Rochester osmagos

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Text of Rochester osmagos

  • "Os Magos"

    J. W. Rochester mdium

    Wera Krijanowskaia

    Copyright - 1997 - 2S Edio 3.000 Exemplares

    Livraria Espirita Boa Nova Ltda. Rua Aurora, 706

    So Paulo - SP - 01209-000 - Fone: 223-5788 Lmen Editorial Ltda. Rua Conselheiro Ramalho, 946 So Paulo - SP - 01325-000 - Fone: 283-2418

    Editorao Eletrnica - Ricardo Baddouh Traduo - Dimitry Suhogusoff

    Reviso - Maria Carolina C. Silveira Capa Brasilio, Figueiredo e Pedro

    Fotolito da Capa - Binhos Fotolito Ltda. Fotolitos - Fototrao Ltda.

    Impresso - Grfica Palas Athena

    Esta obra uma co-edio da Livraria Espirita Boa Nova Ltda

    e da Lmen Editorial Ltda.

  • SOBRE O AUTOR

    John Wilmot Rochester nasceu em 1o ou 10 de abril de 1647 (no h registro da data precisa).

    Filho de Henry Wilmot e Anne (viva de Sir Francis Henry Lee), Rochester parecia-se com seu pai, no fsico e no temperamento, dominador e orgulhoso. Henry Wilmot havia recebido o ttulo de Conde devido ao seu empenho em levantar dinheiro na Alemanha para ajudar o rei Carlos I a recuperar o trono, depois de ter sido obrigado a deixar a Inglaterra.

    Quando seu pai morreu, Rochester tinha 11 anos e herdou o ttulo de Conde, pouca herana e honrarias.

    O jovem J. W. Rochester cresceu em Ditchley entre a bebida, as intrigas do teatro, as amizades artificiais com os poetas profissionais, a luxria, os bordis de Whetstone Park e a amizade do rei a quem ele desprezava.

    Sua cultura, para poca, foi ampla: dominava o latim e o grego, conhecia os clssicos, o francs e o italiano.

    Em 1661, com 14 anos, saiu do Wadham College, em Oxford, com o ttulo de "Master of Arts". Partiu, ento, para o Continente (Frana e Itlia) e tornou-se uma figura interessante: alto, esguio, atraente, inteligente, charmoso, brilhante, sutil, educado e modesto, caractersticos ideais para conquistar a frvola sociedade de seu tempo.

    Quando ainda no contava com 20 anos, em janeiro de 1667, casa-se com Elizabeth Mallet. Dez meses aps, a bebida comea a afetar seu carter. Teve quatro filhos com Elizabeth e uma filha, em 1677, com a atriz Elizabeth Barry.

    Vivendo as mais diferentes experincias, desde combates marinha holandesa em alto mar at envolvimento em crime de morte, a vida de Rochester seguiu por caminhos de desatinos, abusos sexuais, alcolicos e charlatanismo, um perodo em que atuou como "mdico".

    Quando contava com 30 anos, Rochester escreve a um antigo com-panheiro de aventuras relatando estar quase cego, coxo e com poucas chances de rever Londres.

    Em uma rpida e curta recuperao, Rochester retorna a Londres. Pouco tempo depois, agonizante, realiza sua ltima aventura: chama o sacerdote Gilbert Burnet

    e dita-lhe suas memrias. Em suas reflexes finais, Rochester reconhecia ter vivido uma existncia inqua, cujo fim lhe chegava lenta e penosamente em razo das doenas venreas que lhe dominavam.

    Conde de Rochester morreu em 26 de julho de 1680. Depois de 300 anos, atravs da mdium Wera Krijanowskaia, Rochester manifesta-se para ditar sua produo histrico-literria, testemunhando que a vida se desdobra ao infinito nas suas marcas indelveis da memria espiritual, rumo luz e ao caminho de Deus.

  • Captulo I

    Existem lugares que transmitem a impresso de que a natureza os criou num momento de

    tristeza. Eles emanam algo melanclico e esta sensao vaga, mas indescritivelmente tirnica, transmite-

    se a todos aqueles que esto prximos.

    Um lugar semelhante encontra-se no norte da Esccia. As margens ali so de altas escarpas,

    entrecortadas por pro fundos fiordes. Feito um cinturo zangado e ameaador, cercam aquele local hostil

    para os marinheiros as ondas ruidosas que fervilham entre os recifes e as escarpas pontiagudas.

    No cume de uma das montanhas mais altas, ergue-se um antigo castelo, cujo aspecto lgubre e

    austero se harmoniza com a montona e desrtica paisagem em volta.

    A julgar pela pesada e compacta arquitetura, pela espessura das paredes enegrecidas, pelas

    estreitas e fundas janelas em forma de seteiras, ele bem que poderia ser atribudo ao sculo XIII; mas,

    devido a seu aspecto extremamente conservado, comeava-se a duvidar se aquilo no seria um capricho

    de algum ricao, manaco por obras da Idade Mdia.

    De fato, nas duas espessas torres redondas, nenhuma ameia faltava. Os muros da fortificao

    estavam totalmente intactos, enquanto que o largo fosso, do lado do planalto que cercava o antigo

    castelo, estava cheio de gua, protegido por pequenas torres e uma ponte levadia com grade de

    proteo. Mas essa sensao de modernidade s se sentia enquanto o castelo era visto de longe; ao se

    aproximar, o viajante convencia-se de que por debaixo de rochas macias, aqui e ali, irrompiam o

    lquen e o musgo, e de que somente os muitos sculos poderiam dar uma colorao negro-cinzenta

    quela antiga fortaleza rude e retirada, que parecia grudar-se montanha como um ninho de guia

    esculpido.

  • Do lado do continente, os arredores tambm apresentavam um aspecto tristonho e pouco

    agradvel. Aos ps do castelo estendia-se um vale, coberto de urze e recortado por profundos

    barrancos, e, s ao longe, numa elevao, divisavam-se o campanrio pontiagudo de uma igreja e as

    casinhas de uma aldeia, mergulhadas na vegetao. Do mesmo lado, de dentro das paredes do castelo,

    podia-se enxergar o verde dos seculares carvalhos e olmos.

    Mas, se o aspecto externo do castelo parecia transportar o viajante para alguns sculos antes, a

    ampla e magnfica estrada, que recortava o altiplano, acabava por demolir a iluso e fazia voltar

    realidade da cultura do sculo XIX.

    Num dia encoberto de agosto, por essa estrada bem mantida e arborizada vinham duas

    carruagens. Na primeira, de tamanho menor e aberta, estavam sentados um jovem e uma jovem que

    trajava um vestido azul-escuro e um chapu da mesma cor. Essa tonalidade escura acentuava ainda

    mais a brancura ofuscante de sua tez e a excepcional cor plida de seus cabelos loiros, que poderiam

    ser tomados por brancos, no fosse um leve matiz dourado que lhe conferia um toque especial. A

    segunda carruagem era uma espcie de um grande e amplo furgo, provido na dianteira de um assento

    baixo, no qual estavam acomodados um homem de meia-idade e uma camareira idosa, de pouca

    conversa.

    Os nossos leitores provavelmente reconheceram nos dois primeiros viajantes Ralf Morgan ou,

    por outra, o prncipe Supramati e a sua esposa Nara, que iam ao seu castelo.

    Eles levavam consigo uma arrumadeira idosa, cegamente fiel a Nara - Tourtoze, de cuja

    dedicao, discrio e humildade todos podiam ficar certos. Os jovens estavam calados,

    contemplando ora aquela paisagem tristonha, que se abria diante de seus olhos, ora a silhueta escura

    do castelo, que se desenhava em massa negra no fundo cinzento do firmamento. O tempo piorou. Do

    oceano assobiavam rajadas de vento; o horizonte cobriu-se de nuvens negras e o rugir da tempestade

    tornava-se cada vez mais audvel.

    Pelo jeito o velho castelo quer nos recepcionar com um furaco no muito amigvel -

    observou sorrindo Supramati.

    Oh! J estaremos em casa quando a tempestade desabar. Desta altitude, a viso do mar

    bravio terrifcante, ainda que um espetculo grandioso - observou Nara.

    Narayana, pelo visto, apreciava este local. Em sua pasta eu encontrei uma foto do

    castelo prosseguiu Supramati. - Entretanto, para o incorrigvel pndego, que s se sentia bem em

    meio da algazarra e agitao da sociedade, este local desrtico e retirado, respirando tristeza, no pos-

    sui nenhum atrativo.

    Voc se esquece de que Narayana era um imortal! Era justamente uma vida desregrada que

    o deixava abatido espiritualmente e, nessas horas, nada se harmonizava melhor com as suas

    tempestades morais do que o caos dos elementos desenfreados. Ele realmente apreciava este abrigo

  • em momentos difceis. Os adereos internos do castelo e a sua conservao so uma obra de

    Narayana. Foi por isso que eu lhe sugeri vir para c e estudar a magia inferior. Nenhum local

    melhor adaptado do que este, pois ele era um mestre em assuntos de decorao e instalaes, quer se

    trate de um buqu de flores ou de um laboratrio - concluiu Nara

    Entrementes, a carruagem, atrelada a cavalos de puro sangue, percorreu rapidamente a distncia

    que os separava do castelo, atravessou a ponte levadia, passou por baixo dos portes abobadados e

    parou junto entrada, coberta por lajes de pedra.

    Na ampla e escura ante-sala, que, pelo visto, outrora servia de sala de armas, eles foram

    recepcionados por administradores: um velho calvo de barba prateada, uma governanta idosa e

    alguns criados de rostos enrugados e carrancudos.

    Somos recebidos por um verdadeiro acervo de antigidades. Estou comeando a achar

    que Narayana reuniu aqui essas pessoas por coquetice - observou Supramati, subindo a escada e a

    muito custo contendo a vontade de dar uma gargalhada.

    Narayana no gostava de pessoas indiscretas. Ao encontrar pessoas leais, que viam e

    ouviam somente o que podiam ver e ouvir, para esquecer tudo em seguida, ele tentava prolongar ao

    mximo a vida delas. A maioria dos criados j alcanou uma centena de anos - assegurou Nara com

    um leve sorriso nos lbios.

    No obstante a idade avanada, os criados do castelo deixaram tudo maravilhosamente

    preparado para a recepo do senhorio. Em todas as imensas lareiras, decoradas por braso, ardiam

    chamas vivas, pois sob as grossas abbadas do castelo o ar era mido e frio. Na sala de jantar, a

    mesa estava posta com todo