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CADERNO DOUTRINÁRIO EXPOSIÇÕES DIDÁTICAS Divulgação do Espiritismo ORGANIZADO E DISTRIBRUIDO PELO CENTRO ESPÍRITA “ 18 DE ABRIL “ RIO DE JANEIRO BRASIL

CADERNO DOUTRINÁRIO - bvespirita.combvespirita.com/Estudos Doutrinarios - Parte 3 (Centro Espirita 18... · atraso, é certo, mas sem quebra de continuidade, o 3º Caderno Doutrinário,

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  • CADERNO DOUTRINRIO

    EXPOSIES DIDTICAS

    Divulgao do Espiritismo

    ORGANIZADO E DISTRIBRUIDO PELO

    CENTRO ESPRITA 18 DE ABRIL RIO DE JANEIRO

    BRASIL

  • INTRODUO

    De acordo com o programa do Centro Esprita 18 de Abril, sai agora, com certo atraso, certo, mas sem quebra de continuidade, o 3 Caderno Doutrinrio, relativo a 1950/52. Como complemento, ainda, do 2 Caderno, inclumos neste folheto a parte relativa aos estudos doutrinrios do 2 ciclo de 1950, isto , breves consideraes sobre a fenomenologia esprita.

    Com a publicao deste Caderno doutrinrio, sentimo-nos desobrigados perante os nossos companheiros de estudos e, ao mesmo tempo, muito satisfeitos por vermos o Centro realizar mais um ponto de seu programa bsico. Tendo sido fundado, em 18 de abril de 1946, com o objetivo precpuo de estudar o Espiritismo segundo a Codificao de Allan Kardec (art. 1 do estatuto). O Centro Esprita 18 de Abril tem, portanto, a obrigao de, como decorrncia dos estudos ordinrios, publicar e distribuir os seus Cadernos sem qualquer outra preocupao a no ser a de fazer divulgao da doutrina codificada por Allan Kardec. Em obedincia ao programa que lhe serve de norma, o Centro adota o mtodo didtico em suas exposies doutrinria, com ilustraes no quadro negro, sempre que necessrias. A publicao dos Cadernos Doutrinrios depende, porm, dos recursos financeiros angariados entre os prprios componentes do Centro (poucos, alis) e alguns amigos que, espontaneamente, auxiliam o nosso trabalho. O Centro no tem recursos. Justamente pr este motivo, no podemos publicar os nossos Cadernos com regularidade, circunstncia que, entretanto, no impede o prosseguimento dos estudos doutrinrios do Centro. Confessamo-nos muito agradecidos a todos os companheiros que contriburam financeiramente para a publicao do presente Caderno doutrinrio. Que os prezados Irmos saibam compreender o objetivo desta publicao, o que espera, sinceramente, a DIRETORIA DO CENTRO ESPRITA 18 DE ABRIL

    Rio de Janeiro, dezembro de 1953

    ESPIRITISMO E RITUAL

  • PALAVRAS DE ALLAN KARDEC

    O Espiritismo uma doutrina filosfica de efeitos religiosos, como qualquer

    filosofia espiritualista, pelo que forosamente vai ter s bases fundamentais de todas as religies: Deus, a alma e a vida futura. Mas no uma religio constituda, visto que no tem culto, nem rito, nem templos e que entre os seus adeptos nenhum tomou nem recebeu o ttulo de sacerdote ou sumo sacerdote.

    Obras Pstumas - 1 parte cap. Final A ORIENTAO DO CENTRO ESPRITA 18 DE ABRIL, EM SUA

    PARTE DIDTICA, INSPIROU NO PROGRAMA DA FACULDADE BRASILEIRA DE ESTUDO PSQUICOS, EM CUJO ESQUEMA SE MANTM AT HOJE UM CURSO REGULAR DE ESPIRITISMO.

    1 Parte (Para completar a ltima parte do Caderno doutrinrio n 2 1950)

    Sumrio:

  • a) Generalidade Fontes de consulta a respeito da fenomenologia esprita; b) Diviso dos fenmenos Fenmenos de animismo e fenmenos esprita propriamente ditos. Fontes bsicas. Fontes de cultura. c) Fenmenos espritas Sua diviso. As trs fases da parte experimental do Espiritismo: observao, experimentao e deduo.

    FENOMENOLOGIA (Resumo do 2 de estudos de 1950)

    I GENERALIDADES. Entende-se por fenomenologia o estudo geral dos fenmenos. Quando dizemos fenomenologia esprita, claro que nos referimos ao conjunto de fenmenos que constituem o objeto do Espiritismo. Ento, a fenomenologia esprita vem a ser a parte do Espiritismo que trata dos fenmenos, isto , a parte experimental do Espiritismo. J se sabe que o Espiritismo tem trs aspectos: o experimental ou o cientfico, que diz respeito aos fenmenos de alm tmulo; o filosfico, que interpreta os fenmenos e lhes estuda as leis; o religioso, baseado nas conseqncias morais que decorrem dos outros aspectos. V-se, pois, que o Espiritismo um conjunto, e seus aspectos se completam, no podendo ser, portanto, separados. Nenhum dos trs aspectos, por si s, formaria o Espiritismo. Neste caso, como noo bsica, convm logo fixar o seguinte: o Espiritismo um conjunto, um todo, composto de trs partes inseparveis:

    Fontes:

    I Fontes de consulta para este ponto: Obras Pstumas, de Allan Kardec, parte final, captulo intitulado Constituio do Espiritismo. Referncia especial palavra ESPIRITISMO: sub-captulo X, do mesmo captulo.

    II Fonte relativa definio do Espiritismo: O que o Espiritismo, de

    Allan Kardec (Prefcio).

  • III Fonte Geral: Livro dos Espritos, de Allan Kardec, Introduo.

    DIVISO DOS FENMENOS H dois grupos de fenmenos que

    interessam ao Espiritismo: os fenmenos anmicos, ou de animismo, e os fenmenos espritas propriamente ditos. Os fenmenos de animismo no so os fenmenos de alm tmulo, mas entram, no podem deixar de entrar na fenomenologia Esprita como um captulo inicial.

    Chamam-se anmicos porque se referem a alma (anima), isto , so fenmenos produzidos pela prpria alma do mdium. H, portanto, na fenomenologia esprita dois grupos de fenmenos:

    I fenmenos produzidos pelo prprio mdium (Animismo). II fenmenos produzidos por esprito desencarnado atravs do mdium

    (Espiritismo).

    H quem diga que os fenmenos de animismo se enquadram melhor na psicologia experimental. Realmente esses fenmenos poderiam levar grande contribuio psicologia experimental se j houvesse menos preconceito na maioria do centros de estudos cientficos. de esperar-se, todavia, que tanto os fenmenos anmicos como os prprio fenmenos Espritas venham ainda, cedo ou tarde, despertar interesse nas Escolas e nos crculos acadmicos. A Psicologia , como se sabe, a Cincia da alma, pelo menos etmologicamente. O conceito de alma, porm, vria muito, segundo as doutrinas. No podemos entrar neste assunto, porque, se o fizermos, teremos de sacrificar o espao destinado a matria de nossos estudos. Podemos dizer, porm, que os fenmenos de animismo, embora no sejam fenmenos do outro mundo, j provam no terreno experimental, que a alma independente da matria. Sem que se chegue, pois, esfera dos fenmenos espritas, j se encontram, no campo do animismo, elementos bem seguros para a demonstrao de uma das teses fundamentais do Espiritismo: a independncia da alma em relao ao corpo. Os fenmenos anmicos, como se v, interessam tanto ao Espiritismo como Psicologia. Aos estudos de nosso grupo s interessam, porm, os fenmenos anmicos em face do Espiritismo. Passemos, pois, a outro ponto, de acordo com o programa deste perodo.

    Fontes para estudo geral dos fenmenos de animismo:

    a) Livro dos Espritos de Allan Kardec, cap. intitulado Da emancipao da

    alma b) Livro dos Mdiuns, de A. Kardec, cap. intitulado Das manifestaes

    visuais, cap. Da bicorporeidade e transfigurao. c) A Gnese de Allan Kardec, cap. intitulado Os fludos, sub-captulo

    Vista espiritual ou psquica. d) Obras Pstumas, de A. Kardec, cap. Manifestao dos Espritos, n.. 3 e

    seguintes; cap. A segunda Vista.

  • Outras fontes, para desenvolvimento da cultura sobre o assunto:

    Animismo e Espiritismo, de Aksakof (obra considerada clssica nesta matria, mais

    muito rara).

    Animismo ou Espiritismo? de Ernesto Bozzano (obra indispensvel aos estudiosos do assunto). As obras de Bozzano, alis diversa, so muito conhecidas no Brasil. Naturalmente os que desejam fazer cultura procuraram ainda outras.

    Indicamos apenas, como orientao didtica, as fontes mais diretas para que

    os principiantes na doutrina possam encontrar ponto de partida. Terminada esta ligeira exposio, com a necessria indicao das fontes

    bsicas, que , alis, uma necessidade pedaggica em todos os estudos regulares, passemos a outro aspecto. Note-se ainda que Aksakof, em animismo e Espiritismo pe a diviso dos fenmenos medinico em trs categorias:

    1 fenmenos de personismo ou intramedinicos, caracterizado pelo

    desdobramento da conscincia; 2 fenmenos de animismo, produzidos pelo esprito do prprio

    mdium, sem a interferncia, portanto, de espritos desencarnados ou de alm tmulo;

    3 fenmenos de espiritismo, produzidos por esprito desencarnado.

    A diviso de Aksakof minuciosa, mas na categoria de fenmenos anmicos podemos muito bem reunir as duas primeiras categorias. Como hiptese de trabalho, o fenmeno de personismo poderia at ser estudado como subdiviso do animismo. Para Aksakof, que foi um dos maiores experimentadores da fenomenologia medinica em todos os tempos, o fenmeno de personismo consiste no seguinte: certas pessoas, pelo desdobramento da conscincia, adquirem, s vezes, personalidade estranha, apropriam-se do nome e do carter de outra personalidade. Aksakof indica, como exemplo, a escrita inconsciente. O ser psquico desdobra-se portanto, vai alm da esfera pessoal. So intramedinicos esses fenmenos, segundo Aksakof, porque eles se realizam nos limites da esferas corprea do mdium. De qualquer forma, o fenmeno de personismo uma das modalidades de fenmenos de animismo, cuja a designao abrange todos os fenmenos oriundo do prprio mdium. A classificao de Aksakof, todavia, muito interessante, porque fixa um tipo de fenmenos que comporta estudos especiais. A maioria dos autores, porm, prefere a diviso geral dos fenmenos em dois grupos apenas: animismo e espiritismo.

    Quem quer conhecer bem o Espiritismo no pode deixar de estudar os fenmenos de animismo.

    Ernesto Bozzano, outro experimentador dos mais categorizados no assunto, chega a dizer que o animismo explica o Espiritismo. V-se, pois, que de grande importncia o estudo metdico do fenmenos anmicos em qualquer curso desta natureza. Por falta de conhecimento do assunto, muitas pessoas cometem

  • freqentemente o engano de atribuir a espritos desencarnados certos fenmenos que tm origem no prprio mdium, neste mundo, portanto, e no, como parece, no outro mundo.

    Antes do encerramento desta parte, precisamos fazer algumas observaes, que nos parecem indispensveis. O fenmeno de animismo, embora no seja propriamente fenmeno esprita, porque no produzido, como j foi dito, por esprito desencarnado, no simulao, no sugesto, como se diz constantemente. No! um fenmeno real, positivo, importante, com a diferena apenas de que forma uma categoria diferente da categoria de fenmenos do outro mundo.

    Quando, por exemplo, se afirma que na sesso tal ou qual no houve manifestao de espritos, logo se diz: tudo ali era puro animismo. Confunde-se, portanto, animismo com mistificao, com sugesto, etc.. Isto um erro. Emprega-se correntemente a palavra animismo para significar mistificao ou sugesto, quando na realidade animismo outra coisa. A palavra animismo, na linguagem comum, tem sido empregada at, no sentido pejorativo.

    No sentido tcnico, porm, a palavra tem emprego determinado. Os fenmenos anmicos ou de animismo tem a sua caracterstica e o seu campo de ao. Dentro da terminologia tcnica, a palavra animismo tem o seu lugar, a sua acepo definitiva.

    Vamos concluir esta parte. J por aqui, no terreno do animismo apenas, podemos encontrar elementos que contrariam fundamentalmente a tese materialista, uma vez que os fenmenos anmicos provam a independncia entre a alma e o corpo, tanto assim, que aquela, por vezes, em estados especiais, se desprende daquele. Torna-se indispensvel, a este respeito, o conhecimento das propriedades do perisprito (elemento fludico, intermedirio entre o corpo e a alma) para que se compreenda o mecanismo de certos fenmenos anmicos. Este assunto, porm, ser objeto de estudos na ocasio em que estiver em foco a parte cientfica do Espiritismo.

    Passemos, agora, a outro ponto de estudo. III FENMENOS ESPRITAS. A classificao dos fenmenos espritas ou

    de alm tmulo est no Livro dos Mdiuns, de Allan Kardec, livro bsico da Doutrina Esprita, especialmente para quem quiser conhecer a parte experimental do Espiritismo. Allan Kardec dividiu os fenmenos espritas em dois grupos: a) manifestaes fsicas; b) manifestaes inteligentes. Convm deixar, desde logo, o seguinte princpio fundamental do Espiritismo: todas as manifestaes de espritos, sejam de efeitos fsicos, sejam intelectuais, revelam a existncia, de um princpio inteligente. O fato, portanto, de Allan Kardec haver dividido os fenmenos em dois grupos (fsicos e inteligentes) no quer dizer que os fenmenos de efeitos fsicos no sejam oriundos de uma inteligncia. Os fenmenos de efeitos fsicos, por mais grosseiras que sejam as suas caractersticas, dependem sempre da inteligncia do esprito, porque toda a fenomenologia esprita est baseada neste princpio: A TODO EFEITO INTELIGENTE CORRESPONDE UMA CAUSA INTELIGENTE. Manifestaes fsicas so aquelas que produzem efeitos sensveis e materiais (contatos fsicos, pancadas, deslocamento e levitao de objetos, etc.) ao passo que as manifestaes inteligentes so as que revelam coordenao do pensamento, no se realizam bruscamente como certas manifestaes de efeito fsico. No grupo das manifestaes inteligentes se encontram as de natureza

  • puramente intelectual. Enquanto as manifestaes fsicas se reconhecem pelos efeitos materiais, as manifestaes intelectuais so reconhecidas pelo contedo.

    H trs fases na parte experimental do Espiritismo, tal como ocorre, de um modo geral, nas cincias experimentais ou de laboratrio: observao, experimentao e deduo. At certo ponto, como diz Allan Kardec (Gnese, cap. I n. 14), como meio de elaborao o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as cincias positivas, aplicando o mtodo experimental. claro que o Espiritismo, neste terreno, se serve tambm do mtodo indutivo, isto , o mtodo que parte dos efeitos para as causas, dos fatos particulares para as leis gerais, porque, como ensina ainda Kardec, remontando dos efeitos s causas, chega a lei que os rege. O mtodo dedutivo , ao contrrio, o que parte do geral para o particular, da causa para o efeito. O Espiritismo tem a sua parte dedutiva no campo filosfico, mas o campo experimental emprega a induo, como as outras cincias. De certo ponto em diante, porm, o Espiritismo exige metodologia prpria, porque os seus fenmenos so diferentes dos fenmenos peculiares s cincias humanas. No laboratrio de qumica ou fsica, por exemplo o operador, desde que conhea as leis e tenha o material suficiente, sabe de antemo que vai produzir tal ou qual fenmeno, pode at afirmar por antecipao que vai obter o fenmeno.

    J no campo da fenomenologia esprita no se pode proceder assim. Ningum, por mais conhecimento que tenha do Espiritismo, pode garantir, por antecipao, que vai obter um fenmeno, porque a produo do fenmeno esprita no depende da vontade do experimentador. Veja-se, pois, a diferena entre a Cincia esprita e a Cincia humana:

    a) na cincia humana (qumica, fsica, botnica, etc.), o homem de laboratrio

    lida com material passivo, sem inteligncia: nem a matria prima nem o instrumento tem inteligncia, porque inteligente somente o experimentador;

    b) na cincia esprita a situao outra: a matria prima (esprito) inteligente, tem vontade; o instrumento (mdium) tambm inteligente, tem vontade, tem reaes, est sujeito a disposies ou indisposies imprevistas; o experimentador no domina, portanto, os elementos como o qumico domina o seu material no laboratrio.

    Tudo isto, em poucas palavras, pode ser assim resumido: na cincia humana,

    o experimentador faz o que quer; na cincia esprita, o experimentador pode influir, pode provocar, mas no pode forar a produo do fenmeno, porque o esprito inteligente, pode querer ou no querer manifestar-se, como ainda esta sujeito situao do mdium e, muitas vezes, s condies do ambiente. Em suma, o fenmeno esprita no se opera com a mesma facilidade com que se opera outros fenmenos, uma vez que NO DEPENDE DA VONTADE HUMANA, embora esta, em determinados casos, possa ter influncia, ainda assim mesmo, relativa. Diante de tudo isso, vamos fixar, aqui, mais um ponto de orientao: embora o Espiritismo, como cincia experimental, adote o mtodo indutivo (do particular para o geral) que o mtodo universalmente adotado nas cincias positivas, no se pode subordinar o fenmeno do alm tmulo ou fenmeno esprita, de um modo absoluto, s regras invariveis das cincias humanas, porque o Espiritismo tem mtodo prprio, de acordo com as circunstncias. Se, na generalidade, o Espiritismo tambm emprega o mtodo comum s outras cincias, em

  • suas particularidades exige mtodo especial, justamente porque os seus fenmenos so diferentes, constituem, como se sabe, uma categoria especial, porque so fenmenos de origem e natureza diferentes. Voltemos s trs fases da experimentao: observao, experimentao propriamente dita e, finalmente, deduo.

    a) A observao espontnea, natural, ao passo que a experimentao provocada, preparada previamente. A observao a fase inicial, at certo ponto passiva, porque o observador se limita a observar sem a menor interferncia nos trabalhos

    b) Depois da observao, vem a experimentao, a fase cientfica, porque no mais passiva nem emprica. Enquanto na observao o assistente ou estudioso espera naturalmente que o fenmeno se verifique, na experimentao j se provoca o fenmeno, tenta-se obter comunicao. O experimentador, j nesta fase, tem participao direta no fenmeno, colabora ativamente com o mdium. De qualquer, forma, porm, o fenmeno anmico ou esprita, mesmo provocado, no depende inteiramente da vontade pessoal. Este princpio fundamental no Espiritismo. A experimentao , portanto, a fase em que se comea a trabalhar com o suficiente conhecimento do assunto, com preparao prvia. Enquanto no h preparao nem conhecimento do assunto, o que se verifica apenas empirismo, tentativa e no, propriamente, experimentao no sentido cientfico.

    c) Deduo. O Espiritismo tem, como todo conhecimento cientfico, a sua parte dedutiva. Depois da experincia ou experimentao, vem a deduo. Que deduzir? tirar concluses depois de se conhecer uma coisa, num fenmeno, etc. Apesar de ser a fenomenologia a parte prtica ou experimental do Espiritismo, no pode deixar de ter conseqncia de ordem lgica. a parte que toca, portanto, ao raciocnio. A deduo uma operao puramente lgica, mas indispensvel em todo conhecimento organizado. Tem-se o fato, o elemento conhecido, portanto, e desse fato deduzem-se consequncias para completar o trabalho. A deduo , finalmente, a ltima fase da experimentao cientfica. Suponhamos que, na sesso esprita do centro A, o esprito B se comunique, repetidas vezes pelo mdium C, em diversas experincias, mas no se comunique pelo mdium D. Faz a experincia, tomam-se precaues, repete-se o fenmeno. Diante de tantas repeties do mesmo fenmeno, fica provado que realmente o esprito B pode manifestar-se pelo mdium C, mas no pode ou no quer manifestar-se pelo mdium D. Qual a razo? Tem-se a o elemento conhecido, o que esta provado, isto , o fato de B manifestar-se por C mas no se manifestar por D. Provado isto, teremos de deduzir alguma coisa. Qual a deduo a tirar da? A de que o esprito de B tem afinidade com C mas no tem com D. a parte dedutiva da experimentao cientfica.

    Encerram-se aqui as consideraes relativas aos fenmenos anmicos e espritas. Com esta parte, de acordo com o programa, completamos a matria doutrinria do 2 ciclo de estudos de 1950.

  • Doutrina (1 ciclo de 1951: janeiro a maro):

    Fontes bsicas: Livro dos Espritos Gnese Evangelho segundo o Espiritismo.

    I NOES GERAIS: Quando dizemos revelao esprita, expresso

    muito usada entre ns, naturalmente no nos referimos a qualquer forma de revelao pessoal. Entenda-se desde j que o Espiritismo no teve e no tem profeta. uma revelao, portanto, muito diferente de outras revelaes.

    (Leia-se indispensavelmente a Gnese de Allan Kardec, cap. I, pois a se encontra a explicao do verdadeiro carter da revelao esprita). A revelao esprita distingue-se das revelaes at agora conhecidas, pelas seguintes particularidades:

    a) no pessoal, porque no obra de um homem; b) no teve profeta, como o Islamismo (Maome) por exemplo; c) no veio de um esprito ou de um grupo, porque de origem espiritual, mas coletiva, visto como os seus ensinos foram dados por diversos espritos. Nossos adversrios costumam dizer, por ignorncia ou ma f, que Allan

    Kardec o profeta do Espiritismo. No! No h profeta no Espiritismo. Allan Kardec sempre fez questo de frisar que a Doutrina Esprita no pessoal. No doutrina de Allan Kardec, mas dos espritos.

    Ela no veio em carter proftico, mas por meio de instrumentos humanos, que so os mdiuns. Kardec analisou as comunicaes do alm, levantou dvidas formulou questes, fez comentrios pessoais. A ao de Allan Kardec, isto sim, teve

  • carter missionrio, porque foi ele o homem capaz, moral e intelectualmente de organizar os ensinos dos espritos, foi ele ainda o homem de envergadura moral e mental suficiente para tirar conseqncias filosficas, morais e religiosas do fato esprita, quando outros investigadores e experimentadores no passaram do fenmeno, no saram da parte estritamente experimental do Espiritismo. O profeta, porm, no; nem patriarca, como dizem outros, porque Allan Kardec nunca se intitulou fundador nem chefe de religio, tanto mais quanto o Espiritismo no comporta hierarquia nem dignidades eclesisticas.

    Ele , porm, indiscutivelmente, o verdadeiro codificador da doutrina. Deve-se a Kardec a obra de interpretao filosfica, organizao, Codificao dos ensinos dos espritos. Deve-se ainda a Allan Kardec a criao da palavra Espiritismo, a feio prpria que o Espiritismo tomou como corpo da doutrina, como conhecimento organizado. H, porm, no corpo da doutrina, duas partes complementares, que no podem ser separadas: a doutrina pura, tal qual foi transmitida pelos espritos (espritos diferentes e mdiuns diferentes, e no um esprito e um mdium apenas) e a contribuio humana, isto , a parte que propriamente de Allan Kardec. A doutrina propriamente dita, com os seus princpios bsicos, est no Livro dos Espritos, mas o desdobramentos dos ensinos est nas outras obras (Livro dos Mdiuns, Evangelho segundo o Espiritismo, Gnese, Cu e o Inferno, Obras pstumas) sem as quais a doutrina ficaria incompleta.

    No Livro dos Espritos esto os princpios gerais, e permanentes, as leis, a Filosofia, finalmente. Isto constitui o alicerce, mas no se constri um edifcio somente com alicerce. A Codificao da Doutrina Esprita , portanto, o conjunto das obras de Allan Kardec, todas elas inseparveis, coordenadas, concordantes.

    II POSIO DO ESPIRITISMO NA ESCALA DOS CONHECIMENTOS Desde o tempo de Aristteles, na Grcia, que se procura organizar, dividir,

    sistematizar, finalmente, os conhecimentos humanos. A diviso dos assuntos uma necessidade imposta pela prpria evoluo dos conhecimentos. Da o desdobramento, a ramificao das cincias. De uma cincia, por exemplo, saem diversas cincias novas, aos poucos se tornam autnomas. Toda cincia tem o seus fenmenos. O Espiritismo tem uma categoria de fenmenos especiais, e tais fenmenos no pertencem ordem geral dos fenmenos estudados pela cincia humana. Neste caso, qual o lugar do Espiritismo no quadro dos conhecimentos humanos? o que vamos estudar, embora resumidamente.

    De todas as classificaes das cincias, a partir de Aristteles, a mais ampla e mais aceita at hoje a de Augusto Comte, o fundador do positivismo, na seguinte ordem:

    Matemtica; Astronomia; Fsica; Qumica;

  • Biologia; Sociologia; Moral. A Moral, cincia dos deveres, entrou depois do esquema de Comte. Nota-se a

    que no h lugar para a Psicologia na classificao de Comte. Ora, a Psicologia , pela sua prpria etimologia , a cincia da alma. Acontece, porm, que o sistema de Augusto Comte no aceita a existncia da alma, como princpio independente do corpo. Os fenmenos da Psicologia esto enquadrados na Biologia. Hoje, porm, a Psicologia e a biologia so cincias autnomas. A Psicologia j est dividida em dois grandes campos: Psicologia racional e Psicologia experimental.

    O Positivismo no admite a alma na acepo espiritualista, isto , como esprito imortal, que sobrevive a morte do corpo. No. O Positivismo no uma doutrina imortalista. natural, portanto, que Augusto Comte, em sua classificao da cincias , no tenha includo a Psicologia.

    Assim, os fenmenos Psicolgicos (fenmenos da alma) so equiparados aos fenmenos biolgicos (fenmenos orgnicos), de acordo com o sistema de Comte. A Biologia, como cincia da vida ou dos seres vivos, cincia que explica todos os fenmenos da vida (nascimento, crescimento, morte) no explica os fenmenos da alma (reaes, tendncias, emoes, etc.).

    Mais tarde, porm, surgiu a Psicologia como cincia da alma, independente da Biologia. Ainda assim, h problemas que escapam esfera da Psicologia. H fenmenos que ultrapassam o campo e os mtodos da Psicologia: os fenmenos espritas.

    Fixemos, pois, desde logo, o conceito de alma, segundo o Espiritismo. A Psicologia estuda, por sua vez, os fenmenos da alma, mas preciso notar que a Psicologia no estuda os chamados fenmenos transcendentais. Neste particular, a Psicologia no sai dos fenmenos comuns: reaes, comportamento, volies, etc.. Assim como o Positivismo considerava o estudo da imortalidade da alma como pura Metafsica e, portanto, como assunto que no interessa cincia positiva, a Psicologia tambm no entra em cogitaes de ordem filosfica a respeito da alma. O problema da espiritualidade propriamente dito no faz parte do quadro da Psicologia acadmica, por ser problema de filosofia ou de religio. Ento, a Psicologia estuda os fenmenos normais, dentro dos limites da cincia humana. No sobe, portanto, chamada esfera Metafsica.

    O Espiritismo estuda justamente os fenmenos da alma, mas aqueles fenmenos que constituem uma esfera mais alta, acima do campo da Psicologia. So os fenmenos de alm tmulo, com as suas divises e, ainda, os fenmenos de animismo, que, embora sejam produzidos pelo prprio mdium, no fazem parte do conjunto de fenmenos comumente estudados pela Psicologia. Alma, para o Espiritismo, o esprito, e esprito o princpio inteligente, que anima o corpo, continua a viver depois da morte, tem conscincia, individualidade e responsabilidade. De acordo, finalmente, com o seu conceito de alma, o Espiritismo tem por objeto uma ordem de fenmenos que comporta classificao especial na diviso de conhecimentos humanos. No podemos dizer que a Psicologia negue a existncia da alma. H doutrinas psicolgicas, como h psiclogos que negam a imortalidade da alma, porque partem da filosofia materialista. Pode-se estudar Psicologia com pontos de vistas muito diferentes: materialista,

  • catlico, esprita, positivista, etc. Cada qual v o problema da alma segundo suas tendncia religiosas ou filosficas. O espiritualista, seja catlico, protestante ou esprita, por exemplo, pode estudar a Psicologia para provar a existncia da alma e sua imortalidade, o materialista pode tambm estudar a Psicologia para chegar a concluso oposta, isto , a de que a alma no existe. Tudo depende da formao, da orientao filosfica ou religiosa de quem vai estudar as questes Psicolgicas. O ponto de partida ou as premissas iniciais tm muita influncia: se algum parte da noo inicial de que a alma no existe, naturalmente vai concluir que todos os fenmenos psicolgicos se explicam por meios materiais; quando, ao contrrio, j se entra no estudo da Psicologia com a idia formada de que a alma existe e sobrevive ao corpo, certamente as concluses sero muito diferentes. Tudo isto, porm , particular, questo apenas da posio de cada um de ns no campo da Psicologia. Entretanto a Psicologia em si, como Cincia, tem o seu campo determinado. No lhe cabe, por isso mesmo, estudar questes que saem desse campo. Para resumir: a Psicologia estuda os fenmenos da alma em relao com o corpo e no a alma depois da morte. Isto quer dizer, portanto, que o campo da Psicologia esta circunscrito aos fenmenos habituais, comuns ou ordinrios, dentro do conjunto das atividades psquicas.

    A discusso dos fenmenos de alm tmulo, por exemplo, j no pertence mais ao campo da Psicologia acadmica. outra ordem de conhecimentos. Os fenmenos psquicos procedem da alma, no h dvida, mas foram grupos especiais, e por isso natural que existam cincias prprias para cada grupo.

    EXPLICAO RACIONAL..............................estuda o problema da alma a luz da razo no plano prtico

    PSICOLOGIA EXPERIMENTAL......................estuda os fenmenos do pensamento as Reaes, a vontade etc., no plano prtico Fenmenos de alm tmulo ESPIRITISMO..................... Fenmenos anmicos J se v, portanto, que o Espiritismo ultrapassa o campo da Psicologia,

    justamente porque estuda uma categoria de fenmenos cujo mecanismo no pode ser explicado pelo mesmo sistema porque se explicam os fenmenos psicolgicos. O

  • Espiritismo tem, sim, relao com a psicologia, em esfera mais alta, porque os fenmenos da alma so muito complexos e tm, muitas vezes, aspectos imprevistos. Nosso objetivo com estas consideraes gerais, apenas separar os campos da Psicologia e do Espiritismo e, ao mesmo tempo, situar o Espiritismo no conjunto dos conhecimentos humanos.

    Onde est, finalmente, o Espiritismo? Nas cincias naturais? No, porque os fenmenos espritas no pertencem categoria dos fenmenos da Biologia ou qualquer outro ramo das cincias naturais. Nas cincias fsicas? Tambm no, porque os fenmenos extra humanos ou espirituais no se identificam com os fenmenos fsicos. Nas cincias sociais? No, porque os fenmenos espritas no se confundem com os fenmenos sociais, nem o Espiritismo se enquadra na Sociologia ou em qualquer outra cincia do grupo de cincias sociais, como a Economia, a Antropologia, etc. Como situar, ento, o Espiritismo? Acima das limitaes ou dos esquemas de conhecimentos comuns. Convm notar, porm , que o Espiritismo, embora no esteja nem possa estar enquadrado em qualquer grupo de cincias humanas, tem elementos para elucidar ou esclarecer muitos problemas pertencentes a diversas cincias. As conseqncias do Espiritismo, na ordem filosfica, moral e social, por exemplo, incidem forosamente sobre questes de Psicologia, Religio, Sociologia, Direito, etc. etc. Veremos a seguir as relaes do Espiritismo com as cincias que lhe so afins e, ainda, com certos ramos de conhecimentos mais amplos. Neste caso, somos forados a concluir que o Espiritismo estuda fenmenos especiais, fora de todas as classificaes humanas e, por isso, deve ser estudado dentro da outra ordem de conhecimentos especiais, porque os fenmenos espritas escapam ao mecanismo dos laboratrios humanos, uma vez que so fenmenos oriundos da esfera extra humana.

    RESUMO DESTA PARTE:

    a) O Espiritismo tem objeto prprio: o fenmeno de alm tmulo.

    b) Justamente pelo fato de ter por objeto um tipo de fenmeno todo diferente

    dos fenmenos inerentes s cincias humanas, o Espiritismo no pode ser classificado entre as cincias humanas.

    c) Tendo, portanto, carter diferentes das cincias humanas, o Espiritismo tem, tambm, mtodo prprio, embora adote, at certo ponto, os mtodos normais das cincias comuns, em seu aspecto geral.

    d) Embora no seja de origem humana, o Espiritismo forma um corpo de

    doutrina (Codificao de Allan Kardec), que tem relaes com a maioria das cincia humanas sem, entretanto, ficar subordinado a qualquer uma delas.

    e) Como corpo da doutrina, cuja base o fenmeno, ponto de partida para a

    afirmao da imortalidade da alma, o Espiritismo tem conseqncias de ordem cientfica, filosfica e religiosa.

  • f) Como decorrncia disto, o Espiritismo tem influncia direta nas relaes humanas, em virtude das conseqncias morais que decorrem de sua doutrina.

    g) Finalmente, a influncia do Espiritismo se faz sentir nas relaes humanas

    pela moralidade que imprime ao comportamento do homem na famlia, no grupo social, na vida profissional, etc.

    III RELAES ENTRE O ESPIRITISMO E OUTROS RAMOS DE CONHECIMENTOS.

    a) RELAES DIRETAS

    I Psicologia experimental II Magnetismo III Metapsquica IV Telepatia b) RELAES INDIRETAS I Psicologia racional II Metafsica III Sociologia IV Antropologia, Criminologia, etc..

    Relao do Espiritismo com ramos de conhecimentos. Veja-se inicialmente o

    que diz Allan Kardec:

    O Espiritismo, tendo por objeto o estudo de um dos elementos constitutivos do Universo, toca forosamente na maior parte das Cincias; s podia, portanto, vir depois da elaborao delas (Gnese, cap. I n.. 21)

    Como se v, as relaes do Espiritismo com outras Cincias uma decorrncia da prpria natureza do Espiritismo. Antes da exposio deste ponto, convm que fique esclarecido outro ponto, igualmente necessrio. Quando dissemos, anteriormente, que o Espiritismo no se enquadra em nenhuma classificao das cincias humanas, porque os fenmenos espirituais ou de alm tmulo tem natureza diferente, no pretendemos, em absoluto, dizer que tais fenmenos sejam sobrenaturais. Seria a negao do carter da Doutrina Esprita. Pode parecer que aquela proposio esteja em desacordo com a doutrina, porque Allan Kardec afirma constantemente que os fenmenos espritas so naturais, e que o Espiritismo estuda um dos elementos constitutivos do Universo. Se os fenmenos espritas so naturais, porque fazem parte da natureza, como dizer que estes fenmenos no pertencem aos grupos da cincias naturais? Eis a a questo. O vocbulo Natureza tem dois sentidos. O sentido comum o de natureza fsica ou biolgica; mas no sentido em que Allan Kardec o emprega,

  • PSICOLOGIAEXPERIMENTAL

    METAPSIQUICA

    TELEPATIA MAGNETISMO

    ESPIRITISMO

    Natureza no apenas o mundo fsico ou o corpo humano. O conceito de Natureza, aqui, universal. Os fenmenos espritas esto, no h dvida, na ordem natural, porque fazem parte da natureza, mas no sentido amplo e no, como se v, no sentido estrito da natureza material. No se entende por Natureza apenas o conjunto de terra, atmosfera, plantas animais, seres humanos. Os fenmenos do Espiritismo esto acima destes campos de estudos, isto , acima da natureza fsica ou biolgica e, por isso, no se subordinam aos fenmenos das cincias naturais. Esclarecido, assim, o conceito geral de Natureza, entremos, agora, nas relaes do Espiritismo com outras cincias. H entre o Espiritismo e outros ramos de conhecimento, dois tipos de relaes: diretas e indiretas.

    RELAES DIRETAS

    V-se, assim, que, como j se disse anteriormente, de acordo com o pensamento de Allan Kardec (Gnese- cap. I) a Doutrina Esprita, por sua natureza, tem parentesco com diversos assuntos cientficos.

  • filoso

    fia

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    II RELAES INDIRETAS OU GERAIS

    Examinemos, agora, depois do esquema anterior, os pontos de contato

    imediato do Espiritismo com o Magnetismo, a Telepatia, a Metapsquica e, finalmente, com a Psicologia experimental.

  • RELAES DIRETAS

    a) Com o Magnetismo, porque, alm dos fenmenos magnticos que, hoje,

    so estudados pela Fsica em captulo especial, e o Magnetismo est na prpria natureza (na terra, nos animais, no homem) existe, ainda, um tipo de fenmenos que depende da ao magntica : o sonambulismo artificial , isto , o sonambulismo provocado pelo passe magntico e no o sonambulismo natural. O Magnetismo explica, portanto, fenmenos de clarividncia, desdobramento, etc. Esses fenmenos provam, por sua vez, que a alma, no estado sonamblico pode deixar o corpo, emancipar-se da matria. Prova-se a, pela ao magntica, uma tese bsica do Espiritismo: a independncia entre a alma e o corpo. O Espiritismo no pode deixar de ter relao com o Magnetismo. Entretanto indispensvel notar que Espiritismo no Magnetismo. Nem todos os fenmenos da natureza espiritual podem ser explicados pelo Magnetismo. O Magnetismo, at certo ponto, um auxiliar do Espiritismo. No se pode dizer, porm, como se disse no sculo passado, que todos os fenmenos Espritas se explicam pelo Magnetismo. No! O campo do Magnetismo no vai alm das possibilidades humanas. Os fenmenos do alm tmulo j ultrapassam a esfera do Magnetismo humano. No se pode deixar de reconhecer, porm, que o Espiritismo tem parentesco muito prximo com o Magnetismo, como disse Allan Kardec. O erro est em se pretender subordinar todos os fenmenos extra-humanos, todos os fenmenos de alm tmulo ao Magnetismo. Nisto, evidentemente, h muito exagero. De qualquer forma, porm, no se pode estudar a parte cientfica do Espiritismo sem estudar, ao mesmo tempo, o Magnetismo.

    Vejamos, agora, o que disse Allan Kardec sobre as relaes do Espiritismo

    com o Magnetismo: O Magnetismo preparou o caminho para o Espiritismo, e os rpidos

    progressos desta ltima Doutrina (Espiritismo) so incontestavelmente devidos vulgarizao das idias sobre a primeira (Magnetismo) . Fonte de consulta: Revista Esprita n.. 1, vol. 3, maro de 1858 (Traduo brasileira do Dr. Jlio Abreu Filho, de S. Paulo).

    Pode-se, todavia, praticar o Magnetismo sem ser esprita. H distino entre o magnetizador e o mdium. O magnetizador emite fora prpria, que pode aliviar dores, fazer curas, exercer at muita influncia sobre outras pessoas; o mdium, no, porque um instrumento, um intermedirio do esprito. O passe magntico dado pelo prprio magnetizador, enquanto o passe esprita dado pelo ESPRITO atravs do mdium, embora haja combinao de fluidos do mdium e do esprito. Finalmente, o Magnetismo um campo de estudos que tem relao imediata com o Espiritismo, mas no se deve concluir, por isso, que Espiritismo e Magnetismo so a mesma coisa.

    b) Relao com a telepatia. Que telepatia? Para usar a definio comum, telepatia transmisso de pensamento. Nos fenmenos de telepatia, muitas vezes, d-se o intercmbio de espritos que ainda esto encarnados, mas podem comunicar-se pelo pensamento. H ocasies em que a pessoa, pela ao teleptica (transmisso de

  • pensamento) pode transmitir idias ou mensagens a outras pessoas distantes. Esse tipo de fenmenos, como os de sonambulismo, prova, at certo ponto, que a alma, (princpio espiritual da criatura humana) pode emancipar-se temporariamente do corpo ainda na condio de pessoa viva, como se costuma dizer. A telepatia tem, como estamos vendo, muita relao com o magnetismo dentro de quadro de fenmenos complexos , cujos estudos ainda comportam muita investigao e discusso. A telepatia e o magnetismo so departamentos especiais no campo da fenomenologia psquica. O Espiritismo serve-se da telepatia, em determinados casos, para elucidar fenmenos psquicos.

    No se pode dizer, porm, que todos os fenmenos espritas ou de alm tmulo se explicam pela telepatia. Outro exagero, outro erro. Nas manifestaes expontneas ou imprevistas, por exemplo, no h transmisso de pensamento, pois que as idias das comunicaes recebidas so absolutamente estranhas aos pensamentos do mdium, do dirigentes dos trabalhos, da assistncia. Onde est, neste caso, a transmisso do pensamento?... Os fenmenos de telepatia interessam ao Espiritismo, mas telepatia no Espiritismo. Concluso deste ponto: o Espiritismo tem relao direta com a telepatia, em determinados aspectos, mas o Espiritismo no se subordina telepatia nem com ela se confunde.

    c) Relao com a Metapsquica. No podemos dizer que a Metapsquica seja uma denominao moderna do Espiritismo, porque existem Metapsquistas que no aceitam o Espiritismo. O termo Metapsquica, como se sabe, foi criado em 1905 pelo ilustre professor Charles Richet, autor do notvel tratado de Metapsquica (obra muito rara).

    H, porm, Metapsquistas que, na realidade so espritas, porque praticam o mediunismo sob a orientao do Espiritismo, aceitam a moral do Evangelho, segundo o Espiritismo, so reencarnacionistas. Ora, se aceitam os princpios bsicos do Espiritismo (imortalidade da alma, comunicao dos espritos, reencarnao) e se, por decorrncia disto, no mais se prendem a culto material (ritual, paramento, dolos, etc.), naturalmente so espritas, embora prefiram dizer que so Metapsquistas. H metapsquistas, porm, que, com o no aceitarem explicao esprita, chegam at a pender para o materialismo. H metapsquistas, finalmente, que se conservam em terreno neutro isto , margem do Espiritismo e confessam que no aceitam certas teses bsicas da obra de Kardec. No se podem dizer que so espritas, embora aceitem o fenmeno de alm tmulo, porque esprita no apenas o que cr na manifestao dos espritos ou pratica o mediunismo, mas o que aceita conscientemente os princpios fundamentais do Espiritismo e conforma com esses princpios as suas atitudes na vida moral . A Metapsquica tem por objeto, finalmente, embora com outros nomes, o mesmo fenmeno que serve de base ao Espiritismo: o fenmeno de alm tmulo. As interpretaes, porm, variam muito entre o Espiritismo e algumas escolas metapsquicas, conquanto o ponto de partida seja o mesmo: o fenmeno.

    J se v, portanto, que o Espiritismo tem relaes imediatas com a Metapsquica.

    RELAO COM A PSICOLOGIA EXPERIMENTAL

  • d) Evidentemente o Espiritismo tem relao inevitvel com a psicologia experimental, embora o ponto de vista acadmico ainda se recuse a aceitar a contribuio do Espiritismo na elucidao de certos fenmenos. A Psicologia, por exemplo, ainda no reconhece a existncia do perisprito ou corpo fludico, nem lhe estudou as propriedades. Entretanto, pelo conhecimento do perisprito, muitos fenmenos de desdobramento, viso distancia, projeo de fora fludica, etc. seriam explicados com melhores elementos de convico dentro do campo da psicologia experimental. Queremos apenas, com esta ligeira referncia, lembrar que o Espiritismo tem incidncia direta na psicologia experimental, no terreno dos fenmenos psquicos.

    Naturalmente quem estuda a parte cientfica do Espiritismo tem necessidade, claro, de conhecer tambm a psicologia experimental pelo menos em linhas gerais. V-se, assim, que o estudo regular do Espiritismo leva forosamente ao estudos de outros ramos de conhecimentos, como o Magnetismo, a Telepatia, a Metapsquica, a Psicologia Experimental, por exemplo, visto como estes campos de estudos tm pontos de conexo com o Espiritismo.

    Em qualquer uma destas searas de investigao o Espiritismo pode projetar muita luz.

    RELAES DIRETAS Depois do que foi dito sobre as relaes diretas do Espiritismo com os ramos

    de conhecimento que lhe so mais prximos (Magnetismo, Telepatia, Metapsquica, Psicologia Experimental) vamos examinar, agora, as relaes indiretas do Espiritismo com as ci ncias que com ele tem pontos de contato. Preliminarmente devemos dizer o seguinte: O Espiritismo no Sociologia, por exemplo, mas o Espiritismo, por decorrncia de seus conceitos bsicos, toca na Sociologia; Espiritismo no Psicologia Racional, mas no pode deixar de tocar, tambm, no terreno da Psicologia racional. Em suma o Espiritismo entra em diversas cincias mas no perde a sua personalidade, isto , no deixa de ser sempre o que ele por si mesmo: Espiritismo. No se deve dizer, por exemplo, que Espiritismo Sociologia, apenas porque o Espiritismo tem pontos de relao com a Sociologia, assim como o Espiritismo no exclusivamente Metafsica, embora tenha uma parte Metafsica. Devemos partir de um princpio: na ordem universal no existe fenmeno absolutamente isolado. No h, portanto, conhecimento solto, parte, inteiramente desprendido de qualquer ligao com o todo, o conjunto. Se assim , no h cincia absolutamente fora da ordem geral de conhecimento. Isto significa o seguinte: as cincias esto relacionadas naturalmente umas com as outras, porque a verdade uma s.

    Se, entretanto, as coisas no tivessem nomes, se as cincias no tivessem caractersticas prprias, o conhecimento seria confuso, a inteligncia humana viveria sempre no caos, ningum saberia distinguir os fenmenos de cada cincia. Apesar de no haver cincia absolutamente isolada, sem qualquer ponto de relao com as outras cincias ou, pelo menos, com os grupos de cincia afins, existem balizas necessrias: cada cincia tem seu objeto, suas fronteiras, seus postulados, seu mtodo particular, em muitos casos, conforme a natureza do fenmeno que lhe serve de objeto. Estamos dizendo tudo isto para fixar a seguinte noo geral: O Espiritismo, como vimos no quadro negro, tem relaes com diversas cincias, por fora de suas consequncias

  • filosficas, morais, sociais, etc. Mas no deixa de ser Espiritismo, no se confunde com as outras cincias. O Espiritismo tem relaes, portanto, com a

    Metafsica Psicologia racional Sociologia Antropologia Criminologia Fisiologia,

    etc. Tanto pode o esprito levar as suas luzes a qualquer uma dessas cincias, para

    esclarecer certos problemas, como pode, tambm, ir buscar elementos em qualquer uma delas para elucidar determinadas questes cuja compreenso exata dependa do auxlio das cincias humanas. De acordo com a figura que apresentamos no quadro negro, vamos fazer, agora, uma exposio muito sumria sobre as relaes do Espiritismo e as cincias aqui citadas.

    Espiritismo e Metafsica. Conquanto seja o fenmeno um elemento positivo, o Espiritismo tem uma parte Metafsica, isto , uma parte que trata da existncia de Deus, da causa primria de todas as coisas. Pode-se dizer, entretanto, que o Espiritismo no apenas Metafsica, mas no se pode deixar de reconhecer que h no Espiritismo uma parte que pertence ao domnio da Metafsica. A existncia de Deus no um problema de demonstrao positiva, mas de ordem Metafsica: Deus, a causa primria de todas as coisas. A Metafsica tem duas partes: a parte geral, que trata do Ser transcendente ou absoluto, e a parte que trata do mundo, isto , da essncia e no a forma do mundo. Neste ltimo caso, a Metafsica toma o nome de Cosmologia Racional. Finalmente, Metafsica a parte da filosofia que estuda as causas finais, a essncia das coisas, a origem do Universo. Ora, como todos sabem, o Espiritismo, em sua parte filosfica, estuda a origem do mundo e da vida, a CAUSA universal sem deixar, todavia, de estudar tambm as causas prximas ou particulares. Estuda o fenmeno, por exemplo, em seus efeitos materiais ou em seus aspectos fsicos, mas estuda, depois, a lei geral, o fim, a origem do esprito que deu causa ao fenmeno. Esta ordem de especulao j e campo ao fenmeno. Esta ordem de especulao j campo da Metafsica e no mais cincia positiva. Logo, o Espiritismo tem relao com a Metafsica.

    Espiritismo e Psicologia racional. A rigor, a Psicologia racional pertence ao domnio da Metafsica. Nem todos, porm, entendem assim. Neste estudo, tanto quanto possvel resumido, o que nos interessa apenas o ponto de relao que existe entre o Espiritismo e a Psicologia Racional. Convm lembrar que a Psicologia (cincia da alma) dividida em duas grandes partes: Psicologia Racional e Psicologia Experimental. J vimos, antes disto, que o Espiritismo tem relao com a Psicologia experimental, porque estuda fenmenos que so, tambm, objeto da Psicologia: sonambulismo, automatismo, etc. O Espiritismo tem, como todos sabem, elementos capazes de explicar muitos problemas da Psicologia Experimental. Convm, entretanto, repetir: Psicologia Psicologia, Espiritismo Espiritismo, e assim por diante.

    Tratemos agora, das relaes do Espiritismo com a Psicologia Racional. Enquanto a Psicologia Experimental estuda apenas o comportamento, os fatos em si, a Psicologia Racional estuda o problema da alma luz da razo. H escolas que, por isso mesmo, desprezam completamente a parte da razo, porque entendem que a Psicologia exclusivamente cincia experimental; segundo este ponto de vista, a Psicologia Racional filosofia, no cincia. Seja como for, existe a Psicologia Racional, a que discute a existncia da alma luz da razo. O Espiritismo, em suas

  • conseqncias filosficas (veja-se o Livro dos Espritos) leva a discusso do problema da alma tambm ao campo da razo, embora a sua doutrina tenha base experimental. Ainda mais, no Livro dos Mdiuns, Allan Kardec chega a dizer que, antes de se querer fazer algum esprita, mister tornar esse algum espiritualista. necessrio ensina Kardec que se admita, antes de tudo, a existncia da alma. , como se v, o ponto de partida lgico. Isto significa, portanto, apelar para a Psicologia Racional, isto , admitir logicamente a existncia da alma. Pois bem, o campo da Psicologia Racional, precisamente este: a existncia da alma na esfera da razo. O Espiritismo ocupa-se tambm deste aspecto do problema. verdade que os fenmenos do alm tmulo (materializao, psicografia, voz direta, levitao, etc.) j provam experimentalmente a existncia da alma, segundo o Espiritismo. Como decorrncia, o Espiritismo afirma, por isso, a existncia e a imortalidade da alma com base nos fatos, nas provas experimentais. Entretanto convm notar que o Espiritismo no despreza a parte racional do problema. Isto quer dizer que o Espiritismo tambm discute o problema da alma sob o ponto de vista lgico, luz da razo, finalmente. (Sobre este ponto, consultem-se as fontes iniciais: Livro dos Espritos Introduo. (II e VI). Logo, o Espiritismo entra, tambm, na seara da Psicologia Racional.

    RELAO COM A SOCIOLOGIA

    Por fora de suas consequncias sociais, o Espiritismo tem relao, tambm,

    com a Sociologia. Quem encara o Espiritismo apenas pelo lado experimental, isto , pelo fenmeno, ou quem no conhece a III parte do Livro dos Espritos (Leis Morais) no pode compreender este ponto. Se dissermos, por exemplo, a um socilogo ou mesmo a um estudante de Sociologia que o Espiritismo leva a suas consequncias doutrinrias ao campo da Sociologia, naturalmente a afirmativa causar espanto, porque a idia que muita gente faz do Espiritismo bem limitada seno incompleta ou defeituosa. Poder-se- logo perguntar: que relao tem a Sociologia com o Espiritismo e vice versa? Existe relao, sim, porque o Espiritismo, pelas suas consequncias morais, concorre para aperfeioamento do indivduo e dos grupos sociais. grande a influncia moralizadora do Espiritismo nas instituies sociais, a comear da famlia.

    Alm deste aspecto, a tese reencarnacionista explica muitos problemas que fazem parte das cogitaes da Sociologia. As desigualdades sociais, por exemplo, encontram na reencarnao a explicao mais racional, mais ampla possvel.

    Ainda que no existisse esse aspecto, bastaria a coincidncia de tanto a Sociologia como o Espiritismo se preocuparem com o aperfeioamento da sociedade humana. A Sociologia estuda o homem como parte da sociedade, pois o homem isolado no interessa Sociologia: o Espiritismo estuda o homem separadamente, mas estuda tambm o homem na sociedade.

    (Lei de Sociedade Livro dos Espritos, parte III). A reencarnao tem grande influncia nas relaes sociais, assim como nos padres de comportamento e no papel saliente de certos homens em determinados grupos, sejam primrios, sejam elevados. H problemas, no terreno da Sociologia, que seriam muito bem compreendidos, e com mais facilidade, luz da reencarnao. Acontece, porm, que a doutrina reencarnacionista ainda no aceita pelos socilogos.

  • Quem l, finalmente, na III parte do Livro dos Espritos, a Lei do trabalho, Lei da Sociedade, Lei da liberdade, Lei de destruio, Lei de conservao, por exemplo, encontra inevitavelmente pontos de contato entre o Espiritismo e a Sociologia. O problema do determinismo, que muitos socilogos ainda discutem para explicar a influncia do fator econmico no comportamento do indivduo ou dos grupos sociais, est bem interpretado, com profundo senso filosfico, na Lei da Liberdade, segundo a Doutrina Esprita. Assim, o problema do Livre arbtrio, que no exclusivamente um problema filosfico, mas tambm, Sociolgico. No pelo fenmeno de alem tmulo que se verificam as relaes do Espiritismo com a Sociologia, mas pela sequncia lgica dos princpios bsicos do Espiritismo na ordem social. Muita gente, como j dissemos, supe que Espiritismo apenas fenmeno, conversar com os mortos... Se os estudiosos em geral conhecem o contedo moral e filosfico do Espiritismo, compreenderiam a conexo de certos postulados do Espiritismo, (parte doutrinria) com os postulados da Sociologia. No podemos chegar, entretanto, concluso de que Espiritismo Sociologia. No. A Sociologia tem por objeto o fato social; o objeto do Espiritismo o fenmeno espiritual ou de alm, tmulo. Os mtodos tambm so diferentes, embora adotem, no campo da generalidade, os mtodos comuns a todas as cincias: o indutivo e o dedutivo. H, porm, mtodos particulares ou especficos, de acordo com a natureza de cada cincia.

    D-se, porm, o seguinte: o Espiritismo, pelas suas consequncias, pela sua organizao doutrinria, pela esquematizao filosfico-moral de seus princpios e postulados, toca forosamente na Sociologia.

    Dentro desta ordem de idias, podemos encontrar, como encontramos, as relaes do Espiritismo, tambm por decorrncia de seus postulados e princpios, com a Antropologia, a Criminologia, o Direito Penal, etc.

    A Antropologia, que vem de antropos (homem) estuda o homem sob o ponto de vista de sua constituio. Atravs dos aspectos somticos (referem-se ao corpo) e das manifestaes psquicas, a Antropologia pode classificar os tipos humanos, segundo a forma, suas deformaes, sua configurao craniana, etc. A reencarnao pode esclarecer muitos problemas de Antropologia, especialmente porque pelas vidas sucessivas ou reencarnao do esprito que se pode admitir, logicamente a anormalidade de certos tipos humanos. A Sociologia e a Antropologia estudam o fato em si, os fatos como ele se apresentam, mas no entram na discusso das causas, porque este problema de ordem filosfica. claro que o antroplogo estuda um indivduo de crnio anormal, um monstro, suponhamos, uma dessas aberraes da natureza, como se costuma dizer, mas no lhe compete procurar a explicao filosfica da anormalidade, isto , a CAUSA transcendental, o porque de tal aberrao. Ser tudo isso mero capricho da natureza? Qual a razo de haver, entre um grupo de homens normais, um tipo monstruoso, de cabea disforme? A Antropologia no entra neste ramo de indagaes, porque uma cincia positiva, interessa-lhe apenas o fato. J o Espiritismo, sem desconhecer o valor da cincia antropolgica, vai alm do aspecto puramente somtico do homem: procura a razo da anomalia na situao do esprito, atravs de existncia anteriores. Faz-se necessrio entrar at o terreno da fisiologia, no estudo das propriedades do perisprito, para que se compreenda a situao do esprito de um deformado em relao ao corpo. Existem deformaes espantosas, assim como verdadeiras feras humanas. A questo, porm, vai mais longe: onde est a CAUSA da deformao fsica e das taras criminais: No corpo, no psiquismo, nas glndulas? Os

  • antroplogos da escola materialista afirmam que o indivduo deformado (crnio aberrante, membros desproporcionados, etc.) porque nasceu assim... Mas o caso de perguntar: e porque nasceu assim? Como explicar esse capricho da natureza?... A Doutrina Esprita, com base no princpio reencarnacionista, interpreta os problemas da Antropologia luz de outro critrio. No desconhece os problemas, interpreta-os em fase de um princpio: o das vidas sucessivas, luz da justia divina. A causa no esta no corpo, mas no esprito. No corpo de um tipo lombrosiano, por exemplo, esta um esprito, que reencarnou em condies adequadas situao moral que lhe compatvel. Em consequncias disto, o Espiritismo vai a outros campos de estudos como Criminologia, o Direito penal, por exemplo. O criminoso nato, segundo a filosofia esprita, explica-se pela situao do esprito e no pelas anomalias do corpo. O que aparece no corpo efeito, no a causa. J existe, at uma obra especializada sobre o Espiritismo e o Direito Penal. (O Prof. Fernando Ortiz tem um livro intitulado A Filosofia Penal dos Espritas) O Livro foi publicado h muito tempo na Espanha e, h pouco, a Editora Vtor Hugo, da Argentina, publicou uma edio para a Amrica Latina, muito bem preparada. O Dr. Ortiz, professor da Universidade de Cuba, um criminalista muito conhecido. No esprita. Embora no seja esprita, sustenta, em seu livro, que a filosofia esprita a nica, at agora, em condies de explicar certos problemas de criminologia e Direito Penal. O problema do criminoso nato, que no , at agora, ponto pacifico entre os criminalistas, pode ser elucidado com elementos tomados tese da reencarnao. A LAKE, de S. Paulo, esta preparando uma edio desta obra.

    Nem a escola clssica, nem a Antropologia, nem a Sociologia, nenhuma delas, conquanto haja uma pouco de luz em cada uma, esclareceu definitivamente a questo. Qual a causa de criminalidade instintiva? Por que existe criminoso nato? Por que o indivduo nasce com tendncia para o crime? So problemas que, sob certos aspectos, reclamam o concurso da reencarnao. Da o criminalista cubano, Prof. Ortiz, dizer que a filosofia esprita de grande importncia na Criminologia e no Direito Penal. Note-se que o Prof. Ortiz se apoia inteiramente em dois Livros bsicos de Allan Kardec: O Livro dos Espritos e A Gnese. O criminoso apenas um produto social, como quer a escola sociolgica? O meio social tem influncia, mas a tendncia inata vem de dentro, e no de fora, vem do esprito. A Doutrina Esprita pode, como se v, esclarecer muitos pontos ainda obscuros na Criminologia. No podemos desenvolver muito estes assuntos, porque o nosso programa grande. Deixamos aqui apenas noes gerais, para que possamos ter idias mais seguras sobre a extenso do Espiritismo, que um corpo de doutrina muito slido, complexo e profundo, tanto assim, que abrange questes atinentes a diversas cincias. Com esta parte, encerramos as dissertaes sobre as relaes diretas e indiretas do Espiritismo.

    IV NOES RELATIVAS PARTE HISTRICA DO ESPIRITISMO

  • A histria do Espiritismo comporta dois critrios: o que parte do Fenmeno e o que parte da doutrina. Parece-nos mais lgico tomar como ponto de partida a organizao da doutrina, em 1857. verdade que a doutrina surgiu como decorrncia do fenmeno, mas o fenmeno sempre existiu. Se, por exemplo, quisssemos comear a histria do Espiritismo pelo fenmeno, poderamos dizer que o Espiritismo comeou com a existncia do prprio homem, uma vez que a existncia da mediunidade e a ocorrncia de fenmenos, como se sabe, so fatos to velhos como a existncia do homem. No havia, porm, doutrina. Se, portanto, o Espiritismo no apenas fenmeno, mas o composto inseparvel de fenmeno e doutrina, natural que a histria do Espiritismo tenha como marco inicial justamente o ano de 1857, quando se publicou o Livro do Espritos de Allan Kardec. Antes da Codificao de Allan Kardec no havia a palavra ESPIRITISMO. Os fenmenos so, isto sim, elementos histricos indispensveis, mas a histria do Espiritismo no esta exclusivamente nos fenmenos. H, porm, no terreno dos fenmenos, um acontecimento de importncia fundamental na Histria do Espiritismo: os fenmenos de Hydesville, nos Estados Unidos, no ano de 1848. Esses fenmenos foram o ponto de partida do movimento Espirita 1

    A histria do fenmeno pode, pois, ser dividida em, trs perodos, segundo os diversos autores:

    I Histria antiga, que tem as suas fontes na Bblia e nas referncias

    encontradas nos mais antigos livros religiosos. II Histria Moderna, que comea com os raps (rudos) de Hydesville, nas

    proximidades de Rochester, E. Unidos (1848), onde as Irms Fox serviram inesperadamente de mdiuns.

    III Histria Contempornea, que compreende o perodo de Eusapia Paladino, as experincias de Lombroso at Bozzano e, da, aos nossos dias.

    Preferimos, porm, tomar como incio o perodo em que aparece a Doutrina

    Esprita codificada. Os ingleses e norte americanos, porm, no aceitam esta orientao, porque entendem que a histria do Espiritismo comea com o fenmeno. Alm disso, os ingleses e norte americanos ainda no aceitam a reencarnao, a no ser em percentagem pequena, tanto assim que eles se dizem apenas espiritualistas e, no, espritas ou espiritistas. Aqueles nossos irmos adotam critrios diferentes em relao histria do Espiritismo. H, porm, um ponto muito elucidativo: antes de Kardec havia fenmenos e mdiuns, mas no havia um corpo de doutrina com o nome de Espiritismo. lgico, portanto, que o dia 18 de abril de 1857, precisamente quando saiu, em Frana, a 1 edio do Livro dos Espritos, publicado por Allan Kardec, seja considerado um marco histrico da Doutrina Esprita.

    HISTRIA 1 Nota-se que os Norte Americanos no usam o termo Espiritismo. Para eles o movimento iniciado em 1848, em Hydesville, o moderno espiritualismo. A escola inglesa adota a denominao geral espiritualismo.

  • FENMENO DOUTRINA Antes de Allan Kardec Depois de Kardec 1848 1857 ANTIGA .............................. Bblia Literatura religiosa Swedenborg MODERNA ......................... Hydesville 1848

    HISTRIA Livro dos Espritos 1857 Crookes (materializao) - 1873

    CONTEPORNEA ............ Paladino (mdium) Lombroso

    Bozzano

    FONTES PARA O ESTUDO DA HISTRIA DO ESPIRITISMO

    Como obra clssica do assunto, podemos indicar o livro de Conan Doyle: O

    Espiritismo, sua histria, suas doutrinas, seus fatos. J existe edio em espanhol, publicada pela editora Schapire, da Argentina. Tem-se a a histria do Espiritismo, isto , fenmeno. Nota-se, porm, que Conan Doyle no desenvolve muito o perodo de 1855 a 69, justamente em que aparece a figura de Kardec. claro que o historiador cita Kardec, mas o faz apenas por exigncia cronolgica. Contudo a histria de Conan Doyle a fonte mais ampla, mais substanciosa da histria do Espiritismo. H outra histria, igualmente interessante: Origem do Espiritismo e sua doutrina, de Carlos Luiz Chiesa, da Argentina, publicada pela Sociedade Constncia, de Buenos Aires. A obra de Chiesa, porm, baseada, em grande parte, em Conan Doyle. O trabalho de Chiesa, todavia, muito importante. Diversos resumos histricos do Espiritismo so apoiados na fonte de Conan Doyle.

    O escritor ingls Ernest Tompson escreveu tambm, uma histria resumida, sob o titulo Histria e Cincia do espiritismo (History and Science of Spiritualism). A histria de Thompson, antigo igreja, so diretor do jornal Two Words (Dois Mundos) da Inglaterra, muito resumida, mais interessante sob o ponto de vista didtico, pois rene as lies dadas pelo Autor durante um curso para principiantes em determinada

  • Sociedade espiritualista inglesa. O Autor, porm faz referncia muito ligeira a Kardec. Cita-o apenas em poucas palavras, o que, alis, compreensvel, porque os espiritualistas ingleses, embora pratiquem o mediunismo e tenham boa literatura, no seguem a orientao de Kardec.

    Finalmente, como fonte autorizada, recomendvel, se no indispensvel a leitura da parte final de Obras Postumas,de Allan Kardec, em cujo material se encontram declaraes do prprio codificador do Espiritismo, como ainda comunicaes de grande importncia na histria do movimento esprita. Em Obras Pstumas temos, portanto, uma fonte histrica absolutamente indispensvel.

    Nota final. J estava terminado o presente estudo, quando a Editorial Vtor Hugo, da Republica Argentina, lanou, em excelente edio, a Biografia de Allan Kardec, escrita por Henri Sausse. Tem-se a valiosa fonte histrica do Espiritismo. Como obra geral, que no esprita, podemos citar O Espiritualismo experimental, de C. Vesme, Frana.

    V ESTUDOS COMPREMENTARES

    Noes Sumrias de Histrias das Religies

    O programa anual do Centro Espirita 18 de Abril prev uma srie de palestras sobre histria das religies. No se trata fcil compreender de um curso de histria das religies, assunto vastssimo, cujo desenvolvimento exigiria meses de estudos; apenas, como elemento de orientao, para facilitar a compreenso dos pontos de relao do Espiritismo com as idias religiosas, apresentamos esquemas das noes iniciais ou indispensveis.

    Conceito de religio Para ns, espritas a palavra religio, de acordo com a sua etimologia, significa religar, isto , fazer o homem voltar a Deus. este, portanto, segundo Allan Kardec, o fim da religio: religar a criatura ao Criador. Parece-nos, pois, desnecessrio, nestes estudos, alinhar as numerosas definies de religio, uma vez que o nosso conceito de religio, luz da doutrina espirita, muito diferente do conceito comum ou vulgar. Alm de tudo, religio sentimento, assunto de conscincia. So muitas e variadas, como se sabe, as definies. O assunto foge ao objetivo de nosso programa, sujeito s limitaes de trs palestras apenas.

    Todos j sabem que o Espiritismo quem o diz Allan Kardec uma doutrina de consequncias religiosas. Mas da no se conclui que o espiritismo tenha ou deva ter organizao religiosa: ritual, sacerdotes, cnones sagrados, etc... conseqncia religiosa, sim, porque o esprita no pode ser ateu. Nossa maneira de entender a palavra religio muito diferente, portanto, da maneira porque tal palavra entendida na opinio geral. Quando se diz religio, logo ocorre a idia de seita, culto externo (paramenta, pastor ou sacerdote, etc.). Ao passo que, sob o ponto de vista esprita, religio a aceitao consciente da existncia de Deus, adeso do esprito crena no poder supremo de Deus e de sua justia. Cremos, finalmente, que desnecessrio, na introduo desta srie de estudos citar ou comentar as muitas definies de religio. Temos, como j foi dito, concepo prpria de religio. Passemos a outro ponto.

  • Religio e culto Quando iniciamos o estudo geral da religio, devemos considerar logo dois elementos: a idia religiosa e o culto. Da dizer-se, com apoio nas autoridades em, matria religiosa, que a religio tem dois aspectos: subjetivo e objetivo. O aspecto subjetivo a idia religiosa, a crena na existncia de um poder acima do homem. H indivduos que, embora no estejam filiados a qualquer religiosos, uma vez que admitem a existncia de Deus, cultivam a idia religiosa. Temos a a religio considerada sob o ponto de vista subjetivo. O aspecto objetivo da religio est no culto. Que quer dizer culto? Culto o ato de adorar, de render homenagem ou manifestar obedincia a Deus, tenha o nome de Alah, Jeov, etc. O culto pode ser interno e externo. Quando, por exemplo, ns nos recolhemos espiritualmente, fazemos a nossa prece, estamos praticando o culto a Deus. Mas esse culto todo intimo, todo natural, porque no tem ritual, frmulas, etc. Eis a o culto interno. Toda religio tem, entretanto, o seu culto externo: liturgia, objetos matrias, etc. H religies que no tem altares, imagens, etc., mas no deixam de ter culto externo, porque adotam formas especiais de orao, tem hinos, gestos, etc. O que regula o culto externo o rito ou conjunto de prticas e regras de culto. De rito vem a palavra ritual, que quer dizer sistema de cerimnias ou prticas inerentes aos diversos atos religiosos. Entendida esta parte, passemos a algumas noes gerais.

    Teorias mais conhecidas A Histria das Religies do sculo XVIII. Apesar das crnicas esparsas, das referncias em obras muito antigas, a Histria das Religies, isto , Histria sistematizada, no to velha, como se v. Existem diversas teorias a respeito da origem das religies. Justamente por isto, os autores clssico de Histria das Religies divergem muito neste ponto. Eis aqui algumas das teorias mais discutidas:

    a) MITOLOGIA DA NATUREZA Os partidrios desta teoria admitem que a religio nasceu da mitologia da natureza, do respeito do homem primitivo para com os fenmenos da natureza.

    b) FETICHISMO Os adeptos da teoria fetichista (adorao de objetos sagrados) entendem que a primeira manifestao de religio foi o fetichismo. c) ANIMISMO Os defensores da teoria animista (Taylor, no sc. XIX) afirmam que a religio no comeou, pela mitologia nem pela adorao de objetos (fetichismo) mas pelo culto da alma. a chamada teoria animista, que admitia objetos animados. d) MITOLOGIA ASTRAL Esta teoria, que discorda de todas as outras, desenvolveu-se no sculo passado. Seus adeptos entendem que a religio comeou pela mitologia astral, isto , pela adorao dos astros, considerados entidades sagradas pelo homem primitivo. e) MAGIA H tambm, na Histria da Religies, os que acham que foi a magia o ponto de partida, a origem da religio. Na opinio de Fraser, que estudou muito a magia em todas as suas

  • formas, assim como o totemismo (culto de objetos e animais sagrados) a religio anterior magia e ao totemismo. Frazer criou a teoria preanimista.

    f) MANISMO Esta teoria diz que a religio nasceu do culto dos antepassados, desde o momento em que o homem comeou a prestar homenagem ou reverncia aos seus mortos queridos. Da a palavra manismo para designar a teoria do culto dos antepassados.

    Existem ainda outras teorias. Como estamos vendo, no se chegou, ainda, a

    uma concluso definitiva sobre a origem da religio. Quando e como nasceu a religio? Qual foi a primeira manifestao religiosa? O animismo, o fetichismo, a magia?... Cada teoria tem, a este respeito, o seu ponto de vista. Os autores esto muito divididos sobre este ponto inicial da Histria das Religies.

    Religies reveladas Quando origem, as religies esto divididas em dois grandes grupos: naturais e reveladas. Religies naturais so aquelas que, no tendo tido profetas, foram buscar os seus motivos nos fenmenos da Natureza. gregos, assrios, etc., tiveram religies naturais, porque rendem culto a smbolos e fora da natureza. Religies reveladas so as que se originam de revelao, por intermdio de um profeta ou enviado.

    Monotesmo e Politesmo Quanto teologia, as religies dividem-se em politesta (muitos deuses), notando-se que o politesmo caminhou naturalmente para o monotesmo. O Judasmo um tronco monoteista.

    Do Judasmo, saiu o Cristianismo, como do Cristianismo saram o Catolicismo e o Protestantismo. Como se v as religies dividiram-se, ramificaram-se muito. At mesmo as religies monoteista, a comear do Judasmo, no se mantiveram coesas.

    Foi muito prudente Allan Kardec ao desprezar as divises religiosas e extrair do Evangelho, como base de nosso procedimento, apenas a essncia, a parte moral dos ensinos de Jesus, deixando margem as disputas e controvrsias religiosas. Para terminar, vamos apresentar, no quadro negro, um esquema das divises religiosas.

    SamaritanosJudaismo

    Ortodoxos{

  • {Cristianismo: Catolicismo Protestantismo

    {Ortodoxo ( no reconhece o Papa ) - Catolicismo: ( Igreja Grega )Romano ( Tem o Papa como chefe supremo )Anglicano ( Religio da Inglaterra. O Rei o chefe Espiritual ).

    Protestantismo{BatistasMetodistas, etc.Presbiterianos

    J dissemos que o Islamismo, cujo livro sagrado e o Coro ou Koram, tambm monotista.

    Alm da muitas seitas que se formaram dentro do Cristianismo, existe a do pentecostais e dos e dos sabatistas ou adventistas do 7 dia. Por a j podemos ter uma noo das divises, da fragmentao do rebanho religioso. Quis Allan Kardec, muito bem inspirado evitar que o Espiritismo tomasse o caminho de uma seita e concorresse para aumentar a confuso religiosa. Justamente por isso, Kardec aproveitou a parte neutra, indiscutvel e definitiva do Evangelho: a moral. O Espiritismo preocupa-se com a parte moral do Evangelho.

    O estudo anterior circunscreveu-se s principais divises religiosa: politesmo, monotesmo, religies naturais, religies reveladas.

    Vamos apresentar um esquema dos mais conhecidos livros sagrados das religies.

    Livros sagrados toda religio revelada tem os seus livros sagrados (J vimos, anteriormente, a diferena entre religio natural e religio revelada). Os gregos, que no tinham religio revelada, mas a religio natural, o politesmo inspirado em fenmenos da natureza, no possuam o que se possa chamar conjunto de livro sagrados.

    Nota-se nos livros sagrados orientais, na opinio de muitos autores, a unio da filosofia com a religio. No se distingue bem, nesses livros sagrados, o mstico do filsofo. As idias filosficas vieram do Oriente, muito ligadas s Idias religiosas. Entre os chineses, h diferena nas tendncias de Confcio e Lao Tse. Este ltimo mais filsofo enquanto Confcio moralista. A filosofia de Confcio teve por base o aperfeioamento do homem, o domnio das paixes; Lao Tse preferiu a indagao, a filosofia. Nos livro sagrados dos hindus, notadamente os de Buda, a religio no se distingue da filosofia.

    A doutrina religiosa dos persas est em Zoroastro ou Zaratrusta.

    A VESTA a bblia dos persas Passemos, porm, a outro ponto, porque no h espao para comentrios ou

    exposio desenvolvida.

  • J vimos, no estudo anterior, que o livro sagrado dos maometanos ou islamistas o Coro ou Koram. Esta religio, fundada por Maome, seu profeta, imortalista como o Judasmo, adota a circunciso e muitos hbitos e tradies dos judeus, mas apresenta muitos pontos diferentes do tronco judaico. O Coro, pois, a bblia do Islamismo. H muitos outros livros sagrados. Devemos, porm, resumir o assunto. A fonte do judasmo a bblia, isto , o Antigo Testamento. A Bblia quer dizer os livros por excelncia. Justamente por isso que se pretende definir a Bblia simplesmente desta maneira: O Livro dos livros. Mas o que se entende na realidade por Bblia um conjunto de livros.

    DIVISO DA BBLIA

    BBLIA{Velho TestamentoNovo Testamento{Livros histricoLivros doutrinrios Livro Proftico

    {Livros histricosLivros doutrinriosLivro proftico4 EvangelhosAtos dos Apstolos

    EpistolasApocalipse

    LIVROS SAGRADOS DOS JUDEUS KABBALA: parte esotrica, mistrios

    TALMUD{ Da BabiloniaDa Palestina { Tradies morais, polticase religiosas dos Judeus

    MISCHNATARGUM{Doutrinas e preceitos

    FONTE HISTRICA DO JUDAISMO

    PENTATEUCO{GnesisxodoLevticoNmerosDeuteronmio

    Pentateuco, tambm chamado TORAH, a lei, o conjunto dos primeiros

    cinco livros da Bblia. So livros histricos. J vimos anteriormente que uma corrente judaica se bateu para que o Judasmo ficasse apenas no Pentateuco, que a sua fonte, desprezando o resto da Bblia; outra corrente quis que se adotasse o Talmud (Livro das

  • tradies judaicas integralmente, sem alterao). Como se v, apesar de serem muito rigorosos, os judeus tiveram tambm suas divergncias.

    CRISTIANISMO Do Judasmo, como se sabe, saiu o Cristianismo. A fonte histrica do Cristianismo o Novo Testamento. So 27 os livros do Novo Testamento. A parte descritiva est nos 4 Evangelhos e nos Atos dos Apstolos. As Epistolas desenvolve a doutrina. Mas o que nos interessa a essncia do ensino de Jesus. Evangelho significa boa nova, a mensagem trazida por Jesus. Por fora de necessidade cronolgica, emprega-se a palavra Evangelho no plural, e por isso lemos: Os Quatro Evangelhos , segundo Mateus, Marcos, Lucas, Joo. Mas o Evangelho, em si, no tem plural. No h mais de um Evangelho de Jesus; h sim, O Evangelho, isto , a mensagem, a boa nova. Mas o Evangelho foi apresentado por quatro pessoas, em lugares e pocas diferentes. Forosamente em virtude desta circunstncia, dizemos o Evangelho segundo Mateus, segundo Lucas, etc., isto , o mesmo Evangelho, de acordo com a narrativa de Mateus, Lucas, etc.

    Concluso Quando Allan Kardec codificou a Doutrina Esprita, extraiu do Evangelho apenas a parte fundamental e neutra: a moral. Leia-se a Introduo de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

    Resta, agora, tirar a concluso que interessa ao ponto de vista esprita: cada religio acha que os seus livros sagrados so a nica expresso da verdade; o Espiritismo, colocando-se acima de todas as pretenses religiosas, afirma que a Verdade universal, e no pode estar contida exclusivamente nesta ou naquela doutrina. H no Judasmo, como no Islamismo, etc. ensinos inalterveis, como a imortalidade da alma. Cada religio tem um pouco de verdade, mas nenhuma detentora da verdade integral. O Espiritismo toma por base de sua moral o Evangelho. A verdade recebida gradativamente proporo que o esprito se ilumina pela virtude, pelo conhecimento, pelo trabalho. Eis porque, de tudo isto, o Espiritismo prefere apoiar-se na parte essencial do Evangelho.

  • FIM

    Encerra-se aqui mais um perodo de estudos doutrinrios do Centro Espirita 18 DE ABRIL. Todos os nossos estudos, seja qual for o aspecto pelo qual encaremos o Espiritismo Cientfico, filosfico ou religioso, tem por fim a ateno do homem para o problema da imortalidade da alma e da existncia de Deus. Sejam quais forem os mtodos e argumentos que empreguemos, teremos de chegar naturalmente, inevitavelmente a esta.

    CONCLUSO

    O ESPIRITISMO DEVE SER ESTUDADO, COMPREENDIDO E PRATICADO COM O SUPERIOR OBJETIVO DE REALIZAR A REFORMA MORAL DO HOMEM.

  • CONCEITO BSICO DE ALLAN KARDEC

    O Espiritismo uma doutrina filosfica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forosamente vai ter s bases fundamentais de todas as religies: Deus, a alma e a vida futura. Allan Kardec Obras Pstumas. No se pode conhecer bem o Espiritismo sem estudar a codificao

    de Allan Kardec.

    NOTAS FINAIS

    A ltima 5 feira de cada ms destinada ao estudo exclusivo d O Evangelho

    Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Encarregando-se desse estudo o Vice-Presidente do Centro Dr. J.C. Moreira Guimares.

    Em obedincia ao programa do Centro, fazem-se dissertaes sobre o Sermo

    da Montanha , durante o ms de dezembro como coroamento das atividades do ano. Colaboram conosco, at agora, nos estudos finais sobre o Sermo da Montanha,

    entre outros, os seguintes Confrades: Dr. Henrique Andrade, Cel. Delfino Ferreira, Joo Scizinho de Araujo, Antnio Luiz Parreiras, Joo Ribeiro Coelho, prof. Teodorico Castelo.

    Nos meses de abril e outubro, ainda em obedincia ao programa do Centro,

    realizam-se estudos especiais, porque nesses dois meses se comemoram duas grandes datas espiritas: O nascimento de Allan Kardec (3 de outubro) e a publicao do Livro dos Espritos (18 de abril). H, porm, em substituio aos estudos didticos habituais,

  • conferncias e dissertaes sobre Allan Kardec, em outubro, e sobre o Livros dos Espritos, em abril. Temos tido, nessas conferncias a colaborao dos seguintes confrades, alm de outros: Joo Carlos de Assis, prof. Teodorico Castelo, prof. Edson Abreu, Dr. Lauro Sales, Coronel Alfredo Molinaro, Sra. Idalinda Matos, Jornalista Enas Dourado, Joo Scizinho de Araujo, Flvio de Souza Pereira. Colaborou tambm nesses estudos o nosso companheiro Eduardo Barreiros, j desencarnado.

    O Centro Esprita 18 de Abril filiado Liga Esprita do Distrito Federal

    Programa do Centro 18 de Abril

    Art. 1 O Centro Esprita 18 de Abril. Assim denominado em homenagem a data em que foi publicado a 1 edio d O Livro dos Espritos, uma sociedade civil, com sede e foro no Distrito Federal, para estudar o Espiritismo, de acordo com a codificao de Allan Kardec. (Do Estatuto)

    DIRETORIA DO CENTRO ESPRITA 18 de Abril Para 1952 - 1955

    Presidente: Deolindo Amorim Vice-presidente: J. C. Moreira Guimares 1 Secretrio: Flvio de Sousa Pereira 2 Secretrio: Enas Dourado 1 Tesoureiro: Joo Scizinho de Araujo 2 Tesoureiro: Manuel Ladislau dos Santos Bibliotecrio: Sr. Ernestina de Andrade Comisso de Contas Antnio Luiz Parreiras Dr. Lauro Sales