Mast Colloquia 8

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Colloquia

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  • Museu de Astronomia e Cincias Afins 2006

    COORDENAO DO MAST COLLOQUIAMarcus Granato e Cludia Penha dos Santos

    ORGANIZAO DA EDIOMarcus Granato e Cludia Penha dos Santos

    CAPA E DIAGRAMAOLuci Meri Guimares e Mrcia Cristina Alves

    TRANSCRIO DAS FITASIzis Escssia Moreira de Oliveira

    REVISO DAS TRANSCRIESMarcus Granato, Cludia Penha dos Santos e Janana Lacerda

    As opinies e conceitos emitidos nesta publicao so de inteira responsabilidade de seusautores no refletindo necessariamente o pensamento do Museu de Astronomia e CinciasAfins. permitida a reproduo, desde que citada a fonte e para fins no comerciais.

    FICHA CATALOGRFICA

    Museu de Astronomia e Cincias Afins MASTM986 Discutindo Exposies: conceito, construo e

    avaliao / Museu de Astronomia e Cincias Afins (MAST)- Organizao de: Marcus Granato e Claudia Penha dos Santos. Rio de Janeiro : MAST, 2006. 120p. (MAST Colloquia: 8)

    Inclui bibliografia e notas.

    1.Exposio em museu. I. MAST. II. Ttulo. III. Srie.

    CDU 069.53

  • Sumrio

    APRESENTAO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04

    . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07CRIANDO REALIDADES ATRAVS DE EXPOSIES Tereza Scheiner

    EXPOSIES EM ESTUDO DE CASO: MUSEU HISTRICO NACIONAL 39Ruth Beatriz S. Caldeira de Andrada

    EXPOSIES COMO DISCURSO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61Roberto Conduru

    ESTUDO DE CASO: MUSEU DA VIDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69Carla Grusman e Paula Bonatto

    ARTE, MUSEUS, EXPOSIES: O PROBLEMA DA CULTURALIZAODA ARTE MODERNA E CONTEMPORNEA . . . . . . . . . . . . . . . . .Vera Beatriz Siqueira

    MUSEOGRAFIA E PBLICO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99Denise Coelho Studart e Maria Esther Valente

    3.

    89

  • Apresentao

    As exposies constituem-se no principal instrumento de comunicao do museu

    com seus pblicos, sendo um fenmeno cada vez mais estudado. A partir do sculo XX, os

    museus comeam a abandonar a prtica de expor a totalidade de suas colees, surgindo

    espaos diferenciados para a guarda das colees e para as exposies1. Atualmente, a

    ex po si o pode ser en ten di da como um pro ces so que, na ma i o ria das ve zes, ini cia-se a par tir

    de ques ti o na men tos so ci a is.Contudo, a maior parte do pblico que visita os museus acredita

    que as exposies so o museu, pois atravs delas entram em contato com o universo

    museolgico, com os acervos e com as questes a eles associadas. Para os profissionais de

    museu, no entanto, as exposies so muito mais do que um simples exerccio de composio

    esttica.

    As exposies so o meio de contato mais direto dos museus com o pblico

    e so, nos museus tradicionais, os intermedirios entre os acervos e os visitantes. Exercem,

    portanto, uma das funes fundamentais dos museus. Um museu sem exposio no um

    museu no sentido pleno. Em relao s exposies com temas relacionados cincia e

    tecnologia temos uma particularidade que a relativa complexidade do contedo a ser

    transmitido. No nos damos conta da presena da cincia e da tecnologia no nosso

    cotidiano.Despertar o pblico para esses contedos uma tarefa rdua.

    Para chegarmos a um resultado satisfatrio precisamos fundamentar o

    tema conceitualmente, definir o pblico alvo da exposio e os seus objetivos. Em seguida,

    preciso transpor o tema para uma linguagem museolgica, ponto fundamental para a

    caracterizao de uma exposio como museolgica. Posteriormente, torna-se

    4.

    1 DAIFUKU, Hiroshi. Le collection: entretien et mise em reserve, UNESCO, 1959). Citado por Mrcia Portela na dissertao de mestrado O que os olhos no vem. Reservas tcnicas museolgicasna cidade do Rio de Janeiro defendida no Programa de Ps-Graduaa em Memria Social eDocumento em 1998.

  • imprescindvel avaliar os resultados obtidos atravs de uma pesquisa de pblico.

    Acreditamos que o processo de construo de qualquer exposio deve ser sempre

    coletivo. Assim, a equipe que ir elaborar e desenvolver o projeto da exposio deve ser

    multidisciplinar: muselogos, conservadores, arquitetos, programadores visuais,

    educadores, etc.. A preparao e a montagem de uma exposio pode ser um processo muito

    prazeroso e enriquecedor, mas pode trazer muitas situaes de conflito.

    Entre as atribuies da Coordenao de Museologia do MAST, uma refere-se

    especificamente concepo, desenvolvimento e montagem de exposies.Freqentemente, somos

    procurados por instituies museolgicas e no museolgicas para o estabelecimento de parcerias

    objetivando a montagem de museus, contudo, ao iniciarmos o processo de negociao percebemos que

    trata-se no da montagem de um museu, mas da realizao de uma exposio temporria e/ou

    itinerante. O desconhecimento sobre o tema entre os no profissionais de museus bem geral.

    A importncia da temtica para o meio museolgico pode ser percebida

    pelo nmero crescente de seminrios e eventos dedicados ao tema, alm do aumento do

    nmero de publicaes. Dando continuidade ao ciclo de palestras MAST Colloquia, voltado

    para temas relacionados Museologia, a Coordenao de Museologia do MAST escolheu

    Discutindo Exposies: Conceito, Construo e Avaliao2 como o tema central para o

    programa de seminrios mensais, entre abril e dezembro de 2004. Procurou-se abrir um

    espao para questionar aspectos importantes como a relao das exposies com o pblico, a

    diferenciao entre as propostas para exposies de curta e longa durao, alm de permitir a

    apresentao de estudos de casos, mostrando os percalos e os avanos realizados pelas

    equipes que desenvolveram esses projetos.

    O primeiro seminrio, Criando realidades atravs de exposies, foi proferido por

    Tereza M. Scheiner, professora da Faculdade de Museologia da UNIRIO e atualmente

    5

    2 Nesta edio s foram publicados os textos revisados pelos autores.

  • coordenadora do Programa de ps-graduao em Museologia e Patrimnio

    (UNIRIO/MAST). Nessa oportunidade, foram apresentados os conceitos e as premissas que

    norteiam os trabalhos relacionados s exposies sendo possvel discutir a teoria

    museolgica que fundamenta essa rea.

    Roberto Conduru, Professor do Instituto de Artes e Coordenador do Departamento

    Cultural da UERJ, apresentou uma reflexo interessante, com o tema Exposio como

    discurso enfocando as exposies de arte como paradigmas para as exposies dos demais

    museus.

    As palestras do segundo semestre de 2004 foram quase todas voltadas para estudos

    de caso. Assim, Ruth Beatriz S. Caldeira de Andrada apresentou alguns exemplos de

    exposies realizadas no Museu Histrico Nacional. Carla Gruzman e Paula Bonatto

    apre sen ta ram suas ex pe rin ci as no Mu seu da Vida (FIOCRUZ) re la ci o na das,

    res pec ti va men te, s ex po si es Espa o da Bi o des co ber ta e Par que da Cincia.Vera B.

    Siqueira, Pro fes so ra de His t ria da Arte do Insti tu to de Artes da UERJ, in tro du ziu o tema de

    ex po si es na rea das ar tes. Fi nal men te, De ni se Stu dart da FIOCRUZ e Ma ria Esther

    Va len te do MAST apre sen ta ram um am plo pa i nel sobre Museografia e pblico.

    O MAST, com essa iniciativa, procurou abrir mais um espao para a troca de

    experincias entre profissionais das reas relacionadas, alm de permitir que os interessados

    no tema, pudessem usufruir desse contato. A publicao dos textos produzidos a partir da

    transcrio e edio dos discursos dos palestrantes, pretende ampliar o alcance do evento e

    disponibilizar material para possveis interessados nessa discusso.

    Marcus Granato Coordenador de Museologia MAST/MCT

    6

  • CRIANDO REALIDADES ATRAVS DE EXPOSIES:Tereza Cristina Scheiner

    7.

  • 8.

    Nota Biogrfica

    Palestrante

    Nascida no Rio de Janeiro, Tereza Scheiner formada em museologia pelo MuseuHistrico Nacional (MHN/1970) e em Geografia pela Universidade do Estado do Rio deJaneiro (UERJ/1977). Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Antropologia pela George Washington University(G.W.U/ Washington), tambm mestre (1998) e doutora (2004) em Comunicao pelaUFRJ. Com vasta experincia profissional, membro atuante do International Council OfMuseums - ICOM, no qual j ocupou cargos diversos inclusive Vice-Presidente doICOFOM, publicou e organizou vrios livros, alm de inmeros trabalhos. Atualmente, professora adjunto da Escola de Museologia da UNIRIO.

  • H uma dificuldade inerente apresentao de qualquer palestra sobreexposies para especialistas de museus, porque preciso ser muito conciso pelo curtoespao de tempo. Procurei, ento, mais do que fazer uma abordagem acadmica, trazeralguns aspectos que levem a uma reflexo sobre o tema, articulando um conjunto de questescom o apoio de imagens caractersticas; questes que, aparentemente, so facilmenteresolvidas por todos aqueles que trabalham com exposies, mas que, na prtica, constituemproblemas recorrentes em qualquer museu do mundo. Muitas destas questes no seencontram nos textos acadmicos, pois envolvem uma srie de componentes internos eexternos s instituies inclusive componentes afetivos, comportamentais, relacionados sequipes dos museus, ou s relaes interinstitucionais. E a partir da percepo que temos da instituio como processo que iremos identificar tais questes, tanto no que se refere srealidades cotidianas de nosso trabalho como em relao ao que poderamos reconhecer

    como os mitos da Museologia.

    Esse trabalho refere-se aos modos e forma