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CADERNO DOUTRINÁRIO 7 RADIOPATRULHAMENTO AÉREO MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL nº 3.04.07/2013-CG

RADIOPATRULHAMENTO AÉREO - PMMG · CADERNO DOUTRINÁRIO 7 RADIOPATRULHAMENTO AÉREO MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL nº 3.04.07/2013-CG ... a PMMG elevou sua categoria a Batalhão,

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  • CADERNO DOUTRINRIO 7

    RADIOPATRULHAMENTO

    AREO

    MANUAL TCNICO-PROFISSIONAL

    n 3.04.07/2013-CG

  • CADERNO DOUTRINRIO 7

    RADIOPATRULHAMENTO

    AREO

    MANUAL TCNICO-PROFISSIONAL

    n 3.04.07/2013-CG

    Regula a Prtica Policial Militar Especial de Emprego de Aeronaves

    na Polcia Militar de Minas Gerais.

    Belo Horizonte - MGAcademia de Polcia Militar

    2013

  • Direitos exclusivos da Polcia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG).Reproduo condicionada autorizao expressa do Comandante-Geral da PMMG. Circulao restrita.

    Governador do Estado: Antonio Augusto Junho AnastasiaComandante-Geral da PMMG: Cel. PM Mrcio Martins SantAna Chefe do Estado-Maior: Cel. PM Divino Pereira de BritoChefe do Gabinete Militar do Governador: Cel. PM Luis Carlos Dias Martins Comandante da Academia de Polcia Militar: Cel. PM Srgio Augusto Veloso BrasilChefe do Centro de Pesquisa e Ps-Graduao: Ten.-Cel. PM Slvio Jos de Sousa Filho Tiragem: 3.000 exemplares

    ADMINISTRAO: Centro de Pesquisa e Ps Graduao Rua Dibase 320 Prado Belo Horizonte MGCEP 30410-440 Tel.: (0xx31)2123-9513 E-mail: [email protected]

    SUPORTE METODOLGICO E TCNICOSeo de Emprego Operacional (EMPM/3) Quartel do Comando-Geral da PMMGCidade Administrativa/Edifcio Minas, Rodovia Prefeito Amrico Gianetti, s/n - 6 andarBairro Serra Verde - Belo Horizonte - MG - Brasil - CEP 31.630-900

    Telefone: (31) 3915-7799.

    MINAS GERAIS. Polcia Militar. Comando-Geral. MANUAL TCNICO-PROFISSIONAL N 3.04.07/2013-CG: Regula a Prtica Policial Militar Especial de Emprego de Aeronaves na Polcia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte: PMMG Comando-Geral, 2013.

    148 p.: il.

    1. Radiopatrulhamento areo 2. Emprego Aeronaves. 3. Recobrimento. 4. Policiamento Ostensivo. I. Oliveira, Windson Jeferson Mendes de (red.). II. (rev.). III. Polcia Militar. Comando-Geral. IV. Ttulo.

    CDU 351.749.3

    CDD 358.4

    Ficha catalogrfi ca: Rita Lcia de Almeida Costa CRB 6 Reg. n.1730

  • RESOLUO N4257, DE 11 DE JUNHO DE 2013.

    Aprova o Manual Tcnico-Profissional de Radiopatrulhamento Areo na Polcia Militar de Minas Gerais.

    O COMANDANTE-GERAL DA POLCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, no uso das atribuies que lhe so conferidas pelo inciso I, alnea I do artigo 6, item V, do regulamento aprovado pelo Decreto n 18.445, de 15Abr77 (R-100), e vista do estabelecido na Lei Estadual 6.260, de 13Dez73, e no Decreto n 43.718, de 15Jan04, RESOLVE:

    Art. 1 - Aprovar o Manual Tcnico-Profissional n 3.04.07/2013-CG, ilustrativamente denominado Caderno Doutrinrio de Radiopatrulhamento Areo, que visa a regular a prtica policial militar especial de policiamento de emprego de aeronaves na Polcia Militar de Minas Gerais.

    Art. 2 - Esta Resoluo entra em vigor na data de sua publicao.

    Art. 3 - Revogam-se as disposies em contrrio.

    QCG em Belo Horizonte, 11 de junho de 2013.

    (a) MRCIO MARTINS SANTANA, CORONEL PM

    COMANDANTE-GERAL

  • GESTORES DO PROCESSO ELABORATIVOCoronel PM Fbio Manhes XavierCoronel PM Antnio de Carvalho PereiraCoronel PM Newton Antnio Lisboa JuniorTenente-Coronel PM Marcelo Vladimir Correa

    SUPERVISO TCNICATenente-Coronel PM Winston Coelho CostaMajor PM Cludio Jos Dias

    REDAOTenente-Coronel PM Windson J. M. OliveiraTenente-Coronel PM Marcos Oliveira LaraTenente-Coronel PM Ledwan Salgado CottaMajor PM Didier Ribeiro SampaioMajor PM Messias Alan de MagalhesCapito PM Marcos Vander RamosCapito PM Marcelo Ramos Oliveira 1 Tenente PM Daniel Felipe Soares3 Sargento PM Rodrigo Luiz Filgueiras Pereira

    REVISO DOUTRINRIAMajor PM Eugnio Pascoal C. ValadaresCapito PM Flvia R. Munhoz P. Santos2 Sargento PM Luiz Henrique M. Firmino

    FOTOGRAFIA E ARTESubtenente PM QOR Tarcsio Simes da Silva

    COLABORADORESTenente-Coronel PM Slvio Jos de Sousa Filho Major PM Cleverson Natal de OliveiraCapito PM Ricardo Luiz Amorim Gontijo FoureauxSubtenente PM Antnio Geraldo Alves Siqueira2 Sargento PM Danilo Teixeira Alcntara3 Sargento PM Leonardo M. V. CasagrandeCabo PM Elias Sabino Soares

    REVISO FINALMajor PM Cludio Jos Dias

    REVISO DE GRAMTICAProfessora Maria Slvia Santos Fiza

  • AGL - Above Ground Level Acima do nvel do solo

    ANAC - Agncia Nacional de Aviao Civil

    ANV - Aeronave

    ATZ - Zona de Trfego de Aerdromo

    Backup - Cpia de segurana

    BOV - Boletim operacional de voo

    BPE - Batalho de Policia de Eventos

    BRA - Base de ressuprimentos avanada

    Btl RpAer - Batalho de Radiopatrulhamento Areo

    CBA - Cdigo Brasileiro de Aeronutica

    CDC - Controle de Distrbios Civis

    CENIPA - Centro de Investigao e Preveno de Acidentes Aeronuticos

    CHT - Certificado de habilitao tcnica

    CICOP - Centro Integrado de Comunicaes Operacionais

    Cmt. Anv. - Comandante de Aeronave, responsvel por toda a operao area.

    Cmt. Op. - Comandante de Operaes Areas, que atua como segundo piloto.

    COMAR - Comando Areo Regional

    COPOM - Centro de Comunicaes Policiais Militares

    CoRpAer - Companhia de Radiopatrulhamento Areo

    CPE - Comando de Policiamento Especializado

    CTR - Control Zone - Zona de Controle

    DB - Dirio de bordo

    DCEA - Departamento de Controle do Espao Areo

    LISTA DE SIGLAS

  • DEPM - Diretrizes de Educao Policial Militar

    DMAT - Diretoria de Meio Ambiente e Trnsito

    EMPM - Estado-Maior da Polcia Militar de Minas Gerais

    FLIR - Flight Light Infra-Red Luz de Voo Infravermelha

    Ft - Ps - medida de comprimento que equivale a 30,48 cm

    GATE - Grupamento de Aes Tticas Especiais

    GPS - Global Position System - Sistema de Posicionamento Global

    GuRAer - Guarnio de Radiopatrulhamento Areo

    Kt - Knot n (velocidade)

    ICA - Instruo do Comando da Aeronutica

    Mec. - Mecnico Operacional de Voo

    NM - Milhas nuticas

    NSCA - Norma de Segurana do Comando da Aeronutica

    OACI - Organizao da Aviao Civil Internacional

    OVN - culos de Viso Noturna

    PC - Piloto Comercial de Avio, licena conferida pela ANAC

    PCH - Piloto Comercial de Helicptero, licena conferida pela ANAC

    PMMG - Polcia Militar de Minas Gerais

    PNAVSEC - Programa Nacional de Segurana da Aviao Civil Contra Atos de Interferncia Ilcita

    POP - Procedimento Operacional Padro

    QOPM - Quadro de Oficiais da Polcia Militar

    QPE - Quadro de Praas Especialistas

    QPPM - Quadro de Praas da Polcia Militar

    RBAC - Regulamento Brasileiro de Aviao Civil

  • RBHA - Regulamento Brasileiro de Homologao Aeronutica

    REDS - Registro de Eventos de Defesa Social

    RMBH - Regio Metropolitana de Belo Horizonte

    ROCCA - Rondas Ostensivas com Ces

    RPM - Regio de Polcia Militar

    S Mnt Anv - Seo de Manuteno de Aeronaves

    SAMU - Servio de Atendimento Mvel de Urgncia

    SISEMA - Sistema Estadual de Meio Ambiente

    SLL - Service Life Limit - Vida til limitada

    SOU - Sala de Operaes da Unidade

    TAS - Tcnico de Apoio de Solo

    TMA - Terminal Control Area - rea de Controle Terminal

    Trip. Op. - Tripulante Operacional de Voo

    UAA - Unidade Autnoma de Abastecimento

    UC - Unidade de Conservao

    VFR - Regras de Voo Visual

    VMC - Condies Meteorolgicas de Voo Visual

    ZPH - Zona de Pouso de Helicptero

    ZQC - Zona Quente de Criminalidade

  • FIGURA 1 Composio da Guarnio Area 1 Comandante de Aeronave, 2 Comandante de Operaes Areas, 3 Tripulante Operacional de Voo 01, 4 Tripulante Operacional de Voo 02. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27

    Figura 02 Unidade Autnoma de Abastecimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

    Figura 03 Postos de abastecimento e locais de estoque da PMMG . . . . . . . . . . . . . . . . 33

    Figura 04 Partes bsicas de um helicptero . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

    Figura 05 Partes bsicas de um avio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

    Figura 06 Gancho de carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

    Figura 07 Bambi Bucket . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38

    Figura 08 Reservatrio de gua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

    Figura 09 Pu. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

    Figura 10 Cesto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40

    Figura 11 Guincho eltrico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .41

    Figura 12 Farol de Busca (1) e (2) e Joystick de Comando (3) . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42

    Figura 13 Farol de Busca em Operao. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42

    Figura 14 Imageador Termal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .43

    Figura 15 culos de Viso Noturna. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .44

    Figura 16 Orientao do helicptero pelo ponteiro do relgio . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

    Figura 17 Ponto de ancoragem do armamento porttil na aeronave. . . . . . . . . . . . . . . .58

    Figura 18 Coletor de estojos.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .59

    Figura 19 Tripulante Operacional de Voo posicionado para o tiro defensivo embarcado. . . . .60

    Figura 20 Setores de responsabilidades dos Tripulantes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .67

    Figura 21 Transporte de ces. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .78

    LISTA DE FIGURAS

  • Figura 22 Ova . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .91

    Figura 23 Desova. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .92

    Figura 24 Descida de Rapel do Helicptero. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

    Figura 25 Tripulante Operacional de Voo no esqui do helicptero com a corda mochilada (1) e capa protetora da corda (2). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

    Figura 26 Resgate com cesto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97

    Figura 27 Resgate com Pu em mananciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .100

    Figura 28 Extrao vertical com maca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

    Figura 29 Extrao vertical com cordas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .107

    Figura 30 E xtrao vertical com McGuire. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109

    Figura 31 Operao com o Bambi Bucket . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .110

    Figura 32 Configurao aeromdica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115

    Figura 33 Rotor de cauda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .128

    Figura 34 Cuidados com rotor principal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .129

    Figura 35 reas crticas na aproximao para helicpteros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130

    Figura 36 Cuidados na aproximao e pouso de helicpteros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

    Figura 37 Cuidados na aproximao com avies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132

    Figura 38 Avio em deslocamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .132

    Figura 39 reas crticas na aproximao para um avio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133

    Figura 40 Cuidados com as turbinas de avies a jato. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134

  • 1 APRESENTAO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

    2 DOS RECURSOS HUMANOS E LOGSTICOS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

    2.1 Recursos humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .23

    2.2 Suporte Logstico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

    2.3 Aeronaves e equipamentos especiais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

    3 ATIVIDADES AREAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

    3.1 No campo de polcia ostensiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47

    3.2 No campo da defesa civil e socorros de urgncia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83

    3.3 No campo do meio ambiente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

    4. TCNICAS ESPECIAIS COM HELICPTEROS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

    4.1 Ova . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

    4.2 Desova. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

    4.3 Rapel da aeronave . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

    4.4 Operao de Resgate com o Cesto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

    4.5 Operao com Pu em mananciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97

    4.6 Salvamento em enchentes com emprego do Pu. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101

    4.7 Extrao vertical com maca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102

    4.8 Extrao vertical com cordas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105

    4.9 Extrao vertical utilizando McGuire. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

    4.10 Operaes com emprego de Bambi Bucket. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109

    4.11 Emprego da aeronave nos incndios em edificaes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

    4.12 Incndios em aglomerados urbanos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113

    SUMRIO

  • 4.13 Atendimento pr-hospitalar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114

    4.14 Atendimento inter-hospitalar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119

    5 SEGURANA OPERACIONAL AERONUTICA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125

    5.1 Cuidados com a operao com helicpteros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128

    5.2 Cuidados com a operao com avies. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132

    6 CONSIDERAES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137

    REFERNCIAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139

    GLOSSRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145

  • APRESENTAO

    SEO 1

  • Manual Tcnico-Profissional 3.04.07

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    1 APRESENTAO

    No cumprimento da misso institucional da PMMG, mediante as aes de polcia ostensiva de preveno criminal e restaurao da ordem pblica, existem aes delituosas e eventos catastrficos que superam a capacidade de resposta dos processos normais de policiamento, nos quais os riscos so bem mais pronunciados. Nessas situaes, faz-se necessria a existncia de recursos humanos especializados e recursos tecnolgicos apropriados que, agindo de forma complementar, aumentam a capacidade operacional das fraes de defesa social empenhadas no restabelecimento da ordem pblica.

    Assim, em 1987, a Polcia Militar de Minas Gerais criou o ento Comando de Radiopatrulhamento Areo CORPAer. J quela poca, o principal objetivo era proporcionar rapidez e eficincia nas aes de resposta em ocorrncias de maior complexidade, no contexto da proteo ao cidado mineiro.

    Historicamente, o CORPAer passou por diversas mudanas na sua estrutura administrativa. Em 1994 tornou-se Grupamento de Radiopalhamento Areo, sendo uma das Subunidades do ento Batalho de Misses Especiais (BME). Desvinculou-se dessa estrutura em 1999, quando foi criada a Companhia de Radiopatrulhamento Areo, com sede em Belo Horizonte.

    No decorrer dos anos e com a necessidade de se estruturar este servio em bases no interior do Estado, a PMMG elevou sua categoria a Batalho, em 2002 e conta hoje com quatro companhias com sede em Belo Horizonte, Uberlndia, Montes Claros e Juiz de Fora.

    O Manual Tcnico Profissional (MTP), EMPREGO DE AERONAVES NA POLICIA MILITAR DE MINAS GERAIS, foi desenvolvido para servir de referencial terico para as prticas do radiopatrulhamento areo, prevendo, alm dos recursos humanos e logsticos, as atividades desenvolvidas pelo Batalho de Radiopatrulhamento Areo (Btl RpAer), bem como seus processos de execuo.

    Em se tratando de uma atividade altamente especializada e complexa, fundamental que seus integrantes invistam em seu aperfeioamento profissional e estejam sempre aptos a executar quaisquer das atividades

  • PRTICA POLICIAL ESPECIAL

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    previstas neste manual o qual visa concatenar doutrinas produzidas pelos integrantes do Btl RpAer, ao longo de sua existncia. Seu contedo ser demonstrado de forma simples e concisa, por meio dos seguintes captulos:

    O captulo 2 DOS RECURSOS HUMANOS E LOGSTICOS apresenta os recursos humanos especializados necessrios ao cumprimento das mais variadas misses, bem como menciona os tipos de aeronaves operadas pelo Btl RpAer e o suporte logstico necessrio para o apoio areo em qualquer rinco de Minas Gerais.

    O captulo 3 ATIVIDADES AREAS traz o rol de atividades desenvolvidas pelo Btl RpAer nos campos da polcia ostensiva, da defesa civil e do meio ambiente. Traz, ainda, as manobras especiais que os integrantes da Unidade so capazes de praticar e que visam solucionar as mais complexas ocorrncias.

    O captulo 4 TCNICAS ESPECIAIS COM HELICPTEROS - demonstra uma srie de tcnicas com a utilizao de helicpteros que podem ser aplicveis tanto ao policiamento ostensivo geral quanto s misses de defesa civil ou socorros de urgncia ou meio ambiente.

    O captulo 5 SEGURANA OPERACIONAL AERONUTICA prev conjunto de atividades destinadas preveno de acidentes, fundamentos inerentes preveno de acidentes aeronuticos e cuidados a serem adotados com as aeronaves.

    O captulo 6 CONSIDERAES FINAIS apresenta uma breve concluso, deixando claro que o presente manual no esgota o tema, prevendo que os profissionais empregados nesta atividade devero dedicar-se inteiramente para tcnicas e tticas demonstradas neste MTP.

  • DOS RECURSOS HUMANOS E LOGSTICOS

    SEO 2

  • Manual Tcnico-Profissional 3.04.07

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    2 DOS RECURSOS HUMANOS E LOGSTICOS

    O emprego de aeronaves em qualquer organizao deve se sustentar em trs pilares bsicos, quais sejam:

    Recursos humanos;

    Suporte logstico;

    Aeronaves e equipamentos especiais.

    Dentro desta filosofia, a PMMG conta, hoje, com uma atividade area sustentada por um corpo de militares altamente especializados e treinados, configurando seus recursos humanos; possui aeronaves de asas fixas (avies) e de asas rotativas (helicpteros), mantendo suas operaes devidamente aliceradas num suporte logstico capaz de atender s demandas operacionais em qualquer parte do Estado e at mesmo em outros Entes Federados.

    2.1 Recursos humanos

    Para cumprir as mais variadas demandas da Defesa Social, com emprego de aeronaves, o Btl RpAer possui em seus quadros os seguintes cargos: Comandante de Aeronave (Cmt. Anv.), Comandante de Operaes Areas (Cmt. Op.), Tripulante Operacional de Voo (Trip. Op.), Mecnico Operacional de Voo (Mec.) e Tcnico de Apoio de Solo (TAS.).

    2.1.1 Comandante de Aeronave

    A funo do Comandante da Aeronave est prevista nos artigos 165 e 166 do Cdigo Brasileiro de Aeronutica (lei 7.565 de 19/12/1986).

    O Comandante de Aeronave o Oficial do QOPM, membro da tripulao, designado, pelo Comandante do Btl RpAer para exercer o comando da aeronave, com a autoridade inerente a sua funo, notadamente sob a gide decisria, desde o momento em que se apresenta para o voo, at o momento em que entrega a aeronave.

  • PRTICA POLICIAL ESPECIAL

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    Este oficial dever ser piloto, habilitado, no mnimo com a licena de Piloto Comercial de Helicpteros (PCH) ou Piloto Comercial de Avio (PC), sendo responsvel pelo comando da aeronave conforme os Regulamentos Brasileiros de Aviao Civil (RBAC) e demais normas da ANAC, devendo preencher os requisitos previstos no plano de ascenso profissional da Unidade.

    Sua funo conduzir a aeronave, respeitadas as normas tcnicas e de segurana de voo, para o cumprimento da misso estabelecida. Dever ser o controlador e coordenador de todas as atividades dos tripulantes embarcados, observando o gerenciamento de cabine1, de forma a executar, com proficincia, o apoio areo desejado pelas fraes terrestres. Deve preencher o Dirio de Bordo (DB) da aeronave.

    O Comandante de Aeronave tecnicamente o responsvel pela operao da aeronave, independente de ser ou no o mais antigo a bordo.

    2.1.2 Comandante de Operaes Areas

    O Comandante de Operaes Areas o Oficial do QOPM, membro da tripulao, designado, pelo Comandante do Btl RpAer, para exercer a autoridade inerente a sua funo, desde o momento em que se apresentar para o voo, at o momento em que desembarcar da aeronave.

    Para ser designado como Comandante de Operaes Areas, o Oficial dever ter sido selecionado em concurso pblico interno, conforme edital especfico, e, por conseguinte, ter concludo o Curso de Piloto Privado de Helicptero ou de Avio/Comandante de Operaes Areas da PMMG.

    Este Oficial, para exercer sua funo a bordo, dever preencher os requisitos exigidos pelo plano de ascenso profissional da Unidade.

    So atribuies do Comandante de Operaes Areas:

    a) coordenar, em voo, direta ou indiretamente, as comunicaes operacionais e, eventualmente, as comunicaes aeronuticas;

    1 Conjunto de procedimentos realizados pelo Comandante da Aeronave e os demais membros da tripulao com vistas padronizao de comportamentos, a diminuio dos riscos e a evitar os acidentes aeronuticos, otimizando a qualidade da misso e do ambiente de trabalho.

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    b) contribuir para que se estabeleam procedimentos tcnicos e profissionais para um gerenciamento de cabine harmonioso e disciplinado entre seus tripulantes e/ou passageiros;

    c) auxiliar na coordenao, controle e fiscalizao do servio operacional e misses planejadas, atravs de uma anlise e discusso pr-voo (briefing) e ps-voo (debriefing);

    d) cumprir, coordenar, gerenciar e fiscalizar todas as recomendaes e normas estabelecidas pela PMMG, pela ANAC ou pelo Comando da Aeronutica, relacionadas ao voo;

    e) auxiliar na coordenao, fiscalizao e gerenciamento de todo o pessoal envolvido no servio operacional;

    f ) atuar, como segundo piloto na conduo da aeronave, todas s vezes em que a misso requerer ou por deciso do Comandante de Aeronave;

    g) planejar o voo em rota, fornecendo todas as informaes disponveis ao Comandante de Aeronave;

    h) calcular o risco das misses, quando necessrio, informando ao Comandante de Aeronave;

    i) assessorar o Comandante de Aeronave quanto ao gerenciamento dos recursos disponveis para o cumprimento da misso;

    j) comunicar ao comando do Btl RpAer qualquer alterao tcnica profissional ocorrida durante o turno de servio.

    2.1.3 Tripulante Operacional de Voo

    A funo de Tripulante Operacional de Voo privativa de Subtenente ou Sargento do QPPM, possuidor do Curso de Tripulante Operacional de Voo, realizado na Corporao, nas Foras Armadas ou em Corporao co-irm.

    O Tripulante Operacional de Voo ter atribuies tanto embarcado como em solo, devendo atuar de acordo com a misso que a GuRpAer executar, ou seja:

    a) estando embarcado, dever auxiliar na execuo das misses em perfeita sintonia com o Comandante de Aeronave;

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    b) equipar-se e equipar a aeronave com o(s) armamento(s) e os equipamento (os) especiais de aviao, conforme requerer a misso;

    c) conferir e analisar a confiabilidade de todos os equipamentos especiais de aviao;

    d) realizar acompanhamento constante da rede de rdio operacional, triando as ocorrncias de destaque;

    e) incrementar medidas de segurana de voo na sua esfera de atuao;

    f ) proceder o embarque e desembarque de passageiros;

    g) orientar os passageiros quanto aos aspectos de segurana e, principalmente, os procedimentos em caso de emergncia;

    h) integrar-se com os demais membros da tripulao;

    i) atuar nas operaes especiais com helicptero;

    j) bservar e orientar o Comandante de Aeronave para livrar a aeronave dos obstculos, em solo ou no ar, que possam interferir no voo;

    k) auxiliar na interao ar/solo, comunicando-se com as fraes terrestres;

    l) preencher o Boletim Operacional de Voo (BOV) constante no Sistema Pgasus1.

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    Figura 1- Composio da Guarnio Area 1 Comandante de Aeronave, 2 Comandante de Operaes Areas, 3 Tripulante Operacional de Voo 01, 4 Tripulante Operacional de Voo 02

    2.1.4 Mecnico Operacional de Voo

    O Mecnico Operacional de Voo o militar do QPPM ou QPE, possuidor de Certificado de Habilitao Tcnica (CHT), expedido por rgo credenciado do sistema de aviao civil, em pelo menos uma das categorias de manuteno: clula (estrutura), motor ou avinicos.

    O Mecnico Operacional de Voo ser designado pelo Comandante do Btl RpAer, devendo preencher os seguintes requisitos bsicos:

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    a) ser possuidor da CHT de mecnico;

    b) ser praa do QPPM ou QPE;

    c) ter experincia comprovada por oficina homologada pelo Instituto de Aviao Civil (IAC) ou pela Seo de Manuteno de Aeronaves (S Mnt Anv) do Btl RpAer.

    Os Mecnicos Operacionais de Voo ficaro subordinados tecnicamente Seo de Manuteno de Aeronaves (S Mnt Anv) do Btl RpAer.

    Em casos de extrema necessidade, no havendo militar qualificado na Unidade, podero ser contratados civis para esta funo, atravs de contratos com oficinas homologadas para prestao dos respectivos servios.

    O Inspetor de Manuteno ser o Mecnico Operacional de Voo, dentre os de maior capacitao tcnica existentes, indicado pelo chefe da S. Mnt Anv, que ter como atribuio a fiscalizao geral da execuo das atividades de manuteno da Unidade.

    Os auxiliares de Mecnico Operacional de Voo sero praas, possuidores ou inscritos em cursos de manuteno de aeronaves, que ainda no possurem o CHT de mecnico expedido pela ANAC e que ainda no tenham cumprido os requisitos necessrios ascenso a Mecnico Operacional de Voo.

    O Mecnico Operacional de Voo trabalhar na sede da Unidade, em companhias desconcentradas ou acompanhando a aeronave nas misses fora da base, cumprindo a seguinte rotina de trabalho:

    a) auxiliar o chefe da S. Mnt Anv nas misses especficas que lhe forem confiadas, de acordo com a sua capacidade tcnica e com vistas segurana operacional aeronutica;

    b) realizar as inspees dirias da(s) aeronave(s), de acordo com a sua qualificao tcnica2, disponibilizando-a(s) para o voo, quais sejam: inspees pr, inter e ps-voo;

    c) proceder a pesquisa de panes to logo as identifique durante as

    2 Para realizar esta inspeo, o mecnico dever possuir o curso terico de familiarizao com o equipamento. Esse curso conhecido como ground school (escola de solo).

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    inspees de voo ou assim que o Comandante de Aeronave as reportar em documento prprio;

    d) proceder, diariamente, as anotaes de discrepncias, e os reportes dos Comandantes de Aeronave no dirio de bordo3 da(s) respectiva(s) aeronave(s);

    e) acompanhar a partida do motor da aeronave, posicionando-se ao lado do Comandante de Aeronave;

    f ) orientar o pouso da aeronave, indicando o local adequado para o estacionamento e acompanhar a desacelerao do motor e o seu respectivo corte, verificando, ao mesmo tempo, o funcionamento dos sistemas de voo e da estrutura.

    2.1.5 Tcnico de Apoio de Solo

    O Tcnico de Apoio de Solo ser um praa do QPPM, habilitado nas operaes de transporte de produtos perigosos e abastecimento de aeronaves, desempenhando as seguintes atribuies:

    a) gerenciar a aquisio, estocagem e utilizao do combustvel de aviao em todo territrio mineiro;

    b) executar o transporte de combustvel e cuidar do abastecimento das aeronaves na base ou fora dela;

    c) atuar como precursor na preparao da Zona de Pouso de Helicpteros (ZPH) e Base de Ressuprimentos Avanados (BRA)4, auxiliando no embarque/desembarque de pessoal e transporte de material, bem como apoiando no recebimento e despacho das aeronaves, com segurana;

    d) disponibilizar s aeronaves, no local de emprego, equipamentos e apetrechos para realizao de misses especiais (bambi bucket,

    3 Documento de controle obrigatrio nas aeronaves, exigido pela legislao referente Aviao Civil, cujo objetivo precpuo registrar todas as ocorrncias relacionadas ao voo. Visa, tambm, alertar ao Comandante da Aeronave sobre sua total responsabilidade pela verificao das condies de aeronavegabilidade para o incio de qualquer etapa do voo.

    4 Local de operao de aeronaves, fora da sede da Unidade ou da Companhia desconcentrada, onde so feitos os procedimentos de reabastecimento de combustvel e demais materiais especiais necessrios.

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    reservatrio fl exvel para gua5 ou combustvel (macas, carga externa, pu, etc);

    e) apoiar o fornecimento de armamento, munio e outros equipamentos especiais s guarnies envolvidas no cumprimento de misses helitransportadas;

    f ) participar da divulgao das atividades da Unidade com a montagem e demonstrao de estandes e apresentaes de equipamentos e

    materiais, dentro das atividades de comunicao organizacional.

    NOTA: A Guarnio de Radiopatrulhamento Areo (GuRAer) constitui a frao policial militar mnima que atua embarcada em helicpteros da PMMG, com vistas a prestar o apoio areo s fraes terrestres. composta, basicamente, pelo Comandante de Aeronave, Comandante de Operaes Areas e Tripulantes Operacionais de Voo.

    2.2 Suporte Logstico

    As atividades do Btl RpAer, por possurem especificidades prprias e atuao em todo o estado de Minas Gerais, refletem na necessidade de um aporte logstico especial.

    Buscar inovaes estratgicas, tticas e tcnicas que, aliadas ao aprimoramento de recursos humanos e materiais, possibilitem a melhoria da qualidade dos servios prestados comunidade, tem sido uma constante da PMMG no campo da defesa social. Sobre os recursos materiais, tem-se que uma estrutura logstica adequada base segura para a realizao de voos que tenham como objetivo a suplementao e o apoio s fraes na superfcie.

    Sobre a logstica define Silva (2004, p.33)

    A arte de preparar, deslocar, desdobrar e empregar as foras (pessoal e material) no teatro de operaes visando

    5 So reservatrios com capacidade de 11.000 litros de gua, utilizados para recarregar o bambi bucket, onde no h manancial disponvel ou condizente. So confeccionados em vinil de grande resistncia.

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    alcanar, nas melhores condies, os objetivos fixados no planejamento estratgico, so procedimentos cujo sucesso depende do adequado uso da logstica. Assim, o apoio logstico ao combate engloba as aes realizadas para preparar e garantir a continuidade do combate [...]

    Uma logstica bem estruturada e sedimentada pressuposto indispensvel para o cumprimento de qualquer misso. A atividade de radioptrulhamento areo necessita de um aparato logstico que envolve recursos materiais dos mais simples at a alta tecnologia. Nesse sentido a concepo das aeronaves e seus equipamentos que dotaro a Unidade area fator preponderante para se alcanar os melhores resultados.

    2.2.1 Bases areas

    Os recursos humanos do Btl RpAer, para desenvolverem suas atividades operacionais e administrativas, necessitam de uma estrutura fsica, assim como as aeronaves precisam de um local para abrigo e proteo. Nesse sentido, a PMMG estruturou e estruturar bases especficas para esta atividade especial. Atualmente, o Btl RpAer possui bases estruturadas em Belo Horizonte, Montes Claros, Juiz de Fora e Uberlndia.

    2.2.2 Estrutura de abastecimento autnoma

    Minas Gerais conta hoje com pouco mais de 7 (sete) aeroportos com estrutura de abastecimento. Esta disponibilidade de combustvel no Estado no suficiente para que a Esquadrilha Pgasus atue em qualquer parte das alterosas.

    Para suprir essa deficincia, existe uma frota de Unidades Autnomas de Abastecimento (UAA) que so caminhes equipados com tanque de armazenagem de combustvel e bagageiro de transporte de equipamentos, conforme Figura 02. As UAA so bases de apoio mveis e so conduzidas pelos Tcnicos de Apoio de Solo at os locais de operaes areas em que se faam necessrias e, por possurem cabines estendidas, ainda auxiliam nos pequenos deslocamentos da guarnio area, caso seja necessrio.

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    Ressalta-se que muitas das misses executadas pelo Btl RpAer, no interior de Minas Gerais, so provenientes de acionamento para aes de pronta resposta e, devido diferena de velocidade entre o helicptero e a UAA, no h a possibilidade do acompanhamento imediato pela equipe de apoio de solo para o abastecimento das aeronaves. Para dar suporte s aeronaves nessas situaes emergenciais e garantir a continuidade da operao area at a chegada das UAA, mantm-se estoques estratgicos de combustvel em diversas unidades da PMMG, no interior do Estado.

    Figura 02 Unidade Autnoma de Abastecimento.

    Assim, a Corporao mantm um modelo misto de postos regulares contratados e de locais de estoque de combustvel para o apoio ao abastecimento de suas aeronaves em todo o estado de Minas Gerais, conforme Figura 03.

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    Figura 03 Postos de abastecimento e locais de estoque da PMMG.

    2.3 Aeronaves e equipamentos especiais

    2.3.1 Aeronaves (helicptero e avio)

    O emprego de equipamentos tecnolgicos faz parte do trabalho policial moderno. Desde o momento em que as polcias ingressaram no processo da profissionalizao, seus integrantes passaram a receber investimentos em treinamento, equipamentos e em novas tecnologias.

    Nesse sentido, a PMMG, para atender s demandas operacionais com maior eficincia e agilidade em qualquer parte do Estado, possui aeronaves de asas rotativas (helicpteros) e de asas fixas (avies).

    A aeronave de asas fixas proporciona s operaes da PMMG rapidez e segurana podendo chegar ao local mais distante do Estado em at uma hora e trinta minutos. Esse tempo de resposta reflete o grande poder de mobilidade da organizao no territrio mineiro.

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    O helicptero ser definido por multimisso quando apresentar um conjunto de caractersticas que o habilitem para essa categoria. O Btl RpAer emprega atualmente, na atividade area, os helicpteros modelos Jet Ranger - Bell 206 e o Esquilo AS 350. Especialmente este ltimo - o Esquilo - uma aeronave considerada extremamente verstil para as operaes aeropoliciais: possui a capacidade para at 04 passageiros e 02 pilotos na configurao policial, e est equipada, alm dos acessrios comuns a todas as aeronaves desse tipo, com os opcionais especiais que a capacitam ao melhor apoio operacional.

    Para maior compreenso das terminologias aplicadas, apresentam-se as principais partes que compem um helicptero, conforme Figura 4.

    Figura 04 Partes bsicas de um helicptero.

    a) motor: produz a fora necessria para girar diversos conjuntos de engrenagens;

    b) caixa de transmisso principal: conjunto de engrenagens redutoras que tem a funo de transmitir a fora gerada pelo motor aos rotores;

    c) cockpit (Cabine dos Pilotos): compartimento utilizado pelos pilotos da aeronave;

    d) compartimento de passageiros/carga: espao destinado aos tripulantes operacionais ou pessoas e cargas;

    e) fuselagem: a parte exterior da estrutura de uma aeronave;

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    f ) rotor principal: conjunto de ps localizadas na parte superior do helicptero que, ao chegar a determinada rotao por minuto (RPM) combinado com determinado ngulo de ataque das ps, produz uma fora contrria ao peso da aeronave (sustentao), fazendo com que a aeronave voe;

    g) rotor de cauda: conjunto de ps localizada na parte traseira do helicptero, com a funo de contrariar o torque produzido pelo conjunto motor/rotor principal;

    h) esquis: estrutura de ao que serve de base de apoio a um helicptero quando pousado, tambm utilizado pelos Tripulantes Operacionais de Voo para a operaes de embarque e desembarque no voo pairado.

    NOTA: O helicptero apresenta bom desempenho para decolagens e pousos verticais, sendo capaz de pairar e deslocar para frente, para trs e lateralmente, alm de movimentar grandes quantidades de carga til, com relativa economia de combustvel.

    O avio, tambm inserido na contextualizao da multimisso, porm sua configurao e empregabilidade so distintas. Enquanto perde na versatilidade, tendo em vista a obrigatoriedade de uma pista de pouso para efetivao das operaes, ganha em velocidade, alcance, capacidade no transporte de passageiros e possibilidade de efetuar Voos por Instrumento (IFR), o que favorece o voo noturno entre os aeroportos e em condies meteorolgicas desfavorveis.

    Atualmente a PMMG dispe apenas de um avio King Air C-90, sendo esta uma aeronave bimotor pressurizada, de pequeno porte, e propulso do tipo turbohlice6, com capacidade para 06 (seis) passageiros.

    Para maior compreenso das terminologias aplicadas, apresentam-se as principais partes que compem um avio, conforme figura 5;

    6 Consiste num motor de avio, com aplicao especial do princpio de funcionamento dos motores a jato, que possui compressor, cmara de combusto e turbina que alm de mover o compressor, aciona tambm o eixo de uma hlice de aviao convencional, atravs de um sistema de reduo mecnico com variao automtica da relao de rotaes.

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    a) hlice: Instrumento de propulso ou trao. Est geralmente acoplado a algum tipo de motor que empurra o que est em redor (geralmente ar ou gua), convertendo energia rotacional em translacional e deslocando o objeto a que se encontra acoplado;

    b) cockpit: compartimento destinado exclusivamente tripulao area;

    c) compartimento de passageiros/carga: espao destinado aos passageiros ou cargas;

    d) trem de pouso do nariz: tambm conhecido como trem de pouso auxiliar. Trata-se de uma roda na parte frontal de um avio que auxilia no pouso e tambm responsvel em direcionar a aeronave quando em solo;

    e) trem de pouso principal: so as rodas traseiras de um avio que suportam o impacto do pouso;

    f ) cauda ou deriva: responsvel pelos movimentos laterais e verticais da aeronave;

    g) fuselagem: a parte exterior da estrutura de uma aeronave;

    h) asas: parte fixa da fuselagem, destinada a sustentar o avio no ar.

    Figura 05 Partes bsicas de um avio.

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    Ressalta-se que o conhecimento das partes bsicas de um helicptero e de um avio, por parte dos militares da PMMG, fundamental para que se compreendam melhor as medidas de segurana que sero mencionadas na seo 4 Segurana Operacional Aeronutica.

    Alm das aeronaves, um conjunto de equipamentos especiais utilizado em diversas misses areas da Esquadrilha Pgasus, normalmente em operaes com helicpteros.

    2.3.2 Equipamentos especiais

    A seguir esto descritos os equipamentos atualmente disponveis no Btl RpAer para emprego operacional. Buscou-se descrev-los da maneira mais simples e objetiva, procurando demonstrar tambm em que tipo de situao empregado.

    a) Gancho de Carga

    Componente especial que instalado na parte ventral do helicptero onde se acopla uma carga externa7 para transporte. H dois modelos disponveis e sua capacidade varia entre 750 a 1100 Kg.

    Em caso de emergncia durante sua operao, a carga pode ser alijada eltrica ou mecanicamente pelo Comandante de Aeronave, conforme Figura 06.

    Figura 06 - Gancho de carga.

    7 Toda e qualquer carga que seja transportada atravs do gancho da aeronave, incluindo-se os equipamentos especiais.

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    b) Bambi Bucket

    Equipamento destinado ao transporte de gua em operaes de combate a incndio, ancorado no gancho de carga do helicptero. Fabricado em material sinttico, tem capacidade mxima de 540 litros. Possui tambm ajustes que variam entre 70 a 100% de sua capacidade, conforme Figura 07.

    Figura 07 Bambi Bucket

    c) Reservatrio de gua

    Durante as operaes de combate a incndio, nem sempre existe um rio ou manancial nas proximidades para a captao de gua de forma rpida e segura. Assim, dispe-se de reservatrios de gua com capacidade de 11.000 litros. Os reservatrios so conduzidos pela equipe de apoio de solo at os locais de incndio. Depois de montado, possibilita que o helicptero capte gua com o bambi bucket, conforme Figura 08.

    Figura 08 Reservatrio de gua.

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    d) Pu

    Equipamento destinado a salvamento em ambiente aqutico, com capacidade para transportar 3 (trs) pessoas ou 300 Kg. Consiste em um aro tubular com flutuador e uma malha confeccionada em nylon, conforme Figura 09.

    Figura 09 Pu.

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    e) Cesto

    Equipamento destinado a salvar pessoas de locais de difcil acesso ou confinados, com capacidade de transportar quatro pessoas ou 300 Kg. Consiste em dois aros tubulares de duro alumnio e uma malha do cesto, com piso fechado tambm em malha. Abertura lateral (porta) e um conjunto para fechamento, podendo ser com cintos de encaixe ou mosquetes, conforme Figura 10.

    Figura 10 Cesto.

    f) Guincho Eltrico

    Equipamento destinado a operaes de resgate em altura e para iamento de vtimas. Trata-se de um sistema composto por um motor, cabo de ao e um engate rpido, onde fixado outro equipamento de salvamento em altura. Tem a capacidade para iar at 136 Kg.

    O guincho possui um suporte (brao) metlico giratrio, instalado no lado esquerdo da aeronave, com comando de travamento, possibilitando embarcar a vtima aps o iamento.

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    O equipamento suporta operao contnua de at seis ciclos completos, possuindo um punho de comando que fica acoplado na parede traseira da cabine de passageiros, de fcil acesso e operao pelo Tripulante Operacional de Voo, conforme Figura 11.

    Figura 11 Guincho eltrico.

    g) Farol de busca (Holofote SX 16 Nightsun)

    O farol de busca acoplado na parte inferior da aeronave, tem a funo de auxiliar nas operaes noturnas, principalmente naquelas em que seja necessria a busca ou localizao de infratores.

    O farol possui um holofote com foco varivel, possui a capacidade de iluminao de um campo de futebol, podendo chegar at a intensidade de 30 milhes de candelas. O feixe de luz varivel em sua amplitude e intensidade, sendo operado pelo Tripulante Operacional de Voo com a utilizao de um Joystick de Comando, de fcil acesso, conforme Figuras 12 e 13.

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    Figura 12 Farol de Busca (1) e (2) e Joystick de Comando (3).

    Figura 13 Farol de Busca em Operao.

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    h) Imageador Termal Flir 230HD e 380HD

    Equipamento com capacidade para gravar e transmitir imagens em alta definio. Alm disso, o equipamento possibilita identificar agentes de delito em plena escurido, atravs de seu sistema de lentes infra-vermelhas e termais que identificam objetos e corpos pela leitura de calor que emitem, conforme Figura 14.

    Figura 14 Imageador Termal.

    As ocorrncias tpicas que exigem a utilizao do equipamento so:

    1) transmisso de imagens em tempo real para o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC);

    2) localizao e identificao de veculos em fuga;

    3) localizao de agentes de delito em matagal, lotes ou descampado;

    4) localizao de vtimas de acidentes;

    5) localizao de pessoas perdidas em matas ou florestas;

    6) apoio em operaes policiais;

    7) apoio nas atividades de inteligncia atravs de levantamento de locais de crimes ou homizio de cidados infratores.

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    i) culos de Viso Noturna (OVN)

    Os OVN so instrumentos pticos que permitem a produo de imagens em nveis de luz que se aproximam da escurido total. Atualmente, os OVN so consideradas as principais ferramentas utilizadas no emprego de helicpteros para o combate ao crime pelas foras policiais americanas, canadenses e europeias, conforme Figura 15.

    Figura 15 culos de Viso Noturna.

  • ATIVIDADES AREAS

    SEO 3

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    3 ATIVIDADES AREAS

    Inserido no rol de servios do Comando de Policiamento Especializado da PMMG, o Btl RpAer est apto a realizar diversas atividades areas em apoio s mais variadas situaes, que podem estar relacionadas ao policiamento ostensivo, defesa civil ou meio ambiente.

    3.1 No campo de polcia ostensiva

    Encontrar formas de otimizar o servio policial e ampliar as chances de sucesso nas atuaes e operaes realizadas sempre foram metas almejadas pelas instituies responsveis pela defesa social em todo o mundo.

    O radiopatrulhamento areo consegue atingir vrias ramificaes do policiamento ostensivo, potencializando as aes e alcanando resultados expressivos em vrios tipos de ocorrncias:

    a) aes de acompanhamento, interceptao, cerco e bloqueio, auxiliando na segurana dos policiais em terra durante a abordagem e impedindo a fuga dos indivduos a serem abordados, possibilitando ainda a descrio antecipada das rotas de fuga;

    b) transporte de tropa para recobrimento e atuao em ocorrncias de alta complexidade;

    c) traslado de autoridades, com as vantagens de segurana e rapidez;

    d) auxlio captura de cidados infratores, homiziados em matas e locais de difcil acesso;

    e) apoio em rebelio em estabelecimentos prisionais, tanto na conteno dos rebelados, quanto no deslocamento dos times tticos aos locais estratgicos de ao; possibilita tambm o auxlio no planejamento, controle e represso a ocorrncias de fuga de presos, propiciando uma rpida e abrangente avaliao do local, de forma a auxiliar a operao e acompanhar o seu desencadeamento;

    f ) acompanhamento do trnsito urbano e rodovirio, orientao de vias alternativas e identificao de locais de conteno;

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    g) escoltas envolvendo grande quantidade de valores, presos de alta periculosidade, cargas de armas e munies de foras pblicas;

    h) apoio a policiais em situao de emergncia, potencializando segurana durante as abordagens e protegendo-os de emboscadas ou acidentes que possam estar alm de seu alcance visual;

    i) plataforma de observao em apoio s tropas especializadas, em conflitos agrrios, movimentos grevistas e reivindicatrios;

    j) patrulhamento ostensivo preventivo, reduzindo ndices de criminalidade e aumentando a sensao de segurana da populao;

    k) identificao e informao aos respectivos rgos interessados, em casos de invaso, reas de cultivo de plantas txicas, criao clandestina de animais, ocupao de reas de risco e invaso de terrenos alheios;

    l) localizao de desmanches de veculos, produtos de roubo/furto abandonados em locais de difcil acesso e visualizao por terra;

    m) represso imediata aos crimes contra o patrimnio, permitindo uma rpida busca nas imediaes do local onde se deu o evento criminoso, auxiliando as viaturas e o trabalho dos policiais no solo, orientando sua distribuio no terreno;

    n) apoio s ocorrncias com refns, desestimulando a atuao dos criminosos;

    o) auxlio, de forma imprescindvel, no controle de multides, durante a realizao de eventos desportivos ou culturais, carreatas ou manifestaes; nesses casos, a completa visualizao da massa humana permite a otimizao dos recursos disponveis para a segurana;

    p) realizao de filmagens e fotos a fim de auxiliar no planejamento de operaes.

    Dessa forma, o radiopatrulhamento areo apresenta-se como um tipo de policiamento essencial para possibilitar uma pronta resposta frente s aes criminosas que sejam desencadeadas.

    A interao ar x solo, ou seja, o perfeito entrosamento entre guarnies terrestres e a guarnio area embarcada, deve ser clara, simples e objetiva,

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    principalmente quanto troca de informaes afetas ocorrncia, a exemplo da rota de fuga, nmero de suspeitos, caractersticas do agente e veculo, etc.

    Alm disso, a orientao espacial da aeronave por parte dos militares em solo de fundamental importncia, pois reduz o tempo de resposta, aumentando a eficincia do emprego da aeronave.

    A fim de atender com presteza as orientaes das guarnies terrestres, que muitas vezes j se encontram no local da ocorrncia ou mesmo se deparam com o fato gerador da perturbao social e, em ato contnuo, solicitam o apoio areo da Esquadrilha Pgasus, deve-se utilizar o sistema de orientao do relgio.

    Trata-se de uma simples analogia posio do ponteiro das horas, ou seja, considera-se que o helicptero encontra-se sobre um relgio e que a sua frente represente a posio de 12 horas, a direita da aeronave, em um ngulo de 90 graus, represente a posio das 03 horas, a retaguarda, em um ngulo de 180 graus, represente a posio de 06 horas e, por fim, esquerda, em um ngulo de 270 graus, represente a posio de 09 horas, conforme Figura 16.

    Figura 16 Orientao do helicptero pelo ponteiro do relgio.

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    No campo da polcia ostensiva, elencam-se alguns procedimentos bsicos que so realizados pelos integrantes do Btl RpAer e que visam, sobretudo, possibilitar que as atividades areas sejam realizadas com eficincia e segurana.

    3.1.1 Preparao para a misso com helicptero

    a ao de preparar a aeronave para as diversas possibilidades de emprego ao incio do turno de servio.

    Para tanto, existir a seguinte sequncia de aes antecedentes ao turno:

    a) Mecnico Operacional de Voo

    1) realizar pr-voo na aeronave, conforme Manual de Voo, deixando a aeronave disponvel no mnimo 30 (trinta) minutos antes do incio do turno/utilizao;

    2) drenar o combustvel da aeronave;

    3) verificar e instalar o farol de busca;

    4) reportar ao piloto o nmero de horas de voo disponveis para o turno e eventuais discrepncias;

    b) Tcnico de Apoio de Solo

    1) drenar o combustvel do tanque do caminho e, aps, informar a qualidade do combustvel ao piloto de servio;

    2) abastecer a aeronave de acordo com a necessidade estabelecida pelo Comandante de Aeronave.

    c) Tripulante Operacional de Voo

    1) comparecer aeronave para a conferncia e, em seguida, equipar a aeronave com a configurao operacional PM, ou seja, com um Kit Policial, um Kit Rapel, um Kit Armamento e Equipamento e um Kit Salve8;

    8 Kit Salve: bolsa que contm itens de primeiros socorros necessrios s operaes aeromdicas.

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    2) realizar a inspeo dos armamentos, materiais e equipamentos a bordo, bem como dos que tm possibilidade de ser utilizados durante o turno. Os armamentos portteis devem estar travados e acondicionados no bagageiro traseiro da aeronave;

    3) os fuzis, carregadores, munies, baterias reservas, pilhas, guia de coordenadas, mapas e colete reflexivo, devero estar em bolsas presas na cabine da aeronave;

    4) os carregadores de fuzil devero estar municiados com vinte cartuchos cada;

    5) sero colocadas as duas fitas tubulares no piso da aeronave com mosquetes de alumnio em suas extremidades, destinadas ancoragem dos fuzis e de outros objetos que possam ser utilizados durante o voo. Os mosquetes da ponta devero ficar abertos e os do piso fechados;

    6) o rabo de macaco9, que tem como meio de ancoragem mosqueto tipo malha rpida, ser preso no mosqueto de ao instalado no piso da aeronave;

    7) conferir a carga das baterias dos rdios transceptores portteis;

    8) conferir a programao de frequncias dos rdios. Em caso de falhas na programao das frequncias, comunicar Seo de Telecomunicaes da Unidade;

    9) acomodar materiais de altura e rapel em bolsas no bagageiro lateral e traseiro da aeronave;

    10) se houver chuvas intensas ou previso de enchentes, equipar a aeronave com Kit Aqutico;

    11) manter, na base, uma maca em condies de ser utilizada em urgncias;

    12) em caso de misso no interior, equipar tambm com Kit SOS10 e, no havendo possibilidade de transporte da maca no bagageiro, a mesma dever ser conduzida pela Equipe de Apoio de Solo, caso esta seja mobilizada;

    9 Rabo de Macaco: equipamento composto por um cabo de ao acoplado a um cinto de nylon de abertura e fechamento rpido, que serve de ancoragem aos Tripulantes Operacionais de Voo.

    10 Kit SOS: compem-se de sinalizadores e granadas fumgenas que tm por objetivo auxiliar na localizao da aeronave sinistrada ou tripulante desembarcado.

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    13) acompanhar a instalao do farol de busca pelo mecnico;

    14) os materiais que no permanecerem a bordo devero estar prontos para uso na intendncia, ou em local pr-ajustado;

    15) ao equipar a aeronave, conferir os equipamentos e armamentos atravs de um check-list, que manter atualizado mediante orientao do Comandante da Aeronave;

    16) aps conferir os materiais, assinar o documento prprio na intendncia, transferindo a responsabilidade da posse;

    17) a responsabilidade de coordenao destas atividades ser do Tripulante Operacional de Voo mais antigo.

    d) Comandantes de Aeronave e de Operaes Areas

    1) ao assumirem o servio, devero realizar conjuntamente o pr-voo da aeronave, de acordo com o manual do equipamento e com a presena do mecnico. Em seguida, realizar o briefing de incio de turno;

    2) realizaro os clculos de peso e balanceamento;

    3) providenciaro as adequaes necessrias aos equipamentos embarcados.

    3.1.2 Briefing e transporte de passageiros em helicpteros

    o conjunto de procedimentos adotados pela tripulao, nos casos de embarque e transporte de passageiros nos helicpteros operados pela PMMG.

    Para tanto, os militares devero adotar a seguinte sequncia de aes:

    a) Comandante de Operaes Areas

    1) verificar a existncia de Ordens de Servio (OSv.), autorizando e disciplinando a realizao da misso;

    2) buscar informaes a respeito de quem e quantos so os passageiros, qual a motivao do referido transporte, horrio da diligncia, local de embarque e outras informaes julgadas cabveis.

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    3) comunicar sentinela, ou militar que esteja exercendo funo anloga, quanto presena de civis na Unidade, caso o embarque seja realizado na sede da frao PM.

    4) realizar um briefing inicial com os passageiros, momento em que dever atentar para os seguintes aspectos:

    - apresentar-se aos passageiros e apontar o Comandante de Aeronave como responsvel pelo voo em todas as suas fases;

    - identificar e certificar que as pessoas que se apresentaram so as mesmas relacionadas para o voo, conforme documento de autorizao (OSv. ou outro meio), colhendo nome, RG e cargo/ttulo/funo para lanamento no Sistema Pgasus/Dirio de Bordo;

    - caso no seja possvel a realizao do voo, dever explicar ao(s) passageiro(s) as razes e motivos de eventual adiamento ou cancelamento do voo;

    - descrever, sucintamente, como ser realizado o voo, mencionando sua durao, rea a ser sobrevoada, e outras informaes que possam ser teis aos passageiros;

    - ao final do briefing anunciar ao Comandante de Aeronave.

    b) Tripulante Operacional de Voo

    Aps anuncia do Comandante de Operaes Areas, dirigir-se- aeronave com os passageiros e realizar os seguintes procedimentos:

    1) verificar se a primeira vez que a(s) pessoa(s) realizar(o) voo em helicptero e se existe alguma situao (fsica ou de sade) que possa interferir na realizao de um voo seguro e confortvel;

    2) orientar quanto aproximao para a aeronave, bem como os procedimentos de embarque e desembarque;

    3) explicar e demonstrar como dever ser feita abertura e o fechamento de portas, o que ser necessrio caso haja alguma emergncia ou outra (s) situao(es) especial(is);

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    4) orientar quanto necessidade de utilizao do cinto de segurana na aeronave, explicando como at-lo e desat-lo;

    5) orientar quanto aos cuidados necessrios com pertences de mo que no devero ficar soltos no piso da aeronave, mas presos atravs de mosquetes e fitas ou acondicionados nos bagageiros;

    6) questionar sobre a presena de lquidos ou objetos frgeis na bagagem, os quais devero ser devidamente protegidos;

    7) esclarecer que h um sistema de comunicao interna na cabine por meio dos fones de ouvido com microfones e que qualquer anormalidade constatada ou dvida que surgir poder ser reportada a qualquer um dos membros da tripulao via fonia;

    8) informar quanto proibio de fumar a bordo e nas imediaes da aeronave;

    9) informar quanto proibio de lanamento de qualquer objeto, durante o voo ou mesmo no solo, para fora da aeronave;

    10) esclarecer que o passageiro no deve projetar partes do corpo para fora da aeronave durante o voo;

    11) orientar quanto proibio de uso de guarda-chuvas, chapus, bons e outras coberturas prximo aeronave, enquanto os rotores estiverem girando;

    12) esclarecer que o embarque e desembarque da aeronave sero sempre acompanhados por um tripulante (Comandante de Aeronave, Comandante de Operaes Areas ou Tripulante Operacional de Voo);

    13) caso o Comandante de Aeronave esteja sozinho, deve orientar que o embarque ou o desembarque da aeronave somente ocorrer mediante autorizao, devendo o(s) passageiro(s) se manter(em) dentro da aeronave at a parada dos rotores;

    14) fornecer um saco plstico apropriado ou deix-lo ao alcance do passageiro, esclarecendo como utiliz-lo em caso de indisposio a bordo. Pedir para reportar tal situao a qualquer membro da tripulao;

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    15) orientar que, em caso de pouso em emergncia, o(s) passageiro(s) dever(o) se manter preso(s) ao(s) cinto(s) de segurana e s poder(o) desembarcar aps a parada total dos rotores, com autorizao do Comandante de Aeronave, e pelo lado mais baixo do terreno;

    16) orientar que o(s) passageiro(s) dever(o) aguardar a total parada dos rotores e a autorizao do Comandante de Aeronave para desatar o(s) cinto(s) e realizar o desembarque (que ser auxiliado por uma pessoa em solo, ou pela tripulao);

    17) orientar que, logo ao desembarcar, caber ao(s) passageiro(s) solicitar a retirada de seus pertences do bagageiro;

    18) orientar sobre o espao onde poder(o) posicionar os ps e ressaltar a posio dos comandos de voo, alertando sobre a proibio de toc-los;

    19) orientar que o cinto de segurana do piloto ou do co-piloto, em hiptese alguma, dever ser puxado pelo(s) passageiro(s) ou qualquer outro membro da tripulao, seja no embarque, no voo ou no desembarque;

    20) caso o passageiro seja policial, orientar sobre a proibio do manuseio de arma de fogo a bordo da aeronave.

    c) Comandante da Aeronave

    Informar ao(s) passageiro(s) que, para a realizao de um voo seguro, todas as recomendaes j repassadas at o momento devero ser cumpridas rigorosamente.

    d) Tripulante Operacional de Voo, Tcnico de Apoio de Solo e Mecnico

    Auxiliaro no embarque/desembarque dos passageiros, checando a colocao dos cintos e fones e, aps tal procedimento, realizaro o fechamento/abertura das portas, cientificando o Comandante de Aeronave.

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    3.1.3 Procedimentos para atendimento de ocorrncias com helicpteros

    So os procedimentos a serem adotados por ocasio do emprego de helicptero em ocorrncias, com vistas correta interveno da guarnio area, de forma lgica e oportuna.

    O primeiro militar que tomar conhecimento de ocorrncia tpica de atendimento com emprego de aeronave acionar a campainha na sede da unidade, conforme convencionado.

    NOTA: o embarque/desembarque de passageiros da aeronave, com os rotores girando, dever ser realizado apenas quando extremamente necessrio, uma vez que tais procedimentos expem a todos a riscos potenciais.

    Chegando aeronave, os dados disponveis acerca da ocorrncia devero ser compartilhados por todos os membros da tripulao.

    A seguir devem ser adotados os procedimentos previstos por cada funo:

    a) Radioperador

    1) ao assumir o servio, consultar a planilha elaborada pela Seo de Operaes que versa sobre as reas de maior ndice de criminalidade da RMBH, no horrio compreendido pelo turno e respectivos canais de comunicao para anlise da equipe de servio;

    2) gerar o empenho da aeronave em cobertura ocorrncia junto ao CICOP e o Boletim Operacional de Voo no Sistema Pgasus;

    b)Tripulantes Operacionais de Voo

    1) mantero a escuta da rede de rdio nas frequncias das Unidades que possurem os maiores ndices de criminalidade, conforme dados disponibilizados pela Seo de Operaes;

    2) embarcaro equipamentos especficos eventualmente necessrios ao cumprimento da misso, cientificando o Comandante da Aeronave.

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    c) Comum ao Tripulante Operacional de Voo / Radioperador / Comandante de Operaes Areas

    Havendo ocorrncia que necessite de apoio areo, selecionar frequncia de rdio da UEOP onde esteja ocorrendo o fato. Colher informaes sobre o local, natureza/tipificao da ocorrncia, caractersticas das pessoas e/ou veculos envolvidos, direo de fuga, armamento utilizado, tipo de apoio, etc.

    d) Comandante de Operaes Areas

    1) realizar notificao de voo prpria para a ocorrncia, constando aeronave, setor de sobrevoo, afastamento, autonomia, tempo estimado de voo, Comandante de Aeronave e nmero de Pessoas a Bordo (POB);

    2) aps a partida, ajustar o transponder11 para o modo stand by, conferindo se o cdigo padro da aeronave est selecionado, aps a decolagem, ajustar o transponder na posio ALT, reportando ao Comandante de Aeronave.

    e) Comandante da Aeronave

    Acionar o(s) motor(es) observando a sequncia constante do check-list de partida.

    3.1.4 Conduo e emprego de armamentos portteis a bordo dos helicpteros

    So os procedimentos necessrios adequada conduo e emprego dos armamentos utilizados a bordo dos helicpteros da PMMG. Os principais condutores de armamentos portteis a bordo so os Tripulantes Operacionais de Voo, os quais devem observar o seguinte:

    a) Antes da ocorrncia

    1) aps o toque da campainha, dirigem-se para a aeronave e retiram os armamentos do bagageiro traseiro, ancorando-os no piso traseiro da aeronave, atravs de mosquetes e fitas tubulares, conforme Figura 17;

    11 Dispositivo eletrnico que responde aos sinais interrogadores emitidos pelos radares dos rgos de controle de trfego areo, enviando sinais com informaes codificadas de identificao, localizao e altitude da aeronave.

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    Figura 17 Ponto de ancoragem do armamento porttil na aeronave.

    2) ancoram na aeronave utilizando-se do rabo de macaco ou fita tubular com mosqueto. No caso de uso do rabo de macaco, atentar para o detalhe do travamento da fita do rabo de macaco e colocar o cinto de segurana da aeronave;

    3) aps o embarque e a ancoragem, os fuzis devem ser alimentados12, tomando-se o cuidado para no apontar o fuzil para os demais componentes da guarnio area. Os carregadores devero estar acoplados ao fuzil com um cordel de segurana;

    4) acoplar no armamento o coletor de estojos, conforme Figura 18;

    12 Alimentar: Ao de introduzir o carregador municiado na arma.

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    Figura 18 Coletor de estojos.

    5) prximo ao local da ocorrncia, antes da abertura das portas, autorizada pelo Comandante da Aeronave, certifica-se do correto travamento dos carregadores na arma e suas respectivas ancoragens. Os carregadores sobressalentes devem estar acondicionados nas bolsas prprias existentes na aeronave;

    6) aps a abertura das portas, apontar os armamentos para fora, de forma ostensiva, em ngulo aproximado de 45 com o piso da aeronave, conforme Figura 19;

    7) quando for necessrio carregar13 a arma, informar ao Comandante da Aeronave;

    8) sempre que previsvel ou possvel, comunicar ao Comandante da Aeronave sobre a probabilidade de disparos realizados por suspeitos no solo e consequente necessidade de disparos em defesa da tripulao ou de terceiros;

    9) durante o manuseio da arma, especialmente em voo, sempre manter o dedo fora do gatilho e a arma travada na posio de segurana, exceto no momento do disparo.

    13 Carregar: Ato de colocar munio na cmara da arma.

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    NOTA: Cabe ressaltar que a nica fi nalidade de se empregar aeronaves como plataforma de tiro areo a de prover a segurana da tripulao embarcada ou de terceiros, da a expresso por vezes adotada nos treinamentos - tiro defensivo. No se devem utilizar helicpteros com atiradores embarcados com a nica e exclusiva fi nalidade de realizar disparos dissuasrios, sem alvos selecionados ou de alvejar alvos pr-determinados.

    Figura 19 Tripulante Operacional de Voo posicionado para o tiro defensivo embarcado.

    a) Aps a ocorrncia

    1) finalizando a ocorrncia e/ou patrulhamento, no deslocamento de retorno base, dever travar o armamento, colocando-o na posio de segurana. Manter o fuzil sobre as pernas, com o cano na horizontal e apontado para fora da aeronave;

    2) aps o pouso, estando o armamento carregado, conduzi-lo travado na posio de segurana, com o cano voltado para o solo e o dedo fora do gatilho, at a caixa de areia. Executar os procedimentos necessrios para o descarregamento da(s) arma(s) com segurana;

    3.1.5 Emprego de aeronaves no perodo noturno

    O emprego de aeronaves no voo noturno est previsto na Instruo do Comando da Aeronutica ICA 100-12, que estabelece as condies para sua execuo. Pelas caractersticas tcnicas, o avio da PMMG possui instrumentos

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    de voo que fornecem condies plenas para a realizao de voos noturnos em rota, podendo trasladar de um aerdromo a outro (desde que estes possuam (balizamento noturno, farol e indicador de vento iluminado).

    Os helicpteros seguem a mesma norma aeronutica, porm os que so operados pelo Btl RpAer no possuem instrumentos para a realizao dos voos noturnos em rota. Assim, a autonomia funcional para a realizao de voos de helicptero noite, est condicionada aos ambientes que permitam as referncias visuais com o solo.

    Preferencialmente, este voo deve ser realizado em regies onde exista iluminao artificial (vertical das cidades), evitando-se zonas escuras onde se pode perder o contato visual com o solo. Outra condio restritiva relaciona-se meteorologia. Em noites chuvosas e/ou com camada baixa de nuvens, o risco potencializado.

    O voo visual noturno possui uma srie de peculiaridades. Muitas operaes so prejudicadas pela falta de luminosidade e acabam no sendo possveis de se cumprir neste perodo. As operaes de defesa civil (atendimento pr-hospitalar, salvamento em meio aqutico), as extraes verticais e outras que exijam tcnicas especiais, so desaconselhveis de se cumprir pelas condies encontradas noite.

    A impossibilidade de atendimento justificada pelo fato das cidades possurem, alm de obstculos naturais, uma srie de estruturas fsicas que ocupam o espao areo (antenas, fios da alta tenso, edifcios, etc.), muitas delas no sinalizadas adequadamente. Visualizar esses obstculos noite uma tarefa complicada e exige ateno redobrada de toda a tripulao.

    Contudo, o voo noturno tem se apresentando como uma excelente ferramenta na segurana dos policiais militares em solo. A capacidade de ver atrs do muro, de identificar movimentos sobre lajes e de estabelecer controle sobre frao de terreno abaixo de sua posio, informando de imediato aos envolvidos na operao antes que se exponham a riscos, torna esta modalidade de voo justificvel.

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    Por essa razo, mantm-se uma aeronave disponvel para emprego nas 24 horas do dia, todos os dias da semana (24x7), na Regio Metropolitana de Belo Horizonte. Nas bases desconcentradas, ocorre o voo noturno em alguns dias especficos, conforme a demanda da cidade sede.

    Aps pesquisa realizada em 2009, verificou-se que o voo noturno imprescindvel para a PMMG, devendo-se, por isso, cada vez mais, investir em tecnologias para que as restries deste voo sejam minimizadas.

    3.1.6 Montagem de Zona de Pouso de Helicptero (ZPH)

    Vrias operaes do Btl RpAer, no interior do Estado, necessitam de uma rea prpria para que os pousos e decolagens sejam feitos de forma segura. As ZPH so reas de dimenses definidas que podero ser usadas em carter temporrio para pousos e decolagens de helicpteros, mediante autorizao prvia, especfica e por prazo limitado, a critrio do Comando Areo Regional (COMAR) respectivo. Dever obedecer s normas de segurana exigidas para os helipontos em geral.

    ATENO: todo pouso em rea de pouso ocasional deve ser feito aps a devida avaliao do risco, empregando-se agentes mitigadores e verifi cando-se aspectos relevantes que iro interferir diretamente na escolha do local determinados.

    Os principais responsveis pela montagem destas reas so os Tcnicos de Apoio de Solo, os quais devem observar os seguintes procedimentos:

    1) antes de sair da base, verificar se todo o material necessrio para montagem da ZPH ser conduzido pela equipe que far sua montagem;

    2) identificar um local, preferencialmente plano, para a montagem da ZPH, com dimenses aproximadas de 20m x 20m;

    3) atentar para a necessidade de uma rampa de aproximao/decolagem livre de obstculos.

    4) cuidar para que o local selecionado para montagem da ZPH no cause impactos durante pouso/decolagem do helicptero, tais como barulho

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    excessivo, leses a pessoas, poeira ou danos a objetos e edificaes, em virtude do fluxo de ar dos rotores do helicptero;

    5) delimitar a ZPH com um quadrado (20m x 20m), no interior do qual dever conter um T ou Y, indicando a direo do vento predominante no local. Quando a ZPH for utilizada no perodo noturno, o referido quadrado dever estar iluminado;

    6) instalar uma biruta ou outro material que possa indicar ao piloto a direo do vento no local de pouso. No caso de utilizao da ZPH no perodo noturno, o indicador dever estar iluminado;

    7) possveis obstculos nas proximidades da ZPH devem ser anunciados ao piloto e/ou tripulao da aeronave;

    8) utilizar o aparelho de rdio porttil aeronutico para possveis comunicaes ar/solo;

    9) manter animais e pessoas afastados da ZPH, com ateno especial ao rotor de cauda;

    10) durante o pouso e decolagem fazer a sinalizao para orientao do piloto. Para tanto, dever estar utilizando o equipamento de proteo individual, que consiste em colete refletivo, culos de proteo anti-partculas, abafador e placas sinalizadoras ou lanternas;

    11) encerrada a operao, recolher e acondicionar todo o material utilizado.

    3.1.7 Aproximao e Pouso de helicptero

    Trata-se de procedimentos de pilotagem que visam aproximao de reas de pouso bem como realiz-lo com segurana. Os principais responsveis por esses procedimentos so o Comandante de Aeronave e o Comandante de Operaes Areas, na seguinte forma:

    a) Comandante da Aeronave

    1) ao trmino do cumprimento da misso, programada ou no, o voo de retorno dever ser executado a uma altura no inferior a 500ft sobre o terreno, obedecendo o circuito de trfego estabelecido;

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    2) estabelecer a fonia com o rgo de controle com antecedncia suficiente para sua transferncia torre de comando. Na comunicao, enfatizar o setor de onde procede, a inteno de pouso e a forma como se pretende aproximar para o local de estacionamento;

    3) ajustar o ingresso ao circuito de trfego padro da ATZ e/ou obedecer a determinao da torre de controle. Reduzir a velocidade da aeronave observando os parmetros do diagrama velocidade x altura, evitando entrar na curva do homem morto14. Determinar aos Tripulantes Operacionais de Voo que fechem as portas, caso estejam abertas;

    4) quando possvel, realizar a aproximao da aeronave pelo eixo da pista em uso, observando as recomendaes do manual de voo da aeronave, sobretudo os aspectos do grfico altura x velocidade;

    5) nos horrios de grande movimentao de aeronaves no aeroporto ou quando requerido pelo rgo de controle, a aproximao para pouso poder ocorrer pela lateral da pista em uso, observando-se os demais parmetros de voo j estabelecidos;

    6) a aproximao direta para o local de pouso dever ocorrer em carter excepcional, aps o gerenciamento dos riscos por parte da tripulao;

    7) autorizar, expressamente, o desembarque da tripulao/passageiros;

    8) reportar ao mecnico possveis discrepncias na aeronave e, conforme a convenincia, realizar o debriefing com os componentes da Gu RAer.

    NOTA: Durante a aproximao e pouso dever comunicar apenas o essencial, fi cando vedado qualquer tipo de conversa que disperse a ateno da tripulao para o procedimento que est sendo executado.

    b) Comandante de Operaes Areas

    Far contato com a base por meio da frequncia ttica para acionamento antecipado da equipe de solo.

    14 Curva do homem morto: o diagrama da altura x velocidade, com a fi nalidade de mostrar combinaes de altura e a velocidade a frente do helicptero, a partir das quais possvel se efetuar um pouso seguro aps uma pane repentina de motor.

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    c) Tripulante Operacional de Voo

    Manter acompanhamento constante da rede de rdio, mesmo durante os procedimentos de pouso.

    d) Mecnico e Tcnico de Apoio de Solo

    1) o balizador (mecnico) dever sinalizar para a aeronave, em frente ao local de pouso, enquanto o Tcnico de Apoio de Solo atenta para qualquer eventualidade, estando de posse do extintor de incndio;

    2) a aeronave dever ser balizada para pousar no spot15 correspondente ao tipo de misso que estiver desempenhando;

    3) em situaes normais, devero se aproximar da aeronave somente aps a parada total dos rotores, a fim de evitar acidentes com linhas de pipas ou outros objetos enrolados no conjunto dinmico da aeronave.

    3.1.8 Pouso em area restrita com helicptero

    Por sua versatilidade, os helicpteros so capazes de pousar em reas restritas permitindo um apoio imediato s fraes em solo. Esses procedimentos devem ser feitos com cautela, exigindo elevada proficincia do Comandante da Aeronave e total coordenao da equipe a bordo. Para que esses pousos sejam feitos com segurana, deve-se observar o seguinte:

    a) Comandante da Aeronave

    1) verificar as condies meteorolgicas no local de pouso, principalmente no que tange visibilidade, direo e intensidade do vento;

    2) assegurar-se- de que a comunicao interna esteja em perfeitas condies, possibilitando que todos os tripulantes se comuniquem entre si;

    3) sobrevoar a rea de pouso numa altura mnima de 500 ft acima do solo, ou conforme os obstculos existentes, com giro pela direita, observando as imediaes da rea de pouso e mapeando os obstculos;

    15 SPOT: rea demarcada no aerdromo destinada ao pouso de aeronaves.

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    4) definir a melhor rampa de pouso considerando uma aproximao de grande ngulo, pairando a aeronave numa altura que possibilite livrar os obstculos mais prximos e que permita uma descida na vertical;

    5) informar aos tripulantes sobre o local escolhido e o circuito definido, ouvindo sugestes e informaes dos tripulantes;

    6) antes de efetuar a aproximao final, verificar se h potncia suficiente para a manuteno de voo pairado fora do efeito solo, atravs do clculo de peso e balanceamento da aeronave;

    7) antes de autorizar a abertura das portas traseiras, verificar se os Tripulantes Operacionais de Voo esto devidamente ancorados;

    8) informar aeronave na final para pouso. Aps essa informao, comunicar apenas o essencial, ficando vedado qualquer tipo de conversa que disperse a ateno do procedimento em execuo (sterile cockpit) 16;

    9) ficar responsvel pelos parmetros da aeronave, na parte dianteira bem como por ouvir atentamente todas as informaes da tripulao;

    10) como regra geral, cortar o motor sempre que houver desembarque ou embarque de passageiros. Se a situao exigir, poder embarcar pessoas com os rotores girando, observando sempre os aspectos de segurana.

    b) Tripulante Operacional de Voo

    1) far uso correto dos cintos de segurana;

    2) consultar o Comandante de Aeronave sobre a abertura das portas traseiras, visando a uma melhor observao do local de pouso e dos obstculos;

    3) se nas proximidades do local de pouso houver trnsito de pessoas, veculos, animais, etc., realizar contato via rdio com pessoal de solo (PM, Tcnicos de Apoio de Solo, outros), se houver, solicitando o isolamento imediato do local;

    16 Cabine Estril regra de segurana operacional que limita o uso das comunicaes da tripulao apenas ao essencial ao voo, para evitar perda de ateno nos momentos mais crticos, normalmente nos pousos e decolagens.

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    4) orientar o pouso do piloto, indicando as manobras necessrias para manter-se afastado dos obstculos;

    5) comunicar ao Comandante da Aeronave o toque completo ou no dos esquis no solo;

    6) Tripulante Operacional de Voo 1 ser o responsvel pelo setor de 1-6 horas da aeronave, o Tripulante Operacional de Voo 2 ser o responsvel pelo setor 6-11 horas da aeronave, e o Comandante de Aeronave e Comandante de Operaes Areas sero os responsveis pelo setor de 11-1 horas, como adiante se v na Figura 20.

    Figura 20 Setores de responsabilidades dos Tripulantes.

    a) Comandante de Operaes Areas

    1) caso no haja pessoas em solo, capazes de isolar o local, checar com o Comandante de Aeronave a possibilidade de mapear outro local de pouso mais seguro;

    2) orientar o pouso do piloto, indicando as manobras necessrias para manter-se afastado dos obstculos;

    3) ficar atento frente da aeronave e ao rotor principal, com especial ateno ao setor dianteiro da aeronave.

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    NOTA: durante os procedimentos para pouso, todos devero atentar para:

    1) obstculos que causem risco durante a aproximao e pouso da aeronave: aves, fi os, rvores, torres, antenas, telhados, obstculos de pequena altura como muros, arbustos, inclinao do terreno, etc.

    2) materiais que possam ser danifi cados ou arremessados pelo fl uxo de ar dos rotores, durante o pouso da aeronave, como telhas, tampas de caixas dgua, carrinhos de vendedores ambulantes, tapumes ou objetos soltos no solo.

    3) condies do terreno tais como resistncia do solo ou piso e sua inclinao. Considerar que pode ocorrer elevao de partculas que venham a prejudicar a visibilidade e percepo da distncia do solo do piloto, bem como causar desorientao espacial.

    4) falar o essencial, fi cando vedado qualquer tipo de conversa que disperse a ateno da tripulao para o procedimento que est sendo executado.

    3.1.9 Varredura em reas de matas e florestas

    Muitos infratores, ao serem acompanhados pelas fraes em solo, acabam por se homiziar em matas. Nestas ocorrncias torna-se fundamental que o apoio areo faa uma varredura neste tipo de local, pois a aeronave pode cobrir uma rea extensa em poucos minutos, conter os infratores naquele local at a chegada de outras equipes e evitar o desgaste dos militares em solo. Esses procedimentos visam, tambm, localizao de pessoas perdidas ou que tenham sofrido algum acidente. Os procedimentos a serem observados pelas equipes so:

    a) Comandante de Operaes Areas e Tripulante Operacional de Voo

    1) levantaro o mximo de informaes possveis sobre o fato: local de entrada das pessoas que se quer localizar, caractersticas das pessoas, nmero de desaparecidos ou fugitivos, sexo, roupas, cor de cabelo, possibilidade da existncia de armamento, possveis rotas de fuga, veculos utilizados, horrio do fato, existncia de cerco e apoio de ces rastreadores (ROCCA)17;

    17 ROCCA - Rondas Ostensivas com Ces.

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    2) durante o rastreamento, atentaro para possveis locais de homizio, como grutas, copas fechadas de rvores, edificaes em runas em meio vegetao, estradas ou trilhas, leitos de rio, etc. Cientificar os policiais em solo sobre esses locais e verificar a possibilidade e/ou necessidade de abordagem.

    b) Comandante da Aeronave

    1) chegando ao local dos fatos, antes de reduzir a altura do voo, sobrevoar em crculos para constatar a existncia de obstculos no local e nas proximidades da rea de varredura (redes de alta tenso, antenas de celular, rvores, etc.), estabelecendo, assim, um mapa mental de obstculos;

    2) realizar o sobrevoo utilizando a tcnica de rastreamento que for mais adequada ao local, deixando a melhor posio de visualizao do local dos fatos para o Comandante de Operaes Areas e Tripulante Operacional de Voo 2;

    3) realizar o vasculhamento em uma altura que permita uma visualizao ampla do local, porm com o nvel de segurana que a situao exigir;

    4) durante a atuao, ouvir atentamente as comunicaes dos tripulantes e somente permitir assuntos estritamente necessrios para a melhor conduo da ocorrncia.

    c) Comandante de Operaes Areas

    1) verificar a eficincia do cerco realizado pelo efetivo terrestre e, se necessrio, sugerir ao comandante das operaes em solo uma forma alternativa de atuao;

    2) ao identificar suspeitos ou pessoas perdidas, orientar, imediatamente, as fraes em solo para a realizao da abordagem.

    d) Tripulante Operacional de Voo

    1) utilizar o armamento porttil de forma ostensiva;

    2) operar o farol de busca e outros equipamentos como o imageador termal;

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    3) em caso de abordagens pelas equipes em solo, solicitar ao Comandante de Aeronave sobrevoo no local e realizar a segurana dos policiais at que os suspeitos estejam dominados;

    4) na impossibilidade de os policiais em solo chegarem ao local de homizio, quando autorizados pelo Comandante da Aeronave, desembarcar e efetuar a abordagem dos suspeitos.

    NOTA: nas ocorrncias em que se vislumbre a possibilidade de atuao da ROCCA, o Comandante de Aeronave dever evitar o voo baixa altura, objetivando a preservao do local de atuao, principalmente no que se concerne aos odores.

    3.1.10 Acompanhamento e cerco de veculos

    Trata-se do emprego do helicptero no acompanhamento e transmisso de orientaes teis ao cerco de veculos ou pessoas em fuga, potencializando a atuao da frao terrestre, bem como proporcionando segurana para as equipes envolvidas.

    Objetiva a conteno ou a reduo do tempo de abordagem do veculo/pessoa suspeita, com consequente reduo do risco. A comunicao e interao ar/solo so fundamentais para o xito da operao. Para melhor desenvolvimento dessas atividades, cada militar observar o seguinte:

    a) Comandante de Operaes Areas e Tripulante Operacional de Voo

    Levantaro o mximo de informaes sobre o local do fato, caractersticas dos suspeitos (nmero, sexo, roupas, cor de cabelo), possibilidade da existncia de armamento, rota de fuga, veculos e horrio do fato.

    b) Comandante de Operaes Areas

    Sintonizar o rdio da aeronave na frequncia da rea patrulhada e verificar qual viatura ou policial militar est no acompanhamento visual do veculo/pessoa procurada.

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    c) Tripulante Operacional de Voo

    Utilizar o armamento porttil de forma ostensiva, ancorando-o com fitas tubulares ou dispositivos semelhantes, para evitar quedas. Usar cinto de segurana e dispositivo backup (rabo de macaco, fita tubular, outros equipamentos autorizados). O armamento dever estar em condies de pronto emprego, devidamente travado e com dedo fora do gatilho. Se em perodo noturno, manter o farol de busca aceso.

    d) Comandante da Aeronave

    Manter altura mnima de segurana em relao s edificaes, no oferecendo riscos a pessoas ou propriedades na superfcie. Manter velocidade de segurana compatvel com o acompanhamento. Aps localizar o veculo ou pessoa, dever mant-los sob o seu campo de viso e do Tripulante Operacional de Voo 1 (direita) durante a fuga. Estando com o imageador termal disponvel, evitar voar abaixo de 500ft.

    e) Comandante de Operaes Areas

    Comunicar continuamente com as fraes de solo informando as posies dos suspeitos durante a fuga. Sempre que possvel, orientar sobre os pontos de interceptao. Durante o acompanhamento ser necessrio ateno do Comandante de Operaes Areas para o ambiente externo. Nesse caso, em coordenao com o Comandante de Aeronave, ficar encarregado dos parmetros e dos obstculos frente da aeronave.

    f) Tripulante Operacional de Voo

    Manter a ateno para frente da aeronave, em busca de obstculos, informando sobre sua existncia ao Comandante da Aeronave. Auxiliar, secundariamente, o Comandante de Operaes Areas na identificao da localizao das vias sobrevoadas, nomes dos bairros e outras informaes imprescindveis chegada imediata das viaturas.

    g) Comandante da Aeronave

    Aps conteno do suspeito, far curva para a direita, voar em crculos e reduzir a altura, reconhecendo obstculos do terreno. Aps trmino do

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    reconhecimento, deixar os suspeitos esquerda da aeronave, no campo de viso do Comandante de Operaes Areas e Tripulante Operacional de Voo 2.

    h) Comandante de Operaes Areas e Tripulante Operacional de Voo 2

    Durante a curva para direita, voltaro s atenes aos obstculos esquerda da aeronave.

    NOTA: durante o reconhecimento, todos a bordo devero observar locais para um possvel pouso em caso de emergncia.

    i) Comandante de Operaes Areas

    Coordenar, com as equipes de solo, a conduta para a localizao dos suspeitos e a melhor forma de capturar os fugitivos.

    j) Comandante de Operaes Areas e Tripulante Operacional de Voo

    Aps a priso dos suspeitos ou avaliao da falta de necessidade da aeronave na operao, avisar ao comandante de solo sobre a retirada da aeronave.

    3.1.11 Policiamento Preventivo de trnsito urbano e rodovirio

    Algumas situaes exigem que a Esquadrilha Pgasus apoie o policiamento ostensivo geral, monitorando o trnsito urbano e rodovirio, como em deflagrao de greves, policiamento em grandes eventos, incio e trmin