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CADERNO DOUTRINÁRIO 10 OPERAÇÕES DE CONTROLE DE DISTÚRBIOS MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL nº 3.04.10/2013-CG

Caderno Doutrinário 10 - Operações de Controle de Distúrbios

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Text of Caderno Doutrinário 10 - Operações de Controle de Distúrbios

  • CADERNO DOUTRINRIO 10

    OPERAES DE CONTROLE

    DE DISTRBIOS

    MANUAL TCNICO-PROFISSIONAL

    n 3.04.10/2013-CG

  • CADERNO DOUTRINRIO 10

    OPERAES DE CONTROLE

    DE DISTRBIOS

    MANUAL TCNICO-PROFISSIONAL

    n 3.04.10/2013-CG

    Regula a Prtica Policial Especial de Policiamento de

    Choque na Polcia Militar de Minas Gerais.

    Belo Horizonte - MGAcademia de Polcia Militar

    2013

  • Direitos exclusivos da Polcia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG).Reproduo condicionada autorizao expressa do Comandante-Geral da PMMG. Circulao restrita.

    Governador do Estado: Antonio Augusto Junho AnastasiaComandante-Geral da PMMG: Cel. PM Mrcio Martins SantAna Chefe do Estado-Maior: Cel. PM Divino Pereira de BritoChefe do Gabinete Militar do Governador: Cel. PM Luis Carlos Dias Martins Comandante da Academia de Polcia Militar: Cel. PM Srgio Augusto Veloso BrasilChefe do Centro de Pesquisa e Ps-Graduao: Ten.-Cel. PM Slvio Jos de Sousa Filho Tiragem: 3.000 exemplares

    ADMINISTRAO: Centro de Pesquisa e Ps Graduao Rua Dibase 320 Prado Belo Horizonte MGCEP 30410-440 Tel.: (0xx31)2123-9513 E-mail: [email protected]

    SUPORTE METODOLGICO E TCNICOSeo de Emprego Operacional (EMPM/3) Quartel do Comando-Geral da PMMGCidade Administrativa/Edifcio Minas, Rodovia Prefeito Amrico Gianetti, s/n - 6 andarBairro Serra Verde - Belo Horizonte - MG - Brasil - CEP 31.630-900Telefone: (31) 3915-7799.

    MINAS GERAIS. Polcia Militar. Comando-Geral. MANUAL TCNICO-PROFISSIONAL

    N 3.04.10/2013-CG: Regula a Prtica Policial Especial de Policiamento de Choque nas

    Operaes de Controle de Distrbios na Polcia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte:

    PMMG Comando-Geral, 2013.

    248 p.: il.

    1. Controle de Distrbios 2. Policiamento de Choque. 3. Policiamento Especializado.

    I. Alves, Eduardo Felisberto (resp.). II. Costa, Winston Coelho (rev.). III. Polcia Militar.

    Comando-Geral. IV. Ttulo.

    CDU 351.754

    CDD 352.932

    Ficha catalogrfi ca: Rita Lcia de Almeida Costa CRB 6 Reg. n.1730

  • RESOLUO N 4260, DE 11 DE JUNHO DE 2013.

    Aprova o Manual Tcnico-Profissional de Operaes de Controle de Distrbios na Polcia Militar de Minas Gerais.

    O COMANDANTE-GERAL DA POLCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, no uso das atribuies que lhe so conferidas pelo inciso I, alnea I do artigo 6, item V, do regulamento aprovado pelo Decreto n 18.445, de 15Abr77 (R-100), e vista do estabelecido na Lei Estadual 6.260, de 13Dez73, e no Decreto n 43.718, de 15Jan04, RESOLVE:

    Art. 1 - Aprovar o Manual Tcnico-Profissional n 3.04.10/2013-CG, denominado ilustrativamente Caderno Doutrinrio de Operaes de Controle de Distrbios, que visa regular a prtica policial especial de policiamento de choque na Polcia Militar de Minas Gerais.

    Art. 2 - Esta Resoluo entra em vigor na data de sua publicao.

    Art. 3 - Revogam-se as disposies em contrrio.

    QCG em Belo Horizonte, 11 de junho de 2013.

    (a) MRCIO MARTINS SANTANA, CORONEL PM

    COMANDANTE-GERAL

  • GESTORES DO PROCESSO ELABORATIVO

    Coronel PM Fbio Manhes Xavier

    Coronel PM Antnio de Carvalho Pereira

    Coronel PM Newton Antnio Lisboa Junior

    Tenente-Coronel PM Marcelo Vladimir Correa

    SUPERVISO TCNICA

    Tenente-Coronel PM Winston Coelho Costa

    Major PM Cludio Jos Dias

    REDAO

    Major PM Eduardo Felisberto Alves

    Major PM Alexandre Xavier Martins

    Capito PM Andr de Oliveira Coli

    1 Tenente PM Antnio Hot Pereira de Faria

    2 Sargento PM Hlio Carlos Alves Santana

    COLABORADORES

    Tenente-Coronel PM Slvio Jos de Sousa Filho

    Major PM Eugnio Pascoal da Cunha Valadares

    Major PM Cleverson Natal de Oliveira

    Capito PM Ricardo Luiz Amorim Gontijo Foureaux

    1 Tenente PM Thiago Vitrio de Oliveira

    1 Tenente PM Alan Thiago da Silva

    Subtenente PM Antnio Geraldo Alves Siqueira

    2 Sargento PM Danilo Teixeira Alcntara

    2 Sargento PM Luiz Henrique de Moraes Firmino

    Cabo PM Elias Sabino Soares

    REVISO FINAL

    Tenente-Coronel PM Winston Coelho Costa

    REVISO DE GRAMTICA

    Professora Maria Slvia Santos Fiza

  • LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 Modelo de uso de fora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

    Figura 2 Sequenciamento racional das aes e prioridade no emprego dos meios. . . . . . . 47

    Figura 3 Explicao externalista para o autocontrole. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65

    Figura 4 Simbologia de representao da tropa de operao de controle de distrbios. . . . . 70

    Figura 5 Representao grfica do Grupamento de OCD Ligeiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

    Figura 6 Representao grfica resumida da formao por dois. . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

    Figura 7 Representao grfica resumida da formao em cunha. . . . . . . . . . . . . . . . . 93

    Figura 8 Representao grfica resumida da formao em coluna por um. . . . . . . . . . . 94

    Figura 9 Representao grfica resumida da coluna por um alternada. . . . . . . . . . . . . . . . . 94

    Figura 10 Representao grfica resumida da formao em linha. . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

    Figura 11 Representao grfica do OCD Ttico com 02 guarnies. . . . . . . . . . . . . . . . . 97

    Figura 12 Representao grfica do OCD Ttico com 04 guarnies. . . . . . . . . . . . . . . . . 97

    Figura 13 Representao grfica do OCD Ttico com 05 guarnies. . . . . . . . . . . . . . . . . 97

    Figura 14 Representao grfica do OCD Ttico com 06 guarnies. . . . . . . . . . . . . . . . . 98

    Figura 15 Posicionamento da tropa de OCD Ttico com 05 guarnies . . . . . . . . . . . . . . . . . 99

    Figura 16 Posicionamento da tropa de OCD Ttico com 06 guarnies . . . . . . . . . . . . . . . . . 99

    Figura 17 Posicionamento alternativo das viaturas retaguarda da tropa formada (05 guarnies). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101

    Figura 18 Posicionamento alternativo das viaturas retaguarda da tropa formada (06 guarnies). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102

    Figura 19 Tropa posicionada na formao em linha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

    Figura 20 Tropa posicionada na formao em cunha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108

  • Figura 21 Tropa posicionada na formao em escalo direita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110

    Figura 22 Tropa posicionada na formao em escalo esquerda. . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

    Figura 23 Tropa posicionada em guarda alta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112

    Figura 24 Tropa posicionada em guarda alta emassada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113

    Figura 25 Tropa posicionada em guarda baixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114

    Figura 26 Tropa posicionada em guarda baixa emassada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114

    Figura 27 Tropa posicionada com escudos acima. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115

    Figura 28 Tropa progredindo no comando de carga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116

    Figura 29 Postura de guarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122

    Figura 30 Representao formao por trs.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125

    Figura 31 Formao por trs. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

    Figura 32 Representao da mudana de formao de Por trs para Por dois. . . . . . . . 127

    Figura 33 Representao grfica da formao por dois . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .127

    Figura 34 Formao por dois. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128

    Figura 35 Representao da formao em linha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

    Figura 36 Formao em linha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

    Figura 37 Representao da formao em cunha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

    Figura 38 Formao em cunha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

    Figura 39 Representao da formao em escalo esquerda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132

    Figura 40 Escalo esquerda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133

    Figura 41 Representao da formao em escalo direita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134

    Figura 42 Escalo direita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135

    Figura 43 Peloto em posio de guarda alta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136

  • Figura 44 Guarda baixa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136

    Figura 45 Guarda baixa emassada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137

    Figura 46 Representao da posio em guarda alta emassada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138

    Figura 47 Representao da posio de escudos acima. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139

    Figura 48 Escudos acima. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140

    Figura 49 Representao de peloto em linha com apoio lateral direita. . . . . . . . . . 142

    Figura 50 Representao de peloto em linha com apoio lateral esquerda. . . . . . . . 143

    Figura 51 Formao em linha com apoio lateral esquerda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144

    Figura 52 Representao grfica de peloto em linha com apoio complementar. . . . . . . . . 145

    Figura 53 Formao em linha com apoio complementar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145

    Figura 54 Representao grfica de formao em linha com apoio cerrado. . . . . . . . . . . . . 146

    Figura 55 Formao em linha com apoio cerrado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147

    Figura 56 Representao grfica de formao em linha com apoio central. . . . . . . . . . . . . 148

    Figura 57 Formao em linha com apoio central. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149

    Figura 58 Comando de ateno.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155

    Figura 59 Comando de execuo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156

    Figura 60 Comando da formao em linha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156

    Figura 61 Comando da formao em cunha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158

    Figura 62 Comando de escalo esquerda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159

    Figura 63 Comando de escalo direita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160

    Figura 64 Comando da formao por trs (reunir). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161

    Figura 65 Comando da formao por trs. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162

    Figura 66 Comando da formao por dois. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163

  • Figura 67 Comando da base para a formao por Companhia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164

    Figura 68 Comando da formao em apoio lateral. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165

    Figura 69 Comando da formao em apoio lateral direita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166

    Figura 70 Comando da formao em apoio lateral esquerda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167

    Figura 71 Comando da formao em apoio complementar (tempo 1). . . . . . . . . . . . . . . . 168

    Figura 72 Comando da formao em apoio complementar (tempo 2). . . . . . . . . . . . . . . . 169

    Figura 73 Comando da formao em apoio cerrado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170

    Figura 74 Comando da formao em apoio central. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171

    Figura 75 Comando da formao em guarda baixa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172

    Figura 76 Comando guarda emassada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173

    Figura 77 Comando guarda alta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174

    Figura 78 Comando escudos acima. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175

    Figura 79 Comando preparar para embarcar (tempo 1). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176

    Figura 80 Comando preparar para embarcar (tempo 2). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177

    Figura 81 Comando embarcar (tempo 1). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178

    Figura 82 Comando embarcar (tempo 2). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179

    Figura 83 Comando preparar para desembarcar (tempo 1). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180

    Figura 84 Comando preparar para desembarcar (tempo 2). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181

    Figura 85 Comando desembarcar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182

    Figura 86 Comando desembarcar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183

    Figura 87 Veculo de controle de distrbios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191

    Figura 88 Canho dgua do veculo de controle de distrbios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192

    Figura 89 Canho dgua do veculo de controle de distrbios (vista aproximada) . . . . . . . . 193

  • Figura 90 Parte interna do veculo de controle de distrbios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193

    Figura 91 Posio de sentido.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201

    Figura 92 Posio de sentido equipado com basto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202

    Figura 93 Posio de sentido equipado com escudo e basto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203

    Figura 94 Posio de sentido equipado com lanador de munio qumica . . . . . . . . . . . .204

    Figura 95 Posio de sentido equipado com KTO de munio qumica. . . . . . . . . . . . . . . 205

    Figura 96 Posio de sentido armado com espingarda.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206

    Figura 97 Posio de sentido armado com submetralhadora... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207

    Figura 98 Posio de sentido armado com fuzil. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208

    Figura 99 Posio de sentido equipado com bornal de duas alas. . . . . . . . . . . . . . . . . . 209

    Figura 100 Posio de descansar desequipado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211

    Figura 101 Posio de descansar equipado com basto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212

    Figura 102 Posio de descansar equipado com escudo e basto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213

    Figura 103 Posio de descansar equipado com lanador de munio qumica. . . . . . . . . . . 214

    Figura 104 Posio de descansar equipado com KTO de munio qumica. . . . . . . . . . 215

    Figura 105 Posio de descansar armado com espingarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216

    Figura 106 Posio de descansar armado com submetralhadora. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217

    Figura 107 Posio de descansar armado com fuzil. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218

    Figura 108 Posio de descansar equipado com manta bornal de duas alas. . . . . . . . . . . . 219

    Figura 109 Posio de ombro-arma equipado com basto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 221

    Figura 110 Posio de ombro-arma equipado com escudo antitumulto e basto. . . . . . . . . 222

    Figura 111 Apresentar arma (coberto). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224

    Figura 112 Apresentar arma descoberto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225

  • Figura 113 Apresentar arma com basto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226

    Figura 114 Posio de apresentar-arma com escudo antitumulto e basto . . . . . . . . . . 227

    Figura 115 Escudeiro na posio de depor escudos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235

    Figura 116 Escudeiro na posio de depor equipamentos (tempo 1) . . . . . . . . . . . . . . . . 237

    Figura 117 Escudeiro na posio de depor equipamentos (tempo 2). . . . . . . . . . . . . . . . . 238

    Figura 118 Lanador dos 2 e 3 grupos na posio de depor equipamentos . . . . . . 239

    Figura 119 Atirador na posio de depor equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240

    Figura 120 Segurana na posio de depor equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241

    Figura 121 Segurana na posio de depor equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242

    Figura 122 Socorrista na posio de depor equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 243

  • 1 APRESENTAO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .23

    2 ASPECTOS NORMATIVOS DA ATIVIDADE DE CONTROLE DE DISTRBIOS . . . . 27

    2.1 Competncia legal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

    2.2 O emprego da tropa de choque. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

    2.3 Contedo jurdico e limites do direito de reunio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

    2.4 Utilizao de fora em operaes de controle de distrbio - prioridade de emprego dos meios.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

    3 ESTUDO DAS MASSAS E DOS DISTRBIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

    3.1 Psicologia das massas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

    3.1.1 A unidade mental das massas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

    3.1.2 Caractersticas gerais das massas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

    3.1.3 Caractersticas especiais das massas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

    3.2 Fatores psicolgicos que influenciam o comportamento do indivduo . . . . . . . . . 56

    3.3 Espcies de massas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57

    3.4 Distrbios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

    4 OPERADOR DE CONTROLE DE DISTRBIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

    4.1 Perfil do policial militar operador de controle de distrbios. . . . . . . . . . . . . . . . 63

    4.1.1 Compromisso com a instituio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

    4.1.2 Resistncia a psicofadiga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

    4.1.3 Resilincia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

    4.1.4 Autocontrole. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

    4.1.5 Disciplina (tcnica, ttica e hierrquica). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65

    4.1.6 Higidez fsica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

    SUMRIO

  • 4.2 Funes do operador de controle de distrbios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

    4.2.1 Comandante de companhia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

    4.2.2 Comandante de peloto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67

    4.2.3 Sargento auxiliar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67

    4.2.4 Sargento comandante de grupo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

    4.2.5 Escudeiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

    4.2.6 Lanador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

    4.2.7 Atirador. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

    4.2.8 Socorrista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

    4.2.9 Segurana. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

    4.2.10 Operador de canho dgua. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

    4.2.11 Motoristas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

    4.3 Simbologia das funes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

    5 PRINCPIOS DA ATIVIDADE DE OPERAES DE CONTROLE DE DISTRBIOS. . 73

    5.1 Amparo em normas internacionais de Direitos Humanos. . . . . . . . . . . . . . . . . 73

    5.2 Princpios operacionais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

    5.3 Princpios de emprego. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75

    5.4 Regras de engajamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

    6 AES DA FRAO COM RESPONSABILIDADE TERRITORIAL PRIMEIRO INTERVENTOR EM OPERAO DE CONTROLE DE DISTRBIOS . . . . . . . . . . 79

    6.1 Motivao de emprego - tipos de reunies legais/ilegais no violentas. . . . 79

    6.2 Requisitos para mobilizao da tropa com responsabilidade territorial. . . . . 80

    6.3 Medidas genricas de emprego (antecedem ou suprem as OCD). . . . . . . . . . . . . 81

    6.4 Medidas especficas de emprego (subsidiam o emprego da tropa especializada em OCD). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82

  • 7 OPERAES DE CONTROLE DE DISTRBIOS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

    7.1 Controle de Massa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

    7.2 Espcies de Operaes de Controle de Distrbio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

    7.2.1 Operao de Controle de Distrbio Ligeiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88

    7.2.1.1 Definio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89

    7.2.1.2 Nomes e funes em um Grupo de Motociclistas Batedores. . . . . . . . . . . . . . . . 89

    7.2.1.3 Tipos de Formaes para escoltas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

    7.2.2 Operao de Controle de Distrbio Ttico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

    7.2.2.1 Definio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

    7.2.2.2 Forma de atuao OCD Ttico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96

    7.2.2.3 Descrio das funes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103

    7.2.2.4 Formaes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

    7.2.2.5 Posies de Guarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110

    7.2.2.6 Carga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115

    7.2.3 Operao de Controle de Distrbio Leve . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116

    7.2.4 Operao de Controle de Distrbio Pesado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117

    7.3 Composies e equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117

    7.3.1 Composio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117

    7.3.2 Equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118

    7.3.2.1 OCD Ligeiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118

    7.3.2.2 OCD Ttico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119

    7.3.2.3 OCD Leve. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120

    7.3.2.4 OCD Pesado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121

    7.4 Aspectos tcnicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122

  • 7.4.1 Postura de Guarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122

    7.4.2 Formaes de Choque. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123

    7.4.3 Formaes de apoio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123

    7.4.4 Descrio das formaes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124

    7.4.4.1 Formaes de Choque. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124

    7.4.4.2 Posies de guarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135

    7.4.4.3 Formao com apoio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141

    7.4.4.4 Embarque e desembarque. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149

    7.4.4.5 Deslocamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151

    7.4.5 Comandos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152

    7.4.5.1 Comandos por voz. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152

    7.4.5.2 Comandos por gestos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154

    7.4.5.3 Formaes de Peloto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157

    7.4.5.4 Formaes de Companhia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164

    7.4.5.5 Posies de Guarda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172

    7.4.5.6 Embarque-Desembarque. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175

    7.4.5.7 Execuo dos comandos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184

    7.4.5.8 Comando de Carga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 185

    8 VECULO DE CONTROLE DE DISTRBIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189

    8.1 Caractersticas gerais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189

    8.2 Dados tcnicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189

    8.3 Utilizao. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194

    9 ORDEM UNIDA COM EQUIPAMENTOS DE CHOQUE . . . . . . . . . . . . . . . . . 199

    9.1 Execuo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199

  • 9.2 Conceitos e definies. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199

    9.3 Posies.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200

    9.3.1 Sentido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200

    9.3.2 Descansar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210

    9.3.3 Vontade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220

    9.3.4 Em Forma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220

    9.3.5 Ombro-arma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220

    9.3.6 Apresentar-arma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223

    9.3.7 Cruzar Armas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228

    9.3.8 Descansar-arma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 229

    9.3.9 Cobrir/perfilar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230

    9.3.10 Fora de Forma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231

    9.3.11 Olhar Direita (Esquerda) a p firme. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232

    9.3.12 Olhar Direita (Esquerda) em deslocamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232

    9.3.13 Olhar Direita (Esquerda) em desfile. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232

    9.4 Passos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232

    9.5 Voltas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233

    9.5.1 A p firme. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233

    9.5.2 Em marcha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234

    9.6 Depor escudos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234

    9.7 Depor equipamentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236

    9.8 Condies gerais de execuo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 243

    REFERNCIAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245

  • APRESENTAO

    SEO 1

  • Manual Tcnico-Profissional 3.04.10

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    1 APRESENTAO

    Para balizar as condutas de seus profissionais, a Polcia Militar de Minas Gerais (PMMG) apresenta um conjunto de Manuais Tcnicos Profissionais que estabelecem mtodos e parmetros que propiciam suporte sua prtica profissional e, por isso, consistem em instrumentos educativos e de proteo, tanto para o profissional militar quanto para o cidado.

    O objetivo deste documento fornecer bases gerais para capacitao do policial militar e abordar aspectos especficos para a correta execuo deste tipo de policiamento especializado, que, por sua generalidade, merece tratamento especial neste caderno e em outros cadernos que normatizam condutas do policiamento ostensivo de forma geral, e cujo conhecimento seja indispensvel para a compreenso e complementao de determinadas peculiaridades do Policiamento de Choque.

    Para efeito deste Manual Tcnico-Profissional ser considerado como operaes de controle de distrbios todas as aes e operaes policiais militares com objetivo de manuteno ou restabelecimento da ordem, nos casos de ocorrncias policiais que extrapolem a capacidade operativa do policiamento ostensivo geral e que exijam, para sua soluo satisfatria, o uso de doutrina especfica, equipamentos especiais e efetivo especialmente treinado para tais eventos, denominada tropa de choque.

    O Manual Tcnico-Profissional de Operaes de Controle de Distrbios traz orientaes que maximizam o poder operativo e particularidades do uso de fora de forma coletiva (formaes de tropa), tais como controle de distrbios, rebelies em presdio, eventos com grandes pblicos e outras operaes tpicas de Polcia de Choque. Sua leitura deve ser, obrigatoriamente, precedida do Manual Tcnico-Profissional 3.04.01 (Interveno Policial, Processo de Comunicao e Uso de Fora).

    Para cumprimento de seu objetivo, este Manual consta de 9 sees. A Seo 2 estabelece os aspectos normativos da atividade de controle de distrbios, conforme aspectos legais e doutrinrios. A Seo 3 apresenta o estudo das massas e dos distrbios. A Seo 4 se dedica s caractersticas do policial militar como operador de controle de distrbios e as funes individuais a

  • PRTICA POLICIAL ESPECIAL

    24

    serem desempenhadas neste tipo especializado de policiamento. A Seo 5 ressalta os princpios que norteiam a atividade de operaes de controle de distrbio. A Seo 6 trata das aes da Frao com responsabilidade territorial que antecedem ou suprem as operaes de controle de distrbios, alm de medidas especficas que vo subsidiar o emprego da tropa especializada em controle de distrbios. A Seo 7 cuida das operaes de controle de distrbios propriamente dita, espcies, formaes e composies de tropa, misses especficas dos policiais militares engajados, comandos e deslocamentos. A Seo 8 destaca a utilizao e caractersticas gerais do veculo de controle de distrbios. A Seo 9 cuida da ordem unida com equipamentos de choque para fins de treinamento, padronizao de condutas e adestramento para emprego ou presena da tropa de choque.

  • ASPECTOS NORMATIVOS

    DA ATIVIDADE DE CONTROLE DE

    DISTRBIOS

    SEO 2

  • Manual Tcnico-Profissional 3.04.10

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    2 ASPECTOS NORMATIVOS DA ATIVIDADE DE CONTROLE DE DISTRBIOS

    2.1 Competncia Legal

    Para se discorrer acerca de determinada competncia de uma organizao policial, precisa-se, de incio, buscar o embasamento legal para tal ao e defini-lo com lastro nessa mesma legislao. Assim, imperioso citar os dispositivos da Constituio da Repblica Federativa do Brasil de 1988 (BRASIL, 1988), que definem o campo de ao das Polcias Militares do Brasil, previstos no Art. 144:

    Art. 144 A segurana pblica, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, exercida para a preservao da ordem pblica e da incolumidade das pessoas e patrimnio, atravs dos seguintes rgos:

    [...]

    V policiais militares e corpos de bombeiros militares.

    [...]

    5 s policias militares cabem a polcia ostensiva e a preservao da ordem pblica (BRASIL, 1988).

    Assim, constata-se que, no contexto da proteo social no qual esto inseridas as foras pblicas estaduais, as polcias militares tm, por atribuio, preservar a ordem pblica. Por certo, preservar a ordem pblica no se restringe a apenas mant-la, mas tambm restaur-la quando de sua ruptura.

    Destarte, com vistas a pormenorizar tais obrigaes das Polcias Militares, recepcionou-se, no que no contraria os preceitos constitucionais, o Decreto-lei 667, de 2 de julho de 1969 que Reorganiza as Polcias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territrios e do Distrito Federal, e d outras providncias. Em seu terceiro artigo, o Decreto-lei detalha a atribuio das Foras Estaduais:

    Art. 3 Institudas para a manuteno da ordem pblica e segurana interna nos Estados, nos Territrios e no Distrito Federal, compete s Polcias Militares, no mbito de suas respectivas jurisdies:

  • PRTICA POLICIAL ESPECIAL

    28

    a) executar com exclusividade, ressalvas as misses peculiares das Foras Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, planejado pela autoridade competente, a fim de assegurar o cumprimento da lei, a manuteno da ordem pblica e o exerccio dos poderes constitudos;

    b) atuar de maneira preventiva, como fora de dissuaso, em locais ou reas especficas, onde se presuma ser possvel a perturbao da ordem;

    c) atuar de maneira repressiva, em caso de perturbao da ordem, precedendo o eventual emprego das Foras Armadas;

    d) atender a convocao, inclusive mobilizao, do Governo Federal em caso de guerra externa ou para prevenir ou reprimir grave perturbao da ordem ou ameaa de sua irrupo, subordinando-se Fora Terrestre para emprego em suas atribuies especficas de polcia militar e como participante da Defesa Interna e da Defesa Territorial;

    e) alm dos casos previstos na letra anterior, a Polcia Militar poder ser convocada, em seu conjunto, a fim de assegurar Corporao o nvel necessrio de adestramento e disciplina ou ainda para garantir o cumprimento das disposies deste Decreto-lei, na forma que dispuser o regulamento especfico (BRASIL, 1969, grifo nosso).

    Do excerto apresentado, percebe-se que, no pertinente atividade de controle de distrbios, a norma explicita como competncia das Polcias Militares, entre outras coisas, a incumbncia de assegurar o cumprimento da lei, manter a ordem pblica e os poderes constitudos, seja preventiva ou repressivamente, quando de sua perturbao.

    Em sntese, no pertinente a manter os poderes constitudos e assegurar o fiel cumprimento das leis em ambiente de distrbio, tem-se a atribuio direta conferida s polcias militares. Contudo, no concernente manuteno da ordem pblica, temos, entretanto, que diferenciar a sua perturbao para a grave perturbao, nos termos das alneas c e d do Decreto-lei mencionado.

    Para melhor compreender o real contedo dos dispositivos legais, se faz necessrio trazer a balia o conceito de ordem pblica, definida pelo R-200 (Regulamento para as Polcias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, aprovado pelo Decreto 88.777, de 30 de Setembro de 1983), que regulamentou

  • Manual Tcnico-Profissional 3.04.10

    29

    o Decreto-Lei 667:

    Ordem Pblica: Conjunto de regras formais, que emanam do ordenamento jurdico da Nao, tendo por escopo regular as relaes sociais de todos os nveis, do interesse pblico, estabelecendo um clima de convivncia harmoniosa e pacfica, fiscalizado pelo poder de polcia, e constituindo uma situao ou condio que conduza ao bem comum (BRASIL, 1983).

    Todavia, resta ainda saber quando uma perturbao da ordem pode ser qualificada como grave. Com essa finalidade, o R-200 ainda se cuida de distinguir os conceitos de perturbao da ordem e de grave perturbao da ordem:

    Grave Perturbao ou Subverso da Ordem: Corresponde a todos os tipos de ao, inclusive as decorrentes de calamidade pblica, que por sua natureza, origem, amplitude, potencial ou vulto:

    a) superem a capacidade de conduo das medidas preventivas e repressivas tomadas pelos Governos Estaduais;

    b) sejam de natureza tal que, a critrio do Governo Federal, possam vir a comprometer a integridade nacional, o livre funcionamento de poderes constitudos, a lei, a ordem e a prtica das Instituies;

    c) impliquem na realizao de operaes militares.

    [...]

    Perturbao da Ordem: Abrange todos os tipos de ao, inclusive decorrentes de calamidade pblica que, por sua natureza, origem, amplitude e potencial possam vir a comprometer, na esfera estadual, o exerccio dos poderes constitudos, o cumprimento das leis, e a manuteno da ordem pblica, ameaando a populao e propriedades pblicas e privadas (BRASIL, 1983).

    Assim, exposto, nota-se que a distino refere-se s propores tomadas pela perturbao da ordem, que, quando extrapolarem as capacidades do Governo do Estado, ser de competncia do Governo Federal.

  • PRTICA POLICIAL ESPECIAL

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    Na ambincia da unidade federativa, a Constituio do Estado de Minas Gerais (CEMG/89), ao esquematizar a defesa social do Estado, estatui que o sistema est teleologicamente voltado para a proteo do cidado, da sociedade e do patrimnio, cuja situao de segurana pblica ser conquistada por meio da manuteno da ordem pblica:

    Art. 133. A defesa social, dever do Estado e direito e responsabilidade de todos, organiza-se de forma sistmica visando a:

    I garantir a segurana pblica, mediante a manuteno da ordem pblica, com a finalidade de proteger o cidado, a sociedade e os bens pblicos e privados, coibindo os ilcitos penais e as infraes administrativas (MINAS GERAIS, 2009, p. 64, grifo nosso).

    Continuando a anlise da CEMG/89, acerca dos rgos incumbidos a perquirir a segurana pblica, a Constituio estadual preceitua:

    Art. 136. A segurana pblica, dever do Estado e direito e responsabilidade de todos, exercida para a preservao da ordem pblica, e da incolumidade das pessoas e do patrimnio, atravs dos seguintes rgos:

    [...]

    III Polcia Militar (MINAS GERAIS, 2009, p. 65, grifo nosso).

    Com vistas a pormenorizar as atribuies da fora pblica mineira na preservao da ordem pblica, o Artigo 142 descreve o quinho de competncia da Polcia Militar de Minas Gerais (PMMG):

    Art. 142. A Polcia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, foras pblicas estaduais, so rgos permanentes, organizados com base na hierarquia e na disciplina militares e comandados, preferencialmente, por oficial da ativa do ltimo posto, competindo:

    I Polcia Militar, a polcia ostensiva de preveno criminal, de segurana, de trnsito urbano e rodovirio, de florestas e de mananciais, e as atividades relacionadas com a preservao e restaurao da ordem pblica, alm da garantia do exerccio do poder de polcia dos

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    rgos e entidades pblicos, especialmente na rea fazendria, sanitria, de proteo ambiental, de uso e ocupao do solo e do patrimnio cultural (MINAS GERAIS, 2009, p. 66, grifo nosso).

    Como se v, a Carta mineira taxativamente encarrega a PMMG das atividades relacionadas com a preservao e restaurao da ordem pblica que, em suma, trata-se da atividade de controle de distrbios, sobretudo no vis da restaurao.

    Alm do artigo exposto na Constituio do Estado de Minas Gerais, est em vigor a Lei 6.624, de 18 de Julho de 1975, que dispe sobre a organizao bsica da Polcia Militar do Estado de Minas Gerais e d outras providncias Lei de Organizao Bsica (LOB). Em seu artigo 2, a norma define o papel a ser desempenhado pela PMMG:

    Art. 2. Compete Polcia Militar:

    I com exclusividade, ressalvadas as misses peculiares das Foras Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, a fim de assegurar o cumprimento da lei, a manuteno da ordem e o exerccio dos poderes constitudos;

    II atuar de maneira preventiva, com fora de dissuaso em locais ou reas especficas, onde se presuma ser possvel a perturbao da ordem;

    III atuar de maneira repressiva, em caso de perturbao da ordem, precedendo o eventual emprego das Foras Armadas;

    IV atender convocao, inclusive mobilizao, do governo Federal, em caso de guerra externa ou para prevenir ou reprimir perturbao da ordem ou ameaa de sua irrupo, subordinando-se Fora Terrestre para emprego em suas atribuies especficas de Polcia militar e como participante da defesa interna e da defesa territorial (MINAS GERAIS, 1975, grifo nosso).

    2.2 O Emprego da Tropa de Choque

    Tendo como premissas a ideia de que a utilizao de qualquer recurso pblico deve ocorrer somente quando necessrio e de forma proporcional ao fim

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    almejado, e de que a ao preventiva pressuposto de emprego da Polcia Militar de Minas Gerais (PMMG) (MINAS GERAIS, 2010a, p. 26), as intervenes policiais militares devem ter como foco a preveno de delitos ou desordens.

    Da mesma forma, em atuaes de Operaes de Controle de Distrbio (OCD), o emprego da PMMG deve ter como foco a preveno do distrbio.

    Ao invs de aguardar a ecloso do distrbio, as foras pblicas tm se antecipado e empregado suas foras em prol da negociao e de uma resoluo pacfica dos problemas. Assim, a atuao da PMMG, diante de manifestaes, movimentos grevistas, conflitos entre torcidas organizadas, entre outras atividades, deve ocorrer antes do surgimento do distrbio.

    Para cumprir essa finalidade, importante destacar que a competncia para atuar nestes tipos de eventos de defesa social no exclusiva das Tropas de Choque. Assim, se faz necessrio compreender a articulao operacional da PMMG.

    Trazendo o postulado da eficincia para a atividade manuteno da ordem pblica, a PMMG adotou ainda, desde a dcada de 1980, uma articulao operacional estruturada em esforos, conhecida como Malha Protetora (ALMEIDA, 1984).

    Por essa disciplina ttica, entende-se que o policiamento ostensivo, ao caracterstica e bsica da manuteno da ordem pblica, como uma malha protetora distendida [...] (ALMEIDA, 1984, p. 71).

    Atualmente a Malha Protetora est disciplinada na Diretriz Geral para o Emprego Operacional da PMMG DGEOp (MINAS GERAIS, 2010a, p. 66), conforme quadro abaixo:

    Quadro 1 Esforos Operacionais Malha ProtetoraEsforo Operacional Definio

    Esforo Ordinrio Preventivo ou repressivo imediato1 Esforo Recobrimento Fora Ttica da UEOp2 Esforo Recobrimento Apoio de outras UEOp (Cia MEsp) / CPE na 1 RPM3 Esforo Recobrimento UEOp do CPE

    4 Esforo Recobrimento Fora-Tarefa (Comando-Geral)

    Fonte: Minas Gerais (2010, p. 66).

    Verifica-se que o esforo ordinrio da PMMG ser o preventivo ou o repressivo imediato. Caso no seja suficiente, dever ser acionada a Fora Ttica da UEOp,

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    qual seja, o Ttico-Mvel. Aps a utilizao desses recursos que se deve realizar o emprego das Companhias de Misses Especiais ou das unidades do CPE, com seus Pelotes e Companhias de Choque.

    Desse modo, evidencia-se a premente necessidade de escalonar taticamente o emprego da fora, devendo ser utilizado o policiamento ordinrio e, somente quando este se mostrar ineficiente, a unidade de choque deve ser acionada para misses tpicas desta tropa.

    A fundamentao e justificativa para tal emprego se d em decorrncia da economicidade e racionalidade de emprego dos meios, e at mesmo devido ao impacto psicolgico causado pela chegada do policiamento especfico de controle de distrbio, que, por si s, pode inibir a prtica de atos desordeiros. Isto porque pessoas com posturas contrrias ao ordenamento jurdico se sentiro menos confortveis quando depararem com uma tropa de choque, do que quando estiverem diante do policiamento ordinrio. Essa reao ocorre porque o fardamento camuflado e os equipamentos utilizados podem desestimular atitudes que vo de encontro ordem pblica.

    Assim, para atuar em locais de ajuntamento de pessoas, fundamental conhecer a disciplina jurdica do direito de reunio no Brasil.

    2.3 Contedo jurdico e limites do Direito de Reunio

    Reunio, segundo dicionrio Aurlio (on-line), o ato ou efeito de reunir; agrupar pessoas no mesmo local. As caractersticas das massas e distrbios sero tratadas em seo posterior, no entanto, para o contexto de interveno policial, basta diferenciar reunies legais e ilegais, e, ainda, ilegais pacficas e ilegais violentas.

    A legalidade do exerccio do direito de reunio verificada por meio do conhecimento dos dispositivos que disciplinam tal direito e, para cada caso, se h o cumprimento dos ditames previstos na lei. A fim de regular a atuao policial frente reunio de pessoas, importante verificar, na legislao brasileira e internacional, quais as regras disciplinam o assunto.

    No contexto internacional, observa-se que a Declarao Universal de Direitos Humanos (DUDH), adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Naes

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    Unidas, na Resoluo 217 (III) de 10 de Dezembro de 1948, traz em seu bojo que

    Artigo 19 - Todo o homem tem direito liberdade de opinio e expresso; este direito inclui a liberdade de, sem interferncias, ter opinies e de procurar, receber e transmitir informaes e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.

    Artigo 20

    I) Todo o homem tem direito liberdade de reunio e associao pacficas [...] (ONU, 1948).

    No mesmo sentido, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Polticos (PIDCP), adotado e aberto assinatura, ratificao e adeso pela Assembleia Geral das Naes Unidas, na sua Resoluo 2200 (XXI), de 16 de Dezembro de 1966, entrando em vigor em 23 de maro de 1976, e ratificado pelo Brasil em 24 de janeiro de 1992, prev que:

    Artigo 21

    O direito de reunio pacfica ser reconhecido. O exerccio desse direito estar sujeito apenas s restries previstas em lei e que se faam necessrias, em um sociedade democrtica, no interesse da segurana nacional, da segurana ou da ordem pblicas, ou para proteger a sade pblicas ou os direitos e as liberdades das pessoas.

    Artigo 22

    1. Toda pessoa ter o direito de associar-se livremente a outras, inclusive o direito de construir sindicatos e de a eles filiar-se, para a proteo de seus interesses [...] (ONU, 1966).

    Tal previso tambm est contida na Conveno Americana sobre Direitos Humanos (CADH) - Pacto de San Jos, adotada e aberta assinatura na Conferncia Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos, em San Jos de Costa Rica, em 22 de novembro de 1969:

    Artigo 15. - Direito de reunio

    reconhecido o direito de reunio pacfica e sem armas [...]

    Artigo 16. - Liberdade de associao

    1. Todas as pessoas tm o direito de associar-se

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    livremente com fins ideolgicos, religiosos, polticos, econmicos, trabalhistas, sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza [...] (ONU, 1969).

    J no sistema jurdico brasileiro, encontramos o direito de reunio previsto no Art. 5, inciso XVI da CRFB/88.

    XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao pblico, independentemente de autorizao, desde que no frustrem outra reunio anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido o prvio aviso autoridade competente (BRASIL, 1988).

    Assim, verifica-se que o direito brasileiro assegura, assim como o direito internacional, as manifestaes, passeatas e protestos. Destarte, extremamente importante que os policiais reconheam o contedo jurdico do direito de reunio no Brasil. Uma fora pblica somente conseguir assegurar esse direito se conhecer seu contedo jurdico.

    Contudo, apesar de ser um direito constitucional, o direito de reunio no um direito absoluto (OLIVEIRA, 2012). Ele encontra limites jurdicos na prpria Constituio, em leis infraconstitucionais e nos direitos das demais pessoas.

    O PIDCP limita o exerccio do direito de reunio quanto aos aspectos de segurana e ordem pblica, ou como forma de proteo sade ou moral pblicas ou aos direitos e liberdades das demais pessoas, literalmente:

    Artigo 22

    [...]

    2. O exerccio desse direito estar sujeito apenas s restries previstas em lei e que se faam necessrias, em uma sociedade democrtica, no interesse da segurana nacional, da segurana e da ordem pblicas, ou para proteger a sade ou a moral pblicas ou os direitos a liberdades das demais pessoas. O presente artigo no impedir que se submeta a restries legais o exerccio desse direito por membros das foras armadas e da polcia (ONU, 1966).

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    A CADH tambm relata sobre o direito de reunio:

    Artigo 15. [...]

    O exerccio de tal direito s pode estar sujeito s restries previstas pela lei e que sejam necessrias, em uma sociedade democrtica, no interesse da segurana nacional, da segurana ou da ordem pblicas, ou para proteger a sade ou a moral pblicas ou os direitos e liberdades das demais pessoas.

    A Constituio tambm preceitua (Art. 5, inciso XVI) que as reunies devem ser pacficas, sem utilizao de armas, que independem de autorizao, porm no podem frustrar outra reunio anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prvio aviso autoridade competente (BRASIL, 1988).

    Como forma de interveno dos rgos de segurana em reunies que extrapolem os limites impostos pela legislao, h documento que baliza a fora utilizada pelo policial, o qual intitulado Princpios Bsicos sobre o Uso da Fora e Armas de Fogo pelos Funcionrios Responsveis pela Aplicao da Lei (PBUFAF), adotado em 7 de setembro de 1990. PBUFAF trazem requisitos de atuao para manuteno da ordem em caso de reunies ilegais:

    Princpio 12. Dado que a todos garantido o direito de participao em reunies lcitas e pacficas, de acordo com os princpios enunciados na Declarao Universal dos Direitos do Homem e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Polticos, os Governos e os servios e funcionrios responsveis pela aplicao da lei devem reconhecer que a fora e as armas de fogo s podem ser utilizadas de acordo com os princpios 13 e 14.

    Princpio 13. Os funcionrios responsveis pela aplicao da lei devem esforar-se por dispersar as reunies ilegais, mas no violentaS, sem recurso fora e, quando isso no for possvel, limitar a utilizao da fora ao estritamente necessrio.

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    Princpio 14. Os funcionrios responsveis pela aplicao da lei s podem utilizar armas de fogo para dispersarem reunies violentas se no for possvel recorrer a meios menos perigosos, e somente nos limites do estritamente necessrio. Os funcionrios responsveis pela aplicao da lei no devem utilizar armas de fogo nesses casos, salvo nas condies estipuladas no princpio 9 (ONU, 1990, grifo nosso).

    Assim exige-se que haja uso mnimo da fora em atuaes frente a este tipo de ocorrncias.

    2.4 Utilizao de fora em operaes de controle de distrbio - Prioridade de emprego dos meios

    A fora, no mbito policial, definida como o meio pelo qual a polcia controla uma situao que ameaa a ordem pblica, a dignidade, a integridade ou a vida das pessoas. Sua utilizao deve estar condicionada observncia dos limites do ordenamento jurdico e ao exame constante das questes de natureza tica.

    Na PMMG, conforme Manual Tcnico-Profissional 1 - Interveno Policial, Verbalizao e Uso de Fora (MINAS GERAIS, 2010b), o uso de fora pelos policiais deve ser norteado pela preservao da vida, da integridade fsica e da dignidade de todas as pessoas envolvidas em uma interveno policial e, ainda, pelos princpios essenciais: legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderao, convenincia.

    A fora no dever ser empregada quando houver possibilidade de ocasionar danos de maior relevncia em relao aos objetivos legais pretendidos.

    Ocorre atravs da utilizao da fora de maneira seletiva, a qual se caracteriza pelo resultado escalonado das possibilidades da ao policial, diante de uma potencial ameaa a ser controlada. Essas variaes de nveis podem ser entendidas desde a simples presena e postura correta do policial militar em uma interveno, bem como o emprego de recurso de menor potencial

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    ofensivo e, em casos extremos, o disparo de armas de fogo. A deciso entre as alternativas de fora se basear na avaliao de riscos e ser definida conforme nvel de submisso do suspeito abordado, conforme diagrama de modelo do uso da fora (Figura 1):

    Figura 1 Modelo de uso de fora

    Fonte: (MINAS GERAIS, 2010b).

    Conforme o mesmo documento que disciplina o uso de fora, Manual Tcnico-Profissional 1 - Interveno Policial, Verbalizao e Uso de Fora, menciona-se quanto ao uso de fora pela polcia de forma coletiva (formaes de tropa), tais como aes de controle de distrbio, rebelies em presdio, eventos com grandes pblicos e outras operaes tpicas de polcia de choque, dizendo que, alm do contedo do prprio documento, as particularidades sero tratadas em Manual Tcnico-Profissional prprio (MINAS GERAIS, 2010b, p. 75).

    Na ambincia do Controle de Distrbios Civis, o uso diferenciado da fora expresso pela prioridade do emprego dos meios, processo pelo qual o

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    comandante da tropa de choque define, dentre as capacidades operacionais disponveis, qual ser o recurso empregado, conforme nvel de submisso/hostilidade dos agressores.

    O emprego de tais meios obedecer aos mesmos princpios para a utilizao individual, ou seja: legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderao e convenincia (MINAS GERAIS, 2010b, pp. 78-82).

    A utilizao da fora pela tropa de choque ser subsidiada pelas aes preliminares da tropa de operaes de controle de distrbios (reconhecimento do local de atuao e verificao de vias de fuga), com vistas a garantir que os componentes da multido em distrbio sero alocados em local compatvel com o nmero de pessoas e que tenham as condies de segurana, e que garantam a vida, a dignidade e da integridade fsica dos componentes do distrbio.

    Considerando que o objetivo principal da tropa de controle de distrbios dispersar a multido em distrbio, o comandante da tropa deve usar de todos os meios disponveis para cumprir a misso e, ao mesmo tempo, evitar a violncia. Assim sendo, deve ser obedecida uma ordem de prioridade de emprego dos meios disponveis. O comando da operao de controle de distrbio dever obedecer, dentre o rol de possibilidades tcnicas de emprego, qual ser taticamente a mais adequada. Dessa forma, as sries de providncias ou uso de meio esto adiante, em ordem de prioridade.

    a) Reconhecimento do local de atuao

    O reconhecimento prvio do local de atuao de suma importncia, para permitir o deslocamento e aproximao da tropa por vias de acesso adequadas, para que sejam asseguradas aos componentes da multido em distrbio, condies adequadas de segurana. Observa-se que, em situaes de distrbio, vias podem estar obstrudas, devendo, desta forma, haver subsdio quanto a informaes de qual o melhor itinerrio a ser adotado para aproximao da tropa, em condies que permitam vias de escoamento do pblico presente para locais seguros. Quanto mais caminhos de disperso forem dados multido em distrbio, mais rapidamente ela se dispersar.

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    b) Vias de fuga

    A velocidade de disperso garante sucesso na misso durante a utilizao do comando de carga, e o fator primordial o direcionamento do pblico para um local que comporte o escoamento de pessoas e que seja o mais seguro possvel para as condies especficas do evento analisado. Os equipamentos e viaturas, quando do desembarque da tropa, devem posicionar-se longe da ao dos manifestantes, de forma que, depois de dispersados, no sejam direcionados para os aparelhos policiais. Assim, a multido no ser encaminhada em direo a equipamentos, viaturas, tropa, ou em direo s vias pblicas com trnsito de veculos, estabelecimentos pblicos (pontos sensveis), a fim de evitar acidentes, depredaes ou invases. Na medida do possvel, tropas de rea sero posicionadas para a segurana das edificaes, enquanto a tropa especializada opera o restabelecimento da ordem.

    c) Demonstrao de fora

    A demonstrao de fora deve ser feita por meio da disposio da tropa em formao disciplinada. A finalidade de demonstrao de fora provocar efeito psicolgico sobre a multido, pois as formaes tomadas pela tropa do uma ideia de organizao, disciplina e preparo policial.

    O fardamento, bem como os equipamentos portados pela tropa, so acessrios preponderantes quanto demonstrao de fora. Em operaes com apoio do veculo de controle de distrbios, esse poder ser um elemento acessrio na demonstrao de fora policial frente situao de iminente conflito.

    A tropa desembarcar nas formaes determinadas em local vista dos agitadores e to prxima quanto possvel, a fim de que a tropa possa agir rapidamente, e sem desgastes, porm tal aproximao deve estar fora do raio de ao do pblico manifestante.

    Recomenda-se que a tropa esteja a uma distncia mnima de 30 metros do pblico manifestante. Tal distncia possibilita que, em caso de carga, munies qumicas de lanamento manual e de impacto controlado sejam utilizadas. Evita, ainda, que objetos de grande massa sejam arremessados pelos perturbadores contra o aparato policial.

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    d) Ordem de disperso

    Tem objetivo de oportunizar a disperso pacfica das pessoas, como medida preventiva da utilizao de fora por parte da tropa, a fim de evitar possveis leses nos componentes da multido em distrbio.

    A ordem de disperso ser dada pelo comandante da tropa ou operador habilitado para tal, preferencialmente por meio de amplificadores de som (alto-falantes em viaturas ou megafones).

    A determinao ser para que as pessoas deixem pacificamente o local de distrbio, de modo a assegurar que todos os componentes da multido em distrbio possam ouvir claramente.

    conveniente que a proclamao seja feita de modo claro, distinto e em termos positivos. Os manifestantes no devem ser repreendidos, desafiados ou ameaados. Por exemplo, o Comandante dir: Esta manifestao ilegal, faam suas reivindicaes atravs de outros meios.

    importante cuidar para que haja direcionamento do grupo para locais mais adequados, segundo a observao do comandante da tropa em relao a qual via de fuga utilizar.

    Caso os agitadores continuem a desobedecer s suas ordens para que se dispersem pacificamente, devero ser tomadas novas medidas, tais como posicionamento de tropa, disperso ou bloqueio controlado de vias.

    A ordem de disperso no se confunde com o processo de verbalizao/negociao presente na atuao individual do policial, uma vez que, em atuaes frente a reunies ilegais e violentas, as instncias preventivas de atuao policial j foram superadas.

    IMPORTANTE: Este procedimento no dever ser executado quando:

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    O fator tempo (ameaa iminente) colocar os policiais ou outras pessoas em risco de morte ou puder causar-lhes ferimentos graves;

    - a advertncia for, evidentemente, inadequada ou intil, dadas as circunstncias dos fatos. Exemplo: agressores, aparentemente sob efeito de drogas, atirando objetos ou disparando ininterruptamente contra vrias pessoas.

    e) Carga

    Ocorre por meio da , !"##$%# " & "'

    - Emprego de agentes qumicos

    A utilizao de munies qumicas ocorre como medida para promover a disperso dos manifestantes no sentido da via de fuga determinada. Dessa forma, o comandante da tropa empregada avaliar a viabilidade de utilizao desse recurso, conforme perfil do pblico presente e havendo a frustrao na tentativa de se desocupar a rea em distrbio sem emprego de fora.

    O comandante da tropa determinar aos lanadores, ou somente a um lanador (observa-se que o lanador do grupo 01, porta o lanador de munio qumica, o qual capaz de lan-la distncia de at 150 m da tropa, conforme caracterstica da munio), segundo a convenincia que o caso requerer, a realizar o lanamento, de acordo com a avaliao realizada para a direo de disperso.

    O militar empregado na funo de lanador deve ser capacitado para avaliar direo do vento, distncia de lanamento, tipo de munio mais adequada, e ter total domnio sobre as tcnicas de lanamento e de despojo (em caso de negas da munio lanada).

    Deve agir mediante comando expresso do comandante de peloto, ou durante o comando de carga, de forma auxiliar, mediante comando do Sargento comandante de seu grupo.

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    Assim, o uso da munio qumica fica adstrito avaliao do comandante da operao quanto necessidade apresentada no teatro de operaes. As limitaes sero expressas aos militares, com o objetivo de evitar excessos e desperdcios no uso do recurso, bem como quanto disciplina ttica de somente empregar o necessrio e agir mediante comando.

    Ao utilizar-se de agentes qumicos, a tropa, prioritariamente, usar mscara contra gases. Conforme a concentrao dos agentes qumicos, h variao dos seus efeitos, portanto, o grupo de comando deve, durante a execuo da carga de munio qumica, avaliar a eficincia da munio empregada para a finalidade que se espera.

    - Emprego de gua

    Em operaes com apoio de veculos de controle de distrbio, podem ser empregados jatos de gua para movimentar a multido em distrbio. Tinta de composto incuo poder ser misturada gua, a fim de que as pessoas sejam marcadas para identificao posterior, ou mesmo para aumentar o efeito psicolgico. A gua ainda poder potencializar o efeito do agente qumico empregado anteriormente, ou o mesmo agente qumico poder ser misturado gua como forma de maximizar o recurso utilizado. Cessada a ao desencadeada pelos contendores em distrbio, a gua corrente poder ser utilizada com jato de presso adequada, como mtodo de descontaminao dos agentes qumicos.

    - Emprego de munio de impacto controlado

    Em situaes em que agentes isolados intentem contra os componentes da tropa, a carga de atiradores uma medida que atinge especificamente aqueles que compem o grupo de manifestantes e que podem, por meio de armamentos ou objetos os quais portam, ameaar de forma atual e iminente a integridade fsica dos policiais.

    O comandante da tropa determinar aos atiradores, ou somente a um atirador, segundo a convenincia que o caso requerer, a realizar o disparo com munio de impacto controlado, de acordo com a avaliao realizada para a direo de disperso.

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    O militar empregado na funo de atirador deve ser capacitado para utilizao de instrumento de menor potencial ofensivo.

    Deve agir mediante comando expresso do comandante de peloto, ou durante o comando de carga, de forma auxiliar, mediante comando do sargento comandante de seu grupo.

    - Carga de basto de madeira

    Quando alternativas menos lesivas no forem capazes de promover a disperso, o comandante da operao poder lanar mo de todo seu poder operacional de disperso: a carga.

    O avano sobre a multido em distrbio deve ser realizado por meio das formaes que determinaro o sentido de disperso promovida, conforme vias de fuga selecionadas.

    A carga deve ser rpida e segura. A velocidade com que a multido se dispersa importante, pois dar menos tempo para os agitadores se reorganizarem. O basto de madeira provavelmente o mais til dos instrumentos de fora que se pode empregar contra perturbadores da ordem. Seu valor reside no efeito psicolgico que provoca. Durante sua execuo, poder ser utilizada, de forma acessria e pontual, a munio qumica (lanadores) e a munio de impacto controlado (atiradores), mediante anlise dos comandantes de grupo que, como forma de resguardar a integridade fsica da tropa e dos perturbadores da ordem, avaliam se necessria a interveno dos lanadores e atiradores no intuito de frustrar intentos lesivos contra os militares e, ao mesmo tempo, corrigem possveis desvios na direo tomada pela multido em disperso.

    Aps execuo da carga e restaurao da ordem, o efetivo policial da unidade, com responsabilidade territorial pela rea em que se deu o distrbio, e equipes de socorro sero empregados no auxlio de possveis perturbadores da ordem lesionados, bem como na garantia de manuteno do estado de ordem, evitando que a situao regrida para o status anterior interveno policial.

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    f ) Deteno de lderes

    Durante o processo de interveno, as lideranas do movimento de massa devem ser identificadas. Tais lideranas devem ser presas, como misso secundria da tropa empregada na operao de controle de distrbio. Deve ser feita de preferncia durante a carga de basto de madeira. Para sucesso nessa empreitada, importante o emprego de militares descaracterizados, que podero identificar lderes que fujam com o avano da tropa, e de militares da prpria tropa previamente determinados (podem acumular esta funo, durante o avano da tropa, seguranas com apoio dos socorristas e grupo de comando).

    g) Emprego de arma de fogo

    A utilizao de arma de fogo a medida a ser tomada pelo comandante da tropa e deve ser utilizada como ltimo recurso quando se defronta com ataques armados. Consoante outras intervenes policiais, o comandante da tropa deve identificar o perigo real e atual, certificar-se de que a situao exige uma interveno extrema, decidir e agir (MINAS GERAIS, 2010b, p. 42). Existem duas opes para utilizao da arma de fogo em atuao da tropa de controle de distrbios: atirador de elite ou armamento portado por militares selecionados na tropa, para proteo coletiva.

    Em situaes em que h iminente perigo de atentados armados contra a tropa empregada, tropa especializada em ocorrncias de alta complexidade podero postar atiradores de elite, dotados de armas de preciso, para que, aps identificados possveis agressores e mediante ordem, neutralizem elementos que atentem conta a tropa.

    Em atuaes da tropa, somente o grupo de comando (comandante de Peloto, sargento auxiliar e sargentos comandantes de grupo) e os responsveis pela proteo coletiva da tropa (seguranas) devem portar armamento letal, a fim de evitar que aes coletivas, no uso do armamento, sejam desencadeadas de modo indiscriminado. Todo cuidado deve ser tomado para que no sejam atingidos pelos disparos outros elementos da multido. Para isso, h que se observar um bom campo de tiro.

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    Roos (2004) tambm descreve que outro ponto a ser observado que:

    [...] mesmo quando atua com armamento ou munio no letal, o Policial ou Militar deve estar de posse de um armamento letal, com munio letal, de forma individual ou coletiva, para sua proteo. Isto porque, na eventualidade dele ser atacado com fora letal, como armas de fogo, proporcionalmente ele pode responder aquela agresso com o uso moderado dos meios.

    Na interveno policial existe um protocolo a ser seguido para disparo de arma de fogo: o policial, antes de disparar sua arma de fogo, deve, sempre que disponvel, abrigar-se imediatamente, identificar-se como policial, mesmo estando fardado, advertir o abordado sobre a possibilidade de disparar sua arma de fogo, proporcionando-lhe tempo suficiente para que entenda e desista da agresso, acatando as ordens do policial. Entretanto, para atuaes da tropa de choque, tal procedimento no poder ser executado, uma vez que, quando necessrio, o fator tempo (ameaa iminente) colocar os policiais ou outras pessoas em risco de morte ou poder causar-lhes ferimentos graves, e/ou a advertncia ser, evidentemente, inadequada ou intil, dadas as circunstncias dos fatos, como agressores atirando ininterruptamente contra vrias pessoas.

    O policial militar est autorizado a disparar sua arma de fogo contra pessoas, em caso de legtima defesa prpria ou de terceiros, contra ameaa iminente de morte ou ferimento grave.

    h) Recolhimento de provas

    O recolhimento de provas uma providncia que perpassa por todas as outras, durante toda a operao. Consiste em fotografar, filmar, gravar fatos ocorridos para posterior apresentao justia, arrecadar materiais que demonstrem as intenes do pblico presente (panfletos, cartazes, etc.), apreender materiais, objetos e equipamentos que caracterizem o intento delitivo dos manifestantes (coquetis molotov, pedras, etc.). As provas devem ser reunidas quanto identidade dos lderes, seus auxiliares e seus meios (cartazes, faixas, armas e intenes, etc.).

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    i) Socorro/atendimento a feridos

    A garantia da integridade fsica dos componentes da reunio ilegal e violenta ser promovida pelas atividades de socorro e atendimento a eventuais feridos durante a utilizao da fora por parte da Polcia. Entretanto essa atividade de socorro no poder comprometer a misso principal da tropa dispersar a multido em distrbio , uma vez que a no disperso dos perturbadores da ordem potencialmente mais lesiva, e pode acarretar em novas vtimas do evento. Assim, a tropa no poder parar a atividade de disperso para efetuar socorro a um eventual ferido, j que os perturbadores em reunies ilegais violentas podem provocar muitos danos, se no forem contidos por meio da ao de disperso.

    O diagrama a seguir (Figura 2) apresenta a sequncia de aes, contemplando as aes iniciais promovidas pela tropa de operao de controle de distrbios, perpassando pelas fases que antecedem a utilizao de fora e culminando no uso diferenciado da fora utilizado pela tropa, atravs da carga. Salienta-se que este modelo apresentado refere-se a intervenes em reunio ilegais no pacficas, foco de emprego da tropa de OCD.

    Figura 2 - Sequenciamento racional das aes e prioridade no emprego dos meios.

    Para o caso de reunies pacficas, considera-se ainda a negociao, promovida preferencialmente pela unidade com responsabilidade territorial.

  • ESTUDOS DAS MASSAS E DOS

    DISTRBIOS

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    3 ESTUDO DAS MASSAS E DOS DISTRBIOS

    3.1 Psicologia das massas

    O vocbulo massa, em sentido de multido, representa um conjunto de indivduos de qualquer classe, sejam quais forem suas nacionalidades, profisses ou sexo, e independente dos motivos que os renem.

    Do ponto de vista psicolgico, a expresso massa assume um significado completamente distinto. Em determinadas circunstncias e somente nestas, uma aglomerao de seres humanos possui caractersticas novas e muito diferentes das de cada um dos indivduos que a compem. A personalidade consciente se esvai, os sentimentos e as ideias de todas as unidades se orientam em uma mesma direo. Forma-se uma alma coletiva indubitavelmente transitria, mas que apresenta caractersticas muito definidas. A coletividade se converte ento em aquilo que designa uma massa organizada ou, massa psicolgica. Forma um s ser e est submetida lei da unidade mental das massas (LE BON, 1895).

    J, segundo McDougall (1920), um grupo no possui organizao alguma, ou uma que mal merece esse nome. Entretanto, descreve um grupo dessa espcie como sendo uma multido, admitindo que, uma multido de seres humanos dificilmente pode reunir-se sem possuir, pelo menos, os rudimentos de uma organizao.

    3.1.1 A unidade mental das massas

    Quando sob diversas influncias, certo nmero de indivduos se encontra momentaneamente reunido, s suas peculiaridades ancestrais se adiciona uma srie de caractersticas novas, em ocasies muito diferentes das caractersticas de sua raa.

    Segundo Le Bon (1895), a lei da unidade mental das massas caracterizada pelo desvanecimento da personalidade consciente e a orientao dos sentimentos e pensamentos em um nico sentido. Seu conjunto constitui uma alma coletiva, poderosa, porm momentnea.

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    Para McDougall (1920), para que um grupo se forme, preciso que os indivduos tenham algo em comum uns com os outros, um interesse comum num objeto, uma inclinao emocional semelhante numa situao ou noutra e certo grau de influncia recproca. Quanto mais alto o grau dessa homogeneidade mental, mais prontamente os indivduos constituem um grupo psicolgico, e mais notveis so as manifestaes da mente grupal.

    3.1.2 Caractersticas gerais das massas

    fato que muitos indivduos ao se encontrarem acidentalmente, uns junto a outros, no conferido a eles as caractersticas de uma massa organizada. Mil pessoas reunidas ao azar, em uma praa pblica, sem nenhuma finalidade determinada, no constituem, em absoluto, uma massa psicolgica. Para adquirir as caractersticas especiais correspondentes, necessria a influncia de determinados excitantes cuja natureza tem-se que determinar (LE BON, 1986).

    A dissoluo da personalidade consciente e a orientao dos sentimentos e pensamentos em um mesmo sentido, que so os primeiros traos da massa em vias de organizar-se, no implicam sempre a presena simultnea de vrios indivduos num mesmo lugar. Milhares de sujeitos separados entre si, num determinado momento e sob a influncia de certas emoes violentas (um grande acontecimento nacional, por exemplo), podem adquirir as caractersticas de uma massa psicolgica. Bastar um acontecimento qualquer que os rena para que suas condutas adquiram imediatamente a forma dos atos de massa.

    O estudo da classificao das massas mostrar que uma multido heterognea, composta por elementos distintos entre si, apresenta traos comuns com massas homogneas, formadas por elementos mais ou menos similares (classes, por exemplo), por caractersticas comuns, e, junto a estes, particularidades que permitem diferenci-las.

    As massas tm diversas caractersticas psicolgicas comuns com os indivduos isolados; outras, pelo contrrio, no se encontram seno nas coletividades.

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    Uma vez formada, a massa psicolgica adquire caractersticas gerais e provisrias, mas determinveis. A essas caractersticas gerais se adicionam outras particulares, que variam segundo os elementos que a compem e que podem modificar sua estrutura mental. Assim, as massas psicolgicas so suscetveis de classificao.

    3.1.3 Caractersticas especiais das massas

    Sejam quais forem os indivduos que a compem, por similares ou distintos que possam ser os gneros de vida, ocupaes, carter ou inteligncia, o simples fato de que tenham transformado em massa basta para dot-los em uma espcie de alma coletiva. Esta alma faz que eles sintam, pensem ou ajam de um modo completamente distinto de como faria cada um deles separado. Determinadas ideias, sentimentos, no surgem ou no se transformam em aes exceto em indivduos que formam uma massa. A massa psicolgica um ser composto por elementos heterogneos, unidos momentaneamente, anlogo s clulas de um corpo vivo, que por sua reunio, formam um ser novo que manifesta caractersticas muito diferentes das que possui cada uma das clulas que o compem.

    Os fenmenos inconscientes desempenham papel preponderante no funcionamento da inteligncia. Os atos conscientes derivam de um substrato inconsciente. Os homens mais diferentes entre si, por suas inteligncias, tm, em algumas ocasies, instintos, paixes e sentimentos idnticos.

    Na alma coletiva, se apagam as atitudes intelectuais dos homens e, consequentemente, suas individualidades. O heterogneo fica inundado pelo homogneo e predominam as qualidades inconscientes.

    Le Bon elenca caractersticas especiais das massas: o nmero, o anonimato, o contgio mental e a sugesto.

    Segundo o autor, a primeira o nmero, em que o indivduo integrado em uma massa adquire, pelo mero fato do nmero, um sentimento de potncia invencvel que lhe permite ceder a instintos que, por si s, haveria freado forosamente. No anonimato, o indivduo em uma massa ceder com

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    maior facilidade, posto que, ao ser a massa annima e, em consequncia, irresponsvel, desaparece por completo o sentimento de responsabilidade que retm sempre os indivduos. J no contgio mental, considera-se que, em uma massa, todo sentimento, todo ato contagioso, at o ponto de que o indivduo sacrifica muito facilmente seus interesses pessoais aos coletivos. Trata-se de uma atitude contrria a sua natureza e que o homem, to somente, capaz de assumir quando parte de uma massa.

    Outra causa que determina caractersticas especiais aos indivduos numa massa a sugestibilidade, que feita do contgio. Segundo Weitzenhoffer (1989?) sugestibilidade a capacidade de responder s sugestes. E sugesto uma comunicao que evoca uma resposta involuntria que reflete o contedo ideacional da comunicao. Sob a influncia de uma sugesto, o indivduo se lanar com fora irresistvel execuo de determinados atos.

    Sergi citado por Sighele (s.d.) chama de receptividade a aptido de receber as impresses do exterior e de reflexo a aptido de manifestar a atividade excitada, conforme as impresses recebidas. As duas condies podem compreender-se numa lei fundamental, receptividade reflexiva da psique.

    Ainda, segundo Sergi, bem como para Tarde, cada idia, cada comoo do indivduo, apenas um reflexo por assim dizer do impulso externo que sofreu. Por conseguinte, ningum mexe, atua, pensa, seno graas a uma sugesto que pode vir da percepo de um objeto ou de uma palavra ou de um som entendidos, de um movimento qualquer que se realiza fora do nosso organismo.

    Assim, pois, o desaparecimento da personalidade consciente, o predomnio da personalidade inconsciente, a orientao dos sentimentos e das ideias num mesmo sentido, atravs da sugesto (ou receptividade, segundo Sergi) e do contgio (a tendncia a transformar imediatamente as ideias sugeridas em atos ou reflexo), so as principais caractersticas do indivduo dentro da massa. Ao fazer parte da massa, o homem desce vrios degraus da escala da civilizao. Isolado era um indivduo cultivado, na massa, instintivo e, em consequncia, um brbaro. Tem a espontaneidade, a violncia, a ferocidade e tambm os entusiasmos e herosmos dos seres primitivos.

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    Acrescentam, ainda, outros autores, a imitao, que, segundo Bordier apud Sighele (s.d),

    a faculdade da imitao [...] que como a difuso num meio gasoso, tende a equilibrar o meio social em todas as suas partes, a destruir a originalidade, a uniformizar os caracteres de uma poca, de um pas, de uma cidade, de um pequeno grmio de amigos. Todo o homem est individualmente disposto para a imitao, mas essa faculdade atinge o seu mximo nos homens reunidos; as salas de espetculo e as reunies pblicas onde o menor bater de palmas, o menor assobio, bastam para erguer a assistncia num ou noutro sentido, do a prova disso.

    Jolly (s.d.) apud Sighele (s.d.) relaciona a imitao ao contgio: A imitao um verdadeiro contgio que tem o seu princpio no exemplo.

    Para McDougall (1920), a caracterstica que explica a maneira pela qual os indivduos so arrastados por um impulso comum o princpio da induo direta da emoo por via da reao simptica primitiva, que consiste na exaltao ou intensificao de emoo, produzida em cada membro do grupo.

    O princpio da induo direta da emoo por via da reao simptica primitiva prev que:

    t Num grupo as emoes dos homens so excitadas at um grau que raramente ou nunca atingem, sob outras condies, e essa entrega constitui experincia to agradvel para os interessados que eles entregam-se s suas paixes, fundem-se, assim, num grupo, e perdem o senso dos limites de sua individualidade.

    t Quanto mais grosseiros e simples so os impulsos emocionais, mais aptos se encontram a propagar-se atravs de um grupo.

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    3.2 Fatores psicolgicos que influenciam o comportamento do indivduo

    Deste breve estudo feito sobre a psicologia das massas, pode-se extrair que pela lei da unidade mental das multides, o indivduo sofre uma importante transformao quando faz parte de um agrupamento denominado, at aqui, como massa. Surge um comportamento primitivo, ele perde o seu autocontrole e age de modo impulsivo, irracional, fazendo coisas que o escandalizariam se estivesse sozinho. H ausncia de discernimento e de esprito crtico.

    Nesse processo de ajuntamento de pessoas, os processos psicolgicos so:

    a) Perda das faculdades crticas: decorrente da desindividuao, com o aparecimento da alma coletiva, reduzindo a capacidade intelectual individual para patamares coletivos primitivos, irracionais, sem capacidade crtica.

    b) Nmero: conferida pelo valor numrico da massa que a constitui, influenciando os indivduos atravs da sensao de poder e segurana.

    c) Anonimato: Dissolvido na massa, h remoo dos sentimentos de responsabilidade, e, como consequncia, h sensao de impunidade pelos atos praticados.

    d) Contgio mental: em uma massa, todo sentimento, todo ato contagioso, at o ponto em que o indivduo sacrifica muito facilmente seus interesses pessoais aos coletivos.

    e) Imitao: contgio que tem o seu princpio no exemplo. Indivduos podem imitar atos desordeiros pela mera imitao, uma vez que, em face de circunstncias novas e desconhecidas, o indivduo tende a comportar-se conforme seu hbito, sendo a situao indita, no encontra respostas pautadas na rotina (hbito), passa, assim, a agir de forma nova, sem parmetros anteriores, acolhendo com satisfao as novas circunstncias, imitando o que os outros fazem.

    f ) Sugesto (receptividade reflexiva): aptido de receber estmulos do exterior e de transform-los em aes. As aes dos indivduos so

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    reflexos dos estmulos recebidos por meio de ordens vocacionadas, atravs de comunicao no verbal, ou mesmo atravs de atos ou objetos. Assim, pela sugesto e contgio, h a orientao dos sentimentos e das ideias num mesmo sentido.

    g) Emoes intensificadas: o homem-massa no tem capacidade de dominar seus reflexos, e, sendo suscetvel a mltiplos excitantes para sugestion-los e por obedecer a tais excitantes tem sempre suas emoes intensificadas e instveis. Tal propenso a intensificar as emoes pode fazer com que preconceitos e desejos insatisfeitos, normalmente contidos, expandam-se logo nas massas (devido alta sugestionabilidade) atravs do incentivo prtica de desordens, pela oportunidade de realizarem, os indivduos, tudo o que sempre almejaram, de forma inconsciente, mas que, isolados, no ousavam realizar.

    3.3 Espcies de massas

    O coletivo social, conforme exposto, pode variar conforme caractersticas especficas do grupo. As massas se expressam por meio do ajuntamento de pessoas, que pode ocorrer de diversas formas: ocasionais, desorganizadas, temporrias, etc.; e que pode mudar de modalidade (evoluir ou involuir) conforme as circunstncias de cada caso.

    a) Aglomerao: Grande nmero de pessoas reunidas temporariamente. Geralmente os membros de uma aglomerao pensam e agem como elementos isolados e no organizados. A aglomerao poder resultar de uma reunio acidental e transitria de pessoas, tal como acontece na rea comercial de uma grande cidade, ou na regio central de passagem de grande nmero de pessoas, ou ainda, em estaes de nibus ou metr. Dessa forma, a aglomerao no apresenta as caractersticas de massa, no representando interesse para as atividades de operaes de controle de distrbio, uma vez que no configura grupo organizado.

    b) Multido: Ajuntamento de pessoas psicologicamente unificados por interesse comum. Apresenta todas as caractersticas de massa, que podem diferenciar-se conforme a intensidade do comportamento. A multido pode ser caracterizada pelo aparecimento