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    13-Jul-2018

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  • CAPTU

    LO9HISTOLOGIA DA CAVIDADE ORALRicardo Bentes AzevedoJorge FaberSoraya LealCarolina Lucci

    A cavidade bucal a porta natural de entrada de alimentos para o organismo e a abertura do sistema digestivo. constituda por uma cavidade virtual, o Vest-bulo (a regio que circunscreve a gengiva e as arcadas dentrias), e uma cavidade real, a Cavidade Oral propriamente dita (a regio posterior gengiva e s arcadas dentrias). Est associada a funes bsicas e essenciais para o bem-estar da pes-soa como mastigao, fonao e deglutio.

  • 216 Sistema digestrio: integrao bsico-clnica

    Por uma questo meramente didtica, todas as vezes que citarmos Cavidade Bucal estaremos nos referindo boca como um todo (vestbulo mais cavidade oral propriamente dita). Quando citarmos Cavidade Oral, estaremos nos referin-do a cavidade bucal propriamente dita.

    A cavidade bucal limitada anteriormente pelos lbios; posteriormente pelo istmo das fauces; lateralmente pelas bochechas; inferiormente pelo assoalho bucal e superiormente pelo palato duro e pelo palato mole.

    9.1 MUCOSA BUCAL

    Formada por duas camadas de tecido de origens embriolgicas distintas: o epitlio e a lmina prpria. O epitlio pode ser do tipo no-queratinizado, para--queratinizado ou queratinizado (Quadro 9.1), e classificado como estratificado pavimentoso. O tecido conjuntivo que forma a lmina prpria composto por fi-bras colgenas, fibroblastos, clulas de defesa, vasos sanguneos e nervos. Os dois tecidos interagem por meio das papilas conjuntivas da lmina prpria e as cristas epiteliais que se formam no epitlio sobrejacente.

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    Figura 9.1 - O esquema representa um corte coronal na face, na altura dos pr-molares. Em A a fotomicrografia mostra os tecidos pulpar (p), dentinrio (d), ligamento periodontal (PL) e sseo (b). B um detalhe de A, salientando por meio de setas o cemento, que o delgado tecido duro que recobre a raiz dentria e prov insero para o ligamento periodontal. Em C as setas indicam as papilas filiformes as mais numerosas da lngua- em formato de ondas. D reala com a seta uma papila fungiforme ladeada por papilas filiformes. E e F mostram a mucosa em variadas regies da boca. A camada de queratina pode ser visualizada em F (setas).

  • 218 Sistema digestrio: integrao bsico-clnica

    A mucosa da cavidade bucal dividida em:mastigatria,de revestimento eespecializada.A diviso da mucosa em trs grandes grupos est relacionada ao tipo de

    epitlio que reveste o tecido conjuntivo subjacente. Nas regies nas quais so maiores os impactos sofridos pela mastigao so maiores, a mucosa deve ser mais firme e resistente e, portanto, recoberta por um epitlio que pode variar entre o paraqueratinizado e o queratinizado. Nas reas nas quais a deman-da mastigatria no to grande, o epitlio de revestimento normalmen-te bastante fino e composto por clulas no queratinizadas. A regio lingual distingue-se das demais reas da cavidade bucal por apresentar uma grande quantidade de botes gustativos. Por esta razo, a regio do dorso da lngua classificada como mucosa especializada. Mucosa mastigatria: estende-se sobre a regio do palato duro e gengiva

    que circunda os dentes inferiores e superiores. O epitlio que reveste o pa-lato duro do tipo queratinizado e est sobreposto a uma lmina prpria rica em tecido conjuntivo fibroso. Com exceo da regio da rafe palati-na, na qual a lmina prpria est diretamente inserida sobre o peristeo, existe uma extensa camada de submucosa entre o osso e a lmina prpria. A composio desta submucosa varia de acordo com a regio: na poro anterolateral h o predomnio de tecido adiposo, enquanto na regio pos-terolateral h uma grande concentrao de glndulas salivares menores. J a poro da mucosa mastigatria representada pela gengiva apresenta os trs tipos de epitlio: no-queratinizado, localizado na regio do sulco gengival e col interdental; paraqueratinizado e queratinizado revestindo a gengiva marginal e inserida.

    Mucosa de revestimento: composta pela mucosa que reveste internamente os lbios e a bochecha, o ventre da lngua, o assoalho da cavidade bucal, o palato mole e parte da poro lingual do processo alveolar mandibular. Tem como caracterstica apresentar uma fina camada de tecido epitelial recobrin-do uma lmina prpria bastante vascularizada e menos fibrosa quando com-parada lmina prpria da mucosa mastigatria. Recobre essencialmente tecido muscular e, em funo dessa caracterstica, apresenta certa flexibili-dade. Na regio do palato mole, a submucosa rica em glndulas salivares menores alm de botes gustativos.

    Mucosa especializada: localizada sobre o dorso da lngua. Protege a muscu-latura lingual e, nos 2/3 anteriores da lngua, as papilas filiformes e fungi-formes, que so recobertas por epitlio queratinizado e no queratinizado,

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    respectivamente. Na poro lateral e no 1/3 posterior da lngua reveste as papilas folheadas e valadas. As papilas valadas, em torno de 8 a 12, situam--se no v lingual e tm papel importante para a percepo do sabor. Ao longo das paredes de cada uma destas papilas, que podem variar em nmero, encontra-se uma grande quantidade de botes gustativos.

    9.2 LBIOS

    Localizados anteriormente ao vestbulo, so duas pregas musculares (msculo orbicular da boca), formadas de msculo estriado esqueltico, e re-vestidas em suas trs faces. Externamente, revestido por pele. Nesta regio, o epitlio de revestimento pavimentoso estratificado queratinizado. No teci-do conjuntivo abaixo, encontramos pelos, glndulas sudorparas e glndulas sebceas. A poro intermediria, conhecida como zona vermelha do lbio, apresenta um epitlio estratificado pavimentoso levemente queratinizado, e cujo tecido conjuntivo adjacente ricamente capilarizado. Finalmente, a face interna recoberta pela mucosa bucal. Nesse caso, o epitlio estratifica-do pavimentoso no queratinizado, com lmina prpria de tecido conjuntivo frouxo. No tecido conjuntivo, encontramos inmeras glndulas mucosas, as glndulas labiais.

    9.3 BOCHECHAS

    Em vez de trs faces, apresentam apenas duas: mas, da mesma forma que os lbios, apresentam um msculo central, o msculo bucinador, formado de fibras musculares estriadas esquelticas. Externamente so resvestidas por pele e inter-namente por uma mucosa de epitlio estratificado pavimentoso no queratiniza-do e tecido conjuntivo frouxo rico em fibras elsticas que se prendem ao msculo da bochecha, evitando o pregueamento da mucosa durante o processo mastigat-rio, especialmente quando a boca est fechada.

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    9.4 PALATOS

    9.4.1 PALATO DURO

    A mucosa do palato duro formada por epitlio estratificado pavimento-soqueratinizado e tecido conjuntivo denso no modelado rico em glndulas mu-cosas, que continua com o peristeo do tecido sseo (processos palatinos das maxilas e lminas horizontais dos ossos palatinos) onde a mucosa est apoiada. Esta constituio permite que o alimento seja pressionado contra o palato duro durante a deglutio.

    9.4.2 PALATO MOLE

    Contnua ao palato duro, mas, em vez de osso, sua mucosa est apoiada em camadas de tecido muscular estriado esqueltico e tecido conjuntivo fibroso, que impedem a passagem do ar no momento da deglutio. formada por mucosa do tipo revestimento.

    9.5 LNGUA

    Situada na cavidade bucal propriamente dita (e parte na orofaringe), um rgo muscular, formado de fibras estriadas esquelticas, que tem importante fun-o na conduo do alimento para os dentes durante a mastigao, bem como para a faringe durante a deglutio. Alm disso, a lngua desempenha importantes tarefas-gustao, fonao e deglutio. Entre os feixes dos msculos intrnsecos da lngua (aqueles tm origem e insero no rgo), encontramos tecido conjun-tivo com vasos sanguneos e linfticos, gnglios nervosos, nervos, tecido adiposo e tecido linfide. Os msculos intrnsecos esto dispostos em trs planos (longitu-dinal, transversal e vertical) que se cruzam em ngulo reto. Alm destes msculos, existem tambm msculos estriados esquelticos que se estendem da lngua para a mandbula, processo estiloide do crnio e palato mole, chamados de msculos extrnsecos, e que so responsveis por mudar a posio do rgo.

    Toda essa massa tecidual recoberta por uma mucosa, cujas caractersticas variam de acordo com a regio considerada. A poro da lngua voltada para o palato denominada dorso lingual e a poro voltada para o assoalho bucal denominada ventre lingual.

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    9.5.1 DORSO LINGUAL

    ordinariamente dividido em duas pores corpo e base da lngua sepa-radas pelo v lingual, localizado na sua parte mais posterior.

    O corpo da lngua constitui os dois teros anteriores do dorso da lngua e apresenta uma grande quantidade de pequenas projees da mucosa chamadas papilas linguais. Dependendo de suas caractersticas morfolgicas, so chamadas de: papilas filiformes, papilas fungiformes ou papilas circunvaladas.

    Papilas filiformes. Alongadas e cnicas, apresentam um eixo de tecido con-juntivo denso recoberto por epitlio estratificado pavimentoso queratinizado, tm de 2 a 3 mm de comprimento e recobrem praticamente todo o dorso do corpo da lngua. No apresenta botes corpsculos gustativos (descritos abaixo).

    Papilas fungiformes. Distribudas isoladamente entre as papilas filiformes, so mais numerosas nos lados, bem como prximo ao pice da lngua. Como o prprio nome se refere, tm forma de cogumelo e apresentam uma regio central de tecido conjuntivo denso, rico em capilares sanguneos, e so recobertas por epitlio estratificado no queratinizado. Apresentam poucas papilas gustativas.

    Papilas circunvaladas. Com cerca de 2 mm de dimetro, so as maiores pa-pilas. Elas esto afundadas na mucosa, mas sobressaindo-se ligeiramente sobre a superfcie da lngua. Essas papilas so circundadas por uma fenda, caracterstica que lhes d o nome. O interior de tecido conjuntivo revestido por epitlio pa-vimentoso estratificado no queratinizado. Nas superfcies laterais, encontramos numerosos corpsculos gustativos. Glndulas serosas (de Von Ebner), cujas por-es secretoras esto localizadas entre o tecido muscular subjacente, desembo-cam no fundo das fendas. A secreo dessas glndulas limpam continuamente a superfcie dos botes gustativos, deixando-os sempre prontos para um novo estmulo. As papilas circunvaladas desenham o V lingual, e so em nmero que varia de oito a 12.

    Botes ou corpsculos gustativos. Apresentam-se pouco corados no interior do epitlio. So ovais, em forma de barril, e com o eixo maior em torno de 72 m, indo da lmina basal at prximo a superfcie. O epitlio sobre cada corpsculo gustativo apresenta uma pequena abertura, o poro gustativo ou fosseta gustativa.

    Trs tipos celulares so encontrados nos corpsculos gustativos:1. clulas basais, encontradas principalmente prximas lmina basal, so

    consideradas clulas-tronco e do origem aos outros dois tipos celulares, cuja renovao acontece em aproximadamente dias;

    2. clulas neuroepiteliais, clula alongada, que se estende desde a lmina basal at o poro gustativo. Seu citoplasma se cora mal e apresenta em sua superf-cie apical microvilosidades que se projetam no poro gustativo. Terminaes

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    nervosas so encontradas prximas a essas clulas; e3. clulas de sustentao, localizadas entre as clulas neuroepiteliais, tambm se

    estendem desde a lmina basal at prximo superfcie e apresentam micro-vilosidades que se projetam no poro gustativo. Coram-se mais fortemente do que as clulas neuroepiteliais.Os botes gustativos recebem o estmulo sensorial responsvel pela percep-

    o do paladar. Existem quatro sensaes gustativas fundamentais: doce, amargo, cido (azedo) e salgado. Mais recentemente, o quinto sabor umami, o sabor do aminocido glutamato foi identificado. A maioria dos botes gustativos respon-de a todos estes estmulos em graus variados; no entanto, cada papila tem maior grau de sensibilidade para uma ou duas das sensaes gustativas. O crebro detec-ta o tipo de gosto pela razo de estimulao entre as variadas papilas gustativas. Isto , se uma papila que detecta principalmente cido estimulada com maior intensidade do que as papilas que respondem mais a outros gostos, o crebro interpreta a sensao como de azedo, embora outras papilas tenham sido estimu-ladas, em menor extenso, ao mesmo tempo. As papilas gustativas so tambm encontradas no palato mole, epiglote e faringe.

    A base da lngua constitui o tero posterior do dorso da lngua. Apresenta uma superfcie irregular em virtude das tonsilas linguais. Tonsilas so aglomera-dos de tecidos linfoides, localizados abaixo e em contato com o epitlio da poro inicial da orofaringe. No caso das tonsilas linguais, seu revestimento de epit-lio estratificado no queratinizado que se invagina em direo lmina prpria, formando uma cripta. Abaixo do epitlio, encontramos tecido linfoide nodular, circundado lateralmente por tecido conjuntivo denso.

    Ventre lingual. a face inferior da lngua. lisa e revestida por epitlio pavi-mentoso estratificado no queratinizado.

    9.6 DENTES

    Os dentes desempenham papel importante na mastigao, na fala, na expres-so das emoes e tambm na esttica facial, uma vez que o sorriso representa papel relevante na beleza da face.

    A raa humana apresenta duas denties - a decdua, constituda por 20 dentes e a permanente, composta por 32 dentes. Tanto dentes decduos quanto permanen-tes se dividem em dois grupos funcionais: anteriores e posteriores. A bateria ante-rior composta pelos incisivos centrais, incisivos laterais e caninos, teme tem por funo apreender e cortar o alimento. Na sequncia, este alimento direcionado para a regio posterior, que acomoda os molares (dentio decdua) e pr-molares e

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    molares (dentio permanente), cuja principal funo triturar e moer o alimento. Assim, a perda de um elemento dental pode acarretar em diminuio da funo mastigatria que ser mais grave quanto maior for o nmero de dentes perdidos. Ademais, alteraes na fala e na esttica decorrentes da falta de um ou mais dentes influenciam negativamente a qualidade de vida da pessoa.

    Ambas as denties se originam da lmina dentria, que se desenvolve durante a vida intra-uterina. Os dentes, independentemente de serem decduos ou perma-nentes, so formados por tecidos, como pode ser visualizado na figura XX.

    A regio do dente que, em condies saudveis, se projeta acima da gengiva chamada de coroa (apenas uma pequena poro da coroa fica abaixo desta li-nha). A parte do dente que est situada em pequenas cavidades da maxila ou da mandbula, os alvolos, chamada de raiz. Na regio central de cada dente, existe a cavidade pulpar, preenchida pela polpa dentria.

    As partes duras do dente so formadas por esmalte, dentina, e cemento.Podemos dizer que a dentina forma o corpo do dente e ela o tecido que

    constitui quase a totalidade do marfim do elefante. Circunda toda a cmara pul-par e mais espessa na regio da coroa. Nesta regio, a dentina revestida pelo esmalte. J na regio da raiz, revestida pelo cemento.

    As partes moles associadas ao dente so polpa, ligamento periodontal, e gengiva.Ligamento periodontal e o osso dos alvolos constituem o periodonto,...

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