Deficincia mltipla

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  • 1. MINISTRIO DA EDUCAO SECRETARIA DE EDUCAO ESPECIAL Educao InfantilSaberes e prticas da inclusoDificuldades acentuadas de aprendizagem Deficincia mltiplaBraslia 2004

2. FICHA TCNICACoordenao Geral Prof Francisca Roseneide Furtado do Monte MEC/SEESP Prof Id Borges dos Santos MEC/SEESPElaborao Prof Ms. Marilda Moraes Garcia Bruno. Consultora autnoma.Reviso Tcnica Prof Francisca Roseneide Furtado do Monte MEC/SEESPReviso de Texto Prof Id Borges dos Santos - MEC/SEESP Prof Ms. Aura Cid Lopes Flrido Ferreira de Britto MEC/SEESPConsultores que emitiram parecer Iracilda Rodrigues de Souza SE/DF Maria do Carmo M. F. de Paula SE/DF Maria Renata da Silva Pereira SE/DF Nina Maria F. Coura SE/DF2 edio revista: 2003Tiragem: 10.000 exemplares Saberes e prticas da incluso : dificuldades acentuadas de aprendizagem : deficincia mltipla. / coordenao geral Francisca Roseneide Furtado do Monte, Id Borges dos Santos reimpresso Braslia : MEC, SEESP 2004. , 58p. : il. (Educao infantil ; 4 ) 1.Educao inclusiva 2. Educao infantil 3.Dificuldade de aprendizagem. 4. Deficincias mltiplas. I. Brasil. Ministrio da Educao. Secretaria de Educao Especial. CDU 376: 373.2 3. Carta de Apresentao A primeira infncia das crianas exige carinho e cuidado. Mas para que a pessoahumana realize plenamente seu potencial, deve haver tambm, desde o nascimento,um processo educativo que ajude a construir suas estruturas afetivas, sociais ecognitivas. Educao infantil mais do que cuidar de crianas. abrir a elas o caminhoda cidadania. Se essa compreenso orienta, hoje, as polticas pblicas, at ela se consolidar foium longo caminho. Entre os sculos XVIII e XIX, na poca da Revoluo Industrial,crianas e mulheres participavam de regimes desumanos nas fbricas. Trabalhadorase trabalhadores tiveram que lutar, ento, por melhores condies de trabalho, inclusivepara preservar a vida em famlia e para que as crianas pudessem viver sua infncia.J entre os sculos XIX e XX, certas teorias sugeriam haver pessoas e grupos inferioresou superiores, ao defenderem que a capacidade mental vinculava-se heranagentica. A educao, assim, viria apenas confirmar o veredito da desigualdade. Hoje, estudos mostram que o potencial humano no se define de antemo: nostrs primeiros anos de vida a criana forma mais de 90% de suas conexes cerebrais,por meio da interao do beb com estmulos do meio ambiente. Essas novas idias ea luta por um mundo mais justo passaram a demandar novas polticas, que criassem,para todas as crianas inclusive as que apresentam necessidades educacionaisespeciais contextos afetivos, relacionais e educativos favorveis. Isso tarefa daeducao infantil, e demanda: projeto pedaggico na creche e na pr-escola; atuaode profissionais capacitados; participao da famlia e da comunidade. Os sistemas de ensino devem se transformar para realizar uma educao inclusiva,que responda diversidade dos alunos sem discriminao. Para apoiar essa mudana,o Ministrio da Educao, por intermdio da Secretaria de Educao Especial, elaborouuma Coleo ora apresentada em sua 2. edio, revisada composta por novefascculos. So temas especficos sobre o atendimento educacional de crianas comnecessidades educacionais especiais, do nascimento aos seis anos de idade. O objetivo qualificar a prtica pedaggica com essas crianas, em creches e pr-escolas, pormeio de uma atualizao de conceitos, princpios e estratgias. Os fascculos so osseguintes: 1. Introduo 2. Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem ou Limitaes no Processo deDesenvolvimento 3. Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem Autismo 4. Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem Deficincia Mltipla 4. 5. Dificuldades de Comunicao e Sinalizao Deficincia Fsica 6. Dificuldades de Comunicao e Sinalizao Surdocegueira / MltiplaDeficincia Sensorial 7. Dificuldades de Comunicao e Sinalizao Surdez 8. Dificuldades de Comunicao e Sinalizao Deficincia Visual 9. Altas Habilidades / Superdotao Esperamos que este material possa ser estudado no conjunto, e de formacompartilhada, nos programas de formao inicial e/ou continuada de professores daeducao infantil. E que os conhecimentos elaborados no campo da educao especialcolaborem para que as crianas com necessidades educacionais especiais tenhamacesso a espaos e processos inclusivos de desenvolvimento social, afetivo e cognitivo. esse o nosso compromisso. Claudia Pereira Dutra Secretria de Educao Especial - MEC 5. SumrioINTRODUO .................................................................................................................................. 071. A INCLUSO DE ALUNOS COM DEFICINCIA MLTIPLA NA EDUCAO INFANTIL: ALGUMAS REFLEXES ..................................................................................... 092. CONCEITUANDO DEFICINCIA MLTIPLA E NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS ................................................................................................................................. 113. AS CRIANAS COM DEFICINCIA MLTIPLA: DAS NECESSIDADES S POSSIBILIDADES ...................................................................................................................... 13 3.1 Abrindo caminhos e construindo pontes ...................................................................... 13 3.2 Superando barreiras ........................................................................................................ 14 3.3 Uma histria singular ...................................................................................................... 154. O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM DAS CRIANAS COM DEFICINCIA MLTIPLA ............................................................................................. 195. A IMPORTNCIA DA INTERAO E COMUNICAO NA EDUCAO E INCLUSO DE CRIANAS COM DEFICINCIA MLTIPLA EM CRECHE E PR-ESCOLA ............. 236. CURRCULO: EIXOS DA PROPOSTA PEDAGGICA ........................................................... 277. A PRTICA PEDAGGICA NA ESCOLA INCLUSIVA.......................................................... 318. ADAPTAES DE ACESSO AO CURRCULO ...................................................................... 33 8.1 Adaptaes organizacionais e didtico-metodolgicas .............................................. 34 8.2 Adaptaes avaliativas .................................................................................................... 36 8.3 Adaptaes relativas ao espao e tempo ...................................................................... 379. ATIVIDADES SUPLEMENTARES ALTERNATIVAS .............................................................. 41 9.1 Comunicao suplementar alternativa ......................................................................... 41 9.2 Sistemas tecnolgicos e computadorizados ................................................................. 42 6. 10. O PROGRAMA DE INTERVENO PRECOCE: ABORDAGEM SOCIOPEDAGGICA-ECOLGICA .............................................................................................................................. 4311. O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAO INFANTIL ...................................................... 4912. RECURSOS DE ACESSIBILIDADE NA EDUCAO ESPECIAL ......................................... 51REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ................................................................................................ 57 7. Introduo A educao de alunos com mltipla deficincia no ensino regular tem deixado, noBrasil, uma grande lacuna. At recentemente, as crianas com mltipla deficincia erameducadas separadamente em escolas especiais ou instituies destinadas ao atendimentode alunos com deficincia mental.O que tem sido feito em relao incluso desses alunos no sistema comum de ensinoconstitui, geralmente, experincias isoladas.No meio escolar, discute-se, freqentemente, se esses alunos podem se beneficiar desistemas inclusivos de ensino em virtude de acentuadas necessidades especiais relativas particularidades em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem.Nesse sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDB, 1996) e as Diretrizesnacionais para a educao especial na educao bsica (BRASIL, 2001) condenam a exclusosocial com base nos padres de normalidade. Elas entendem a educao como principalalicerce da vida social, capaz de construir saberes, transmitir e ampliar a cultura, consolidara liberdade humana e a cidadania.A incluso de alunos com dificuldades acentuadas de aprendizagem no sistema comumde ensino requer no apenas a aceitao da diversidade humana, mas implica emtransformao significativa de atitudes e posturas, principalmente em relao prticapedaggica, modificao do sistema de ensino e organizao das escolas para que seajustem s especificidades de todos os educandos.Essa uma ao a ser construda coletivamente, pois participar do processo educativo,no mesmo espao com os demais alunos, requer, na maioria das vezes, apoio e recursosespeciais que j esto legalmente garantidos aos alunos com necessidades educacionaisespeciais, mas que na prtica ainda no esto disponibilizados na escola.Esse o grande desafio que se impe aos Municpios brasileiros, aos gestores, aosservios de educao especial, aos educadores na classe comum, toda comunidade escolar,s universidades, s famlias e organizaes no-governamentais, para que juntos possamelaborar um projeto pedaggico que realmente atenda s necessidades educacionais especiaisdesses alunos, construindo, assim, uma escola e uma comunidade mais inclusiva.DEFICINCIA MLTIPLA 7 8. 1. A incluso de alunos com deficincia mltipla na educao infantil: algumas reflexesA incluso de alunos com deficincia mltipla que apresentam necessidadeseducacionais acentuadas um fato relativamente recente e novo na educao brasileira. natural que a escola, educadores e pais se sintam receosos e apreensivos com relao possibilidade de sucesso nessa tarefa.So muitas as dvidas que assaltam a todos: ser que crianas com tantas dificuldadespodem se beneficiar do sistema comum de ensino? Podem obter sucesso em clas