Roteiro de Batismo de Sangue

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Dani Patarra e Helvecio Ratton - na coleção Aplausos da Imprensa Oficial-SP - Marighela, Frei Tito, Dominicanos e a brutal repressão da ditadura de 64.

Text of Roteiro de Batismo de Sangue

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  • Batismo de Sangue

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  • Batismo de Sangue

    Roteiro de Dani Patarra e Helvcio Ratton

    Baseado na obra de Frei Betto

    So Paulo, 2008

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  • Coleo Aplauso

    Coordenador Geral Rubens Ewald Filho

    Governador Jos Serra

    Imprensa Oficial do Estado de So Paulo

    Diretor-presidente Hubert Alqures

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  • Apresentao

    A relao de So Paulo com as artes cnicas muito antiga. Afinal, Anchieta, um dos fundado-res da capital, alm de ser sacerdote e de exercer os ofcios de professor, mdico e sapateiro, era tambm dramaturgo. As 12 peas teatrais de sua autoria que seguiam a forma dos autos medie-vais foram escritas em portugus e tambm em tupi, pois tinham a finalidade de catequizar os indgenas e convert-los ao cristianismo.

    Mesmo assim, a atividade teatral somente se desenvolveu em territrio paulista muito len-tamente, em que pese o marqus de Pombal, ministro da coroa portuguesa no sculo 18, ter procurado estimular o teatro em todo o imprio luso, por consider-lo muito importante para a educao e a formao das pessoas.

    O grande salto foi dado somente no sculo 20, com a criao, em 1948, do TBC Teatro Brasileiro de Comdia, a primeira companhia profissional paulista. Em 1949, por sua vez, era inaugurada a Companhia Cinematogrfica Vera Cruz, que mar-cou poca no cinema brasileiro, e, no ano seguin-te, entrava no ar a primeira emissora de televiso do Brasil e da Amrica Latina: a TV Tupi.

    Estava criado o ambiente propcio para que o teatro, o cinema e a televiso prosperassem

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  • entre ns, ampliando o campo de trabalho para atores, dramaturgos, roteiristas, msicos e tc-nicos; multiplicando a cultura, a informao e o entretenimento para a populao.

    A Coleo Aplauso rene depoimentos de gente que ajudou a escrever essa histria. E que conti-nua a escrev-la, no presente. Homens e mulhe-res que, contando a sua vida, narram tambm a trajetria de atividades da maior relevncia para a cultura brasileira. Pessoas que, numa lin-guagem simples e direta, como que dialogando com os leitores, revelam a sua experincia, o seu talento, a sua criatividade.

    Da, certamente, uma das razes do sucesso des-ta Coleo junto ao pblico. Da, tambm, um dos motivos para o lanamento de uma edio especial, dirigida aos alunos da rede pblica de ensino de So Paulo e encaminhada para 4 mil bibliotecas escolares, estimulando o gosto pela leitura para milhares de jovens, enriquecendo sua cultura e viso de mundo.

    Jos SerraGovernador do Estado de So Paulo

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  • Coleo Aplauso

    O que lembro, tenho.Guimares Rosa

    A Coleo Aplauso, concebida pela Imprensa Ofi-cial, visa a resgatar a memria da cultura nacio-nal, biografando atores, atrizes e diretores que compem a cena brasileira nas reas de cine ma, teatro e televiso. Foram selecionados escri tores com largo currculo em jornalismo cultural , para esse trabalho em que a histria cnica e audio-visual brasileiras vem sendo re constituda de ma nei ra singular. Em entrevistas e encontros suces sivos estreita-se o contato en tre bigrafos e bio gra fados. Arquivos de documentos e imagens so pesquisados, e o universo que se recons titui a partir do cotidiano e do fazer dessas persona-lidades permite reconstruir sua trajetria.

    A deciso sobre o depoimento de cada um na pri-meira pessoa mantm o aspecto de tradio oral dos relatos, tornando o texto coloquial, como se o biografado falasse diretamente ao leitor .

    Um aspecto importante da Coleo que os resul -ta dos obtidos ultrapassam simples registros bio-gr ficos, revelando ao leitor facetas que tambm caracterizam o artista e seu ofcio. Bi grafo e biogra fado se colocaram em reflexes que se esten-de ram sobre a formao intelectual e ideo l gica do artista, contex tua li zada naquilo que caracteriza e situa tambm a histria brasileira , no tempo e espao da narrativa de cada biogra fado.

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  • So inmeros os artistas a apontar o importante papel que tiveram os livros e a leitura em sua vida, deixando transparecer a firmeza do pensamento crtico ou denunciando preconceitos seculares que atrasaram e continuam atrasando nosso pas. Muitos mostraram a importncia para a sua formao terem atuado tanto no teatro quanto no cinema e na televiso, adquirindo, portanto, linguagens diferenciadas analisando-as com suas particularidades.

    Muitos ttulos extrapolam os simples relatos bio-grficos, explorando quando o artista permite seu universo ntimo e psicolgico , revelando sua autodeterminao e quase nunca a casu-alidade por ter se tornado artista como se carregasse desde sempre, seus princpios, sua vocao, a complexidade dos personagens que abrigou ao longo de sua carreira.

    So livros que, alm de atrair o grande pblico, inte ressaro igualmente a nossos estudantes, pois na Coleo Aplauso foi discutido o intrinca do processo de criao que concerne ao teatro, ao ci-nema e televiso. Desenvolveram-se te mas como a construo dos personagens inter pretados, bem como a anlise, a histria, a importncia e a atu-alidade de alguns dos perso nagens vividos pelos biografados. Foram exami nados o relacionamento dos artistas com seus pares e diretores, os proces-sos e as possibilidades de correo de erros no exerccio do teatro e do cinema, a diferena entre esses veculos e a expresso de suas linguagens.

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  • Gostaria de ressaltar o projeto grfico da Coleo e a opo por seu formato de bolso, a facili dade para ler esses livros em qualquer parte, a clareza e o corpo de suas fontes, a icono grafia farta e o regis-tro cronolgico completo de cada biografado.

    Se algum fator especfico conduziu ao sucesso da Coleo Aplauso e merece ser destacado , o interesse do leitor brasileiro em conhecer o percurso cultural de seu pas.

    Imprensa Oficial e sua equipe coube reunir um bom time de jornalistas, organizar com eficcia a pesquisa documental e iconogrfica e contar com a disposio, o entusiasmo e o empe nho de nossos artistas, diretores, dramaturgos e roteiris-tas. Com a Coleo em curso, configurada e com identidade consolidada, constatamos que os sorti-lgios que envolvem palco, cenas, coxias, sets de fil ma gem, cenrios, cmeras, textos, imagens e pala vras conjugados, e todos esses seres especiais que nesse universo transi tam, transmutam e vivem tambm nos tomaram e sensibilizaram. esse material cultural e de reflexo que pode ser agora compartilhado com os leitores de todo o Brasil.

    Hubert AlquresDiretor-presidente da

    Imprensa Oficial do Estado de So Paulo

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  • Notas do Diretor e Co-Roteirista

    Batismo de Sangue, de Frei Betto, conta a traje-tria de frades dominicanos que se envolveram na luta contra a ditadura militar e pagaram um alto preo por sua ousadia. Quando li o livro, percebi logo que aquela era uma histria para ser contada no cinema, com momentos de ao e suspense alternados com outros de grande de-licadeza e espiritualidade. Mas percebi tambm que no seria um roteiro fcil de ser feito.

    Em todos os meus filmes, sinto necessidade de par ti-cipar ativamente da criao do roteiro, no somen-te dirigindo o processo de escrita, mas escre vendo tambm cenas, dilogos e trabalhando a prpria estrutura. Entro num filme a partir da escrita. E foi assim tambm com o Batismo de Sangue.

    Convidei para trabalhar comigo a roteirista Dani Patarra que, alm de talentosa, preenchia um requisito que eu achava importante: Dani no tinha vivido os anos de chumbo, era muito pequena naquela poca. Como eu tinha parti-cipado ativamente do perodo, buscava um parceiro mais jovem para ter no roteiro o olhar de outra gerao, distanciada daqueles anos. E Dani tinha proximidade com a histria, j que seu pai, o jornalista Paulo Patarra, recentemente falecido, era personagem do livro de Frei Betto e est tambm no filme.

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  • No livro, assim como na Histria, foram mais de dez os dominicanos que participaram do movimen to contra o regime militar. Por razes dramatrgicas, decidimos reduzir para cinco: os freis Tito, Betto, Ivo, Fernando e Oswaldo. Encontrar a melhor estrutura para o roteiro, o recorte para contar a histria, revelou-se um desafio e foram necess rios muitos tratamentos at chegarmos a uma ver so que consideramos slida o bastante para ser filmada.

    Decidimos centrar a narrativa em Frei Tito e ao mesmo tempo mantermos certo protagonismo coletivo com os outros frades. Abrimos o filme com o suicdio de Tito para jogarmos de imediato uma luz sobre o personagem. Quando apresentamos os demais frades nas cenas seguintes, o espectador j sabe que aquele personagem ir se destacar. Alm disso, no era funo do filme informar o espectador sobre a morte de Frei Tito, interessava-nos mais a desconstruo de seu gesto.

    Na medida em que o livro de Frei Betto conta uma histria real, decidimos buscar mais informaes em torno dos fatos narrados por ele. O roteiro de Batismo de Sangue condensa uma extensa pes-quisa histrica realizada em documentos oficiais, nos testemunhos de quem viveu os fatos narrados, em livros sobre o perodo, arquivos de fotos, noti-cirios de TV, jornais, revistas, filmes rodados na poca e documentrios. Foram camadas e cama-das de informao que alimentaram o roteiro.

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