Trabalho de iconografia sobre "As meninas" de Diego Velazquez

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Trabalho de iconografia sobre "As meninas" de Diego Velazquez, cadeira de Iconografia e iconologia do curso bacharel em conservação e restauro de bens culturais móveis da UFPel apresentado dia 3/11/2011

Text of Trabalho de iconografia sobre "As meninas" de Diego Velazquez

  • 1. Universidade Federal de Pelotas Instituto de Cincias Humanas Conservao e Restauro de Bens Culturais Mveis Disciplina de Iconografia e Iconologia Professora Luza Neitzke Fbio Zndler

2. OBRA:AS MENINAS Autor: Diego Rodrguez de Silva y Velzquez Data:Finalizado em 1656 Local: Real Alczar de Madrid Espanha (Residncia da Famlia Real Espanhola) Perodo: Barroco Tcnica: leo sobre tela Dimenses: 3,18 m x 2,76 m Onde se encontra hoje: Museu Nacional do Prado Fonte: http://www.eeweems.com/goya/ 3. AUTOR: DiegoRodrguez de Silva yVelzquez(Sevilha, 6 de Junho de 1599 -Madrid, 6 de Agosto de 1660) foi um importante pintor espanhol do sculo 17. Destacou-se na pintura de retratos, principalmente de integrantes da nobreza espanhola. Fez parte do movimento artstico conhecido como barroco. Comea como discpulo de Francisco de Herrera o velho e como aprendiz de Francisco Pacheco. Seus primeiros trabalhos possuem traos do naturalismo e exploram contrastes de luz e sombra. Em 1622 viaja para Madri para retratar o rei Filipe IV, feito que consegue um ano depois por intermdio do ministro real, o conde Olivares, que se torna seu protetor. Diego Velzquez nomeado pintor da Corte. Une o realismo e a idealizao de retratos e figuras feitas em tons claro-escuros que lembram a influncia de Caravaggio. Fonte: girafamania.com.br 4. Em 1628 conhece o pintor Peter Paul Rubens e vai para a Itlia estudar os mestres venezianos, como Tiziano e Tintoretto. Dessa poca se destaca O Crucificado (1630-1631), de representao realista tipicamente espanhola. Em 1631 volta para Madri. Sua obra dividida em cenas de gnero (As Fiandeiras, o primeiro quadro da histria da arte dedicado ao trabalho, Forja de Vulcano, Os Bbados, As Lanas, A Rendio de Brera); retratos (Caa Real de Filipe IV) e obras isoladas (Vnus ao Espelho). Em 1649 viaja para a Itlia a fim de adquirir quadros para a coleo real. Retorna para a Espanha em 1651, onde produz os melhores trabalhos, entre os quais As Meninas. Em 1660 Velasquez tinha o encargo da sua ltima e maior cerimnia - o casamento da Infanta Maria Teresa. Este foi um dos trabalhos mais elaborados. Desgastado por esses trabalhos, Velasquez contraiu uma febre que lhe fez morrer a 6 de agosto de 1660 em Madrid.Fonte: http://www.discoverartists.info/DiegoVelazquez/ 5. ALGUMAS OBRAS: Velzquez pintou cerca de cem quadros, obras de grande valor. O seu naturalismo barroco permitiu-lhe captar, como ningum, o que via. Atingiu um conjunto de conquistas que no encontraria semelhana at ao sculo 19. Altivo, inteligente, conhecedor da histria da arte, o retratista da famlia real alcanou as honras de cavaleiro da Ordem de Santiago por sua fidelidade Coroa.As Fiandeiras Os bbados O crucificado As lanas Forja de Vulcano 6. As meninas Em espanhol"Las Meninas" , vocbulo de origem portuguesa, que designava as acompanhantes e damas de companhia das Infantas.Segundo a historiadora de arteWendy Beckett, n esta obra encontramos o mundo ntimo da corte, apresentado obliquamente, em ordem inversa de importncia. Pintada para os aposentos de vero de Felipe IV, essa obra tanto um retrato da filha do rei quanto um tributo sofisticado e inovador ao prprio monarca. Capta um nico momento, em que cada uma das figuras reage entrada do rei. Para Gombrich, Velsquez fixou um momento real de tempo, muito antes da inveno da mquina fotogrfica. 7. ANLISE DA OBRA: Uma jovem (Margarita Teresa), est cercada por sua pequena corte de aias e empregados. Ao fundo da sala, em uma pequena porta aberta, v-se a silhueta de um homem de roupa preta, abrindo a cortina (Jos Nieto Velzquez), chefe da tapearia da rainha, que mais tarde passou a ser o chefe da hospedaria. Ao lado da porta existe um espelho e dois grandes quadros. Na perspectiva, quadros colocados em balces; na parede da direita, a primeira janela joga uma luz viva sobre o grupo de jovens. Quase todos os personagens nos olham de frente. Do lado esquerdo esto o Rei e a Rainha, que supomos ser as figuras refletidas no espelho. Uma outra jovem se encontra ajoelhada (Maria Augustina Sarmiento) perante a primeira jovem em sinal de respeito; do lado oposto vemos a outra menina (Dona Isabel de Velasco), que se inclina com cerimnia. Ao seu lado h uma figura de cabea volumosa, elegantemente vestida, (Maria-Brbola). direita, quase tocando a janela aberta, um jovem talvez com dez anos (Nicolasito Pertusato), tenta brincar com um co que est sentado e tranquilo. Atrs de todos, na penumbra, h a presena de dois empregados disposio da jovem, a camareira (Marcela de Ulloa) que fala alguma coisa com o guarda-costas da jovem (talvez Diego Ruiz Azcona). Mais atrs, com um leno no pescoo, pincel em riste e envolvido na pintura a figura do prprio Diego Velzquez. 8. 9. A infantaMargarida Teresa , a primognita dos reis, a figura principal. Tem cinco anos e est acompanhada pelas damas de companhia. Esta vestida com uma guardainfante, saia cinza e creme. a alegria dos seus pais como nica sobrevivente dos vrios filhos que foram nascendo e falecendo. A infanta Margarida foi a pessoa da famlia real mais retratada por Velzquez. Conservam-se dela vrios retratos no Museu Kunsthistorisches de Viena. Pintou-a pela primeira vez antes de fazer dois anos de idade, tal quadro encontra-se em Viena e considerado como uma das joias da pintura infantil. 10. DonaIsabel de Velasco , filha do conde de Fuensalida que contraiu matrimnio com o Duque de Arcos, a outra criana ao lado de Margarida Teresa, a direita do observador e em p, vestida com uma saia e guardainfante, em atitude tambm de fazer uma reverncia. 11. DonaMaria Agustina Sarmiento de Sotomayor , criana da infanta, filha do conde de Salvatierra e herdeira do Ducado de Abrantes por via materna de sua me Catalina de Alencastre, que contrairia matrimnio mais tarde com o conde de Pearanda. A Infanta pediu gua para beber e D. Maria Agustina ofereceu-lhe a gua sobre uma bandeja em um jarro de argila. A criana inicia o gesto de se reclinar frente da real pessoa, gesto prprio do protocolo de palcio. 12. Os bufes (Bobos da corte) Nicolasito Pertusato , italiano, foi um ano a servio da corte espanhola, est ao lado de Mari-Brbola e aparece batendo com o seu p em um cachorro com ar tranquilo. Mari-Brbola a an hidrocfala que vemos a baixo. Entrou no palcio em 1651, ano em que nasceu a infanta e era sua acompanhante sempre. A an usa um vestido escuro e simples e possui traos grosseiros, contrastando com a delicadeza e beleza da Infanta Margarida. 13. Dona Marcela de Ulloaest a esquerda atrs de Dona Isabel de Velasco. Era a Camareira-Mor (ou guarda-mor da princesa) viva de Dom Diego de Portocarrero e me do famoso Cardeal Portocarrero e antes serviu Condessa de Olivares. Ao lado de Dona Marcela a direita, em meio a penumbra, um guarda-damas, dizem serDom Diego Ruiz Azcona , basco de famlia fidalga que fora Bispo de Pamplona e Arcebispo de Burgos, ostentando o cargo de Aio dos Infantes. H duas interpretaes para as figuras postadas atrs das meninas. Alguns estudiosos acreditam que sejam uma freira e um padre, e sua presena representaria o poder da Igreja na Espanha, que na poca era o pas mais catlico da Europa. 14. Dom Jos Nieto Velzquez(talvez parente do pintor) a personagem que se v ao fundo do quadro, na parte luminosa, atravessando o corredor por um vo cuja porta aberta nos mostra os tpicos quarteres to de moda naqueles tempos. Este senhor foi chefe da tapearia e aposentador da rainha. Como diz o crtico de arte Harriet Stone no se pode estar seguro se a sua inteno sair ou entrar na sala. 15. Para alguns historiadores essa moldura no seria um espelho, mas uma outra pintura na parede. Essa idia reforada pela convico de que, se o artista realmente estivesse pintando o casal, ele no usaria uma tela to grande.Uma moldura parecendo ser de um espelho que reflete o casal realFilipe IVeMariana de ustria , que estariam de frente para o pintor, ou seja, esto no mesmo ponto de onde os observadores enxergam a pintura e estariam posando para Velzquez. 16. esquerda e diante duma grande tela, o espectador v ao autor da obra,Velzquez . Est de p e mantm nas suas mos a paleta e o pincel, numa atitude pensativa, como se examinasse aos seus modelos antes de aplicar outra pincelada, ao fundo as amplas cpias de pinturas de Rubens so diminudas (existe ironia nisso) pelas sombras.Velzquez usa uma condecorao real, a cruz da Ordem de So Tiago, mas esse smbolo s foi acrescentado na pintura em 1660, aps a morte do pintor e quatro anos depois da finalizao da obra. A mudana foi ordenada pelo rei Felipe IV. O pintor recebeu a condecorao a menos de um ms de sua morte. A Ordem de Santiago era uma ordem religiosa-militar que tinha no smbolo uma espada em forma crucfera ou uma cruz de forma espatria, dependendo do ponto de vista. Para isso verificaram sua pureza de sangue (sem antepassados judeus ou moros) e que nunca hava pintado por dinheiro e sim por cortesia ao rei. 17. Ainda na obra, apenas a parte de trs de uma tela est visvel, podemos apenas imaginar o que Velzquez estaria pintando. Alguns acreditam que o pintor retratava o rei e a rainha que aparecem refletidos no espelho ao fundo da tela, enquanto outros especulam que o artista estaria pintando a si mesmo pintando "As Meninas". Luz e espao: A luz estaria entrando na sala pelo lado direito do quadro, onde h a representao de uma janela, e pela porta do fundo. Observe ainda o jogo de luz e sombra que Velzquez faz com as tintas nessa parede lateral, criando uma iluso de profundidade. A luz trabalhada em focos e so trs principais: a infanta Margarida, o pintor e o casal real ao fundo. A profundidade ainda acentuada pelas molduras na parede da direita, pela armao da tela esquerda e pelos dois suportes de candeeiros vazios no teto. Cenrio: Essa a sala principal dos aposentos ocupados pelo prncipe Baltazar Carlos. Quando este morreu, em 1646, Velzquez foi autorizado a us-la e l instalou seu ateli e escritrio. A austeridade da sala, evidenciada pelo