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Revista Unibanco 141

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Uma publicação periódica de entretenimento e lazer, com informações e sugestões de ocupação dos seus tempos livres.

Text of Revista Unibanco 141

  • Especial Natal

    100 presentes para comprar

    sem sair de casa!

    REVISTA

    Fora de palco com Margarida CarpinteiroPgina 34

    MAISUm hotel da moda em Lisboa e a nova gerao de estilistas que j desla

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    N.O 141 / ANO 2012 / TRIMESTRAL / 2,50

    Arte nas cidadesCultura viva no Matadero Madrid e o grito criativo que quer sair da margem e fazer das cidades galeriasPginas 16 & 28

    de

  • 4 revista unibanco

    Administradora Executiva Isabel Ramos de Almeida

    Diretor Lus Incio

    Arte e projeto grfico Rui Guerra

    Colaboradores Ana Rita Lcio, Catarina Vilar, Helena Estevens,

    Isabel Ribeiro, Joo Paulo Batalha, Jos Miguel Dentinho, Oriol Pugs e Pedro Guilherme Lopes (texto)

    Alexandre Bordalo (Estdio Impresa), Anabela Trindade, FG+SG - Fotografia de Arquitectura,

    Filipe Pombo, Miguel Manso e agncia Getty Images (fotos)

    Dulce Paiva (reviso)Secretariado Teresa Pinto

    Gestor de Produto Lus Miguel Correia

    Produtor Grfico Joo Paulo Font

    REDAOTELEFONE: 21 469 81 96

    FAX: 21 469 85 00R. Calvet de Magalhes, 242

    2770-022 Pao de Arcos

    UNIBANCO (Contactos)TELEFONE: 808 21 15 15

    E-MAIL: [email protected]

    PUBLICIDADETELEFONE: 21 454 40 29

    FAX: 21 469 85 19Impresa Publishing

    R. Calvet de Magalhes, 242, 2770-022 Pao de Arcos

    Diretor-Coordenador de Publicidade Carlos Alberto Lopes ([email protected])

    Gestores de Conta Diogo Soure ([email protected])

    e Joo S Nogueira ([email protected])Assistente de Publicidade

    Lucinda Vaz ([email protected])Coordenador de Materiais

    Jos Antnio Lopes

    Proprietria/Editora Medipress Sociedade Jornalstica e Editorial, Lda.

    NPC501 919 023

    Capital Social74 748,90; CRC Lisboa

    Composio do capital da entidade proprietriaImpresa Publishing, S. A. 100%

    Rua Calvet de Magalhes, 242, 2770-022 Pao de ArcosTel.:t'BY

    Impresso Lisgrfica - Impresso e Artes Grficas S.A.

    PeriodicidadeTrimestral

    (Edio n. 141, outubro/dezembro 2012)Depsito Legal

    14 237Registo no ICS

    n. 108 584Tiragem

    80 000 exemplares

    A Revista Unibanco uma publicao da Diviso Customer Publishing da Impresa Publishing,

    sob licena da Unicre, S. A.

    REVISTA

    EDITORIAL

    Cultura natalciaNem no Natal nos desviamos dos objetivos fundamentais da sua revista. Porque a cultura e as artes esto nos genes da Revista Unibanco, questionamo-nos, neste nmero, sobre o que a arte urbana, quem so os seus principais protagonistas e j h nomes portugueses mundialmente conhecidos , como se iniciou este movimento, o que representa e qual a mensagem que as suas intervenes encerram. So artistas de um novo tempo, que, tal como os estilistas mais desconhecidos do pblico cujo trabalho tambm lhe apresentamos nesta edio , enfrentam, entre vrios desaos, a capacidade de inventar e de se reinventar ao sabor das modas. Quem, ano aps ano, continua a dar cartas na representao, indiferentemente do que se ouve ou do que se fala, Margarida Carpinteiro, uma atriz com mais de 40 anos de carreira que se mantm el aos seus princpios, numa entrevista onde revela um olhar atento e crtico ao estado atual da sociedade.No s de teatro, mas tambm de outras demonstraes de cultura como a projeo de documentrios e lmes, e exposies , vive o Matadero Madrid. Quando vimos as primeiras imagens, percebemos que, mais cedo ou mais tarde, este projeto de reabilitao teria lugar nas nossas pginas. Erigido num edifcio de traa industrial de 1910, o antigo matadouro municipal da cidade ganhou vida como polo cultural de livre acesso e merece a visita no s pelo que l se passa como pela excelente forma como foi recuperado.Em plena poca natalcia incontornvel falar de presentes e do frenesim das compras. Sem rodriguinhos, fomos diretamente ao essencial, selecionando 102 produtos num Guia Unistore pensado para responder aos desejos de toda a famlia. Com a grande vantagem de poder pagar em prestaes, sem juros, e, a pensar na sua comodidade, com entrega gratuita em casa. Neste momento de celebrao, de harmonia e de confraternizao familiar, gostaramos de lhe enderear os votos de Boas Festas. Unibanco. Um carto sempre consigo.

    A Equipa Unibanco

    Estatuto editorial 1. A REVISTA UNIBANCO uma revista trimestral de estilo de vida, dirigida aos clientes da Unicre com carto de crdito Unibanco, que aborda temas diversicados atravs de um tratamento cuidado da imagem e do texto. 2. A REVISTA UNIBANCO, para alm da responsabilidade de informar, pretende ser um instrumento de cultura e entretenimento, promovendo a qualidade de vida dos seus leitores. 3. No que respeita matria editorial, a REVISTA UNIBANCO rege-se pelo escrupuloso cumprimento das normas ticas e deontolgicas que regulamentam o jornalismo.

  • revista unibanco 5

    REVISTA UNIBANCO N.O 141

    ( AS FIXAS ) ( AS ITINERANTES )

    75 GUIA DE COMPRAS

    UNISTOREUma seleo

    de produtos que pode pagar com o seu Carto Unibanco

    (com condies exclusivas)

    06BRIEFINGNotcias que importam12PESSOALNuno Cardoso Santos: conquista do universo 21PLAYTantos produtos com style40OUVIR, VER, LER, EM AGENDAPara passar os dias dentro e fora de casa52NAVEGAOToscana e os destinos Unibanco Viagens67 GOURMETPanorama sobre Lisboa71 RETROCinquenta anos a acelerar

    16ARQUITETURAMadrid me mata! Um Matadero que vive para a cultura

    28NA CAPA Fachadas nuas reinventam-se e criam novos atrativos na cidade. E h cada vez mais um circuito internacional de que Portugal faz parte. A arte saiu rua 34CONVERSAMargarida Carpinteiro, a atriz que construiu o seu prprio palco

    44CULTURA URBANASe passa a vida a correr para o trabalho, traga os tnis e venha da conhecer uma modalidade muito mais interessante

    46MODAOs estilistas que comeam a dar cartas no exigente mundo das passerelles

    COLEO NATAL 2012

    PARA VIVER A POCA COM UM SORRISO NO SAPATINHO

    OS MELHORES PRODUTOS SELECIONADOS PELA REDAO DA REVISTA UNIBANCO

    FASHION PERFUMES RELGIOS OURIVESARIA VIAGEM CRIANAS LED TECNOLOGIA FOTO E VDEO INFORMTICA ACESSRIOS TELEMVEIS SMARTPHONES PORTTEIS LED TV CASA PORCELANA APARELHOS

    CADEIRAS E BANCOS IDEIAS BAGAGEM SADE COZINHA VINHOS

    CONTEDO

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    28

    FOTO DE CAPA MATADERO MADRID (FG+SG - FOTOGRAFIA DE ARQUITECTURA)

  • 6 revista unibanco

    PLAYCALENDRIO PIRELLI VESTE-SE EM 2013So belas, famosas e todas do a cara por uma causa. este o denominador comum das protagonistas do Calendrio Pirelli 2013. As modelos Adriana Lima, colaboradora do Global Iniciative Program para o Haiti, Isabeli Fontana, da Save The Children, Petra Nemcova, criadora de um fundo para crianas sobreviventes de desastres naturais, e a cantora Marisa Monte, ativista da luta contra o HIV/SIDA, so alguns dos meses do famoso calendrio, que no prximo ano pretende uma perspetiva mais interior da beleza. A lista prossegue com outras mulheres, todas envolvidas em projetos humanitrios.

    ARQUITETURAHERMS PARA AS PAREDES

    O arquiteto japons Shigeru Ban criou para a Herms o Module H, um sistema modular de elementos arquitetnicos. Disponvel em vrias cores e materiais, o conceito foi beber inspirao a projetos de revestimento desenvolvidos pela Herms nos anos 20 e 30 e a que ainda hoje a marca responde atravs do departamento de encomendas especiais. Ban tambm projetou a prpria estrutura que suporta os elementos uma grelha em alumnio que forma uma srie de ags onde os mdulos so xados, uma inveno j patenteada pela Herms.

    MSICAAMOR ELECTRO PREMIADA

    A banda Amor Electro foi premiada nos European Border Breakers Awards 2013. O prmio visa incentivar o talento de artistas europeus em incio de carreira, distinguindo novos talentos da msica pop europeia que, entre 1 de agosto de 2011 e 31 de julho de 2012, tenham lanado um lbum de estreia a nvel internacional. O galardo vai ser entregue numa cerimnia agendada para o prximo dia 9 de janeiro, na Holanda. Lanado em 2011, o lbum Cai o Carmo e a Trindade (Disco de Ouro em agosto) conta j com vrios prmios no currculo, incluindo dois Globos de Ouro atribudos nas categorias de Melhor Grupo e de Melhor Msica pelo single A Mquina.

    BRIEFINGPORMENORES COM IMPORTNCIA

  • revista unibanco 7

    PLAYSNEAKERS IRREVERENTES

    Talvez muitos no saibam que a marca brasileira Havaianas, para alm dos chinelos, tambm tem calado fechado, como alpargatas, galochas e sneakers. A Soul Collection, lanada originalmente em 2010, uma linha original, divertida e, sobretudo, confortvel para usar no vero ou no inverno. No que aos sneakers diz respeito, a identidade da marca no foi esquecida: as solas das sandlias so as prprias palmilhas dos sneakers, aliando o conforto sensao de caminhar sobre alpargatas.

    MODAQUEM SAI AOS SEUS

    Depois de deslar e fotografar para nomes como Calvin Klein, Chanel, Ferr, Givenchy ou Lagerfeld, a modelo e atriz Dree Hemingway bisneta do famoso escritor e jornalista norte--americano Ernest Hemingway empresta novamente a sua imagem ao lanamento de Lady Million, de Paco Rabanne, agora na variante eau de toilette. Vibrante e sensual, Dree, que este ano entrou em Starlet e Nous York, a escolha perfeita para protagonizar o anncio televisivo, com o qual se identica totalmente.

    LERGRANTA EM PORTUGUSA revista literria britnica Granta vai contar com uma edio em portugus j no prximo ano. Com periodicidade semestral, vai ser dirigida por Carlos Vaz Marques e publicada pela editora Tinta-da-China. Os dois nmeros do ano sero lanados em maio e dezembro e, para alm dos textos que viro dos arquivos da edio britnica, contar, na mesma proporo, com textos de autores portugueses subordinados a um tema especco.

    A REVISTAESPECIALIZADA NORTE--AMERICANA WINEENTHUSIAST INCLUIU10 VINHOS PORTUGUESESNA SUA LISTA ANUALTOP 100 BEST BUYS 2012. O PRIMEIRO DA LISTA NACIONAL EPRODUZIDO NO DOUROPOR JOS NEIVACORREIA: TRATA-SE DOVEGA DOURO 2009 TINTO,DA D. F. J. VINHOS.

    PLAYABSOLUTAMENTE

    A tempo do Natal, chega a Portugal JAdore LAbsolu, de Dior. Franois Demachy e Jean-Michel Othoniel reinterpretaram o clssico JAdore, propondo um aroma sosticado, obtido a partir do absoluto de rosa damascena da Turquia, jasmim sambac e tuberosa da ndia. O resultado fantstico. E para acompanhar a nova fragrncia est disponvel em alguns mercados um frasco em edio limitada (na foto), pensado por Jean-Michel Othoniel.Fo

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  • LERGERAO LUSOFONIA

    PLAY APOIAR COM UM SORRISO

    CH Pink Limited Edition Love a designao ocial da edio limitada lanada este ano por Carolina Herrera para apoiar a luta contra o cancro da mama. Iniciada em outubro, a campanha visa iniciar uma cadeia de gestos de amor, com pequenos grandes detalhes capazes de gerar sorrisos e mover o mundo, explica Carolina Herrera. Envie o seu Gesture of Love em carolinaherrera.com/chpink.

    FERRADURAS, TREVOS DEQUATRO FOLHAS, OSSOS

    E NMEROS DA SORTE FAZEMPARTE DO IMAGINRIO CRIADOPELA LOUIS VUITTON PARA A POCA NATALCIA. NUMABROCHURA DEDICADA SORTE E AO NATAL 2012, A CASAFRANCESA APRESENTA ASTENDNCIAS RECORRENDO AELEMENTOS INSPIRADORES, TALISMS PARA O NOVO ANO.SABIA QUE NA TAILNDIA O NMERO 9 REPRESENTAPROGRESSO? E QUE PARA OSCHINESES O 8 SIGNIFICA BOASORTE? AS ICNICAS MALAS DACOLEO HERITAGE, INICIADAPOR GASTON-LOUIS VUITTON,TAMBM FIGURAM NO CATLOGO.

    capa da revista Monocle, na ltima edio de outubro, o portugus, atualmente a lngua de poder e de comrcio por excelncia. A prov-lo, os mais de dez artigos sobre temas to abrangentes que vo da economia cultura, passando tambm pela poltica

    do mundo lusfono. E nenhum pas foi esquecido de Angola a Timor Leste, abre-se ao mundo um universo em que j era altura de algum reparar, segundo Steve Bloomeld, editor de internacional da prestigiada revista. Nem algumas das comunidades mais emblemticas falantes de lngua portuguesa, caso de Macau, Goa ou at mesmo Frana, foram esquecidas. Portugal, apesar de reconhecidos problemas econmicos srios, brilha, atravs da entrevista a Siza Vieira, Prmio Pritzker, das conservas, vinhos, design e cortia, sem esquecer o potencial geoestratgico dos Aores. Junte-se-lhe, entre outros, a pujana econmica de Angola, passando pelas telenovelas e o sucesso das Havaianas brasileiras sem esquecer a realizao dos prximos Jogos Olmpicos no Rio de Janeiro , e fcil perceber porque faz a gerao lusofonia capa da Monocle. Fo

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    BRIEFING

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  • 10 revista unibanco

    BRIEFING

    OUVIRCLSSICOS DE TONY BENNETT EM NOVO LBUM

    Vencedor de 17 prmios Grammy e com uma carreira de 60 anos, Tony Bennett tem novo lbum, uma compilao dos seus maiores xitos, cantados em espanhol, ingls e portugus, com grandes nomes da msica latina. Viva Duets, o terceiro registo de duetos do cantor, traz--nos vozes como Roberto Carlos, Ana Carolina, Maria Gad, Marc Anthony, Miguel Bos, Chayanne, Gloria Estefan, FrancoDeVita, Juan Luis Guerra, entre outros, em temas no raras vezes gravados ao vivo em Fort Lauderdale, Nova Iorque e Guadalajara.

    PLAYRED DOT NACIONAL

    Desenhado por italianos, mas produzido em Portugal, o sof Marea foi premiado com um Red Dot Design Award na categoria de Product Design para escritrios. O jri premiou sobretudo a exibilidade da pea, j que esta pode ser facilmente congurada para responder s necessidades do espao onde vai ser inserida. O processo de adaptao simples e pode ser levado a cabo por uma nica pessoa. Trata-se do primeiro Red Dot atribudo Guialmi, uma empresa portuguesa com 40 anos de existncia e sede em gueda.

    PLAY FUTURO SOBRE RODAS

    A BMW apresentou em Paris, no Mondial de lAutomobile, o prottipo i3, um veculo pensado para uma utilizao urbana e que recorre apenas energia eltrica para propulso. Num interior marcado pela elevada qualidade de construo so utilizados materiais de recursos naturais, como a madeira de eucalipto europeia. A pele curtida atravs da utilizao de um agente natural derivado de folhas de oliveira. O motor eltrico montado no eixo traseiro capaz de debitar uns impressionantes 170 cv, com um binrio de 250 Nm disponvel logo desde o arranque. O BMW i3 Concept acelera de 0 a 60 km/h em menos de quatro segundos e demora menos de oito segundos a atingir os 100 km/h.

    O PROJETO VIANA CRIATIVA EST PRESTES A FORMALIZAR A CANDIDATURA DE VIANA DO CASTELO A SLOW CITY, UMA REDE INTERNACIONAL QUE VISA FOMENTAR A PROTEO DO MEIO AMBIENTE, UM ESTILO DE VIDA SAUDVEL, A DIVERSIDADE CULTURAL E AS ESPECIFICIDADES QUE TORNAM CADA CIDADE NICA.

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  • NUNO CARDOSO SANTOS

    luz das estrelasPara quem cedo entrou na rbita da Astronomia, a descoberta de mais de 200 planetas s mais um (grande) passo na odisseia de trazer o innito um pouco mais aqum

    texto de Ana Rita Lcio fotograa de Anabela Trindade

    AINDA SEM UMA TRAJETRIA denida depois da licenciatura em Fsica e do mestrado em Astronomia , o investigador lanou-se ao estudo dos exoplanetas depois de ter conhecido Michel Mayor, que descobriu o primeiro exoplaneta em 1995 e lhe orientou a tese de doutoramento.

    ADN CIENTISTAO ELOGIO DA DVIDANo se lembra quando se deu o big bang do gosto pela Cincia, ainda o cu de Mirandela cabia no innito da sua infncia. Mas admite que tenha sido enquanto perdia horas a ver a srie Cosmos, de Carl Sagan. Dessa altura, quando o caminho podia ter sido o da Geologia ou da Biologia, cou-lhe a personalidade metdica e o esprito crtico que o acompanham em todas as misses.

    Qualquer cientista tem de se colocar a si prprio em causa e a tudo o que o rodeia constantemente. S assim se faz Cincia

    F NA RAZOA VIDA EM ANOS-LUZEsteja no deserto do Atacama, no Chile, a sondar as estrelas, ou no Porto, na rbita do computador, o astrnomo no abandona a convico de que pode existir vida noutras regies do cosmos. Mas rejeita que esta seja uma "crena". Antes, " uma extrapolao com base naquilo que conhecemos".

    Se os planetas so comuns no universo, se a vida se desenvolve em condies extremas e se s na nossa galxia existem cerca de 100 mil milhes de estrelas, do ponto de vista probabilstico quase impossvel que no haja vida noutros stios do Universo

    A CINCIA DOS ASTROS A EXCELNCIAQUE SE FAZ POR CAcolhendo investigadores de vrios pontos do globo, o CAUP est entre "as instituies com mais impacto da Astrofsica a nvel mundial", segundo Nuno Cardoso Santos. Prova de que o nosso Pas capaz de fazer bem nesta rea.

    "Apesar da crise, Portugal , neste momento, um Pas atrativo do ponto de vista cientco

    O percurso

    Trinta anos se passaram, mas como se ainda lhe escutssemos o eco, como o brilho de uma estrela que no se apaga. O Universo um espao enorme. Se estivermos sozinhos, parece um tremendo desperdcio de espao, no? Se pudesse responder a Carl Sagan, certamente que Nuno Cardoso Santos daria razo ao clebre astrnomo norte-americano. Anal, o que faz mover o investigador do Centro de Astrofsica da Universidade do Porto (CAUP) no mais do que a perspetiva de encontrar uma outra Terra, um outro planeta potencialmente habitvel e, nele, o lampejo de vida que cintila mesmo nas condies mais inspitas. Hoje, ao liderar a armada portuguesa que j participou na descoberta de mais de 200 planetas fora do sistema solar, Nuno est mais perto de ajudar a dar novos mundos ao espao.

    O ltimo captulo desta odisseia csmica foi escrito luz da estrela Alfa Centauro B a nossa vizinha mais prxima, a apenas quatro anos-luz de distncia , onde Xavier Dumusque, outro investigador portugus que integra a equipa de Cardoso Santos, foi vislumbrar precisamente uma outra Terra. Ou, como esclarece o protagonista desta histria, tambm envolvido na investigao, o planeta mais parecido com o nosso, de entre os mais de 800 que at agora se conhecem. O que os une a massa, semelhante entre os dois astros. O nico detalhe menos romntico, que, 25 vezes mais prximo da sua estrela do que a Terra est do Sol, no esto reunidas as condies para que a vida se gere neste planeta. Pelo menos no a vida como a conhecemos, acrescenta.

    O innito aqui to pertoJ a vida deste cientista de vocao desde muito cedo conhece-se de olhos postos no cu. Pelo menos a contar do tempo em que, com 16 anos, entregou as mos construo de um telescpio, em conjunto com outros amigos. Mas, apesar de ainda haver muito por descobrir debaixo do Sol, Nuno arriscou ir mais longe. Desde que, em 2002, rumou Sua para completar o seu doutoramento no Observatrio de Genebra, muito do que a sua rota tem-se feito na senda dos exoplanetas os tais que esto alm do sistema solar. Que ele no v, apesar de lhe orientarem o caminho. A nica informao que nos chega a luz das estrelas.A partir dessa nesga de luz, preciso detetar os planetas pela inuncia que tm sobre a velocidade das estrelas. como tentarmos ver uma mosquinha que anda ao p de um holofote muito brilhante, explica. O mais recente projeto Espresso, em que o astrnomo portugus e o CAUP esto envolvidos para a construo de um espectgrafo de alta resoluo que permita varrer o universo em busca de novos planetas, a prova de que possvel no se deixar ofuscar.

    PESSOALASTRNOMO

    12 revista unibanco

  • 1973Nuno Cardoso Santos nasce

    em Moambique, na antiga Loureno Marques. H-de vir

    para Portugal ainda antes de completar um ano.

    1996Siderado pela Cincia desde pequeno, forma-se em Fsica pela Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa. Segue- -se o mestrado em Astronomia e Astrofsica, em 1998.

    Ps bem assentes na TerraQuando no est a alimentar a investigao com o conhecimento colhido por esse universo fora, Nuno Cardoso Santos gosta de se fazer ao terreno l de casa, cuidando das rvores do quintal. Para semear os momentos em famlia tambm no falta tempo, assim como para se cultivar noutras cincias.

    O ERRO DE KEPLER

    Uma outra descoberta em que Nuno Cardoso Santos e a sua equipa no CAUP estiveram envolvidos, em conjunto com outros cientistas europeus, foi a de que o satlite Kepler pode estar errado no que diz respeito identicao de planetas de maiores dimenses. De acordo com os novos dados recolhidos com o auxlio do espectrgrafoSophie, cerca de 30 por cento dos planetas gigantes detetados pelo satlite da NASA podem ser, anal, estrelas.

    2010 Como reconhecimento pelo trabalho alcanado no estudo das estrelas que tm planetas em rbita, recebe o prmio internacional Viktor Ambartsumian, o mais importante em Astrofsica, depois do Nobel.

    2002 J com os exoplanetas na mira, ruma a Genebra, onde far o doutoramento. Cinco anos depois regressa de vez a Portugal, tendo o CAUP como destino.

  • 16 revista unibanco

    Carne para criao

    Para matar a fome de arte - a stima - vida movida cultural madrilena,

    a velha carcaa de um antigo matadouro de meados do sculo XX ganhou vida como um entreposto de cinema contemporneo,

    onde a criao audiovisual talhada para o futuro. Dando a provar cidade e ao mundo o travo da experimentao

    criativa apurada em comunidade, a Cineteca do Matadero Madrid serve documentrios como prato principal, numa travessa ousada de arquitetura

    que mais parece sada de um lme fotograa de FG+SG - Fotograa de Arquitectura

    texto de Ana Rita Lcio

    ARQUITETURAMATADERO MADRID

  • revista unibanco 17

    MATA DERO

  • 18 revista unibanco

    Sem pingo de sangue. como se apresenta, de cara limpa e ar imaculado, expiando os pecados da carne do antigo matadouro da capital espanhola que o arquiteto Luis Bellido fez erguer entre 1908 e 1928 , o renascido Matadero Madrid, onde a nova fornada artstica madrilena sacia o apetite de cultura de quem por l passa. Mas tambm como nos poderamos sentir ao colocarmos p num dos edifcios recuperados do complexo - o da Cineteca, mais propriamente perante o prato cheio de ousadia arquitetnica que ali se serve.

    Cravado no corao do Bairro de Legazpi, com o rio Manzanares a cirandar bem per-to, os cortes que se fazem por l j no so os das lminas das facas rasgando a carne. Ao invs, so os dos planos das cmaras de lmar e as cises que separam a traa industrial herdada, do trao futurista com que a dupla de arquitetos Jos Mara Churtichaga e Cayera de la Cuadra atiraram a ltima das construes do projeto do Matadero para o sculo XXI.

    LUZ, CMARA... FICOOs vrios espaos do matadouro - onde outrora cavam os antigos pavilhes - embarcaram nessa viagem no tempo desde que, em 2003, se decidiu que passaria a ser aquele o epicentro do terramoto cultural operado nas artes visuais, no design, no cinema, na fotograa, na msica, na dana, na moda, e em tudo o que forma de expresso artstica, assumindo a via

    do experimentalismo. Oito anos volvidos, a inaugurao da Cineteca, em 2011, veio assinalar, porm, mais um ponto de paragem na rota vanguardista do lugar onde convivem duas salas de cinema, um arquivo, estdios, uma cantina e um ptio para exibir lmes no vero.

    Se nos grandes ecrs da sala principal, batizada em nome do guionista espanhol Rafael Azcona, ou da sala B, quem mais ordena so os documentrios, os elementos ccionais no se furtam a entrar em cena. A deixa dada pelo imaginrio dos autores, inspirados pela magia da Stima Arte. As vigas de madeira de pinho em cinza escuro que colonizam paredes, teto e cho recordam o fundo das telas e deixam-nas em primeiro plano, em contraste com o tom rubro dos tijolos do velho matadouro, nos estdios. J o papel da luz cinematogrca representado pela malha de mangueiras entrelaadas, como se de uma obra de cestaria se tratrasse: ora em tonalidades mais sombrias, nas salas de projeo, ora resplandecendo em laranja ao revestir um candeeiro pelo qual se pode passar, que ilumina a zona do arquivo. Realidade e co so, anal, no novo Matadero sangue do mesmo sangue e carne da mesma carne.

    MUDAM-SE OS TEMPOS, mudam-se as vontades e os propsitos tambm. Construdo para dar carne cidade, ao longo dos anos o complexo onde agora se ps em marcha o projeto do Matadero j desempenhou diversos papis. Nos anos 40 passou a albergar um armazm de batata no mesmo pavilho onde, em 1992, se fez nascer uma estufa. A dcada de 90 marcou, porm, a viragem para a cultura: de 1990 a 1996 passou a dar guarida s sedes do Ballet Nacional de Espanha e da Companhia Nacional de Dana.

    ARQUITETURAMATADERO MADRID

    MEMRIA Os tijolos do edifcio centenrio e os resqucios do antigo matadouro convivem no novo ambiente contemporneo

  • revista unibanco 19

  • 1\1:Vo seu check-in

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  • revista unibanco 21

    PLAYCLARINS MULTI-RGNRANTE

    A BELEZA NO SUBJETIVAA CUIDAR O ROSTO DO DIA PARA A NOITECom bras de colagnio, bras elsticas e clulas da derme entre outros segredos , os cremes da linha Multi-Rgnrante, da Clarins, regeneram visivelmente a pele, garantindo um alisamento das rugas e um efeito de lifting. No creme de noite, as razes de ltus so o ingrediente de eleio para prevenir a produo de melanina, na origem das manchas de pigmentao; j no creme de dia, o extrato de banana verde biolgica junta-se ao tomilho-limo e cortia de bocoa para combater os efeitos da fadiga e do stress que vo marcando a pele ao longo do dia. E a cereja no topo do creme: a marca abriu recentemente um instituto no El Corte Ingls, em Lisboa, propondo 17 tratamentos e massagens que so um convite para desfrutar de um momento nico de descontrao e bem-estar absoluto. Para harmonia do corpo e da mente. clarins.com

    ESTILO Pginas para arregalar a vista

    WALTER KNOLL BAOMULSANNE EXECUTIVE INTERIORESCADA DELICATE NOTESSMART BRABUS EBIKEBRAUN BN0106

    As escolhas da redao da Revista Unibanco

    CremeCRME DE LA CRME Jacques Courtin-Clarinsfundou a empresa em 1954

    NOITE TEXTURA FLEXVEL E SUAVE QUE SE FUNDE NA PELE

    DIA TEXTURA FRESCA E FUNDENTE PARA DEIXAR A PELE SUAVE E FLEXVEL

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    MARCAR POSIOSENTE-SE EM FORMAProjetado pelo estdio austraco EOOS, o cadeiro Bao, da Walter Knoll, cheio de curvas. E foram precisamente essas curvas que encantaram os jurados do Red Dot Design Award, culminando essa paixo com a atribuio de um dos prmios do ano na sua categoria. Com uma forma muito semelhante de uma bola, o Bao parece abraar quem nele se senta, transmitindo uma sensao com tanto de envolvente como de confortvel. Com uma conjugao de dois materiais tecido e pele e uma prtica base giratria, este cadeiro promete ser uma adio elegante e fun a qualquer ambiente. walterknoll.de

    BOLAS! UMA FORMA REDONDA ORIGINAL E A CONJUGAO DE DOIS MATERIAIS NUMA POLTRONA MUITO CONFORTVEL

    PLAYWALTER KNOLL BAO

    Cadeiro DESIGN A colaborao entre o EOOS e a Walter Knoll no de hoje, tendo o estdio austraco desenhado vrias dezenas de peas para o fabricante de mobilirio22 revista unibanco

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    Auto

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    TECNOLGICO COM UMA POTNCIA DE 511 CV, DOIS IPAD, TRS MONITORES, DUAS PORTAS USB E UM IPOD TOUCH

    "ICH BIN ENGLNDER"A marca britnica, mas a propriedade alem, pois o Grupo Volkswagen adquiriu-a em 1998

    PLAYBENTLEY MULSANNE EXECUTIVE INTERIOR

    LUXUOSO ACELERARESCRITRIO SOBRE RODASO Bentley Mulsanne j era um dos mais exclusivos automveis do mundo. Recentemente passou tambm a estar disponvel com um pack Executive Interior, que o transforma num luxuoso escritrio sobre rodas. Apresentado como prottipo em 2011, o conceito foi to bem recebido que o construtor ingls decidiu disponibiliz-lo este ano aos seus clientes. Entre as diversas especicaes esto trs monitores LED (um deles de alta denio), dois iPad com teclado, duas portas USB e um iPod Touch com uma app da Bentley pr-instalada (que comanda vrias operaes). Um interior de cinco estrelas, a que no falta um pequeno frigorco, que pode alojar duas garrafas de champanhe e tes. Para estar sempre online em grande estilo. bentley.com

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    PLAYESPECIALLY ESCADA DELICATE NOTES

    SUBIR A ESCADASO ROSAS, SENHORASTodos os motivos so bons para falar da lindssima Bar Rafaeli. Neste caso, porque se trata do rosto de uma nova fragrncia Escada. Criada a partir de um boto de rosa, Especially Escada Delicate Notes uma eau de toilette fresquinha e suave, que combina sosticao a uma alegre evaso. Abre com rosa orvalhada e pra, revelando ptalas de rosa e ylang ylang e sementes de ambreta almiscarado. Apresentada num elegante frasco quadrado de vidro fosco, a que se acede atravs de uma tampa com o duplo "E", uma interpretao das rosas originais da fragrncia base da casa Escada. A supermodelo brasileira diz que a inspira "a fazer coisas divertidas e engraadas, que nunca tinha feito antes". Quem somos ns para dizer o contrrio? escada.com

    CRIAO Ao contrrio do que muitos podem pensar, a marca Escada alem, tendo sido fundada em 1978, em Munique, por Margaretha e Wolfgang Ley

    Perf

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    ROSA FLOR O DUPLO "E" DA MARCA UM CONVITE A DESCOBRIR UMA FRAGRNCIA LUXUOSAMENTE FRESCA

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    PLAYSMART BRABUS EBIKE

    Bicicleta

    BRABUS SMART!DAR AO PEDAL Se a ebike da smart em duas rodas j tem pinta, imagine agora uma variante com o dobro da potncia e com muito mais estilo. J existe. a smart Brabus ebike, uma bicicleta eltrica que se baseia no modelo j existente, acrescentando-lhe todo o design e exclusividade do preparador alemo de desportivos. E, obviamente, muito mais... picante. O motor de 500 watts, permitindo bicicleta atingir uma j respeitvel velocidade de 45 km/h. Depois, os materiais. Do bom e do melhor: quadro, selim e jantes em carbono, traves de disco e pneus desportivos. Para uma experincia "verde" do outro mundo. daimler.com

    EXPERINCIA VENHA DA SENTAR-SE NUMA BICICLETA POTENTE, QUE CONSEGUE CHEGAR A 45 KM/H

    NOBRES FIBRA DE CARBONO E PNEUS DESPORTIVOS NUM ACABAMENTO MATE, COM PORMENORES A VERDE PARA DAR NAS VISTAS A PEDALAR

    BOMBAS Fundada em 1977, a Brabus j modicou centenas de carros, conseguindo, por vezes, dobrar a potncia original dos mesmos para atingir valores na ordem dos... 750 cv

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    Relgio RPIDA A Minipimer 3 tem 450 watts de potncia e duas velocidades. Este relgio digital no tem nada disso mas bom mesma

    PLAYBRAUN BN0106 STEEL

    TEMPO DIGITALA VER AS HORAS COM STYLEMuitos conhecem a marca via publicidade s varinhas mgicas e s mquinas de barbear. Mas a Braun tambm fabrica relgios, e um deles que j tinha ganho um iF Award acaba agora de conquistar um Red Dot Design Award na sua categoria. Desenhado pelo estdio Hannes Wettstein de Zurique, o BN0106 apresenta um estilo que tem tanto de minimalista como de futurista. Com caixa em ao de 41,8 mm e mostrador de cristais lquidos retroiluminado por LED, est mesmo a pedir para ser colocado no pulso. braun-clocks.com

    UMA MINIPIMER? NO. A MARCA QUE SE NOTABILIZOU PELOS ACESSRIOS DE COZINHATAMBM FAZ RELGIOS

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    Sele

    o OLHA A MALAIMPERDVEIS GUIAS

    A nova coleo Louis Vuitton City Guides j est venda, com importantes novidades. A cidade de So Francisco est agora disponvel a ttulo individual e os guias de Paris, Nova Iorque e Tquio sofreram grande remodelao. Na caixa dedicada exclusivamente Europa foram adicionados os destinos Yekaterinburg, Kitzbhel, Lugano e Verona, que assim se juntam, entre muitos outros, a Budapeste, Londres e Marselha. Os guias da casa francesa tm ganho grande reputao desde o primeiro lanamento, em 1998. Antiqurios, designers, mercados de rua, bistros, pequenos hotis de charme, guesthouses... os Louis Vuitton City Guides revelam os caminhos a seguir para chegar a locais originais, contando, s na edio europeia, com mais de sete mil entradas.

    NOVA COLEOPORTUGUS MODERNO

    A marca portuguesa dedicada ao homem Giovanni Galli reposicionou-se com o lanamento da coleo outono/inverno 2012. Os modelos Gonalo Teixeira e Jonathan Sampaio foram escolhidos para dar corpo s peas num novo catlogo de 36 pginas; em paralelo, as lojas esto a ser remodeladas para responder nova imagem. Na foto, o sobretudo de uma coleo que foi beber inspirao ao ambiente urbano, ao rugby e ao futebol americano. Apesar do reposicionamento e da nova imagem, a marca da Vasconcelos & Gonalves decidiu manter a aposta na relao qualidade/preo, propondo agora um estilo "conante, descontrado e alegre".

    OL, NATAL!OS TONS ROSA QUE NOS INSPIRAM

    As galochas voltam a estar na moda este inverno. Mesmo que no chova, so essenciais em qualquer guarda-roupa. Da Killah, o modelo 1 Rabitt. Para animar os dias. O 2 For Her, de Narciso Rodriguez, que recebeu este ano o Fi Award para Melhor Perfume Feminino dos ltimos 20 Anos, vai estar venda este Natal num coffret que junta a eau de toilette de 50 ml a uma verso de 10 ml para levar na mala. Na Perfumes e Companhia. Na Swarovski, destaque para a coleo Kingdom of Jewels. Na pulseira 3 Story, o cristal cabochon, de tom rubi, com faceta octogonal, o centro de uma pea ultrafeminina, com minicristais em tons garnet aplicados atravs da tcnica exclusiva pointiage.

    CRIAR UM ESTILOOS HOMENS QUEREM-SE BONITOS

    A Braun (l est...) e a Gillette juntaram esforos e lanaram uma maquineta, a preo acessvel (cerca de 20 euros), que permite aparar, barbear e denir. A Gillette Fusion ProGlide Styler assim se chama recorre a trs pentes diferentes e a uma cabea Fusion ProGlide com resultados muito positivos, sobretudo no que ao conforto diz respeito. E ainda melhora se utilizar tambm os novos produtos (como o gel transparente, por exemplo) da mesma linha. Funciona com uma pilha AAA.

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    NA CAPAARTE URBANA

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    o poder nas ruas

    Dizer que usam a rua como tela clich e, como todos os clichs, redutor. Para uma nova gerao de artistas, a rua no apenas um meio; um princpio e um m. Uma forma de desaar as pessoas e as convenes, de interpelar a cidade, de protestar, armar ou surpreender. Usam a rua como tela, mas, mais do que isso, usam a rua como espelhotexto de Joo Paulo Batalha

    Em Lisboa, j toda a gente conhe-ce. aquela coisa na Avenida Fontes Pereira de Melo, uma das artrias mais movimentadas da cidade. Por estar numa das vias que ligam o aeroporto ao centro da cidade, uma mo-cheia de jornalistas estrangei-ros e escritores de viagem j passou pela interveno gigantesca que lavou a cara a um quarteiro inteiro de imobilirio abandonado e j escreveu sobre ela em vrios jornais e revistas internacionais. E, de facto, difcil no dar pelo trabalho do coletivo Crono em dois prdios outrora nobres de Lisboa. So fachadas inteiras intervencionadas por artistas nacionais e, neste caso, tambm internacionais, a uma escala invulgar. Figuras fantasmagricas, sombras sinistras, de aspeto perturbador, com um subtexto poltico indesmentvel. O caso da Fontes Pereira de Melo um exemplo de algo que est a mudar na relao entre a arte e o espao urbano. As intervenes naquela avenida, promovidas em prdios devolutos pelo projeto Crono, foram feitas em parceria com a Galeria de Arte Urbana, um or-ganismo municipal criado com o duplo objetivo de tentar disciplinar a prtica do grati em Lisboa e, ao mesmo tempo, promover, atravs da arte, uma nova forma de olhar para a cidade, de se relacionar com ela. Porque disso que se trata quando se fala em street art: mais do que de arte na rua, estamos a falar de arte da rua. De intervenes usam o

    INTERVENO O crescimento econmico acelerado chins representado por Vhils, em Xangai, atravs dos rostos dos antigos proprietrios de casas em processo de demolio Fo

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    espao urbano (paredes, prdios devolutos) para nos interpelar, para uma mensagem de protesto ou de armao.

    Desde sempre malvista, como coisa clandestina e poluente, a street art deu um passo em frente nos ltimos anos. Libertou-se, tornou-se mais corrente e ambiciosa. Ganhou dimenso e escala. Faz sen-tido. Anal, gratar um ato de liberdade, uma forma de expresso. arte? Isso est no olhar de cada espectador. Mas o que certo que, por mais campanhas de represso ou limpeza que se faam, as cidades nunca se livram destas intervenes. Goste-se ou no, uma cidade no se faz s de fa-chadas limpinhas. O mundo mais rico e complexo do que isso. E se o centro urbano oferece espaos apetitosos para a interveno, melhor ainda!

    Em Portugal, parece ser esse o caso. Alm de Lisboa j gurar entre as cidades mundiais com circuitos especcos de visita a obras de street art,a arte urbana hoje uma constante em todas as principais cidades. Portugal tem um conjunto de artistas consagrados nesta rea; e obras para ver um pouco por todo o Pas.

    CAPITAL As intervenes do projeto Crono mudaram a face de um quarteiro na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa

    NA CAPAARTE URBANA

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    O ESPAO DA LIBERDADEEm boa verdade, a arte urbana no propriamente novidade. Desde que existem cidades, existem pessoas a escrever ou a desenhar nas paredes. Em Portugal, alis, caram famosos vrios exemplos de arte urbana produzida durante o perodo revo-lucionrio vastos murais de propaganda ideo-lgica, que, com o tempo, foram perdendo valor poltico (mesmo que no artstico) e acabaram por desaparecer. pena que a cidade no guarde hoje memria desses testemunhos do passado, mas essa tambm a natureza deste tipo de interveno: as ruas no so um museu. A arte urbana reete o seu tempo e, como tal, efmera. A renovao de um prdio, a requalicao de uma parte da cidade, a interveno das autoridades, podem apagar o trabalho dos artistas de rua. No defeito, feitio. E justo: anal, esta um pouco arte de guerrilha.

    Mesmo que hoje as cidades comecem deliberada-mente a abrir espao para as intervenes, o que nasceu na clandestinidade manter sempre um carter de fronteira, marginal.

    Tomemos como exemplo Alexandre Farto. Nascido e criado na Margem Sul, este artista, hoje conhecido mundialmente como Vhils, uma estrela planetria na street art. A imprensa internacional j lhe chamou o Banksy portugus, associando--o, no mesmo flego, ao nome maior deste tipo de interveno. Com 25 anos, Alexandre vive hoje entre Lisboa e Londres, onde est representado pela principal galeria de arte urbana; e j assinou intervenes, como convidado, em dezenas de cidades pelo mundo fora da China ao Mxico, de Aveiro a Paris. A tcnica que usa destaca-o entre os outros artistas urbanos: mais do que pintar pare-des, Vhils destapa-as. Com um escopro, s vezes mesmo com um martelo pneumtico, descasca o estuque das paredes, deixando-as nuas at ao tijolo. No relevo daquilo que faz surgem rostos, a larga escala, interpelando quem passa. sada de Lisboa, milhares de automobilistas cruzam-se quotidianamente com o seu trabalho junto ao Eixo Norte-Sul, a caminho da Ponte 25 de Abril, ou na Avenida Calouste Gulbenkian, onde o seu trabalho est lado a lado com o famoso painel de azulejos

    SELEO NACIONALGENTE DAS RUAS

    Alexandre Farto (Vhils) o nome maior da street art portuguesa. Representado pela mesma galeria de Banksy, em Londres, tem hoje obra em cidades espalhadas pelo mundo. Mas no o nico notvel na galeria dos street artists portugueses. Paulo Arraiano, mais conhecido como Yup, outro dos consagrados, com obra internacional em vrias cidades europeias. Mais visveis entre ns esto nomes como Dalaiama (quem ainda no viu os seus stencilsicnicos numa parede desprevenida?) ou o projeto +-, de Miguel Janurio conhecido, alm dos graftis, por eventos de crtica poltica e social, como o famoso funeral de Portugal, que organizou no nal de agosto, em Guimares. Com as galerias mais atentas, organizando exposies e abrindo as portas aos street artists, tem sido mais fcil identicar novos talentos. E a street art no s coisa de homens. Artistas como Maria Imaginrio ou Super Van (Vanessa Teodoro) tm assinado intervenes no s em paredes mas em mobilirio urbano ou at em campanhas publicitrias. Vrias marcas tm, alis, promovido operaes de street art nas nossas cidades, provando que a arte que fala a linguagem das ruas um meio de comunicao poderoso nos tempos que correm.

    A ARTE URBANA REFLETE O SEU TEMPO E, COMOTAL, EFMERA

    IMPORTNCIA O trabalho de Alexandre Farto (Vhils) na Travessa das Merceeiras, em Alfama, e numa artria principal de Moscovo (em baixo)

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    de Joo Abel Manta. A crtica internacional est rendida: Alexandre Farto, Vhils, portugus e um dos melhores do mundo.

    Mas para ele tudo comeou no Seixal, a gratar paredes e comboios e a fugir polcia. Hoje, Vhils no tem problemas com a polcia: as suas inter-venes so feitas a convite das prprias cidades e cada trabalho seu vale uns bons milhares de euros. Ele, no entanto, v poucas diferenas de substncia entre as suas intervenes e as suas origens. O problema no a maneira como o grati existe na cidade, mais como a cidade trata o grati. Sempre foi visto como um intruso, como algo que deve ser limpo e combatido, quando, na realidade, faz parte dela. Pode revitalizar o lado visual de um lugar e pr o dedo nas feridas da cidade, chamar a ateno para os prdios devolutos, as zonas degradadas e esquecidas. , em suma, a democratizao do espao pblico. A alternativa, diz, seria um espao acetinado e cinzento em que o nico ponto de cor seria a sinaltica ou a publicidade que nos vai ao bolso. Uma cidade menos livre.

    A SUBVERSO MAINSTREAMNa rua, decididamente, cabe de tudo. Se artis-tas como Vhils ou o ingls Banksy se tornaram clebres pelas intervenes de grande dimen-so, outros, como o tambm britnico Slinka-

    chu, provam que o tamanho no importa. Com exposies e livros em vrias cidades e lnguas, este artista dedica-se a instalaes urbanas com guras minsculas, pequenos bonecos fotogra-fados em situaes quotidianas, ou nem tanto. O projeto Little People uma forma de repen-sar a escala da cidade com guras do tamanho de um dedo, dispostas pelo espao urbano. Dois minsculos polcias de choque a tirar uma foto souvenir em frente Acrpole de Atenas, um super--heri obeso sentado no rebordo de uma lata de

    PROPORO Slinkachu mestre da miniaturizao, criando, com Little People, um mundo em que somos gigantes

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    cerveja tombada num beco ou um minsculo es-correga de gua que d para um ralo de guas plu-viais so exemplos de um estilo subversivo tpico da arte de rua.

    Mas far sentido que a street art salte das ruas para as galerias? Uma pea de arte urbana vale o mesmo se no for clandestina, se no for um grito contra os poderes? O mundo da arte nunca teve diculdade em assimilar todo o tipo de movimen-tos, mesmo aqueles que nasceram claramente em contestao ao prprio establishment.Talvez por isso no seja de estranhar ver artistas como Vhils representados nas grandes galerias de Lisboa ou de Londres. Na capital portuguesa, a ati-tude face arte urbana mudou muito nos ltimos anos. Se no podes venc- -los, junta-te a eles, parece ser a abordagem dos poderes locais. A Galeria de Arte Urbana foi o ree-xo desta poltica. Criada h cerca de trs anos, foi, sobretudo, um instrumento para tentar disciplinar a prtica do grati e dos tags nas paredes do Bairro Alto. Para tentar limpar um pouco o bairro, foi criada uma galeria ao ar livre na Calada da Glria, acompanhando o percurso do famoso ascensor. Aqui, com paredes especicamente destinadas ao trabalho dos street artists, foi feito o convite para o grati, s claras.

    O entusiasmo municipal, alis, no se cou por a. Sempre com o apoio da Galeria de Arte Urbana, alm das exposies regulares na Calada da Gl-ria, j se promoveram intervenes em mobilirio urbano (nos ecopontos, por exemplo) e at em camies do lixo. E, claro, a famosa interveno na Fontes Pereira de Melo, que trouxe a Lisboa, a convite da cidade, artistas consagrados, como os Gmeos, de So Paulo, ou o grater italiano Blu. O reverso da medalha que h muitos artis-

    tas desagradados com a institucionalizao da street art anal, ter o mesmo sabor deixarmos a marca numa fachada abandonada se o presidente da Cmara est atrs de ns a inaugurar a obra? No de admirar que os street artists joguem nos dois campos, e s grandes obras, patrocinadas pela prpria cidade, continuem a somar intervenes clandestinas. Anal de contas, a arte que nasce da rua, que vive na rua, , por denio, livre. Controversa, muitas vezes, incmoda, mas livre de regras e condicionantes. Um grito na cidade.

    BANSKYO INICIADOR

    Eo nome mais famoso da street art em todo o mundo, mas at hoje ningum sabe bem quem ele . Banksy vai conseguindo permanecer annimo, mas fez-se notar a partir dos anos 90, primeiro em Bristol, depois pelo mundo fora, pelas suas intervenes satricas, por vezes custicas, mas sempre bem- -humoradas. Com obra por todo o mundo, Banksy uma espcie de reinventor da street art, ou, na verdade, talvez o primeiro street pop artist. Um papel com que no est inteiramente confortvel: em 2010 lanou um pseudodocumentrio que, sob a capa de uma histria pretensamente verdadeira, faz uma reexo hilariante sobre como o mundo da arte tem uma capacidade para assimilar e, no processo, desvirtuar a arte de rua. As autoridades, parece, no so a nica ameaa genuinidade da arte urbana. Contudo, ca para a histria o sucedido h dois anos, em Melbourne, na Austrlia, quando, em plena Hosier Lane (o centro da street artna cidade, e no pas), uma equipa municipal apagou por engano um mural valioso do britnico. O mayorde Melbourne reconheceu o engano, mas encolheu os ombros. Tambm no era nenhuma Mona Lisa.

    UMA PEA DE ARTE URBANAVALE O MESMO SE NO FOR CLANDESTINA? SE NO FOR UMGRITO CONTRA OS PODERES?

    PLAYPINTURA DE BANKSY EM HACKNEY, LONDRES

    A rua-galeria S na capital, estimam-se em mais de oito mil os edifcios abandonados ou em mau estado de conservao, de acordo com uma estimativa recente da Cmara Municipal. No que a arte urbana se conne s fachadas de prdios abandonados, mas o que certo que nas nossas cidades no faltam oportunidades de interveno.

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    CONVERSAMARGARIDA CARPINTEIRO

    A vida ao pormenorDiz-se cansada, a precisar de tempo para si e para as coisas de que mais gosta. Mas a cada novo desempenho d-nos motivos de sobra para continuarmos a querer v-la. Na base do sucesso, o prossionalismo, o rigor, a disciplina e o respeito. O mesmo que pede, no s para si, mas para aqueles pequenos nadas que do sentido ao todotexto de Pedro Guilherme Lopes fotograa de Filipe Pombo

    MARGA RIDA CARPIN TEIRO

    CONVERSAMARGARIDA CARPINTEIRO

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    CONVERSAMARGARIDA CARPINTEIRO

    Existem pessoas que conseguem atravessar geraes. Mar-garida Carpinteiro uma delas. H quem se recorde dela como Mariette, a protagonista de Vila Faia, h quem no esquea a sua presena em O Tal Canal, h quem recue me-nos no tempo e a veja como Graciete, uma das personagens que mais brilhou em Laos de Sangue.

    O mais curioso pensar que este percurso com mais de 40 anos, quase 20 telenovelas e mais de duas dzias de peas de teatro nasceu fruto da vontade de uma funcionria pblica fugir rotina e dar um safano na sua vida. Foi tal a mudana que se apaixonou. Pelos palcos, pelas t-buas, as mesmas que, diz, zeram dela gente e lhe deram a conhecer gente que no esquece. Gente que guarda no corao e na cabea, o mesmo corao e a mesma cabea que hoje a fazem viver num dilema: o corao pede-lhe um descanso seletivo, abraando apenas o que mais o faa palpitar; a cabea diz-lhe ser arriscado abandonar traba-lhos que trazem o dinheiro que paga contas. A realidade, nua e crua, feita destes pormenores que Margarida no entende como so constantemente desvalorizados, como se as pessoas esquecessem que a vida se faz desses mesmos pormenores. E de amor, claro, diz esta incontornvel atriz, que acredita ter nascido para amar e ser amada.

    O que que a Margarida me diria se eu comeasse esta entrevista armando que um privilgio estar a entre-vist-la? Um privilgio?!? No, no uma circunstncia normal da sua vida e da minha vida, nada mais do que isso.

    Isso signica que, para si, os elogios valem o que valem? Exatamente. Valem o que valem. Obviamente que agradeo

    E os elogios, mas acho demasiado empregar-se a palavra privilgio.Mas este reconhecimento do seu trabalho e do seu per-curso por parte de geraes mais novas, incluindo colegas de trabalho, acaba por alimentar esta sua paixo que ser atriz, certo? Sem dvida que qualquer ator precisa do amor, do respeito e do reconhecimento por parte do p-blico, dos colegas e da imprensa, e eu, sim, sinto-me uma privilegiada nesse aspeto. Acaba por ser uma conquista, julgo que fruto de sempre ter sido uma atriz que respeita quem a rodeia, quem sempre deu tudo o que tinha para dar, que nunca foi de meias-tintas, que faz do rigor a sua forma de trabalhar.Tenta passar essa forma de trabalhar a essas geraes mais novas? Tento, tento Cada vez mais. Sabe, estamos numa poca em que tudo descartvel, em que as coi-sas passam depressa. E h algo que eu no suporto, que dizerem-me isso um pormenor, no tem importn-cia. Caramba, a nossa prosso, a nossa vida, feita de pormenores. O conjunto de pormenores a essncia de muitas coisas, e eu estou constantemente a alertar para esses pormenores . Olhe, se calhar por no repararmos nos pormenores que estamos como estamos

    A vontade de passar essa mensagem uma das formas que encontra para combater o facto de, por vezes, se sentir farta da sua prosso? Eu estou cansada, ver-dade. Como atriz prossional, trabalho h 40 anos, mais cinco de cursos e de outros pequenos trabalhos, portanto j l vo 45 anos. Antigamente os atores trabalhavam at morte, at poderem, mas acho que a nossa vida hoje to pesada no meu caso, que vivo do que ganho, tenho que aceitar coisas que j no me apetecem quando o que me apetecia era, precisamente, o contrrio: ter novos de-saos, algo que espevitasse esta paixo, este amor pela prosso. Mas eles no aparecem, principalmente agora que estamos a atravessar uma grande crise, onde a cultura das primeiras a sofrer.

    O cinema podia ser um desses desaos? Mas tambm no h, no ? [Risos] E, quando h, temos que admitir que a idade tambm conta. raro aparecer um bom papel para algum da minha idade. uma das consequncias de ter escolhido esta prosso.

    Essa questo da idade no surge um pouco batida no caso das telenovelas? Sim, de certa forma, mas h muita gente da minha gerao que est sem trabalho e em condies muito precrias.

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    Essa vontade de mudana, de desaos, de quebrar a rotina, faz parte da sua forma de ser? Sim, acompanha--me sempre, tanto pessoal como prossionalmente. E, felizmente, tenho sido muito bem sucedida quando resolvo abraar novos desaos e novos projetos.

    E como encarou um projeto intitulado A Rapariga dos Fsforos, o lme que assinalou a sua estreia? [Risos] Primeiro foi um grande susto, pois tratava-se de um texto de um grande escritor, o Jos Cardoso Pires, depois porque eu no tinha grande -vontade com o cinema, o que fazia com que eu estivesse muito preocupada. Esse dos tais trabalhos que me exigia uma tal diferena de mim prpria que se transformou num desao que jamais esquecerei.

    Logo a seguir teve outro enorme desao, ser a Mariette na novela Vila Faia. Isso foi uma paixo, porque todos, desde a produo ao guarda-roupa, estvamos empenhados em fazer o melhor que nos fosse possvel. Tive a ajuda de muita gente. Do Nicolau, claro, da Rosa Lobato Faria, do Nicholson toda a gente nos ajudava muito, principalmente no meu papel, pois estava a fazer de prostituta, e, nessa altura, falar de prostituio era quase tabu. E eu tive

    COMO QUE NASCEUESSA VONTADE DE SERATRIZ? OLHE, EU SOU UMA ATRIZ POR ACASO. NA ALTURA, TINHA EU27 OU 28 ANOS, ERAFUNCIONRIA PBLICA, ALI NO RATO, E VI UMCARTAZ ONDE SEANUNCIAVA UM CURSO DE TEATRO E VOZ. FIQUEIA OLHAR PARA AQUILOE A PENSAR A MINHAVIDA UMA ROTINA TO ESTPIDA E EU DETESTO ROTINAS. VOU FAZER ISTO PARA ME DISTRAIR.FIZ E FIQUEI.

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    CONVERSAMARGARIDA CARPINTEIRO

    muito medo. Tive medo de como seria tratada na rua, tive medo da reao da minha famlia, mas quando a novela comeou a ir para o ar percebi que no ia acontecer-me mal nenhum, muito pelo contrrio. Devo dizer-lhe que foi dos trabalhos em que me senti mais acarinhada pelo pblico, incluindo pelas crianas, que uma coisa que no sei explicar. Passados cinco ou seis anos, viam-me no Bairro Alto, chamavam-me Mariette e vinham-me abraar.

    Nesse tempo, ser atriz ainda no era encarado como algo normal, verdade? Tem razo. Nesse tempo, ser atriz ainda era uma escolha difcil, tanto por causa das famlias como por causa da opinio pblica. Ns no ramos bem vistos.

    Nos anos 60 as coisas ainda eram olhadas com um franzir de sobrancelhas, como que perguntando quem esta gente, o que que eles fazem, vo para o teatro e saem de l s trs da manh, mas isso, esse olhar da opinio pblica, no me incomodava. Preocupava-me, sim, a minha famlia, e conseguir fazer algo que zesse com que as pessoas me olhassem com respeito. E consegui.

    Depois da Mariette, passou para um registo completa-mente diferente em O Tal Canal. Sentiu essa necessida-de de rir depois de um papel to exigente? Sabe, eu sou daquelas atrizes que mata o seu papel assim que dizem corta ou quando a pea acaba. Acabou, fechou, eu sou a Margarida Carpinteiro. O Tal Canal foi um desao que me foi proposto pelo Herman e foi dos momentos que mais me marcaram at hoje. O humor algo que me fascina, at por, pelo menos para mim, ser mais difcil, e este programa marcou uma poca, a histria da televiso portuguesa e o prprio Pas, que estava a precisar de rir-se de outras coisas.

    Quando olha para trs, para este percurso, o que que sente? Sinto que a minha verdadeira escola foram as tbuas, foi andar ali nos palcos durante muito tempo, que foram esses longos primeiros anos do meu trabalho que me deram corpo. Que foram as pessoas que me marcaram, com quem ca o corao e a cabea, que me zeram admirar ainda mais a capacidade de trabalho, a disciplina, o sacrifcio. Os atores, hoje em dia, acham que a capa de uma revista pode dar-lhes algo, mas pode no dar nada. Agora o trabalho d, como dava nesse tempo. Guardo tudo isso no corao com muita alegria.

    A propsito de trabalho e de disciplina, a Margarida, aos 12 anos, j dava explicaes. Essa vontade de trabalharOlhe, se calhar, e como diz o nosso primeiro-ministro, essa coisa de vontade de trabalhar aos 12 anos uma pie-guice! Eu queria ser gente e sabia que os meus pais no podiam dar-me tudo, pois era lha de um operrio e de uma domstica. Eu morava na periferia, queria estudar, queria ir para o liceu, e essa foi a forma que encontrei para consegui-lo. Pieguices

    No querendo ser piegas, o que que a faz gostar tanto de escrever? a coisa mais misteriosa da minha vida. No me considero uma escritora, mas posso dizer-lhe que

    se no precisasse de dinheiro provavelmente o que teria mesmo feito era escrever. algo que sinto dentro de mim como uma paixo daquelas que no so resolvidas, que a um tempo do alegria, que a um tempo magoam. E quando tenho tempo para escrever fao-o com uma tal ganncia que nada pode interromper-me tambm a escrita que me faz dizer que me apetece parar, para poder dedicar-lhe tempo. No quer dizer que v publicar, mas a escrita algo

    ... que a equilibra? Que me equilibra. Muito. algo que me d tempo para poder pensar, e eu gosto muito de pensar.

    Num dos seus livros, o Animal Desconhecido, regressa infncia. Que memrias guarda dessa infncia? Foi complicado, em termos nanceiros, mas fui muito amada. So memrias felizes, porque as diculdades eram ultra-passadas com grande amor entre as pessoas, fossem famlia ou vizinhos. As pessoas ajudavam-se. E o facto de viver na periferia, perto de uma quinta, deu-me a possibilidade de contactar de perto com a Natureza, de aprender a fazer manteiga, de aprender a fazer queijo Tenho um enorme respeito pela Natureza, e essa outra das razes que me do vontade de largar tudo isto e ir-me embora: a possibilidade de regressar a essa maravilha que a Natureza.

    So essas memrias de amor que a levam a dizer que nasceu para amar e para ser amada? Todos ns nascemos para amar e para sermos amados, e pena que as pessoas percam tanto tempo com coisas que pouco ou nada valem, que passem tanto tempo zangadas com elas mesmas e com os outros.

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  • revista unibanco 39

    os dias... Perante isso, o vedetismo soa a ignorncia. As pessoas confundem marketing com amizade, com respeito, com amizade, com integridade.

    Isso f-la zangar-se? Olhe, quando so pessoas novas, no me zango. E, se gostar delas, at sou capaz de meter o nariz onde no sou chamada. Se forem pessoas mais velhas, no digo nada.

    E que outras coisas a fazem zangar-se? [Risos] As pessoas no fazerem pisca quando esto a conduzir, por exemplo. Tanta coisa Faz-me zangar uma certa estupidez emplu-mada, faz-me zangar aquela postura que pretende marcar classes sociais, faz-me zangar o desrespeito por aqueles que no tiveram as mesmas oportunidades. E eu no sou uma pessoa boa, longe disso. Perco a cabea com facilidade, digo o que no devo

    Pelo contrrio, o que que a faz sorrir, mesmo que seja com aquele sorriso caracterstico, meio tmido e melan-clico, que quase uma imagem de marca? Eu sei que tenho este ar meio triste. Acho que faz parte das pessoas que gostam de fazer humor. [Risos] O que me faz sorrir? A prpria vida, o ter chegado a esta idade e estar como estou Olhe, outra coisa que me faz zangar as pessoas terem sade e queixarem-se da idade. A idade uma vitria!

    A propsito de humor, gostaria de voltar a participar num grande programa de humor, capaz de reunir as famlias em frente televiso? O que eu queria, mesmo, era po-der ir-me embora, ir para o meio da Natureza, poder ter tempo para escrever, para cozinhar, para semear J no tenho essa tendncia para dizer que gostava de fazer este ou aquele papel, mas claro que se surgisse essa oportuni-dade diria que sim.

    Rir continua a ser o melhor remdio? Sem dvida alguma! Eu, com a idade que tenho, chego concluso de que saber rir de si prprio a coisa mais saudvel que h, e isso vai-se aprendendo. Rir fundamental.

    Disse, h pouco, que a idade uma vitria. A vitria nos Emmy, com Laos de Sangue, poderia ser o prmio certo para colocar o desejado ponto nal neste captulo? bvio que uma vitria importante para todos os que participa-ram nessa novela, e bom que, numa altura destas, o nosso Pas tenha bons motivos para ser citado l fora. S espero que vitrias desse gnero sejam envolvidas em respeito

    E que prmio que a vida ainda podia dar-lhe? Deixar--me ser eu. Mais nada.

    A Margarida falou na importncia de as pessoas se aju-darem para ultrapassarem as diculdades. isso que faz falta hoje em dia? Uma das coisas que eu gostaria, e talvez esteja a dizer um grande disparate, que esta crise em que nos encontramos servisse para as pessoas voltarem a olhar-se olhos nos olhos, para voltarem a dizer bom dia e boa tarde com respeito, para perguntarem a quem est a seu lado se precisa de algo. As pessoas no olham sua volta. Querem ir em frente, mas sem olhar no sabem qual a direo certa. bom que as pessoas entendam que esta crise mais do que uma crise nanceira estamos perante uma crise de valores.

    esse olhar sua volta que a faz comportar-se como antivedeta? No sei explicar-lhe Sou como sou e, sim, sou antivedeta. Ainda outro dia, ao observar uma trovoada sobre o mar, dei comigo a pensar que ns somos uma parte to pequena deste universo, temos tanto a aprender todos

  • 40 revista unibanco

    SHUT UP AND PLAY THE HITSLCD Soundsystem

    Este um documentrio dedicado ao m da banda norte-americana LCD Soundsystem. Protagonizado por James Murphy, mentor dos LCD, o lme retrata o ltimo concerto da banda, em abril de 2011, em Madison Square Garden: os preparativos, o dia seguinte e as consequncias da deciso a nvel prossional e pessoal. Obrigatrio.

    Gnero Eletro punk Editora Alambique

    GLAD RAG DOLLDiana Krall

    Pela primeira vez em muitos anos, Diana Krall no se junta a Tommy Li Puma, o seu produtor de sempre, entregando essa tarefa a T Bone Burnett. O resultado um lbum que reinventa clssicos dos anos 20 e 30 e tambm da dcada de 50, recuperando os discos de 78 rotaes que marcaram Diana Krall ao longo da vida.

    Gnero New jazz Editora Universal Music

    GOLD DUSTTori Amos

    Na comemorao dos 20 anos da edio de Little Earthquakes, o incontornvel lbum de estreia de Tori Amos, editado este Gold Dust,uma seleo das mais adoradas composies da cantautora e pianista norte-americana.

    Gnero Pop Editora Universal Music

    ENIGMTICA A VOZ DENATASHA KHAN CONDUZ-NOSPOR CENRIOS QUE SOAMA CONTO DE FADAS

    Msica

    Sol de inverno Pop independente, renada e melancolicamente luminosa, para aquecer os dias mais frios e terminar o ano com um grande disco

    Como que um lbum com um lado negro indisfaravelmente vincado pode servir como escape para as constantes notcias que anunciam o tormentoso 2013? Esse , precisamente, o segredo de Natasha Khan, mais conhecida por Bat for Lashes. Pega em utuaes emocionais, amores mal resolvidos, paixes que magoam e solido, utilizando to pesaroso cocktail como a lenha que incendeia a criatividade reinante em The Haunted Man, terceiro disco de Bat for Lashes numa estrada onde nem faltam nomeaes para o Mercury Prize. A inglesa de razes paquistanesas consegue mergulhar nas suas emoes mais sombrias e da retirar uma estranha luminosidade, que teima em brilhar ao longo das suas msicas. Embaladados pela sua voz, que por vezes soa hipntica (Ol, Kate Bush!, Ol, Tori Amos!, Ol, Beth Gibbons!), sentimo-nos como fazendo parte de um conto de fadas, onde a banda sonora assenta numa pop eletrnica capaz de respirar por si mesma, com a curiosidade de estarmos perante um disco que deixa de lado temas passveis de conquistar as massas, como havia acontecido com Daniel ou Pearl's Dream, no anterior Two Suns. Mas, ainda assim, arriscamos: este ser um dos discos do ano.Pedro Guilherme Lopes

    OUVIR

    THE HAUNTED MAN Bat for LashesGnero Indie popEditora EMI Music

  • revista unibanco 41

    Bond. James BondA passagem dos 50 anos do agente secreto mais conhecido do planeta no cinema assinalada com uma edio que lhe presta tributo

    So 600 pginas, ao todo, para deleite dos fs do agente secreto britnico criado por Ian Fleming em 1953. O acesso sem restries ao esplio cinematogrco de Bond iniciado em 1962 com Dr. No resultou numa obra rica em "estrias", com 1100 imagens com storyboards, posters e fotos de bastidores e de prottipos capazes de enriquecer a cultura Bond mesmo daqueles que julgavam j saber tudo sobre ele.

    Da editora alem, e tendo em conta a efemride, no se esperaria menos do que a criao de exemplares de colecionador. Assim, primeira edio limitada (a corrente, venda por 150 euros), juntou a Art Edition, assinada por Daniel Craig, com a reproduo de dois cenrios assinados por Sir Ken Adam e uma capa exclusiva dourada, no total de 500 unidades.

    Completo e atualizado, com todos os lmes at ao mais recente Skyfall, o livro mais detalhado jamais feito sobre a vida do agente 007 no cinema. Batido, no mexido. Lus Incio Li

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    AO O LIVRO MAIS COMPLETO SOBRE A HISTRIA CINEMATOGRFICA DO AGENTE CRIADO POR IAN FLEMING

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    THE JAMES BOND ARCHIVESPaul DuncanGnero Cinema Editora Taschen

    1 A PIADA INFINITADavid Foster Wallace

    Puro entretenimento, com o toque nico de David Foster Wallace, sem sombra de dvidas um dos grandes escritores norte--americanos da sua gerao. Este Innite Jest, nalmente traduzido para portugus, marcou em denitivo a sua obra, precocemente interrompida pelo seu suicdio, em 2008, aps anos de luta contra uma depresso. Um livro absolutamente essencial numa biblioteca que se preze.

    Gnero RomanceEditora Quetzal

    2 PEITO GRANDE, ANCAS LARGASMo Yan

    Gerou polmica na China e regressa agora s livrarias portuguesas, onde se encontrava esgotado. Escrito pelo Prmio Nobel da Literatura 2012 em 1995, foi censurado pelo Partido Comunista chins, que obrigou o autor a escrever uma autocrtica, acabando depois por ordenar a sua retirada do mercado. Com edio da Ulisseia, mantm-se como a nica obra de Mo Yan traduzida para portugus.

    Gnero RomanceEditora Ulisseia

    3 A CIVILIZAO DO ESPETCULOMario Vargas Llosa

    A cultura e o jornalismo de espetculo ao servio do entretenimento na mira de Mario Vargas Llosa no seu primeiro livro escrito depois do Nobel da Literatura. A sociedade do nosso tempo passada em revista pelo olhar crtico do escritor peruano num ensaio que, entre outras coisas, questiona, inclusive, a responsabilidade do intelectual na "civilizao do espetculo". Incontornvel.

    Gnero Ensaio Editora Quetzal

    4 O ANJO ESMERALDADon DeLillo

    Astronautas, terroristas, freiras e outros personagens numa compilao a nica dos contos de Don DeLillo, escritos entre 1979 e 2011. Do mesmo autor de Submundo considerado em 2006, pelo The New York Times Book Review, como um dos trs melhores romances dos ltimos 25 anos , O Anjo Esmeralda traa, em nove histrias, um retrato el da civilizao americana das ltimas dcadas.

    Gnero ContosEditora Sextante Editora

  • 42 revista unibanco

    Mestre do suspenseReunir as obras-primas de Alfred Hitchcock, ainda para mais em verses Blu-ray carregadinhas de extras, motivo para comearmos j a escrever a carta ao Pai Natal

    No h f da Stima Arte que no conhea o seu nome. Pode at nem ter visto nenhum dos seus lmes, mas sabe que ao falarmos de Alfred Hitchcock estamos a falar de uma gura incontornvel do cinema de mistrio, capaz de colocar inovadores recursos narrativos ao servio do suspense, tornando-se parte fundamental do desenvolvimento da linguagem cinematogrca moderna. Nascido em 1899, num povoado chamado Leytonstone e numa poca que, sob o nevoeiro de Londres, eternizou nomes como Sherlock Holmes, Jack, O Estripador e Scotland Yard, Hitch viria a tornar em imagens de marca a capacidade para, ao longo do lme, manter o espectador num estado de tenso, bem como a solidez da narrativa. Caractersticas que cam bem expressas nos lmes que fazem parte desta caixa obrigatria: Janela Indiscreta (1954), O Homem que Sabia de Mais (1956), Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes (1958, considerado, j este ano, o melhor lme de todos os tempos, de acordo com a revista do British Film Institute), Psico(1960) e Os Pssaros (1963). Em verso Blu-ray, todos estes ttulos surgem acompanhados de apetecveis extras. PGL

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    LAWRENCE DA ARBIAEDIO 50 ANIVERSRIO David Lean

    Vencedor de sete scares, incluindo Melhor Filme, em 1962, Lawrence da Arbia continua a ser uma das mais essenciais obras- -primas do cinema. O lme brilhantemente protagonizado por Peter O'Toole, como T. E. Lawrence, um ocial do Exrcito Britnico da I Grande Guerra. ele que vai unir tribos rivais do deserto, liderando-as na guerra contra o poderoso Imprio Turco. Imperdvel, numa verso restaurada e remasterizada.

    Gnero pico Editora Sony Pictures

    PROMETHEUSRidleyScott

    O realizador Ridley Scott volta a mergulhar no universo que lhe deu reconhecimento, convidando-nos a embarcar em nova viagem assombrada pela presena de aliens. Uma equipa de cientistas e exploradores viaja em busca das origens da humanidade, mas o que encontram pode ameaar a vida na Terra e o futuro da raa humana.

    Gnero Fico cientca Editora Fox

    TEDSeth McFarlane

    Aos oito anos, John Bennett tem um nico amigo: Ted, o seu ursinho de peluche. Uma noite, o seu desejo de dar vida a Tedconcretiza-se e eles tornam-se inseparveis, mas a amizade vai ser posta prova quando John atinge a idade adulta.....

    Gnero Comdia Editora Universal Pictures

    OBRAS-PRIMASDE ALFRED HITCHCOCKAlfred Hitchcock Gnero Suspense Editora Universal Pictures

    EMBLEMTICA UMA FOTOGRAFIAPROMOCIONAL DO FILME"OS PSSAROS" EM 1963

  • EM AGENDA

    15 novembroPEDRO CHOROA galeria de Miguel Justino Alves, Bloco 103, em Lisboa, inaugura uma exposio de Pedro Choro. Nascido em Coimbra em 1945, tem um percurso iniciado nos anos 70, mais propriamente em 1975, quando se estreou na Galeria da Emenda. Desde ento nunca deixou de surpreender graas a uma linguagem que no alinhou em desvios ou modas, tendo sido sempre capaz de marcar o seu prprio tempo atravs de um original discurso pictrico. Conra.

    25 novembroROLLING STONESDepois de cinco anos de ausncia, os Rolling Stones voltam a juntar-se para quatro concertos com que pretendem celebrar os 50 anos da banda (ver Revista Unibanco 140), dois na Europa e outros tantos nos Estados Unidos. A O2 Arena, em Londres, onde terminou precisamente a ltima digresso, A Bigger Bang, dos Stones, recebe o primeiro concerto no dia 25 e o segundo no dia 29. E vale mesmo a pena a viagem para voltar a ver de perto a eterna banda de Mick Jagger, que recentemente se mostrou em forma em Paris num concerto surpresa para 350 pessoas, numa espcie de aquecimento para os quatro espetculos que a vm.

    27 novembroSLINKACHU THE BIG CITY No tenha dvidas: esta entrada na agenda vem a propsito do artigo entre as pginas 28 e 33, e sobretudo um pretexto para reforarmos a abordagem arte urbana de Slinkachu, um artista que vive em Londres mas que tem corrido mundo num projeto denominado Little People.Slinkachu chega a uma cidade, monta uma pequena instalao com pessoas do tamanho de um dedo, fotografa o cenrio

    15 nov // 27 jan

    revista unibanco 43

    e abandona o local deixando o projeto para outros verem, caso, obviamente, deem por ele, o que no nada fcil, tendo em conta a miniaturizao da obra... O resultado pode ser conferido online, em little-people.blogspot.pt, em slinkachu.com e andipa.com. Slinkachu termina precisamente neste dia 27 de novembro uma mostra no Kunstverein Ludwigsburg, numa cidade situada a 12 km de Estugarda. Para alm de alguns trabalhos do seu arquivo, est patente uma nova srie de retratos levada a cabo nas ruas de Berlim, Estugarda e Ludwigsburg.

    06 janeiroMODERNISMEOU MODERNITTermina em Paris, na MaisonEuropene de la Photographie,a mostra Modernisme ou Modernit, com obras de Jean-Baptiste Gustave Le Gray, sem dvida um dos mais importantes fotgrafos franceses do sculo XIX. Esta exposio abrange os dez anos entre 1850 a 1860 e inclui 160 imagens, muitas delas nunca antes vistas em pblico. E j que est na Maison aproveite para ver as obras emblemticas da sua coleo permanente.

    13 janeiroIMPRESSIONISM:SENSATION & INSPIRATIONO museu Hermitage Amesterdoencerra a exposio dedicada ao impressionismo, que conseguiu reunir, sob fortes medidas de segurana, obras-primas como Dame au Jardin, de Claude Monet, ou o Retrato de Jeanne Samary, de Renoir. Esto tambm representados Eugne Delacroix, Paul Czanne e Paul Gauguin, entre outros. Palavras para qu? Ligue para o Unibanco Viagens e marque a sua viagem enquanto tempo.

    25 janeiroREUNION BIG JAZZ BANDDepois do Ritz Club, em Lisboa, e de uma passagem por Sesimbra, a Reunion Big Jazz Band toca no Frum Municipal Romeu Correia,em Almada. Francisco Costa Reis est frente desta orquestra, que, depois de ter lanado Ouija que se encontra venda nas lojas da especialidade , promove agora este seu primeiro trabalho num conjunto de concertos a realizar um pouco por todo o Pas. Para ver, ouvir e aplaudir.

    27 janeiroHOLLYWOOD COSTUME

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    ltimo dia para ver cerca de uma centena dos mais conhecidos looks usados por atores e atrizes, como Dorothy Gale, em O Feiticeiro de Oz (1939), Harrison Ford, em Os Salteadores da Arca Perdida,e Johnny Depp, em Piratas das Carabas (2007). A exposio, no londrino Victoria and Albert Museum, tem curadoria de

    Deborah Nadoolman Landis vencedora de vrios prmios, entre os quais alguns scares, pelos guarda-roupas da sua autoria e obrigou a procurar, identicar e assegurar o transporte de peas reunidas um pouco por todo o mundo junto de estdios, museus e muitos colecionadores privados. Absolutamente imperdvel.

    A NO PERDER!

    FATOS DE HOLLYWOOD

    EM LONDRES

  • 44 revista unibanco

    CULTURA URBANACORRIDA

    O desao lanado simples: descobrir a cidade a correr. De dia ou noite, pelos locais mais emblemticos, pelas ruas e vielas que enchem as pginas dos mais reconhecidos guias tursticos. o caso, em Lisboa, do Chiado, Bairro Alto, Glria, Castelo de So Jorge ou de bairros como Alfama e Mouraria, ou zonas como a Ribeira, a S, algumas Caves do Vinho do Porto, ou tneis, na Invicta. E aqui que reside o charme destas provas, que tm feito sair de casa e dar corda aos sapatos a um nmero crescente de pessoas. Corredores habituais, e no s. Uns conduzidos pela novidade; outros, pela curiosidade. At porque no preciso ser um atleta prossional o objetivo , alis, aliar a promoo da prtica da atividade fsica ao lazer e convvio.Lisboa e Porto concentram at agora estes eventos. o caso das Luna Runs, promovidas pela Nike Running Portugal, com incio ao cair

    da noite, que convidam a descobrir a cidade ao longo de cerca de 45 minutos, atravs de pistas espalhadas pelos percursos. No nal, no faltam prmios nem convvio. Nem msica ou piza! As Urban Trail tambm vieram para car. Diz quem participa que vo voltar. Especialmente as Urban Night Races, noite. Coimbra a prxima contemplada. Na Invicta, a Porto a Subir, prova que vai da Ribeira at S, faz jus ao nome: feita pelas escadarias de Guindes e Codessal. Se o ar j lhe comea a faltar, respire fundo e relaxe. A companhia e a boa disposio so auxlios a no menosprezar.

    RUNNING

    UMA NOVA PERSPETIVA

    Um novo conceito de desporto invade as nossas cidades. O formato chega de fora, prometendo revolucionar

    a forma como se corre. Trata-se das corridas urbanas, feitas

    nos centros histricos, aliando as componentes fsica,

    ldica e cultural

    Descobrir a cidade a correr

    NO ESQUECERMquina fotogrca Atualmente cabem facilmente numa bolsa para prender cintura ou no brao. A participao numa prova deste tipo vai deixar-lhe, decerto, bons momentos para recordar.

    IluminaoEssencial para as provas noturnas, se no for fornecida pela organizao. Luz frontal ou lanterna.

    Companhia No absolutamente necessria e o ambiente propcio a conviver com os vrios participantes, mas sempre um bom incentivo.

    Calado adequado Anal, vai correr ou andar, por isso conforto essencial.

    CORRER AQUILuna Runfacebook.com/NikeRunningPortugal

    Porto a Subirrunporto.com

    Urban Trail Lisboa, Porto e, brevemente, Coimbra urbantrail.pt

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  • 46 revista unibanco

    MODARESTAURANTEMODANOVOS TALENTOS

  • revista unibanco 47

    MODARESTAURANTE

    Novas personagens no palco da moda No esto entre as referncias que saltam memria na hora de nomear designersde moda de destaque. Muitos deles nem ambicionam este feito. Com passos rmes, mostram o seu talento e comprovam que a moda est em constante renovao texto de Catarina Vilar

    Coco Chanel disse um dia: A moda no algo presente apenas nas roupas. A moda est no cu, nas ruas. A moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que est a acontecer. Pegando nestas palavras, no difcil perceber que cada novo momento na Histria da humanidade traz diferentes abordagens e vises. A roupa de designer muito mais que um acessrio, , sim, uma forma de manifestao artstica e de expressar conceitos. S aqueles que gritam com voz prpria conseguem imprimir o seu DNA no laboratrio da moda. Se h designers que se inscrevem de forma clara no mainstream, outros movem-se em circuitos paralelos, menos mediticos mas igualmente inspirados. Tm sobre si menos luzes de ribalta mas comeam a espreitar por baixo do pano, a projetar as suas peas e a ouvir o seu nome ecoar mundo fora.

    UMA QUESTO DE ATITUDEGosta de desenhar as suas peas em torno do corpo feminino, procurando sensualidade, construo e controlo. Considera que so caractersticas sadas do seu sangue meio belga, meio italiano. Anthony Vaccarello o senhor de que se fala. Em 2008 trocou Paris por Roma e ali estabeleceu o seu

    MANISH ARORA

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    atelier. Afasta-se dos padres e opta pelos tecidos lisos e monocromticos, que trabalha de forma exemplar. O sex appeal que imprime s criaes cativou revistas da especialidade, produtores e manequins. O seu feito? Vaccarello conseguiu reinventar - e apimentar - o simples vestido preto, aquele que a atriz Gwyneth Paltrow exibiu na capa de maro da revista Harpers Bazaar e que desafia as mentalidades mais conservadoras. Noutro lado deste espetro encontra-se Manish Arora, por muitos considerado o John Galliano da ndia. Cada pea deste designer uma exploso de cores, com bordados e aplicaes, num conceito onde cozinha as tradies indianas com abordagens ocidentais. Em 1997 lanou a linha homnima e em 2011 faria uma nova aposta com a coleo Fish Fry, associada marca desportiva Reebok. Em 2005 j via as suas criaes na London

    MODANOVOS TALENTOS

    MARQUESALMEIDA

    MANISHARORA

    PRABAL GURUNG

    SE H DESIGNERS QUE SEINSCREVEM NO MAINSTREAM,OUTROS MOVEM-SE EM CIRCUITOS PARALELOS

  • revista unibanco 49

    Elena Perminova e a estrela norte-americana Cassie Ventura j se renderam a estas propostas. Longe das gangas rasgadas, falemos de Sophia Kah, marca londrina que vestiu estrelas musicais como Florence ou Nelly Furtado. formada pela brasileira Camila Meca e pela portuguesa Ana Teixeira Sousa. Aqui, a aposta nos vestidos: os cocktail dresses de Sophia Kah j esto venda em referncias de luxo, como Harvey Nichols e Feathers. Talento e viso de negcio so aqui palavras chave: Camila estudou na Central Saint Martins e Ana licenciou-se em Negcios Internacionais na European Business School, ambas em Londres. Seda, rendas, drapeados, aplicaes, fazem dos seus vestidos uma aposta de sucesso. Alguns destes designers podero nunca vir a ter frases imortalizadas, como acontece com a senhora que abriu este texto, mas trazem uma perspetiva nova, inspirada, aquela que Chanel referiu ter sado de boas ideias e da panplia de abordagens que o mundo contemporneo oferece. Se uns se mantm num palco secundrio, mas no menos prestigiante, outros assumem a posio de atores principais num universo onde os tecidos podem atingir a categoria de obras de arte.

    PRABAL GURUNGNO PASSEIO DA FAMA

    Oprah Winfrey, Michelle Obama, Zoe Saldana, Lady Gaga, Carrey Mulligan, Demi Moore, so algumas celebridades que escolheram vestir as criaes de Prabal Gurung. Nasceu em Singapura, cresceu no Nepal e comeou a carreira em Nova Delhi, ndia. Foi stylist e assistente em diversos desles, at se estabelecer em Nova Iorque, em 1999. Lanou a primeira coleo em 2009 e um ano depois estava na Semana da Moda nova-iorquina. Os seus vestidos so uma das escolhas de Kate Midletton. Em menos de uma hora, um vestido de Prabal usado pela princesa esgotou no site de vendas Amazon. Divas de Hollywood, a primeira-dama americana, realeza, todas se deixaram cativar pelas suas criaes, e j a revista Time o considerou o novo fenmeno da moda. Mistura inspiraes de todos os pases onde viveu e tem uma prioridade: fazer as mulheres sentirem-se belas, conantes e femininas com as suas roupas.

    Fashion Week, o que abriu a porta do prestigiado Victoria & Albert Museum s suas peas. Foi diretor artstico da casa Paco Rabanne e colaborou com marcas de referncia como a MAC ou Swatch. A sua frmula de sucesso? Proporcionar um verdadeiro espetculo psicadlico na passerelle - que parece ter sado de Bollywood , mas aliando-o a uma forte viso comercial. As suas peas saltam da catwalk para a rua num piscar de olhos.

    O NOVO SANGUE LUSITANOVivem em Londres e j apresentaram as suas colees em mais de uma Semana da Moda desta cidade. A dupla de criadores nacionais Marta Marques e Paulo Almeida forma a marca Marques Almeida. T-shirts e jeans so peas de eleio de uma proposta que se quer jovem, descontrada e muito contempornea (a inspirao recua, por norma, dcada de 90 e ao grungeem Seattle). Quase acabaram de chegar, mas j puseram um p na Semana da Moda parisiense e na ModaLisboa. Marta estagiou com Alexandra Moura e Paulo com Lus Buchinho, no Reino Unido passaram pelos ateliers de Vivienne Westwood/Anglomania e Preen. A modelo

    PLAYAS PEAS DE VACCARELLO TRANSPIRAM SEX APPEAL

    ANTHONY VACCARELLO

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  • 50 revista unibanco

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  • revista unibanco 51

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  • 52 revista unibanco

    NAVEGAOTOSCANA

    Odisseia no

    MediterrneoLonge das suas grandes cidades, como Florena e Pisa, a Toscana encerra algumas das aldeias medievais mais bem conservadas de Itlia. A melhor forma de as visitar

    de automvel, escolhendo um caminho a seu gosto texto de Oriol Pugs

  • revista unibanco 53

  • 54 revista unibanco

    B eleza, sim. A beleza o primeiro adjetivo que nos ocorre empregar quando atraves-samos esta regio maravilhosa chamada Toscana. Como na Atenas de Pricles, poderia dizer-se que aqui os homens, os deuses, a Natureza e a Histria se aliaram para atingir algo parecido com a perfeio. Aqui, como em Atenas, a concentrao de obras-primas ocorreu no meio de contnuas lutas civis e guerras com o estrangeiro. O cenrio onde se ergueram 20 cidades todas elas seriam, noutras latitudes, autnticas capitais e cerca de 300 comunidades, que ocultam outras tantas pequenas maravilhas, de uma variedade excecional. Perante este facto, que poeta poderia resistir a um nascer do sol na Toscana? Embora no sejamos, nem de longe, poetas, no conseguimos resistir aos encantos da Toscana, e aqui estamos, por m, ansiosos por descobrir a regio e, sobretudo, os seus tesouros mais bem guardados.

    LUCCA, A MELMANADe Florena, no nal de um trajeto entre orestas de cas-tanheiros e faias, e estendida sobre uma grande plancie, destaca-se Lucca, rodeada por poderosas muralhas cons-trudas entre 1504 e 1645. So as forticaes mais bem conservadas da Europa e podem percorrer-se a p.

    Para se aceder ao centro histrico h que deixar o auto-mvel no parque da Rua Carducci, ao abrigo das muralhas, pois aqui s se pode andar a p ou, quando muito, de bicicleta. Seguindo a direo da Porta San Pietro, que liga o corao da cidade Praa Napoleone, mais conhecida como Praa Grande, onde se ergue o palcio ducal, e percorrendo a Rua do Duomo, chega-se a So Martinho, a catedral de Lucca.

    Para continuar a visita cidade indicam-me outra rua,

    NAVEGAOTOSCANA

    ENCANTADORAS Da esquerda para a direita, em cima: Lucca, Siena e Volterra, trs das paragens de um roteiro imperdvel em Itlia

    PLAY

    SAN GIMIGNANO

    PROTEGIDA PELA UNESCO

  • revista unibanco 55

    FLORENAA CIDADE DA ARTE

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    igualmente encantadora: o caminho de ronda das muralhas forticadas, que passa perto da exuberante campina. Aqui, nos pontos mais belos e tranquilos das colinas que rodeiam Lucca, erguem-se mais de 300 aldeias, construdas pelos habitantes ao longo de quatro sculos. So lugares tran-quilos, que nos levam meditao, contemplao de um ambiente puro, que devemos visitar sem pressas. Com este esprito, acedemos ao Palcio Pfanner, um imponente edifcio reconstrudo em 1667, em cujo interior se esconde um dos jardins mais belos da Toscana, e Villa Bottini, edicada no sculo XVI no meio de um parque magnco, onde assistimos a um concerto ao ar livre sob as arcadas de um prtico. Que bela maneira de concluir a visita cidade!

    SAN GIMIGNANO MEDIEVALRumando de Florena at Siena por uma estrada secundria, atravessando uma campina verdejante, coberta de vinhedos

    e de extenses salpicadas de colinas at onde a vista alcan-a, algo chama imperiosamente a ateno. De improviso, uma oresta peculiar de torres recorta-se no horizonte: a cidade de San Gimignano, um dos centros medievais mais bem conservados de Itlia. Este burgo ergue-se sobre uma colina de apenas 334 metros de altura, mas o efeito que pro-duz primeira vista impressionante, como se dominasse efetivamente todo o vale do Elsa. Durante a Idade Mdia, a nobreza local mandou edicar nesta regio 72 torres para proteger a Via Francigena, estrada que levava a Roma e na qual San Gimignano era uma das etapas mais importantes. Os peregrinos que chegavam do Norte da Europa gostavam muito desta cidade, porque lhes transmitia uma sensao de segurana e de comodidade: era o lugar ideal para descansar