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EMPRESÁRIOS DO SETOR GARANTEM TEMPOS DE · PDF filemercado de shopping centers é responsável por 18,3% do varejo e por 2% do PIB nacional. Esses resul-tados são reflexos também

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PREFERNCIA NACIONAL

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Eduardo [email protected]

Compras, reunio com amigos, cinema, academia, restaurantes, parque de diverso, faculdade. Talvez seja difcil imaginar que tudo isso pode ser encontrado em um s lugar: os shopping centers. O local que se desti-nava exclusivamente a lojas, hoje, um grande polo onde se pode fazer praticamente tudo.

Pode ser esse o motivo de tanto sucesso e da exploso de inaugura-es e empreendimentos no setor. No pas, j h 441 shoppings, e mais 73 sero inaugurados at o final de 2013. Segundo dados divulgados em julho pela Associao Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), so mais de 80 mil lojas, 2.000 salas de cinema, quase 800 mil empregos diretos e um faturamento anual de R$ 108 bilhes.

Mas nem sempre foi assim. Para se ter uma ideia, o primeiro shop-ping inaugurado no pas, o Iguatemi, abriu as portas em 1966, em So Paulo (SP). Somente cinco anos depois que surgiu outro empreen-dimento. Outra curiosidade que Macap (AP) a nica capital do pas que no possui nenhum shop-ping. Somente a partir de dezembro deste ano que a populao da cida-de poder desfrutar de um espao como esse.

De acordo com a Abrasce, o mercado de shopping centers responsvel por 18,3% do varejo e por 2% do PIB nacional. Esses resul-tados so reflexos tambm de aes

como os investimentos de grupos internacionais no mercado inter-no, abertura de capital na bolsa de valores e excelente gesto de seus administradores.

Na avaliao do superintendente do Mais Shopping, Marco Antnio Ferreira, o aumento dos nmeros reflexo de os shopping centers serem uma das melhores opes de lazer para famlias de todos os perfis econmicos. Ele tambm destaca que alguns centros de compras possibili-tam fazer inmeras atividades, como se alimentar, pagar contas, comprar produtos dos mais variados tipos, divertir-se nas reas de lazer, entre outras. Hoje, os shoppings possuem at laboratrios de anlises clnicas, universidades e espaos pet. No h outros lugares que possibilitem reali-zar tais atividades com a segurana e o conforto que as pessoas merecem, ressalta.

Um modelo promissor de negcioInvestir em shoppings um

excelente negcio, j que um mercado que no possui problemas de adequao. Todos os muni-cpios podem ter seu centro de compras, cabendo ao seu empreen-dedor apenas atentar s necessidades daquela regio. Depois de cumprida esta fase, as chances de sucesso so as maiores possveis, cita Ferreira.

Outro ponto importante que, atualmente, lojistas e franquias de pequeno porte tm se destacado. Isso reflexo de novos modelos de negcio. fruto do poder de

compra de classes que anteriormen-te eram menos favorecidas, escla-rece.

O Mais Shopping, na regio de Santo Amaro, na capital paulista, um exemplo disso. Como as lojas do shopping so diferenciadas, ocupando um espao menor, isso d aos lojistas a possibilidade de explorar o local sua maneira, do ponto de vista arquitet-nico e visual. um modelo que cada vez conquista mais adeptos e confirma a expanso do setor.

Shoppings em implantao em novos mercados do pas levam consi-go oportunidade de conquista de novos pontos para franqueadores. Pesquisas apontam que franquias representaro cerca de 72% das lojas dos shoppings fora do eixo Rio--So Paulo. H uma tendncia de concentrao maior de operaes nesse sentido.

No Cariri Shopping, por exem-plo, centro comercial localizado em Juazeiro do Norte (CE), 56% das lojas so franquias. A tendncia das franquias fica mais evidente nas praas de alimentao, onde esse tipo de operao chega a represen-tar 75% do total, destaca o diretor comercial da Tenco Shopping Centers, empresa que desenvolve empreen-dimentos em polos regionais em crescimento no Brasil, Roger Toni-dandel.

Cidades de mdio porte so o alvo da vezA interiorizao cria oportuni-

dades. As vantagens para as regies em que os shoppings esto sendo

implantados so inmeras. A chega-da de um grande empreendimento gera grandes benefcios para a popu-lao, como a gerao de empre-gos, desenvolvimento do comrcio, valorizao imobiliria, alm de atrair novos investimentos, deta-lha Roger.

Outro ponto importante que deve mudar nas cidades so as novas opes de lazer e gastronomia. Na maio-ria das vezes, essas mdias cidades no possuem diversificadas opes de lazer, como boliche, brinquedos e cinema, ou ainda redes de fast food e restaurantes. Com o primeiro ou segundo shoppings, as alternativas so ampliadas, modificando os hbitos de consumo e entretenimento, explica o diretor comercial.

Atualmente, projetos em anda-mento em cidades como Betim e Varginha (MG), Macap (AP), Arapiraca (AL), Juazeiro do Norte (CE), Boa Vista (RR) e Tauba-t (SP) confirmam que a escolha dessas localidades est baseada em pesquisa e no foco estratgico das companhias, alinhado a fatores como aumento do poder de compra do consumidor.

Diversas cidades do Brasil subiram de patamar socioeconmico nos lti-mos anos, mas ainda no haviam sido atendidas por um varejo compatvel com esse novo cenrio.

Na maioria das vezes, o primeiro empreendimento comercial de porte dessas localidades que, geralmente, tm uma demanda reprimida por entretenimento, gastronomia, lazer e compras, explica Tonidandel.

CRESCIMENTO | EMPRESRIOS DO SETOR GARANTEM TEMPOS DE ASCENSO E NOVOS MODELOS DE NEGCIO

Aumento do nmero de shoppings reflete mudana de comportamento no Brasil

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E) Jornal Santurio de aparecida 19 de agoSto de 20126

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Sonho ou pesadelo?

Novo templo?

Modelo que modifica comportamentos

Desde tempos muito remotos, os seres humanos tendem a se reunir para diferentes finalidades. No incio da civilizao, as pessoas concentravam-se em cerimnias ao redor de fogueiras, nos agru-pamentos dos cls, em comemora-es cerimoniais pblicas profanas ou religiosas. Mas foi a partir da Idade Mdia, no Renascimento, que se notaram multides reuni-das em busca de consolo e apoio espiritual, utilizando o espao das igrejas para elevarem suas splicas e louvores a Deus.

Hoje em dia, estudiosos obser-vam o deslocamento dessa busca.

Os templos cedem espao a uma nova fase, mediada por uma filosofia mais imediatista, consumista e materialista. So as novas catedrais que represen-tariam um novo mundo: os shoppings, que substituem as igrejas nas noites de domingo.

A psicloga e doutora em neuro-cincias, Suely Nassif, afirma que a sensao de bem-estar, poder e

liberdade justamente o que leva as pessoas para esses ambientes. Sorte dos grandes empresrios e do marke-ting, que arrebatam cada vez mais fiis para os shoppings.

So ambientes favorveis, sedu-tores, motivadores e estimulantes ao consumo, promovendo em seus usurios a extraordinria sensao de poder. Objetivo pretendido e alcana-do. H o esquecimento da realidade, das frustraes e o incremento da falsa realidade de que tudo possvel e fcil, refora Suely.

A jornalista e locutora Sonia De Pieri, 50 anos, solteira, mora na capital paulista e afirma gastar ao menos R$ 15 mil por ano nos shopping centers. Vou ao shopping praticamen-te todos os dias, relata.

Sonia explica que o shopping um local onde pode comprar roupas e acessrios, mas tambm ir ao cabelei-reiro, academia, supermercados, lojas de convenincia, papelaria, cinema, livraria, e muitos outros. Ela assegura

Suely: H o esquecimento das frustra-es pelo incremento da falsa realidade de que tudo possvel e fcil

que, mesmo com tantas idas aos shoppings, seu oramento nunca ficou no vermelho. Os gastos so feitos todos com parcimnia, mas claro que, se o marketing sensorial estiver bem ajustado, no s eu, como outros consumidores, tendem a gastar mais, admite.

Sonia acredita que um

bom marketing

sensorial faz com que os

consumidores tendam a

gastar mais

Antes da construo dos primei-ros shoppings, as lojas ficavam nas ruas, exigindo longas caminha-das. No havia a possibilidade de muitas escolhas, a no ser em ruas especializadas, como as famosas 25 de Maro, Ladeira Porto Geral e Augusta, em So Paulo (SP). Era um tempo com menos perspectivas econmicas. O consumismo no era um modo de vida, pois muitos

partilhavam o pensamento de reapro-veitar, modificar, tingir, consertar o que j possuam. As roupas eram feitas em costureira, compravam-se tecidos e aviamentos. No havia as roupas de marca, nem grandes novidades em carros, eletrodomsticos, sapatos. Era uma vida mais previsvel. Mas eis que vieram os shoppings.

Lembro-me de que, quando saiu a notcia da construo do primeiro shopping, houve uma reao geral frente novidade a ser ou no apoia-da. Ser que iria dar certo?, relem-bra a psicloga Suely. medida que o tempo foi passando, a novidade comeou a impor-se pelo conforto. Com o aumento da oferta, comea-ram a vir as marcas, grifes e o incen-tivo s compras, aquecidas pelas datas comemorativas e liquidaes

de primavera vero outono inverno.

A arquitetura dos shoppings come-a a modificar-se: tornam-se ambientes iluminados, bem decorados, servidos com amplos estacionamentos, cine-mas, ptio de alimentao, supermer-cados e outras atraes. Transformam--se em passeios estimulantes, com forte apelo consumista. Foi assim que o pblico lentamente passou a aban-donar as compras nas lojas de rua, que no oferecem segurana, conforto ou diversidade de oferta. Nascem os frequentadores automticos e cati-vos dos shopping centers e uma nova modalidade de passeio obrigatrio aos fins de semana.

De acordo com Suely, o maravilho-so mundo das compras vende tambm a iluso de uma re

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