Mast Colloquia 11

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MAST ColloquiaVol.11

Museu e Museologias: Interfaces e Perspectivas

MUSEU DE ASTRONOMIA E CINCIAS AFINS - MAST Rua General Bruce, 586 - So Cristvo CEP 20921-030 - Rio de Janeiro - RJ Tel.: 2580-7010 Fax.: 2580-7339

MAST Colloquia - Vol.11

Museu e Museologia: Interfaces e Perspectivas

Museu de Astronomia e Cincias Afins MCT Rio de Janeiro 2009

Museu de Astronomia e Cincias Afins 2009

COORDENAO DO MAST COLLOQUIA Marcus Granato, Cludia Penha dos Santos, Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro, Vnia Hermes Arajo e Lcia Alves da Silva Lino ORGANIZAO DA EDIO Marcus Granato, Cludia Penha dos Santos e Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro CAPA E DIAGRAMAO Luci Meri Guimares e Mrcia Cristina Alves

As opinies e conceitos emitidos nesta publicao so de inteira responsabilidade de seus autores no refletindo necessariamente o pensamento do Museu de Astronomia e Cincias Afins. permitida a reproduo, desde que citada a fonte e para fins no comerciais.

FICHA CATALOGRFICA

Museu de Astronomia e Cincias Afins MAST Museu e Museologia: Interfaces e Perspectivas/Museu de Astronomia e Cincias Afins - Organizao de: Marcus Granato, Claudia Penha dos Santos e Maria Lucia de N. M. Loureiro . Rio de Janeiro : MAST, 2009. p.(MAST Colloquia; 11) Inclui bibliografia e notas.

1. Museologia. 2.Museu.3. Interdisciplinaridade I Granato, Marcus II. Santos, Cludia Penha. III. Loureiro, Maria Lucia de N.M. IV. MAST. V. Ttulo. VI. Srie.

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SumrioApresentao. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tecendo interfaces tericas e metodolgicas por sobre o conceito museologia: o exerccio de uma tese Suely Moraes Ceravolo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Museologia, novas tendncias Marlia Xavier Cury . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Museologia ou Patrimoniologia: reflexes Tereza Cristina Moletta Scheiner. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Museus, arquivos e bibliotecas entre lugares de memria e espaos de produo de conhecimento Iclia Thiesen . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Educao e Museus: a dimenso educativa do museu Maria Esther Alvarez Valente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Museus, Museologia e Informao Cientfica: uma abordagem interdisciplinar Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

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ApresentaoEsta coletnea apresenta algumas das palestras da srie MAST COLLOQUIA 2008, as quais refletem diferentes aspectos do tema Museu e Museologia: Interfaces e Perspectivas. Para a definio do tema geral foram considerados os seguintes aspectos: a necessidade de reflexo sobre a natureza da disciplina Museologia, tema que apesar de muito debatido ainda se faz necessrio; a urgncia na identificao das diferentes correntes tericas existentes atualmente para o estudo do campo museolgico e a relao da Museologia com outros campos disciplinares identificando as intercesses entre os mesmos. Mais do que excludentes, acreditamos que tais aspectos encontram-se intrinsecamente relacionados. No captulo Tecendo interfaces tericas e metodolgicas por sobre o conceito museologia: o exerccio de uma tese Suely Moraes Ceravolo apresenta reflexes extradas de sua tese de doutorado Da Palavra ao Termo. Um caminho para compreender Museologia. O texto, tem como objetivo recuperar a trajetria das discusses que envolveram a Museologia como rea de conhecimento no mbito do Comit Internacional para a Museologia - ICOFOM do Conselho Internacional de Museus - ICOM , sobretudo em meados da dcada de 1980. Assim, so apresentadas as idias de diferentes tericos, dentre os quais Vinos Sokfa, Waldisa Rssio Camargo Guarnieri, Anna Gregorov e Peter Van Mensch. destacado pela autora o papel do ICOM e de seus comits, entre os quais o ICOFOM. Sob o ttulo Museologia, novas tendncias, Marlia Xavier Cury, discute o objeto de estudo da Muselogia, enfatizando o papel do ICOFOM e de alguns de seus tericos. A reflexo estrutura-se em torno dos eixos museografia e gesto; processo curatorial; avaliao museolgica e pesquisa de recepo; museologia, museografia e musealizao e pesquisa em museologia. Para discutir o carter (trans)disciplinar da Museologia e sua relao com a instituio museu, a autora identifica a confluncia entre os eixos, a partir da qual prope uma perspectiva terica para a Museologia. Tereza Scheiner apresenta uma anlise sobre o carter transdisciplinar da Museologia e do Patrimnio, chamando a ateno para as interconexes que estabelece com outros campos, seus limites e perspectivas. O captulo Museologia ou Patrimoniologia?

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Reflexes reflete esse debate, cujo resultado pode determinar at mesmo a mudana na designao do campo museolgico. Iclia Thiesen discute o tema Museus, arquivos e bibliotecas entre lugares de memria e espaos de produo de conhecimento, refletindo sobre as nuances de cada um desses lugares de memria e seus pontos em comum, ressaltando a seletividade que perpassa tais espaos, em que o conhecimento produzido deixa seus vestgios. A partir da histria dessas instituies, a autora identifica certas marcas de batismo que as distingue enquanto lugares privilegiados de pesquisa e de construo de saberes. Sendo assim, conclui que as condies polticas e sociais, que variam de uma poca para outra, so determinantes para sua caracterizao. Educao e Museus: a dimenso educativa do museu o ttulo da palestra de Maria Esther Alvarez Valente. Embora afiurme ser consensual a idia de que os museus so constitudos por uma dimenso educativa, a autora destaca alguns aspectos que confrontam essas afirmaes, buscando provocar uma reflexo sobre a relao museu e educao, que em muitas situaes tem sido polmicas. O captulo final, de Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro, no foi originalmente apresentado como palestra. A sua insero na presente publicao, deve-se ao fato de que o tema abordado est relacionado com a temtica geral. Em seu artigo,Museus, Museologia e Informao Cientfica: uma abordagem interdisciplinar, a autora ressalta o carter informacional do Museu como uma de suas inmeras dimenses, sendo esse um dos pontos possveis para a anlise e reflexo sobre o museu. O texto aborda o conceito de informao cientfica, ressaltando a influncia da Cincia da Informao na constituio da Museologia como disciplina acadmica. Esperamos que esta coletnea seja utilizada por todos aqueles que fazem, pensam ou se interessem por museus: de estudantes de Museologia, em seus diferentes nveis, at muselogos e demais profissionais envolvidos no cotidiano do fazer museolgico.

Os organizadores.

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Tecendo interfaces tericas e metodolgicas por sobre o conceito museologia: o exercico de uma tese Suely Moraes Ceravolo

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Nota biogrfica Graduada em Histria (UFBA). Mestre em Cincia da Informao e Documentao (USP); Doutora em Cincias da Comunicao (USP, 2004). Docente do Departamento de Museologia e Docente permanente no Programa de Ps-Graduao em Histria Social da Faculdade de Filosofia e Cincias Humanas/UFBA. Membro da comisso editorial dos Anais do Museu Paulista. Lder do grupo de pesquisa OObservatrio da Museologia Baiana (Departamento de Museologia/ UFBA/ CNPq). Professora convidada do Programa de Ps Graduao em Cincia da Informao ICI/UFBA. Pesquisas em desenvolvimento: Histria da Museologia Baiana (Jos A. Prado Valladares); Exposies provinciais na Bahia do sc. XIX. reas de atuao: Histria cultural. Histria dos Museus. Museologia. Cincia da Informao.

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Tecendo interfaces tericas e metodolgicas por sobre o conceito museologia: o exercico de uma tese

As reflexes apresentadas no texto Delineamentos para uma teoria da Museologia fizeram parte da tese para obteno do ttulo de doutor intitulada Da Palavra ao Termo: Um caminho para compreender Museologia defendida, em maio de 2004, na Escola de Comunicaes e Artes da Universidade de So Paulo, sob a orientao da Profa. Dra. Ftima Gonalves Moreira Tlamo na rea de concentrao Cincias da Comunicao. No corpo da tese essas reflexes fizeram parte do segundo captulo (O Ambiente das Palavras. Delineamentos para uma teoria) e teve seu encaixe num quadro de raciocnio em que, aps comentrios sobre os idiomas empregados no Conselho Internacional de Museus (ICOM) procurei, em seguida, recuperar a trajetria das discusses que envolveram uma dada configurao da Museologia como rea de conhecimento no mbito do Comit Internacional para a Museologia, o Icofom, especialmente em meados da dcada de 1980. O Icofom produziu a museologia icofoniana: margeamento necessrio de se explicitar pois somente uma das instncias de produo do que poderamos chamar de pensamento museolgico ainda que, possivelmente, em razo da estrutura em rede do ICOM e seus comits essas idias tenham uma maior penetrao entre instituies, museus e seus profissionais do que outras associaes. O primeiro captulo (De Palavra a Termo. O painel de linguagens do ICOM) apresentou uma discusso levando em conta um aspecto pouco comentado e que no pode passar despercebido pois atinge, justamente, a concepo ou criao de conceitos, foco que nos interessava mais de perto. O ICOM se constitui num ncleo plurilnge com o objetivo de tratar de assuntos sobre museus em nvel mundial, ou seja, pessoas com interesses comuns, provenientes de pases, culturas e lnguas diferentes, procuram se ajustar s chamadas lnguas ou idiomas de trabalho (ingls, francs e depois o espanhol no perodo tratado) para se expressarem sobre museus e museologia. O emprego das lnguas de trabalho indica a necessidade de realizar transposies das idias concebidas nos idiomas originais dos indivduos para outro idioma de modo que sejam compartilhadas. Trata-se de passagens ou transposies para efetuar a comunicao oral ou escri