas deIniciao Cientfica (PUIC).

    6. Referncias

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    A UTILIZAO DE RECIFES ARTIFICIAIS MARINHOS COMO FERRAMENTA DERECUPERAO DA FAUNA MARINHA

    Renato de Almeida Padilha*Jairo Afonso Henkes**

    Resumo

    O ecossistema costeiro caracteriza-se por ser extremamente complexo e gerenci-lo deforma integrada atendendo aos requisitos do Desenvolvimento Social Sustentvel o gran-de desafio. O presente estudo analisa uma destas ferramentas de gesto que a utilizaodos Recifes Artificiais Marinhos como ferramenta de recuperao da Fauna e Flora Marinha.O trabalho analisou especificamente o lanamento do Recife Artificial Marinho Victory 8-B nacosta sul do estado do Esprito Santo em rea contigua ao municpio de Guarapari. O estu-do demonstrou que alm da recuperao da fauna e da flora marinha, a utilizao da tcnicade implantao de Recife Artificial Marinho (RAM) impede a utilizao da temida pesca dearrasto. Aps a implantao do RAM Victory 8-B, atravs de processo de gesto e monito-ramento, foi observado que, tanto a fauna como a flora forma recuperados e novos proces-sos de utilizao da rea ( mergulho contemplativo ) demonstraram que o efeito desejadopela implantao foi alcanado.

    Palavras chave: Recife Artificial Marinho; Gesto Integrada da Zona Costeira; Zo-nas Recifais; Repovoamento pisccola; Habitat marinho.

    _______________________________________* Tecnlogo em Gesto Ambiental (UNISUL) Bacharel em Cincias Nuticas pela Escola Naval,Mestrado Cincias Nuticas pela Escola de Guerra Naval, Ps Graduado em Gesto Ambiental(UFES), E- mail: [email protected]** Professor do Curso Superior de Tecnologia em Gesto Ambiental e do Programa de Ps Gradua-o em Gesto Ambiental da Unisul. Mestre em Agroecossistemas (UFSC). Especialista em Admi-nistrao Rural. E-mail: [email protected]

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    1 INTRODUO

    A Gesto Integrada da Zona Costeira do Brasil o grande desafio a servencido, merc da ocupao desordenada do espao martimo denominado de ZonaCosteira. Atualmente a realidade nos informa o aproveitamento indevido deste espa-o para abrigar portos, terminais porturios, marinas e clubes nuticos baseado qua-se que exclusivamente em interesse econmico sem considerar os aspectos e im-pactos ambientais neste ecossistema fundamental para o equilbrio ambiental doplaneta Terra.

    O governo brasileiro formulou e colocou em vigor mediante lei o excelentePlano Nacional de Gerenciamento Costeiro com objetivos claros e acertados. Infe-lizmente o documento em si no tem se mostrado suficiente para mudar o quadro deocupao desordenada da Zona Costeira e outros interesses tm prevalecido sobrea documentao legal.

    Neste trabalho iremos apresentar uma possvel soluo que poder serimplementada em conjunto com os empreendimentos previstos para a Zona Costei-ra, naturalmente esta soluo prope-se a contribuir para inverter o atual processode ocupao, envolvendo as comunidades regionais, para o estabelecimento decondies coerentes com os requisitos do Desenvolvimento Social Sustentvel.

    A indicao que se apresenta soluo a implantao de RAMs na costasul do Estado do Esprito Santo que poder ser utilizada como uma importantssimaferramenta, com contribuio importante gesto ambiental integrada do ambientecosteiro, levando em conta os aspectos scio-econmicos da questo.

    Neste trabalho se analisar as vantagens e desvantagens desta ferra-menta e propor a implementao de RAM na costa sul do Estado do Esprito Santo,como contribuio preservao de inmeras espcies marinhas.

    2 TEMA

    Os Recifes Naturais (RN) so ambientes marinhos formados por estrutu-ras de constituio rochosa ou pela sobreposio de organismos, apresentandogrande abundncia e uma alta diversidade marinha. Devido a este fato so conside-rados como um dos mais ricos habitats marinhos do mundo, possuindo grande im-

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    portncia econmica, uma vez que representam a fonte de alimento e renda paramuitas comunidades. (SALEM, 2005).

    Os Recifes Artificiais Marinhos (RAM), quando dispostos no ambiente ma-rinho fornecem substrato para a colonizao de diversos organismos, criando umambiente artificial similar aos RN. (SALEM, 2005)

    Um RAM uma estrutura submersa deliberadamente colocada no leitosubmarino com o propsito de imitar algumas caractersticas dos RN - (EARRN European Artificial Reef Research Network, 1998 e OSPAR and Barcelona Con-ventions (1995) Convenes Internacionais sobre a proteo do ambiente, apudSANTOS, 2008)

    Os RAM podem desempenhar um importante papel na gesto da ativida-de pesqueira tendo em vista a sua capacidade de atrair peixes criando alternativastanto para a pesca esportiva quanto para a pesca artesanal. (BELL, 2010)

    Alm disto, podem ser criados especialmente com a finalidade de servirde berrios e santurios de populaes de peixes. Evidentemente sero necess-rias regras especiais para proteo deste novo habitat criado artificialmente, com opropsito de permitir que alcancem plenamente todo o seu potencial de recuperaode peixes. (BELL, 2010)

    Salem (2005) registra que:Os RAM apresentam uma variedade de funes, beneficiando no s omeio ambiente, mas tambm a populao em geral. Ao ser colonizado eleimita a natureza biolgica do ecossistema marinho, agregando biomassa ebiodiversidade no novo habitat. Esse novo habitat pode ser criado at emambientes arenosos e lamacentos que em condies naturais no apresen-tariam possibilidades de suportar tal ecossistema. Os RAM podem tambmrecuperar ambientes degradados, provendo um novo ambiente para a colo-nizao de organismos marinhos. O setor turstico tambm se beneficia des-tas estruturas submarinas, pois elas formam verdadeiros osis para mergu-lhadores. Muitos afirmam que esse ecossistema novo precisa estar acess-vel ao homem para ser utilizado de todas as formas que os ecossistemasnaturais tambm so. Isto significa que o RAM pode tambm ter forte apli-cao scio-econmica.

    A prtica de afundar estruturas slidas em ambiente marinho para criaode recifes artificiais, vem sendo desenvolvida em vrios pases do mundo, visando

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    entre outros aspectos, recuperao de reas degradadas na zona costeira, incre-mento do turismo subaqutico, possibilidade de suprir parte da perda dos estoquespesqueiros e desenvolvimento de pesquisas cientficas. (SANTOS, 2007)

    De acordo com a SEAD/PR, a procura por solues que contemplem ouso sustentvel dos recursos marinhos, um desafio no que diz respeito busca desolues eficazes e racionais. Estas aes tm por objetivo solucionar os problemasda pesca e de criao de alternativas racionais de sua explorao pelas comunida-des pesqueiras tradicionais.

    De acordo com a SEAD/PR (2008, apud FUNDACENTRO, 2010) a gestointegrada de ambientes costeiros e marinhos, utilizando os RAM tem trazido resulta-dos satisfatrios, principalmente na esfera da preservao ambiental e do zonea-mento marinho. No mbito pesqueiro, a aplicao de recifes artificiais tem apresen-tado resultados favorveis quando so adotados critrios tcnicos e cientficos pa-dronizados.

    No Brasil, as grandes demandas regionais na resoluo de conflitos dediversas naturezas, bem como no incremento da produo pesqueira, tm aumenta-do o interesse de diversos setores na implantao de RAM. (SEAD/PR, 2008, apudFUNDACENTRO, 2010)

    Estes desafios, ainda circunscritos ao mbito de um complexo processoinstitucional englobando governo, universidades, institutos de pesquisa, sociedadecivil organizada e de empresas, e das prerrogativas de programas estruturantes, po-dero trazer como soluo a aplicao da tecnologia de implantao de RAM para obenefcio das comunidades costeiras tradicionais mais carentes. (SEAD/PR, 2008apud FUNDACENTRO, 2010)

    Assim podemos concluir pela necessidade de buscar mais conhecimentoscientficos que comprovem a contribuio da utilizao dos RAM para o Gerencia-mento Costeiro Integrado.

    As regies costeiras so consideradas uma das reas de maior apropria-o, uso desordenado e predatrio do seu imenso potencial em termos de recursosnaturais. (SANTOS e VIVACQUA, 2009)