Bertolt Brecht, vol.3

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  • 8/6/2019 Bertolt Brecht, vol.3

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    V O LUM ES D A C O LE C IEIIJo vee dosLindbergh; A pe", dicLicri~"cleBaden-Baden sobre 0acordo,o q ue d iz sim , 0 q ue d ill n[o; It d ec is ao ; A S an t a J08n8

    dosrnatadouros: A cKcep,;;o e anigra; A mae

    t ~ -

    VOLUMEIVAscabecas rerlondas e ascabeeas hiendas; Os Sere pecados rnortaisdes peque,m-burg[Jcses; Os Horacios e os.Cunaclos;Terrcre miseria do Terceiro Reich; A s espingardas da S r" Carrar

    VOLUME VA vidade G.lileu; Dansen, Quante custao ferro>; Ma e Coragemeo, Sell' f ii h" s; 0 j ul ga rn en ro d e L u cu lo ; A b a a alma de Se -Chuao

    VOLUMBVlA r es ls rl ve l a sc en sa o d e A n um U i; (JS I '. P u nt il a e 0 s eu c ri ad o Ma tt i;

    As visoesde Simone MachardVOLUMEVn

    Schweyk naSegunda Guerra Mundisl; 0 c.iriulo de gizcaucasiano;A i 'l.mig?o,\ de Sofode~ ; 0 preceptor de].M.R Lenz

    VOLUME vn rOs dias da Cornuna; 'Iurandot.Anlhal, A queda do egoislfljahonn POlZ"';

    A verdadeira vidn deJakob Geherda; A vida de Confiicio

    "

    Bertolt Brecht

    Teatro 3

    Cotovia

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    148 A peca didactic~ deBaden-Baden sobre 0acordoo CORO lNSTRU iDO

    Mudando 0mundo, mudem-sea voces!Abdiquem de vas proprios!

    o LfDEaDO CORO INSTRUIDOEm frente!

    t - ~

    o que diz sim. 0 que diz naoOperas escolares

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    o QU E oiz SIME sta peca fo i represenrada pe la p r irn ei r a ve t empor\ug.LI

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    o QUE DIZ SIMOpera escolar

    1

    "

    o G RA ND E C OR DAcima de tudo, 0 importante e apr ender a estar de acordoMuitos dize m qu e sim , e n o en tan to nin gue m e sta de ac ordoA rnu ito s nern sequel' se pergunta e rnu ir osEsr ao de acordo com co isas erradas. Po isso:Acuna de tudo, 0 importante e aprender a est ar de acordo,o P1 'o !eHo1 ' no e spaco 1, a Mae e 0 Rapaz n o e sp ac o 2.o PROFESSOR Ell SOLI0 professor. A minha escola e na cidadee tenho urn aluno cujo pal rnorreu. Ji l s6 tern a m ae, q uetorna coma dele. Vall ter agora com eles e despedir-mepois em breve parte em viagern em direccso a s monta-nhas. Surgiu urna. epidemia entre nos e e na cidade para18 das montanhas qu e morarn alguns gran des medicos.Bate Ii porta. Posso entrar?o RAPAZ s at ' d o e sp ac o ':2 para 0 espaco 1: Quem e? Oh, e 0professor, 0 professor veio visitar-noslo PROFESSOR Porque e que nao vens a escola h ii tantotempo?o RAPAZ Njio pude ir po rque a rn inha.mae adoeceu ,o PROFESSOR Nao sabia que a tua mae tambem estava doen-te o V ai 13.dizer-lhe par favor que eu estou c a .o RAPAZ c hama pam 0 espaco 2 ,- Mae, esta c a a professor.

    A MA E sentada noespaco 2: Diz-lhe que entre.o RAPAZ Entre, par favor.En/nun ambos I tO e S p 4t ;o 2.

    o q ue d ~z lim 153.o PROFESSOR Ha mul to que eu nao vinhaca . 0 seu filho disse-

    -rne qu e a d oenc a tam bem a ap an ho u a si, E sui m eJho t?A M A E [ Llf eliz me nte n aQ e sr ou m elh or , p orq ue n an s e c on he -

    ce a te hoje medicarnento para est a doenca .o PROFESSOR Temos de encontrar qualquer coisa. E POl' 15S0que c a vim despedir-rne: amanha vou atravessaras menta-nhas para i rbuscar medicamentos e inst rucoes , E na cida-de para la das rnontanhas que estaoos grandes medicos,A MA E Uma expedlcao de socorro pelesrnontanhas: Sirn, defacto ouvi dizer que e I ii que estfio os g randes medicos,mas tambem OUV! dizer quee Ulna eaminhada perigosa.E estava a pensar lev ar a m eu filh o?

    , 0 PROFESSOR Isto 11:010e viagern para lima crianga. G"----A MAE . Esta bern. Espero q u e volte de saude.o PRO I 'E SSQR Agora tenho de ir, Adeus. S a i p ar a 0 e sp ac o 1 .o RAPAz segue 0 Professor ate ao espaco 1.' Tenho de dizer-

    - lh e u rn a c oi sa ,A M ae e scu ta e nc osta da d p orta.o PROFESSOR Quecoisa?

    o RAPAZ Quero ir consigo as monranhas.QPROFESSORTal como acabei de dizer a tua maeEs ta v i age rn e di flc il ePerigosa. Nao vais conseguirAcompanhar-nos. A1em disso:C om o pedes delxar a tua m~eQue esta doente?Fica. E cornpletamenteIm po ss iv e l v ir es c o nn o sc o,

    O-Et\PAZE por a minha mae estar doenteQue quem if convosco, p ara lh e it'Buscar medicamentos e 1nstrw;6esJunto dos grandes medicos na c idade para la das montanhas.

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    154 0 que d iz aim.0 que d iz n iioo PROFESSOR Tenho de voltar a falar cam a tua mae.

    R eg re ss a a o e sp a~ o 2 .0 Rapa z e sc u ta e n co st ad o a . porta.o PROFEssOR Vol te i. 0 seu fi lho diz que quer vir connosco.Disse-lhe que de nfio a devia abandoner estando voce do-en te e que era uma viagem difi ci l e perigosa. Disse-lheque era completamentc imP O S S I V e ! elevir . Mas ele disseque tinha de ir il cidade para la das montanhas buscarmedicarnentos e instrucoes para a sua-doenca,A M,\E El l ouvi rudo, Nao duvido daquilo que 0 rapaz diz-que de gosta ria de Iazer a caminhada perigosa consigo,Anda ca, meu filhol.o R ap aa e nt ra n o e sp ac o 2 .Desde .0 dia em queo teu pai nos deixouQue s6 rc tenho a ti,Ao mel! lade.Nunca estiveste rnais tempeLonge do mel! pensarnento nem da minha vistaDo que 0 tempo que precisei paraPreparar.as tuas refeicoesTratar da tua coup a eArranjar dinheiro.o RAPAZ E tudo com o tu dizes, Mas apesar dis-so nao h a nadaque me fa~ dernover da rninha intenciio,

    \ 0 RAPAZ, o Pl l .OFESSOR, p, _ M AE

    to . Vou (vai) fazer a perigosa caminhada

    .~ /' ~ E trazer medicamento s e instrucoesll. " ,-\ ' ~ Para a tua (rninha, sua) doencal 1 Da cidade para la das montanhas.-~,'i 0 GRANDE CORO

    'Eles perceberam que nenhum argnrnentoo podia demover,Entao 0professor e a mae disseramA urna s6 voz:

    o q ue d iz s ir n 15 5o P RO FE SS OR , A M AE . , .

    Muitos estao de acordo com coisas erradas, s6 que eJeNa b esta de acordo co m a doenca, de exigeA cura da doenca ..o GRANDE CORaMas a ma e disse:

    A MAEJ a nao tenho forras,S e re m de setVai com 0 professor.M as volta depressa, 'depressaDo perigo.

    2o GMNDE CORO

    OS viajantes partiramEm d ir ee ~ ao a s m on ra n ha s.Entre des conrava-se 0professorEo rapaz.o rapae na o estava preparado para suportar tanto esforco:Puxoudemais pelo coracaoQue exigia 0 rapido regtesso a casa.Ao chegar a madrugada no sape dasmontanhasJa quase naoconseguia arrastarOs pes cansados,E ntr an t n o ESPtlfO 1: 0 Prof e ssor, as n ' e s Estudaiues e POI"jim 0 Rapa: com um cantil.

    0 PROFESSOR Fornos rapidosa subir, Estsi ali 0 primeiro abri-go, Vamos descansar ali Ul~ j:>bUCO.Os TJills ESTtiDANTES Nos obedecernos.Sobem C1 urn estrado no espaco 2. 0Rapa: detem a Professor:

    .,

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    '/.L.\

    156 O'que diz sim, 0 qne di znana RAPAZ Tenho de lhe dizer uma coisa.a PROFESSOR 0 que queres tu dizer?a RAPAZ Nao me estou a sentir bern,a PROFESSOR Nao digas mais r Quem faz urna viagem destas

    nao pede falar assim, Deves estar cansado porque naoestas habituado a subi r montanhas, P~:ra-um bocadc edescansa, S ob e p ar a 0 estrado.

    Os T R R s E S TU D ANT E S Parece que a rapaz esta cansado da su-b id a , Vll,I)lUS perguntar ao professor.o GRANDE CORD Sim. Facam isso!Os T Il li s ESTUDANTES para 0 Professor: OUVllnOS que 0 .rapaz

    estd eansado da subida. a que e que ele tern? Estas preo-cupado com ele?o PROFESSOR Niio se sente bern, mas de resto tudo em or-dem Estn. cansado da subida

    OS Trr i' iS ESTlJDANTES Entao nao eSHIS preocnpado com ele?Pausa tonga.

    Os t !r t. s ESTUDANTES e nt re i de s:Estao a ouvir? 0 professor disseQue 0 rapaz s6 esta cansado da subida.Mas nao 0 acham com urn aspecto estranho?

    ( Logo a segui r ao abrigo vem a passagem estrei ta .S6 con]'ambas as maos agarradas a s rochasSe consegue passar,Esperemos que nao esteja doente,Porque se de nfio conseguir continuar, temos de 0Deixar aqui,C ha ma m, p ara 0 espaco 1, com as mdos e m fo rm a de co nch a:Vamos perguntar ao professor. Para 0 Professor: Quandoha bocado te perguntarnos sabre 0 rapaz, disseste-nosque ele s6 estava cansado da subida, mas eleagora estacom urn ar multo estranho. Atese sentou.o PROFESSOR Ja percebi que ele ficou doente.Tentem carte-ga-le pela passagern estreita.

    OS T RE S E STUDANT ES Vamos tentar,

    ,_"

    o que eli. sirn 157E/eito tecnico: O J n ' e s E st ud an te s t en ta m a ju da r 0 Rapa; a la tr ao es sa r a " pa ss ag em estreita". A " pas sag em e s tr e it a" t e111de set [e ita pe los interpretes com a ajuda de estrados, cor- yd as , c ad eis as , e tc ; d e tat m an eir aq ue o s E stu da nte s c on si-g am e tr eo es sa r s oz in bo s mas' na o quando carregam ( ')Rapaz.

    OS rnss ES IUDANTES Nao conseguimos atravessar com de enao pcdemcs ncar junto dele. Seja como r o t ' , ternos de con-t inuar, pais uma cidade inteira espera os medicamentosque vamos buscar; E hordvel di~~ ism mas se de naopode vir connosco--;temosde 0 deixar a9m i1a~~no!lliID~o PROFESSOI~S, ta!vez tenham. Niio me posse opor. Masparece-me correcto perguntar aquele que ficou doenre sede acha que devernos voltar para tras pol ' causa dele.

    _ _ _ _ _ _ Q _ ~ ~ ~ o sofr~_ porc_ nt~ desjJ.U;_tia_!:llIa.9peroir ter com ele .e'prepara-lb com calma para a seu destino.O S T J,U 'lS ESTUDANTE5 Faz is-soentab.Colocal'nse (fi7renteliils

    para os outros.Os T R ES E S TU D ANT E S, 0 GR ANDE C OR OVamos perguntar-lhe (perguntaram-lhe), se ele que.r (queria)Que voltemos (vclrassemos) para tIllS por sua causaMas rnesmo que ele 0 pes:aN6s nae querernos (eles nao queriam) voltar para trasMas Ianca-lo no vale.o PROFESSOR d es ce p a ra 0espaco 1, a pr ox im a nd o- se d o R ap az .Olive bem! Como esnls doente ~ab ~ cal?RZ de cOIlti!JJJnt.~os teI de te derxar aqui - as e correcro perguntaraquele que ficou doente, s~ deve voltar para tras potcausa dele. E 0 costume' determine tarnbern que aqueleque Beau doente responde: Na o devem voltar para tras.o RAPAZ Compreendo,o PROFESSOR Queres que volternos para tras par tua causa?o RAPAZ Nao voltem para tras!a PROFESSOR Esta s de acordo, entao, em que te deixemos ....aqui ficar? IoMPAZ Deixe-me pensaf Peusapara reflexdo. Sim, estou deacordo,

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    o PROFESSOR chama do espaco 1para 0 espaco 2: Ele reSI2Ofl-deu cohlorJTIe devia. . .o GRANDE COR O E OS T R E S ESTUDANTES e st es d es ce nd o p ar a 0 es -paco 1: Ele disse que Sill: Con.tinuem!o. 'Ires Estudantes licam parados.o PROFESSORContinuern, nao fiquem paradesAgora que decidiram continuer .Os 'Ires Estudantes ficam parados,o fu\PAZ Quero dizer uma coisa: Peco-vos que.nao me dei-xern aqu.i rleitado, mas que me lancem ao vale porquetenho rnedo demorrer sozinho,

    Os rnss ESTUDANTES Niio podernos.oMPAZ Parem! Ell exijo-o,o PROFESSOR

    158 0 que diz s im. 0 que diz niio

    _ ,-

    (\\~J. t . .II\I

    _)

    Decidi ram cont inua r e deixr i- lo aqui dei tadoE Heil decidu 0 destine deleMas e d i fi C T I . .g~.f.lllii:.l9-,-Estao prepa rados pa ra . 0 l anca r ao vale?as mF.s E$TIJDANTES Sim, Os 'Ires Estudantes leuam 0 Rapazate ao estrado no espaco 2 .

    ~.!..!~_ca~e~a ao nosso braco,- Ni io Iacas forc ;a .N6s levamo's- te com cuidado.Os rres Estudantes coloeam-se Iifrente. dele, tapando-o, noparte de trds do estrado.o RAPAZ escondido:

    I~-

    Eu sabia que ao faze r e st -a viagemPodia per del' a rninha vida.Foi a pensar na minha maeQue quis faze r a viagem.Peguern no meu cantilEncham-no com medicamentosE levem-no a minha maeQuando regressarern.

    a que diz.sim 159o GRANDE CORa

    "as amigos pega ram entao no can ti lE queixaram-se dos c r is tes caminhos do _ l : J ! . L l l ! ~ C ! .E das suas le is amargas

    ~an(jaram -;;rapa'z. -Os pe s bern jwrt;;:-lado a ladeNa beira dq precipicioLanearam-no com QS 0lh05 IechadosNenhum mats culpado que 0 outroE Ianca ram depois pedacos de terraE pedras lisas .Pot cima.

    , - -f . .. ..~ . I. .. ..

    1

    .11

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    o G RA ND E C OR OAcima de tudo, 0 Importante e aprende r a e star de acordoMui tos d izem que s irn , e no entanto n inguem esta de acordoA muitos nem sequer se pergunta e muitosEstiio de acordo com coisas erradas, Par isso:Acima de tudo, 0 importante e aprender a estar deacordo.o P ro fe sso r n o e sp ac o 1, a Mae e 0 R ap d1 . n o e sp aco 2 .o PROFE. ,)SOR Eu sou 0professor. A minha escola e na cidadee renho urn a1l .100cujo pa i morreu, Jii s6 tern a mae, quetonra conta dele. Vou ter agora com des e despedir-mepois em breve parte em viagern em 'direc~iio as manta-nhas, Surgiu uma epidemia ent re n6s e e nacidade parala das montanhas que rnoram alguns grandes medicos.Bate d porta. Posso entrar?o RAPAZ sa t d o e sp ao 2 para 0 espaco 1:, Quem e ? Oh, e 0professor ,o professor veio visiter-nos]o PROFESSOR Porque e que nao vens',a escola hii tantotempo?o RAPAZ Nao .pude ir potgue a min ba mae adoeceu,o PROFESSOR Nita sahia que a tua mae t arnbem estava doen-teoVai la dize r-lhe perfavor que eu estouc ri ,o RAPAZ c ha ma p ar a 0 espaco 2: Mae, esta ca 0professor.

    A lvlAE sentada no e5p(J~O2: Diz-lhe que entre .oRAPAZ Entre, per favor.Entram ambos no espaco2,o PROFESSOR Ha muito que eu nao vinha c a . 0 seu fllhod isse -rne que estava doente , Esta me lhor>

    o QUE DIZ NAOOpera escolar

    1

    A I\1AE Nao se preocupecom a minha doenca, eu estou bern, ~ >0o PRQFESSOR Fico contente de a ouvir dizer iS80. Vim despe.dl r-me p0. rqJe 'e~l breve parte nurna expedi~ao asmenta -nhas. E na cidade para Ia das montanhas que estjio asgrandes rnedicos.

    A M A E Um !1 ex pe cl i~ ao a s monta nhasl Sim, de Iacto ouvi di-zer que e - Ja que esrao 05 grandes medicos, mas tambernouvi dize r que-e uma caminhada pengo sa. E estava a pen-s a r I eva r 0 m eu Who '?o PROFESSOR Is to n ao e viagem para UIDa crianca,

    A M A E Estii be rn. Espe ro que volte de sai ide .o PROFESSOR Agora tenho de ir; Adeus. S ai p ara e sp aco 1 .o RAPA.Z segue 0 Professor ate ao espafo 1: Tenho de dizer-lheuma coisa . .A Mae e scuta e ncos t ada a porta.

    OPROFESSOR Qu~ coisa? .o R A P A Z Quero ir consigo a s montanhas,o PROFESSORTal como acabei de dizer a tua maeEsta viagem e dificil ePerigosa. Nao vais conseguirAcompanhat-nos. AIm disso:Como pedes deixar a tua triaeQue esta doente?Fica. E ccmpleramenteIrnpossfvel vires conncsco,

    ORAPA Z, E pOT a minha mae estar dcenteQue quero ir convosco, para lhe irBuscar rnedicamentos e instrucoesJunto des grandes medicos na cidade para illdas montanhas.o PROFESSOR E estarias ru de acordocom tudo 0 que te pu-desse. acontecer durante _I t viagern?o R A P A Z Si rn .o PROFESSOR T e~ .h a d e _ vaR ta r a f al ar com a tua mae.

    o que die nAO L61

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    162 0 que dizsirn, 0 quediz njiQRegr es s a aoe spaeo 2. 0R a pa : e sc ui a e n co st ad o Ii porta.o PR0FE' .5S0R Voh~. 0 seu filho diz que quer vir connosco.,Disse-lhe que ele oib a devia abandoner estando vccedo-ente e que era um a viagem dificil e perigosa, Disse-lheque era completamente impossivel de vi r. Mas de disseque tinha de it a cidade para Li idasmontanlras bnscarrnedicamentos e inst. ! fU\ ;oes para a sua doep~JI.

    A .M i i . : : Eu ouvi tudo. Nao duvido daquilo que 0rapaz diz ~que de gostaria de fazera carninhada perigosa consigo,A rid a c a, m en fil ho !o Rapa ;; e n tr e n o espato 2,Desde 0 dia em queo ten pai nos deixouQue 56 te tenho a tiA o r ne u la de .Nunca 'estiveste mais tempoLonge do meu pensarnento nem ci a rninha vistaDo que 0tempo que precisei paraPreparar as tuas refeigoesTrarar cia tua roupaeArranjar dinheiro.o R A P A Z E tudo com o tu dizes. M as apesar d isso Da O hi !nada que me fa~a demover da minha intencao,o RAPAZ , 6 PROFESSOR , A M AEVou (vail Iazera perigosa caminhadaE trazer rnedicamentos e instrucoesPara a rna (minha, sua) doencaDa cidade para Iiidas montanhas,o GRANDE COROEles perceberam que nenhum argurnentoo podiadernover.Entao 0 professor e a ma e disserarnA uma s 6 v oz :o PR OFES SO R, A M AEMuitos estao de acordo com coisas erradas, s6que de'< 1

    o que diz n~o .163N ao esta de acotdo c om ~ d oe nt ;a , ele exigeA cura da doeJl~a.' - --o G RA ND E C OR DM as a maedisse:

    AM]IE] i' i. u ao re nho for~fls.Se tern de ser .Vaicom o professor,Mas volta depressa, depressaDo perigo.

    2o G RA ND E C OR D

    OS viajanres partirarnE m direcgao as monranhas.E n tr e e le s c on ta va -s e 0 professorEo rapaa,o rapaz nao estava preparado para suportar tanto es[oi:,qo:Puxou dernais pelo cOHlt;aQ 'Que exigia'0 rapido regressoa casa,Ao chegar a madrugada no sope das montanhas]it quase niio conseguia arrastar .o, pe s cansados ..Entram noespaco 1; 0 Professos; os rr& Estuc!rmtes e p oilim 0 Rapa z. c omum can ti l.

    '0 PROFESSOR Fornos rapidos a subir, E S H i ali 0 primeiro abri-go, Vamos descansar urnpouco.

    . os r F s ESTUDANTES No s obedecernos.. Sobem a t im estrado rio eJpaf,;"!'f . D Rapa detem 0 Professor.o R!lPAZ T en ho d e l he d iz er iIma coisa,-0 PROFESSOR 0 que quere~ tu dizer?

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    164 0 gu~ diz sim,0 qui: diz nR Oo R APAZ Nao me estou a sentir bern,o PROFESSOR Na o d ig aE r na is ! Q ue m faz u rn a v ia gem destas

    na o pode fa lar assim, Deves estar cansado porque naoestas habituado a subir montanhas, Para urn bocado edescansa urn boca do. S o be p ar a 0 estrado.

    Os T R ES E S TU D ANT E S Parece.que 0 rapazesta cansado da su-bida. Vamos perguntar i 3 . 0 professor,a G RA ND E C OR O S im. F c ca rn iSEO!

    O s TRES ES-TUDANTESpara 0 Professor: Ouvirnos que 0 rapazesta cansado da subida. 0 que e que eletem? Estas preo-cupado com de?o PROFESSOR Nso se sente bern, mas de resto esra tudo emordem. Esta cansado da subida.

    Os TRES ESTUD,\NTES Entao n ao e st as p re oe up ad o com de?Pausa longa.O s T R ts ESTUDANTES entre des:

    Estao a ouv.ir? 0 professor disseQu~ 0 rapaz s6 esta cansado da subida.Mas nao 0 acham com urn aspecto estranho?Logo a seguir ao abrigo vein a passagern estreita,S6 com arnbas as maos agarradas a s raffiasSeconsegue passar,Nos niio podernos carregar ninguern.Sera que deviamos entao seguir 0grande costumeeLanca-lo ao vale?.chafJ7,am, pqra 0 espaco 1, com as maos e t( l fo rm a d e concha:Ficaste doente da subida?

    ORAPAZ

    II

    Nao,N ao veem que continuo de pe?Nao acharn que eu me sentariaSe estivesse doente?Pausa. 0Rapaz se n ta - se .O s TIllis ESTUDANTES Vamos dizer ao professor. Professor;quando hii bocado te perguntamos sobre a rapaz, disses-

    ..,0'

    o que diz n ilo 165te-nos qu~ ele so estava cansado da subida, mas ele.ago.raesni com umar .muito estranho, Ate se sentou. E o comhorrot' que dizernos ,i s to, mas ja ha~muit9.que relll~' costum'Idelan.~3.r a o vi lle aqueles g_ye naO conseguemcontinual".o PHOFESSOR vuerem lancar esta crianca ao vale?Os T R E ? ESTUDANTES Sim, queremos,

    o PROF ,ESSOR Iiurn grande costume. Nao me posse opal' a.de. Mas 0 costume tarnbern diz que se deve pergunraraque le que ficou doente se de acha que devernos vol tarpara tras pOI' c a us a dele. 0 me u cora~ao s oh -e r nu ito P .9 !'conta desta cri atura . Quero it ter com de e prepara-locom calma para 0 se ilC !es t in ;",o ,. . . ..-----

    Os Tl \ES EST[JDA} ,J IT".5 Paz 1-SS0 entjio. C o lo ca m -s e d e f r er ue t in sp ar a o s o ui ro s.. O s T R tS E S TU D A NT E S, 0 GRAND,E CORQ

    Vamos perguntar-lhe (perguntaram.lhe), se de quer (queria)Que voltemos (volrassemos) para tras por sua causaMas mesmo que de 0 pecaNo s nao quere rnos (el es mio queriam) voit ar para erasMas l a ll l: ;a - Io . .no va le .o PROFESSOR desc.eu pat 'a 0 espafO 1 , a pr ox im an do s e d o R ap az :O uv e b ern! ]a ha rnuito que existe a lei que estipula que~Iele que adoece numa v i ag~ l] ._ c on io esta dev('l ;sel ' lan.r;a-do ao vale. Morre de Imediato. Mas 0 costume tambern di zque a q u a e que fleau doente se pergunta, se se deve volta!"para tras per SUR caus a, E. 0 cos tume diz tambern queaquele que ficou doente responde: N ao devem voltar parath'is, Se eu pudesse esrar no teu lugar, gosraria de morrer!o RAl'AZ Compreendo,

    o P.R OF ES SO ~ .. Queres q . l ie vOl t. cmos para t ri l, spor rua=u estas de acordo que te lancemos 'an vale como exige 0velho costume.? Io R APAZ ap os u ma p au sa pa r~ reflexao: Nao, [laO estcu de. ;cacordo .

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    J66 0 qu e di.. situ, 0 q u e r li z n i i oo PROFESSOR c hama d o e sp ac o 1 para. 0 espaso 2: Vol tern para

    baixo. Ele njio respondeu conforme 0.costume!Os T R E S E S TU D A NT E S descendo p a r a 0 espaco 1: Ele disseque~ Para 0 Rapaz: ~o~e e que nao reSPQnd~conforme

    o costume? Quem [email protected],tern. de dizel{~~:Qunhdo,11:;1 altura, te.perguntaram seestariasde acordo corn tude 0que pudesse resultar da viagem, respondeste que sim,o R APAZ A respos ta que dei foi errada mas a vossa perguntafoi mais errada ainda, Quem d i . . { b ) nao tel'llde dize&Pode reconhecer que ]\_estava ertado. Queria ir bUSCMmedicamenros para a rninlra mae, mas agora eu propr iofiquei doente e portanto jii nao e possivel. ~uero J:g;~-

    _ sar de [med iato, t endo em contll a nova situacao, Peco--vos que vol tem comigo e que mel t;ven~casa, A vo~'saaprendizagern pode esperat. S e haaIguma coisa a ; ;ren-de! por 1( e espero qlJe haja, s6pede sec que numa sirua-< ; 3 . 0 destas se deve voltar para tras. E quanto ao grande evelho costume, nao vejo que fac;asentido. Precise muitomais de urn novo costume, que deviamos lnrroduzir deimediato, nomeadarnente 0 costume de pensar de novoperante cada nova situaciio.

    OS rnrs ESTUOANTES para 0 Pro/enol': b,que e que fazemos?\ 0 que 0 rapaz diz e sensato, apesar de naoser her6ico~o ~ss i5R-- -- -nec i ' run voces 0 que fazer, Mas clevodizer-vos':i. que, Sf voltarem para trasl'y~obri~ de gargalhadas_~gQ,Ph:a:.

    Os T R E S ' ES T UD AN TE S Nao e uma vergonha ele falar a favor desi proprio?o PROFESSOR Nao. Nao vejo nada de vergonhoso aisso.

    Os TRES ESTUDANTES EnGlo vamos voltar para tras ~k\f ____:_~havet gargalhadas nem injur ies que nos impecam de\ _ fazer 0 qge e sens.ato, e nao l'i a "'Ciei1averv~

    que nos impJ4a._de_ass:lImirwn pensamenltJ coreeet:o,Encosta a tua cabeca aonosso brace,

    -.

    o qu e di z nao 16 7N a o f a r ;: n s 0 1 '< ; a ,

    ~5 Ievamos-re com cuidado.o G RA ND E C OR DOS amigos levaram entiio 0 amigoE inaugllJraram urn novo costumeE lima nova lei

    - E trouxerarn de volta 0 rapaz.Forarn bernjuntos, Iado a ladoEnfl'entando as injuriasE~:&~~s gargalhadas, de olhos fec~ados,Nenh~m mais cobarde que 0 outre,

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    -.

    Traclus~o de.J

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    Nao e x is te r n r eg is to s c ia representacao des ta peca ate h oj e e m Portugal.No ambit o do Coloqui o I nt er nacional Bert ol r Br echt , or ganisado pelaUniversidade de Evor a em 1998, par ocasi ao do cent emi ri o do nasci -menta do aut or , Ioi apr esenr ada urna leit ur a encenada da peca, em 7 deNovembr o de 1998, no Convento do Carma, ern Evor a, t om a seguinte. . . _ _ _ _ . . . . . .ficha tecnica: Direcci io : Jorge S i lv a Me l o, com a ss i st en c ia d e J oao Meire-Ies: Tradu~ao~ si l~ ; 'MeIo;IlJterpreta

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    172 A dec is fi oganda e, nas fa6rlcas, apoiar 0 Partido Chine's. Deviemosapresentar-nos na ultima secc;ao do Partido antes da fron-teira, e pedir urn guia, Veio ter connosco, a sala de espera,urn jovern carnarada e ai faMmos scbre a natureza danossa rnissjio. Repetiremos essa conversa,Colocam-se tres contra um. Din dos quatro repre senta 0[ooer Camarada.o JOVEM CAMARADA SOU 0 secretario da ultima secc;ao do Par-tido antes cia fronteira. 0 meu cora.s:.aobate pela revolU(;:~.A visao da in justica fez com que eu me alis tasse entre oscombatentes. 0 hOrl1em tem de < l l y . 4 ! ! . . _ Q homem.~!:!J2

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    Os Q UK fR O A GlT AD O RE S 0 jovem camarada cia ultima sec~aoames da fronteira estava, ass im, de acordo com a nossarnaneira de trabalhar. E no s Iomos , quarto hornens e umamulher, Ialar com 0 chee da secqao do Partido.

    05 Q U AT R O A G IT A DO R E S Mas 0 nosso trabalho em Mukdeneta ilegal, por isso, antes de atravessar a fronteira, tivemosde apagar as nossas caras, 0 nosso jovem camarada estavade acordo, Reperimos 0 que se paSSODUm dos ag itadore s r epr e sen ta 0 Cb e ] da S ec fa o d o Partido.o C HE FE D A S E C< ;. ~O D O P A R TI DO Eu sou a chefe da Ult imasec-~ao do Part ido. Estou de acordo em que 0 camaracia dorneu posro vos acom panhe com o guia. Mas h5 . agitacsolias fabricas de Mukden, e n es te s diaso mundo intei roesta de olhosposros nessa cidade, aver se um de nos sa idas barracas ODele vivern os operarios chineses, E ouvidizer que, nos rios, estjio canhoneiras ancoradas, e hficornboios blindados estacionados nas estacoes, prontos aatacar-rios, case urn de nos seja visto, Aconselho, assim,as camaradas a atravessarern a fronteira mascarados dechineses, Para as Ag i tadore s : Voces nao podem ser vistos.

    OS DOIS AGITADORES Na a seremos vistos,

    174 Ad eci sao ,"o saber ensinavaAos hospedes com clara voz.Quando a porta caiContinuamos sentados s6 que agor-a vis iveis:N6s a quem 0gelo nso rnata nem 'fl feme,Incansavelmente delibe.raodoSobre os destines do mundo,

    2A ANULAI ' ; :AO

    2.Aalluiuo;iio 175o CflEFE DA SEO;:li.o DO . P J\ R T IJ )O Se urn de voces for feTiclo,

    ninguern a deve encontrar,O s D O lS A C IT A DO R E S, Ninguem 0 encontrara,o CREFE DA SECC;:AO D O P AR TI DO Estao entiio dispostos amonel' e a esconder os monos?O s o oi s AGlTAbORES Estarnos.o CHEPE D A S E CC ;: AO DO PARTIDO Entiio agora voc.es deixaram

    de ser voces. TL J jit njio e~0 Karl Schmitt, d e B ed im , nerntu a A lm a K j er sk , de Kasan, e tu Ua o e s 0 Peter.Sllwitschde Moscovo, Na o tern nome nero mae , s ao folhas brancas

    . sobre asquais a revolucao escreve assuss ins trucdes,Os DOT S AG lT ADORE S Sim,a CHEFE DA SE CC ;; il .o DO PART IDO dJ-thes -a s mascaras e elescolo-

    cam-nas: A .part ir de agora voces nao sao ninguern, apartir de agora, .e ta lvez ate' ao vosso desaparecimenro.voces sao operarios desconhecidos, rni li tantes , chineses,nascidos de mae chinesa, de pe le amarela, no sana e nafebre falando apenaschines,

    OS DOIS AGlTADORES Sim.a C RE FE D A S EC C;:A O 0 0 P AR TID O No interesse do cornunisrno,de acordo com 0 (lVaH~O das massas proletarias de todosas paises, afirmando a revolucao rnundial.

    O s o ar s AGiTfiDORES S im , T arnbern a jovem cam arada d issesun. E rnostrou-se de acordo com a anulacao ciasua pro-pria cara,o CORO DE CONTROL )O IROS ~elo comunismo ckYes a be l' J ut aT e niioJ.lttru:;[email protected]'4-nii0-dizel" a-verda-

    ~restar services e recusar services; cum.pri.rprornessas enao cumprir promessas, Expor-se ao perigo e evini-lo. setreconhecido e nao set l'ecQuhecido. Quem lutapelo C O : J 1 U -nis rno s6 tem l ima yi.1'tude:ade lutar peIo coinunisrno. --

    OS QUATRO AGlTADOl1ES F om os p ar a MlikaelJ dislal'~ados dechineses,.quatro hom~s e uma mulher, fazer propagandae apolar 0 partido c1t{nes com a doutrina dos classicos edos propagandistsse '0 ABC do comunismo, Fazer vel' aos

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    176 Ad eci ssoignorantes a sua siruacao; levar aos oprirnidos a conscien-cia de c lasse ; e aqueles que jii tern ~cmsciellcia de classelevamos a experiencia da revolucao,o CORO DE CONTRQtElROSELOGIO DO TRAIJALHOILEGJlL

    BeloeTomar a palavra na luta de classes.~m v02;aIta e sonante cllamar asmassas para a luta,Para que pisem os opressores e libertem as oprimidos,Difieil etitil e 0 pequeno tr abalho de todos as dias,Otenaz e secreta tecerDa rede do Partido diante dosFuzis apontados peios proprietaries:Falar, simMas njio mostrar quem fala,Veneer, s il lMas nao mestrar quem, vence,Morrer, siruMas ocultar a morte.Muitos Eariam muito pels gloria, mas quantoso fazem pdo silencio?Mas a pobre convida a honr a para comer a sua mesaE ci a harraca em ruinas ergue-se,Irreprimivel, a grandeza.E a gloria pergunta em va bQuem foi qu e fez 0 grande feito.AvancemPOl' urn instanceDesconhecidos, de rosro escondido, e recebarnA nossa gratida:o!

    Os QUATRO AGlTADORES Na cidade de Mukden fizemos pro-paganda entre os cperarios. Nao tfnhamos pao,paraos fa-

    - .~ . ! ."

    J. A pedra 177mintos, mas arenas saber para os ignorantes, par isso fa-lamas c ia Causa da miseria, nao sup tim imos a rn iseria, masal1al isam~s ' como eliminar-lhe a causa.

    .3A ' PEDRAOs QUATRO AGlTADOlmS Primeiro f icamos pela c idade baiza .

    Os coles puxavam a cords urna barca pela margem dorio. Mas 0 eb'!'io escortegava. Quando urn deles escorre-gou e 0 capataz lbe bateu, dissemos ao jovem carnarada:segue-os e faz,propaganda no meio deles . Diz-Ihes que,, em' Tientsin, viste sapatos para barqueiros, com solas. demadeira para nfio escorregarem. Faz com que des exijarnsapatos desses tambern. Mas nao tenhas pena ddes! E per-guntarnos: estas de acordo? E de estava de acordo e foidepressa ter com eles, mas logo ficou cheio de rena.Vamos mostrar como fo i.D ois A gitiulon!s represe ntam os C utes, am arra ndo um acorda a um esiaca e [aiendo passar a corda. sobre os om-b ro s. U m d el es r ep re se nt a 0 [ouem Camarada e 0 outre; 0Capata; Io C APi\.TA Z E ll sou 0 capataz. Tenho de levar 0 arroz pari! acidade de Mukden ate caira noire,

    O S D OIS C UL ES Somas os,cules e puxamos '0 bares cheia dearroz rio acima,

    O s CIJ1ESCANCAODOS BA:RQUEI i?OsDoARRoz

    Na cidade que f ica ~io acimaH a urn. miio-cheia d e arroz para n6s,Mas pesa a barqa ' que t ernos de puxar

    "

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    178 AdecisaoE aagua corre rio abaixoNunca Iii chegaremos.

    Puxe rn mi ll s depre ssa , a s bocasEsperam a comida.Puxern a compasso, njio empu.rremo queesta ao lado.

    o JOVEM CAMARADA Horrfvd e ouvir a bdeza c om qu e G !steshomens encobrem 0 seu cruel trabalho.o CAl'ATAZ Puxern rnais depressa.

    OS CULESA noire aproxima-se. 0 acampamenroPequeno dernais ate para a sombra de urn ciioCusta uma rnao-cheia de arrozForgue a margern escorregaNao ccnseguimos avancar,

    Puxe rn mais depre ssa , a s bocasEsperam a comida.Puxern a compasso, nao empurrerno que esta aolado.

    oCULEescorrego e cat: Nao-aguento rnaisOS CULES en qu an to s e mantem de pe e SliD cbicoteados, ate quea qu el e q ue caiu s e v ol ta a l eu an ta r:Mais do que nosResiste 0 cabo' que IlOS corta as ornbroso chicote do capatszJ a viu quatro gera~6esN o s njio .serernos a ultima,

    Puxem mais depressa, asbocasEsperam a comida,Puxem a compasso. Niio empurrerno que esta aolade.o JOVEM C AM A R A D A E diffci l olha!' para esses hcmens sem. sentir C0mpaixao~ Para 0 Capataz. Nao yeS que 0 diao es-

    ~gade~

    c r

    3. A p edra 179.o CAJ >AT A Z 0 c#1'o 0 que?o ]OVEM C AM A R A O A Escorrega demaislo CAPAT A Z 0 q u e ? ' Estas a querer dizer que a rnargern escorre-ga clematispat:a sepoder puxar urna barca chela de arroz?o JOVEM CAMAMDA E " .o C AP A:fA Z . E n t a o achas que a cidade de .Mukden nao precisnde arroz?o J OVEI vI C AMARADA_ Se as lrornerrs caem, nao podem _PUX31' abarca.o CAPAT A Z Queres que euponha urna pedra debaixo dos pesde cada um deles daqui ate a cidade de Mukden?o JOVE, 'v l CAMARADA N a o . sei 0 que tu d eve,sJ'a.4cr,._sci__Qs1ue~_~wdi~w__q~ ' l ie durante d O j , < ; _ j _ l l~anoSfOi iml?Q~tU_sera sempre impossfvel. Em Tientsin viLIDS s apa t os ' p ar a ba rque ir o s, com solas de madeira para naoesco.rtegarem.Conseguiram esses sapatos exigindo-os todosjuntos. Exijam, entao, tcdos juntos, sapatos desses!

    Os CUL.ES E verdade, ja nib conseguimos puxar esta barcasem sapatos desses.o CAPAIAZ Mas 0 arroz tern que chegar a cidade ainda estanoire.Cbicoteia.os, elf'S puxam.

    OS CULESOS nossos pais puxavam a ba rca a t~ um pouco mais acimaDesde a fos. OS 110SS0S filhosChegarao ate it JJ(lSCeJ1te, n6sEstamos 110 meio:

    Puxem mais depressa.ns bocasEsperarn a comida.Puxem a compasso. Na o empurremo q u e esta ao lade.a C ule v olt a a catr.o CULE A judem-me ,

    o J OVEM CA /o .i A I\ ADA TIl ~ a o e s u rn ser humano? Olha, pegonests pedra e coloco-a nalama para 0 Cule: e agora pi5e-teem cimal

    , r

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    180 Ad ecis itoo CAPAT A Z Certo . Para que queremos n6s os sapatos de

    Tientsin? Prefiro cleixar que 0 vOSSQ caridoso camarsdavos acornpanhe e co loque uma pedra debaixo daque leque vai escorregar,

    OS CULESNa barca b:i-arroz. 0 campones queo colheu recebeuUma rniio-cheia de moedas, nosRecebemos ainda menos. Um boiSeria maiscaro que n6s. Somas demais,U m do s G ule s e sc orre ga, 0 [oue m C am arada coioca a pe dra.(\ eo C ule leusnta-se.

    O s CULESPuxern mais depressa, A s bocasEsperarn a comida.Puxem a compasso, Na o empurremo queesta ao lado.

    Quando 0 arroz chegar it cidadeE as criancas perguntaremQuem puxou a pesada barca, dirao:A barca foi puxada,U m dos C uie s escorrega, 0 J ove m C am ara da c olo ca a p ed rae o C ule le ua nta -s e o utre u ez.

    O s CULESPuxem rna is depressa, as bocasEsperam a eomida.Puxern a compasso. Nao .empUlTemo que esta aolado:A comlda hi de baixo chegaraA ;8 'que a i rao comer I i em e.ima. Aqueles

    Que a carregararnNao a comeram:Um. das Cules escorrega, 0 [ouem Camarada coloca a pedr,o Cule leuanta-se nouarnente.o JOVEM CAMAR.~DA Nao aguento mais. Tern de exigir outrossapatos.

    4. A il1sti~a 18 1o CULE E urn louco .Da voutade de rit.o CAPATAZ Nih E daqueles q ue a nd am ai a agitar as nossasgentes. Agarrem-no,OS QUAT RO AG ITA , ! ) ORES E foi logo agarraclo! E persegni

    ram-DO durante dais dias e de encontrou-nos e fomos per -seguidos COD:l de pelacidade de Mukden durante urnasemana e nunca mats pudemos aparecer na ddade baixa., '

    DISCUSSAO

    o COHODE CONTROLEmosMas naa e j_lJ_s_tQ...

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    182 Adecisao 4 . II justica 18.3parte dos operarios entrou ern greve, Mas como a. outraparte continuou a trabalhar, a greve estava em perigo,Dissemos ao jovem carnarada: va i para 0 portae da fabri-ca e distribui os panf le tos, Rep e timosa con versa.

    Os TR ESAGITADORES Falhaste junto aos barqueiros do arroz.'0 JO VE M C AM A M DA Sun.Os TR ESAGITADORES Aprendeste u lg um a c oi sa ?'0 J O VJ ;: M C AMA R A D A Sim.Os " I R E S AGITI l loREs Vais cornportar- te melhor durante a greve?o ] OVE. 1v ! C AMARADA Sim.

    D o is A gi ta do re s r ep re se nt am O p er dr io s Taxteise 0 otarourn Po li c ia .

    Os OOIS opERARlOS Tt:XTEIS Somas o pe ra rio s n a fabrica de. te-cidos,

    QpOLICIA Eu sou policia e sa o os qu e rnandam qu.em. mepaga 0 pao paraeu lutar contra iii insatisfacao.

    Q CORO DE CONTROLElROSAnda, carnaradal Arr iscaEssetostao, que ja nao vale urn tostaoA enxerga onde tu dorrnes e onde cai a chuvaE e sse trabalho que amariha ja nab teras!_~da pa.!_aa ma! ~~a!jae tarde dernais paraesperat'Ai'uda-te, ajudando-nos: praticaA solidatiedade! ---o } O VE M C A M AR A D ,\.Abandona a que tens , c amarada lTu nso tens nada,o C O R O D E C O NT R OL E IR O SAnda, crunamda,e pet~I2in.gafdaE~u_teu...~i1llill.__

    - Se sabes que nada tens a perderOs policias deles nao t e r n espingardas quecheguemlAnd", para a rual LutalJ a e tarde demais para esperar l

    Ajuda-te, a judando-nos. praticaA solidarledade 1

    O s OO iS O P ERA ru os Tt:XTEIsM al acaba 0 trabalho, varnosparacasa, 6 llOSSO sal&'io baixou, n o s n a ~ sabernoso quedevernos fazer e continuamos a trabaihar .o JOVEM CM,IARADAenhega um' pan/leto a um deles, 0 outrop er ma ne ce p a_ nu !o a o s eu l ad o: Le e passa a outro, Quan-

    . do 0 t ive re s l ido , sabe ra s a que fazer,o PRJ:MElRb p l Eg el 1 '1 0 p an /L et o e s eg ue 0 s eu c am in b o.o pO'LfciA atranca 0 p an fle to d as mdo: do Primeiro: Qu_em foi_511!~~u-este..p;ll'lEletQ? . . ..o PR IME IRO Nao sci, .iilguem rna den quando eu ia a passar,o POLlclA prec i pt tando-s e sabre 0 Segundo: Foste tu que Ibe~~pall0e~~6.~os. da pollcia, and~prO"Cura-dos gue distrlbLlem este~---o SEGUNDO N a9 dei Pfi11fletos' a iti:i1gITem.o JOVEM CAMARA nA E e ntao um crime instruir os tghOl"amessobre IIsua situacao? .o pOLicIApara 0 Segun.t/o:' Os voss as ensinamentos levam acoisas terriveis. _~~ d6utrina:rei-o os oped.rio.~ destasfabrica~, des deixam de saber quem e seu verdadeiropatriio. Esse> pequeno panfleto e mais pengos6cta quedez canhoes.o JOVEM CAMARADA 0que e que esta ai escrito?o pOLIOA ISSQ nilti sei, Para 0 Segundo,: 0 que e que estdalescrito?o SE C UNDO Na o vi 0 panfleto, na o fui eu quem o distr ibuiu,o ] OV E M C A M AR A DA Eu sei que naa fo i de.. POL/CIA para 0 [ o ue n: Camar ad a. Foste tu quem the deu 0panfleto>o ]OVEM CA l 'M:RAD t \ Nao,

    ,0 POL/CIA para 0Segundo: Entao foste tu,'0 ]O V EM C A M iil iA D A para o. Pn;neiro: a que e que 1he va]I,aconrecer>o PRlME.IRO Pede ser fuzilado.

    ' L , L

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    184 Adeeisao

    o J OV E M C AM A RA D A Porque e que ttl que re s que e le seja fuz i-lado, policia? Nao es proletario rambem?o pOLfclA para 0 Segundo: Anda. B ate -t he n a c ab ec a.o ]OVEM CAMARADA impedindo-o: Nao f01 de!o POLfC1A Entso Iostetulo SEGUNDO Nao fni elelo PoLfClA Entad foram os dois,o PRlMEIRO Foge, hornem, foge, tens"05 bolsos chciosdepanfletos ..o POUC1A abate a Segundo.o JOVEM Cft i \1}\RADA apont a par a 0 Pol le ia , f at ando par a 0 Pri-meiro. Abateu urn inocente, e ru e~testemunha.o PRlMElRO agrid 0 Policia: Gao!o Polic ia puxa .0 rev.6/wlI: 0[ouen: Camarada.agarre 0 pes-coco d o P olic ia p m' t ; a s . a P ri me ir o C u le t or ce -l be .0 brawlentamente part! t r a s . A a rm a d is pa ra , 0 Policia e desarmado.o JOVEM CAMARADA grita: Socorro! Csmaradasl Socorro!Estao a rnatar inecenteslo SEGUNDO CULE l eu a nt an d o- se p a ra 0 Primeiro: Agora rnata-rnos urn polic ia e .arnanhii jn na o po dem os entrar na fabri-ca. Para 0 [ooem Camarada: E a culpa e tua . .o ]OVEM CAlvf.ARADA Se [olem trabalhar, estao a t ra IT os vos-sos eamaradas.o .sEGUNDO CUtE Tenho mulher e U'es filh05, e guando vo~.ahandonruaJD d t rab il lho f l ze ram greve, a nos aumenta-I"aITI-i10S os. salarIos . Es:c.as-.a..e!;_pagam.nos.Q,..dohro! Mos-tra 0 dinbeiro.o ]O VE M C AM A RA DA com u m m urro a tira -lb e a o c hiio 0 dil1heiro:~.9.dj.9.2&.Q~:!g~o P rime ir o Cu te a ga rr a- o p el o p es co co , enquanto 0 Segun-d o a p an h a 0 dinheiro. 0lavern C ama ra da a ba te 0 atacantecom uma matraca.o SEGUNDO CULE gritando. Socorro l' Sa o agitadores!

    OS QUATRO AGITADORES E logo as operarios que estavarn atrabalhar dentro da fabrica sairam.e expulsararn 0 pique-te de greve ,

    .:.'.

    5. a que "urn h om em , a fi na l d e c on ra s> 1B 5DISCUSSAO

    o CORa DE CONTROLEmOS Que outra coisa podia fazer 0jovem camarada?

    Os QUATRO AGrTI~DORE5 Pode ria ter dito aos cules que 56 sepcdiaro defender da policia se conseguissem que as ou-t ros opera rios c ia fabrica manifestassem a sua solidar ieda-de contra a policia, Pais 0 policia tinha cometido uma in-justica.o CORO DE CONTROLBIROS Estamos de acordo.

    5o QU E E ' UM H O M E M , A F INA L D ECON1 I' AS ?O s Q U AT R O A G IT AD O HE S Lutamos, dia ap6s dia, contra as ve-

    Ihas associacoes, 0 desespero e a submissao ; ensinarnos osoperarios a transformer a luta por rne lhore s salarios emluta pelo !?odet. Elliin~ de armasuolno-ilitar

    ~~lras. -Depois, ouv imos dize r que, por causa das al-t1\.ndegas, os cornerciantes estavam em guerra contra osingleses, que dominavam a cidade. De forma a tlrar pro-veito do conflito entre as dorninadores a favor dos dominados, mandarnos 0 jovem carnarada Ieva r urna carta adoomercianre rnais rico. NeSSi!. c arts esta va escrito: Damemos aos cules I Dlssernos ao jovem c am ara da : a rra nj amaneira de conseguir as a rmas. Mas quando puserarn acomida na mesa, de nao soube calar-se, E 0 que vamosrnostrar,Um Agitador'como Comerciante.o cotvIERCIANTE Eu sou 0 cornerciante. Estou a espera deuma carra daassociacao dos cules sobre uma accao COI1-. . 1 t:Junta contra os mg eses,o J OV EM C AM I\ RA D A ,I 1iqui esta car ta da associacao dos cules,

    . ,, I

    ' 1 ' :

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    1 .8 6 A d ec is aoo COMERCJANTE , Depois d e c ome r, podemos visiter 0 deposito

    ~qs arrnas. Agora VoU cantar- te a minha cantiga preferida ,

    5, 0 que 6 lim, h orn em , ,R B no ld e c on ta s? 1 .& 7o COIVfERClAi ' lTE C on vi do -r e p ar a. a lm oc ar es c om ig o.o 1 0V EM C A MA R AD A E uma honra para rn im a lmocar consigo,o C.OMERCUINTE Enquanto preparam arefei~ao; quero ex-

    p or -t e a m in ha opinido s ob re os c ul es . P or f av or , senta-te,o J OV EM C AM A RA DA A suacpiniao interessa-me.rnuito.o CDMEROANTE Porque e que eu CODSigO rer rudo mats ba-rato do que os outros? E porque e que.urn cule trabalhapara mim quase de graca?

    a JOVEM ,CAlvIAl lADA N a c set.a COMERC I ANTE Porque sou urn homem esperto, Voces tam-bern sao uma genteesperta, porque conseguem ser pagespelos Cules.o J O VE M C I\ .M A R A D A Pois conseguimos. Mas sernpre e verdadeque oSenhor vai da r a rrr ra s aos cules con tra os ingleses?o COMERCIANTE Talvea, talvez. Sei como se deve tratar umcule, Devemos dar-lhe arroz, 0 suficiente para que naomorra, senfio como G ql ,le e le val t raba lhar pa ra ti?Ceno?oJ6VEM CAMAR .ADA Sun, esta cerro.o COlVlERCIANTE Pois eu digo: nao. Se os cules sao mais bam-tos do que 0 arroz, entiioatranjo ourro cule: Isto niioestaainda.rnais cerro?a . lO V EM CAMA RA D A E, estri mais eer to a inda, Mas, quando vaio Senhor env ia r a s pri rnei ra s a rmas para .a c idade ba ixa?o COMERCIANTE Daqul a nada, daqui a nada. Havias de veecomo as ewes que c arregam 0 meu couro compram 0 meuarroz nil.cantina,o 10VEM CAMARADA Pois, havia de ver.o OOMERCJ;ANTE a quee queachas, que page be rn pelo tra-balho?o JDVEM'CAMARADA Niio, mas 0 seu arroz e caro , e 0 trabalhotern de ser bem feito, mas 0 seu arroz :, de rna qualidade,o COMERCIANTE Voces sao um a genre esperta,o JOVEM CAM l IRAOA E quando vai 0senhor dar armas aoscules contra os ingleses?

    CAN,AO VA MERi:dlDORJA

    ! - : i i i arroz Ji i em ba ixo no rio.Nas provincias r io a cim a a s pessoas prec isam de a rrozSe de ix a emos 0arroz nosarmazensO ar rQ zfi r; ar a r na is c ar op ar a e la s,Os que.puxarn a barea receberao ainda.rnenos awnEo arroz ficaraassim ainda mais bararo pant mim.o que e o arroz, afinal.?Sei I n 0 que e a arroz lE s ci l il s, e 0 s ab e a lg uem ,

    ___El.l_J;[email protected]_~_~_~roz"56 sei 0 prer;o que tern. )

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    188, Adecisj ioa que e 0homem, afinal?Sei Li 0 que e 0 homemlE sei 1 a se 0 s ab e a lguem ,Ell nao sei 0 que e 0 hornem,S6 sei o preco que tern,Para 0 Jouem Ccunarada: E agora varnos 15 comer 0 meumelhor arroz.

    o J OV EM C AM A RA DA leuanta-se: Nao posso comer consigo.Os Q U AT R O A G lT AD O R ES Foi 0 que de disse, e nao houvei roca nem arneaca que 0levassern a comer com aqueleque desprezava; e 0 comercianre expulsou-o e os culesnao foram armadas.

    Discusssoa CORD DE CONTROLE1ROS Mas !laO, e justo colccar a honra

    acima de tndo?O S QUATRO A .G I STADORES Nilo.o CORa DE CDNTROLEIROS

    TRANSFORMA 0 MUNDO. EPRECISQCom quem njio se senta 0 justoPara a judar a justica?Que remedio parece amargo demaisAo moribundo>A que. baixeza njio te sujeitas tu paraExtirpar a baixeza?Se finalmente pudesses transformar 0mundc, para queTejulgarias tu born demais?Quemes tu~Afuncla-te na lama,Antm;:a 0 carniceiro, masTransforrna ~ mundo: e pri::ciso !

    T i l h i l muito que niiovos ouvimosPara vos julga r, MasPara aprender.

    OS QUATRO AG1TADORES Mal chegou a s escadas, 0 jovern ca-rnarada reconheceu 0 erro e disse-nos que podlarnosmanda-lo de volta para ta da frontei ra. Vimos a sua fra-queza, mas ainda precisavarnos dele, pois tinha boas liga-

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    AS IRES AGITADORES Entaa mostrastelh es a estrada errada.Mas expoe as tuas razoes aver se DOS convenceslo JO VE M C AM A RA DA A miseria aumenta, e a agitacao crescena cidade.

    OS TRESAG lTADORES Os ignorantes comecam a conhecer asuasitua ..iio.o IdVEM CAMARADA OS desempregadoseceitaram a nossadoutrina,

    Os I R E S AGITADORES O S oprimidos comecam a rer conscien-.cia de classe,o jO VE M C AM AR AD A Saern para as mas e querem destruir asf1a,,6e5.

    Os lnS ACITADORES alta-lhes a experiencia da revolucao.A nossa responsabilidade e par isso ainda maior,o JOVEM CAMARADA. 1 Os de~etnP._regados. jio podem,esperar r nais e en1 - Tambem nao posse esperar mats,Ha demasiada miseria,

    Os T R il S AG IT ADORES Mas ainda ha poucos combatentes,o J OV EM C A MA R I\D A Sao enormes os seus sofrimentos.Os TRi lSAGlTADORf : . s Na o basta sofrer.o JO VE M C AM AR AD A Aqui, t er connosco, v ie ram sere d a parte

    dos d es em p re ga do s, e s er e m il e st av am per tr as d el es , E e le ssabem: a infelicidade na o alastra como uma lepra; a pobrezaniio cai do telhadocomo uma telha; a infeli.cidade e a pobre-za sa o obr a dos homens; a pern iria e coz inhada para e les,as seus Iamentos servem de refei< ;ao . E les sabem de rudo.

    Os T R ES A G IT .A D O R ES Eles sabern quantos regirnentos a go-verno tem?o J OV EM C A MA R AD A Nao.

    OS T . R E : S AGITADOJl ,ES Entdo s sbem pouco, Onde est iio as vos-SaSarrnas?

    o j OV EM C A MA fu \D A mostra as mdos: It com unhas e dentesgue vamos lutar,

    6. A tnti"ao 191OS TR !S A GITA PO RE .S 15S 0 nib chega , S o ves a r niseris do s de-

    sempregados e"nao a miseria des que trabalham. S6 ves ac id ad e e 'naa ve s as c ampo ne s es c ia p la n ic ie . 'les os soldados s6 calha opressores e nab como miseraveis Iardadosque oprirnem. Vai ter com as desernpregados, volta atras110 teu conselho de assaltarern as quarteis e convence-os aparticiparem, esta noire, na ruanifestacao dos rrabalhado-res das Hbricas. Nos iremos tentar convencer os soldadosdescontenres a participarem connosco na manifests ..ao ,fardados .o 10VE l ' v lCAMARADA Lembrei aos desempregados quantasvezes QS soldados dlspara ra rn sobre eles , E agora tenhode ir dizer-lhes que se manifestern lado a lade com os as-sassinos?

    Os T R ES A G IT A DO R E s Sim, porque os soldados podern reco-nhecer Q etro quee disparar contra os mlsedveis c ia suapropria classe, Lembra-re do conselho ciassico do camara-da Lenine: niio se deve considerar os camponeses comoinimigos de dasse, deve-se, s im, conquis tar como aliada amiseria do campo.

    o jO VE M G AM AR AO A Nesse caso eu pergunto: os classicos Xtoleram que a rniseria espere>Os rR ft s AGITADORES Eles falam de rnetodos que abrangem am is er ia e m toda a sua dimensao, ro j OV EM C AM A RA Dt\ Entao os class lcos na o dizer n que se deve )xlajudar umrniserave], imediatamente e sem condicoes?O s IRES AG lTADORES N a a .o JOVEM CAMAMDA Ent fio os c lass icos sao WJla mercia, e eurasgo-os; porque ~Eomem. como se t v ivo, grits, e a sua rni- )dser ia rompe todos as d iques da dou trina. Po r isso vou fazerrebentar }i t a aec;aq . Imediatamenre, agora: pols eu gri to er om po o s diques do ensi namenro. Ra sga a s b l 'o c hu r 'f ls .

    Os mss AG1TAOdl\ES tNa o as rasgues! Pteci~amos delasDe cada uma delas : V e as coisas como .elassfiol

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    192 Adecisao

    A tua revolucao faz-se depressa e dura urn dinAmanha estara esmagada.Mas a nossa revolucao corneca amanhiiVence e transforma a mundo ,A tua revolucao desaparece se tu desapareceres.Contigo desaparecidoA nossa revoiucso continua.o JO V EM C AM A RA D A Oucam 0 que vou dizer : vejo com estesmeus dais olhos que a miseria njio pode esperar , Por issc'me oponho a vossa decilo de ficar a espera,

    Os T R Es A G IT A DO R E S Nao consegues convencer-nos, Vai tefcoin os desempregados e convence-os de que tern de sealiar a frente da revo lucao, Exigimos isso de ti em n o m e :do Partido,o JOVEM CM1ARADAMas 0 Partido quem e>Esta sentado em casa rodeado de telefones?Serao secret es os seus pensa rnentos, desconhec idas as suas

    decisces?o Partido, quem e ele?Os T I ll is AG lTADORESo Partido somes n6s.

    Tu, eu, de - todos nos.Esra rio teu capote, camar ada, e pen sa com a tua cabecaOnde quer que ell more, e !l sua casa e onde es atacado,

    de Iota,Mostra-nos 0 caminho que devernos tamar enosToma-Io-ernos como tu, masNao tomes sem nos 0 born carninhoSern nos ele eo pier caminho,Nao te separes de nos!Pcdemos enganar-nos e teres tu razjioPortanro " a o te separes de nos!

    . ,,~

    Que 0 carninho mais curto e melhor do que 0 mais Iongoninguem 0 rie~a.M a s s e a lg ue m 0 conheceE nao 0 sabe mostrar , d e que nos serve 0 seu saber?Par ilha (Onn05Co'O teu saber!Nao te separes de nos!

    :0 lOVElv1 CAMAHADA Como tenho razao, na o posse ceder . Ve jo. comas meus dois olhosque a miseria nao pode esperato C O RO D E C O NT RO LE IR O S

    EWCIO DO PAR71DO

    Um bomern tern dois olhoso Partido tern mil .olhos.o Partido v e sete estadosUrn ho rn em y e urna c i dade:Um hornem tern a sua horaMas 0 Partido tem muitas hams.Urn homem pode se r aniqui ladoM as 0 Partido nao pede set aniquiladoPois de e ~i(dQ_a_asJ. lli l_s.sasE conduz a sua lura& ; :; 1 o s -metodos dos chlssic05, gue fo ram fotJ .1!dos-Ii. p . ! l r t i . r 9 0 ~oDhecil~lento 9 _ a . 1 . s : a l i d a d e .

    o JOVEM CAMARADA ]a nada disso vale; perante 0cembate,nego tudo aquilo que aindaontem eta valido, denuncioqualquer acordo com quem quer que seja e fa~oapenas 0que e : humane, Aqui esta urna ac

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    AS TRf lS AGITADORES Tenhas OU nao, se falare s, e stamos per-didos! Cala-te!a J OV E M C AM A RA D A]a vi coisas dernais.Por issovou re r com elesDizer-lhes quem eu sou e 0 que se passa.Ar ranc a a ma sc ar a e g ri ta :V\e.m;s para vas ajudar,Viernos de Moscovo.Rasga a mascara.

    Os QUATRO AGITADOHES. . E olhamos para ele , e no crepusculoVimos 0 sell rosto descoberto'Hurnano, abe rro e ingenue . T inhaRasgado a mascara,E das casas vinhaOgrito dos oprimidos: QuemPerturb a 0 sana dos pobres?E uma janela abriu-se e uma voz gritou:Estraagei rosl Prendam os agitadoreslE assim fomos descobertoslE loao ouvimos dizer que uma revolta rebentara na cidadil

    o WoE que nos Iuga re s de reuniiio aguardavaui . _Aque les que nao sabern e uas ruas)lS corriam o~sque n~Q

    tern armasMas ele niio parava de grirar,Enos", abaterno-loPega~os no corpo e sa imos a pressa cia cidade,

    . ;

    7.Persegu.i, iio exasperada e anAlise 195-; .PERSEGUl

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    T ER C EI RO A GI TA D OR Mas se 0 cscondermos e depois 0 encon-trarern, 0 que e que acontece, pois sabern quem e ?

    P r uME IRO AGITADOR Nos rios estao canhoneiras ancoradas, en a comboios b lind ados par ados nase stacoes, prontos pa tanos atacar mil urn de no s seja vista. E le nao pode se r vista .o C O R D D E C O NT R OL EI RO SOnde que !" que nos encontrernHd gentea gritar: os poderososT er n d e s er e li mi na do slE ha canhoes. a disparar,Porque quando 0 famintoCeme e se revolta contra 0 carrascoFomos nos que the pagamosPara de gemer e se revolter.Na nossa testa e sta e sc ri tcQue somas contra a exploracao.Enos nossos mandados de captura: estesSiio a favor dos oprimidoslQuem a juda 0 desesperadoE a esc6ria do mnndo.N6s somos a escoria do mundoNao podemos ser encontrados.

    8o SEPuLCROOs T Il li s AG 1T lI .D O RE S

    Eis 0 n0550 veredicto:Ele tern de desaparecer , e completamente ,Pois riao podemos nem leva-lo nern deixa -lo .

    . " l

    8.0 sepulcro 157Ternos de 0 f tizilar e atirar 0 sen corpo para a mina de cal,Para a cal 0 queimar,o C O R O D E C O N TR O L J: ;m o sNa o enccnt ra ram outra sa ida?

    OS Q U AT R O A G IT A D OR E SEm tao POLIcetempo niio encontramos outra saida.Ta l como 0 a ni ma l a ju da 0 animal,Tarnbem nos QUi5eJn05 ajuda-lo, a e le queCOllTIOSCO lutara pela 110'S5a causa.D u ra nt e c in co minutes, sob 0 o lh ar d os que 110S perseguiam,Pensamos numaS o l U I ; H O rnelhor.Tarnbern voceragora pensamNuma solucdo nrelhor,Pausa.E a ssim d ec id im os : a go raTernos de arrancar do nosso corpo 0proprio p e .E . hor r lv e l ma t ar ,E c o nr ud o mntamos n ao a pe na s o s o ut ro s, m as ta ln be rn nos

    rnatamos a nos, sendo precise .P oi s s 6 a v io le nc la pede rnudarEste rnundo assa ss ino ;e isso sabe -oTodo 0ser vivo. IAinda nao nos' e permiticlo, diziamos,N5 0 rnatar, Fol apenasP el a v on ra de i l1 ab al av eJ d e . . nu da r Q mundoQu e i us ti fi cam os a decisao.o GOTjO D E C O N TR O L E IR O SContinuem a vossa historia, podem contarCom it flOSS:,) cornpreensaoNa b eta f.kil fazer 0 gue esrava cerro.Nao foram voces que ditnram a sentenca, mas sirnA realidade, ,:~S Q U AT R a A G 1T AD O R ES .,..Repetimos a nossa Ultima converse.

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