Materialismo dial©tico e materialismo hist³rico

  • View
    439

  • Download
    10

Embed Size (px)

Text of Materialismo dial©tico e materialismo hist³rico

  • 1. Materialismo Dialtico e Materialismo Histrico- Josef Stalin MATERIALISMO DIALTICO E MATERIALISMO HISTRICO Josef stalin O materialismo dialtico a teoria geral do Partido marxista-leninista. O materialismo dialtico assim chamado, porque a sua maneira de considerar os fenmenos da natureza, o seu mtodo de investigao e de conhecimento dialtico e a sua interpretao, a sua concepo dos fenmenos da natureza, a sua teoria materialista. O materialismo histrico estende os princpios do materialismo dialtico ao estudo da vida social; aplica estes princpios aos fenmenos da vida, social, ao estudo da histria da sociedade. Ao definir o seu mtodo dialtico, Marx e Engels se referem habitualmente a Hegel, como o filsofo que enunciou as caractersticas fundamentais da dialtica. Contudo, isso no significa que a dialtica de Marx e Engels seja idntica de Hegel, pois Marx e Engels s tomaram da dialtica de Hegel, o seu "ncleo racional"; rejeitaram dela a sua parte idealista e desenvolveram a dialtica, imprimindo-lhe um carter cientfico moderno. O meu mtodo dialtico, diz Marx, no s difere na sua base do mtodo hegeliano mas mesmo exatamente oposto. Para Hegel, o movimento do pensamento. que ele personifica sob o nome de Idia. o criador da realidade, a qual no seno a forma fenomenal da Idia. Para mim. pelo contrrio. o movimento do pensamento a reflexo do movimento real, transportado e transposto para o crebro do homem. (O Capital). Ao definir o seu materialismo, Marx e Engels se referem habitualmente a Feuerbach, como o filsofo que reintegrou o materialismo no seu devido lugar. Contudo, isso no significa que o materialismo de Marx e Engels seja 'idntico ao de Feuerbach. Com efeito, Marx e Engels apenas tomaram, ao materialismo de Feuerbach, o seu "ncleo central"; desenvolveram-no numa teoria filosfica cientfica do materialismo e rejeitaram dele as sobreposies idealistas, ticas e religiosas. Sabe-se que Feuerbach, apesar de ser basicamente materialista, se ergueu contra a denominao de materialismo. Engels disse, vrias vezes, que Feuerbach "continua, apesar da sua base" (materialista) "prisioneiro dos

2. entraves idealistas tradicionais", que o "verdadeiro idealismo de Feuerbach aparece logo. que chegamos sua filosofia da religio e sua tica". (Friedrich Engels: Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clssica alem). Dialtica vem da palavra grega "dialektik" que significa conversar, debater. Na antiguidade entendia-se por dialtica a arte de chegar verdade, descobrindo e superando as contradies contidas no raciocnio do adversrio. Certos filsofos da antiguidade pensavam que a descoberta das contradies no pensamento e o choque das opinies contrrias eram o melhor meio de descobrir a verdade. Este modo dialtico de pensamento, estendido a seguir aos fenmenos da natureza, tornou-se o mtodo dialtico do conhecimento da natureza; segundo este mtodo, os fenmenos da natureza esto eternamente em movimento e em transformao e o desenvolvimento da natureza o resultado do desenvolvimento das contradies da natureza, o resultado da ao recproca das foras contrrias da natureza. Pela sua essncia, a dialtica completamente oposta metafsica. 1 - O mtodo dialtico marxista caracterizado pelos seguintes traos fundamentais: a) Ao contrrio da metafsica, a dialtica olha a natureza no como uma acumulao acidental de objetos, de fenmenos separados uns dos outros, isolados e independentes uns dos outros, mas como um todo unido, coerente, em que os objetos, os fenmenos, esto ligados organicamente entre eles, dependem um dos outros e condicionam-se reciprocamente. por esta razo, que o mtodo dialtico considera que nenhum fenmeno da natureza pode ser compreendido se for considerado isoladamente, fora dos fenmenos que o rodeiam; pois qualquer fenmeno, em qualquer domnio da natureza; pode ser convertido numa coisa sem sentido, se for considerado fora das condies que o rodeiam, se for separado destas condies; pelo contrrio, qualquer fenmeno pode ser compreendido e justificado, se for considerado sob o ngulo da sua ligao indissolvel com os fenmenos que o rodeiam, se for considerado tal como condicionado pelos fenmenos que o cercam. b) Ao contrrio da metafsica, a dialtica olha a natureza, no como um estado de repouso e de imobilidade, de estagnao e de imutabilidade, mas como um estado de movimento e transformao perptuos, de renovao e 3. desenvolvimento incessantes, em que sempre nasce e desenvolve-se qualquer coisa, desagrega-se e desaparece qual. quer coisa. por esta razo que o mtodo dialtico exige que os fenmenos sejam considerados no s do ponto de vista das suas relaes e condicionamentos recprocos, mas tambm do ponto de vista do seu movimento, da sua transformao, do seu desenvolvimento, do ponto de vista do seu aparecimento e do seu desaparecimento. Para o mtodo dialtico, o que importa, antes de mais, no . o que parece estvel num dado momento, mas o que comea j a decair; o que importa, antes de tudo, o que nasce e se desenvolve mesmo se, num dado momento, a coisa parece instvel, pois segundo o mtodo dialtico, nada menos vulnervel do que aquilo que nasce e se desenvolve. Toda a natureza, diz Engels, das partculas mais nfimas aos corpos maiores, do gro de areia ao Sol, do protiste (cluva primitiva) ao homem, est empenhada num processo eterno de aparecimento e de desaparecimento, num fluxo incessante, num movimento e numa transformao perptuos, (Dialtica da Natureza. F. Engels). por esta razo, diz Engels, que a dialtica "observa as coisas e o seu reflexo mental principalmente nas suas relaes recprocas, no seu encadeamento, no seu movimento, no seu aparecimento e desaparecimento" (Anti-Dhring. F. Engels). c) Contrariamente metafsica, a dialtica considera o processo de desenvolvimento, no como um simples processo de crescimento, em que as mudanas qualitativas no tm como resultado mudanas quantitativas, mas como um desenvolvimento que passa das mudanas quantitativas e latentes a mudanas evidentes e radicais, a mudanas qualitativas; em que as mudanas qualitativas no so graduais, mas rpidas, bruscas e se verificam por saltos, de um estado a outro; estas mudanas no so contingentes, mas necessrias; so o resultado da acumulao de mudanas quantitativas insensveis e graduais. E por esta razo que o mtodo dialtico considera que o processo de desenvolvimento deve ser entendido no como um movimento circular, no como uma simples repetio do caminho percorrido, mas como um movimento progressivo, ascendente, como a passagem do estado qualitativo antigo, a um 4. novo estado qualitativo, como um desenvolvimento que vai do simples ao complexo, do inferior ao superior. A natureza, diz Engels, a pedra de toque da dialtica e necessrio dizer que as cincias modernas da natureza forneceram, para esta prova, materiais que so extremamente ricos e que aumentam de dia a dia; assim, provaram que a natureza, em ltima instncia, comporta-se dialeticamente e no metafisicamente, que no se move num crculo eternamente idntico que se repetiria perpetuamente, mas que conhece uma histria real. A propsito disto convm, antes de mais, mencionar Darwin que infligiu um rude golpe concepo metafsica da natureza, ao demonstrar que todo o mundo orgnico, tal como existe hoje, as plantas e os animais e portanto tambm o homem, o produto de um processo de desenvolvimento que j dura h milhes de anos. (Ibidem). Engels mostra que no desenvolvimento dialtico, as mudanas quantitativas se convertem em mudanas qualitativas: Em fsica... toda a transformao uma passagem da quantidade qualidade, o efeito da mudana quantitativa da quantidade de movimento - de qualquer forma - inerente ao corpo ou comunicado ao corpo. Assim, a temperatura da gua , em princpio, indiferente ao seu estado lquido; mas se se aumenta ou diminui a temperatura da gua, chega um momento em que o seu estado de coeso se modifica e a gua se transforma em vapor e em gelo respectivamente... assim que necessria uma corrente de uma certa intensidade para tornar luminoso um fio de platina; assim que qualquer metal tem a sua temperatura de fuso; assim que qualquer lquido, a uma dada presso, tem o seu ponto determinado de congelao e de ebulio, na medida em que os nossos meios nos permitam obter as temperaturas necessrias; enfim, assim que, para cada gs, ha um ponto crtico no qual se pode transformar em lquido, em determinadas condies de presso e arrefecimento... As constantes, como se diz em fsica (pontos de passagem de um estado a outro), no so, na maior parte dos casos, mais do que pontos nodais em que a adio ou subtrao de movimento (mudana quantitativa) prova uma mudana qualitativa num corpo, em que, por conseqncia, a quantidade se transforma em qualidade. (Dialtica da Natureza). E a propsito da qumica: 5. Pode-se dizer que a qumica a cincia das transformaes qualitativas dos corpos, devidas a transformaes quantitativas. O prprio Hegel j o sabia. Tomemos o oxignio: se se renem numa molcula trs tomos em lugar de dois, como normalmente, obtm-se um corpo novo, o azono, que se distingue nitidamente do oxignio ordinrio, pelo seu cheiro e pelas suas reaes. E que dizer das diferentes combinaes do oxignio com o azoto ou com o enxofre, de onde, de cada uma delas, resulta um corpo qualitativamente diferente de todos os outros? (Ibidem) Enfim, Engels critica Dhring que censura Hegel atribuindo-lhe subrepticiamente a sua clebre tese, segundo a qual a passagem do reino do mundo insensvel ao da sensao, do reino do mundo inorgnico ao da vida orgnica, um salto para um novo estado: com efeito a linha nodal hegeliana das relaes de medida, em que uma adio ou uma subtrao puramente quantitativas produzem em certos pontos nodais. um salto qualitativo. como o caso, por exemplo, da gua aquecida ou arrefecida, para a qual o ponto de ebulio e o ponto de congelao so os ns em que se verifica, presso normal, o salto para um novo estado de agregao; em que, por conseqncia, a quantidade se transforma em qualidade. (AntiDhring). d) Ao contrrio da metafs