Iconografia quinhentista

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Iconografia quinhentista

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  • 1. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 17 de setembro de 2011Lus Alberto Casimiro (FLUP)luis.casimiro@sapo.pt

2. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA O sculo XVI conhece profundas mudanas Atinge-se o Renascimento pleno (ao qual est associado o conceitode Humanismo e Antropocentrismo) Surgem diversos tratados graas ao desenvolvimento do espritocientfico D-se a Reforma Protestante (1517) A Igreja responde atravs do Conclio de Trento (1545-1563). 3. ICONOGRAFIA QUINHENTISTANo campo artstico registam-se acontecimentos importantes: Os pintores conseguem a representao perfeita do espao emperspetiva, criando a iluso da 3 dimenso O realismo das obras levado a um extremo (parece haver umadisputa com a prpria natureza) A escultura autonomiza-se face arquitetura O conhecimento anatmico e o domnio tcnico traduzem-se naperfeio das formas humanas como nunca antes se observara A Europa protestante e a Europa catlica seguem caminhosdiferentes no campo artstico O Renascimento d lugar a outras expresses plsticas. 4. Pintura representando um espao correctamente perspetivado:NOO DETRIDIMENSIONALIDADE Anunciao Carlo Crivelli (c.1486) 5. Pranto sobre Cristo morto - Andrea Mantegna (c. 1490) 6. Teto da Capela Sistina - Miguel ngelo (1508-1512) 7. Glorificao de Urbano VIII - Pietro da Cortona (1633-1639) Roma, Palcio Barberini 8. Piet Miguel ngelo (1499) 9. Piet Miguel ngelo (pormenores) 10. Piet Miguel ngelo(pormenores) 11. MoissMiguel ngelo (c. 1514-1516) 12. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA ANALISE DE OBRAS DE ARTE1- ANLISE ARTSTICA (Composio, perspetiva, formas, luz, cor, movimento, volume)2- ANLISE ICONOGRFICA (Aplicao do Mtodo Iconogrfico de Erwin Panofsky) 13. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANLISE ARTSTICACOMPOSIO Composio simtrica Composio assimtrica Composio fechada (centrpeta) Composio aberta (centrfuga) Composio segundo critrios geomtricos: (Linear, Curvilnea,Piramidal, Triangular, Circular, Oval, Rectangular em forma decarateres tipogrficos: C - J - L - S - Z - Y ...) 14. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA1- ANLISE ARTSTICA COMPOSIES ORGANIZADAS PELA LINHA RECTA:- HORIZONTAL (estabilidade, descanso, paz)- VERTICAL (segurana, fora, ascenso, espiritualidade)- DIAGONAL (dinamismo, maior expresso dramtica) COMPOSIES ORGANIZADAS PELA LINHA CURVA:- Implicam graciosidade e movimento- Podem estruturar-se em espiral ou- Atravs de curvas e contracurvas em forma de S 15. ComposiosimtricaSenhora com o Menino e dois Santos Andrea del Sarto (1517) 16. Composio linearltima Ceia Andrea del Castagno (c. 1447)Florena, refeitrio de Santa Apolnia 17. Composio linear ltima Ceia Andrea del Castagno (c. 1447)Florena, refeitrio do convento de Santa Apolnia 18. ComposioTriangular Virgem com o Menino e S.Joo BaptistaRafael Sanzio 19. Senhora e o Menino, Giovanni Belinni 20. ComposioCircular Sagrada Famlia, Miguel ngelo 21. Dinamismo dalinha oblquaNoli me tangereCorreggio (c. 1525) Madrid, Museo del Prado 22. Dinamismo daslinhas curvas eem forma de SO Rapto das filhas de Leucipo Peter Paul Rubens 23. Composio emYDescimento da Cruz Peter Paul Rubens 24. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANLISE ARTSTICADESTACAMOS COMPOSIES QUE ATENDEM A CRITRIOS DEPROPORES: - A SECO UREA (TAMBM CONHECIDA POR DIVINA PROPORO OU REGRA DE OURO)- O RECTNGULO DE OURO E O PONTO DE OURO 25. USANDO O PONTO DE OUROFPonto de Ouro F F FPONTO DE OURO :Ponto que resulta do cruzamento das linhas que unem a Seco urea dos lados maiores e menores 26. FF FPonto de OuroF 27. DIFERENTES LOCALIZAES DO PONTO DE OURO 28. DIFERENTES LOCALIZAES DO PONTO DE OURO 29. Velzquez 30. Rembrandt 31. A ponte de Courbevoie - Georges Seurat (1885) Londres, Courtland Institutes Galleries 32. Narciso e Eco John William Waterhouse 33. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANLISE ARTSTICAPERSPETIVA Do latim item perspectiva que significa olhar atravs Ou do latim perspicere que significa ver claramenteConjunto de procedimentos que permitem representar numasuperfcie plana (2D) o que na verdade existe na realidade (3D)dando a iluso de profundidade (perspectiva linear e perspectiva espacial) 34. Paolo Uccello - Batalha de S. Romo (c. 1450) 35. Paolo Uccello A caa (c. 1465-70) 36. Paolo Uccello Milagre da Hstia profanada (1465-69) predela 37. PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 1 ponto de fuga 38. PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 2 pontos de fuga 39. PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 3 pontos de fuga 40. Um ponto de fuga Aplicao prtica 41. Dois pontos de fugaAplicao prtica 42. Trs pontos de fuga Aplicao prtica 43. Variantes da construo utilizando 3 pontos de fuga 44. PERSPETIVA ESPACIAL / AREA 45. AnunciaoLeonardo da Vinci (1472-1475) 46. Mona LisaLeonardo da Vinci (1503-1506) 47. A ponte de Courbevoie - Georges Seurat (1885) Londres, Courtland Institutes Galleries 48. Banhistas em Asnires - Georges Seurat (1884) Londres, National Gallery 49. CONSTRUO DO ESPAO EM PERSPETIVASegundo Leon Battista Alberti (1435) 1: O artista deve desenhar o plano do quadro, a linha do horizonte, o ponto de fuga e as linhas de fugaLinha do horizonte Ponto de fuga Linhas de fugaPlano do quadroComo desenhar as linhas horizontais ? 50. Alberti props um mtodo auxiliar para desenhar as linhas horizontais: 2: Construo da vista de perfilPlano da pinturaObservadorLinha do HorizontePontos importantes do diagrama Vista lateral 51. 3: Justaposio dos dois esquemas anterioresLinha do Horizonte Plano da pintura Vista em perspetiva Vista lateral (pintura) Elementos da perspetiva segundo L. B. Alberti 52. Processo simplificado para o desenho em perspetiva: usando os pontos de distnciaJean Plerin (Viator): De Artificiali Perspectiva (1505) 53. Usando este processo possvel desenhar um espao em perspetiva e conhecer as dimenses dos objectosPonto de fuga Parede Objecto 3-DPavimentoObjecto 3-D 54. Leonardo da Vinci Estudo para a Epifania (c. 1481) 55. Estrutura arquitectnica desenhada em perspetiva com base no esquema anteriorJan Vredeman de Vries - Livro de Perspectiva (1604-1605) 56. Estruturas arquitectnicas desenhadas em perspetivaJan Vredeman de Vries - Livro de Perspectiva (1604-1605) 57. F3Rectngulo de Ouro eF2Ponto de Fuga (F1)F1Anunciao Mestre da S de Viseu (c. 1502 1505), Viseu Museu de Gro Vasco 58. d dD1 PFD2 Verificao da corrcta construo da perspectiva utilizando os ponto de distncia 59. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANLISE ARTSTICA TRATAMENTO DA LUZ Marte e Vnus (1570) Louis Lagrene 60. A Ceia de Emas Caravaggio (c. 1596-1602) 61. Movimento (linhas curvas e serpenteantes)Moiss defendendo as filhas de JetroRosso Fiorentino (1523-24) 62. Movimento (linhasdiagonais)O anjo aparece a S. Roque Gaspar Dias (c. 1584) 63. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA ANALISE DE OBRAS DE ARTE2- ANLISE ICONOGRFICA (Aplicao do Mtodo Iconogrfico de Erwin Panofsky) 64. ICONOGRAFIA E ICONOLOGIAOrigem, definio e objetivos O termo ICONOGRAFIA tem origem nas palavras gregas eikn(imagem) e no termo graphia (escrita ou descrio) Etimologicamente, significa escrita ou descrio de imagens O objetivo da iconografia no somente descrever as imagens,mas tambm classificar, analisar, identificar (interpretar), e tentarentend-las dentro da cultura e da civilizao da poca a quepertencem. 65. ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA Origem, definio e objetivos Em sintese, podemos dizer que a ICONOGRAFIA a cincia quepermite:Descrever ClassificarAnalisar Interpretar as imagens, procurando compreend-las no contexto em que foram criadas, independentemente da sua qualidade ou do seu autor. 66. ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA Origem, definio e objetivos O termo ICONOLOGIA tem origem no grego eikn (imagem) eno sufixo logia (de logos = razo, pensamento, teoria), o quetraduz a ideia de estudo e supe um processo interpretativo A ICONOLOGIA procura atingir um nvel de significado maisprofundo, interpretando o sentido ltimo das imagens (explicar oporqu da sua existncia num determinado contexto e lugar) Este passo s se torna possvel se conhecermos oencomendante, o local para onde foi realizada a obra e os motivosda sua encomenda. 67. Exemplificando:Papel da ICONOGRAFIA: identificar o tema, as personagens, omomento representado e o contexto em que ocorre o episdioPapel da ICONOLOGIA: explicar o significado ltimo da obra de arteatendendo ao comitente (quem?), ao lugar para onde foi pensada(para onde? e porqu?). 68. ANLISE ICONOGRFICA MTODO ICONOGRFICO DE ERWIN PANOFSKY: Pressupe 3 nveis de significado1- Nvel Pr-Iconogrfico (Significado primrio ou natural)2- Nvel Iconogrfico (Significado secundrio ou convencional)3- Nvel Iconolgico (Significado intrnseco ou contedo) 69. O MTODO ICONOGRFICO DE ERWIN PANOFSKY1- Nvel Pr-Iconogrfico (significado primrio ou natural) Nesta fase feito um reconhecimento da obra no sentido maiselementar, recorrendo experincia prtica Descreve-se, em termos formais, o significado primrio e naturalpresente na imagem que se observa. 70. 1- Nvel Pr-Iconogrfico 71. 1- Nvel Pr-Iconogrfico 72. 1- Nvel Iconogrfico 73. O MTODO ICONOGRFICO DE ERWIN PANOFSKY2- Nvel Iconogrfico (significado secundrio ou convencional) Esta 2 etapa consiste na anlise iconogrfica, propriamente dita, ouiconografia em sentido estrito O objetivo descobrir o contedo temtico (o significadoconvencional da obra de arte) Passa-se para o mundo do inteligvel, sendo necessrio recorrer stradies culturais, s fontes literrias da poca, ou de pocasanteriores, a smbolos, alegorias e personificaes, para identificaruma figura ou um acontecimento. 74. 2- Nvel Iconogrfico ltima Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Identifica-se o tema, o autor, as personagens, o momento representadoe o contexto em que ocorre o episdio 75. 2- Nvel IconogrficoSimo Zelote Judas Iscariotes Jesus Cristo Tiago MaiorJudas Tadeu Tiago MenorBartolomeu Mateus TomFilipe AndrPedroJooltima Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Identificao das personagen